desabafar
v.t.
Descobrir, desagasalhar.
Expor ao ar; arejar.
Desimpedir, desobstruir.
Desafrontar, desagravar.
Dizer ou manifestar com franqueza o que se sente ou pensa.
v.i.
Manifestar o que se sente ou pensa, desafogar-se.v. t.
Descobrir. Desagasalhar. Desafrontar. Tornar livre (a respiração). Dizer com franqueza: desabafar resentimentos. Expandir. Reanimar.
Respirar livremente. Expandir-se.
Hoje li este relato da Luana Carneiro no grupo de “feminismo e maternidade” do facebook, e perguntei se poderia postá-lo aqui.
E heis que a resposta foi super positiva!
Obrigada Luana, espero que possamos conversar, através de sua fala, com várias mulheres que sentem o mesmo que você.
“Um desabafo:
Estar grávida não é só ter que dividir seu corpo com a criança na sua barriga, é ter que dividi-lo com a sociedade também. Como mulher, tenho que me esforçar constantemente pra não ter a minha liberdade física e sexual castrada, mas vejo que, como gestante, isso vai muito além do que estava acostumada a lidar.
Subitamente todos ao meu redor são “experts” em saúde física e mental, e, como tais, se acham aptos a me dar “conselhos” – o que devo comer, pra onde devo sair, como devo me comportar e até o que devo pensar e sentir – a todo tempo.
Além disso, tente falar publicamente que não quer ter intervenções médicas na hora do parto, e o que ouvirá da maioria das pessoas é: “você está sendo inconsequente!”, “se algo der errado, se sentirá culpada pelo resto da vida!” (porque EU me sentir culpada, pelo visto, só depende da SUA noção de culpa), “conheço um caso assim e assado onde tudo deu errado!”, “você não vai aguentar a dor!”. Isso sem contar os próprios médicos, esses *entes divinos* que tentam te explicar como sem eles seu corpo não funciona e sua vida está sempre em risco! Hoje mesmo, numa consulta que fiz, tive que ouvir um sermão de como estou sendo irresponsável por fazer tais escolhas, como não estou preparada e ainda tive que ouvir a pergunta audaciosa: “o que seu companheiro acha disso?”E claro, pra completar, parece comum ter que dar explicações sobre a minha vida amorosa pra todos agora. É de se esperar, lógico, perguntas como “e quem é o pai?”, mas me deparo diariamente com coisas mais “por que vocês não estão mais juntos?”, “ele também concorda com a escolha que você está fazendo?”, “como você vai fazer pra ter essa criança sozinha?”. E quando dou respostas mais evasivas, como “meu filho me terá como mãe e pai”, as reações costumam variar entre “tadinha!” e “que horror!”. Já não me bastasse todo o caos interno que tenho que lidar nessa nova fase da minha jornada, toda a fragilidade emocional em que ando me encontrando, me vejo também refém da cultura patriarcal que acredita que não sou capaz de criar bem um filho sem uma figura masculina ao meu lado.
E é isso. Não acredito que seja a única a passar por isso…
Gostaria de estar mais forte pra conseguir superar logo toda essa raiva e mágoa que acabo engolindo no processo…”Por Luana Carneiro

