A Lua Vermelha

Na Antigüidade, o ciclo menstrual da mulher seguia as fases lunares com tanta precisão que a gestação era contada por luas. Com o passar dos tempos, a mulher foi se distanciando dessa sintonia e perdendo, assim, o contato com seu próprio ritmo e seu corpo, fato que teve como conseqüência vários desequilíbrios hormonais, emocionais e psíquicos. Para restabelecer essa sincronicidade natural, tão necessária e salutar, a mulher deve se reconectar à Lua, observando a relação entre as fases lunares e seu ciclo menstrual. Compreendendo o ciclo da Lua e a relação com seu ritmo biológico, a mulher contemporânea poderá cooperar com seu corpo, fluindo com os ciclos naturais, curando seus desequilíbrios e fortalecendo sua psique.
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Para compreender melhor a energia de seu ciclo menstrual, cada mulher deve criar um Diário da Lua Vermelha, anotando no calendário o início de sua menstruação, a fase da lua, suas mudanças de humor, disposição, nível energético, comportamento social e sexual, preferências, sonhos e outras observações que queira.

Para tirar conclusões sobre o padrão de sua Lua Vermelha, faça essas anotações durante pelo menos três meses, preferencialmente por seis. Após esse tempo, compare as anotações mensais e resuma-as, criando, assim, um guia pessoal de seu ciclo menstrual baseado no padrão lunar. Observe a repetição de emoções, sintonias, percepções e sonhos, fato que vai lhe permitir estar mais consciente de suas reações, podendo evitar, prever ou controlar situações desagradáveis ou desgastantes.

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(Réplicas de um útero normal e um útero menstruando)

Do ponto de vista mágico, há dois tipos de ciclos menstruais determinados em função da fase lunar em que ocorre a menstruação. Quando a ovulação coincide com a lua cheia e a menstruação com a Lua Negra (acontece nos três dias que antecedem a lua nova, entendido como o quinto dia da lua minguante), a mulher pertence ao Ciclo da Lua Branca. Como o auge da fertilidade ocorre durante a lua cheia, esse tipo de mulher tem melhores condições energéticas para expressar suas energias criativas e nutridoras por meio da procriação.

Quando a ovulação coincide com a lua negra e a menstruação com a lua cheia, a mulher pertence ao Ciclo da Lua Vermelha. Como o auge da fertilidade ocorre durante a fase escura da lua, há um desvio das energias criativas, que são direcionadas ao desenvolvimento interior, em vez do mundo material. Diferente do tipo Lua Branca, que é considerada a boa mãe, a mulher do Ciclo Lua Vermelha é bruxa, maga ou feiticeira, que sabe usar sua energia sexual para fins mágicos e não somente procriativos.
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Ambos os ciclos são expressões da energia feminina, nenhum deles sendo melhor ou mais correto que o outro. Ao longo de sua vida, a mulher vai oscilar entre os ciclos Branco e Vermelho, em função de seus objetivos, de suas emoções e ambições ou das circunstâncias ambientais e existenciais.

Além de registrar seus ritmos no Diário da Lua Vermelha, a mulher moderna pode reaprender a vivenciar a sacralidade de seu ciclo menstrual. Para isso, é necessário criar e defender um espaço e um tempo dedicado a si mesma. Sem poder seguir o exemplo das suas ancestrais, que se refugiavam nas Tendas Lunares para um tempo de contemplação e oração, a mulher moderna deve respeitar sua vulnerabilidade e sensibilidade aumentadas durante sua lua. Ela pode diminuir seu ritmo, evitando sobrecargas ao se afastar de pessoas e ambientes carregados, não se expondo ou se desgastando emocionalmente, e procurando encontrar meios naturais para diminuir o desconforto, o cansaço, a tensão ou a agitação.

Com determinação e boa vontade, mesmo no corre-corre cotidiano dos afazeres e obrigações, é possível encontrar seu tempo e espaço sagrados para cuidar de sua mente, de seu corpo e de seu espírito. Meditações, banhos de luz lunar, água lunarizada, contato com seu ventre, sintonia com a deusa regente de sua lua natal ou com as deusas lunares, viagens xamânicas com batidas de tambor, visualizações dos animais de poder, uso de florais ou elixires de gemas contribuem para o restabelecimento do padrão lunar rompido e perdido ao longo dos milênios de supremacia masculina e racional.

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O mundo atual – em que a maior parte das mulheres trabalha – ainda tem uma orientação masculina. Para se afastar dessa influência, a mulher moderna deve perscrutar seu interior e encontrar sua verdadeira natureza, refletindo-a em sua interação com o mundo externo.

Relato de parto Poliana e Gael

Relato de parto domiciliar Poliana e Gael, realizada em São José do Rio Preto, com parteiras Lucélia Caires e Amélie Lecorné e doula Nathalie Gingold:

“Demorei um pouco para conseguir organizar as ideias e relatar sobre o dia 14 de outubro de 2014. Hoje, três meses depois, consigo raciocinar e escrever melhor sobre o nosso dia, meu e do Gael.
A decisão de viver um parto domiciliar se deu no último trimestre da gestação. Mesmo com a sugestão de uma querida amiga (Camila Marcelino) no início da gravidez, ainda tinha dúvidas. Dúvidas que foram sanadas com o tempo, com pesquisas, com conversas com profissionais, com mulheres mães, com senhoras que tiveram seus filhos em casa e com as mães do grupo Gaia.
Ao ver vídeos e depoimentos de nascimentos de bebês no hospital (natural ou cesária) e em domicílio, percebi que a melhor forma de receber meu filho neste mundo, seria em casa, no nosso canto, sem pressa. Compreendi que mãe e filho, ao nascerem, só querem se abraçar, se acalmar e iniciar essa nova vida, juntos.
Dizem na medicina, que o primeiro minuto de vida é o minuto de ouro, e é mesmo! Nascer não é fácil! O bebê que até então estava fisicamente ligado à mãe, agora é livre, seguirá sozinho por seu próprio corpo. É um choque! Recebê-lo da forma mais carinhosa possível, amparando-o nesse momento tão sensível, para mim, era o melhor a fazer.
Ter tido uma gestação tranquila (considerada de baixo risco) e apoio do meu marido, também foram fundamentais para a minha decisão; para o meu empoderamento, se posso assim dizer. Não me senti poderosa, nem nenhum adjetivo que me vangloriasse. Senti apenas, que estava decidindo ouvir o meu corpo, meu bebê, meu instinto. E assim foi feito.
Encontrar profissionais que acompanhassem meu parto foi difícil. Conheci a Lucélia primeiro. Enfermeira obstetra, baiana porreta e querida amiga, terá para sempre um papel super especial na minha vida. A Amelie foi outro presente de Deus. Enfermeira obstetra, francesa meio brasileira, foi o check mate para que o parto domiciliar se tornasse realidade. Com a equipe profissional formada, segui para o próximo passo.
Combinei que o nascimento do Gael seria no meu pequeno apartamento. O trabalho de parto e a concepção em si, aconteceriam ali. Tentava imaginar como seria o grande dia. Imaginei ter amigas e parentes comigo, fotógrafos e doula, e por fim, achei que iria me incomodar com a presença de muitas pessoas ao meu redor e resolvi resumir a equipe nas enfermeiras, no meu marido e em mim. Acreditei que por estar muito exposta, num momento muito íntimo, não me sentiria a vontade. Grande engano! Primeiro porque não me incomodei um segundo se quer com a observação de ninguém. Sinceramente, esse tipo de preocupação não pertence a uma mulher que está tendo um filho. Comprei um top para não deixar meus seios à mostra, e só me lembrei dele muito tempo depois. Ri da minha ingenuidade. Segundo, porque de última hora tive uma doula, a Nath, que já conhecia e veio por chamado da Lucélia com minha autorização, e foi fundamental. Ainda bem que ela estava ali.
As contrações começaram por volta das oito horas da manhã. Tinha dormido super bem, levantei, fui ao banheiro como de costume e vi algo gelatinoso que deveria ser o tampão. Falei com meu bebê… chegou o nosso dia…dia tão esperado….vou te ver! Voltei para cama e esperei ter outra contração para chamar o Gui. Tive. Ele correu pegar o celular pra usar o aplicativo de contagem de contrações que há tempos tinha instalado. Estavam de cinco em cinco minutos.
No dia anterior tinha nascido a Laura, acompanhada pela mesma equipe que a minha e o parto tinha sido longo, foram 43 horas e acabou as três da matina. A Amelie, que é de fora, me ligou perguntando se eu sentia que meu parto seria logo, pois assim ficaria em Rio Preto por mais dias. Eu estava completando 40 semanas, mas estava tão bem, que disse que não. Achava que o Gael nasceria mais pra frente, com 41 semanas talvez. Ela foi embora e o Gael resolveu nascer. rsrs
Após verificarmos a frequência das contrações, resolvi avisar a Lu. Como ela tinha ido dormir tarde, escrevi pelo whatsapp: Lu, as contrações começaram…. descanse e quando acordar me ligue. Ilusão minha, ela já estava trabalhando. Me ligou para sentir como eu estava (eu estava ótima) e disse que provavelmente eu estava com uns 2 dedos de dilatação, que assim que acabasse a reunião na qual estava passaria na casa dela, pegaria todos os equipamentos e viria. Combinado.
Ao desligar o telefone mergulhei no meu trabalho de parto. As contrações que até então eram fraquinhas foram se intensificando rapidamente, uma a uma. Deitada na minha cama, me concentrei na minha dor. Estava muito segura, tranquila. Entrei na força daquele momento. Não vi nada e não vi o tempo passar. Só ouvia repetidas vezes a música Madre tierra Madre vida, como um mantra…. e cantava, sozinha no quarto

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O Gui estava tentando organizar a casa como tínhamos pensado. Colocar música, preparar câmera e abrir espaço para a piscininha, mas hoje lembro que ele estava como uma barata tonta, meio perdido sem saber o que fazer primeiro…. levava o dobro do tempo em cada coisa. rs
Resolvi tomar um banho. Sentia uma dor no quadril, muito forte. Como as contrações eram intensas, tentei ficar ajoelhada….não deu. Voltei pra cama. Lembro-me de ter ido ao banheiro fazer numero 2. E foi como uma dor de barriga. Fiquei aliviada, porque não queria fazer cocô durante o parto, já que era uma possibilidade.
Tudo isso durou quatro horas, e para mim parece que tudo aconteceu em no máximo uma. Quando a Lucélia chegou já era meio dia e eu nem tinha percebido o tempo passar, estava em outra dimensão. Ela chegou e foi como um estalo. Acordei! E aí disse a ela….ou eu sou muito mole, ou o Gael já vai nascer…rs. As contrações ficaram ainda mais fortes, e nesse momento, com 4 horas de trabalho de parto, já estava nua, despida de qualquer vergonha, selvagem com a minha dor.
A Lu fez então o exame de toque e verificou 7 centímetros! Ligou para a Amelie no mesmo momento e recomendou que ela viesse logo, pois meu parto estava evoluindo muito rápido e talvez não desse tempo dela chegar. Com esta possibilidade a Lucélia perguntou se poderia chamar a Nath para ajudá-la. Claro que poderia! Pareceu que ela chegou em dez minutos, mas depois disse que chegou em casa por volta das 13:30. Após a chegada da Lu, comecei a me movimentar, até então só tinha levantado da cama para tomar banho. Não era fácil andar. Andava com ajuda. Me sentia aérea a tudo o que acontecia. Comecei a obedecer ao que diziam. Me pendurei na barra da porta. Os três me ajudaram. Isso foi muito bom, e aliviou um pouco a dor no quadril. De lá fui para o sofá, acho. E logo comecei a sentir vontade de fazer força. Como dizem, parece mesmo uma vontade de fazer cocô, mas diferente..rs A Lu percebendo, disse que era hora de ir para a piscina. Na piscina parece que o tempo parou. Já estava na fase do expulsivo, mas essas duas horas finais pareceram muito mais longas.
Não senti qualquer medo ou insegurança em nenhum momento. Acho que isso é empoderamento né? Mas não foi consciente, foi natural. Não pensei em ir para o hospital, porque sentia que estava tudo indo bem….e a cada segundo, estava mais próximo de então ver o meu bebê!
Nesse momento, dentro da piscina, consegui ouvir que tinha música no ambiente, uma seleção de músicas celtas que gostava. Vi as pessoas, o Gui, a Nath, a Lu! Até consegui me preocupar entre uma contração e outra que já devia ser tarde e ninguém tinha almoçado. Eu comia algumas coisas que me davam, lembro-me de chocolate…. e tinha tomado café da manhã também….mas não sentia fome….estava na FORÇA!
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E então, o Gael foi querendo sair, podia sentir a cabecinha dele, mas ainda estava na bolsa, meio gelatinosa. Me levantei e então a bolsa estourou, acho que eu estava abraçada ao Gui. Saiu um jato de água, como uma bexiga com água que estoura ao cair no chão…. e então pude sentir seu cabelinho….muito cabeludo! Eram os minutos finais do parto. Era tanta força que eu fazia, que as vezes saía um pouquinho de cocô….as meninas me socorriam….por isso que digo que trabalho de doula exige uma doação gigante! Rs… não senti vergonha…não tinha cabeça pra isso…só repetia baixinho para dentro de mim…..vem filho! Vem filho! E ele vinha….
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Gemi e gritei com uma voz que vinha da alma! Não imaginava que gritaria… mas me dava força. E assim, as 15:56, o Gael veio ao mundo! A Lucélia o recebeu gentilmente, pois eu não teria conseguido segurá-lo ao nascer….e então me entregou meu bebezinho lindo, calminho, meu pequeno samurai. Não acreditava que a gente tinha conseguido! Repeti isso umas vinte vezes ao ver o Gael…rs Eu, que nunca tinha sofrido dor na vida… consegui lidar bem com o parto…as contrações não me abalaram….e agora estava ali, com o serzinho que mais esperava encontrar em toda minha vida! Sempre quis ser mãe….amo ser uma! Para mim, esta experiência foi um presente divino! Uma honra!

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Infelizmente o parto não acaba aqui rsrs….achava que a dor tinha ido embora com a chegada do Gael…ilusão. Fomos para uma cama preparada para mim na sala de casa. O Gael me olhava com olhos vidrados….me apaixonei! A Nath colocou ele para mamar no meu seio. O Gui cortou o cordão após parar de pulsar. E a Lu finalizava os procedimentos do parto. Não tive laceração do períneo, o que foi um alívio para mim, mas conforme a Lu, tive um pouco de hemorragia, acabei sangrando mais que o usual para um parto normal. Ela conteve o sangramento com massagens na minha barriga para contrair o útero e com as mamadas do Gael. Parou rápido, ainda bem. E a placenta saiu íntegra logo em seguida. Lembro-me de ficar mentalizando…. contraia útero, contraia….deve ter ajudado.
A amamentação foi necessária naquele momento, mas sinceramente, se eu pudesse adiar, adiaria. Doeu muito. Sempre tive muita sensibilidade nos seios…. e aquelas pegadas do Gael eram uma tortura. Sei que é triste escrever isso, mas a amamentação para mim, desde a primeira pegada até mais ou menos um mês de puerpério foi difícil… exigiu muito de mim….mas valeu a pena! Hoje, segue uma beleza!
Voltando ao parto… a Amelie chegou logo após o nascimento do Gael. Foi o máximo que conseguiu fazer, já que mora há quatro horas daqui. Foi muito bom vê-la. Ela e a Lu conversaram sobre a necessidade de se dar uns pontinhos ou não na pele lacerada…. e decidiram por fazer. A Amélie ajudou nesse momento, e ao todo foram quatro pontinhos (filhos da mãe)… dois na parte superior e dois na parte inferior da vagina. Doeu, mesmo com anestesia local.
Tudo finalizado divinamente… estava tranquila, feliz com o Gui e o Gael ali comigo. E as meninas me autorizaram tomar um banho. Queria muito, mas ao levantar senti fraqueza. Fui devagarzinho ao banheiro, mas ao entrar no box, só consegui dizer…acho que vou desmaiar…rs acordei segundos depois com as três me segurando, abanando….não tinha percebido o desmaio….voltei a mim conversando normal, como se nada tivesse acontecido. Tomei o banho e fui me deitar com a minha cria.
Nisso eu já tinha avisado minha mãe que caiu no choro em mistura de alívio e felicidade. Só repetia graças a Deus, graças a Deus!…e eu digo…Graças a Deus por fazer a natureza da mulher e do nascimento tão perfeitamente, e por colocar no meu caminho pessoas tão sensíveis e especiais.
E assim, ao final de oito horas de trabalho de parto, celebramos a chegada do Gael brindando com um pedacinho de placenta cada um! A priori pareceu uma ideia difícil de conceber, mas com um toque de shoiu, até que não ficou nada mal.. kkkk
Gratidão aos meus pais e irmãs que souberam aceitar minha decisão, ao Gui que me respeitou e me deu força sendo um verdadeiro parceiro de vida, às meninas Lu, Nath e Amelie pelo profissionalismo e carinho imenso comigo, ao grupo Gaia por me permitir conhecer pessoas que me fortaleceram, à Talita, Isa, Nayara e Mariana, que foram doulas também por estarem sempre tão dispostas a me ajudar! Gratidão à vida por este presente!”

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Relato de parto: Nascimento do Bento

Relato de parto por Alice, nascimento de Bento no dia 10/12/14 às 00:55 min na Santa Casa de Rio Preto, com Dr. Guaraci e doula Talita Miranda.

“Meu desejo nunca foi de ter um parto natural, imaginava um parto normal com analgesia, mas, se não desse certo, faria uma cesárea numa boa…esse era meu pensamento, até…..eu engravidar!
Comecei meio de bobeira a procurar grupos nas redes sociais de gestantes, mães e etc… Dentre os grupos que comecei a participar, achei o Gaia ( que foi decisivo na minha decisão tempos depois), fui participando do grupo passivamente, absorvendo as informações que eram postadas, vendo a troca de experiências das outras gestantes e mães…aquilo foi me inquietando e o desejo de um parto natural foi crescendo a medida que eu ia me instruindo, pois toda mãe quer o melhor pro seu bebê e depois de tanto ler, ver relatos de parto, assistir muitos vídeos de partos naturais…decidi e me convenci que o melhor era um parto normal ( ainda com analgesia).
Decisão tomada, veio a segunda batalha, convencer meu marido que este tipo de parto era o melhor, tanto para mim, quanto para o nosso filho…o Lucas ( esposo), não por mal, mas por um instinto de cuidar, de me poupar, não queria que eu passasse por “esta dor”, segundo ele desnecessária já que hoje em dia é só marcar o dia e fazer uma cesárea que “é muito mais segura” ( aos olhos dele). Fui insistente e por vezes chata, fazendo todo aquele discurso sobre os benefícios do parto normal x cesárea ( não só pra ele, mas para todos que me perguntavam sobre qual parto iria fazer e que depois da resposta soltavam aqueles comentários desencorajadores), pois bem… Fiz uma lavagem cerebral no meu marido ( rs) praticamente ” obrigava” ele a assistir os vídeos de partos naturais, lia reportagens sobre os benefícios do parto normal, etc…ele ainda era receoso quanto ao assunto, até que perto do fim da gravidez eu tive uma conversa com ele e disse que estava decidida que eu ia fazer o parto na água e que eu só precisava que ele me apoiasse, independente do que acontecesse, eu precisava dele, mais do que nunca, pra me dar forças, porque se ele não o fizesse, acho que eu não conseguiria….nesse momento ele decidiu ir até o fim comigo e me apoiou incondicionalmente.
Terceira e não menos importante, foi difícil achar o médico que iria realizar meu desejo…iniciei meu pré Natal com um tal dr.( cesarista) que logo no início quando disse que queria parto normal, já falou que a data prevista ( inicialmente meu bebe era para 24/12, pelas contas médicas) do meu parto não era muito boa para parto normal…sem falar que além disso ele me cobraria 5.000, pela disponibilidade…eu realmente estava disposta a pagar, mas aí…durante o pré Natal o tal Dr. ( que de fofo, não tem nada) foi se mostrando extremamente grosso e intransigente…eu discuti com ele por causa de um ultra-som e nunca mais voltei na clinica… Tive que procurar um novo médico…minha mãe falou do Dr. Guaraci ( que havia sido o obstetra dela no meu nascimento e no do meu irmão), resolvi arriscar…
Já na primeira consulta falei sobre minha escolha de parto e ele foi bastante receptivo e tranquilo quanto a minha decisão, sem falar na calma dele…tudo que eu falava pra ele estava tudo certo…concordou com tudo! Estava decidido…seria ele! Confesso que tinha um preconceito em relação à Santa Casa ( por ser um hospital antigo, sei lá…), mas conversando com meu GO, lendo sobre a tentativa de um projeto para humanização do parto, resolvi dar um voto de confiança e fazer meu tão desejado parto na água lá ( e com certeza não me arrependo, fui bem atendida em todos os sentidos). A escolha da doula foi um processo também, aliás fui decidir isso bem no final da gestação, tanto que encontrei a Talita 2 vezes só antes do dia do meu parto, meu marido achava desnecessário, pois já íamos gastar com o médico e tal, eu fiquei em cima do muro um tempo, mas ter filho no fim do ano é bom, porque pelo menos tem o 13 salário…pensei… Gasto com tanta coisa supérflua, não vou economizar justamente com o nascimento do meu filho ( que é a parte mais importante da minha vida), decisão tomada…eu iria pagar! Fizemos uma reunião bastante esclarecedora em todos os sentidos, ela me acompanhou numa consulta para conhecer meu GO ( tínhamos um encontro no dia 10/12, para pintar minha barriga, mas não deu tempo!!!rs).
Bom…dia 09/12 voltei ao trabalho depois de 10 dias de atestado médico, pois estava bastante cansada e com algumas dores na barriga ( que não eram contrações, era só estresse mesmo), fui trabalhar normalmente, sem nenhuma dor,estava ótima! Cheguei em casa, almocei e deitei para descansar um pouco, meu marido ( que estava de férias) resolveu sair para comprar os presentes para o final de ano, me chamou para ir junto, mas preferi ficar em casa dormindo, as 16:30 mais ou menos, me virei na cama e senti um líquido descer, corri para o banheiro e quando vi…minha bolsa havia rompido ( ahhh que momento esperado!!!) fiquei feliz e iniciei minhas ligações…primeiro pro marido ( que levou o maior susto e só conseguiu responder: já estou indo e desligou na minha cara), segundo pra minha mãe ( que estava no trabalho e com certeza ficou mais ansiosa que eu), terceiro para minha doula ( que me tranqüilizou) e depois pro meu GO ( que pediu pra eu ir ao consultório para me avaliar). Chegando à clinica estava com o colo alto ainda e só um pouco apagado, como minhas contrações estavam de 5 em 5 min, resolvi voltar pra casa e só ir pro hospital quando elas estivessem de 3 em 3 min e ritmadas. Saí de lá fui ao supermercado comprar algumas comidinhas leves, caso o trabalho de parto fosse madrugada a dentro…cheguei em casa umas 18:30, mais ou menos 19:00 chegaram meus pais e minha doula, as contrações estavam ritmadas e em pouco tempo ficaram de 3 em 3 min…resolvemos ir pro hospital…chegando lá queriam me colocar sentada numa cadeira de rodas ( que eu não quis, naquele momento se me colocassem sentada ou parada iria enlouquecer) queria me movimentar, andar, rebolar ( td isso aliviava a dor quando ela vinha), chegando ao quarto ( 21:30) as dores estavam intensas, vomitei, fui pro chuveiro, recebi massagem ( e enquanto isso, meu marido e a Talita enchiam a piscina ( no quarto).

Meu GO chegou as 22:00 e fez o primeiro exame de toque, estava com 3 cm apenas e muitaaa dor…pedia analgesia, anestesia…mas como estava com poucos cm ainda a solução dada pelo meu médico foi a aplicação de um analgésico intra-muscular ( que durante as contrações não adiantava muito, mas no intervalo delas me deixava extremamente relaxada, 2 horas e um cardiotoco dep524178_926480317362522_4833640762212223121_nois ele voltou a me examinar e para surpresa de todos já estava com 7 cm ( minha evolução foi rápida- graças a Deus!), me convenceram a entrar na água, pois nesse momento eu já estava na partolandia ( tão famosa)… Parecia que eu estava em outro mundo, ouvia as pessoas falando, mas parece que não entendia nada…estava dentro de mim… Quando entrei na água, relaxei, mas logo em seguida senti como se fossem espasmos, meu corpo pedindo pra fazer força…e aí eu descobri a gente não racionaliza a posição de parir…é algo instintivo…

A posição escolhida é a que seu corpo sente mais confortável e a minha foi de 4 apoios… Não sei quanto tempo se passou no expulsivo ( segundo meu marido foram 50 min), senti o tal círculo de fogo ( que dói e queima bastante), mas logo em seguida, quando sai a cabeça a dor alivia…neste momento o médico me ajudou ( na próxima contração ) a tirar o bebe, que veio para o meu 10421171_926480350695852_468013717956877269_ncolo, praticamente dormindo…com aquele cheirinho doce, que só quem pariu sabe como é…tão pequeno, tão esperado ( é muita emoção ).Nesse momento tudo passa, a dor, o cansaço…estava ligada no 220…era muita adrenalina… Perineo integro, placenta retirada…tomei um banho e fui para o berçário acompanhar a pesagem do meu filhinho…estava tudo bem…respeitaram minha decisão de não pingar o nitrato de prata nos olhos dele e a vitamina k foi feita via oral… Tudo como eu tinha planejado! Foi perfeito! Mais do que eu imaginava e planejei.
Descobri em mim uma força que eu não sabia que tinha, no momento em que o Bento nasceu, nasceu também uma mãe e uma nova mulher empoderada!”

Relato gentilmente cedido ao blog pela Alice Gonçalves, obrigada!!!

Relato de parto natural – Débora e Maria Eduarda

“Foi na Sta. Casa de São José do Rio Preto, SP, com Dr. Marcos Lelis e doula Daniela Maria, pelo SUS e natural

“Parto normal, para mim, é cesárea!”

Era essa a frase que eu dizia sempre que me perguntavam se eu queria parto normal ou cesárea. E foi assim até completar 37 semanas de gestação, quando minha decisão de parto tomou um rumo jamais antes imaginado.
Como engravidei sem plano de saúde, meu parto seria todo pago, desde a internação no hospital até os profissionais envolvidos. Já estava tudo definido e isso não se discutiu em nenhum momento antes de chegar a 37ª semana. Mas sabe aquelas surpresinhas que a vida traz? Pois é, a minha chegou nesse momento.10805055_681446411971731_854533413_n
Do dia para a noite, decidi que não queria pagar nada pelo parto. Eu poderia ter a minha filha pelo SUS, tudo de graça. Era assim com tantas mulheres, porque não poderia ser assim comigo também? Eu só não teria um quarto só para mim, nem meu marido como acompanhante, nem uma mesinha para colocar minhas lembrancinhas fofas (que eu nem tinha feito ainda!)… Ah, e claro, não teria a minha tão esperada cesárea! Sim, porque no SUS a prioridade é o parto normal, e a cesárea só acontece em último caso (salvo algumas exceções, tipo médicos “bonzinhos” ou que não têm paciência para esperar um parto normal, por exemplo). Então eu não gastaria nem 1 real mas, em compensação, passaria por todas aquelas terríveis dores e longa espera de um parto normal… Me dava arrepios só de pensar.
Lembrei de tudo que já havia escutado sobre parto normal a minha vida toda: que doía demais, que demorava horas e horas, que a espera ia muito além das 39 ou 40 semanas, que a bexiga poderia sair do lugar e eu teria de fazer uma cirurgia, que teria incontinência urinária, que sentiria dores para ir ao banheiro durante 1 ano inteiro… Era tanta coisa que, se fosse escrever, daria um mini livro! Fora isso, tinha meu marido dizendo que era super arriscado, que se algo acontecesse comigo ou com nossa filha ele não se perdoaria nunca, que eu tinha de ter mais responsabilidade e juízo e não ficar querendo ter esse tipo de parto nessa altura do campeonato… Ou seja, apoio ZERO e medo SUPER!
Mas quando coloco algo na cabeça, eu vou até o fim e não sossego enquanto não fizer. E, como num passe de mágica – e depois de conhecer a maternidade, as salas de pré-parto e de parto, conversar com mulheres que já haviam parido e adoraram, e ter o apoio delas – comecei a desejar o parto normal tal qual eu desejava as guloseimas que me davam água na boca durante toda a gestação. Sim, eu comecei a querer MUITO um parto normal, e era isso que eu teria, no que dependesse de mim!
Falei com uma amiga querida, a Thais, também grávida e decidida a ter um parto normal desde o início da gestação. Ela me sugeriu contratar uma doula porque me ajudaria muito na hora do parto. A principio neguei e agradeci, pois assim como não quis gastar com o parto, também não queria ter de pagar uma pessoa para isso. Disse que teria meu parto com a cara e a coragem (sabia de nada, a inocente). Ainda bem que marido foi muito mais sensato que eu e aceitou a idéia da doula. E foi assim que a Daniela entrou nessa história.
Agora estava tudo certo: 37 semanas, decisão pelo parto normal, amiga grávida no mesmo barco e doula pra ajudar a fazer tudo acontecer. Sempre desejei a cesárea, não por gostar de cirurgia, mas sim por não gostar de sentir dor (oh, céus!), porém sempre estive informada sobre tudo o que acontece no mundo dos partos normais. Lia relatos, assistia programas na TV, sabia dos procedimentos que eram aplicados… Engraçado, né? Era pra ser mesmo, a vida já estava me preparando a todo o momento, e eu nunca desconfiei de nada. Prefiro dizer que foi Deus, mesmo. Ele já sabia de tudo, como sempre. Em 3 semanas li ainda mais, me aprofundei em cada assunto, tirei dúvidas, assisti filme, mais programas de TV… Era o significado da palavra “empoderamento” se aplicando na minha vida.
Terça-feira, 39 semanas e 6 dias. Nada de sinais de trabalho de parto. O medinho de a gestação chegar às 41 ou 42 semanas às vezes batia, mesmo eu sabendo que isso não era problema. Estava sendo monitorada pelo GO que faria meu parto (ele era plantonista no hospital, na realidade. Deus tinha de me abençoar para poder ser ele no dia que fosse ter a Maria Eduarda. E eu confiava que isso aconteceria.) e ele já havia dito que, se não tivesse sinal do início do TP até o próximo domingo, eu seria internada para a indução. Vale informar que fiz todo o pré-natal com um GO, e meu parto seria feito por outro.
Como até então a ordem era descansar, eu que ficava em casa praticamente o dia todo sentada ou deitada, estava sendo massacrada cada dia mais por dores chatas nos quadris. Na terça-feira mesmo decidi ajudar a Duda a vir pra esse mundo. Fui ao shopping com a cunhada e o sobrinho pequeno e andamos por cerca de 5 horas seguidas. Eu poderia andar mais 5 horas, pois estava super bem. As dores sumiam quando andava. Saímos do shopping e, por orientação da Dani, fiz exercícios na bola de pilates. Dia super intenso e finalmente fui pra casa.
Tomei banho e, já deitada, falando pelo celular com a Thais sobre parto (claro!), senti umas mexidas muito fortes na barriga. Parecia que ela estava mudando de posição lá dentro. Nem deu tempo de achar muito estranho, senti uma dor e, ao virar de lado, ploft… a bolsa rompeu! Chamei o marido para confirmar se era aquilo mesmo, mas não tinha dúvida, o liquido não parava mais de sair. Foram minutos um pouco conturbados e até engraçados, porque minha mala ainda nem estava ponta, e fiquei meio desorientada com aquele líquido vazando, que cheguei a pensar em não ir para o hospital porque não queria que eles estourassem minha bolsa – oi?! – rs. Decidi ir logo para o hospital porque não conseguiria mesmo pegar tudo o que faltava, minha cabeça estava a mil e eu estava super feliz. Avisei a Dani e fomos.
Cheguei no hospital por volta de 1hr da manhã, fui examinada pelo GO de plantão que me informou: 1 cm de dilatação. Fiquei um pouco triste porque achava que com o mega passeio pelo shopping mais os exercícios na bola, estaria logo com uns 5 cm. Mas tudo bem. Logo a Dani chegou e meu marido precisou ir embora. No SUS, na sala de pré-parto, só é permitida a presença de mulheres, então ele só poderia assistir ao parto em si, quando chegasse a hora.
Não demorou e a Dani chegou. Confesso que estava meio sem jeito, sem saber o que aconteceria. A conhecia há bem pouco tempo, a tinha visto apenas uma vez e estava tímida. Entrava no banheiro para me trocar, pra ela não me ver nua. Ela com toda naturalidade ajeitou tudo e começou: massagem nas costas, exercícios na bola, cheirinho de canela (aromaterapia), música… Estava gostando muito de tudo aquilo!
Logo começaram as contrações, bem fraquinhas, todas desritmadas ainda. Caminhamos bastante, conversamos, rimos. As contrações vinham e eu parava, encostava na parede mais próxima, fechava os olhos, fazia uma carinha de risada misturada com careta de dor, esperava passar e logo continuávamos a caminhar. Eu sempre perguntava para a Dani se aquilo ia piorar, pois estava achando até tranqüilo. As pessoas passavam por nós e perguntavam, algumas desesperadas: “Ela está passando mal?”. Eu só ouvia, nunca respondia. A Dani dizia com a maior tranqüilidade do universo: “Não, não… é só uma contração!”. Risos. Isso me tirava a dor na hora, dava muita risada.
No quarto de pré-parto havia chegado uma grávida, bastante nervosa, ansiosa, louca por soro, louca por exames de toque, doidinha por uma cesárea. A apelidamos de “minha ocitocina natural”, pois sempre que eu olhava pra ela, vinha uma contração. Era impressionante, estava caminhando sem contração alguma, já por algum tempo, até desanimada, mas quando cruzava com ela, vinha na hora! Segundo a Dani, isso me ajudou bastante a ter as contrações mais ritmadas. Assim fomos a madrugada toda, e por volta das 8hr da manhã (acredito eu, não me lembro muito bem os horários) o meu tão desejado médico plantonista chegou e tive meu segundo exame de toque. Nada fácil, por sinal.
Fiquei toda inocente na maca, esperando ansiosa para saber se já tinha evoluído alguma coisa na dilatação e super feliz por o médico ali. Mas, quando ele fez o exame, aí sim eu quase morri! Não sei nem dizer como foi, sei que foi tão “forte”, tão “profundo”, que gritei… Uma, duas, três vezes. Foi muita dor, demais, tão grande que achei que ia parir ali naquela hora. Cheguei a subir o corpo pela maca, mas ele não parava. Depois que terminou, fiquei ali deitada, imóvel, olhos fechados. Só pensava: “porque ele fez isso? Eu confiava tanto nele, nunca imaginei que fosse fazer uma coisa dessas…”. Chorei, mais por dentro do que por fora. Só consegui derramar uma lágrima, mas não deixei isso me atrapalhar. A Dani ficou do meu lado o tempo todo, segurava minha mão e me pedia para ficar calma. Eu sabia que se me entregasse a minha tristeza ali naquela hora, nunca mais iria parar de chorar, ia desistir de tudo e não teria condições nem de enfrentar uma cesárea.
Respirei, ouvi as orientações da Dani, fingi que nada daquilo havia acontecido, abri os olhos e levantei para continuarmos nossa caminhada pelo hospital. Não ia ser isso que estragaria tudo. Depois fiquei sabendo que ele fez aquilo para ajudar na dilatação. Eu ainda estava com 1 cm e depois do toque, cheguei a 2cm. Não deixou de ser uma violência, penso eu, mas se foi para ajudar, valeu. Se não fosse também, pra mim não tinha problema. Como eu disse nada, muito menos isso, me faria desistir de tudo o que eu queria. E eu sabia que aquele médico era o melhor que eu poderia ter, então isso não me abalou, não.
Nesse tempo, fiz alguns exames de cardiotocografia, para ver como estavam os batimentos dela – estavam ótimos, sempre. Às 9:15h o médico avisa que, dali há duas horas, aplicaria o soro com ocitocina, para adiantar, pois a dilatação estava lenta e o colo do útero já estava quase apagado. Eu logo levantei o dedo e disse que não aceitaria o soro, e a Dani em seguida disse também que não o colocariam em mim, que dava muito bem para continuar sem ele. Falamos isso e ele saiu da sala, meio que aceitando nossa imposição. Achei aquilo demais! Ah, ele já estava perdoado pelo exame de toque dolorido, rs.
Andamos mais pelo hospital todo, para fugir do médico e do soro. Passaram as 2 horas e ele nem atrás de nós foi mais. Ótimo!
Não me lembro a ordem dos acontecimentos, mas fui para o chuveiro, fiquei mais tempo na bola, almocei em cima dela, mais massagem, caminhada, e aí começaram as contrações mais fortes. Nunca me esquecia de perguntar para a Dani se iriam piorar. A resposta era sempre sim. Passei por mais um exame de toque e estava com 4 cm. Esse foi o ultimo. Foram 3 no total.
Me lembro de estar deitada na maca e ouvir a Dani pedir licença para ir buscar algo para ela comer (ela estava sem comer NADA desde a madrugada, quando pisou no hospital). Eu, claro, disse que ela deveria ir sim, e fiquei sozinha. Nessa hora me bateu um medinho, porque já havia outra gestante na maca ao lado, quaaaase parindo, e chorava muito. Quando me vi sozinha senti medo, e as contrações vinham cada vez mais forte, e eu sem a minha doula. Peguei logo o celular e quando estava para mandar a mensagem suplicando a volta dela, eis que a vejo entrando pela porta. Ela voltou muito rápido, para a minha alegria. Foi um alívio muito grande e, se não pedi, me lembro de ter ao menos pensado em nunca mais deixar a Dani sair de perto de mim.
As dores fortes eram chatas, não posso negar. Em todos os momentos, a Dani sempre pedia para eu me conectar com a dor. Pra esquecer tudo que estivesse ao meu redor e pensar só nela, e para que ela servia. Era pra trazer minha filha ao mundo, então era pra sentir prazer com aquilo tudo e pensar que era menos uma contração. Foi fácil? Não! Mas é totalmente possível! Quando comecei a pensar em ter um parto normal, me vinha a mente que eu não poderia morrer sem ter passado por esse parto, e tudo o que o acompanha. Quando você sabe o que quer e não aceita outra coisa além daquilo, você consegue. Eu queria passar por tudo aquilo, inclusive pelas dores, então a solução era me entregar mesmo.
Me lembro do médico voltando na sala para me oferecer analgesia. Dessa vez, perguntei o que a Dani achava. Nessa hora, como estava mais vulnerável por conta das contrações mais fortes, tudo que pudesse me tirar daquela situação seria bem vindo. Mas eu procurava lembrar porque estava ali, e como queria que tudo acontecesse. A Dani disse que eu estava indo muito bem e que não precisava de analgesia. Era tudo o que eu precisava ouvir. Segui em frente, firme e tentando ser forte. O médico saiu para fazer uma cesárea e pediu para que nós, eu e a outra gestante ao meu lado, não tivéssemos bebê antes do retorno dele. Nessa hora a Dani ainda brincou: “Esse parto quem vai fazer sou eu!”. Dani, cuidado com o que você fala!
Resolvemos então voltar para o chuveiro. E foi ali que tudo mudou. Nessa hora eu já alertava a Dani de que “iria morrer”, que não estava agüentando mais. Devo ter falado isso umas mil vezes. Pensava: “Porque me meti nisso? Porque fui inventar de ter esse parto?”. Lá dentro eu já não tinha mais vergonha de nada. Eu já estava dentro de mim, não conseguia ver mais nada ao meu redor, nem pensar em qualquer coisa que não as contrações. Elas vinham uma atrás da outra, quase não tinha mais tempo para descansar.
A pressão lá embaixo já tinha começado, era uma sensação muito diferente. Eu me lembrava dos relatos que havia lido, das mulheres dizendo que o corpo pedia para fazer isso e aquilo. Saber disso me ajudou muito a entender tudo o que estava acontecendo. Fiquei sentada na cadeira debaixo da água, encostei minha cabeça na parede e ali apaguei. Finalmente era a tal “partolândia” que eu tanto havia ouvido falar. E eu achava que isso era “viagem” das gestantes. Eu simplesmente adormeci, não sei por quanto tempo, mas eu “sumi” dali. Segundo a Dani, ficamos quase 1 hora no chuveiro. Lembro que acordei e pedi para sair dali. Achava que ia morrer (de novo), porque estava muito abafado e senti minha pressão baixar. Fiquei com dó da Dani todo o tempo, imaginava o calor que ela não estava passando ali dentro, mas não conseguia falar nada, e não queria que ela saísse dali. Ela me enxugou, me ajudou a vestir minha camisola hospitalar de luxo e saímos.
A pressão era bem forte, eu já sentia vontade de fazer força, mas achava que não conseguiria, por conta da dor. Não imaginava como eu conseguiria fazer força com aquela dor. Pedi o “remédio” pra Dani, mas implorei para ela não sair de perto de mim. Imagina como ela ficou confusa, coitada. Eu pedia o “remédio”, mas não queria de verdade. Pedia porque era minha fraqueza. Numa dessas a Dani disse que já tinha pedido, e o médico já estava chegando com ele. Chegava gente da China, mas não chegava meu médico!
Em uma contração, senti uma vontade de gritar, um grito bem lá do fundo da garganta, incontrolável, e agachei ao pé da cama. Quando levantei, saiu um jato de líquido de mim. Olhei pra Dani e a cara era de espanto. Ela abaixou e viu a cabeça da bebê já aparecendo. Ela me disse que pensou que iria nascer ali mesmo, e ficou preocupada em conseguir algum pano para pelo menos forrar o chão. Ela só me pedia para ir para a maca, mas estava difícil até para andar. Logo veio uma enfermeira e pediu para eu subir em outra maca, para irmos para a sala de parto. Eu disse que não tinha condição nenhuma de sair de onde eu estava, que ficaria ali, e a Dani completou: “Ela vai ter o bebê aqui!”. A enfermeira, fofa, só concordou e perguntou sobre a episiotomia, e logo a Dani também respondeu: “Não vai ter episio”. Que maravilha! Estávamos chegando ao fim de tudo e não tinha sofrido nenhuma intervenção ainda. Eu podia contar o exame de toque dolorido como uma intervenção, mas lembra que perdoei o médico? Perdão liberado, assunto encerrado.
Finalmente consegui deitar na maca, e vi a Dani vestindo uma luva. Imagina meu pensamento: minha doula vai realmente fazer meu parto! O encosto da maca estava bem levantado, então fiquei numa posição quase sentada. Naquela hora, até se estivesse plantando bananeira estaria bom pra mim. Brincadeiras a parte, eu não queria era estar deitada, e isso já não aconteceria.
Comecei então a fazer força, quando me pediam. Finalmente o médico chegou. Achava que depois de duas forcinhas, no máximo três, já teria um bebê no meu colo. Se eu tivesse colaborado, talvez fosse mesmo. Segundo a Dani, quando o médico chegou, eu resolvi ficar tímida e fechava a perna! Me lembro dele vindo na minha direção com o dedo levantado, e eu pedindo para que ele não fizesse mais nenhum exame de toque porque não queria sentir mais nada entrando ali. A Dani riu e disse que não dava pra fazer mais nada, porque a cabeça dela já estava apontando! Me pediu para colocar a mão e sentir, mas eu não queria. Não queria que ninguém tocasse ali, nem eu, porque sentia ardendo já. Mas ele colocou a mão, não teve jeito. A Dani me avisou e disse que ele faria isso para tentar preservar meu períneo ao máximo das lacerações. Nem questionei, claro. Eu continuava fazendo força. Sem analgesia nem nada.
Finalmente saiu a cabeça. E o alívio é realmente imediato. Acaba o ardor, acaba a dor. É uma sensação única e muito gostosa. A mina preocupação agora era fazer sair o corpo. Fiz um pouco mais de força, senti o corpo dela deslizando e finalmente a Maria Eduarda havia nascido. As 13h15, 49cm e pesando 3.120kg.
Um corpinho muito gostoso, muito quentinho, foi muito emocionante. Logo me entregaram minha filha, ligada ainda a mim pelo cordão umbilical, que só foi cortado após parar de pulsar. Fiquei ali com ela e pude oferecer meu peito como tanto sonhei e que não seria permitido caso eu tivesse uma cesárea (meu outro GO já havia negado isso a mim, com a desculpa de que isso poderia causar uma infecção nela). Depois do corte do cordão, a levaram para aquecê-la. Logo me trouxeram aquele pacotinho de novo. Era muito mais do que eu imaginava, juro.
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Cinco minutos depois do nascimento dela, nasceu também a placenta. Achei que teria nojo ao vê-la, mas tive foi um carinho e respeito por ela. Pisei sem querer em cima dela e quase pedi desculpas. Me chamem de louca, mas foi isso mesmo que pensei. Era o alimento da minha filha, era algo especial para nós. E eu renasci.
Agradeci. A Deus. A Dani. E ao Doutor, que me disse que não havia feito nada, que eu tinha feito tudo sozinha. Só o que ele fez foi amparar a cabecinha dela, para não ficar caída na maca. Ah, que alegria! Nem eu acreditava em tudo aquilo que estava acontecendo.
Finalmente saí daquela sala e fui para a sala de parto, para fazer os pontos. Foram necessários, mas foram poucos, segundo o médico. Foi mais chato do que todas as dores, mas passou e eu estava nova em folha. Dizem que depois da cesárea as mulheres ficam meio dopadas. Já eu estava ligada no 220 v! Era muita adrenalina, muita emoção para uma pessoa só. Não conseguia nem sentir o cansaço, se é que ele existia.
E esse foi o meu tão sonhado e super cheio de surpresas, parto normal, natural. Com exatamente 40 semanas. Se eu faria de novo? Mil vezes, se fosse possível. Não vejo a hora de poder viver uma nova experiência, fazer o que não fiz nesse, viver mais, me conectar ainda mais, aproveitar muito mais. Ainda quando ando pelos corredores do hospital, me lembro de tudo e tenho vontade de chorar. De dor, de saudade, de amor.
Gratidão sempre eterna a Deus por me mostrar que eu sei e posso parir. A Dani, por ter sido essencial para que tudo acontecesse, e por ter sido tão carinhosa e amorosa. Ao meu médico e as enfermeiras fofas, que respeitam a mulher e o parto normal, mesmo sendo SUS. E ao marido lindo, que mesmo não gostando da idéia, aceitou e ficou feliz com tudo. Se ele assistiu o parto? Não! Não deu tempo… Mas o próximo ele não perde, podem ter certeza!”

Relato gentilmente cedido por Débora Loureiro para o blog ❤ Gratidão querida!

Relato de Gestação e Nascimento: O Parto de Anis

“O começo da história

Vou começar do princípio. No princípio era o ventre. Então vou contar sobre minha gestação e depois sobre o parto, porque acredito que o parto é parte ou fim de uma história que se inicia na concepção, ganha forma na gestação e se conclui no nascimento.Desde o começo da gravidez eu já  sabia que esperava uma menina, assim como da outra vez também  já sabia que era um menino. A gravidez, quando aceita e vivida com amor, aguça a sensibilidade espontânea. É como se um saber natural das coisas e dos sentimentos se instalasse em você. Mas não é do saber da razão que estou falando, é um saber dos sentidos, é uma sintonia com a existência viva, um estado permanente de conexão e interação com a natureza.

Um estado sublime que anda de mãos dadas com o divino. Um estado de clareza, de iluminação.
Por isso grávidas são tidas como iluminadas….um brilho brota do olhar, acho que ainda mais de dentro, brota do âmago, brota da alma.

Foi assim que me senti durante toda a gestação da Anis. Fiquei mais calma e radiante, mais sensível, mais em contato com o meu corpo e com o que realmente importa. Aprendi a amar mais.
Diminui o ritmo na intenção de desfrutar mais do aqui e agora. Estabeleci como meta viver mais pausadamente, porém com intensidade, estando realmente e inteiramente presente na vida, nos acontecimentos, experimentando de maneira tranquila e sem pressa cada fase na evolução da gestação.

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Isso  significa que  me mantive ativa com minhas obrigações oficiais. Significa que fiquei com a intenção de viver com mais sabedoria, aproveitando e respeitando  o tempo das coisas.

E assim fiz, e assim foi.
E pra sinalizar minha não pacatez na vida, ou para demonstrar que as atividades cotidianas não param, mas podem ser vivenciadas devagar e com respiração completa…….. mudei de trabalho, mudei de cidade, mudei de casa, mudei o assunto e o tema da minha dissertação de mestrado. Me instalei na minha nova e velha cidade, em uma casa cheia de história e estória, com a  sensação de contentamento e reconexão com minhas raízes.

Trabalhei até o 7˚ mês de gestação, escrevi minha nova dissertação em tempo recorde e dentro do tempo, finalizei meu mestrado e Pari….. na tradição das ancestrais parteiras, com rezas, cantigas e rituais, simbolizando e reverenciando cada etapa…. da maneira que desejei, da maneira que faz sentido pra mim. Em casa, onde me sinto livre e segura, no meu canto, no meu templo, onde cultivo minhas plantas, onde monto meu altar, onde coleciono minhas artes, meus livros, onde me retiro pra meditar, onde estudo, onde faço tudo e onde me permito fazer nada. 

Pari de forma plena, ativa, entregue, natural, com apoio, com amor, com respeito, respirando, contente e feliz! Experimentei dores profundas, tão profundas quanto de onde brota a iluminação. Parir, pra mim, foi experimentar meu corpo no auge, no ápice, no alto do cume de um lugar silencioso e concentrado.  Um lugar transgeracional, sagrado e milenar. E é de lá desse lugar que não tem palavra que falo agora.

O dia do parto

Bom, o dia do parto torna-se de repente dia do parto. Eu não fazia idéia  que seria naquele dia o dia do parto, e fui processando todos os sinais aos poucos…..

“Coincidentemente” e afortunadamente, eu tive retorno com meu médico querido no dia que se tornou ” o dia do parto”. Tudo começou de manhã, me recordando de alguns sonhos e notando uma certa diferença no meu corpo. Um tampão mucoso nunca dantes visto estava se apresentando delicadamente a mim, tão delicadamente  que demorei para captar seus sinais evidentes. Fui para o médico querido  logo depois do almoço, fizemos ultra-som e ele me disse que Anis estava se encaixando, por isso a presença do tampão.

Ok, voltei para minha casa, que também afortunadamente fica a apenas dois quarteirões do médico querido. Cheguei em casa e fui contar pro meu amado que Anis estava se encaixando, quando de repente aguas profundas que movem moinhos caíram no chão, não tão delicadamente.

Eu, já inteiramente absorvida pela intenção do seguir devagar a vida, mandei calma e tranquilamente mensagens para as parteiras, comunicando o fenômeno ocorrido.
Elas me disseram: – Ok flor, estamos indo praí ( uma das parteiras estava a 3 horas de distância de minha cidade).
E eu falei:  – Caaaalmaaa, vamos esperar mais um pouco!!!! ( percebam que nesse momento a pacatez realmente invadiu meu ser), pode ser que não seja nada!!!
E elas disseram : Flor, estamos indo mesmo assim…. É claro que elas já sabiam de tudo….eu é que estava lentificada deveras.

Continuei fazendo minhas coisas, e fui aos poucos realmente percebendo que eu estava em trabalho de parto. As águas que movem moinhos não paravam de sair, as contrações começaram a ficar muito perceptíveis, aumentando gradualmente. Esse início ainda é beeem suave, continuei fazendo minhas atividades caseiras, lavei roupa, recolhi roupa do varal, estendi roupa no varal, chupei fruta, bebi água, muita água, e novamente afortunadamente, para minha surpresa, levei uma picada de abelha no  dedo, rsrs .  (pode parecer estranha essa parte mas logo fará sentido).

Como não sou alérgica, não me desesperei (olha que novidade!), e aguardei calmamente a chegada das parteiras. Até pensei junto de meu filho:  – Olha, como sou sortuda, acabei de receber uma dose de anestésico e antibiótico natural ( nessas horas é sempre bom manter o otimismo)!

A chegada das parteiras

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Conversando sobre a picada de abelha, a parteira da tradição me disse que a abelha é símbolo do trabalho em conjunto, de coletividade, da organização…… ou seja, a abelha abriu os trabalhos. _ Que maravilha, eu amo esses sinais da vida, eles me mostram quando estou no caminho certo!!! E fico achando que o desafio ou o aprendizado da vida é “ler os sinais”…..~*~….. Eu amo ler os sinais!!!

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…. Ainda compreendendo todos os sinais, me recordando dos meus sonhos simbólicos da noite anterior e recebendo massagem da doula e das parteiras. Eu ainda não sabia de nada, inocente!!!
E me mantinha, com calor, com muito calor, sorrindo, afinal………..UUUUauuuuuu, eu vou Parirrrrr!!!!!Isso é Seeeensacionalllllll!!!!!!!Iuhuuuuuuuu!!!!

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Em êxtase porque vou parir!!!!!!

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Masss, como em toda evolução de um trabalho, é necessário uma certa  introspecção, é necessário a concentração, o centramento. É necessário calar-se para se ouvir, é necessário se voltar pra dentro, estar dentro e fundo…é de lá que vem!

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Desse lugar silencioso e dolorido de onde estou, e de onde me reconheço agora, apenas o que quero é massagem, massagem, massagem….. profunda, profunda, mais profunda. A lua cheia estava no céu,  a Luna na janela, quieta observadora de toda magia que estava acontecendo. Theo já estava dormindo, A casa era absoluto silêncio, apenas o som do meu respirar.

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Quero todos ao redor de mim, quero todas as mãos, toda vibração, todos os alívios, não quero nenhuma palavra. Quero gestos sem palavras, quero contato. Tudo deve ser muito profundo, silencioso e profundo.DSC04935

Quero a companhia amorosa do meu amor, sem palavras ele sabe do que eu preciso. Preciso do seu toque, preciso que caminhe comigo, que continue a caminhar comigo, que me dê apoio e que não saia do meu lado…..Durante a gestação eu lia sobre parto ativo, eu sabia que o meu seria ativo, eu me mantive ativa e disposta durante todo o ciclo da gravidez.  A atividade dissipa a dor, percebia que quando eu caminhava, eu buscava, eu cavava dentro de mim o espaço pro nascimento, eu reunia a força ancestral necessária pro nascer, pra trazer vida. E me silenciava cada vez mais, e mais….DSC04928

Eu só quero e apenas  preciso que caminhe comigo, preciso de apoio e sustentação, o resto pode deixar que meu corpo sabe o que fazer. Ele não tem dúvidas, ele tem uma sabedoria inata tecida com vigorosidade.

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Uma natural vontade de estar dentro da água se manifesta. A água conforta tanto,  a água conduz tão bem, dita o ritmo, nutre a pele, silencia ainda mais, traz mais pra dentro e relaxa.

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Mas eu precisava cavar, cavar mais e buscar, precisava andar pra encontrar e suportar  esse lugar que é tão dolorido, tão impetuoso, ousado e divino. Caminhar é preciso…. Me perco das horas,  me desconecto do mundo do tempo, só existe meu corpo, minha dor, regendo com maestria instintiva toda sinfonia que precede o nascimento.

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Nesse momento de tamanha profundeza, preciso da força das mulheres que estão comigo
Preciso da sua força anciã.
Dos seus saberes sem palavras.DSC04923

O tempo caminha sem tempo, e eu já posso sentir sua chegada, eu já sei que você está ali, pronta pra nascer, pronta e com força pro mundo. Agora só preciso ajudar, preciso de todas as forças que foram reunidas até agora.
Agora é trazer ao mundo.
A mente está no lugar certo, no lugar de abertura, de conexão e expansão.
De cócoras, inclinada pra trás.
Depois de muito cavar, foi assim que me achei.
DSC04952Siente, el momento llega, lo divino estas contigo.
Siente, tus huesos son fuertes, madre de todos nosotros
Siente, estas em buenas manos, tienes lo que necesita
Siente, estamos ayudando
Y eres parte de la tierra

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A hora que se segue ao nascimento, é  a hora sagrada, é a hora de cura, lugar de conserto, lugar de presença. Somos só nós, em comum unidade. Somos só emoção em gesto

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A primeira vez que olho nos seus olhos.
A hora de ouro!
The sacred hour!!!
Eu te reconheço, você me reconhece. Eu te abençoo, você me abençoa.
E juntas entoamos preces de gratidão. Eu te dou a vida, você me dá vida.
E pulsamos juntas.

Extraio tanta alegria só de observar.
Já dançamos horas suficientes pra nos conhecermos.

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Em completo estado de transe,  pico de ocitocina, experimento a melhor sensação do mundo!
Sensação de completude, de gratidão, de mais força, de vitória.
Me sinto a rainha do universo!

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O corpo se lembra de tudo. O corpo irá se lembrar de tudo pra sempre
O corpo se lembra antes de ter palavras
O registro está na pele
Olfato e contato
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Aconchego do pai, o pai que também virou mãe.DSC05014

Toda a equipe reunida, celebrando o nascimento, celebrando a vida.
O nascimento foi feito pra funcionar, sem segredo e com mistério.
Com luz, com sacralidade e com puro amor.
Sou gratidão eterna a esse jardim.
Ohm!!!

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Há que se afinar o corpo até o último sempre. Exercer-se como instrumento capaz de receber a poesia do mundo. Poesia suspensa em rotação e translação. Movimentos moderados, alinhavando em dias e luares, estações e colheitas, minutos e milênios, provisoriamente.” Bartolomeu Campos de Queirós ”

Relato gentilmente cedido por Cinthya Garcia e familia, e com postagem original aqui: Consultório de Afrodite

Os primeiros meses…

Demorei bastante para escrever aqui de novo.
Acontece que são os primeiros meses da gravidez que me pegaram, de jeito alias.
Mesmo sem ter essa intenção, a gente acaba comparando com a primeira gravidez, e nela eu não tive enjoos, e nem muitas mudanças no começo da minha gravidez, só o corpo mesmo que mudou. Agora nesta segunda, veio um turbilhão de sensações diferentes, tive enjoos, vomitei (pouco), fiquei (e ainda estou) com muito sono e muito instavel emocionalmente. Sinto que tem a ver com fato de que nenhuma gravidez é igual e também porque estou me permitindo ter contato maior com meu corpo. Pelos videos, por ler sobre, olho para ele, converso com ele. Tento compreender a mágica da gravidez do ponto de vista do próprio ser em transformação, eu e o bebê.

E enfrentei alguns dilemas, como me sentir inútil por sequer conseguir limpar minha casa, minhas coisas… Eu consigo tirar um tempo para ler, conversar e fazer minhas coisas, mas tudo pela metade, quando percebo já estou bocejando ou morrendo de fome.
Outro foi conseguir me entender com meu marido, que sim, continua com sua vida normal, e eu aqui, doida só falando de partos e bebês. Conversamos muito, pedi apoio ele me pediu compreensão. E assim estamos caminhando, ele agora até começou a compartilhar posts sobre partos, fala comigo sobre o assunto, porque tava tudo meio empacado.

Fui na minha primeira consulta com a GO do postinho…e foi uma decepção. Me falou com todas as letras que com o meu “histórico” eu podia parar de pensar em parto normal, afinal, nossa, meu parto nao teve dilatação, dificilmente vou conseguir neste. :/ Nivel de frustração level mega-blaster. Sem falar que eu falei da minha doula e ela: Hein? O que é doula? Admito que sai da consult querendo chorar muito, e chorei. Mas depois de conversar com a Adele e com meu marido, me acalmei. Sem falar no grupo Parto Natural do face, que super me ajuda.

Bom, outra coisa foi que decidi que quero fazer um curso de doulas! Surgiu uma oportunidade de bolsa num curso e to tentando aqui.

Ah sim, outra coisa, também já me reuni com a cineasta Bia Lelles e o Cinemacaco para organizarmos o roteiro do documentário sobre o meu parto/parto natural em rio preto, e agora é gravar e gravar e gravar o meu diário.
Minha barriguinha está muito bem, crescendo feliz e contente. Já estamos na 10 semana.
Beijoes!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E aproveito para deixar um parto lindo! Um daqueles que sonho pra chamar de meu!

 

Sobre o corpo

Sabem, me dei conta de uma coisa:

-o “criar” um novo ser (desde a concepção até a amamentaçã0) é um mistério para mim. E acho que também o é para a maioria das mulheres que vivem em cidades. Os ciclos da natureza se perderam nessa tecnologia toda.

Um mistério porque perdemos o contato com nossa natureza instintiva e corporal.
Eu estava vendo os videos da Ina May por exemplo, que falava sobre “esfincteres”, que eles são  involuntários e que têm, portanto, “vontade própria”. Se você está num banheiro, quietinho, e alguém entra e te assusta, você por um acaso continua fazendo o que estava fazendo? Duvido! Certeza que, sendo o esfincter anal ou uretral, ele irá se fechar na hora e pluft! Nada de xixi ou cocô. E porque alguém acha que o cérvix (por onde “sai” o bb) seria diferente?

Quando você vai parir e, por algum motivo se sente desconfortável, com medo, sem intimidade e controle da situação, é CLARO que vai ser difícil. Saca aquelas pessoas que ficam, as vezes dias, sem fazer cocô por estarem na casa de alguém? E é só um cocôzinho…não um bebê de 3 quilos.

E porque lá no começo falei do mistério? Pois, pra mim, até prestar atenção na maneira como “vamos ao banheiro” é algo relacionado á consciência corporal, instintiva.

Todos fazemos todos os dias, mas não percebemos o grande ritual que precisamos para tal. Não percebemos que temos um banheiro, que é quietinho la dentro. Que nos isolamos. Nos protegemos. Que sim, somos seres que desconhecemos nossos próprios rituais selvagens.
E, por conta do que tenho passado, percebi que, mesmo depois de já ter passado por um parto, este que vem a seguir será todo novo, cheio novidades e descobertas.

Foto do meu projeto Musas de SI, que fala bem dessa consciência:

Jhenifer grávida do Otto

A primeira (descoberta) é bem essa, meu corpo está PEDINDO para ser descoberto. Para ser aprendido. Para ser . Em cada detalhe, estando ou não grávida, tomar consciência dele é uma prioridade para mim agora. E, no que eu puder ajudar quem quiser ser ajudada, estarei aqui. 😉

Aqui os links dos videos (legendados):

http://www.youtube.com/watch?v=-ygvpxpYN3c&feature=player_embedded
http://www.youtube.com/watch?v=jdiaDYVeqyY&feature=player_embedded
http://www.youtube.com/watch?v=ihjP2ctPE1c&feature=player_embedded

Imperdíveis!

beijao!

De volta para casa

Vídeo/ documentário lindo para todos aqueles que pensam em parto domiciliar, sendo como grávidas ou profissionais da saúde.
Eu chorei muito e percebi o tanto que ainda tenho que elaborar do meu primeiro parto, que foi uma cesárea.
Espero que faça você pensar e que nos dê forças para aprendermos com nossa natureza instintiva e selvagem. Sim, podemos parir em nosso ninho.
Visto aqui http://networkedblogs.com/BMXD6

De volta pra casa

(é só clicar no link)

Grandes abraços!

Sobre sensações e pensamentos

Eu e meu marido decidimos, há mais ou menos um mês, que teríamos um outro filho (já temos uma pequena, de 5 anos, chamada Sophia).
E me dei conta que eu talvez precise me aproximar do meu corpo, de seus sinais e sensações. Me dei conta que, apesar de super atenta, não sei dizer se já estou grávida ou não. E isso, embora um pouco frustrante, é um indício do quão longe estou de mim mesma. Paradoxal né?

Tenho tido sensações uterinas (estas que aliás mudaram muito depois de ter a Sophia, antes eu não “sentia” meu útero, depois sinto de fato ele), tive uma pequena cólica hoje, teve um outro dia que passei mal, senti “borbulhas”…enfim. Mas eu só vou partir pro teste de farmácia (se eu não conseguir o de sangue antes, afinal não tenho plano de saúde) depois que a menstruação atrasar, se ela atrasar. Ou seja, lá pro dia 15.
Até lá vou aguardando.
Mesmo sem saber, e idéia de ter um filho já está presente, se você acredita em alma e tal, eu diria que ele já está do meu lado. Meu marido e minha filha estão super animados, vez ou outra comentam algo. A energia de um novo membro familiar já está aqui. E é ótimo poder planejar e ter um momento propício para a nova vida. Me posiciono com mais consciência frente ao que está por vir.  E quero uma gravidez consciente, tranquila e feliz.

 Quero poder escolher onde parir.  Eu quero ter um parto dentro d’agua e em casa, junto com minha familia linda, minha amoreira, junto com a paz que tenho em casa, o acolhimento. Se, durante a gravidez tiver algo que seja contrário (e genuino) a ter um parto em casa, tudo bem, mas que seja um parto humanizado e consciente, que eu saiba o porquê de estar tomando determinado remédio, das possibilidades e principalmente da MINHA ESCOLHA. Ninguém devia ser privado de escolher.

Print feito por Adèle

Entrei em contato com a Adèle Doula que tem compartilhado várias informações e palavras de carinho comigo. Ela trabalha como doula em Brasília e estuda psicologia. Estudamos juntas em 199? no Licée Pasteur/SP e fomos nos reencontrar através do Facebook ^-^ Eu brinco dizendo que ela é minha doula virtual! E já faz “aquela” diferença”. Deixa a gente mais “sossegada”….faz pensar…desmistifica essa área, tão controlada por profissionais da saúde (nada contra eles) e hospitais e tão longe de nós mesmas.

Engravidar, parir, criar um filho, deviam ser coisas mais conscientes e responsáveis.

Jhenifer gravida – foto por mim

Enfim. Vou compartilhar com vocês um video lindo, de um parto domiciliar aproveitem !
 Parto Natural de Naolí Vinaver

Grandes abraços!!