Sobre o desmame

Quando eu comecei a amamentar meu segundo filho, tudo foi muito lindo e tranquilo, pegou certinho, mamava bem , eu produzia leite para caramba e tudo seguiu. Era livre demanda, sem mamadeiras e chupetas, só colo, muito sling e poucas horas de sono seguidas.
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E depois de um ano e meio neste ritmo (depois dos 5 – 6 meses, ele começou a comer também, mas não entendo que a amamentação seja somente por necessidade de nutrição alimentar) me dei conta que não sabia como parar, como voltar a trabalhar, qual seria o momento ideal (sendo que eu podia escolher, pois meu trabalho me permite) e como fazer isso acontecer com respeito a mim e ao meu filho.
Adianto que não encontrei muitos textos sobre os assuntos, na maioria era sempre com um jeito mágico, que parecia muito lindo na teoria, mas na prática não rolava. E eu estava na idéia de sentir o momento, de sentir a necessidade de meu filho…de aprender do meu jeito mesmo, ou melhor, do nosso jeito.

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Bom, aos poucos percebi que ja estava no processo de desmame sem perceber.

Ele rolou de maneira bem gradual, tenho um companheiro e ajuda mto.
Comecei com pequenos intervalos, onde meu filho ficava com o pai enquanto eu ia trabalhar e tals (isso por volta de um ano de idade), e então os intervalos foram aumentando.
Depois aumentei os intervalos e comecei a deixar ele dormir sem mim as vezes (qdo eu nao estava em casa), ele e meu marido descobriram um jeito deles de ficarem bem, de dormir e tudo mais. Eles tinham o próprio jeitinho de ficar juntos, de dormir, de comer….Isso tudo sem mamadeiras ou chupetas.

Por volta de um ano e meio ele começou a dormir por mais tempo a noite, as vezes soltava naturalmente o peito pra dormir. E aos poucos eu também comecei a regular e negar as mamadas diurnas (pois eu ficava fora, e assim que chegava ele já queria o peito), e então eu negava e tentava distrair com outras coisas, conversava e tals, e aí, por volta dos dois anos as mamadas eram somente para dormir (seja a tarde, seja a noite) e incrivelmente ele começou a dormir por mais tempo, e somente as vezes acordava de madrugava (e mamava pra voltar a dormir).
Comecei a não dar o peito quando ele pedia, mas sim quando eu achava importante.
E me toquei que eu, muitas vezes, socava o peito quando não sabia o que fazer…não buscava alternativas (e nem achava que tinha) e pronto. Me dei conta que não pensava mais sobre o assunto, só dava o peito para ele ficar de boas e eu conseguir fazer minhas coisas (tipo, escrever no pc com o filho grudado era algo bem comum). E resolvi mudar isso. E rolou lindamente. Ficamos assim por uns meses, por volta dos dois anos.

E há pouco menos de dois meses comecei a negar o peito para dormir. E aí comecei a me virar com alternativas…. era colinho, musiquinha, carinho. E a cada dois dias rolava uma mamada, mas era no meu tempo, tipo, mamava um pouco (também para aliviar o peito, que ainda estava produzindo leite) e ia dormir.

Ele teve momentos de choro (meu também), mas senti que era o momento, conversei muito com meu marido, com amigas..e tava decidido. E quando consegui aconteceu algo incrivel e inesperado….ele começou a demonstrar carinho como nunca!
Sabem, ele agora vem pro meu colo e me abraça, me beija…. para dormir ele ouve as canções, escuta historinhas, ganha e pede muito carinho…e tudo isso era feito pelo peito. Só pelo peito. Tipo um ser mesmo. Ele só vinha pro meu colo porque queria mamar e ja grudava no peito. Eu tentava dar carinho para dormir, e ele ja queria a teta. Eu tentava dar ou pedir qualquer carinho, beijinho e abraços, mas era sempre a teta.

E olha, esse carinho é uma delicia ❤ Me senti muito feliz e confiante, tanto nele e sua maturidade, quanto em mim e nas decisões relativas ao desmame que tomei.

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(ah, e preciso comentar que tb rolou o desfralde, quase que junto ao desmame)

Sinto que precisamos falar muito sobre isso, discutir, entender, desabafar, pois acabamos por achar que devemos dar e receber todo o carinho entre mães e filhos através do peito. Só do peito. Pois é bacana a tal da livre demanda, e sim, é gostoso ficar grudadinha “sendo necessária”. E sim, é um ótimo e importante ponto de envolvimento emocional, mas não devemos esquecer que ele não é o único. Assim como nós, mães. Somos um ponto importante para o desenvolvimento emocional, mas não somos o único.

Permitir que outras pessoas cuidem de nossos filhos, permitir outras maneiras de carinho, permitir que nós mesmas possamos ter outros meios de prazer e cuidar, é permitir um passo, é permitir que o amor se espalhe e (ao contrario do achamos e do que dizem) ele se torne mais forte. E é também permitir a tão buscada liberdade, seja para nós, seja para eles .

Liberdade requer muita coragem para assumir nossos passos e assumir que muitas vezes nós é que estamos apegadas.

E quando comentei que chorei, foi por isso…pelo meu apego, em saber que agora ele ja está virando um meninão, que não precisa “só” de mim, das minhas tetas e atenção, que sou , de certa forma, dispensável, que ele já pode “viver” de boas com o auxilio de outras pessoas. É lindo e dificil. Como tudo, né. Pois sei bem o quanto ele ainda precisa de mim, mas a forma está mudando.

É lindo eu poder ir trabalhar, mas é dificil ficar longe da cria.
É lindo ver ele independente, mas é difícil assumir isso para mim, como mãe.
É lindo entender que ser mãe é também aprender sobre liberdade, pois sempre me ensinaram que ser mãe era aprender e se submeter a sofrimento e dependência, que isso é que era amor. Amor de mãe. Mas o que sinto é que amar de verdade é confiar, aceitar e seguir, com muito respeito a nós e aqueles que cuidamos.

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É lindo e dificil. Mas é vida, né. Tudo nasce, morre, nasce….

O amor e suas delicadezas

“Sou mãe sozinha de um bebê de quase 6 meses. Percebi minha necessidade em enquadrar o comportamento dele em alguma das fases típicas do seu desenvolvimento. Não que elas não existam. Acredito sim que existem períodos críticos em que nossos bebês precisam de mais atenção. Mas fui, mais uma vez, no fundo do meu lodo, da minha lama, pra descobrir por que a carência dele me incomodava tanto.

Cresci no meio de exemplos de mulheres que não eram amadas. E que não se deixavam amar. Não podia. Mulher tem que ser forte, até mesmo as crianças, viu Heloisa? Não deve chorar com medo de pesadelo e nem pelo machucado que sangra pele a fora. Aí virei mãe. Tentei reproduzir o padrão já estabelecido e tão arraigado da super mãe que não reclama, que dá conta de tudo (mesmo não dando), que não chora (mesmo chorando no banho, pra confundir lágrima com água, sabe?), que ama a cria 24h por dia, 365 dias no ano, que se doa incansavelmente. Convenhamos: isso existe? Até eu não gosto de mim mesma em determinados momentos da vida! Senti-me culpada por querer estar só, por ter que amamenta-lo, enquanto a minha vontade era sair correndo.

Revoltei-me por ser mulher e ter que me ajustar nesse padrão de que mãe doa amor ao filho e esqueci-me de ver que ele também me ama.

Aquarela de Irene Olid Gonzalez

Me ama quando estende seus bracinhos pedindo colo, me ama quando faz bico pedindo colo, me ama quando vira os olhinhos como quem diz: “esse leite é gostoso demais, mãe!”, me ama quando acorda escancarando um sorriso que ilumina mais que o Sol. Ele me alimenta do mais puro amor. Ele me dá colo. Enxuga minhas lágrimas quando me vê chorando. Eu me abri pro amor.

Deixei pra trás a carga carregada pelas minhas ancestrais. Ficou lá no passado.
Eu também mereço ser amada. E você também.”


Texto pela querida Isa Rebello

O primeiro mês

Hoje eu vou tentar descrever um pouco sobre o primeiro mês de nascimento do meu segundo filho, o Aldebaran. Este post era para ter sido publicado lá em julho de 2013, mas, depois de ler o texto, você vai entender porque ele só foi terminado e publicado hoje.
Ele nasceu de parto domiciliar, no dia 14 de Maio/2013, se quiser, leia o relato aqui:

Achei interessante escrever sobre este primeiro mês pois, assim como várias outras coisas que envolvem o universo da maternagem, a maioria das mulheres não fala sobre isso, a sociedade finge que entende, e quem ta passando pelo momento se sente a mais desprezível e incompreendida criatura. Saiba que, você, que está nos primeiros meses de nascimento de seu bebê, não está sozinha. Somos uma legião de solitárias surtadas.

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Só para esclarecer, nesta gravidez e parto, eu estive muito mais ativa, empoderada (com o poder) de meu corpo e aberta ao aprofundamento de sentimentos, o que, eu imagino, tenha permitido que eu entrasse em contato com esse “outro” lado da maternagem. E ter tido um parto normal, onde a recuperação é a jato, fez com que eu me sentisse mais deslocada ainda. Vou explicar melhor.

Quando um bebê nasce, mesmo que seja o segundo, o primeiro, o décimo, nasce também uma nova mãe. O processo é longo e se repete a cada gravidez, você engravida e vai descendo pro fundo do oceano de emoções e mistérios. Quando você chega ao ponto máximo de profundidade, onde tudo está obscuro, tudo é lento, simbólico e denso ele nasce. E conforme os meses vão passando, você vai subindo de volta à superfície. Mas veja bem, você foi bem fundo, pra voltar é um longo e escuro caminho, não ache que vai ser fácil ou rápido. Talvez se falássemos sobre isso, se fôssemos preparadas e respeitadas neste momento, talvez ( eu disse talvez) o momento fosse mais tranquilo. Mas não é. Aquela ansiedade pro nascimento do bebê envolvia muito mais do que o simples “quero muito ver a carinha dele”, envolvia uma vontade de ter seu corpo de volta, de ter suas atividades recuperadas, de ter uma rotina “normal”, de poder andar um dia todo e não se sentir como se tivesse feito uma maratona de São Silvestre, de poder se sentir atraente e gostosa novamente, enfim, sabemos, mesmo que no fundo, que a gravidez, por mais linda e mágica que seja, cansa. Até a mais saudável das grávidas. E não tem nada de errado nisso.

Bom, aí o bebê nasce, e você sente aquele alívio, a rotina muda mas… a gravidez meio que continua (para o nosso desespero), pois embora o cordão umbilical físico tenha sido cortado, o emocional e simbólico está a todo o vapor. Isso sem falar na loucura hormonal.  Ainda mais se você, assim como eu, não mora com familiares (aqui em casa sou eu, meu marido e minha filha), está amamentando em livre demanda, faz cama compartilhada, é “adepta” da criação com apego, tem gato, cachorro, trabalha em casa e por conta, etc.

Você se adequa ao ritmo do pequeno, tenta entender seu choro, tenta acalmá-lo, tenta comer, tenta se acalmar, tenta tomar banho, tenta, tenta, tenta… e parece que tá tudo errado. Isso sem falar no básico, que é dormir conforme o sono do bebê , ou seja, picadinho. Tem noites que ele dorme 3h, outras 4h, outras nada. E sempre comentam: ah, aproveita quando ele estiver dormindo durante o dia e dorme também. Mas gente, eu já não estou aproveitando nada, e ainda vou dormir quando ele dorme, durante o dia? Eu quero conversar, ver um filme, comer, tomar banho…tem tanta coisa.

Mas o sono bate, e muitas vezes eu vou MESMO dormir com ele em horários nada convencionais. E ai você percebe que não tem mais momentos de “não-mãe”. Aí você pensa que é assim mesmo, uai, você vai SIM ser mãe pro resto da vida, mas nestes primeiros meses, é diferente. E essa é outra coisa que nunca nos disseram: – Você também está engatinhando. Aprendendo a lidar com essa nova vida, a sua e a dele. E sabe como tudo isso vai se resolver? Com o nosso amigo, o Tempo .
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O tempo nos ensina a entender os choros, a saber quando devemos ouvir nossa intuição, quando devemos calar pensamentos, quando simplesmente aceitamos que não somos donas da verdade e que sim, as vezes erramos, as vezes acertamos, mas sempre abertas a aprender.

E temos também um outro aliado nesse momento, aquele tímido na nossa sociedade: O Colo. E não digo qualquer colo não, estou falando daquele colo que não julga, que ouve, que acolhe, que aquece e enche nosso olhar de esperança. Esse colo eu aprendi dando. Aprendi o quanto dá-lo, sem dó nem piedade, salva dias, olhares e famílias. Aprendi até a recebê-lo. Pois parece muito fácil “receber colo”, mas lhe digo, não fomos ensinados a isso, e acredito que seja muito, mas muito difícil mesmo nos abrirmos a tal ponto de receber um colo. Mais do que ofertar. E ter aprendido a receber um chamego em forma de palavras foi o que salvou minha maternidade, e salva até hoje.

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Me re-unir a outras mães, que assim como eu, recebem e dão colo, conversam por horas a fio sobre um assunto sem fim, ficam escrevendo palavras carinhosas pelo teclado ridiculo de um smartphone, deixam o tempo livre de mãe para ir na tua casa levar um bolo,  que te dizem:
-me telefona, por favor
e você responde:
-mas eu vou ficar só chorando ao telefone

e ela responde um belo:
-tudo bem, liga mesmo assim.

Também aprendi a criar com o tempo que tenho. Sim, criar, seja cuidar de uma hortinha no quintal, seja fazer bolo, ou bichinhos de feltro para dar para alguém. Me ocupar com atividades criativas e que eu posso, efetivamente, fazer, me trouxe muita satisfação e tranquilizou minha gana por “precisar fazer algo”. A arte me chamou de volta, e quando tenho um tempinho, faço algo. Mas nada com controle de tempo, qualidade ou quantidade. Tudo livre e solto. Faço na hora que rola e pronto.

E sabem do que mais, não nos preparamos como deveria para estes momentos. Somos jogadas num abismo emocional, e muitas vezes sozinhas, mas ninguém nos ensinou na escola a sermos mães, a lidarmos com esse escuro, a ativarmos nossas intuições e lidar com o selvagem, pois é ele quem se apresenta. Me vejo leoa amamentando um leãozinho, mas meio perdida, do tipo “uau, sou um ser selvagem? O que faz essa garra aqui? Nossa, é afiadinha!”. Raramente nos guiam naturalmente por esses caminhos, aí o que acontece? Nos perdemos, claro. Mas até isso, faz parte. Garanto que com minha filha já não será assim. Saí do torpor do senso comum e resolvi enfrentar a tempestade sem guarda-chuva, e surpresa, é uma delicia, mas assusta no começo.

É assim que caminhamos neste momento de nossas vidas. E cá entre nós, estou amando.
(na foto, eu e meus filhos num dia qualquer que conseguimos sair e ir à cachoeira)

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Devaneios de um momento em que não estou pensando em nada além de mim mesma

Mas que título comprido, você lê e pensa. Sim, o título é comprido mas não sei o quanto o texto o será. Pois eu não tenho mais controle do meu tempo “sem pensar em nada” e ao mesmo tempo, só tenho feito uma coisa : -cuidado do meu filho, o Deba, de 4 meses.

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É meu segundo filho e por conta das lendas acerca da maternidade a gente acha que vai ser mais fácil que o primeiro e tals. Não que seja mais difícil, mas sinto que as dificuldades só mudaram de nome. Mas a palavra que busco é outra. Não é “difícil” mas talvez, complicada.

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Na verdade, posso estar sendo injusta, a maternagem é, por si só, um mergulho no obscuro mundo da solitude meditativa, onde o objetivo principal é cuidar da cria e aprender sobre a linguagem misteriosa dos bebês. Da pra fazer diferente, claro, hoje em dia sempre dá, é só se isolar desses primeiros meses. Eu podia ter dado a mamadeira de plástico cheia de leite sintético (ou de vaca, coitada) , colocado ele pra dormir sozinho no berço e chorar por horas a fio, contratar uma babá ou pedir pra alguma tia ou minha mãe cuidar, ou qualquer outra alternativa “normal” nos dias de hoje. Mas não quis e nem tenho pretensões de querer.


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Quis ser bicho. Ter meu filho em casa, urrando pra lua e sentindo todas as entranhas do meu corpo tremerem. E fui atrás para aprender a urrar, a parir, a gritar pelos meus direitos. Eu quis deixar a cria grudada a meu corpo, se preciso 24h, mamando como um lobinho, se misturando ao meu cheiro, se afeiçoando as minhas feições e aprendendo a urrar comigo. Eu quis lidar com a natureza de frente (detalhe grandão que me ocorreu ao escrever tudo isso,  tudo que escrevo é pessoal e não deve ser levado a outros âmbitos malucos, ou seja quem realmente PRECISA (ou precisou ) de leite artificial, de um parto hospitalar, de alguém para cuidar do filho e tudo mais, por favor, não é uma critica a você).

Eu quis lidar com essa natureza toda e esqueci que a mais dificil de lidar é a minha. Sim. A minha natureza. A minha loba interior, a minha lua, a “eu” selvagem. Ela não se adapta a esse ritmo de vida em que vivemos. Ela quer sua caverna, suas plantas, suas conexoes espirituais, suas irmãs para compartilhar a maternagem. A loba chora pois se sente só. Mas ao mesmo tempo, precisa ficar isolada, os lugares não são propícios a sua cria e nem a suas novas rotinas.  Se sente longe da sabedoria ancestral de suas irmãs, se sente perdida em lidar com sua própria sombra, e ao mesmo tempo, se sente toda completa o ver suas crias dormindo. Satisfeita e sem rumo, venho aqui e escrevo palavras internas. Palavras que queria ter trazido a tona bem antes. Palavras que sempre me aliviaram. Voltem.10978519_10152782321098167_8156254244884814481_n

 

Mamífera

Somos “civilizados” de mais para lidar com bbs recém-nascidos. Estes serem tão próximos do instinto e tão incompreendidos por rotinas e racionalidades.
Queria ser mais selvagem neste momento. Mais bicho. Mamífera que sou, só entendo de coisas de gente grande ou civilizada.
Mães de recém-nascidos são, literalmente, jogadas aos leões, sejam eles suas próprias sombras, sejam eles aqueles que se agarram a seus peitos.
E a beleza está bem ai.
Estou estirada a as sombras, buscando me entender, me acostumar…
Estas palavras não buscam a compreensão, mas sim, o acalento daquelas que se sentem como eu.

O rugido do parto ainda é ouvido. 

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Oi, to grávida!

Seguinte, na segunda-feira dia 10/09 eu senti cólicas e tava com um mau humor terrível, pensei comigo: bom, amanhã eu menstruo. Nem tava mais pensando na gravidez planejada (como tinha ficado mês passado).
E, heis que a menstruação não veio.
E comprei o teste de farmácia mais barato e deu positivo.
E meus seios começaram a doer e mudar de cor e forma.
E fiz o BetaHcG: Positivíssimo!

Dizer que estamos felizes é muito pouco perto do que, de fato, estamos sentindo. Esse lance de ver o meu corpo mudando, criando um novo ser, uma nova pessoa, alguém totalmente único e ao mesmo tempo parecido com a gente, de sentir uma espécie de formigamento corporal e ao mesmo tempo espiritual… Olha, realmente, estou transbordando de amor e felicidade.
Pelos cálculos vou entrar na 6 semana e a DPP é pra 18/05/13.

Mudanças corporais:
-Fome e sono aumentados
-Seios maiores e bicos com coloração e forma diferentes

Ja conversei com a Adele Doula (minha doula virtual de Brasilia), com a Lara Scanferla e a Lucélia Caires (ambas enfermeiras Obstétricas de Rio Preto,SP), tanto sobre a gravidez em si, quanto sobre a idéia de fazer o documentário sobre a minha gravidez. A idéia é aproximar as pessoas deste universo, esclarecer dúvidas (através das minhas próprias que vão surgindo) e falar sobre o PARTO ATIVO, onde a mulher é, de fato, a PROTAGONISTA de seu parto. Ou seja, que ela possa, através do conhecimento REAL, da consciência e das próprias crenças escolher com propriedade que tipo de parto e/ou intervenções quer. Não quero que todo mundo tenha seu filho em casa, mas quero sim, que todas possam (sem medos irreais) escolher em ter, seja em casa, seja na hospital, ou numa casa de parto.
Para tal, vou documentar através de filmagens e fotos a minha gravidez toda (a partir de agora) e a luta ou não em conseguir ter meu filho em casa.

Hoje fui numa consulta com a enfermeira do Posto de Saúde Americano (SUS) aqui perto de casa. Fui muito bem atendida (embora tenha demorado bastante para tal), ganhei um livreto onde anotaremo as consultas, os exames e tal. Nele também tem espaço para as anotações do bebê.
Também tomei as primeiras doses das vacinas contra a gripe A e Tétano (afinal, como boa adulta que sou, nem tenho ideia de onde foi parar minha caderneta de vacinação) e daqui uns dias volto para as outras doses. Um fato interessante que notei é que, na minha primeira gestação, que foi pelo convênio, eu não tomei uma vacina sequer. Porque será?
Amanhã vou colher sangue para a bateria de exames e dia 22/10 é a consulta com a GO.

Bom queridas, creio que,por enquanto seja só isso mesmo!

Abraços barrigudos!

Sobre o corpo

Sabem, me dei conta de uma coisa:

-o “criar” um novo ser (desde a concepção até a amamentaçã0) é um mistério para mim. E acho que também o é para a maioria das mulheres que vivem em cidades. Os ciclos da natureza se perderam nessa tecnologia toda.

Um mistério porque perdemos o contato com nossa natureza instintiva e corporal.
Eu estava vendo os videos da Ina May por exemplo, que falava sobre “esfincteres”, que eles são  involuntários e que têm, portanto, “vontade própria”. Se você está num banheiro, quietinho, e alguém entra e te assusta, você por um acaso continua fazendo o que estava fazendo? Duvido! Certeza que, sendo o esfincter anal ou uretral, ele irá se fechar na hora e pluft! Nada de xixi ou cocô. E porque alguém acha que o cérvix (por onde “sai” o bb) seria diferente?

Quando você vai parir e, por algum motivo se sente desconfortável, com medo, sem intimidade e controle da situação, é CLARO que vai ser difícil. Saca aquelas pessoas que ficam, as vezes dias, sem fazer cocô por estarem na casa de alguém? E é só um cocôzinho…não um bebê de 3 quilos.

E porque lá no começo falei do mistério? Pois, pra mim, até prestar atenção na maneira como “vamos ao banheiro” é algo relacionado á consciência corporal, instintiva.

Todos fazemos todos os dias, mas não percebemos o grande ritual que precisamos para tal. Não percebemos que temos um banheiro, que é quietinho la dentro. Que nos isolamos. Nos protegemos. Que sim, somos seres que desconhecemos nossos próprios rituais selvagens.
E, por conta do que tenho passado, percebi que, mesmo depois de já ter passado por um parto, este que vem a seguir será todo novo, cheio novidades e descobertas.

Foto do meu projeto Musas de SI, que fala bem dessa consciência:

Jhenifer grávida do Otto

A primeira (descoberta) é bem essa, meu corpo está PEDINDO para ser descoberto. Para ser aprendido. Para ser . Em cada detalhe, estando ou não grávida, tomar consciência dele é uma prioridade para mim agora. E, no que eu puder ajudar quem quiser ser ajudada, estarei aqui. 😉

Aqui os links dos videos (legendados):

http://www.youtube.com/watch?v=-ygvpxpYN3c&feature=player_embedded
http://www.youtube.com/watch?v=jdiaDYVeqyY&feature=player_embedded
http://www.youtube.com/watch?v=ihjP2ctPE1c&feature=player_embedded

Imperdíveis!

beijao!

Sobre o parto normal

Ina May Gaskin na “the Farm” para o projeto Parto pelo Mundo:

Foto mãe

Foto que meu marido me enviou hoje

Relato de Lineimar

Recebi carinhosamente  de Lineimar Martins seu incrível relato de parto (cesárea):

“Desde o início da minha gravidez, meu médico me preveniu que eu faria uma cesariana . Diagnóstico implacável: placenta prévia. Desde o terceiro mês, bye bye emprego, bye bye  caminhadas, fiquei deitada durante seis meses. No início foi um choque, mas logo me adaptei a uma  agradável rotina de leitura, filmes, música e providenciais sonecas a qualquer hora do dia.

Na 33ª semana tive uma pequena hemorragia. Meu médico me hospitalizou, ali eu não pude me levantar para absolutamente nada. Uma semana depois fui liberada com sérias restrições de não me levantar nem para ir ao banheiro.  Alguns dias depois de voltar para casa não resisti e me levantei para tomar um banho. A hemorragia foi então mais grave. Meu médico me mandou voltar para o hospital dizendo que seria muito arriscado tentar segurar o bebê por mais tempo, ele faria a cezariana naquela noite. Estávamos na 35ª semana.

Lineimar e barrigón

Eu e meu marido fomos para o hospital relativamente calmos. Chegando lá, nos separaram. Ele teve que ir preencher papéis e eu fui diretamente para o pré-operatório. O tempo inteiro olhava para a porta esperando ver o meu chéri mas somente depois do parto soube que ele tinha sido proibido de assistir ao parto devido ao risco de ver nosso filho nascer roxinho ou com problemas mais sérios. Eu, até o último momento, estava completamente insconsciente dos riscos reais daquela situação.

Recebi todo o tratamento pré-operatório, fui para a sala de operações e imediatamente anestesiada. Meu filho nasceu muito rapidamente, em aproximadamente dez minutos. Os médicos não se dirigiram a mim, conversavam entre eles. Felizmente a anestesista era uma mulher e narrou os principais momentos já que uma cortina me impedia de ver o que estava acontecendo. « Eles estão tirando… olha … já nasceu ». Silêncio. Não houve choro. Levaram meu bebê para outra sala, eles queriam verificar se ele estava bem antes de o trazerem para mim. Alguns minutos mais tarde, não saberia dizer quantos, o pediatra trouxe meu filho: « Parabéns, você é mãe de um bebê saudável de 2.500kg e 46cm ». Como meus braços estavam amarrados para a anestesia e a recepção de morfina, não pude segurá-lo, consegui somente encostar minha cabeça no corpinho dele e dar um beijo « roubado ». Levaram-no para a encubadeira. Ele estava completamente formado porém tinha o « amarelão ».

Quatro horas mais tarde a cesárea terminou. Meu marido pôde entrar no quarto : « Eu vi nosso bebê, ele é muito lindo ! » Me deu um beijo e teve que sair pois eu havia perdido muito sangue. Fiquei cinco horas esperando passar a anestesia e somente então fui levada para o quarto onde reencontrei enfim meu marido.

Dormi. No dia seguinte queria ver meu filho. O médico me desaconselhou  porque eu estava anêmica e muito fraca. Eu insisti, me levantei e desmaiei. Voltei para a cama, forçada. Fiquei meio histérica pedindo comida às enfermeiras, queria me alimentar, recuperar forças para poder ver enfim meu bebê. Pude vê-lo somente dois dias depois de seu nascimento. Mas tudo valeu a pena : quanta emoção ! quanto amor ! quanta felicidade ver esse serzinho lindo recém-saído de mim !

Ficamos uma semana no hospital. Eu descia até o berçário a cada três horas para amamentá-lo. No final desta semana fomos para nossa casa onde seu quartinho o esperava.

O mais cômico disso tudo foi quando alguém me perguntou : « Correu tudo bem ? » E eu respondi: « Ah sim, foi tudo ótimo ! » Resposta sincera pois depois de pegar meu bebê nos meus braços, todo aquele drama já era história do passado…”

De volta para casa

Vídeo/ documentário lindo para todos aqueles que pensam em parto domiciliar, sendo como grávidas ou profissionais da saúde.
Eu chorei muito e percebi o tanto que ainda tenho que elaborar do meu primeiro parto, que foi uma cesárea.
Espero que faça você pensar e que nos dê forças para aprendermos com nossa natureza instintiva e selvagem. Sim, podemos parir em nosso ninho.
Visto aqui http://networkedblogs.com/BMXD6

De volta pra casa

(é só clicar no link)

Grandes abraços!

Corpo e suas lindas marcas

Vamos desmistificar o nosso corpo?

Site mostra e relata (em inglês) várias mulheres e seus corpos pós-gravidez.
Sabe aquelas atrizes famosas que, em dois dias depois do parto já estão magras e em forma? Desculpa, mas é mentira.
O que quero dizer é: vocês não estão sozinhas e não, seu corpo não é feio por ter mudado. O valores da nossa sociedade é que são.

http://theshapeofamother.com/

Eu esperando

Eu posso confessar que em relação ao meu corpo, a gravidez não o mudou muito.
O que aconteceu foi:
engordei 13 quilos na minha gravidez, não tive estrias e afins, a Sophia nasceu e em 5 meses já tinha emagrecido uns 20 quilos (sim, no final, eu emagreci mais que o necessário). Durante os primeiros meses pós nascimento, minha barriga estava super flácida, e a sensação era super bizarra. Meus seios cresceram bastante (sendo que, normalmente são piquitinhos) e amamentei a minha filhota até seus 10 meses.
Hoje em dia, posso dizer que a única marca corporal que tive da minha gravidez é a da cesárea.

E sabem de outra coisa interessante? Depois da gravidez, passei a sentir mais o útero. Sério! Como sentimos o estômago, sabe? E acho que, ao invés do coração, passei a sentir com meu útero.

meu barrigão 2 dias antes da Sophia nascer

Mas, nem sempre acontece com as mulheres o que aconteceu comigo, e isso não é motivo de vergonha ou mesmo de “feiura”. Ao contrário das modeletes/atrizetes que desfilam com seus corpos em forma uma semana depois de parir, meu corpo foi se ajustando, se adaptando. Aos poucos. E, assim como minha cicatriz vejo as marcas de gravidez com orgulho, orgulho de ver o corpo mudar, amadurecer, vencer. Temos que falar sobre isso e pararmos de cobrar da mulher esse lance de beleza estereotipada.

Beleza vai muito além. Beleza é se sentir bem e segura com o seu corpo, e isso implica em entender que ele não terá 15 aninhos de idade pra sempre.  E isso é LINDO!

Outra coisa interessante, é que durante a gravidez, ninguém lembra de acolher a mulher nessa mudança corporal, que é brutal! Pensa, nosso corpo muda, cresce em anos… cada detalhe tem seu tempo. Mas, durante a gravidez ocorre uma mudança corporal muito grande, e é normal se sentir estranha, não se reconhecer, ou até se sentir mal. Se falássemos mais sobre isso, as sensações ruins diminuiriam, pois quando há consciência, acalanto e respeito, a adaptação é maior e mais eficiente.
Vamos falar sobre isso?

Aqui, alguns links que falam do mesmo assunto:

“A imagem vendida do corpo por si só não representa sua totalidade. O nosso corpo é todo especial porque traz a gente dentro dele. É como se fosse uma casa na qual a gente mora a vida toda. E tanto tempo em um lugar deixa marcas. Nós não somos apenas as nossas estrias, mas sim, somos as nossas estrias. As nossas rugas, cicatrizes, manchas, olheiras… tudo isso é um pedaço da nossa história que ficou marcado em nós.”
http://ativismodesofa.blogspot.com.br/2012/08/as-linhas-da-nossa-historia.html

O projeto “Corpo de Mãe” foi pensado por mulheres reais para dividir com outras mães (e grávidas), como nós somos de verdade!
Porque o padrão de beleza imposto pela sociedade passa longe da realidade.

Mande a sua foto através do email: corpodemae@gmail.com
(Não precisa se identificar, se assim achar melhor)

Em breve também receberemos depoimentos :)

Se quiserem participar, mandem as fotos no: corpodemae@gmail.com (anonimamente, se prefeir)

“A beleza ainda é mais difícil de contar do que a felicidade.”
Simone de Beauvoir

Desabafo de Luana

desabafar

v.t.

Descobrir, desagasalhar.
Expor ao ar; arejar.
Desimpedir, desobstruir.
Desafrontar, desagravar.
Dizer ou manifestar com franqueza o que se sente ou pensa.
v.i.
Manifestar o que se sente ou pensa, desafogar-se.v. t.
Descobrir. Desagasalhar. Desafrontar. Tornar livre (a respiração). Dizer com franqueza: desabafar resentimentos. Expandir. Reanimar.
Respirar livremente. Expandir-se.

Hoje li este relato da Luana Carneiro no grupo de “feminismo e maternidade” do facebook, e perguntei se poderia postá-lo aqui.
E heis que a resposta foi super positiva!
Obrigada Luana, espero que possamos conversar, através de sua fala, com várias mulheres que sentem o mesmo que você.

“Um desabafo:

Estar grávida não é só ter que dividir seu corpo com a criança na sua barriga, é ter que dividi-lo com a sociedade também. Como mulher, tenho que me esforçar constantemente pra não ter a minha liberdade física e sexual castrada, mas vejo que, como gestante, isso vai muito além do que estava acostumada a lidar.
Subitamente todos ao meu redor são “experts” em saúde física e mental, e, como tais, se acham aptos a me dar “conselhos” – o que devo comer, pra onde devo sair, como devo me comportar e até o que devo pensar e sentir – a todo tempo.
Além disso, tente falar publicamente que não quer ter intervenções médicas na hora do parto, e o que ouvirá da maioria das pessoas é: “você está sendo inconsequente!”, “se algo der errado, se sentirá culpada pelo resto da vida!” (porque EU me sentir culpada, pelo visto, só depende da SUA noção de culpa), “conheço um caso assim e assado onde tudo deu errado!”, “você não vai aguentar a dor!”. Isso sem contar os próprios médicos, esses *entes divinos* que tentam te explicar como sem eles seu corpo não funciona e sua vida está sempre em risco! Hoje mesmo, numa consulta que fiz, tive que ouvir um sermão de como estou sendo irresponsável por fazer tais escolhas, como não estou preparada e ainda tive que ouvir a pergunta audaciosa: “o que seu companheiro acha disso?”

E claro, pra completar, parece comum ter que dar explicações sobre a minha vida amorosa pra todos agora. É de se esperar, lógico, perguntas como “e quem é o pai?”, mas me deparo diariamente com coisas mais “por que vocês não estão mais juntos?”, “ele também concorda com a escolha que você está fazendo?”, “como você vai fazer pra ter essa criança sozinha?”. E quando dou respostas mais evasivas, como “meu filho me terá como mãe e pai”, as reações costumam variar entre “tadinha!” e “que horror!”. Já não me bastasse todo o caos interno que tenho que lidar nessa nova fase da minha jornada, toda a fragilidade emocional em que ando me encontrando, me vejo também refém da cultura patriarcal que acredita que não sou capaz de criar bem um filho sem uma figura masculina ao meu lado.

E é isso. Não acredito que seja a única a passar por isso…
Gostaria de estar mais forte pra conseguir superar logo toda essa raiva e mágoa que acabo engolindo no processo…”

Por Luana Carneiro

Marcha pela humanização do parto

Começa a Marcha pela Humanização do Parto em todo Brasil!

Hoje mulheres de 32 cidades estão unidas para chamar a atenção da sociedade sobre a importância da humanização da assistência obstética no Brasil e por acreditarem que seus direitos sexuais e reprodutivos devem ser respeitados.

VIVA A MATERNIDADE ATIVA!

A ideia da manifestação surgiu após a publicação de duas resoluções do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) que proibiam que gestantes contassem com a assistência de acompanhantes profissionais (obstetrizes, doulas e parteiras) em hospitais e maternidades, e ameaçavam de punição médicos-obstetras que acompanhassem partos domiciliares ou dessem retaguarda a parturientes com necessidade de remoção de parto em casa para o hospital.

O parto é da mulher e não do médico!

A Marcha pela humanização do Parto acontece esse domingo em 32 cidades do País.


“QUEM DISSE QUE NÃO GRITEI PRA FAZER?”

Em Belém (PA), mulheres reuniram-se na Praça João Batista Campos para protestar contra a lei que criminaliza médicos que dão assistência à partos em casa.

Veja as fotos: http://bit.ly/NicDxS
Apoie a causa: http://bit.ly/MXyW0T


Em Belo Horizonte várias mulheres reuniram-se na Praça da Liberdade para reinvindicar pela causa.

Veja as fotos: http://bit.ly/OJlXMp
Apoie a causa: http://bit.ly/MXyW0T

‎”O PARTO É MEU”

Porto Alegre também realizou o Ato Pela Humanização do Parto hoje.

Confira as fotos: http://bit.ly/NVsreZ
Apoie a causa: http://bit.ly/MXyW0T

Quero minha doula comigo

Em São Paulo, a concentração da Marcha pela Humanização do Parto foi na Praça Mário Covas com a caminhada percorrendo a Avenida Paulista.

Olá!

Primeiramente bem vinda/o ao blog Akna!
A ideia é ter um diário online sobre a minha futura gravidez (ou presente gravidez, eu não sei), onde discutiremos tanto questões simples do dia a dia, quanto questões maiores, acerca dos tipos de parto, perguntas sobre a gestação, grupos de apoio,  locais de informações, doulas, enfermagem, obstetrícia.. Enfim!

Eu já sou mãe de uma garotinha linda, chamada Sophia, que acabou de completar 5 anos. O parto dela foi uma cesária não eletiva (ou seja, aguardamos o dia do parto naturalmente),  eu queria um parto normal, mas por “n” motivos não pude. Se quiser ler o meu relato de parto, clique aqui.

O nome Akna (a mãe) é da mitologia Inuit (esquimós), é uma deusa de fertilidade e do parto.
É também o nome da deusa da maternidade e do nascimento na mitologia maia.
Eu adoro mitologia e achei interessante fugir um pouco do “fluxo” mais conhecido de mitos relacionados à maternidade e trazer algo que, embora distante da minha cultura, representa muito bem essa minha busca, por algo desconhecido e ao mesmo tempo familiar, forte e com uma sensação de “Déjà-vu”.
Algo como a Deusa Akna, desconhecida…porém….

Meu intuito com este blog é que você , mulher, se apodere de seu corpo e seja livre para ser mãe da melhor maneira possível.

Aqui um video lindo de um parto onde a mãe sorri muito, para inspirar vocês queridas!

“Seus comentários são sempre positivos: “Vem meu bebê“, “Sim“, enquanto se olha no espelho e faz força, sem gritar. A equipe não lhe dá ordem nenhuma, a única coisa que eles dizem é “olha, olha!” e “muito bem!“, e quem recebe o bebê e o coloca sobre a barriga da mãe é o próprio pai.”
Fonte: Adele Doula

Grandes abraços maternos para vocês

Ensaio Cris Grávida

Imaginem a cena, aqui em Rio Preto não chovia há 90 dias, combinamos de fazer um ensaio ao ar livre. No dia anterior ao ensaio, começou a chover…bem nesse dia! O bom da história é que o sol estava ameno no dia do ensaio, um belo 07 de Setembro, as nuvens ameaçavam voltar, mas o sol reinou.

Na verdade, naquela familia, o sol reina mesmo. A Cris e o André erradiam amor e luz. O ensaio não poderia ter ficado diferente.

Fizemos as fotos no quintal da casa da Dona Helena, mãe do André. Aliás, é uma daquelas casa que só de entrar já nos apaixonamos, cheia de plantas, flores e pássaros.

A Cris, agora plena, espera ao lado do André, seu pequeno Sol nascer…ou seria um pequena Lua? É a Luísa, que sendo Sol ou Lua, já vem irradiando amor e luz através de seus pais, lindos, plenos, ansiosos.

“Não sei …se a vida é curta
ou longa demais para nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas”

(autor desconhecido)

Fotografia, edição: Nathalie Gingold

Maquiagem: Fátima Salomeh

Espero que gostem, eu amei:

Clique na imagem para ver a galeria completa

Grandes abraços!

Dani Águas-Gravidez

Depois de vários dias adiando, tanto por conta dos horários do Marcelo( o marido), quanto por conta de São Pedro(o da chuva), finalmente conseguimos fazer o ensaio no domingo. Dificuldade que, aliás, já havia ocorrido no primeiro ensaio que fizemos juntas: Ensaio Daniela Águas To começando a achar que não é mera coincidência. Seu sobrenome explica tudo!

A Dani está na última semana de gravidez, e quem vem por aí é a Luísa! Seu irmão mais velho, o Gabriel (de 9 anos) também participou do ensaio, e está super feliz em saber que vai ter uma irmãzinha pra cuidar. Segundo ele, foi exatamente por ele ter pedido que ela veio. 😉 O Marcelo tem um ar todo sereno, de marido cuidadoso e sério, mas não escondeu a felicidade em falar da pequena que está pra nascer.

Fizemos o ensaio na Represa Municipal de Rio Preto, num belo domingo à tarde. Enquanto as pessoas faziam seus “copper” , nós passeávamos. Foi um ensaio tranquilo, regado a risadas, carinho e ansiedade (pela vinda da pequena).

A Daniela é uma daquelas grávidas serenas e alegres, quase saltitante, daquelas que se você não avisa, sai por aí brincando como se não estivesse grávida. Ela, é professora e também faz belas bonecas de pano, (imaginem quantas a pequena Luísa já não tem 😉 )confiram o blog onde ela expõe suas lindas bonecas: Dani Casa de Bonecas

Daniela, Marcelo, Gabriel (e porque não) Luísa, foi um prazer poder compartilhar destes últimos momentos da grávidez. O parto está marcado para a próxima sexta, dia 02 de Outubro, que ele seja tranquilo, cheio de amor e felicidade.

Muita paz e amor à essa familia linda.

Fotografia e edição: Nathalie Gingold

Assistente: Fernando Macaco

Co-assistente: Sophia 😉

A seguir, a galeria de fotos, é só clicar na foto:

Dani Gravida 169

Grandes abraços!!!

Post de mãe, parte 2

Que ter um filho e criá-lo não é fácil, todo mundo sabe. As vezes as pessoas não sabem direito o que acontece, até o teste dar positivo. Passada a loucura da gravidez, chegamos nas partes críticas e no sem fim de coisas que é ter um filho. O fato q é que é muito bom, completamente gratificante ter um filho, tenho a Sophia e gostaria de ter outros.
Mas vim falar de educar. E educar exige igualdade e respeito.
E quem disse estou falando da escola? Muitos pais acabam jogando a responsabilidade pra ela, mas não é bem assim, falo de educar em casa.

Vou ilustrar de um modo bem simples, a Sophia, desde que nasceu, dormia comigo no colchão de casal que a gente colocou no quarto dela. Havíamos comprado um berço, mas como ela me exigia bastante energia, eu chegava no final do dia (que não nescessariamente era à noite) completamente cansada, e fazê-la dormir era muito trabalhoso, ela sempre demorou bastante para dormir e tinha o sono bem leve. Sem falar que as mamadas eram de duas em duas horas. Resolvi fazer do meu jeito e seguir a intuição.

Conforme os meses foram passando, a Sophia começou a ganhar “independência” e eu também, foi algo bem natural e gostoso, porque dormir com ela era uma delícia, mas já estava começando a cansar. Precisava de um colo um pouco mais másculo, se é que você me entendem. De dormir agarrada ela começou a dormir no próprio colchão, estratégicamente colocado ao lado do nosso. E depois começamos a colocá-la no berço. No começo ela não gostou muito da idéia, mas como faziamos ela dormir primeiro, para só depois colocá-la no berço, ela aceitou numa boa. Mas a minha (e a do meu marido)coluna começou a reclamar, ela demorava demais para dormir.

Então, há três semanas atrás (ela está com 8 meses), resolvi ensiná-la a dormir sozinha no berço, percebi que já estava na hora. Nesta idade, os bebês já começaram a entender os mecanismos de “manipulação” dos pais, e quando contrariados utilizam todas as ferramentas para conseguir o que querem. O incrível é que eles sempre sabem fazer isso muito bem. Eles vão tentando de tudo, até o momento em que um funciona, e aí já viu, todo o nosso orgulho de ser um adulto inteligente vai por água a baixo, somos manipulados por um bebê.

No primeiro dia em que coloquei a Sophia para dormir sozinha, ela gritou no berço por uma hora e meia, e olha que eu ía dar carinho a cada 5 minutos. Mas não pegava ela no colo.
Tudo estava perfeito, até eu ficava com sono naquele ambiente, música calminha, cortina azul, luzinha bem fraca, barriga cheia, banho tomado e ventilador ligado. Mas ela gritou, chacoalhou o berço, chorou, bateu a cabeça no berço (de leve), jogou todos os brinquedos pra fora e chamou mamã por uma hora e meia.
Foi a primeira vez que ela sentiu o que era frustração.

Eu também estava aprendendo, não é nada fácil segurar a vontade de pegá-la no colo e dar beijinho. Mas tinha que fazer, tinha que, pela primeira vez, dar limites.
Algumas pessoas podem até achar que minha atitude foi exagerada, mas eu acredito ser mais exagerado ver uma adolescente matar os pais porque eles não deixavam ela namorar um rapaz. Essa menina não sabia lidar com frustrações, e “não” era uma palavra desconhecida dos seus pais. E tudo começa quando bebê, se você não consegue ensinar sua filha de 8 meses, o que dirá de uma de 15?
Hoje em dia existe uma supervalorização da infância, e ao contrário do que muitos pensam, ela, como qualquer exagero, não é nem um pouco boa. Criamos crianças dentro de uma redoma, onde não existe dor, frustração, sujeira e todas essas coisas que fazem parte da vida e que não são, necessariamente, ruins. Qualquer pessoa sensata sabe que é através dessas coisas que aprendemos a viver, a melhorar e a crescer. E porque privar as crianças disso?
Não vou colocá-la em situações de sofrimento, ou mesmo deixar de protegê-la, mas existem momentos em que você ensina através dessas dificuldades que sempre vão aparecer na vida dela. E eu prefiro que ela aprenda agora, em casa e comigo, que na vida existem coisas boas e ruins. Assim, bem simples.

Hoje em dia, ela ainda dá um pouco de trabalho para dormir, mas já gosta bastante de ficar “no cafofo” do berço dela. E eu estou orgulhosa, dela e de mim.
Eu ía não contar, mas também me frustei ao saber que não conseguia ser uma super mulher e resolver tudo assim, facilmente e sozinha.

Aprendi com ela também.

Post de mãe, parte 1

Acho incrível a comunicação entre as mães em todos os lugares que eu vou, e só vejo isso agora, sendo uma. Como se agora nós tivéssemos um código em comum, uma comunicação mais fácil e direta através dos canais da maternidade. Olhamos umas para as outras e sorrimos. Parece que queremos formar um grupo, (e formamos) sem formar de fato.
Trocamos informações sem nenhuma vergonha e com toda a facilidade que um belo e grande assunto em comum produz. Somos mães. E só uma mãe tem noção do que outra mãe passa.
Claro, todas temos nossas particularidades, algumas são evangélicas, outras têm tatuagens, mas ser mãe ultrapassa todas esses detalhes. Algumas mulheres, por ser natural a elas, tentam impor suas experiências na área com maior vigor ( o que me irrita profundamente), outras simplesmente elogiam a beleza do pimpolhos, mas a maioria tem essa comunicação direta mãe para mãe.

Me sinto participando de uma seita secreta, com segredos e popularidades e que conta com um número incrível de participantes, sendo que, mesmo secreta, todos, sem excessão alguma, conheçe.
Sabemos instintivamentes que temos que preservar essa comunicação, porque ela é muito importante, sem falar que ajuda muito para que nós não enlouqueçamos no paradoxo de estar rodeada de crianças (ou de uma só) e pessoas e de sentir a última criatura do mundo no nosso sofrimento. Porque o lado bom da maternidade todo mundo quer compartilhar com você, o difícil é alguém te dar apoio naqueles momentos de “jogar a criança na parede”.

Quando entramos nessa seita, ganhamos várias coisas, além da comunicação, claro. E uma delas é aquele olhar de plenitude que temos ao vermos nossa cria feliz. Uma sensação que pareçe transbordar por todos os poros e que gostaríamos de sentir mais vezes, e mesmo de doá-la a todos que amamos.
Seria amor? Talvez, mas no seu sentido mais amplo, praticamente divino.
E todas sabemos como é.

Tomando café

Olásss, voltei, mas não completamente.

Estou aqui, acabando de acordar, tomando uma café com leite (mesmo com calor) com panetone e com meu pai que acabou de me pedir um beijinho de bom dia. A Sophia também está aqui, ela que me acordou na verdade, e eu não quero ficar remoendo, mas acho que essa noite eu dormi ums 5h, pra menos.

A casa ta uma bagunça, tem louça na pia, roupa parada na máquina (e se eu não for logo socorrê-la, vira uma daquelas sopas do inferno), brinquedos espalhados em volta do carrinho da Sophia (os que ela acabou de re-jogar de novo no chão), eu totalmente descabelada e com vontade de me enfiar numa bolha de sono eterno.

Mas estou aqui, escrevendo, e percebendo que algo me diz que o teclado do pc está sujo pra dedéu.

Já pintei o cabelo de novo ( vermelho cereja), mas deixei umas mechas rosas e loiras. O interessante é a reação da família do meu marido.

Enfim, o incrível é estar tudo uma zona, eu um caco e a felicidade transbordando. É que ter filho, é…foda. Não tem outra palavra, foda, foda, foda. Começa com um enjoou, passa pra xilique, aí começa o choro misturado com gritos.

Na primeira hora, eu agüento bem calminha, as vezes até dou uma risadinha discreta por ela chorar imitanto a Chiquinha (do Chaves mesmo).

Não é dor, não é fome, nem a fraldinha.

 É sono misturado à vontade de grudar em mim. De repente você acha que ela vai dormir, até já embalou no soninho…mas acorda, e de novo, mais uma vez, até que o choro entra por todos os ouvidos possíveis do meu cérebro, mastiga minha paciência e surge aquela vontade horrível de jogá-la na parede.

 Mas eu não jogo, claro.

Mas pego o travesseiro. Ah travesseirinho, você agora paga por todos os pecados da humanidade na minha mão, pode nascer 150 vezes que teu karma tá pago.

Uma hora ela finalmente dorme, e eu quase durmo junto, mas prefiro ir ver um filminho com o Macaco que está na sala, me esperando.

Ele me abraça, me embala, me beija e diz que quem vai pro céu sou eu. Eu não acredito, claro, mas acho tão bonitinho que até me acalmo e percebo o quanto amo minha família.