Sobre o desmame

Quando eu comecei a amamentar meu segundo filho, tudo foi muito lindo e tranquilo, pegou certinho, mamava bem , eu produzia leite para caramba e tudo seguiu. Era livre demanda, sem mamadeiras e chupetas, só colo, muito sling e poucas horas de sono seguidas.
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E depois de um ano e meio neste ritmo (depois dos 5 – 6 meses, ele começou a comer também, mas não entendo que a amamentação seja somente por necessidade de nutrição alimentar) me dei conta que não sabia como parar, como voltar a trabalhar, qual seria o momento ideal (sendo que eu podia escolher, pois meu trabalho me permite) e como fazer isso acontecer com respeito a mim e ao meu filho.
Adianto que não encontrei muitos textos sobre os assuntos, na maioria era sempre com um jeito mágico, que parecia muito lindo na teoria, mas na prática não rolava. E eu estava na idéia de sentir o momento, de sentir a necessidade de meu filho…de aprender do meu jeito mesmo, ou melhor, do nosso jeito.

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Bom, aos poucos percebi que ja estava no processo de desmame sem perceber.

Ele rolou de maneira bem gradual, tenho um companheiro e ajuda mto.
Comecei com pequenos intervalos, onde meu filho ficava com o pai enquanto eu ia trabalhar e tals (isso por volta de um ano de idade), e então os intervalos foram aumentando.
Depois aumentei os intervalos e comecei a deixar ele dormir sem mim as vezes (qdo eu nao estava em casa), ele e meu marido descobriram um jeito deles de ficarem bem, de dormir e tudo mais. Eles tinham o próprio jeitinho de ficar juntos, de dormir, de comer….Isso tudo sem mamadeiras ou chupetas.

Por volta de um ano e meio ele começou a dormir por mais tempo a noite, as vezes soltava naturalmente o peito pra dormir. E aos poucos eu também comecei a regular e negar as mamadas diurnas (pois eu ficava fora, e assim que chegava ele já queria o peito), e então eu negava e tentava distrair com outras coisas, conversava e tals, e aí, por volta dos dois anos as mamadas eram somente para dormir (seja a tarde, seja a noite) e incrivelmente ele começou a dormir por mais tempo, e somente as vezes acordava de madrugava (e mamava pra voltar a dormir).
Comecei a não dar o peito quando ele pedia, mas sim quando eu achava importante.
E me toquei que eu, muitas vezes, socava o peito quando não sabia o que fazer…não buscava alternativas (e nem achava que tinha) e pronto. Me dei conta que não pensava mais sobre o assunto, só dava o peito para ele ficar de boas e eu conseguir fazer minhas coisas (tipo, escrever no pc com o filho grudado era algo bem comum). E resolvi mudar isso. E rolou lindamente. Ficamos assim por uns meses, por volta dos dois anos.

E há pouco menos de dois meses comecei a negar o peito para dormir. E aí comecei a me virar com alternativas…. era colinho, musiquinha, carinho. E a cada dois dias rolava uma mamada, mas era no meu tempo, tipo, mamava um pouco (também para aliviar o peito, que ainda estava produzindo leite) e ia dormir.

Ele teve momentos de choro (meu também), mas senti que era o momento, conversei muito com meu marido, com amigas..e tava decidido. E quando consegui aconteceu algo incrivel e inesperado….ele começou a demonstrar carinho como nunca!
Sabem, ele agora vem pro meu colo e me abraça, me beija…. para dormir ele ouve as canções, escuta historinhas, ganha e pede muito carinho…e tudo isso era feito pelo peito. Só pelo peito. Tipo um ser mesmo. Ele só vinha pro meu colo porque queria mamar e ja grudava no peito. Eu tentava dar carinho para dormir, e ele ja queria a teta. Eu tentava dar ou pedir qualquer carinho, beijinho e abraços, mas era sempre a teta.

E olha, esse carinho é uma delicia ❤ Me senti muito feliz e confiante, tanto nele e sua maturidade, quanto em mim e nas decisões relativas ao desmame que tomei.

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(ah, e preciso comentar que tb rolou o desfralde, quase que junto ao desmame)

Sinto que precisamos falar muito sobre isso, discutir, entender, desabafar, pois acabamos por achar que devemos dar e receber todo o carinho entre mães e filhos através do peito. Só do peito. Pois é bacana a tal da livre demanda, e sim, é gostoso ficar grudadinha “sendo necessária”. E sim, é um ótimo e importante ponto de envolvimento emocional, mas não devemos esquecer que ele não é o único. Assim como nós, mães. Somos um ponto importante para o desenvolvimento emocional, mas não somos o único.

Permitir que outras pessoas cuidem de nossos filhos, permitir outras maneiras de carinho, permitir que nós mesmas possamos ter outros meios de prazer e cuidar, é permitir um passo, é permitir que o amor se espalhe e (ao contrario do achamos e do que dizem) ele se torne mais forte. E é também permitir a tão buscada liberdade, seja para nós, seja para eles .

Liberdade requer muita coragem para assumir nossos passos e assumir que muitas vezes nós é que estamos apegadas.

E quando comentei que chorei, foi por isso…pelo meu apego, em saber que agora ele ja está virando um meninão, que não precisa “só” de mim, das minhas tetas e atenção, que sou , de certa forma, dispensável, que ele já pode “viver” de boas com o auxilio de outras pessoas. É lindo e dificil. Como tudo, né. Pois sei bem o quanto ele ainda precisa de mim, mas a forma está mudando.

É lindo eu poder ir trabalhar, mas é dificil ficar longe da cria.
É lindo ver ele independente, mas é difícil assumir isso para mim, como mãe.
É lindo entender que ser mãe é também aprender sobre liberdade, pois sempre me ensinaram que ser mãe era aprender e se submeter a sofrimento e dependência, que isso é que era amor. Amor de mãe. Mas o que sinto é que amar de verdade é confiar, aceitar e seguir, com muito respeito a nós e aqueles que cuidamos.

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É lindo e dificil. Mas é vida, né. Tudo nasce, morre, nasce….

Consciência Negra…

Eu gostaria de postar algo inspirador pelo dia da consciência negra, mas como sou realista, embora positiva.

Mas, deixo com vocês o ensaio que fiz em homenagem a Billie  Holiday (é só clicar para ver a galeria)


“Os preconceitos são a razão dos imbecis.” (Voltaire)

“Dar ouvidos à preconceitos é renunciar à liberdade.” (Frei Anselmo)

Eu gostaria que não precisássemos ter ” dia da consciência negra” assim como “dia da mulher” …Mas ainda temos, ainda lutamos e todos sofremos. Só gostaria de saber porque.

Abraços!

 

LIBERDADE

“Com uma amiga chegamos a tal ponto de simplicidade ou liberdadeque às vezes eu telefono e ela responde: não estou com vontade de falar. Então digo até logo e vou fazer outra coisa.”

Clarice Lispector

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Libertar

“Liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela.”
(George Bernard Shaw)

 

Sempre ouço muitas pessoas falando que queriam suas vidas diferentes, que estão presas à alguém que não amam, presas à um trabalho tedioso, presas à familias pouco amorosas, etc. Todas presas, seguindo o caminho que acham o melhor, por todos os motivos que você imaginar. Se enrroscam de tal maneira à tais coisas, que acham (e muitas vezes, têm certeza) que nunca mais irão se soltar.

Quando eu lhes pergunto: mas, se não está bom, porque você não muda? Essas mesmas pessoas já vem preparadas com um arsenal de argumentos incorrompíveis. E nisso, continuam a sofrer, ficam doentes, stressadas, mal-humoradas, amargas com si mesmas e com o mundo. Esse é o melhor caminho, segundo elas, o mais correto. Mas na verdade, sinto que é medo.

Sim, medo de mudar, de encarar suas escolhas e de aceitar seu próprio coração. Pois quando ocorre uma mudança, ocorre um processo parecido com o que a Fênix passa, ela tem que morrer para então, renascer das cinzas. Tem que morrer. E temos medo disso.

Mas não só disso, se formos mais a fundo, percebemos que o medo vai além.

Quando pensamos em morte, e nos sentimos receosos, talvez não seja pelo fato em si, mas pelo o que acontece depois.

O que acontece depois? Essa é a grande pergunta.

A liberdade.

Quando morremos, nos libertamos. Mas como? No caso das mudanças, (e falo de mudanças na nossa vida) o acontece é que nor tornamos responsáveis por nós mesmos. Nos libertamos de outros pensamentos e argumentos, e nos armamos só com os nossos. Tomamos consciência de nós mesmos. Do nosso corpo, da nossa mente, do nosso espírito.

Quando damos este passo, de assumirmos quem somos e o que queremos para a nossa vida, aceitamos a responsabilidade de tal. Deixamos que atribuir a culpa ou o sucesso ao outro.

Temos medos de renascer e virar fênix, pois sendo tal, não poderemos mais fingir ou mentir para nós mesmos, não apresentaremos mais argumentos furados para nossos anseios, não poderemos mais “ser” outra pessoa, não conseguiremos mais usar máscara perante o espelho. Só poderemos ser nós mesmos. A responsabilidade por tudo será inteiramente nossa. Isso é o que nos assusta. O peso da responsabilidade. Mas não funciona assim.

Quando você conseguir dar este passo, verá que a responsabilidade nos dá um lugar no mundo, nos mostra o quanto somos importante para o outro, o quanto somos importantes neste mundo, o quanto somos importantes para nós mesmos e o quanto podemos voar, com nossas asas de fênix.

Somos seres divinos, seres de luz, somos uma grande familia, e cada um tem seu lugar à grande mesa.

Agora, não mais Fênix de fogo, dei meu passo…Sou agora, Fênix Dourada.

Dê seu passo, estarei aqui, nas alturas, te esperando.

Namastê!

Abaixo, fotos da Santa Estrela, Igreja do Santo Daime em Urupês. É só clicar para ver a galeria.

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