Cura

” Cada mulher que cura a si mesma contribui para curar a todas as mulheres que a precederam e a todas aquelas que virão depois dela”.

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“Eu chamo a força, eu chamo a força
eu chamo a força
força das pedras para me firmar
Eu chamo a terra, eu chamo a terra
eu chamo a terra
eu chamo a terra para me enraizar

****

Eu chamo o vento, eu chamo o vento
eu chamo o vento
eu chamo o vento vem me elevar
Eu chamo o fogo, eu chamo o fogo
eu chamo o fogo
eu chamo o fogo para me purificar

****

Eu chamo a Lua, chamo o Sol
chamo as Estrelas
Chamo o Universo para me iluminar
Eu chamo a água, chamo a chuva
e chamo o rio
Eu chamo todos para me lavar

****

Eu chamo o raio, o relâmpago e o trovão
Eu chamo todo o Poder da Criação
Eu chamo o mar, chamo o céu e o infinito
Eu chamo todos para nos libertar

****

Eu chamo Cristo, eu chamo Budha
Eu chamo Krishna
Eu chamo a força de todos Orixás
Eu chamo todos com suas forças Divinas
Eu quero ver o Universo iluminar

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Eu agradeço pela vida e a coragem
Ao Universo pela oportunidade
E a minha vida eu dedico com amor
Ao sonho vivo da nossa humanidade

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Sou mensageiro, sou cometa, eu sou indígena
Eu sou filho da nação do Arco Íris
Com meus irmãos eu vou ser mais um guerreiro
Na nobre causa do Inka Redentor

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Eu sou guerreiro, eu sou guerreiro e vou lutando
A minha espada é a palavra do amor
O meu escudo é a bondade no meu peito
E o meu elmo são os dons do meu Senhor

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Eu agradeço a nossa Mãe e ao nosso Pai
E aos meus irmãos por todos me ajudar
A minha glória para todos eu entrego
Porque nós Todos Somos Um nesta união

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Ñdarei a sã
ñdarei a sã
ñdarei a sã

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Desde o principio Todos Nós Somos Irmãos!

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Orei ouá
Orei ouá
Orei ouá

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Viva o Poder de todo o Universo!”

Autor: Lucy Sem Fronteiras – Artigo original do Blog Amor e Paz Sem Fronteiras: http://www.amorepazsemfronteiras.com/2010/10/guerreiros-da-paz-hino-xama-pela-paz.html#ixzz3h6Dgf5hU

A chegada de Benjamin

Relato de nascimento de Benjamin, gentilmente cedido ao blog pela Aline Cavasana:

“Benjamin veio por acaso, não planejamos sua vinda, mas foi o que Deus poderia ter feito de mais maravilhoso nas nossas vidas.
Num dos primeiros encontros com meu marido Anderson, ele me perguntou: “Qual o seu sonho?” E eu respondi: “Meu sonho é ser Mãe, e ter a minha família”. Pensei até que ele se assustaria por estarmos no começo, mas para minha surpresa ele não se assustou, ele me disse que o sonho dele também era ser pai e ter a família dele.
Na noite de 25 para 26 de abril tivemos nossa primeira relação com coito e eu senti já naquele momento mágico, a maternidade em mim.
Cheguei a perguntar se ele queria que eu tomasse a tal pílula do dia seguinte, e ele disse que não, que essas coisas quando são pra acontecer, que simplesmente acontecem e que se fizesse a vontade de Deus. Dois dias depois contei para uma amiga (a Su) que eu tinha certeza que já me sentia mãe desde aquela noite.
Aguardei 20 dias para fazer o exame de sangue para a confirmação. E em 15 de Maio tive a comprovação de que estava grávida pelo exame.
Chorei e sentia medo, pois eu achava que ele se assustaria de inicio com a notícia, e quando contei que estava grávida, seus olhos simplesmente brilharam e me iluminaram. Ele disse que esse foi o melhor presente que eu poderia dar pra ele. E que ele tinha pedido um sinal pra Deus, pra saber se estávamos no caminho certo e se eu realmente era a pessoa certa, e que essa notícia foi a comprovação de tudo que havia pedido a Deus.

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Alguns dias depois ele me levou para conhecer uma Doula Dani, que me acompanharia no parto e semanalmente depois dos três meses.
Até então, eu mal sabia o que era uma Doula e tinha a crença que teria que fazer uma cesárea de qualquer maneira, por conta de um acidente de moto em 13/08/2010.
Sair viva desse acidente foi praticamente um milagre. Tive fraturas nas costelas com perfuração do pulmão e fraturas nos ossos da bacia do lado direito, o ísquio, ilíaco e púbis, e o acetábulo foi destruído e teve que ser reconstruído com uma placa, sete parafusos e um araminho amarrando os parafusos do meio. Minha cirurgia foi um sucesso e minha recuperação foi muito mais rápida do que os médicos imaginavam.
Logo depois da cirurgia todos os ortopedistas e especialistas me disseram que eu jamais poderia ter um parto normal. Eles também me disseram que eu não conseguiria cruzar uma perna sobre a outra (como se fosse amarrar um tênis). E que eu teria muitas limitações. Limitações eu tenho sim, mas não na proporção de que foi me dito. E nem dá pra notar. Amarrar meus sapatos e cruzar a perna eu consigo sim! o/. Então porque não conseguiria um parto normal?!
Então, quando estava no meu sexto mês “descobri” que poderia sim ter um parto normal pelo Beabá Bebê (curso ministrado pela Unimed na cidade).
Com a ajuda de minha Doula Dani fui me aprofundando no assunto de parir e o primeiro passo foi trocar o medico GO, o que pra mim não foi tão fácil assim, pois meu primeiro Ginecologista (GO) era o Dr Ralph, eu nasci com ele, e sempre disse que quando eu engravidasse seria com ele que eu teria meu filho. Eu até o chamava de “tio Ralph”, porque ele cuidou de mim desde muito pequena (necessitei ser paciente muito cedo e por um motivo mais que especial pra ele. Sofri um abuso sexual com 5 aninhos, e desde então criei um vínculo afetivo com ele por cuidar com carinho de mim).
Ele é um ótimo profissional e eu amo ele de paixão, mas não tinha jeito, pois ele é cesarista e quando disse pra ele que eu queria ter parto normal, ele veio com o “SE”, “se estiver tudo bem a gente faz”, “você tem que saber que terá que ser atendida pelo plantonista se continuar com essa decisão Aline”. Então resolvi mudar mesmo de Médico.
No início gostei muito do meu segundo médico, também é um ótimo profissional. Mas depois de uma forte gripe, mandei mensagens por mais de um dia para ele, e não tive um retorno. Tive que ir para emergência do hospital que havia escolhido para o parto, onde também não tive atendimento do plantonista, fiquei duas horas e meia aguardando algum plantonista, e não apareceu ninguém.
Necessitei ir para a emergência de outro hospital, onde fui muito bem atendida, mas o detalhe é que esse outro hospital é totalmente cesarista, e em hipótese alguma eu queria parir lá.
Depois desses acontecimentos com médico e hospital fiquei muito insegura que até parecia uma paranóia, eu me senti muito desprotegida e desamparada.
Perdi a confiança no hospital, no médico e fiquei perdida com meus pensamentos e inseguranças.
Então comecei a mexer na internet, fuçava em tudo quanto é canto e achei uma comunidade: GAIA Rio Preto. Fiz algumas perguntas inbox para essa comunidade que carinhosamente foram respondidas pela Nath Gingold e que me indicou também o grupo fechado Gaia, onde solicitei participar e fui calorosamente recebida.
Por intermédio da Nath, conheci a minha parteira Lucélia, que inclusive já tinha ouvido falar dela pela minha Doula Dani, e por intermédio da Lucélia troquei pela terceira vez de GO (o Dr Paulo, e me apaixonei pelo ser iluminado que está por trás desse novo médico).
A segurança voltava a reinar no meu coração, mas ainda sim continuei com birra de hospital (eu não queria ir pra hospital de jeito nenhum) e após assistir o filme Renascimento do Parto fiquei encantada em querer parir em casa. Perguntei para o Médico se estava tudo bem, e se podíamos ter um parto domiciliar. Ele disse que sim então decidimos que meu parto seria domiciliar.
Após dar a noticia a nossa Doula Dani, nos disse que não acompanhava partos domiciliares então a Nath passou a ser nossa Doula oficial.
Esse parto passou a ser o parto dos meus sonhos… E eu também fui passando essa expectativa para meu esposo que também estava sonhando com esse momento que deveria ser natural, e no tempo do Benjamin.
Meus pais e irmãos também me apoiaram e me deram força. Ao contrário da maioria das mulheres que tomam essa decisão, eu não tive problemas em convencer minha família que queria parir em casa. Era tudo perfeito.
Minhas contrações vinham, contrações iam, e nada de Benjamin chegar. Essas contrações eram sem muita dor. E eu achava que não teria dor (Ooô inocência!)
E passaram 40 semanas, 41 semanas e a ansiedade só aumentava. A Lucélia e a Nath passavam em casa muitas vezes para me avaliar e me acalmar também.
Até aí eu já tinha parido muitas coisas… Mas finalmente na madrugada de sábado para domingo dia 25 de janeiro as contrações com dores começaram… Desde então já não dormia mais. Entrei em baixo do chuveiro bem quente pra ver se a dor melhorava, e até ajudava, mas só amenizava a dor enquanto eu estava embaixo do chuveiro, depois a dor voltava.
Entre as contrações até namorei pra ver se ajudava adiantar o processo do trabalho de parto. E ajudou, pois eu perdi o tal do tampão. Mas não foi o suficiente, pois enquanto eu levantava da cama as contrações diminuíam o ritmo.
Pela manhã do Domingo a Lucélia e a Nath foram pra casa, fizeram massagem, ensinaram minha amiga Su a fazer as massagens na hora da dor e foram embora, pois as contrações não estavam no ritmo certo ainda mesmo sendo muito doloridas. E quando eu começava a me acostumar com a dor, a intensidade da dor aumentava. Meus pais e meu irmão João vieram almoçar em casa, e após o almoço minha amiga Su foi deitar comigo no quarto pra eu tentar dormir ou descansar. Ela me ajudou muito com massagens durante as dores, mas já era impossível descansar por um período mais longo.
A minha amiga Su dormiu em casa e me ajudou também na segunda feira dia 26 de janeiro, me massageando durante as dores. As contrações ritmavam, mas saiam do ritmo. E eram sempre uma mais forte que a outra.
Anoiteceu. A Lucélia e a Nath foram pra casa, fizeram um chá pra ajudar no trabalho de parto, massagem nos meus pés pra eu relaxar um pouco. A energia acabou por algumas horas ficamos à luz de velas durante a noite. Ficamos no sofá a madrugada toda, descansando entre uma contração e outra.

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A Su dormiu em casa novamente, mas precisou ir embora pela manhã para trabalhar. Já era 27 de janeiro e pela manhã a Nath tirou cartas de tarô pra mim e me disse que esse parto seria um parto de muita discrição, e um parto muito difícil.
Logo a intensidade das dores aumentou, e sempre aumentavam… Lembro-me que, chorei em algum momento, eu estava agachada e a Nath me abraçou. Em seguida, minha mãe chegou, ainda era cedo, e eu a abracei e chorei igual a uma criança. Foi muito bom vê-la naquele momento que estava sendo muito difícil pra mim.
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Resolvi então consagrar uma dose de Ayawasca, e pedir pra Deus iluminar esse parto. Além de também diminuir um pouco a dor, dizem que o amargo dela ajudaria no processo do trabalho de parto. Um pouco depois, me deitei com o Anderson e relaxei um pouco. Logo a dor intensa voltou.
Não me lembro muito a ordem das coisas, mas eu tinha vontade de ficar pra sempre no banheiro, a privada era muito confortável, mas doía do mesmo jeito (risos).
A dor intensificou ainda mais, nesse momento eu já achava que estava sem forças.
Decidi consagrar mais uma dose de Ayahuaska. Eu, o Anderson e a Lucélia rezamos e ficamos na sala de meditação por um tempo. As contrações vinham e eu vocalizava a sílaba mística OM em vez de gritar com a dor. Sentimos uma energia muito forte naquele momento, e logo em seguida eu vomitei. Lembro-me que me senti muito fraca e fui para o quarto e a Lucélia foi ouvir os batimentos do bebê. Ela ouviu e ligou para o Dr Paulo ouvir também e os dois chegaram à conclusão de que os batimentos estavam muito fracos. Então ela disse que iríamos para o hospital.
No carro, pelo caminho, os batimentos do bebê, já voltaram ao normal. Acredito que Deus só nos mandou um sinal para que fossemos para o hospital, pois seria necessário.
Lembro que o Anderson estava desesperado e correndo muito com o carro, e eu pedia pra ele ir com calma que estava tudo bem.
Chegando ao hospital fizemos um cardiotoco. Aquela posição para fazer o exame era horrível e doía mais se ficasse deitada, mas eu tinha que fazer.
Naquele momento, vendo aquele hospital e aquela situação eu já achava que eu não iria conseguir. Eu cheguei a dizer pra alguém “Eu sei o que as cartas disseram mostrando que este parto seria difícil. É que eu não vou conseguir, vai ser cesárea. Eu já sei”.
E as dores vinham e eu pedia anestesia pelo amor de Deus. Então fui pra sala de anestesia, mas o abençoado do anestesista não me deixava descer logo que aplicava, eu tinha que ficar lá deitada enquanto a melhor hora da anestesia fazia efeito. Eu conseguia descansar um pouco esses vinte minutos que ficava lá.
Descemos para o quarto, e daí em diante eu não lembro mais a ordem dos acontecimentos. Lembro-me que fiquei muito no chuveiro, e que ficava na posição de quatro na cama, e no sofá que tinha lá.
Umas 19 horas eu pedi outra anestesia pra tentar descansar um pouco, lembro do horário, pois era troca de turno do anestesista e meu médico me levou fugida para o quarto assim que ele foi embora (risos).
Não queria que meus pais entrassem e me vissem gritando naquele estado. Tadinhos eles ficaram do lado de fora na sala de espera do hospital por muitas horas, pois achávamos que seria mais rápido. Mas não foi.
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Teve um momento em que acredito que tenha sido um dos momentos mais emocionantes desse parto. Onde o Anderson tocava e cantava varias músicas e mantras para mim, então eu resolvi cantar também.
Na verdade eu queria rezar e orar enquanto cantava aquela música. Comecei a cantar a musica “sonda-me usa-me” da Aline Barros, onde naquele momento eu pedia a Deus para usar o meu corpo, o meu templo para aquele parto. Em meio às contrações a letra me faltava e eu só gemia, enquanto isso minha amiga continuava a cantar, depois eu voltava a cantar quando a dor era menos intensa.
Lembro-me que em um desses momentos, não sei se antes ou depois, meu médico estava sentado no chão orando e me dando um passe. Eu achei isso lindo e também me deu forças pra continuar.
A Lucélia fez um toque e aí sem querer a bolsa estourou, a água da bolsa já estava escura, um marrom esverdeado. Isso me preocupou naquele momento, pois sabia que aquilo era mecônio.
Logo pedi outra anestesia, fora as vezes que pedia a cesárea (hehehe), e lembro que o anestesista que estava no novo plantão (muito mais gentil que o anestesista anterior) desceu para aplicar, mas vazou um pouco na hora da aplicação e foi menos da metade do líquido da seringa.
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Eu dizia que queria que isso acabasse logo, e o Doutor me perguntou (mais de uma vez) se eu tinha certeza que queria adiantar o processo. E eu disse que sim. Então ele fez “O Toque” e dilatou meu colo.
Sangrou muito, doeu muito, eu estava de quatro na cama e ficava brava com meu esposo, pois não queria que ele visse as minhas “partes” naquela posição, como se ele já não tivesse visto ou não fosse ver (risos).
Então veio a boa notícia, dez de dilatação. E eu pensava que beleza vai nascer, fazia força, muita força. Eu urrava, já não gemia mais.
Fui pro chuveiro, pra piscina, pro chuveiro de novo, Anderson se enfiou em baixo do chuveiro comigo enquanto a Lucélia rezava também.
Voltei pra cama, fiquei de quatro (essa era a posição mais confortável pra mim com as dores já insuportáveis) e fiz mais força. Eles diziam que dava até pra sentir com o toque a bossa do bebê (parte mole da cabecinha dele).
De repente tudo piorou! E eu senti naquele momento a pior dor de todas.
E não era uma contração e nem o bebê saindo, era uma câimbra. Parecia uma distensão muscular na região da virilha.
Essa dor era igual ou maior a dor que eu senti no dia em que quebrei a minha bacia no acidente que sofri. E eu a sentia mais forte durante a contração, ou quando eu tentava fazer força e empurrar.
Então, a partir desse momento, eu não consegui mais fazer força para fora e nem empurrar. Era impossível relaxar para o bebê descer. Eu trancava o períneo involuntariamente e fazia força inversa, para dentro por causa da cãimbra.
Isso aconteceu provavelmente porque fiquei muito tempo sem dormir durante esses dias todos, o corpo ficou cansado demais, a musculatura da região da virilha direita fadigou. Essa é exatamente a região onde eu fiz a cirurgia pelo acidente que disse anteriormente.
Comecei a gritar, e me desesperei. Eu ficava brava com todo mundo. Eu dizia que eles não estavam entendendo o que eu tava falando, que era minha perna, meus pinos que doíam e que eu não ia conseguir mais. Que eu precisava de anestesia.
Subi novamente pra sala de parto, e pedia uma Pele Dural pelo amor de Deus e pedia pra usarem o fórceps que eu não estava aguentando mais.
Eles e as enfermeiras tentaram me acalmar como se elas estivessem sentindo o que eu sentia, como se não fosse para tanto o meu desespero.
E eu ficava irritada, pois ninguém estava sentindo o que eu estava sentindo, a dor de parir juntamente com a dor de uma região acidentada gravemente.
E também ficava triste, como se as enfermeiras me olhassem e me julgassem pensando: “Tá vendo menina, quem mandou querer essa frescura de parto humanizado”.
Logo o médico plantonista chegou. Ele foi muito gentil todo o tempo. Pedia licença para tudo que ia fazer em mim. Ele fez um toque e disse que eu ainda tinha colo. O Meu médico e a minha parteira não acreditando que eu ainda estava com colo, me tocaram novamente, e confirmaram. Já estava em dez a dilatação e faltava só um pouco desse colo posterior dilatar para passar o fórceps, mas desse jeito eles não poderiam usá-lo. A Lu me disse que este colo parecia um papelzinho na cabeça do bebê. E se o puxassem com o fórceps, me machucariam.
Então, eu muito triste, pedi a cesárea!
Meu esposo tentou me convencer a não fazer a cesárea, porque ele não estava na sala hora que disseram que eu ainda tinha colo. E o médico e a Lucélia me diziam que faltava pouco. Mas eu já sabia, desde as cartas de tarô que não seria no jeito que eu queria. Então eu olhei no fundo dos olhos do médico, apertei a mão dele e disse: “Doutor, eu tenho força, e eu poderia conseguir, mas a minha perna não deixa!”
Então fomos para cesárea.
Foi muito difícil dar anestesia em mim, foram três picadas, pois eu tinha contrações e cãibras e meu corpo não parava pra acertar o lugar, e me disseram no outro dia, que a anestesista estava com começo de dengue, coitada.
O médico GO plantonista, super gentil, colocou uma música no celular dele pra eu relaxar mais durante a cirurgia.
Depois que essa bendita anestesia pegou e tudo adormeceu, aquela dor de dias e aquela cãibra passando, foi um alívio.
Ao mesmo tempo, uma tristeza gigantesca entrou em mim. Meu esposo me filmava com o celular e dizia que me amava e eu só sentia tristeza. Não conseguia nem chorar, era uma sensação de impotência, de nadar, nadar e nadar, e morrer na praia.
Em vez de estar emocionada com o nascimento do meu filho que eu tanto sonhei, eu sentia um vazio, sentia um nada ou então me sentia triste.
E ao mesmo tempo eu me culpava por estar me sentindo assim, então me sentia ainda pior por estar me sentindo triste.
Benjamin nasceu à meia noite e cinqüenta minutos do dia 28 de janeiro e veio pros meus braços após cortarem seu cordão umbilical. E eu só sabia lhe pedir perdão em pensamento. Não chorei. Não estava feliz. Mas eu deveria estar, e me culpava por isso.
Ele foi tão carinhoso, não queria soltar sua mãozinha do meu rosto. Quando tentavam afastá-lo de mim ele chorava, e quando voltavam a mãozinha para o meu rosto ele se acalmava.

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Hoje vejo as coisas de maneira diferente do que via naquele momento.
Foi um parto lindo, e eu ainda me culpo um pouco por não ter aproveitado mais aqueles momentos. Culpo-me por estar triste num momento lindo que eu deveria estar feliz. Mas era o meu estado, e eu tinha que passar por aquilo.
Fiquei sabendo depois que o Dr Paulo “raptou” o Benjamin do berçário por alguns minutos e o levou para meus pais, irmão, Su e Nath conhecer. Achei lindo isso.
11179815_818527021575238_45350142_oApós a cirurgia fui para a sala de recuperação. Não consegui dormir a madrugada inteira, sentia frio. E queria ver meu filho. Demorei mais de seis horas para começar a mexer uma das pernas e as enfermeiras não queria me levar para o quarto.
Eu chorava muito. Àquelas horas na sala de recuperação foi um martírio. Não podia fazer nada, não via meu filho, não via meu esposo e os pensamentos eram muitos. A tristeza era muita.
Pela manhã meu esposo me deu um tchauzinho da porta, e eu chorava, eu implorava para elas me levarem para o quarto. Mas elas diziam que eu tinha que mexer as duas pernas para me levar. Ai eu puxava a perna com as mãos e fui exercitando.
Mesmo assim não conseguia mexer totalmente. Então uma enfermeira resolveu me levar antes que trocasse o turno. Na verdade já se passavam das sete da manhã e ela já estava atrasada, acho mesmo que ela sentiu compaixão e resolveu me levar para o quarto.
Não me lembro muito bem a ordem dos acontecimentos no quarto também, mas lembro que foi super difícil passar da maca para a cama.
Não lembro quando o Benjamin chegou, ou se ele já estava lá quando cheguei.
Sei que o começo sempre é difícil pra mamar, mas até que ele pegou bem de início. Durante a madrugada que foi mais difícil a pega das mamadas.
Meu filho era lindo e eu me sentia bem fisicamente. Tava tomando remédio pra dores constantemente e depois que consegui sentar a primeira vez conseguia fazer varias coisas.
Mas aí tive mais uma coisa chata, chamada cefaléia. Eita dor de cabeça do cão viu!!!
Só ficava deitada e fiquei um dia a mais no hospital pra tentar melhorar. Mas ela persistiu por uma semana, inclusive na volta pra casa vomitei no carro, tamanha era a dor.
Meu puerpério foi difícil também por causa dessa cefaléia. E como só ficava deitada, não curtia o meu filho, pois raramente levantava da cama. Fazia tudo deitada. Amamentava, almoçava, jantava.
Minha sogra e minha mãe cuidavam das coisas de casa e ajudavam meu esposo com o bebe. A presença da minha sogra foi muito importante no meu puerpério, pois toda vez que eu chorava ela vinha com palavras amorosas como uma mãe mesmo.
Eu acho que precisei de um mês mais ou menos pra não ficar triste quando dizia às pessoas que não consegui um parto normal.
Mas na verdade hoje eu posso dizer que tive dois partos, um parto normal e uma cesárea. Até meu médico me disse isso em consulta depois do parto. Eu só não o senti passar pelo períneo/vagina. Do resto eu senti tudo.
E que o bebê já tinha engolido um pouco de mecônio, isso quer dizer que ele já tinha feito cocô dentro da bolsa. Um pouco é até normal, mas quando o tiraram da barriga ele fez muito cocô. Portanto eu tomei a decisão certa, pois eu iria precisar de umas duas horas se não tivesse tido as cãibras para conseguir expulsá-lo. E se fossemos esperar essas duas, ele engoliria mais cocô e entraria em sofrimento, correríamos mais riscos e iríamos para uma cesárea de emergência. Cortariam-me de qualquer jeito e provavelmente o bebê precisasse de alguns procedimentos de urgência e não poderia vir para mim como veio.
Hoje, relembrando e vendo as fotos e os vídeos, tenho certeza que era pra ser assim.
Posso até dizer que tive uma cesárea humanizada, pois os médicos foram ótimos e muito gentis, respeitaram minha decisão mesmo vendo que eu decidi no desespero. E até música colocaram durante a cirurgia como disse anteriormente.
Era um sonho de ter um parto normal na piscina ou banheira e ainda ser em casa. E passei esse sonho para meu esposo Anderson e também para minha família. Eu fiquei muito frustrada por bastante tempo.
E vejo que somos só seres humanos imperfeitos e não temos o controle das coisas, só Deus o tem.
Toda mulher foi feita pra parir, tem um corpo para isso, mas existem exceções, e a cesárea está aí pra isso.
Eu precisava parir isso. Esse ego meu. De querer do meu jeito. De querer que fosse lindo, só pra dizer: “olha gente, eu consegui”
Meu orgulho eu pari!”

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Vídeo do parto:

Corpo

“Escuta, o seu corpo não é um templo. Templos podem ser destruídos e profanados. O seu corpo é uma floresta – densas copas de árvores de bordo e flores silvestres de perfume doce brotando na relva. Você vai voltar a crescer, de novo e de novo, não importa o quanto você seja devastada.”corpo

Mamãe Oxum

As mulheres que desejarem ter filhos dirigem-se a Oxum, pois ela controla a fecundidade, graças aos laços mantidos com Ìyámi-Ajé (“Minha Mãe Feiticeira)”. Sobre este assunto uma lenda conta que:
“Quando todos os orixás chegaram a terra, organizaram reuniões onde as mulheres não eram admitidas. Oxum ficou aborrecida por ser posta de lado e não poder participar de todas as deliberações. Para se vingar, tornou as mulheres estéreis e impediu que as atividades desenvolvidas pelos deuses chegassem a resultados favoráveis. Desesperados, os orixás dirigiram-se a Olodumaré e explicaram-lhe que as coisas iam mal sobre a terra, apesar das decisões que tomavam nas assembléias. Olodumaré perguntou se Oxum participava das reuniões e os orixás responderam que não. Olodumaré explicou-lhe então que, sem a presença de Oxum e de seu poder sobre a fecundidade, nenhum de seus empreendimentos poderia dar certo. De volta a terra, os orixás convidaram Oxum para participar de seus trabalhos, o que acabou por aceitar depois de muito lhe rogarem. Em seguida, as mulheres tornaram-se fecundas e todos os projetos obtiveram felizes resultados”.

Diz uma lenda que Oxum passeava na floresta brincando os animais, que são seus amigos, desfilando seu ar coquete e sensual. Foi assim que Ogum – homem rude, bruto e violento – a avistou. Diante da beleza e graça de Oxum, Ogum sentiu que se apaixonava por Oxum e correu para ela. Declarando seu desejando e implorando seu amor. Mas ela só tinha olhos para Xangô, por quem estava enamorada. Assustada com a atitude de Ogum começou a correr pela mata, fugindo de seu pretendente que a seguia de perto. Desesperada se atirou nas água de um rio, cuja corrente a arrastou rapidamente para bem longe de Ogum, mas ameaçava afoga-la.

Levada pela correnteza, chegou até a desembocadura, onde encontrou Iemanjá. Compadecida, a senhora mãe das águas a protegeu e presenteou Oxum com aquele rio para ela pudesse viver. Ainda lhe presenteou com corais, jóias e cauris. Assim, Oxum encantou o seu amado Xangô com a sua riqueza e beleza e passou a viver no rio, que hoje leva o seu nome, tornando-se amiga inseparável de Iemanjá.

Fonte: http://www.oxum.com.br/site/

Musas de Si – Atualizado

 “essa imagem de si de que o outro reveste você e que a veste e que, quando desta é desinvestida, a deixa? O que ser embaixo dela? (…) sua nudez ficou por cima a lhe dar seu brilho?” (LACAN, 2003, p.201).

CORPO IMAGEM LACAN

Hoje irei falar sobre um projeto: Musas de Si.

Tudo começou meio que sem querer, com o ensaio da  Jhenifer quando estava grávida. Ela me pediu: quero um nu. E o seu resultado foi inesperado e interessante, após o ensaio, ela olhou para as fotos e não gostou de quase nenhuma. Não que meu trabalho tenha que ser bom sempre, mas eu não via o que ela estava vendo. Eu não encontrava as imperfeições e críticas naquele ensaio, ele estava inexoravelmente belo e forte. Ela sequer quis pegar as fotos naquele dia. Eu fiquei pensando a respeito e deixei as coisas como estavam, escolhi as fotos que mais gostei, editei e aguardei. Isto foi em maio de 2010.

Um pouco antes disso tudo, eu havia me deparado com alguns textos sobre o corpo e a imagem de Lacan e percebido o quanto a imagem está ligada à nossa identidade e às movimentações psíquicas, colocando em xeque a nossa percepção daquilo que é realidade. Nem quando nos olhamos no espelho enxergamos o que é real. Tanto pelo próprio objeto, que nos mostra invertido, quanto pelo nosso olhar, impregnado de significados e significantes. “O real não é a realidade” (Santaela). É aquilo que o Simbólico não consegue simbolizar e que sobra como resto do Imaginário.

Em torno de dois meses depois ela veio buscar as fotos e desta vez, olhou para as fotos e se emocionou. “Estão maravilhosas” ela me disse.

Todo este processo me encantou e percebi ali uma possibilidade quase terapêutica de trabalho com a auto-imagem da retratada.  Me deparei também com todo um campo de estudo tanto na área mais técnica da fotografia (estudo de luz sobre o corpo nu), quanto no questionamento  simbólico/social acerca da beleza.
No caso específico do ensaio da Jhenifer o que interferiu foi o fato de que ela estava passando por momentos delicados em sua gravidez, que refletiu em sua identidade corporal.

Achei a idéia de fazer ensaios de nus femininos, buscando esta reflexão, tão incrível que comecei a estruturar meu projeto.

O que quero com esses ensaios é dar voz ao corpo, é deixá-lo gritar sem mordaças sociais. Quero deixá-los livres para falar, tanto com quem está de fora, quanto com a própria pessoa retratada. Comecei a falar com algumas amigas e colegas sobre a ideia e as candidatas foram aparecendo aos poucos, meio tímidas no início, mas cheias de vontade de trazer algo à tona. Decidi que queria fazer um livro, compartilhar este projeto com outras pessoas, com quem não estava envolvido e com quem só estava curioso.

Isto tudo começou em Setembro de 2010, de lá pra cá, fiz 20 ensaios, com a mais variada gama de personalidades e belezas. Com mulheres de São Paulo e São José do Rio Preto, SP. Com escritoras, secretárias, estudantes, mães, agentes de viagens, jornalistas, advogadas, dançarinas, ilustradoras, atrizes, pesquisadoras, sendo o único critério de seleção o fato de ser mulher e de querer entrar em profunda reflexão de seu próprio corpo e beleza.

Com este primeiro post, inicio uma série falando deste projeto, de seu andamento e de suas peculiaridades. Não postarei fotos dos ensaios que mostrem o corpo das modelos, mas sim, algumas de perfil.

Farei exposições antes do lançamento do livro, que serão devidamente divulgadas.

Algumas das modelos, já escreveram sobre os próprios ensaios, confiram:

Mila Fernandes

Nathy Silva

Paty Soares

Roberta Nunes

Fernanda Tavares

Estar do outro lado dos ensaios foi igualmente mágico e eu me senti entre deusas. Entre Musas gregas .
Deusas dos olhares. Deusas das curvas. Deusas das sombras e das luzes. Deusas registradas pelas lentes de uma mortal, pasma de tanta beleza, de tanta vida e de tanta coragem.Mulheres lindas e normais, sem as imposições sociais do que é ou não belo.

Cada uma com um ensaio completamente distinto, sendo o nu o único ponto em comum.

Musas de Si pois inspiram, através da própria beleza, a transformação da realidade, da arte, do mundo, do outro, de si mesmas.

Márcia Oliveira, SP.

“Não é sair bonita na foto que faz uma mulher se sentir bem. É sentir-se bem que faz uma mulher sair bonita na foto. ” ( Mila Fernandes )

Que sejamos a beleza que queremos no mundo.

Até o próximo post!!!