Cura

” Cada mulher que cura a si mesma contribui para curar a todas as mulheres que a precederam e a todas aquelas que virão depois dela”.

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“Eu chamo a força, eu chamo a força
eu chamo a força
força das pedras para me firmar
Eu chamo a terra, eu chamo a terra
eu chamo a terra
eu chamo a terra para me enraizar

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Eu chamo o vento, eu chamo o vento
eu chamo o vento
eu chamo o vento vem me elevar
Eu chamo o fogo, eu chamo o fogo
eu chamo o fogo
eu chamo o fogo para me purificar

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Eu chamo a Lua, chamo o Sol
chamo as Estrelas
Chamo o Universo para me iluminar
Eu chamo a água, chamo a chuva
e chamo o rio
Eu chamo todos para me lavar

****

Eu chamo o raio, o relâmpago e o trovão
Eu chamo todo o Poder da Criação
Eu chamo o mar, chamo o céu e o infinito
Eu chamo todos para nos libertar

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Eu chamo Cristo, eu chamo Budha
Eu chamo Krishna
Eu chamo a força de todos Orixás
Eu chamo todos com suas forças Divinas
Eu quero ver o Universo iluminar

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Eu agradeço pela vida e a coragem
Ao Universo pela oportunidade
E a minha vida eu dedico com amor
Ao sonho vivo da nossa humanidade

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Sou mensageiro, sou cometa, eu sou indígena
Eu sou filho da nação do Arco Íris
Com meus irmãos eu vou ser mais um guerreiro
Na nobre causa do Inka Redentor

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Eu sou guerreiro, eu sou guerreiro e vou lutando
A minha espada é a palavra do amor
O meu escudo é a bondade no meu peito
E o meu elmo são os dons do meu Senhor

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Eu agradeço a nossa Mãe e ao nosso Pai
E aos meus irmãos por todos me ajudar
A minha glória para todos eu entrego
Porque nós Todos Somos Um nesta união

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Ñdarei a sã
ñdarei a sã
ñdarei a sã

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Desde o principio Todos Nós Somos Irmãos!

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Orei ouá
Orei ouá
Orei ouá

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Viva o Poder de todo o Universo!”

Autor: Lucy Sem Fronteiras – Artigo original do Blog Amor e Paz Sem Fronteiras: http://www.amorepazsemfronteiras.com/2010/10/guerreiros-da-paz-hino-xama-pela-paz.html#ixzz3h6Dgf5hU

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Sobre o desmame

Quando eu comecei a amamentar meu segundo filho, tudo foi muito lindo e tranquilo, pegou certinho, mamava bem , eu produzia leite para caramba e tudo seguiu. Era livre demanda, sem mamadeiras e chupetas, só colo, muito sling e poucas horas de sono seguidas.
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E depois de um ano e meio neste ritmo (depois dos 5 – 6 meses, ele começou a comer também, mas não entendo que a amamentação seja somente por necessidade de nutrição alimentar) me dei conta que não sabia como parar, como voltar a trabalhar, qual seria o momento ideal (sendo que eu podia escolher, pois meu trabalho me permite) e como fazer isso acontecer com respeito a mim e ao meu filho.
Adianto que não encontrei muitos textos sobre os assuntos, na maioria era sempre com um jeito mágico, que parecia muito lindo na teoria, mas na prática não rolava. E eu estava na idéia de sentir o momento, de sentir a necessidade de meu filho…de aprender do meu jeito mesmo, ou melhor, do nosso jeito.

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Bom, aos poucos percebi que ja estava no processo de desmame sem perceber.

Ele rolou de maneira bem gradual, tenho um companheiro e ajuda mto.
Comecei com pequenos intervalos, onde meu filho ficava com o pai enquanto eu ia trabalhar e tals (isso por volta de um ano de idade), e então os intervalos foram aumentando.
Depois aumentei os intervalos e comecei a deixar ele dormir sem mim as vezes (qdo eu nao estava em casa), ele e meu marido descobriram um jeito deles de ficarem bem, de dormir e tudo mais. Eles tinham o próprio jeitinho de ficar juntos, de dormir, de comer….Isso tudo sem mamadeiras ou chupetas.

Por volta de um ano e meio ele começou a dormir por mais tempo a noite, as vezes soltava naturalmente o peito pra dormir. E aos poucos eu também comecei a regular e negar as mamadas diurnas (pois eu ficava fora, e assim que chegava ele já queria o peito), e então eu negava e tentava distrair com outras coisas, conversava e tals, e aí, por volta dos dois anos as mamadas eram somente para dormir (seja a tarde, seja a noite) e incrivelmente ele começou a dormir por mais tempo, e somente as vezes acordava de madrugava (e mamava pra voltar a dormir).
Comecei a não dar o peito quando ele pedia, mas sim quando eu achava importante.
E me toquei que eu, muitas vezes, socava o peito quando não sabia o que fazer…não buscava alternativas (e nem achava que tinha) e pronto. Me dei conta que não pensava mais sobre o assunto, só dava o peito para ele ficar de boas e eu conseguir fazer minhas coisas (tipo, escrever no pc com o filho grudado era algo bem comum). E resolvi mudar isso. E rolou lindamente. Ficamos assim por uns meses, por volta dos dois anos.

E há pouco menos de dois meses comecei a negar o peito para dormir. E aí comecei a me virar com alternativas…. era colinho, musiquinha, carinho. E a cada dois dias rolava uma mamada, mas era no meu tempo, tipo, mamava um pouco (também para aliviar o peito, que ainda estava produzindo leite) e ia dormir.

Ele teve momentos de choro (meu também), mas senti que era o momento, conversei muito com meu marido, com amigas..e tava decidido. E quando consegui aconteceu algo incrivel e inesperado….ele começou a demonstrar carinho como nunca!
Sabem, ele agora vem pro meu colo e me abraça, me beija…. para dormir ele ouve as canções, escuta historinhas, ganha e pede muito carinho…e tudo isso era feito pelo peito. Só pelo peito. Tipo um ser mesmo. Ele só vinha pro meu colo porque queria mamar e ja grudava no peito. Eu tentava dar carinho para dormir, e ele ja queria a teta. Eu tentava dar ou pedir qualquer carinho, beijinho e abraços, mas era sempre a teta.

E olha, esse carinho é uma delicia ❤ Me senti muito feliz e confiante, tanto nele e sua maturidade, quanto em mim e nas decisões relativas ao desmame que tomei.

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(ah, e preciso comentar que tb rolou o desfralde, quase que junto ao desmame)

Sinto que precisamos falar muito sobre isso, discutir, entender, desabafar, pois acabamos por achar que devemos dar e receber todo o carinho entre mães e filhos através do peito. Só do peito. Pois é bacana a tal da livre demanda, e sim, é gostoso ficar grudadinha “sendo necessária”. E sim, é um ótimo e importante ponto de envolvimento emocional, mas não devemos esquecer que ele não é o único. Assim como nós, mães. Somos um ponto importante para o desenvolvimento emocional, mas não somos o único.

Permitir que outras pessoas cuidem de nossos filhos, permitir outras maneiras de carinho, permitir que nós mesmas possamos ter outros meios de prazer e cuidar, é permitir um passo, é permitir que o amor se espalhe e (ao contrario do achamos e do que dizem) ele se torne mais forte. E é também permitir a tão buscada liberdade, seja para nós, seja para eles .

Liberdade requer muita coragem para assumir nossos passos e assumir que muitas vezes nós é que estamos apegadas.

E quando comentei que chorei, foi por isso…pelo meu apego, em saber que agora ele ja está virando um meninão, que não precisa “só” de mim, das minhas tetas e atenção, que sou , de certa forma, dispensável, que ele já pode “viver” de boas com o auxilio de outras pessoas. É lindo e dificil. Como tudo, né. Pois sei bem o quanto ele ainda precisa de mim, mas a forma está mudando.

É lindo eu poder ir trabalhar, mas é dificil ficar longe da cria.
É lindo ver ele independente, mas é difícil assumir isso para mim, como mãe.
É lindo entender que ser mãe é também aprender sobre liberdade, pois sempre me ensinaram que ser mãe era aprender e se submeter a sofrimento e dependência, que isso é que era amor. Amor de mãe. Mas o que sinto é que amar de verdade é confiar, aceitar e seguir, com muito respeito a nós e aqueles que cuidamos.

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É lindo e dificil. Mas é vida, né. Tudo nasce, morre, nasce….

A chegada de Benjamin

Relato de nascimento de Benjamin, gentilmente cedido ao blog pela Aline Cavasana:

“Benjamin veio por acaso, não planejamos sua vinda, mas foi o que Deus poderia ter feito de mais maravilhoso nas nossas vidas.
Num dos primeiros encontros com meu marido Anderson, ele me perguntou: “Qual o seu sonho?” E eu respondi: “Meu sonho é ser Mãe, e ter a minha família”. Pensei até que ele se assustaria por estarmos no começo, mas para minha surpresa ele não se assustou, ele me disse que o sonho dele também era ser pai e ter a família dele.
Na noite de 25 para 26 de abril tivemos nossa primeira relação com coito e eu senti já naquele momento mágico, a maternidade em mim.
Cheguei a perguntar se ele queria que eu tomasse a tal pílula do dia seguinte, e ele disse que não, que essas coisas quando são pra acontecer, que simplesmente acontecem e que se fizesse a vontade de Deus. Dois dias depois contei para uma amiga (a Su) que eu tinha certeza que já me sentia mãe desde aquela noite.
Aguardei 20 dias para fazer o exame de sangue para a confirmação. E em 15 de Maio tive a comprovação de que estava grávida pelo exame.
Chorei e sentia medo, pois eu achava que ele se assustaria de inicio com a notícia, e quando contei que estava grávida, seus olhos simplesmente brilharam e me iluminaram. Ele disse que esse foi o melhor presente que eu poderia dar pra ele. E que ele tinha pedido um sinal pra Deus, pra saber se estávamos no caminho certo e se eu realmente era a pessoa certa, e que essa notícia foi a comprovação de tudo que havia pedido a Deus.

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Alguns dias depois ele me levou para conhecer uma Doula Dani, que me acompanharia no parto e semanalmente depois dos três meses.
Até então, eu mal sabia o que era uma Doula e tinha a crença que teria que fazer uma cesárea de qualquer maneira, por conta de um acidente de moto em 13/08/2010.
Sair viva desse acidente foi praticamente um milagre. Tive fraturas nas costelas com perfuração do pulmão e fraturas nos ossos da bacia do lado direito, o ísquio, ilíaco e púbis, e o acetábulo foi destruído e teve que ser reconstruído com uma placa, sete parafusos e um araminho amarrando os parafusos do meio. Minha cirurgia foi um sucesso e minha recuperação foi muito mais rápida do que os médicos imaginavam.
Logo depois da cirurgia todos os ortopedistas e especialistas me disseram que eu jamais poderia ter um parto normal. Eles também me disseram que eu não conseguiria cruzar uma perna sobre a outra (como se fosse amarrar um tênis). E que eu teria muitas limitações. Limitações eu tenho sim, mas não na proporção de que foi me dito. E nem dá pra notar. Amarrar meus sapatos e cruzar a perna eu consigo sim! o/. Então porque não conseguiria um parto normal?!
Então, quando estava no meu sexto mês “descobri” que poderia sim ter um parto normal pelo Beabá Bebê (curso ministrado pela Unimed na cidade).
Com a ajuda de minha Doula Dani fui me aprofundando no assunto de parir e o primeiro passo foi trocar o medico GO, o que pra mim não foi tão fácil assim, pois meu primeiro Ginecologista (GO) era o Dr Ralph, eu nasci com ele, e sempre disse que quando eu engravidasse seria com ele que eu teria meu filho. Eu até o chamava de “tio Ralph”, porque ele cuidou de mim desde muito pequena (necessitei ser paciente muito cedo e por um motivo mais que especial pra ele. Sofri um abuso sexual com 5 aninhos, e desde então criei um vínculo afetivo com ele por cuidar com carinho de mim).
Ele é um ótimo profissional e eu amo ele de paixão, mas não tinha jeito, pois ele é cesarista e quando disse pra ele que eu queria ter parto normal, ele veio com o “SE”, “se estiver tudo bem a gente faz”, “você tem que saber que terá que ser atendida pelo plantonista se continuar com essa decisão Aline”. Então resolvi mudar mesmo de Médico.
No início gostei muito do meu segundo médico, também é um ótimo profissional. Mas depois de uma forte gripe, mandei mensagens por mais de um dia para ele, e não tive um retorno. Tive que ir para emergência do hospital que havia escolhido para o parto, onde também não tive atendimento do plantonista, fiquei duas horas e meia aguardando algum plantonista, e não apareceu ninguém.
Necessitei ir para a emergência de outro hospital, onde fui muito bem atendida, mas o detalhe é que esse outro hospital é totalmente cesarista, e em hipótese alguma eu queria parir lá.
Depois desses acontecimentos com médico e hospital fiquei muito insegura que até parecia uma paranóia, eu me senti muito desprotegida e desamparada.
Perdi a confiança no hospital, no médico e fiquei perdida com meus pensamentos e inseguranças.
Então comecei a mexer na internet, fuçava em tudo quanto é canto e achei uma comunidade: GAIA Rio Preto. Fiz algumas perguntas inbox para essa comunidade que carinhosamente foram respondidas pela Nath Gingold e que me indicou também o grupo fechado Gaia, onde solicitei participar e fui calorosamente recebida.
Por intermédio da Nath, conheci a minha parteira Lucélia, que inclusive já tinha ouvido falar dela pela minha Doula Dani, e por intermédio da Lucélia troquei pela terceira vez de GO (o Dr Paulo, e me apaixonei pelo ser iluminado que está por trás desse novo médico).
A segurança voltava a reinar no meu coração, mas ainda sim continuei com birra de hospital (eu não queria ir pra hospital de jeito nenhum) e após assistir o filme Renascimento do Parto fiquei encantada em querer parir em casa. Perguntei para o Médico se estava tudo bem, e se podíamos ter um parto domiciliar. Ele disse que sim então decidimos que meu parto seria domiciliar.
Após dar a noticia a nossa Doula Dani, nos disse que não acompanhava partos domiciliares então a Nath passou a ser nossa Doula oficial.
Esse parto passou a ser o parto dos meus sonhos… E eu também fui passando essa expectativa para meu esposo que também estava sonhando com esse momento que deveria ser natural, e no tempo do Benjamin.
Meus pais e irmãos também me apoiaram e me deram força. Ao contrário da maioria das mulheres que tomam essa decisão, eu não tive problemas em convencer minha família que queria parir em casa. Era tudo perfeito.
Minhas contrações vinham, contrações iam, e nada de Benjamin chegar. Essas contrações eram sem muita dor. E eu achava que não teria dor (Ooô inocência!)
E passaram 40 semanas, 41 semanas e a ansiedade só aumentava. A Lucélia e a Nath passavam em casa muitas vezes para me avaliar e me acalmar também.
Até aí eu já tinha parido muitas coisas… Mas finalmente na madrugada de sábado para domingo dia 25 de janeiro as contrações com dores começaram… Desde então já não dormia mais. Entrei em baixo do chuveiro bem quente pra ver se a dor melhorava, e até ajudava, mas só amenizava a dor enquanto eu estava embaixo do chuveiro, depois a dor voltava.
Entre as contrações até namorei pra ver se ajudava adiantar o processo do trabalho de parto. E ajudou, pois eu perdi o tal do tampão. Mas não foi o suficiente, pois enquanto eu levantava da cama as contrações diminuíam o ritmo.
Pela manhã do Domingo a Lucélia e a Nath foram pra casa, fizeram massagem, ensinaram minha amiga Su a fazer as massagens na hora da dor e foram embora, pois as contrações não estavam no ritmo certo ainda mesmo sendo muito doloridas. E quando eu começava a me acostumar com a dor, a intensidade da dor aumentava. Meus pais e meu irmão João vieram almoçar em casa, e após o almoço minha amiga Su foi deitar comigo no quarto pra eu tentar dormir ou descansar. Ela me ajudou muito com massagens durante as dores, mas já era impossível descansar por um período mais longo.
A minha amiga Su dormiu em casa e me ajudou também na segunda feira dia 26 de janeiro, me massageando durante as dores. As contrações ritmavam, mas saiam do ritmo. E eram sempre uma mais forte que a outra.
Anoiteceu. A Lucélia e a Nath foram pra casa, fizeram um chá pra ajudar no trabalho de parto, massagem nos meus pés pra eu relaxar um pouco. A energia acabou por algumas horas ficamos à luz de velas durante a noite. Ficamos no sofá a madrugada toda, descansando entre uma contração e outra.

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A Su dormiu em casa novamente, mas precisou ir embora pela manhã para trabalhar. Já era 27 de janeiro e pela manhã a Nath tirou cartas de tarô pra mim e me disse que esse parto seria um parto de muita discrição, e um parto muito difícil.
Logo a intensidade das dores aumentou, e sempre aumentavam… Lembro-me que, chorei em algum momento, eu estava agachada e a Nath me abraçou. Em seguida, minha mãe chegou, ainda era cedo, e eu a abracei e chorei igual a uma criança. Foi muito bom vê-la naquele momento que estava sendo muito difícil pra mim.
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Resolvi então consagrar uma dose de Ayawasca, e pedir pra Deus iluminar esse parto. Além de também diminuir um pouco a dor, dizem que o amargo dela ajudaria no processo do trabalho de parto. Um pouco depois, me deitei com o Anderson e relaxei um pouco. Logo a dor intensa voltou.
Não me lembro muito a ordem das coisas, mas eu tinha vontade de ficar pra sempre no banheiro, a privada era muito confortável, mas doía do mesmo jeito (risos).
A dor intensificou ainda mais, nesse momento eu já achava que estava sem forças.
Decidi consagrar mais uma dose de Ayahuaska. Eu, o Anderson e a Lucélia rezamos e ficamos na sala de meditação por um tempo. As contrações vinham e eu vocalizava a sílaba mística OM em vez de gritar com a dor. Sentimos uma energia muito forte naquele momento, e logo em seguida eu vomitei. Lembro-me que me senti muito fraca e fui para o quarto e a Lucélia foi ouvir os batimentos do bebê. Ela ouviu e ligou para o Dr Paulo ouvir também e os dois chegaram à conclusão de que os batimentos estavam muito fracos. Então ela disse que iríamos para o hospital.
No carro, pelo caminho, os batimentos do bebê, já voltaram ao normal. Acredito que Deus só nos mandou um sinal para que fossemos para o hospital, pois seria necessário.
Lembro que o Anderson estava desesperado e correndo muito com o carro, e eu pedia pra ele ir com calma que estava tudo bem.
Chegando ao hospital fizemos um cardiotoco. Aquela posição para fazer o exame era horrível e doía mais se ficasse deitada, mas eu tinha que fazer.
Naquele momento, vendo aquele hospital e aquela situação eu já achava que eu não iria conseguir. Eu cheguei a dizer pra alguém “Eu sei o que as cartas disseram mostrando que este parto seria difícil. É que eu não vou conseguir, vai ser cesárea. Eu já sei”.
E as dores vinham e eu pedia anestesia pelo amor de Deus. Então fui pra sala de anestesia, mas o abençoado do anestesista não me deixava descer logo que aplicava, eu tinha que ficar lá deitada enquanto a melhor hora da anestesia fazia efeito. Eu conseguia descansar um pouco esses vinte minutos que ficava lá.
Descemos para o quarto, e daí em diante eu não lembro mais a ordem dos acontecimentos. Lembro-me que fiquei muito no chuveiro, e que ficava na posição de quatro na cama, e no sofá que tinha lá.
Umas 19 horas eu pedi outra anestesia pra tentar descansar um pouco, lembro do horário, pois era troca de turno do anestesista e meu médico me levou fugida para o quarto assim que ele foi embora (risos).
Não queria que meus pais entrassem e me vissem gritando naquele estado. Tadinhos eles ficaram do lado de fora na sala de espera do hospital por muitas horas, pois achávamos que seria mais rápido. Mas não foi.
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Teve um momento em que acredito que tenha sido um dos momentos mais emocionantes desse parto. Onde o Anderson tocava e cantava varias músicas e mantras para mim, então eu resolvi cantar também.
Na verdade eu queria rezar e orar enquanto cantava aquela música. Comecei a cantar a musica “sonda-me usa-me” da Aline Barros, onde naquele momento eu pedia a Deus para usar o meu corpo, o meu templo para aquele parto. Em meio às contrações a letra me faltava e eu só gemia, enquanto isso minha amiga continuava a cantar, depois eu voltava a cantar quando a dor era menos intensa.
Lembro-me que em um desses momentos, não sei se antes ou depois, meu médico estava sentado no chão orando e me dando um passe. Eu achei isso lindo e também me deu forças pra continuar.
A Lucélia fez um toque e aí sem querer a bolsa estourou, a água da bolsa já estava escura, um marrom esverdeado. Isso me preocupou naquele momento, pois sabia que aquilo era mecônio.
Logo pedi outra anestesia, fora as vezes que pedia a cesárea (hehehe), e lembro que o anestesista que estava no novo plantão (muito mais gentil que o anestesista anterior) desceu para aplicar, mas vazou um pouco na hora da aplicação e foi menos da metade do líquido da seringa.
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Eu dizia que queria que isso acabasse logo, e o Doutor me perguntou (mais de uma vez) se eu tinha certeza que queria adiantar o processo. E eu disse que sim. Então ele fez “O Toque” e dilatou meu colo.
Sangrou muito, doeu muito, eu estava de quatro na cama e ficava brava com meu esposo, pois não queria que ele visse as minhas “partes” naquela posição, como se ele já não tivesse visto ou não fosse ver (risos).
Então veio a boa notícia, dez de dilatação. E eu pensava que beleza vai nascer, fazia força, muita força. Eu urrava, já não gemia mais.
Fui pro chuveiro, pra piscina, pro chuveiro de novo, Anderson se enfiou em baixo do chuveiro comigo enquanto a Lucélia rezava também.
Voltei pra cama, fiquei de quatro (essa era a posição mais confortável pra mim com as dores já insuportáveis) e fiz mais força. Eles diziam que dava até pra sentir com o toque a bossa do bebê (parte mole da cabecinha dele).
De repente tudo piorou! E eu senti naquele momento a pior dor de todas.
E não era uma contração e nem o bebê saindo, era uma câimbra. Parecia uma distensão muscular na região da virilha.
Essa dor era igual ou maior a dor que eu senti no dia em que quebrei a minha bacia no acidente que sofri. E eu a sentia mais forte durante a contração, ou quando eu tentava fazer força e empurrar.
Então, a partir desse momento, eu não consegui mais fazer força para fora e nem empurrar. Era impossível relaxar para o bebê descer. Eu trancava o períneo involuntariamente e fazia força inversa, para dentro por causa da cãimbra.
Isso aconteceu provavelmente porque fiquei muito tempo sem dormir durante esses dias todos, o corpo ficou cansado demais, a musculatura da região da virilha direita fadigou. Essa é exatamente a região onde eu fiz a cirurgia pelo acidente que disse anteriormente.
Comecei a gritar, e me desesperei. Eu ficava brava com todo mundo. Eu dizia que eles não estavam entendendo o que eu tava falando, que era minha perna, meus pinos que doíam e que eu não ia conseguir mais. Que eu precisava de anestesia.
Subi novamente pra sala de parto, e pedia uma Pele Dural pelo amor de Deus e pedia pra usarem o fórceps que eu não estava aguentando mais.
Eles e as enfermeiras tentaram me acalmar como se elas estivessem sentindo o que eu sentia, como se não fosse para tanto o meu desespero.
E eu ficava irritada, pois ninguém estava sentindo o que eu estava sentindo, a dor de parir juntamente com a dor de uma região acidentada gravemente.
E também ficava triste, como se as enfermeiras me olhassem e me julgassem pensando: “Tá vendo menina, quem mandou querer essa frescura de parto humanizado”.
Logo o médico plantonista chegou. Ele foi muito gentil todo o tempo. Pedia licença para tudo que ia fazer em mim. Ele fez um toque e disse que eu ainda tinha colo. O Meu médico e a minha parteira não acreditando que eu ainda estava com colo, me tocaram novamente, e confirmaram. Já estava em dez a dilatação e faltava só um pouco desse colo posterior dilatar para passar o fórceps, mas desse jeito eles não poderiam usá-lo. A Lu me disse que este colo parecia um papelzinho na cabeça do bebê. E se o puxassem com o fórceps, me machucariam.
Então, eu muito triste, pedi a cesárea!
Meu esposo tentou me convencer a não fazer a cesárea, porque ele não estava na sala hora que disseram que eu ainda tinha colo. E o médico e a Lucélia me diziam que faltava pouco. Mas eu já sabia, desde as cartas de tarô que não seria no jeito que eu queria. Então eu olhei no fundo dos olhos do médico, apertei a mão dele e disse: “Doutor, eu tenho força, e eu poderia conseguir, mas a minha perna não deixa!”
Então fomos para cesárea.
Foi muito difícil dar anestesia em mim, foram três picadas, pois eu tinha contrações e cãibras e meu corpo não parava pra acertar o lugar, e me disseram no outro dia, que a anestesista estava com começo de dengue, coitada.
O médico GO plantonista, super gentil, colocou uma música no celular dele pra eu relaxar mais durante a cirurgia.
Depois que essa bendita anestesia pegou e tudo adormeceu, aquela dor de dias e aquela cãibra passando, foi um alívio.
Ao mesmo tempo, uma tristeza gigantesca entrou em mim. Meu esposo me filmava com o celular e dizia que me amava e eu só sentia tristeza. Não conseguia nem chorar, era uma sensação de impotência, de nadar, nadar e nadar, e morrer na praia.
Em vez de estar emocionada com o nascimento do meu filho que eu tanto sonhei, eu sentia um vazio, sentia um nada ou então me sentia triste.
E ao mesmo tempo eu me culpava por estar me sentindo assim, então me sentia ainda pior por estar me sentindo triste.
Benjamin nasceu à meia noite e cinqüenta minutos do dia 28 de janeiro e veio pros meus braços após cortarem seu cordão umbilical. E eu só sabia lhe pedir perdão em pensamento. Não chorei. Não estava feliz. Mas eu deveria estar, e me culpava por isso.
Ele foi tão carinhoso, não queria soltar sua mãozinha do meu rosto. Quando tentavam afastá-lo de mim ele chorava, e quando voltavam a mãozinha para o meu rosto ele se acalmava.

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Hoje vejo as coisas de maneira diferente do que via naquele momento.
Foi um parto lindo, e eu ainda me culpo um pouco por não ter aproveitado mais aqueles momentos. Culpo-me por estar triste num momento lindo que eu deveria estar feliz. Mas era o meu estado, e eu tinha que passar por aquilo.
Fiquei sabendo depois que o Dr Paulo “raptou” o Benjamin do berçário por alguns minutos e o levou para meus pais, irmão, Su e Nath conhecer. Achei lindo isso.
11179815_818527021575238_45350142_oApós a cirurgia fui para a sala de recuperação. Não consegui dormir a madrugada inteira, sentia frio. E queria ver meu filho. Demorei mais de seis horas para começar a mexer uma das pernas e as enfermeiras não queria me levar para o quarto.
Eu chorava muito. Àquelas horas na sala de recuperação foi um martírio. Não podia fazer nada, não via meu filho, não via meu esposo e os pensamentos eram muitos. A tristeza era muita.
Pela manhã meu esposo me deu um tchauzinho da porta, e eu chorava, eu implorava para elas me levarem para o quarto. Mas elas diziam que eu tinha que mexer as duas pernas para me levar. Ai eu puxava a perna com as mãos e fui exercitando.
Mesmo assim não conseguia mexer totalmente. Então uma enfermeira resolveu me levar antes que trocasse o turno. Na verdade já se passavam das sete da manhã e ela já estava atrasada, acho mesmo que ela sentiu compaixão e resolveu me levar para o quarto.
Não me lembro muito bem a ordem dos acontecimentos no quarto também, mas lembro que foi super difícil passar da maca para a cama.
Não lembro quando o Benjamin chegou, ou se ele já estava lá quando cheguei.
Sei que o começo sempre é difícil pra mamar, mas até que ele pegou bem de início. Durante a madrugada que foi mais difícil a pega das mamadas.
Meu filho era lindo e eu me sentia bem fisicamente. Tava tomando remédio pra dores constantemente e depois que consegui sentar a primeira vez conseguia fazer varias coisas.
Mas aí tive mais uma coisa chata, chamada cefaléia. Eita dor de cabeça do cão viu!!!
Só ficava deitada e fiquei um dia a mais no hospital pra tentar melhorar. Mas ela persistiu por uma semana, inclusive na volta pra casa vomitei no carro, tamanha era a dor.
Meu puerpério foi difícil também por causa dessa cefaléia. E como só ficava deitada, não curtia o meu filho, pois raramente levantava da cama. Fazia tudo deitada. Amamentava, almoçava, jantava.
Minha sogra e minha mãe cuidavam das coisas de casa e ajudavam meu esposo com o bebe. A presença da minha sogra foi muito importante no meu puerpério, pois toda vez que eu chorava ela vinha com palavras amorosas como uma mãe mesmo.
Eu acho que precisei de um mês mais ou menos pra não ficar triste quando dizia às pessoas que não consegui um parto normal.
Mas na verdade hoje eu posso dizer que tive dois partos, um parto normal e uma cesárea. Até meu médico me disse isso em consulta depois do parto. Eu só não o senti passar pelo períneo/vagina. Do resto eu senti tudo.
E que o bebê já tinha engolido um pouco de mecônio, isso quer dizer que ele já tinha feito cocô dentro da bolsa. Um pouco é até normal, mas quando o tiraram da barriga ele fez muito cocô. Portanto eu tomei a decisão certa, pois eu iria precisar de umas duas horas se não tivesse tido as cãibras para conseguir expulsá-lo. E se fossemos esperar essas duas, ele engoliria mais cocô e entraria em sofrimento, correríamos mais riscos e iríamos para uma cesárea de emergência. Cortariam-me de qualquer jeito e provavelmente o bebê precisasse de alguns procedimentos de urgência e não poderia vir para mim como veio.
Hoje, relembrando e vendo as fotos e os vídeos, tenho certeza que era pra ser assim.
Posso até dizer que tive uma cesárea humanizada, pois os médicos foram ótimos e muito gentis, respeitaram minha decisão mesmo vendo que eu decidi no desespero. E até música colocaram durante a cirurgia como disse anteriormente.
Era um sonho de ter um parto normal na piscina ou banheira e ainda ser em casa. E passei esse sonho para meu esposo Anderson e também para minha família. Eu fiquei muito frustrada por bastante tempo.
E vejo que somos só seres humanos imperfeitos e não temos o controle das coisas, só Deus o tem.
Toda mulher foi feita pra parir, tem um corpo para isso, mas existem exceções, e a cesárea está aí pra isso.
Eu precisava parir isso. Esse ego meu. De querer do meu jeito. De querer que fosse lindo, só pra dizer: “olha gente, eu consegui”
Meu orgulho eu pari!”

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Vídeo do parto:

Minha historia com Adam

Relato gentilmente cedido ao blog por Glaucia Pinna

“Resolvi postar o meu relato, não somente do parto, mas da minha breve história com o Adam ❤
Texto um pouco grande, me desculpem, mas não dava pra resumir uma história que já é breve. Gratidão!
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“Entre namoro e casamento eu já estava com meu marido há 7 anos, decidimos então nos tornar pais, achando que era fácil assim, no próximo período fértil eu engravido. RÁ! A vida tem seu próprio tempo, você não escolhe nada… E foi assim, um mês, dois meses, três meses… Um ano… Resolvi ir atrás, não era possível demorar tanto… Fiz um endovaginal e pimba, como disse a médica “minha filha, você não ia engravidar nunca, seus ovários estão puro cisto”. Bom, o que eu tenho que fazer? Tratamento! E lá fui eu, tomei Diane 35 3 meses seguidos e metformina, pois nos exames hormonais eles estavam todos loucos. Ok! Passaram os 3 meses e lá fomos nós tentar novamente, um mês e nada, dois meses e nada… Estressei e disse que ia desistir daquilo, chega, cansei, ia gastar todo meu dinheiro, viajar e pronto!
Desisti de engravidar e minha menstruação não vinha… Sentia cólicas, dores muito fortes, seios inchados e todo mundo dizia: Você está grávida… e eu: ah, ta! De tanto falarem na minha cabeça comprei um teste de farmácia e fiz no banheiro do meu trabalho, sem nenhuma fé do positivo, mas deu… meu positivo veio. No outro dia fiz o de sangue e POSITIVO! Meu Deus que alegria… Não entendia muito bem aquela explosão de sentimentos dentro de mim e na hora já sabia que era um menino que crescia dentro de mim…
Comecei imediatamente o pré natal, como trabalho em posto de saúde eu tinha GO alí todo santo dia e minha gestação foi correndo super bem, sou hipertensa e fui encaminhada ao ambulatório de alto risco do HB, mas com medicamentos a pressão estava controlada, mudei a alimentação, não ganhei peso, enfim, tudo ótimo!!!
Já estava de 22 semanas e ainda não tínhamos conseguido ver o sexo no ultrasson, mas coração de mãe não se engana, escolhemos o nome dele naquela semana, Adam, “homem da terra”, já sentia meu pequeno guerreiro mexer, não só na barriga, mexeu em nossas vidas, tudo mudou… Quanto amor, o mundo tinha mudado de cor.
Tinha consulta no alto risco, cheguei toda feliz achando que ia ser mil maravilhas… Esperei mais de 4 horas sentada em um banco de concreto, fui atendida e a médica só anotou meus exames no computador, ouviu o coração do bebê e pronto, me mandou embora. Fui de ônibus trabalhar e como tinha ficado o período da manhã fora, trabalhei até as 19hr.
Comecei sentir o bebê mexer muito embaixo, comentei com meu marido, até aí tudo normal. No trabalho sentia ele mexer na vagina, uma coisa muito estranha, comentava com as meninas e ninguém sentia isso… começou sair uma meleca que parecia clara de ovo, achei que não fosse nada grave, tinha acabado de sair da consulta e a médica disse que tava tudo bem e tem mulheres que tem corrimento, secreção e tal.. Em casa nesse dia o bebe mexeu DEMAIS eu nem conseguia levantar do sofá, doía as costas… No outro dia a meleca persistiu, no final da tarde já na hora de ir embora essa meleca saiu mais espessa parecia gelatina incolor e junto saiu sangue, aí preocupei e a minha chefa me levou na emergência do hospital da criança.
Fiquei aguardando chamar e novamente demorou, cerca de 2 horas… Quando entrei na sala, muitas perguntas e o tal exame do “toque”. A moça saiu da sala e chamou outra, também fez o toque, chamaram outra e também fez… Já achei estranho… saíram todas da sala e voltaram com a chefe… Ela fez o toque e falou: Glaucia, pode sentar. O que você tem é GRAVÍSSIMO, você perdeu o tampão e está com 100% de dilatação, vamos te internar pra você “PERDER O BEBÊ”, sim, ela usou exatamente essas palavras. Nisso parece que o chão se abriu aos meus pés, fiquei por uns 5 segundos sem reação, olhei pro meu marido e disse: Nós não vamos “perder” nosso bebê. Na hora já me encaminharam para a enfermaria, pois não havia quarto disponível. Fiquei deitadinha lá, imóvel, tentando entender como de um dia para o outro eu PERDERIA meu filho, chorei… O choro da alma, do maior desespero que já tive na vida… Meu marido perdido, desorientado, mas eu sabia da minha força, se fosse possível ficaria ali por 60 dias imóvel, só não sabia se a bolsa agüentaria.

Foram passando os dias, os médicos não acreditavam que eu agüentaria, todos os dias perguntavam: está com dor? Perdendo líquido, sangue? E sempre a resposta era não, ta tudo ótimo. Foram 9 dias deitada na cama, comia deitada, me trocava deitada, TUDO deitada. Até que cedinho comecei sentir dores no pé da barriga, chamei a enfermeira, me deram buscopam e não cortou… A dor foi aumentando, aumentando… Buscopam não fazia nem cócegas… A noite eu estava com muita dor… Me colocaram no Bricanyl para ver se segurava, consegui dormir por algumas horas, amanheceu o dia e dor, dor, dor, mesmo com o Bricanyl, buscopam, nada passava, achei que estava com alguma infecção, era muita dor, acho que nesse momento fui parar na tal “partolandia” que as meninas dizem, estavam ali somente eu, minha barriga, meu bebê e a dor, parecia que o tempo passava em outro ritmo, o som estava em outro tom… Fui ao banheiro e escorreu água nas minhas coxas, gritei, a bolsaaaaaaaaa!!!!! Me levaram pro ultrasson e a frase do médico cortou meu coração. Não tem mais nada de líquido aqui. MEU DEUS!!!! Vai nascer. O desespero tomou conta de mim e agora a preocupação era outra, salvar meu filho. Pedi para que me levassem a sala de parto e uma das residentes disse: Vamos aguardar aqui no quarto mesmo… Eu falei: E SE NASCER???? Ela: A gente chama alguém… OOOOOIIIIIIII?????? COMO ASSIM MINHA FILHA???????
A dor foi ficando insuportável e eu sentia que ele ia nascer, dei um grito e só assim decidiram me levar para a sala de parto, foi tudo tão corrido que desci de cadeira de rodas, me retorcia de dor, eu estava segurando pro bebê não sair. Chegando na sala não deu tempo nem de me arrumarem direito, falei pro médico: Posso fazer força? PODE! Então eu fiz, mas não sabia como fazer e ele disse: faz força compriiiiiiiida. E eu fiz, e denovo: força comprida!!!! Quando fiz pela terceira vez meu bebê nasceu, nisso a enfermeira saiu correndo com ele embrulhado, tão pequeno… Nasceu com 620 gr com parada cardíaca e respiratória, reanimaram e ele VIVEU!
O restante do parto como tirar a placenta, fazer aquela limpeza que eles fazem eu nem liguei, só queria meu filho vivo. Esperei cerca de 2 horas e fui para o quarto, tomei banho sozinha e logo desci na UTI NEO para ver meu pequeno. MEU DEUS que coisa mais linda do mundo, pelo peso achava que não estaria todo formadinho, mas estava, era um bebe miniatura, lindo, perfeito, esperto. Foi o maior amor que eu poderia sentir na minha vida, não poderia nunca imaginar o tamanho desse sentimento. Falava com ele e os batimentos aumentavam, esticava as pernas e balançava as mãozinhas. Sabia de toda a sua fragilidade, mas estava confiante. Dizia “agüenta aí meu príncipe, você é o guerreiro da mamãe.”
No outro dia fomos conversar com a pediatra, ela disse que ele estava com pneumonia, era prematuro extremo e isso é comum, já estava sendo tratado com antibióticos e respondendo bem. Nesse dia tirei leite e passaram na boquinha dele, ele lambia os lábios, colocava a lingüinha pra fora, adorou meu leitinho, aquela boquinha era a coisa mais linda desse mundo. No outro dia no novo boletim médico disse que ele estava muito bem, que era um bebê muito forte, sadio, tinha aceitado bem o leite, estava tomando 1ml de 3 em 3 horas na sonda. Meu Deus, 1 ml, vocês imaginam o tamanho do estomago do meu bebê, muito petitico.
Fomo embora para casa confiantes naquele dia, afinal a pediatra disse que ele está respondendo bem ao tratamento, tomando meu leite, o que mais eu poderia querer meu Deus… Antes de dormir chorei, chorei muito, não acreditava que havia uma esperança, meu bebê estava vivo, eu era mãe!!!! O amor maior do mundo, um amor que dói.
Mas na madrugada do terceiro dia o telefone tocou, chamando os pais do Adam ao hospital. Na hora me tremia toda, já fui chorando, segurando ao máximo e tentando me enganar que teria acontecido algum problema mas que ele estaria vivo. Chegando lá quando abri a porta da UTI neo, a luz da incubadora desligada, 3 segundos de inércia, não!!!! Não pode ser, então caí… Desabei… Parece que o mundo para e abre um abismo aos seus pés… Meu bebê se foi, ele se foi!!!
Nisso a pediatra veio me confortar e me explicar como foi. A infecção do pulmão foi para o sangue e o coraçãozinho dele não agüentou, foi diminuindo os batimentos até parar.
Quanta dor… Nunca imaginei perder um filho, mas só pensava na dor dele, quantas picadas, quantos procedimentos, cateter, tubo… Tadinho, nenhuma mãe quer isso para seu filho. Peguei-o no colo, ainda quentinho, e pude sentir sua pele, disse o quanto o amava, o quanto ele era importante nas nossas vidas, pedi perdão pelo tamanho de seu sofrimento, nenhuma mãe quer ver seu filho sentir dor, ali ninei ele por cerca de 30 minutos… tive que correr atras de coisas burocráticas, velório, enterro.
Os dias passaram, a dor não diminui, a saudade só aumenta, mas o que me conforta é saber que hoje ele não sente mais dor, eu estou sofrendo muito, mas ele não.
Foram os três dias mais lindos da minha vida, ver seu rostinho, suas mãozinhas, os pezinhos mais lindos desse mundo. O Adam se foi, mas nasceu em mim uma mãe, guerreira, mais amável, mais persistente, mais forte, mais determinada… Só tenho a agradecer tudo que aprendi, uma lição de vida no modo Hard. Tanto sobre dor, quanto sobre amor.
Descobri também 2 palavras: incomensurável, que é o que eu sinto por ele e resiliência que é como vai ser de agora para a frente.
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Com tudo isso descobri o que tenho IIC: Incompetência Istmo Cervical, uma “deficiência” nas fibras elásticas do útero, conforme o bebê ganha peso, o colo do útero não suporta e abre, sem dor alguma ou sinais de dilatação, causando assim o parto prematuro extremo como foi o meu com 25 semanas.””

Relato gentilmente cedido ao blog por Glaucia Pinna

Parto domiciliar Bianca e Alice

Relato de parto domiciliar de Bianca Alves Marquetto, na cidade de Barretos, SP, Com Obstetriz Arielle Matos.

“Tenho 18 anos, mãe jovem de primeira viagem, taxada como louca por querer um parto normal. Desde que eu comecei a me afundar no mundo da humanização dos partos, comecei a entender mais dessa luta do “parir” em um pais onde os índices de cesáreas são gritantes, de cada 100 bebes que nascem, 84 são cesarianas. Poxa sera que alguém perguntou ao bebe se ele estava pronto para nascer? Decidi que não era isso que eu queria para mim e para minha filha, queria que fosse no momento dela, no tempo dela! Então comecei a me preparar para que isto fosse possível, eu devorava tudo que se relacionava a esse assunto, passava as tardes assistindo partos, me emocionando e mentalizando o meu, lia artigos, relatos, comecei a seguir paginas e paginas sobre o assunto, participar de inúmeros grupos no face e me relacionar cada vez mais de perto com este mundo,conversando com mulheres que entendiam da causa, e lutavam pelo mesmo fim. Aquela infinidade de imagens linda de mulheres empoderadas, divas enfrentando a dor, o choro, a lágrima, o suor, divando, fazendo possível o nascimento por meio natural de seus filhos. Nascer é divino! Mas parir, bom isso já é outro assunto!
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A verdade é que as mulheres perderam a fé nelas mesmas, elas não acreditam na força que tem, na garra e na capacidade que tem de parir, a verdade é uma só, a natureza sabe fazer seu trabalho, a gente só precisa se entregar a isso. Claro que não é nada fácil, e eu só fui entender isso quando foi na minha pele, cheguei a ficar ate confusa, tipo “ cade a calmaria que aquelas mulheres tinham naqueles vídeos?” Dói e dói demais. É preciso de muita conexão consigo mesma, e com seu bebe, a partolandia vem, e vem com vontade, ela não pede licença, quando se entra em trabalho de parto, quase sempre vai ser tarde para voltar atrás e nem compensa, quando já se venceu tudo que foi preciso para chegar ate ali, então vamos parir!
Durante minha gestação, troquei de GO com 33 para 34 semanas de gestação, simplesmente porque eu sabia que se continuasse por aquele caminho com certeza acabaria em uma sala de cirurgia fazendo uma cesárea, e não era mesmo isso que eu queria. E bom a melhor decisão que tomei foi essa, a minha nova medica era uma amor, uma japonesa calmaria em pessoa, toda vez era uma historia nova que rendia minhas consultas, ela vivia me contando relatos que ela acompanhou, era adepta de parto normal ainda e de domiciliar também, pode acreditar, ainda existe esses anjos!
Meu sonho era o parto domiciliar, com piscina inflável, doula, parteira, musica calma e muita fé! Todos surtaram, não entendiam essa possibilidade, tinha medo.Por um milagre divino eu já havia conseguido arrumar toda equipe para assistir meu parto, era só esperar. Porem foi preciso abrir mão, supostamente estava decidido que eu iria parir pelo SUS. Eu estava morrendo de medo, devido todas intervenções e violência obstétrica que já havia ouvido falar, ninguém entendia isso, só diziam que eu precisava ficar calma, no fim já nem sabia mais se todo o conteúdo que eu havia buscado estava sendo bom, porque eu estava com medo, com muito medo.

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Com 40 semanas e 7 dias o grande dia chegou, já não aguentava mais de tanta ansiedade, as 2:15 da madrugada do dia 1 de fevereiro meu tampão desceu, falei para meu namorado que não demoraria, provavelmente de domingo não ia passar. Ficamos acordado até as 4 horas pra assistir a luta do Anderson Silva, triste decisão, me arrependi muito por não ter ido descansar. A cinco da manhã as contrações começaram a vir de 30 em 30 min, como estava com muito sono, conseguia dormir entre uma contração e outra, as 7 horas da manhã se intensificou e começou a vir de 15 em 15, já não consegui dormir mais, levante e fui andar pela casa, quando eu vi que ia engrenar mesmo, comecei a arrumar as coisas, em meio ao choro arrumando o berço da minha princesa e colocando as ultimas coisas na mala. Fui para o chuveiro para ver se aliviava, as 8 hrs as contrações já estavam vindo de 5 em 5 minutos. Meu namorado começou a ficar receoso quando eu comecei a ajoelhar ao lado da cama a cada contração, quase chorando, queria que fôssemos ao hospital, eu não queria porque sabia que demoraria bastante tempo ainda, foi quando eu acabei vomitando devido a intensidade das contrações. Fiquei preocupada pois minha medica não havia me dito que isso podia acontecer, então eu aceitei ir para o hospital.
Um pouco antes eu havia mandado mensagem para minha parteira e também em um grupo de apoio a parto normal que eu faço parte, eu precisava de algum incentivo naquele momento, estava com medo de acabar fraquejando devido a dor. As meninas começaram a se mobilizar, me auxiliando e torcendo por mim, não consegui mais acompanhar o que acontecia, fomos para o hospital.
Chegando lá me colocaram em uma sala pré-parto sozinha, ninguém pode entrar comigo nem minha mãe, fui um terror, minha única distração era algumas pombinhas que eu conseguia ver pela janela, que mais tarde a enfermeira fechou, vez ou outra alguma enfermeira entrava mexia em papeis e saia, ninguém nem ao menos perguntava se estava tudo bem, minha vontade era sair correndo de la, e correr para o braço de alguém, e confesso que ate cheguei ir ate a porta varias vezes, mas sair de lá não resolveria em nada, isso só faria com que me maltratassem mais tarde. Aquilo parecia um filme de terror, tendo que lutar contra as dores, sozinha sem saber o que aconteceria mais tarde, queria desesperadamente meu chuveiro, aquela água quentinha, um abraço, e o auxilio de alguém.
Bom não sei ao certo quantas horas fiquei esperando ate que o medico chegasse, se eu já estivessem em fase ativa, bem provável que as enfermeiras que teria tido que fazer meu parto, já que o medico chegou apenas horas depois, duas ou três. As enfermeiras me mandaram vestir uma camisola e com a maior grosseria me mandaram deitar em uma maca de barriga pra cima que o medico faria o toque em mim, eu não conseguia ficar naquela posição porque doía demais, a enfermeira me segurou e mandou eu ficar com a perna dobrada e aberta. O medico fez o toque que doeu muito, muito mesmo, disse que minha dilatação estava só começando que eu podia voltar pra casa. Que alivio, aquela foi a melhor noticia que eu podia ter recebido.
Quando encontrei meu namorado novamente ele disse que a Arielle, minha parteira estava preocupada comigo, pediu pra que eu ligasse pra ela. Que alivio quando ouvi a voz dela, sério, eu só precisava de alguém que me apoiasse naquele momento, e ela havia me acompanhado, sabia das minha dificuldades. Acabou sendo decidido que ela viria ficar comigo, graças a Deus, não sei o que teria sido da gente sem ela ao nosso lado.
Era cerca de 11:30 ou 12:00 quando foi decidido que ela viria, ela deu uma hora e meia para estar na minha casa, pediu para que eu tentasse descansar. O que era meio impossível já que as contrações não davam mais trégua, uma atrás da outra, de 3 em 3 minutos, era como se mal acabasse uma, já vinha outra. Tentei seguir os conselhos da Arielle, deitei na minha cama, procurei relaxar e me entregar aquele momento, coloquei a playlist que havia preparado para rodar e liguei o climatizador bem na minha cara, parecia que era quase possível dormir, eu estava exausta, queria que aquilo acabasse ali, por momentos infindáveis pensei em desistir, cheguei a entrar no quarto da minha mãe chorando, dizendo que não aguentava mais, que queria ligar para minha medica, cheguei a pedir ate pela cesárea temida, e minha mãe “ você aguenta”.
A cada contração eu urrava, sério mesmo, gritava e gritava muito, pra valer, as vezes colocava o travesseiro na cara e minha vontade era atravessar ele. Eu esmurrava minha cama, minha vontade era de quebrar tudo. E eu agradeço muito por ter ficado sozinha naquele momento, talvez na companhia de alguém eu não teria conseguido me entregar daquela maneira, e as pessoas não entenderiam, talvez me amarrassem e me levasse para o hospital, minha mãe foi a única que acompanhou mesmo tudo de perto, e agradeço mais ainda pela força que ela teve, respeitando meu momento, vez ou outra ela entrava no meu quarto, meio perdida, perguntava se eu tava bem mesmo, se não queria ir para o hospital. Cara a única coisa que eu pensava era “Deus me livre daquele pesadelo, mil vezes sofrer sozinha aqui no aconchego da minha casa do que naquele lugar.” Teve uma hora que eu lembrei de uma gata que tive, quando ela ia parir, a pobrezinha ficava andando pela casa toda miando, um miado doido, eu mal podia imaginar o que ela estava passando, como no texto acima, é exatamente a mesma coisa, é simples a lógica, aceita que dói menos, somos mamíferos, somos animais, e ainda mais na hora de parir. E no final tudo que cruzar seu caminho naquele momento você vai se agarrar, me agarrei ate nas musicas, teve um momento quando consegui me concentrar em uma das musicas, porque no fim das contas se eu consegui ouvir uma ou duas foi muito, falava assim a letra: “Tem vez que as coisas pesam mais, do que a gente acha que pode aguentar, nessa hora fique firme pois tudo isso logo vai passar!” É isso eu precisava ser forte, eu precisava vencer a dor, eu precisava ir ate o final, então decidi ir para o banheiro novamente, até que a Arielle chegasse.
Bom foi ai que entrei mesmo na partolândia, perdi totalmente a noção de tempo, lembro que a Arielle chegou e foi como se eu tivesse visto um anjo na porta do meu banheiro, engraçado como eu nunca havia visto ela pessoalmente, mas era como se a conhecesse desde sempre, foi um conforto, um alivio, uma paz tão grande ter ela aqui, eu sabia que agora estava tudo bem, que com ela ali eu não desistiria, ela não deixaria eu desistir. Pedi pra ela fazer o toque em mim, eu precisava mais que tudo saber com quanto de dilatação eu estava. E pra sair daquele chuveiro, misericórdia, era um passo eu queria voltar, a dor era muito forte, eu mal conseguia andar, só queria ficar ali sentada, quieta, mas era preciso, precisava medir o batimento da Alice também, precisava saber se estava tudo bem, então foi, pouco a pouco, entre um intervalo e outro consegui chegar ao meu quarto. Foi quando a Arielle me deu a melhor noticia do mundo, eu já estava com 9 cm, na minha cabeça 4 cm era muito, quando ela falou 9 foi como se eu tivesse ouvido você ganhou na loteria, sério uma nova força me invadiu, ela disse que não dava uma hora e meia até que ela nascesse.
Voltamos para o chuveiro ai perdi a noção de vez de tempo, espaço e tudo o mais, a Arielle ali me confortando, de repente meu namorado chegou, e minha mãe andando pela casa, lembro de ver vez ou outra eles algum deles na porta, meu namorado tentou filmar e fotografar o que ele conseguiu, quando o mal estar não atrapalhava, eu entendo ate, quando assisti os vídeos, acho que teria ficado exatamente como ele, eu chorando e gritando, e ele sem poder fazer nada.
Minha bolsa rompeu, foi muito mágico, parecia uma bexiga caindo no chão, foi então que a Arielle me disse para eu avisa-la quando sentisse vontade de fazer coco. Não demorou muito, eu fiquei assustada, era como se eu estivesse com uma diarreia terrível. “Arielle to com vontade de fazer força” ela com toda calma do mundo “Então faz, faz o que o teu corpo pedir” foi quando minha mãe apareceu com meu vestido pedindo para irmos para santa casa, mas era impossível eu sair dali, eu mal consegui ir ate meu quarto, como conseguiria ir ate o carro e aguentar ate chegar ao hospital, eu só pensava no aconchego daquela água quentinha.
A Arielle estava comigo, me perguntou se eu queria ir, disse que não, ela tentou intervir por mim, e pediu pra que respeitassem minha vontade. Veio mais uma contração, mais vontade de fazer força, era muito loco, a vontade é incontrolável, totalmente involuntária, a Arielle me apoiando, disse que se minha vontade fosse ter ela ali, então ela estaria comigo, claro que todos ficaram aflitos, aquilo parecia loucura, não para mim e para a Arielle. Minha mãe ligou para ambulância e foi para o portão esperar, eu estava exausta queria deitar, sentar, sei la, estar confortável em algum lugar, a Arielle me disse então que em pé a gravidade ajudava, então borá la, vai ser em pé mesmo, lembro que minha sogra apareceu na porta quase chorando, e de repente um monte de gente entrou na minha casa, a ambulância chegou e nisto a cabeça já estava pontada, não havia mais como andar, se andasse todo o esforço seria em vão, o bebe voltaria para dentro, então foi ali mesmo, com uma perna dobrada apoiada sobre o banco, uma mão segurando no porta toalha e muita ocitocina.

Nasce as 14:50 minha princesa, a Arielle colocou ela nos meus braços e eu só conseguia chorar, estava meio sem forças nos braços, ela toda molinha cheia de sangue, escorregando, eu abracei ela e chorei, chorei e chorei, eu não acreditava no que havia acabado de acontecer, eu havia conseguido, a dor havia acabado, que gloria. A Arielle cortou o cordão e equipe levou a Alice para ser examinada na ambulância, minha casa esvaziou, foi todos atrás da neném e eu fiquei ali sozinha com a Arielle novamente, eu queria sei la, encher aquela anja de beijo, pedi um abraço, toda molhada e cheia de sangue e mesmo assim ela não me negou, a emoção não cabia em mim.
Sai andando pela casa com o cordão pendurado, a placenta começou a pesar dentro de mim, doía muito, me deitaram na maca e me levaram para a ambulância também, me neguei olhar para minha rua, com certeza deveria estar a rua toda assistindo. Na ambulância a enfermeira colocou a Alice encima de mim, meu Deus que emoção, ela bocejando, querendo dormir, acho que nem havia se dado conta que nasceu. Pedi para q a enfermeira tirasse minha placenta porque eu estava com muita dor, foi aquele alivio quando saiu, ai eu louca mesmo perguntei o que ela faria com a placenta, se jogaria fora, ai rindo alto lembrando tudo isso, eu naquele momento todo, em meio a todo aquele tumulto comecei a pedir uma folha porque queria fazer a impressão da placenta. A Alice foi no colo da enfermeira, eu ali vendo ela o tempo todo, chegamos ao hospital, levaram ela para tomar banho e eu fui tomar ponto. Eu pedindo a folha incessantemente, a enfermeira me arrumou e eu peguei aquele negocio cheio de sangue coloquei na folha e fiz meu namorado ficar andando c a folha ate secar, tadinho, as pessoas olhando para ele como se ele fosse estranho. Fiquei ali com a mão cheia de sangue, toda molhada, me deixaram tomar um banho antes de ir tomar ponto, que alivio, eu sentia um vazio grande por dentro, era como se meus órgãos todos houvessem decido, doía um pouco, dava falta de ar as vezes, e a enfermeira ficava me perguntando as coisas, eu mal conseguindo conversar. Quando o medico chegou, o mesmo que havia me examinado de manha, ele olhou para mim parecia bravo, com desde ele disse: “ É parabéns, você não precisa de medico!”, me examinou e disse que precisaria dar ponto , me levaram para sala de parto, e parecia que era pra me torturar, me deixaram ali um tempão com a perna aberta, ele andando pra la e pra cá, mexendo em papeis, eu perguntando se daria anestesia e ninguém me falava nada, e pra variar eu sozinha, querendo chorar. Doeu muito pra dar ponto, a anestesia foi um horror de doida, mas seria pior sem ela, com certeza, fiquei ali chorando as vezes murmurando pela dor, até que acabasse, não sabia nem que sentimento estava sentindo, se era de alivio por minha pequena não ter nascido ali, naquela sala, com aquele medico, se era de dor, ou por estar sozinha, mas no final é assim, a solidão é até produtiva.

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Bom tudo passou, eu consegui, venci o sistema, venci a dor, o medo, a solidão, e todo resto, minha princesa nasceu com 3.550kg e 50,5cm. Quando se passa por esta experiência não há como continuar sendo a mesma pessoa com a mesma cabeça, a dor faz a gente amadurecer anos em horas, e posso ate arriscar dizer que nos da uma injeção de força para tudo que vira, ser mãe não é fácil, gestar, parir e criar, nenhum destes processos é fácil, mas no final vale a pena, a cada sorriso, toque, sentir o cheiro, abraçar aquele serzinho, é como se não houvesse mais nada que importasse a não ser ver este pedacinho de gente bem. É isso nascer é divino, mas parir é mesmo animal! Em sua mais pura realidade, agora todos me perguntam se eu passaria por tudo isso novamente, bom daqui uns bons anos, posso dizer que sim, não consigo dizer que 100 vezes como algumas mulheres dizem, mas outra vez eu me arriscaria nessa incrível experiência, no final a partolandia é pura brisa, tanto hormônio correndo na veia, valeu a pena!

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Obrigada mais uma vez a Arielle e a talita e a cada uma de vocês do grupo Gaia, pelo apoio, pela torcida, informações, orações, energia positiva, vocês fizeram que meu sonho fosse possível, junta a vocês eu venci tudo isso!”

Relato gentilmente cedido por Bianca Alves Marquetto

Relato de parto Poliana e Gael

Relato de parto domiciliar Poliana e Gael, realizada em São José do Rio Preto, com parteiras Lucélia Caires e Amélie Lecorné e doula Nathalie Gingold:

“Demorei um pouco para conseguir organizar as ideias e relatar sobre o dia 14 de outubro de 2014. Hoje, três meses depois, consigo raciocinar e escrever melhor sobre o nosso dia, meu e do Gael.
A decisão de viver um parto domiciliar se deu no último trimestre da gestação. Mesmo com a sugestão de uma querida amiga (Camila Marcelino) no início da gravidez, ainda tinha dúvidas. Dúvidas que foram sanadas com o tempo, com pesquisas, com conversas com profissionais, com mulheres mães, com senhoras que tiveram seus filhos em casa e com as mães do grupo Gaia.
Ao ver vídeos e depoimentos de nascimentos de bebês no hospital (natural ou cesária) e em domicílio, percebi que a melhor forma de receber meu filho neste mundo, seria em casa, no nosso canto, sem pressa. Compreendi que mãe e filho, ao nascerem, só querem se abraçar, se acalmar e iniciar essa nova vida, juntos.
Dizem na medicina, que o primeiro minuto de vida é o minuto de ouro, e é mesmo! Nascer não é fácil! O bebê que até então estava fisicamente ligado à mãe, agora é livre, seguirá sozinho por seu próprio corpo. É um choque! Recebê-lo da forma mais carinhosa possível, amparando-o nesse momento tão sensível, para mim, era o melhor a fazer.
Ter tido uma gestação tranquila (considerada de baixo risco) e apoio do meu marido, também foram fundamentais para a minha decisão; para o meu empoderamento, se posso assim dizer. Não me senti poderosa, nem nenhum adjetivo que me vangloriasse. Senti apenas, que estava decidindo ouvir o meu corpo, meu bebê, meu instinto. E assim foi feito.
Encontrar profissionais que acompanhassem meu parto foi difícil. Conheci a Lucélia primeiro. Enfermeira obstetra, baiana porreta e querida amiga, terá para sempre um papel super especial na minha vida. A Amelie foi outro presente de Deus. Enfermeira obstetra, francesa meio brasileira, foi o check mate para que o parto domiciliar se tornasse realidade. Com a equipe profissional formada, segui para o próximo passo.
Combinei que o nascimento do Gael seria no meu pequeno apartamento. O trabalho de parto e a concepção em si, aconteceriam ali. Tentava imaginar como seria o grande dia. Imaginei ter amigas e parentes comigo, fotógrafos e doula, e por fim, achei que iria me incomodar com a presença de muitas pessoas ao meu redor e resolvi resumir a equipe nas enfermeiras, no meu marido e em mim. Acreditei que por estar muito exposta, num momento muito íntimo, não me sentiria a vontade. Grande engano! Primeiro porque não me incomodei um segundo se quer com a observação de ninguém. Sinceramente, esse tipo de preocupação não pertence a uma mulher que está tendo um filho. Comprei um top para não deixar meus seios à mostra, e só me lembrei dele muito tempo depois. Ri da minha ingenuidade. Segundo, porque de última hora tive uma doula, a Nath, que já conhecia e veio por chamado da Lucélia com minha autorização, e foi fundamental. Ainda bem que ela estava ali.
As contrações começaram por volta das oito horas da manhã. Tinha dormido super bem, levantei, fui ao banheiro como de costume e vi algo gelatinoso que deveria ser o tampão. Falei com meu bebê… chegou o nosso dia…dia tão esperado….vou te ver! Voltei para cama e esperei ter outra contração para chamar o Gui. Tive. Ele correu pegar o celular pra usar o aplicativo de contagem de contrações que há tempos tinha instalado. Estavam de cinco em cinco minutos.
No dia anterior tinha nascido a Laura, acompanhada pela mesma equipe que a minha e o parto tinha sido longo, foram 43 horas e acabou as três da matina. A Amelie, que é de fora, me ligou perguntando se eu sentia que meu parto seria logo, pois assim ficaria em Rio Preto por mais dias. Eu estava completando 40 semanas, mas estava tão bem, que disse que não. Achava que o Gael nasceria mais pra frente, com 41 semanas talvez. Ela foi embora e o Gael resolveu nascer. rsrs
Após verificarmos a frequência das contrações, resolvi avisar a Lu. Como ela tinha ido dormir tarde, escrevi pelo whatsapp: Lu, as contrações começaram…. descanse e quando acordar me ligue. Ilusão minha, ela já estava trabalhando. Me ligou para sentir como eu estava (eu estava ótima) e disse que provavelmente eu estava com uns 2 dedos de dilatação, que assim que acabasse a reunião na qual estava passaria na casa dela, pegaria todos os equipamentos e viria. Combinado.
Ao desligar o telefone mergulhei no meu trabalho de parto. As contrações que até então eram fraquinhas foram se intensificando rapidamente, uma a uma. Deitada na minha cama, me concentrei na minha dor. Estava muito segura, tranquila. Entrei na força daquele momento. Não vi nada e não vi o tempo passar. Só ouvia repetidas vezes a música Madre tierra Madre vida, como um mantra…. e cantava, sozinha no quarto

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O Gui estava tentando organizar a casa como tínhamos pensado. Colocar música, preparar câmera e abrir espaço para a piscininha, mas hoje lembro que ele estava como uma barata tonta, meio perdido sem saber o que fazer primeiro…. levava o dobro do tempo em cada coisa. rs
Resolvi tomar um banho. Sentia uma dor no quadril, muito forte. Como as contrações eram intensas, tentei ficar ajoelhada….não deu. Voltei pra cama. Lembro-me de ter ido ao banheiro fazer numero 2. E foi como uma dor de barriga. Fiquei aliviada, porque não queria fazer cocô durante o parto, já que era uma possibilidade.
Tudo isso durou quatro horas, e para mim parece que tudo aconteceu em no máximo uma. Quando a Lucélia chegou já era meio dia e eu nem tinha percebido o tempo passar, estava em outra dimensão. Ela chegou e foi como um estalo. Acordei! E aí disse a ela….ou eu sou muito mole, ou o Gael já vai nascer…rs. As contrações ficaram ainda mais fortes, e nesse momento, com 4 horas de trabalho de parto, já estava nua, despida de qualquer vergonha, selvagem com a minha dor.
A Lu fez então o exame de toque e verificou 7 centímetros! Ligou para a Amelie no mesmo momento e recomendou que ela viesse logo, pois meu parto estava evoluindo muito rápido e talvez não desse tempo dela chegar. Com esta possibilidade a Lucélia perguntou se poderia chamar a Nath para ajudá-la. Claro que poderia! Pareceu que ela chegou em dez minutos, mas depois disse que chegou em casa por volta das 13:30. Após a chegada da Lu, comecei a me movimentar, até então só tinha levantado da cama para tomar banho. Não era fácil andar. Andava com ajuda. Me sentia aérea a tudo o que acontecia. Comecei a obedecer ao que diziam. Me pendurei na barra da porta. Os três me ajudaram. Isso foi muito bom, e aliviou um pouco a dor no quadril. De lá fui para o sofá, acho. E logo comecei a sentir vontade de fazer força. Como dizem, parece mesmo uma vontade de fazer cocô, mas diferente..rs A Lu percebendo, disse que era hora de ir para a piscina. Na piscina parece que o tempo parou. Já estava na fase do expulsivo, mas essas duas horas finais pareceram muito mais longas.
Não senti qualquer medo ou insegurança em nenhum momento. Acho que isso é empoderamento né? Mas não foi consciente, foi natural. Não pensei em ir para o hospital, porque sentia que estava tudo indo bem….e a cada segundo, estava mais próximo de então ver o meu bebê!
Nesse momento, dentro da piscina, consegui ouvir que tinha música no ambiente, uma seleção de músicas celtas que gostava. Vi as pessoas, o Gui, a Nath, a Lu! Até consegui me preocupar entre uma contração e outra que já devia ser tarde e ninguém tinha almoçado. Eu comia algumas coisas que me davam, lembro-me de chocolate…. e tinha tomado café da manhã também….mas não sentia fome….estava na FORÇA!
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E então, o Gael foi querendo sair, podia sentir a cabecinha dele, mas ainda estava na bolsa, meio gelatinosa. Me levantei e então a bolsa estourou, acho que eu estava abraçada ao Gui. Saiu um jato de água, como uma bexiga com água que estoura ao cair no chão…. e então pude sentir seu cabelinho….muito cabeludo! Eram os minutos finais do parto. Era tanta força que eu fazia, que as vezes saía um pouquinho de cocô….as meninas me socorriam….por isso que digo que trabalho de doula exige uma doação gigante! Rs… não senti vergonha…não tinha cabeça pra isso…só repetia baixinho para dentro de mim…..vem filho! Vem filho! E ele vinha….
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Gemi e gritei com uma voz que vinha da alma! Não imaginava que gritaria… mas me dava força. E assim, as 15:56, o Gael veio ao mundo! A Lucélia o recebeu gentilmente, pois eu não teria conseguido segurá-lo ao nascer….e então me entregou meu bebezinho lindo, calminho, meu pequeno samurai. Não acreditava que a gente tinha conseguido! Repeti isso umas vinte vezes ao ver o Gael…rs Eu, que nunca tinha sofrido dor na vida… consegui lidar bem com o parto…as contrações não me abalaram….e agora estava ali, com o serzinho que mais esperava encontrar em toda minha vida! Sempre quis ser mãe….amo ser uma! Para mim, esta experiência foi um presente divino! Uma honra!

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Infelizmente o parto não acaba aqui rsrs….achava que a dor tinha ido embora com a chegada do Gael…ilusão. Fomos para uma cama preparada para mim na sala de casa. O Gael me olhava com olhos vidrados….me apaixonei! A Nath colocou ele para mamar no meu seio. O Gui cortou o cordão após parar de pulsar. E a Lu finalizava os procedimentos do parto. Não tive laceração do períneo, o que foi um alívio para mim, mas conforme a Lu, tive um pouco de hemorragia, acabei sangrando mais que o usual para um parto normal. Ela conteve o sangramento com massagens na minha barriga para contrair o útero e com as mamadas do Gael. Parou rápido, ainda bem. E a placenta saiu íntegra logo em seguida. Lembro-me de ficar mentalizando…. contraia útero, contraia….deve ter ajudado.
A amamentação foi necessária naquele momento, mas sinceramente, se eu pudesse adiar, adiaria. Doeu muito. Sempre tive muita sensibilidade nos seios…. e aquelas pegadas do Gael eram uma tortura. Sei que é triste escrever isso, mas a amamentação para mim, desde a primeira pegada até mais ou menos um mês de puerpério foi difícil… exigiu muito de mim….mas valeu a pena! Hoje, segue uma beleza!
Voltando ao parto… a Amelie chegou logo após o nascimento do Gael. Foi o máximo que conseguiu fazer, já que mora há quatro horas daqui. Foi muito bom vê-la. Ela e a Lu conversaram sobre a necessidade de se dar uns pontinhos ou não na pele lacerada…. e decidiram por fazer. A Amélie ajudou nesse momento, e ao todo foram quatro pontinhos (filhos da mãe)… dois na parte superior e dois na parte inferior da vagina. Doeu, mesmo com anestesia local.
Tudo finalizado divinamente… estava tranquila, feliz com o Gui e o Gael ali comigo. E as meninas me autorizaram tomar um banho. Queria muito, mas ao levantar senti fraqueza. Fui devagarzinho ao banheiro, mas ao entrar no box, só consegui dizer…acho que vou desmaiar…rs acordei segundos depois com as três me segurando, abanando….não tinha percebido o desmaio….voltei a mim conversando normal, como se nada tivesse acontecido. Tomei o banho e fui me deitar com a minha cria.
Nisso eu já tinha avisado minha mãe que caiu no choro em mistura de alívio e felicidade. Só repetia graças a Deus, graças a Deus!…e eu digo…Graças a Deus por fazer a natureza da mulher e do nascimento tão perfeitamente, e por colocar no meu caminho pessoas tão sensíveis e especiais.
E assim, ao final de oito horas de trabalho de parto, celebramos a chegada do Gael brindando com um pedacinho de placenta cada um! A priori pareceu uma ideia difícil de conceber, mas com um toque de shoiu, até que não ficou nada mal.. kkkk
Gratidão aos meus pais e irmãs que souberam aceitar minha decisão, ao Gui que me respeitou e me deu força sendo um verdadeiro parceiro de vida, às meninas Lu, Nath e Amelie pelo profissionalismo e carinho imenso comigo, ao grupo Gaia por me permitir conhecer pessoas que me fortaleceram, à Talita, Isa, Nayara e Mariana, que foram doulas também por estarem sempre tão dispostas a me ajudar! Gratidão à vida por este presente!”

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O amor e suas delicadezas

“Sou mãe sozinha de um bebê de quase 6 meses. Percebi minha necessidade em enquadrar o comportamento dele em alguma das fases típicas do seu desenvolvimento. Não que elas não existam. Acredito sim que existem períodos críticos em que nossos bebês precisam de mais atenção. Mas fui, mais uma vez, no fundo do meu lodo, da minha lama, pra descobrir por que a carência dele me incomodava tanto.

Cresci no meio de exemplos de mulheres que não eram amadas. E que não se deixavam amar. Não podia. Mulher tem que ser forte, até mesmo as crianças, viu Heloisa? Não deve chorar com medo de pesadelo e nem pelo machucado que sangra pele a fora. Aí virei mãe. Tentei reproduzir o padrão já estabelecido e tão arraigado da super mãe que não reclama, que dá conta de tudo (mesmo não dando), que não chora (mesmo chorando no banho, pra confundir lágrima com água, sabe?), que ama a cria 24h por dia, 365 dias no ano, que se doa incansavelmente. Convenhamos: isso existe? Até eu não gosto de mim mesma em determinados momentos da vida! Senti-me culpada por querer estar só, por ter que amamenta-lo, enquanto a minha vontade era sair correndo.

Revoltei-me por ser mulher e ter que me ajustar nesse padrão de que mãe doa amor ao filho e esqueci-me de ver que ele também me ama.

Aquarela de Irene Olid Gonzalez

Me ama quando estende seus bracinhos pedindo colo, me ama quando faz bico pedindo colo, me ama quando vira os olhinhos como quem diz: “esse leite é gostoso demais, mãe!”, me ama quando acorda escancarando um sorriso que ilumina mais que o Sol. Ele me alimenta do mais puro amor. Ele me dá colo. Enxuga minhas lágrimas quando me vê chorando. Eu me abri pro amor.

Deixei pra trás a carga carregada pelas minhas ancestrais. Ficou lá no passado.
Eu também mereço ser amada. E você também.”


Texto pela querida Isa Rebello

Relato de parto: Nascimento do Bento

Relato de parto por Alice, nascimento de Bento no dia 10/12/14 às 00:55 min na Santa Casa de Rio Preto, com Dr. Guaraci e doula Talita Miranda.

“Meu desejo nunca foi de ter um parto natural, imaginava um parto normal com analgesia, mas, se não desse certo, faria uma cesárea numa boa…esse era meu pensamento, até…..eu engravidar!
Comecei meio de bobeira a procurar grupos nas redes sociais de gestantes, mães e etc… Dentre os grupos que comecei a participar, achei o Gaia ( que foi decisivo na minha decisão tempos depois), fui participando do grupo passivamente, absorvendo as informações que eram postadas, vendo a troca de experiências das outras gestantes e mães…aquilo foi me inquietando e o desejo de um parto natural foi crescendo a medida que eu ia me instruindo, pois toda mãe quer o melhor pro seu bebê e depois de tanto ler, ver relatos de parto, assistir muitos vídeos de partos naturais…decidi e me convenci que o melhor era um parto normal ( ainda com analgesia).
Decisão tomada, veio a segunda batalha, convencer meu marido que este tipo de parto era o melhor, tanto para mim, quanto para o nosso filho…o Lucas ( esposo), não por mal, mas por um instinto de cuidar, de me poupar, não queria que eu passasse por “esta dor”, segundo ele desnecessária já que hoje em dia é só marcar o dia e fazer uma cesárea que “é muito mais segura” ( aos olhos dele). Fui insistente e por vezes chata, fazendo todo aquele discurso sobre os benefícios do parto normal x cesárea ( não só pra ele, mas para todos que me perguntavam sobre qual parto iria fazer e que depois da resposta soltavam aqueles comentários desencorajadores), pois bem… Fiz uma lavagem cerebral no meu marido ( rs) praticamente ” obrigava” ele a assistir os vídeos de partos naturais, lia reportagens sobre os benefícios do parto normal, etc…ele ainda era receoso quanto ao assunto, até que perto do fim da gravidez eu tive uma conversa com ele e disse que estava decidida que eu ia fazer o parto na água e que eu só precisava que ele me apoiasse, independente do que acontecesse, eu precisava dele, mais do que nunca, pra me dar forças, porque se ele não o fizesse, acho que eu não conseguiria….nesse momento ele decidiu ir até o fim comigo e me apoiou incondicionalmente.
Terceira e não menos importante, foi difícil achar o médico que iria realizar meu desejo…iniciei meu pré Natal com um tal dr.( cesarista) que logo no início quando disse que queria parto normal, já falou que a data prevista ( inicialmente meu bebe era para 24/12, pelas contas médicas) do meu parto não era muito boa para parto normal…sem falar que além disso ele me cobraria 5.000, pela disponibilidade…eu realmente estava disposta a pagar, mas aí…durante o pré Natal o tal Dr. ( que de fofo, não tem nada) foi se mostrando extremamente grosso e intransigente…eu discuti com ele por causa de um ultra-som e nunca mais voltei na clinica… Tive que procurar um novo médico…minha mãe falou do Dr. Guaraci ( que havia sido o obstetra dela no meu nascimento e no do meu irmão), resolvi arriscar…
Já na primeira consulta falei sobre minha escolha de parto e ele foi bastante receptivo e tranquilo quanto a minha decisão, sem falar na calma dele…tudo que eu falava pra ele estava tudo certo…concordou com tudo! Estava decidido…seria ele! Confesso que tinha um preconceito em relação à Santa Casa ( por ser um hospital antigo, sei lá…), mas conversando com meu GO, lendo sobre a tentativa de um projeto para humanização do parto, resolvi dar um voto de confiança e fazer meu tão desejado parto na água lá ( e com certeza não me arrependo, fui bem atendida em todos os sentidos). A escolha da doula foi um processo também, aliás fui decidir isso bem no final da gestação, tanto que encontrei a Talita 2 vezes só antes do dia do meu parto, meu marido achava desnecessário, pois já íamos gastar com o médico e tal, eu fiquei em cima do muro um tempo, mas ter filho no fim do ano é bom, porque pelo menos tem o 13 salário…pensei… Gasto com tanta coisa supérflua, não vou economizar justamente com o nascimento do meu filho ( que é a parte mais importante da minha vida), decisão tomada…eu iria pagar! Fizemos uma reunião bastante esclarecedora em todos os sentidos, ela me acompanhou numa consulta para conhecer meu GO ( tínhamos um encontro no dia 10/12, para pintar minha barriga, mas não deu tempo!!!rs).
Bom…dia 09/12 voltei ao trabalho depois de 10 dias de atestado médico, pois estava bastante cansada e com algumas dores na barriga ( que não eram contrações, era só estresse mesmo), fui trabalhar normalmente, sem nenhuma dor,estava ótima! Cheguei em casa, almocei e deitei para descansar um pouco, meu marido ( que estava de férias) resolveu sair para comprar os presentes para o final de ano, me chamou para ir junto, mas preferi ficar em casa dormindo, as 16:30 mais ou menos, me virei na cama e senti um líquido descer, corri para o banheiro e quando vi…minha bolsa havia rompido ( ahhh que momento esperado!!!) fiquei feliz e iniciei minhas ligações…primeiro pro marido ( que levou o maior susto e só conseguiu responder: já estou indo e desligou na minha cara), segundo pra minha mãe ( que estava no trabalho e com certeza ficou mais ansiosa que eu), terceiro para minha doula ( que me tranqüilizou) e depois pro meu GO ( que pediu pra eu ir ao consultório para me avaliar). Chegando à clinica estava com o colo alto ainda e só um pouco apagado, como minhas contrações estavam de 5 em 5 min, resolvi voltar pra casa e só ir pro hospital quando elas estivessem de 3 em 3 min e ritmadas. Saí de lá fui ao supermercado comprar algumas comidinhas leves, caso o trabalho de parto fosse madrugada a dentro…cheguei em casa umas 18:30, mais ou menos 19:00 chegaram meus pais e minha doula, as contrações estavam ritmadas e em pouco tempo ficaram de 3 em 3 min…resolvemos ir pro hospital…chegando lá queriam me colocar sentada numa cadeira de rodas ( que eu não quis, naquele momento se me colocassem sentada ou parada iria enlouquecer) queria me movimentar, andar, rebolar ( td isso aliviava a dor quando ela vinha), chegando ao quarto ( 21:30) as dores estavam intensas, vomitei, fui pro chuveiro, recebi massagem ( e enquanto isso, meu marido e a Talita enchiam a piscina ( no quarto).

Meu GO chegou as 22:00 e fez o primeiro exame de toque, estava com 3 cm apenas e muitaaa dor…pedia analgesia, anestesia…mas como estava com poucos cm ainda a solução dada pelo meu médico foi a aplicação de um analgésico intra-muscular ( que durante as contrações não adiantava muito, mas no intervalo delas me deixava extremamente relaxada, 2 horas e um cardiotoco dep524178_926480317362522_4833640762212223121_nois ele voltou a me examinar e para surpresa de todos já estava com 7 cm ( minha evolução foi rápida- graças a Deus!), me convenceram a entrar na água, pois nesse momento eu já estava na partolandia ( tão famosa)… Parecia que eu estava em outro mundo, ouvia as pessoas falando, mas parece que não entendia nada…estava dentro de mim… Quando entrei na água, relaxei, mas logo em seguida senti como se fossem espasmos, meu corpo pedindo pra fazer força…e aí eu descobri a gente não racionaliza a posição de parir…é algo instintivo…

A posição escolhida é a que seu corpo sente mais confortável e a minha foi de 4 apoios… Não sei quanto tempo se passou no expulsivo ( segundo meu marido foram 50 min), senti o tal círculo de fogo ( que dói e queima bastante), mas logo em seguida, quando sai a cabeça a dor alivia…neste momento o médico me ajudou ( na próxima contração ) a tirar o bebe, que veio para o meu 10421171_926480350695852_468013717956877269_ncolo, praticamente dormindo…com aquele cheirinho doce, que só quem pariu sabe como é…tão pequeno, tão esperado ( é muita emoção ).Nesse momento tudo passa, a dor, o cansaço…estava ligada no 220…era muita adrenalina… Perineo integro, placenta retirada…tomei um banho e fui para o berçário acompanhar a pesagem do meu filhinho…estava tudo bem…respeitaram minha decisão de não pingar o nitrato de prata nos olhos dele e a vitamina k foi feita via oral… Tudo como eu tinha planejado! Foi perfeito! Mais do que eu imaginava e planejei.
Descobri em mim uma força que eu não sabia que tinha, no momento em que o Bento nasceu, nasceu também uma mãe e uma nova mulher empoderada!”

Relato gentilmente cedido ao blog pela Alice Gonçalves, obrigada!!!

Relato de parto natural – Débora e Maria Eduarda

“Foi na Sta. Casa de São José do Rio Preto, SP, com Dr. Marcos Lelis e doula Daniela Maria, pelo SUS e natural

“Parto normal, para mim, é cesárea!”

Era essa a frase que eu dizia sempre que me perguntavam se eu queria parto normal ou cesárea. E foi assim até completar 37 semanas de gestação, quando minha decisão de parto tomou um rumo jamais antes imaginado.
Como engravidei sem plano de saúde, meu parto seria todo pago, desde a internação no hospital até os profissionais envolvidos. Já estava tudo definido e isso não se discutiu em nenhum momento antes de chegar a 37ª semana. Mas sabe aquelas surpresinhas que a vida traz? Pois é, a minha chegou nesse momento.10805055_681446411971731_854533413_n
Do dia para a noite, decidi que não queria pagar nada pelo parto. Eu poderia ter a minha filha pelo SUS, tudo de graça. Era assim com tantas mulheres, porque não poderia ser assim comigo também? Eu só não teria um quarto só para mim, nem meu marido como acompanhante, nem uma mesinha para colocar minhas lembrancinhas fofas (que eu nem tinha feito ainda!)… Ah, e claro, não teria a minha tão esperada cesárea! Sim, porque no SUS a prioridade é o parto normal, e a cesárea só acontece em último caso (salvo algumas exceções, tipo médicos “bonzinhos” ou que não têm paciência para esperar um parto normal, por exemplo). Então eu não gastaria nem 1 real mas, em compensação, passaria por todas aquelas terríveis dores e longa espera de um parto normal… Me dava arrepios só de pensar.
Lembrei de tudo que já havia escutado sobre parto normal a minha vida toda: que doía demais, que demorava horas e horas, que a espera ia muito além das 39 ou 40 semanas, que a bexiga poderia sair do lugar e eu teria de fazer uma cirurgia, que teria incontinência urinária, que sentiria dores para ir ao banheiro durante 1 ano inteiro… Era tanta coisa que, se fosse escrever, daria um mini livro! Fora isso, tinha meu marido dizendo que era super arriscado, que se algo acontecesse comigo ou com nossa filha ele não se perdoaria nunca, que eu tinha de ter mais responsabilidade e juízo e não ficar querendo ter esse tipo de parto nessa altura do campeonato… Ou seja, apoio ZERO e medo SUPER!
Mas quando coloco algo na cabeça, eu vou até o fim e não sossego enquanto não fizer. E, como num passe de mágica – e depois de conhecer a maternidade, as salas de pré-parto e de parto, conversar com mulheres que já haviam parido e adoraram, e ter o apoio delas – comecei a desejar o parto normal tal qual eu desejava as guloseimas que me davam água na boca durante toda a gestação. Sim, eu comecei a querer MUITO um parto normal, e era isso que eu teria, no que dependesse de mim!
Falei com uma amiga querida, a Thais, também grávida e decidida a ter um parto normal desde o início da gestação. Ela me sugeriu contratar uma doula porque me ajudaria muito na hora do parto. A principio neguei e agradeci, pois assim como não quis gastar com o parto, também não queria ter de pagar uma pessoa para isso. Disse que teria meu parto com a cara e a coragem (sabia de nada, a inocente). Ainda bem que marido foi muito mais sensato que eu e aceitou a idéia da doula. E foi assim que a Daniela entrou nessa história.
Agora estava tudo certo: 37 semanas, decisão pelo parto normal, amiga grávida no mesmo barco e doula pra ajudar a fazer tudo acontecer. Sempre desejei a cesárea, não por gostar de cirurgia, mas sim por não gostar de sentir dor (oh, céus!), porém sempre estive informada sobre tudo o que acontece no mundo dos partos normais. Lia relatos, assistia programas na TV, sabia dos procedimentos que eram aplicados… Engraçado, né? Era pra ser mesmo, a vida já estava me preparando a todo o momento, e eu nunca desconfiei de nada. Prefiro dizer que foi Deus, mesmo. Ele já sabia de tudo, como sempre. Em 3 semanas li ainda mais, me aprofundei em cada assunto, tirei dúvidas, assisti filme, mais programas de TV… Era o significado da palavra “empoderamento” se aplicando na minha vida.
Terça-feira, 39 semanas e 6 dias. Nada de sinais de trabalho de parto. O medinho de a gestação chegar às 41 ou 42 semanas às vezes batia, mesmo eu sabendo que isso não era problema. Estava sendo monitorada pelo GO que faria meu parto (ele era plantonista no hospital, na realidade. Deus tinha de me abençoar para poder ser ele no dia que fosse ter a Maria Eduarda. E eu confiava que isso aconteceria.) e ele já havia dito que, se não tivesse sinal do início do TP até o próximo domingo, eu seria internada para a indução. Vale informar que fiz todo o pré-natal com um GO, e meu parto seria feito por outro.
Como até então a ordem era descansar, eu que ficava em casa praticamente o dia todo sentada ou deitada, estava sendo massacrada cada dia mais por dores chatas nos quadris. Na terça-feira mesmo decidi ajudar a Duda a vir pra esse mundo. Fui ao shopping com a cunhada e o sobrinho pequeno e andamos por cerca de 5 horas seguidas. Eu poderia andar mais 5 horas, pois estava super bem. As dores sumiam quando andava. Saímos do shopping e, por orientação da Dani, fiz exercícios na bola de pilates. Dia super intenso e finalmente fui pra casa.
Tomei banho e, já deitada, falando pelo celular com a Thais sobre parto (claro!), senti umas mexidas muito fortes na barriga. Parecia que ela estava mudando de posição lá dentro. Nem deu tempo de achar muito estranho, senti uma dor e, ao virar de lado, ploft… a bolsa rompeu! Chamei o marido para confirmar se era aquilo mesmo, mas não tinha dúvida, o liquido não parava mais de sair. Foram minutos um pouco conturbados e até engraçados, porque minha mala ainda nem estava ponta, e fiquei meio desorientada com aquele líquido vazando, que cheguei a pensar em não ir para o hospital porque não queria que eles estourassem minha bolsa – oi?! – rs. Decidi ir logo para o hospital porque não conseguiria mesmo pegar tudo o que faltava, minha cabeça estava a mil e eu estava super feliz. Avisei a Dani e fomos.
Cheguei no hospital por volta de 1hr da manhã, fui examinada pelo GO de plantão que me informou: 1 cm de dilatação. Fiquei um pouco triste porque achava que com o mega passeio pelo shopping mais os exercícios na bola, estaria logo com uns 5 cm. Mas tudo bem. Logo a Dani chegou e meu marido precisou ir embora. No SUS, na sala de pré-parto, só é permitida a presença de mulheres, então ele só poderia assistir ao parto em si, quando chegasse a hora.
Não demorou e a Dani chegou. Confesso que estava meio sem jeito, sem saber o que aconteceria. A conhecia há bem pouco tempo, a tinha visto apenas uma vez e estava tímida. Entrava no banheiro para me trocar, pra ela não me ver nua. Ela com toda naturalidade ajeitou tudo e começou: massagem nas costas, exercícios na bola, cheirinho de canela (aromaterapia), música… Estava gostando muito de tudo aquilo!
Logo começaram as contrações, bem fraquinhas, todas desritmadas ainda. Caminhamos bastante, conversamos, rimos. As contrações vinham e eu parava, encostava na parede mais próxima, fechava os olhos, fazia uma carinha de risada misturada com careta de dor, esperava passar e logo continuávamos a caminhar. Eu sempre perguntava para a Dani se aquilo ia piorar, pois estava achando até tranqüilo. As pessoas passavam por nós e perguntavam, algumas desesperadas: “Ela está passando mal?”. Eu só ouvia, nunca respondia. A Dani dizia com a maior tranqüilidade do universo: “Não, não… é só uma contração!”. Risos. Isso me tirava a dor na hora, dava muita risada.
No quarto de pré-parto havia chegado uma grávida, bastante nervosa, ansiosa, louca por soro, louca por exames de toque, doidinha por uma cesárea. A apelidamos de “minha ocitocina natural”, pois sempre que eu olhava pra ela, vinha uma contração. Era impressionante, estava caminhando sem contração alguma, já por algum tempo, até desanimada, mas quando cruzava com ela, vinha na hora! Segundo a Dani, isso me ajudou bastante a ter as contrações mais ritmadas. Assim fomos a madrugada toda, e por volta das 8hr da manhã (acredito eu, não me lembro muito bem os horários) o meu tão desejado médico plantonista chegou e tive meu segundo exame de toque. Nada fácil, por sinal.
Fiquei toda inocente na maca, esperando ansiosa para saber se já tinha evoluído alguma coisa na dilatação e super feliz por o médico ali. Mas, quando ele fez o exame, aí sim eu quase morri! Não sei nem dizer como foi, sei que foi tão “forte”, tão “profundo”, que gritei… Uma, duas, três vezes. Foi muita dor, demais, tão grande que achei que ia parir ali naquela hora. Cheguei a subir o corpo pela maca, mas ele não parava. Depois que terminou, fiquei ali deitada, imóvel, olhos fechados. Só pensava: “porque ele fez isso? Eu confiava tanto nele, nunca imaginei que fosse fazer uma coisa dessas…”. Chorei, mais por dentro do que por fora. Só consegui derramar uma lágrima, mas não deixei isso me atrapalhar. A Dani ficou do meu lado o tempo todo, segurava minha mão e me pedia para ficar calma. Eu sabia que se me entregasse a minha tristeza ali naquela hora, nunca mais iria parar de chorar, ia desistir de tudo e não teria condições nem de enfrentar uma cesárea.
Respirei, ouvi as orientações da Dani, fingi que nada daquilo havia acontecido, abri os olhos e levantei para continuarmos nossa caminhada pelo hospital. Não ia ser isso que estragaria tudo. Depois fiquei sabendo que ele fez aquilo para ajudar na dilatação. Eu ainda estava com 1 cm e depois do toque, cheguei a 2cm. Não deixou de ser uma violência, penso eu, mas se foi para ajudar, valeu. Se não fosse também, pra mim não tinha problema. Como eu disse nada, muito menos isso, me faria desistir de tudo o que eu queria. E eu sabia que aquele médico era o melhor que eu poderia ter, então isso não me abalou, não.
Nesse tempo, fiz alguns exames de cardiotocografia, para ver como estavam os batimentos dela – estavam ótimos, sempre. Às 9:15h o médico avisa que, dali há duas horas, aplicaria o soro com ocitocina, para adiantar, pois a dilatação estava lenta e o colo do útero já estava quase apagado. Eu logo levantei o dedo e disse que não aceitaria o soro, e a Dani em seguida disse também que não o colocariam em mim, que dava muito bem para continuar sem ele. Falamos isso e ele saiu da sala, meio que aceitando nossa imposição. Achei aquilo demais! Ah, ele já estava perdoado pelo exame de toque dolorido, rs.
Andamos mais pelo hospital todo, para fugir do médico e do soro. Passaram as 2 horas e ele nem atrás de nós foi mais. Ótimo!
Não me lembro a ordem dos acontecimentos, mas fui para o chuveiro, fiquei mais tempo na bola, almocei em cima dela, mais massagem, caminhada, e aí começaram as contrações mais fortes. Nunca me esquecia de perguntar para a Dani se iriam piorar. A resposta era sempre sim. Passei por mais um exame de toque e estava com 4 cm. Esse foi o ultimo. Foram 3 no total.
Me lembro de estar deitada na maca e ouvir a Dani pedir licença para ir buscar algo para ela comer (ela estava sem comer NADA desde a madrugada, quando pisou no hospital). Eu, claro, disse que ela deveria ir sim, e fiquei sozinha. Nessa hora me bateu um medinho, porque já havia outra gestante na maca ao lado, quaaaase parindo, e chorava muito. Quando me vi sozinha senti medo, e as contrações vinham cada vez mais forte, e eu sem a minha doula. Peguei logo o celular e quando estava para mandar a mensagem suplicando a volta dela, eis que a vejo entrando pela porta. Ela voltou muito rápido, para a minha alegria. Foi um alívio muito grande e, se não pedi, me lembro de ter ao menos pensado em nunca mais deixar a Dani sair de perto de mim.
As dores fortes eram chatas, não posso negar. Em todos os momentos, a Dani sempre pedia para eu me conectar com a dor. Pra esquecer tudo que estivesse ao meu redor e pensar só nela, e para que ela servia. Era pra trazer minha filha ao mundo, então era pra sentir prazer com aquilo tudo e pensar que era menos uma contração. Foi fácil? Não! Mas é totalmente possível! Quando comecei a pensar em ter um parto normal, me vinha a mente que eu não poderia morrer sem ter passado por esse parto, e tudo o que o acompanha. Quando você sabe o que quer e não aceita outra coisa além daquilo, você consegue. Eu queria passar por tudo aquilo, inclusive pelas dores, então a solução era me entregar mesmo.
Me lembro do médico voltando na sala para me oferecer analgesia. Dessa vez, perguntei o que a Dani achava. Nessa hora, como estava mais vulnerável por conta das contrações mais fortes, tudo que pudesse me tirar daquela situação seria bem vindo. Mas eu procurava lembrar porque estava ali, e como queria que tudo acontecesse. A Dani disse que eu estava indo muito bem e que não precisava de analgesia. Era tudo o que eu precisava ouvir. Segui em frente, firme e tentando ser forte. O médico saiu para fazer uma cesárea e pediu para que nós, eu e a outra gestante ao meu lado, não tivéssemos bebê antes do retorno dele. Nessa hora a Dani ainda brincou: “Esse parto quem vai fazer sou eu!”. Dani, cuidado com o que você fala!
Resolvemos então voltar para o chuveiro. E foi ali que tudo mudou. Nessa hora eu já alertava a Dani de que “iria morrer”, que não estava agüentando mais. Devo ter falado isso umas mil vezes. Pensava: “Porque me meti nisso? Porque fui inventar de ter esse parto?”. Lá dentro eu já não tinha mais vergonha de nada. Eu já estava dentro de mim, não conseguia ver mais nada ao meu redor, nem pensar em qualquer coisa que não as contrações. Elas vinham uma atrás da outra, quase não tinha mais tempo para descansar.
A pressão lá embaixo já tinha começado, era uma sensação muito diferente. Eu me lembrava dos relatos que havia lido, das mulheres dizendo que o corpo pedia para fazer isso e aquilo. Saber disso me ajudou muito a entender tudo o que estava acontecendo. Fiquei sentada na cadeira debaixo da água, encostei minha cabeça na parede e ali apaguei. Finalmente era a tal “partolândia” que eu tanto havia ouvido falar. E eu achava que isso era “viagem” das gestantes. Eu simplesmente adormeci, não sei por quanto tempo, mas eu “sumi” dali. Segundo a Dani, ficamos quase 1 hora no chuveiro. Lembro que acordei e pedi para sair dali. Achava que ia morrer (de novo), porque estava muito abafado e senti minha pressão baixar. Fiquei com dó da Dani todo o tempo, imaginava o calor que ela não estava passando ali dentro, mas não conseguia falar nada, e não queria que ela saísse dali. Ela me enxugou, me ajudou a vestir minha camisola hospitalar de luxo e saímos.
A pressão era bem forte, eu já sentia vontade de fazer força, mas achava que não conseguiria, por conta da dor. Não imaginava como eu conseguiria fazer força com aquela dor. Pedi o “remédio” pra Dani, mas implorei para ela não sair de perto de mim. Imagina como ela ficou confusa, coitada. Eu pedia o “remédio”, mas não queria de verdade. Pedia porque era minha fraqueza. Numa dessas a Dani disse que já tinha pedido, e o médico já estava chegando com ele. Chegava gente da China, mas não chegava meu médico!
Em uma contração, senti uma vontade de gritar, um grito bem lá do fundo da garganta, incontrolável, e agachei ao pé da cama. Quando levantei, saiu um jato de líquido de mim. Olhei pra Dani e a cara era de espanto. Ela abaixou e viu a cabeça da bebê já aparecendo. Ela me disse que pensou que iria nascer ali mesmo, e ficou preocupada em conseguir algum pano para pelo menos forrar o chão. Ela só me pedia para ir para a maca, mas estava difícil até para andar. Logo veio uma enfermeira e pediu para eu subir em outra maca, para irmos para a sala de parto. Eu disse que não tinha condição nenhuma de sair de onde eu estava, que ficaria ali, e a Dani completou: “Ela vai ter o bebê aqui!”. A enfermeira, fofa, só concordou e perguntou sobre a episiotomia, e logo a Dani também respondeu: “Não vai ter episio”. Que maravilha! Estávamos chegando ao fim de tudo e não tinha sofrido nenhuma intervenção ainda. Eu podia contar o exame de toque dolorido como uma intervenção, mas lembra que perdoei o médico? Perdão liberado, assunto encerrado.
Finalmente consegui deitar na maca, e vi a Dani vestindo uma luva. Imagina meu pensamento: minha doula vai realmente fazer meu parto! O encosto da maca estava bem levantado, então fiquei numa posição quase sentada. Naquela hora, até se estivesse plantando bananeira estaria bom pra mim. Brincadeiras a parte, eu não queria era estar deitada, e isso já não aconteceria.
Comecei então a fazer força, quando me pediam. Finalmente o médico chegou. Achava que depois de duas forcinhas, no máximo três, já teria um bebê no meu colo. Se eu tivesse colaborado, talvez fosse mesmo. Segundo a Dani, quando o médico chegou, eu resolvi ficar tímida e fechava a perna! Me lembro dele vindo na minha direção com o dedo levantado, e eu pedindo para que ele não fizesse mais nenhum exame de toque porque não queria sentir mais nada entrando ali. A Dani riu e disse que não dava pra fazer mais nada, porque a cabeça dela já estava apontando! Me pediu para colocar a mão e sentir, mas eu não queria. Não queria que ninguém tocasse ali, nem eu, porque sentia ardendo já. Mas ele colocou a mão, não teve jeito. A Dani me avisou e disse que ele faria isso para tentar preservar meu períneo ao máximo das lacerações. Nem questionei, claro. Eu continuava fazendo força. Sem analgesia nem nada.
Finalmente saiu a cabeça. E o alívio é realmente imediato. Acaba o ardor, acaba a dor. É uma sensação única e muito gostosa. A mina preocupação agora era fazer sair o corpo. Fiz um pouco mais de força, senti o corpo dela deslizando e finalmente a Maria Eduarda havia nascido. As 13h15, 49cm e pesando 3.120kg.
Um corpinho muito gostoso, muito quentinho, foi muito emocionante. Logo me entregaram minha filha, ligada ainda a mim pelo cordão umbilical, que só foi cortado após parar de pulsar. Fiquei ali com ela e pude oferecer meu peito como tanto sonhei e que não seria permitido caso eu tivesse uma cesárea (meu outro GO já havia negado isso a mim, com a desculpa de que isso poderia causar uma infecção nela). Depois do corte do cordão, a levaram para aquecê-la. Logo me trouxeram aquele pacotinho de novo. Era muito mais do que eu imaginava, juro.
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Cinco minutos depois do nascimento dela, nasceu também a placenta. Achei que teria nojo ao vê-la, mas tive foi um carinho e respeito por ela. Pisei sem querer em cima dela e quase pedi desculpas. Me chamem de louca, mas foi isso mesmo que pensei. Era o alimento da minha filha, era algo especial para nós. E eu renasci.
Agradeci. A Deus. A Dani. E ao Doutor, que me disse que não havia feito nada, que eu tinha feito tudo sozinha. Só o que ele fez foi amparar a cabecinha dela, para não ficar caída na maca. Ah, que alegria! Nem eu acreditava em tudo aquilo que estava acontecendo.
Finalmente saí daquela sala e fui para a sala de parto, para fazer os pontos. Foram necessários, mas foram poucos, segundo o médico. Foi mais chato do que todas as dores, mas passou e eu estava nova em folha. Dizem que depois da cesárea as mulheres ficam meio dopadas. Já eu estava ligada no 220 v! Era muita adrenalina, muita emoção para uma pessoa só. Não conseguia nem sentir o cansaço, se é que ele existia.
E esse foi o meu tão sonhado e super cheio de surpresas, parto normal, natural. Com exatamente 40 semanas. Se eu faria de novo? Mil vezes, se fosse possível. Não vejo a hora de poder viver uma nova experiência, fazer o que não fiz nesse, viver mais, me conectar ainda mais, aproveitar muito mais. Ainda quando ando pelos corredores do hospital, me lembro de tudo e tenho vontade de chorar. De dor, de saudade, de amor.
Gratidão sempre eterna a Deus por me mostrar que eu sei e posso parir. A Dani, por ter sido essencial para que tudo acontecesse, e por ter sido tão carinhosa e amorosa. Ao meu médico e as enfermeiras fofas, que respeitam a mulher e o parto normal, mesmo sendo SUS. E ao marido lindo, que mesmo não gostando da idéia, aceitou e ficou feliz com tudo. Se ele assistiu o parto? Não! Não deu tempo… Mas o próximo ele não perde, podem ter certeza!”

Relato gentilmente cedido por Débora Loureiro para o blog ❤ Gratidão querida!

Relato de Gestação e Nascimento: O Parto de Anis

“O começo da história

Vou começar do princípio. No princípio era o ventre. Então vou contar sobre minha gestação e depois sobre o parto, porque acredito que o parto é parte ou fim de uma história que se inicia na concepção, ganha forma na gestação e se conclui no nascimento.Desde o começo da gravidez eu já  sabia que esperava uma menina, assim como da outra vez também  já sabia que era um menino. A gravidez, quando aceita e vivida com amor, aguça a sensibilidade espontânea. É como se um saber natural das coisas e dos sentimentos se instalasse em você. Mas não é do saber da razão que estou falando, é um saber dos sentidos, é uma sintonia com a existência viva, um estado permanente de conexão e interação com a natureza.

Um estado sublime que anda de mãos dadas com o divino. Um estado de clareza, de iluminação.
Por isso grávidas são tidas como iluminadas….um brilho brota do olhar, acho que ainda mais de dentro, brota do âmago, brota da alma.

Foi assim que me senti durante toda a gestação da Anis. Fiquei mais calma e radiante, mais sensível, mais em contato com o meu corpo e com o que realmente importa. Aprendi a amar mais.
Diminui o ritmo na intenção de desfrutar mais do aqui e agora. Estabeleci como meta viver mais pausadamente, porém com intensidade, estando realmente e inteiramente presente na vida, nos acontecimentos, experimentando de maneira tranquila e sem pressa cada fase na evolução da gestação.

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Isso  significa que  me mantive ativa com minhas obrigações oficiais. Significa que fiquei com a intenção de viver com mais sabedoria, aproveitando e respeitando  o tempo das coisas.

E assim fiz, e assim foi.
E pra sinalizar minha não pacatez na vida, ou para demonstrar que as atividades cotidianas não param, mas podem ser vivenciadas devagar e com respiração completa…….. mudei de trabalho, mudei de cidade, mudei de casa, mudei o assunto e o tema da minha dissertação de mestrado. Me instalei na minha nova e velha cidade, em uma casa cheia de história e estória, com a  sensação de contentamento e reconexão com minhas raízes.

Trabalhei até o 7˚ mês de gestação, escrevi minha nova dissertação em tempo recorde e dentro do tempo, finalizei meu mestrado e Pari….. na tradição das ancestrais parteiras, com rezas, cantigas e rituais, simbolizando e reverenciando cada etapa…. da maneira que desejei, da maneira que faz sentido pra mim. Em casa, onde me sinto livre e segura, no meu canto, no meu templo, onde cultivo minhas plantas, onde monto meu altar, onde coleciono minhas artes, meus livros, onde me retiro pra meditar, onde estudo, onde faço tudo e onde me permito fazer nada. 

Pari de forma plena, ativa, entregue, natural, com apoio, com amor, com respeito, respirando, contente e feliz! Experimentei dores profundas, tão profundas quanto de onde brota a iluminação. Parir, pra mim, foi experimentar meu corpo no auge, no ápice, no alto do cume de um lugar silencioso e concentrado.  Um lugar transgeracional, sagrado e milenar. E é de lá desse lugar que não tem palavra que falo agora.

O dia do parto

Bom, o dia do parto torna-se de repente dia do parto. Eu não fazia idéia  que seria naquele dia o dia do parto, e fui processando todos os sinais aos poucos…..

“Coincidentemente” e afortunadamente, eu tive retorno com meu médico querido no dia que se tornou ” o dia do parto”. Tudo começou de manhã, me recordando de alguns sonhos e notando uma certa diferença no meu corpo. Um tampão mucoso nunca dantes visto estava se apresentando delicadamente a mim, tão delicadamente  que demorei para captar seus sinais evidentes. Fui para o médico querido  logo depois do almoço, fizemos ultra-som e ele me disse que Anis estava se encaixando, por isso a presença do tampão.

Ok, voltei para minha casa, que também afortunadamente fica a apenas dois quarteirões do médico querido. Cheguei em casa e fui contar pro meu amado que Anis estava se encaixando, quando de repente aguas profundas que movem moinhos caíram no chão, não tão delicadamente.

Eu, já inteiramente absorvida pela intenção do seguir devagar a vida, mandei calma e tranquilamente mensagens para as parteiras, comunicando o fenômeno ocorrido.
Elas me disseram: – Ok flor, estamos indo praí ( uma das parteiras estava a 3 horas de distância de minha cidade).
E eu falei:  – Caaaalmaaa, vamos esperar mais um pouco!!!! ( percebam que nesse momento a pacatez realmente invadiu meu ser), pode ser que não seja nada!!!
E elas disseram : Flor, estamos indo mesmo assim…. É claro que elas já sabiam de tudo….eu é que estava lentificada deveras.

Continuei fazendo minhas coisas, e fui aos poucos realmente percebendo que eu estava em trabalho de parto. As águas que movem moinhos não paravam de sair, as contrações começaram a ficar muito perceptíveis, aumentando gradualmente. Esse início ainda é beeem suave, continuei fazendo minhas atividades caseiras, lavei roupa, recolhi roupa do varal, estendi roupa no varal, chupei fruta, bebi água, muita água, e novamente afortunadamente, para minha surpresa, levei uma picada de abelha no  dedo, rsrs .  (pode parecer estranha essa parte mas logo fará sentido).

Como não sou alérgica, não me desesperei (olha que novidade!), e aguardei calmamente a chegada das parteiras. Até pensei junto de meu filho:  – Olha, como sou sortuda, acabei de receber uma dose de anestésico e antibiótico natural ( nessas horas é sempre bom manter o otimismo)!

A chegada das parteiras

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Conversando sobre a picada de abelha, a parteira da tradição me disse que a abelha é símbolo do trabalho em conjunto, de coletividade, da organização…… ou seja, a abelha abriu os trabalhos. _ Que maravilha, eu amo esses sinais da vida, eles me mostram quando estou no caminho certo!!! E fico achando que o desafio ou o aprendizado da vida é “ler os sinais”…..~*~….. Eu amo ler os sinais!!!

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…. Ainda compreendendo todos os sinais, me recordando dos meus sonhos simbólicos da noite anterior e recebendo massagem da doula e das parteiras. Eu ainda não sabia de nada, inocente!!!
E me mantinha, com calor, com muito calor, sorrindo, afinal………..UUUUauuuuuu, eu vou Parirrrrr!!!!!Isso é Seeeensacionalllllll!!!!!!!Iuhuuuuuuuu!!!!

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Em êxtase porque vou parir!!!!!!

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Masss, como em toda evolução de um trabalho, é necessário uma certa  introspecção, é necessário a concentração, o centramento. É necessário calar-se para se ouvir, é necessário se voltar pra dentro, estar dentro e fundo…é de lá que vem!

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Desse lugar silencioso e dolorido de onde estou, e de onde me reconheço agora, apenas o que quero é massagem, massagem, massagem….. profunda, profunda, mais profunda. A lua cheia estava no céu,  a Luna na janela, quieta observadora de toda magia que estava acontecendo. Theo já estava dormindo, A casa era absoluto silêncio, apenas o som do meu respirar.

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Quero todos ao redor de mim, quero todas as mãos, toda vibração, todos os alívios, não quero nenhuma palavra. Quero gestos sem palavras, quero contato. Tudo deve ser muito profundo, silencioso e profundo.DSC04935

Quero a companhia amorosa do meu amor, sem palavras ele sabe do que eu preciso. Preciso do seu toque, preciso que caminhe comigo, que continue a caminhar comigo, que me dê apoio e que não saia do meu lado…..Durante a gestação eu lia sobre parto ativo, eu sabia que o meu seria ativo, eu me mantive ativa e disposta durante todo o ciclo da gravidez.  A atividade dissipa a dor, percebia que quando eu caminhava, eu buscava, eu cavava dentro de mim o espaço pro nascimento, eu reunia a força ancestral necessária pro nascer, pra trazer vida. E me silenciava cada vez mais, e mais….DSC04928

Eu só quero e apenas  preciso que caminhe comigo, preciso de apoio e sustentação, o resto pode deixar que meu corpo sabe o que fazer. Ele não tem dúvidas, ele tem uma sabedoria inata tecida com vigorosidade.

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Uma natural vontade de estar dentro da água se manifesta. A água conforta tanto,  a água conduz tão bem, dita o ritmo, nutre a pele, silencia ainda mais, traz mais pra dentro e relaxa.

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Mas eu precisava cavar, cavar mais e buscar, precisava andar pra encontrar e suportar  esse lugar que é tão dolorido, tão impetuoso, ousado e divino. Caminhar é preciso…. Me perco das horas,  me desconecto do mundo do tempo, só existe meu corpo, minha dor, regendo com maestria instintiva toda sinfonia que precede o nascimento.

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Nesse momento de tamanha profundeza, preciso da força das mulheres que estão comigo
Preciso da sua força anciã.
Dos seus saberes sem palavras.DSC04923

O tempo caminha sem tempo, e eu já posso sentir sua chegada, eu já sei que você está ali, pronta pra nascer, pronta e com força pro mundo. Agora só preciso ajudar, preciso de todas as forças que foram reunidas até agora.
Agora é trazer ao mundo.
A mente está no lugar certo, no lugar de abertura, de conexão e expansão.
De cócoras, inclinada pra trás.
Depois de muito cavar, foi assim que me achei.
DSC04952Siente, el momento llega, lo divino estas contigo.
Siente, tus huesos son fuertes, madre de todos nosotros
Siente, estas em buenas manos, tienes lo que necesita
Siente, estamos ayudando
Y eres parte de la tierra

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A hora que se segue ao nascimento, é  a hora sagrada, é a hora de cura, lugar de conserto, lugar de presença. Somos só nós, em comum unidade. Somos só emoção em gesto

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A primeira vez que olho nos seus olhos.
A hora de ouro!
The sacred hour!!!
Eu te reconheço, você me reconhece. Eu te abençoo, você me abençoa.
E juntas entoamos preces de gratidão. Eu te dou a vida, você me dá vida.
E pulsamos juntas.

Extraio tanta alegria só de observar.
Já dançamos horas suficientes pra nos conhecermos.

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Em completo estado de transe,  pico de ocitocina, experimento a melhor sensação do mundo!
Sensação de completude, de gratidão, de mais força, de vitória.
Me sinto a rainha do universo!

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O corpo se lembra de tudo. O corpo irá se lembrar de tudo pra sempre
O corpo se lembra antes de ter palavras
O registro está na pele
Olfato e contato
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Aconchego do pai, o pai que também virou mãe.DSC05014

Toda a equipe reunida, celebrando o nascimento, celebrando a vida.
O nascimento foi feito pra funcionar, sem segredo e com mistério.
Com luz, com sacralidade e com puro amor.
Sou gratidão eterna a esse jardim.
Ohm!!!

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Há que se afinar o corpo até o último sempre. Exercer-se como instrumento capaz de receber a poesia do mundo. Poesia suspensa em rotação e translação. Movimentos moderados, alinhavando em dias e luares, estações e colheitas, minutos e milênios, provisoriamente.” Bartolomeu Campos de Queirós ”

Relato gentilmente cedido por Cinthya Garcia e familia, e com postagem original aqui: Consultório de Afrodite

Relato de Parto Domiciliar, Luana e Arthur

“Acho que me sinto finalmente pronta para Parir o meu relato de Parto.

Desde que o Artur nasceu que venho tentando organizar tudo o que passei em palavras.
O trabalho todo foi tão intenso, tão mágico que me restaram alguns flashes e poucas palavras.
E hoje me veio uma vontade tão louca de parir de novo, de sentir o pulsar do meu útero, saudade das contrações… que decidi tentar relatar um pouco do que vivi, até para as vezes conseguir entender melhor pelo o que passei.

Começo pela minha gestação.

Caos é a palavra perfeita para descrevê-la.Eu estava morando em uma Ocupação em Rio Preto e prestes a me mudar para Floripa com o meu parceiro e amigos.Comecei a me sentir enjoada, achei que era por causa da comida, até tava tomando remédios para o estômago, mas, quando deu 3 semanas de atraso no meu ciclo, não teve jeito.. resolvemos fazer um teste de farmácia. Deu positivo.. por via das dúvidas resolvi fazer outro, só para ter certeza mesmo. Positivo.

Lembro que a Nath Gingold postava com frequência sobre partos humanizados e sempre que sobrava um tempo, eu lia.

Quando caiu a ficha, eu e meu parceiro, Marco, fomos atrás de um GO. Nós, na nossa SANTA INOCÊNCIA, já chegamos falando sobre Parto Humanizado.
Nessa primeira consulta eu e meu bebê já fomos chamados de retardados por só querer saber sobre Parto Normal. Na segunda que foi com uma médica ela receitou um remédio, que gestante não pode tomar. Até que encontramos o Dr. Guaraci, que fez todo o meu pré natal e nunca me julgou por querer Parto Normal, pelo contrário, me incentivava. Minha família teve e tem problemas em aceitar minha gravidez até hoje e em toda a gestação teve muita opinião e medo alheio. Teve crise no meu relacionamento com o Marco, teve muita mudança de casa, muito choro, muita briga, muita confusão, muita não aceitação da gestação.

Até que com 6 meses eu senti o primeiro chute. E ai, eu me apaixonei.

Demorei 6 meses pra olhar para minha barriga e imaginar um bebê dentro dela. Demorei 6 meses pra dar o amor que meu bebê pedia e merecia.
E o amor que eu falo não é ficar alisando a barriga o dia todo, ou tirar mil fotos.. é a conexão incrível que existe entre uma mãe e o bebê.

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Sobre o Parto Domiciliar, minha família acha que eu sou louca até hoje, que eu arrisquei demais e que foi tudo na cagada.
A família do Marco, sempre apoiou as minhas escolhas, todas elas.. Porque hora eu optava por hospitalar hora por domiciliar..

O último encontro Gaia que eu fui, eu trouxe até mim de novo toda a minha confiança em ter sim um Parto Domiciliar. Foi um encontro em que a Lucelia Caires tava lá para falar sobre partos.
Já tinha ouvido falar e muuuuito sobre a Lucélia.. só que nunca fui atrás de conhecer ela de fato.
Ai, a Lu que veio falar comigo, queria saber quais eram os meus planos para o parto. E naquela altura, a ideia era, avançar em casa e depois ir para o Austa ter Parto Normal com o Dr. Guaraci.
A Lu me chamou pra ir na casa dela para conversarmos.. e conversa vai e conversa vem.. e decidimos ter em casa.
Mas logo depois mudei de opinião. Ai ficou de avançarmos com a Lu e depois ir para o Austa com o Dr. Guaraci.

Na sexta feira, dia 12 de setembro, eu e o Marco fizemos nosso chá de bençãos no centro aonde vamos, recebemos as bençãos dos caboclos no dia e quando chegamos em casa, fizemos aqui as nossas bençãos com nossas pedras de cura e energizadores.

No dia 13 de setembro, sábado, tivemos uma feirinha de vendas com a Criata no Vasco, e já lá eu estava com dores nas pernas e na lombar, só que achava que era o sapato que estava pesado, me apertando..
Chegamos em casa as 23h e eu tive umas contrações, só que achei que fosse contrações ‘educativas’.
As 3h da madruga do sábado para o domingo eu acordei já com bastante dor, acordei o Marco e começamos a conometrar as contrações.. Estavam de 6 em 6 minutos.
As 5h da madrugada, o meu tampão começou a sair.
Esperamos dar umas 8h da manhã para ligar pro Dr.Guaraci, porque era domingo, e enfim, era cedo…
o Dr. Guaraci disse que tudo tava normal e que era pra gente manter ele informado.
Informamos a Lucélia do que estava acontecendo, ela disse que viria logo menos para nossa casa e enquanto isso o Marco ligou para o Dr. Guaraci para dar novas notícias e o Dr. disse que havia saído de Rio Preto, que
era pra gente ir pra emergência do Austa e pegar um plantonista e Boa Sorte.
O QUÊ? COMO ASSIM? CÊ TA LOUCO?
Ficou por isso…

A Lucélia chegou umas 11h, ouvimos o coração do bebê, avisamos do que tinha acontecido com o Dr.Guaraci e ela falou que voltaria já com os equipamentos para um parto domiciliar.
Dormi. Acordei com a Lu em casa com tudo!!! Era umas 15h mais ou menos.
E dalhe massagem!1466271_10203114135756098_729769734549524977_n

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Uma das minhas lembranças mais fortes é a de estar no meio de uma contração e me encontrar no meio do mar cheio de ondas, e eu parada no meio dele e Iemanjá na minha frente com os braços abertos, e nessa mesma hora a Lucélia começou a cantarolar a música de Iemanjá.
Me arrepio toda só de lembrar!

Comi algumas frutas, açaí e chocolate e tomei muita Água com Mel.
Vomitei tudo. Três vezes.

O Marco Criata esteve comigo o tempo todo!!! Me apoiando e me deixando segura!!!
Achamos que quando eu estivesse parindo ele iria ficar maluco, só que foi bem ao contrário. Deixamos todo o nosso ego de lado e nos unimos para a chegado no nosso amor maior.
Ele cuidou de tudo, se dividiu em 1000, não me deixou preocupada com nada!! Desde dos detalhes de última hora até ligações de minuto em minuto da minha mãe.
Me massageou, me beijou, falava sempre palavras doces me incentivando. Sempre que dava um desânimo, lá vinha ele me contar do Artur e de como eu tava me saindo bem!
Companheiro divo!

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A minha amiga, Talita Miranda, chegou acho que era umas 19h, toda Índia e sorridente! Olhar para ela me passava uma sensação tão aconchegante!
Fez dela a minha doula, tirou de mim o peso que eu tava carregando de eu ser minha própria doula.

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Lembro de muitos sorrisos, pra onde eu olhava tinha um sorriso e mãos me massageando sempre.
Lembro de me sentir super segura com os toques que a Lucélia fazia. Era um alívio muito grande saber quantos centímetros eu tava.

E acho que umas meia noite, meia noite e meia a Amélie Lecorné chegou pra completar o time.

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Amélie estava em Rio Preto para conhecer a Lucélia e a Poliana Risso. Veio para cá e voltou para sua cidade, e chegando lá, a Lucélia ligou para ela e perguntou se ela poderia voltar pra ajudar no meu parto e ela voltou!!!
Só que quando ela chegou, eu já tava mais pra lá do que pra cá e lembro de pouquíssimas coisas.

Lembro das dores estarem um pouco mais fortes e os intervalos entre elas menores.

Montaram a piscina.
Ranquei toda a roupa sem delongas e entrei na piscina e nossa!!!
Que sensação divina!

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O Marco ficou na piscina comigo, fazendo massagem.
Entre uma contração e outra, eu e toda a equipe dormíamos, todos exaustos.
Lembro de sentir os pezinhos do Artur empurrando minhas costelas e sentir a cabecinha dele lá embaixo.
Quanto estava amanhecendo, eu me senti super mal por não ter nascido ainda, fiquei triste em ver que tinha passado tanto tempo e nem a bolsa tinha rompido ainda.
Uma sensação realmente desanimadora!!!

Logo em seguida a bolsa rompeu!!

Pedi pra tomar um banho, a água morna tava me cozinhando, o vapor me irritava…
Nas escadinhas pra ir para o banheiro, senti o Artur descendo, essa dor foi foda, ardeu tudo…
Tomei banho, achando que ele ir nascer ali mesmo. Voltei pra piscina com essa dor..
Ai foi que foi..

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Era 6:24h da manhã de uma segunda feira, o Sol estava subindo e o Artur descendo finalmente para os nossos braços!!!
Nasceu todo enrolado no cordão umbilical!
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Essa sensação de ver o rosto dele pela primeira vez, de ter dado a luz… eu acho que nunca, na minha vida toda eu vou saber escrever com todos os detalhes.

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Acho que só quem tem filhos sabe o que é a emoção em ver o seu bebê pela primeira vez na vida.

Saímos da piscina, o Artur ficou comigo o tempo todo.
O Marco cortou o cordão umbilical!!!

E ai, eu tive que parir a placenta…
Foram mais 5h para parir essa placenta.. pra mim passou em segundos, pra equipe foi beeeeeem mais cansativo.
Placenta nasceu, eu comi 3 pedacinhos e cada um da equipe comeu 1 pedacinho também!

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E foi tudo isso que aconteceu.
Artur nasceu em uma manhã linda de uma segunda feira com 3,420kg e com 53cm, em um Parto Ativo, Domiciliar, Humanizado e cheio de amor!
Tomou seu primeiro banho só na terça feira, mamou na sua primeira hora de vida fora do útero!
Tive uma laceração pequena, de um ponto interno e dois externos.
Ao todo foram 27h de trabalho de parto ativo!

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Só tenho gratidão por todos que me ajudaram nesse momento tão lindo em nossas vidas!
Gratidão a todas as massagens, a paciência eterna por esperarem o meu tempo e o tempo do Artur, a todo o apoio e acolhimento!
Gratidão ao Grupo Gaia por todo o suporte e informações tanto para mim como para muitas grávidas e tentantes!
Gratidão a todxs xs blogueirxs de plantão e a todos os relatos de parto.
Gratidão Lucélia, Marco, Talita e Amélie por fazerem disso tudo mais do que possível e lindo!!!

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E Gratidão ao meu pequeno e grande Artur por me escolher sua mãe!

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E a todxs… Parir é uma delícia! ”

Relato gentilmente cedido ao blog por Luana ❤ Gratidão querida, você e toda essa equipe, nos inspira!

Corpo

“Escuta, o seu corpo não é um templo. Templos podem ser destruídos e profanados. O seu corpo é uma floresta – densas copas de árvores de bordo e flores silvestres de perfume doce brotando na relva. Você vai voltar a crescer, de novo e de novo, não importa o quanto você seja devastada.”corpo

Relato de Parto Domiciliar Isa e Gael

“EI, VC, JÁ LEU UM RELATO DE PARTO?
Dia 18 de julho de 2014. Eu sabia que aconteceria nesta data, na virada da lua minguante. Todo dia de manhã olhava a folhinha do calendário e contava quantos dias ainda faltava pra encontrar o Gael. A espera pelo nascimento mais parecia a ansiedade que eu sentia quando estava interessada em um cara: “Será que é hoje que vai acontece algo? Será que vai me ligar?”
Pois bem. Na noite anterior, três bruxinhas (Nath, Talita e Sophie) fizemos meu chá de bênçãos. Uma noite nem quente e nem fria, com fogueira, elementais, incensos, urucum e orixás. De fundo, uma música que me dizia: “Siente que el momiento llegas.” Eu sentia. Fui pra casa me sentindo plena e com algumas dores. Eu já estava nos pródomos fazia uns dias, então nem dei muita bola. Deitei com eles, Gael e a dor.
Sete horas da manhã do dia 18 de julho. Era pra ser mais um xixi matinal mas aquele veio acompanhado do meu tampão mucoso. Deu-me um aperto no coração! Olhei pra barriga e disse: “Chegou a hora, Gael. Vamos nos despedir da barriga, pois logo você estará aqui fora comigo.” E assim foi. As dores da noite passada haviam progredido. Comecei a contar o intervalo entre as “cólicas”. 3 em 3 minutos. Entrei em contato com a parteira-amiga Lucélia, que logo apareceu em casa. Engraçado que por mais que eu tivesse certeza de que aquilo era o início do meu trabalho de parto, algo não me deixava acreditar que, de fato, era. Poderia muito bem serem só os pródromos. Acho que foi por isso que eu não quis acreditar 100%.
A Lu achou melhor ir pra casa, pegar o restante do aparato e voltar aqui pra casa. Enquanto isso fiquei sozinha com a dor, me conectando com meu corpo e sentindo todo aquele movimento uterino. Sabe-se lá como consegui fazer um bolo, pra deixar pro pessoal comer durante o TP (o famoso bolo sabor contrações…rs). Enquanto isso, avisei as amigas-doulas Nath e Talita, e o amigo Samuel, quem faria a filmagem do parto.
As dores. Ahh, as dores!!! Se não fossem as paredes de casa pra me apoiarem. Comecei a ver qual a real das vocalizaçãoes. Todo mundo dizia que ajudava, que era importante. Tentei e achei estranho, bobo. Mal eu sabia que horas mais tarde eu estaria uivando no apartamento.
Lu voltou e logo chegou a outra parteira. Talita apareceu aqui com uma caixa de comidas. Minha cabeça não conseguia assimilar o que estava acontecendo. E no meio de um pensamento e outro, mais dores. Resolvi ir pro banho, pelando! A água quente mais parecia um afago de mãe, de tão confortante. Lu me vestiu: “Você precisa ficar bem quentinha, Isa. Parto é fogo, é calor.”
A piscina começou a ser cheia. Eis aí meu primeiro drama: o barulho, a movimentação que foi encher a piscina. Sempre me considerei uma pessoa tolerante mas naquele momento, eu queria apertar o MUDO do apartamento. Eu gemia de dor. Não queria barulho nenhum. Queria atenção silenciosa. Só isso.
Mesmo sem conseguir racionalizar a situação, minha intuição me dizia: “Você precisa se alimentar, comer bem.” Era sinal de que meu corpo precisava de energia para as horas que viriam pela frente. Comi legumes cozidos. Parava de mastigar a cada 3 minutos por conta das dores. Como me incomodavam! O lado bom das dores eram as massagens que eu recebia a todo momento.
Houve uma hora em que as contrações deram uma espaçada. Resolvi deitar um pouco e descansar. Doce ilusão! Ficar deitada durante as contrações mais parecia tortura chinesa (rs)!
Por volta das 15h a Nath chegou. Não lembro se nesse momento o Samuel já estava aqui mas acho que não. E assim seguiram as próximas horas: dores, massagens, uma conversa aqui, outra ali. Por falar em conversa paralela, isso também me incomodou. Eu havia escrito no meu Plano de Parto que queria silêncio, sem celular e tal. Não foi o que aconteceu.
Por volta das 17h eu senti que o parto iria engrenar. Na penumbra da sala e com minha playlist de Daime e Ayahuasca, minha preta velha chegou, na sua força e energia, de emocionar os mais sensitivos e sensíveis seres que ali estavam. Pra mim, foi o divisor de águas. A partir dali, tudo começaria. Eu já predizia que o Gael nasceria durante a noite e assim começamos a caminhada.
Eu leoa, loba, comecei a sair da toca. Uivos, gemidos de dor. A cada contração que passava eu dizia: “Menos uma.” Lembro-me de ter pedido silêncio. Vinha da cozinha um barulho insuportável. Neste momento de total conexão com meu corpo, eu não queria nada além de ouvir o som e ficar quietinha. Mas tantas vezes vieram falar comigo durante as contrações. Poxa, como aquilo incomodava! Meu corpo se esquivava das vozes.
Resolvi tentar a piscina. A noite tava fria, a água, morna. Minha vontade era de ficar em frente ao aquecedor e não sair mais dali. A sensação de estar na água dava outro sentido às contrações, que ficaram um pouco mais suportáveis. A cada dor, eu abraçava a Nath, a Lu. Era como se eu dissesse: “Não me deixe aqui sozinha, por favor.” Eu tinha a necessidade de saber se o TP estava evoluindo. Perguntava, constantemente, quantos centímetros já havia dilatado. Não lembro mais a evolução da dilatação ao longo do tempo, o que sei é que a linha púrpura me salvou de alguns toques (não todos, infelizmente).
Lembro que a equipe me pedia, de tempos em tempos, pra mudar de posição, pra ir pro chuveiro, pra bola, pra banqueta. Mas ali, no cantinho da piscina, eu estava num trabalho árduo. Só eu sei quanta energia eu coloquei ali. Resolvi tantas coisas com o Gael, com meus mentores espirituais. A tarefa era perdoar. Meu filho estava vindo pra me ensinar o perdão e, enquanto eu não me perdoasse e não pedisse perdão à ele, ele não nasceria. Eu tinha consciência disso. Por isso, pouco me importava se a bolsa estava íntegra, se eu estava de cócoras na piscina, quicando na bola ou de pé fazendo a dança pro bebê encaixar. Era isso o que eu queria, que fosse naturalmente um processo não só de nascimento do Gael , mas também da minha morte. Sentir-me morrendo foi uma experiência única. Em muitos momentos era como se eu estivesse sumindo. E acho que muitas vezes eu sumi da sala e de mim mesma. Mas tiveram momentos também em que eu senti prazer naquela dor. Lembro-me de ter dado umas risadas durante as contrações.
Da piscina eu fui pro chuveiro, dancei com a Nath, fui pra cama, voltei pra piscina e depois pra banqueta e depois pra bola. Ahh! Não gosto de lembrar dessa movimentação toda. Fizeram uma manobra de chacoalhar a minha barriga, pra ver se o Gael descia. E, poxa, que coisa mais incômoda!
Daí veio a questão: romper ou não a bolsa (sim, ela ainda estava íntegra). Tudo o que eu não queria era ouvir essas opções (ponto colocado no Plano de Parto). Se fosse pra nascer empelicado, lindo! Eu não estava com pressa, apesar de reclamar tanto da dor. Eu não queria alternativas. Queria apenas que acolhessem a minha dor, que me exaltassem, que dissessem: “Isa, estamos com você e você vai conseguir.” Mas o que eu ouvia: “Se estourarmos a bolsa, o Gael desce e nasce mais rápido.” Esquivei-me dessas palavras até onde consegui mas a exaustão física me fez ceder. “Então, rompam a bolsa.” Foram duas tentativas… frustradas. Não conseguiam rompê-la. A cada tentativa era mais dor e incômodo que eu sentia e saber que ela não havia sido rompida me deixava furiosa e impaciente. Pedi que não tentassem mais.
E eu fiquei ali, na piscina, por mais um tempo. Ganhei açaí na boca, né Talita? Lembro de observar em volta da piscina e ver os olhares mais lindos vindo em minha direção. No intervalo de uma contração a pessoa que menos entendia de trabalho de parto (Samuel) pegou minha mão e fez um carinho. Que coisa linda! Era de gestos simples como este que eu precisava. Nada além.
Quantas vezes pedi ao meu corpo um pouco de descanso. E ele atendia. Dava-me uns 6 minutos de trégua, momento em que eu até cochilava. Mas depois vinham duas contrações na sequência e eu uivava. Lindo foi, em determinados momento, ouvir um coro das minhas vocalizações. Talita e Nath me acompanhavam. Era tão gostoso parir com elas!
E mais uma vez a questão da bolsa veio à tona. Ela foi rompida e eu senti uma pressão no ventre. Sentia o Gael vindo. Neste momento acho que eu já estava no expulsivo. Dizem que fiquei neste período durante 2h. Ele já havia passado do osso da pelve e estacionou por ali. Levaram-me pro chuveiro e depois pra cama. Encanei que era o cocô que estava impedindo do Gael nascer. Recebi muita massagem; consegui fazer um pouquinho de cocô e voltei pra piscina. Era chegada a hora.
Fiquei de joelhos, apoiada no colo da Lu. Incrível como nesta hora o corpo sabe o que fazer. Coloquei em prática a respiração que aprendi durante a gravidez. Eu fazia força na hora certa: durante as contrações. Até o tom da minha vocalização estava diferente. Ele estava vindo. Eu colocava a mão na vagina e sentia os cabelinhos dele, dançando na água. A cada contração eu sentia a cabeça do Gael empurrando a parede do meu canal. Que coisa mais linda! A cabeça vinha e voltava, massageando meu períneo. A força vinha de dentro. Nós dois ali, trabalhando um pelo outro, numa simbiose de amor. Estávamos os dois em estado de meditação, totalmente presentes naquele momento, vivendo para o mesmo propósito: nascer com Amor.
E num uivo eis que saiu a cabeça do caboclo. E logo, o seu corpo todo. Posso viver mil anos que vou sempre lembrar aquela sensação. Peguei minha cria nos braços. É claro que era você, só podia ser você, Gael, com essa carinha, esse bico, essa perfeição! O corpo coberto por vérnix grudou no meu e chorou, me dando as boas vindas. Nosso choro podia ser traduzido por palavras de gratidão. Graças à ele, eu vivi as melhores horas da minha vida.

Parto Isa e Gael
Eu poderia parar o relato aqui mas há a outra parte, importante ser dita também. Tiraram-nos da piscina e fomos pra cama. Que frio eu senti! Meu corpo todo tremia. A exaustão das 17h de trabalho de parto havia culminado naquele momento. Eu mal conseguia falar. E vinha mais contrações, agora pra expulsar a placenta. Mexiam no cordão e aquilo doía demais. Precisei pedir pra parar de mexer umas 3x.
E quanto à laceração? De início não souberam avaliar se a laceração havia atingido a uretra. O Gael nasceu com a mão na cabeça e com distócia de ombro, o que causou a laceração. Esse impasse, de não saber o que havia acontecido comigo “lá embaixo”, foi me apavorando e eu não conseguia nem curtir o momento. Eu imaginava que, após o nascimento, eu teria um tempo gostoso pra ficar admirando o Gael. Mas não foi tranquilo assim. E entre esse “lacerou o que”, eu pedia pra me levarem pro hospital. Eu ligava pro meu GO (Paulo Fasanelli) e nada! Não me atendia. Quanta aflição! Ir pro hospital com o Gael? Sem o Gael?
Achei melhor ir sozinha. Tive medo de internarem meu bebê e fazerem todos os protocolos médicos que eu tanto tinha lutado pra evitar. Que dor no coração deixá-lo aqui. Ele ficou com a Nath e a Talita. Uma coisa que eu não pensei na hora e que agora vejo que não foi legal foi o fato de não ter ficado uma enfermeira aqui, caso acontecesse algo com o Gael. Na hora a única coisa que eu pensava é que eu não estaria do lado dele, pra sentir meu cheiro, pra procurar o peito e mamar. Isso doeu em mim.
O percurso de casa até o hospital durou uma eternidade! Tenho a impressão de ter ficado fora de casa umas 5h mas na verdade foram 2h. Primeiramente, fui atendida pelo plantonista. Se há pessoas desumanizadas, tenho certeza que ele é uma delas. Mas por sorte conseguiram contatar o meu GO, que fez a sutura com todo cuidado do mundo. Foram 6 pontos, localizados dentro da vagina, no períneo e na região anal.
Voltei pra casa e peguei meu pacotinho de gente. Todo embrulhadinho e aquecido no amor (e na teta da Talita) das minhas queridas! Tomei banho e depois comi um pouco. Eu estava exausta! A equipe ficou aqui para organizar a casa, esvaziar a piscina…
E o que eu tanto havia esperado estava ali no meu colo, gemendo e respirando. O grande encontro aconteceu, do qual não voltarei a ser a mesma.
Eu agradeço, do fundo do coração, por cada detalhe que aconteceu, principalmente os que não gostei. Foram eles que fizeram deste parto um momento mágico, não só pra mim mas acredito que pra todos que estavam presentes (e conectados). Acredito que até as energias que quiseram atrapalhar, no fundo, só ajudaram. Agradeço por cada abraço, cada olhar de ternura. As massagens, o respeito, o colo que vocês nos deram. Hoje fica o sentimento de gratidão. Frustração? Não tem nem como sentir isso. Eu pari, do jeito que eu e ele escolhemos.”

Aqui o video 

, feito pela Cinemacaco

Relato escrito por Isa que gentilmente cedeu o conteúdo para o Blog.
Gratidão irmã, sempre juntas ❤

Vamos mudar o mundo?

“Se esperamos criar um mundo não-violento, onde o respeito e a bondade substituam o medo e o ódio, devemos começar com a forma como tratamos uns aos outros no início da vida, quando os nossos mais profundos padrões são definidos. A partir dessas raízes crescem medo e alienação ou amor e confiança.” Suzzane Arms

Nascimentos

Relato de Tessie Marcondes – Vbac

Meu nome é Tessie Marcondes, tenho 24 anos, dois filhos, três gestações e algumas historias para contar…

Minha primeira gestação aconteceu de forma acidental aos meus 16 anos, demorei em aceitar a ideia, mas acabei curtindo e comecei a me preparar.

Por alguns dias notei que acordava molhada , como se tivesse feito xixi na cama , e falei com o ginecologista que estava me acompanhando, ele havia dito que era normal, aliás, para ele tudo era normal, mas me pediu uma ultrassonografia, entre os exames de rotina, resolvi faze-la no mesmo dia.

Fui acompanhada pela minha sogra e cunhada na época, vibrei ao ver que existiam bracinhos, perninhas tudo perfeito, de repente algo errado estava acontecendo , algo que o médico não me falou, disse pra eu me levantar e limpar o gel, entregou meus exames a minha sogra e fui encaminhada ao hospital, assim que cheguei o medico que me atendeu , virou da forma mais estupida do mundo e falou , vamos para a curetagem, eu não entendia o que ele falava ai eu perguntei meio perdida ”o que é isso” e ele me disse – deite na maca e tire a parte de baixo o feto morreu ha uma semana, vamos fazer a raspagem! Eu chorava, eu queria sair correndo e aquele monstro enfiava o bico de pato como se eu fosse um animal, não conseguia acreditar no que estava acontecendo e lembro-me de repetir para algumas enfermeiras ” mas o coração dele pode voltar a bater de novo e ele vai crescer ‘‘. Foram cinco dias introduzindo comprimidos abortivos para que eu expelisse o feto ou abrisse o colo do meu útero ,nada adiantou , fiquei cinco dias só ingerindo líquidos, sem poder comer nada sólido por que teria que ir para a sala de cirurgia, foi cinco dias em que as enfermeiras me olhavam feio talvez achando que eu tivesse provocado o aborto, forma cinco dias em que eu quis morrer por estar no mesmo quarto que mulheres que acabaram de ter seus filhos, com seus bebes nos braços, felizes e eu sabendo que meu bebe não iria chegar. E foi feita uma curetagem.

Na segunda gestação eu tinha 18 anos, e pelo fato da dor de ter perdido o primeiro bebe, ela foi muito comemorada por mim e muito desejada.

Comecei a ter sangramentos e fui para no hospital, era época de copa e todos no hospital estavam bem ocupados assistindo os jogos, fiz uma ultrassonografia e o que apareceu foi que eu tinha um feto de cinco semanas, mas um saco gestacional correspondente a nove semanas, mais uma vez com ausência de batimentos cardíacos, meu mundo caiu e os médicos e enfermeiros preocupados com o resultado do jogo. Um único medico veio me explicar fazendo uma analogia nada coerente, mas que na época me pareceu caridosa ” sabe as galinhas (cômico se não fosse trágico) às vezes elas botam ovos (jura?) elas cuidam com carinho dos ovos, mas às vezes ele goram Tessie o seu ovinho gorou de novo ‘‘.

Fiquei desolada, ele marcou a curetagem para segunda feira de manhã, minha mãe foi me visitar e não sei se por intuição, pediu para que fosse realizada uma nova ultrassonografia, e o hospital se negou a fazer se não fosse paga uma quantia X, por ser final de semana, ela fez um escândalo e fez uma alta pedida, fomos para a santa casa, chegando lá ouvi a mesma coisa, que ficaria em jejum, mas que fariam pela manhã uma nova ultrassonografia, mas que não haveria muito jeito pelo que aparecia no ultimo ultrassom.

Passei a noite em claro, e pela manhã fui fazer a ultrassom, a minha surpresa foi ,quando vi o coração da minha filha pulsando , ela estava viva! Se eu tivesse ficado no outro hospital provavelmente teriam feito um aborto. Quanto ao parto foi uma cesárea induzida pela medica, mas no caso eu estava deprimida e muito ansiosa e tomando antidepressivos. Psicologicamente reconheço que não aguentaria um parto normal nas condições em que eu estava, embora tenha tido reações, como vomito e dores fortes de cabeça durante o parto e ficado totalmente isolada e triste na sala de recuperação tentando mexer a perna a todo custo para ir logo amamentar minha filha, que na minha cabeça estava aos berros morrendo de fome.

Minha filha foi diagnosticada desde o começo da gestação com um feto P.I.G. (Pequeno para idade gestacional) e nasceu com 2,050 g. e 43 cm. Muito pequena, mas espertinha, quanto ao aleitamento, confesso que fui muito bem auxiliada pela equipe medica do da santa casa, me ensinaram a técnica corretamente e eu não tive problemas.

Voltamos pra casa e por mais que eu tivesse passado por uma cesárea, não senti as dores comuns. Na época morava em são José do Rio preto o mês era  janeiro, estava muito calor e minha pequena teve hipoglicemia , não acordava para mamar ,nem tinha força pra isso liguei para o pediatra do hospital e ele me respondeu da seguinte forma ”Dê leite NAN” , fiquei inconformada e liguei para uma prima que havia tido bebê há pouco tempo e tinha bastante informações , ela me disse para leva-la a Unimed ,que tinha um trabalho chamado BE-A-BÁ BEBÊ ,que era gratuito e que poderia encontrar o auxilio de doulas que me ajudariam com o aleitamento. Fomos eu, minha mãe e irmã (também gestante na época) e fomos muito bem recebidas, me ensinaram como tirar leite sem uso de bombinha, a desempedrar os seios e com a ajuda de uma sonda infantil e um copinho me ajudaram a fazer minha filha beber o leite usando a sonda de canudo, vibramos com aquilo, achamos o máximo e a pequena voltou ao normal amamentei até os sete meses, parei por opção da minha filha.

A terceira gestação foi muito ativa e com bem mais informação no que diz respeito a parto e primeiros cuidados básicos com o bebe, tudo correu bem, fiz o pré-natal com o mesmo medico que fazia minhas ultrassonografias, coloquei a ideia do parto normal e ele me deixou a vontade para prosseguir se eu achasse a melhor escolha e ficamos assim, sem data marcada para cesariana,

No dia 24 de março, as exatas 07h00min da manhã comecei a sentir contrações, contrações mesmo, e fui para o hospital, chegando lá não tinha condições de andar, sentia meu filho saindo e bastante dor que pra mi eram as dores do parto e não apenas dores de contração, fui examinada, na tentativa de fazer exame de toque viram que não seria necessário, existiam 10 dedos de dilatação, sem rompimento de bolsa, achei que deixariam evoluir e que a bolsa estouraria sozinha porem, alegaram que o tecido da minha bolsa era muito rígido e que o bebe não conseguira estourar como não sabia que existia a possibilidade do bebe nascer envolvido com a bolsa e deixei que estourassem ela e as dores aumentaram. Deitaram-me na maca com as pernas nos apoios, eu estava morrendo de dor e gritava, neste momento ouvi a pérola ” Na hora de fazer você não gritou né?!” e eu rapidamente respondi ”E QUEM TE FALOU QUE NÃO GRITEI” a enfermeira se irritou e falou que eu não tinha educação, a dor me fez ignora-la, a anestesista chegou e foi a única que me tratou de forma gentil e disse que aplicaria a anestesia só para que eu não sentisse a cabeça do bebe passar, mas que as dores das contrações não cessariam, até que enfim alguém me explicara algo! A medica entrou, olhou, sem a minha autorização e sem que eu tivesse visto realizou uma episiotomia, e disse a enfermeira   ” – vou deixar ela evoluindo ( me lembrei dos Pokémons ), vou tomar um café, qualquer coisa me chame’‘.

A dor era grande e eu sentia a cabeça do meu filho já saindo, a enfermeira já muito irritada com o meu choro me disse ” – se esta doendo faz força bem’‘, tirei as pernas dos apoios, me sentei segurei nos mesmos e fiz força ela me olhou, eu fiz de novo e ela começou a gritar chamando pela medica dizendo que o bebe estava nascendo, ela correu e o meu pequeno veio ao mundo, graças acho que só a mim, que fiz meu parto confiando em mim mesmo, sem contar com a ajuda de quem estava lá exatamente pra isso.

Me sentei pedi meu filho na mesma hora e após um minuto olhando pra ele entreguei ao pediatra, e entreguei a roupa, em 10 ou 15 minutos me entregaram ele ainda no corredor e fomos para o quarto, me senti tão poderosa naquele momento, me senti grande, senti que poderia fazer qualquer coisa no mundo e me acho sim muito corajosa de ter passado por tudo isso e ter superado tudo tão bem.

Meu Raphinha e eu

 

Minhas três gravidezes por Kyanja Lee -2VbaC

Minhas três gravidezes

Nunca me sonhei grávida, quando mais nova. Mas eis que o tempo passa, e as circunstâncias ajudam, e um belo dia você se vê casada e fazendo planos para… ser mãe!

Fui mãe tardia: com 35 anos tive meu primeiro filho. Mas não fiquei com neura nenhuma durante a gravidez. Não pensei em gerar filho com defeito genético; nem antecipei as dores do parto. Ia todo mês fazer o pré-natal com o meu médico (nessa época eu morava em Sampa e trabalhava na Vila Buarque, perto do Mackenzie. Dali até o consultório do médico, na Higienópolis, era um pulo.)

Nem passava pela minha cabeça fazer cesariana e tampouco me senti coagida pelo médico para tal. Eis que, numa bela madrugada, senti a bolsa romper. Estava deitada na cama e senti aquele líquido vazando. Corri para a maternidade, o Santa Joana, no Paraíso, enquanto meu marido ligava para o meu obstetra.

Chegando ao hospital, fizeram o exame de toque e me disseram:

“Vamos ter de fazer cesariana. O nenê engoliu mecônio.”

Eu tinha expectativa de ter filho de parto normal? Tinha. Estava preparada para fazer cesariana? Não. Mas confesso que não fiquei assim tão frustrada. Acho que vivia uma fase tão conturbada, no dia a dia, que não estava focada apenas na gravidez. Contra  a minha vontade, eu tinha entrado em licença-maternidade na empresa em que trabalhava, umas duas ou três semanas antes do bebê nascer. Isso sim, me frustrou bastante: afinal, queria ficar mais tempo fora da empresa no período que já estivesse com meu filho no colo! Mas o médico achou por bem que eu saísse antes; não estava gostando do meu inchaço: nariz de bolinha, olhos entumecidos, mãos e pés de pão…

Na sala de parto, fui sedada e, consciente, acompanhei todos os movimentos do médico e de sua equipe. Mas não senti absolutamente nada! Foi estranho: tirando o fato da bolsa ter estourado, não tive contração e muito menos dilatação. Quando percebi, o Luca nascia, chorava, e era aconchegado ao meu peito. Chorei de emoção e, a despeito dos momentos prévios que podem dar a impressão de que não ocorreria a ligação entre mãe e bebê, eu amei instantaneamente meu filho! Mas ele nasceu bem dentro do prognósticos médicos: com diferença de 3 a 4 dias, quando muito.

Se eu não senti nada nesse momento, detestei os momentos posteriores ao parto. Que dor para subir e descer da cama de hospital, devido ao corte na barriga! Que tortura ao ir embora de carro: com Luca no meu colo, no banco traseiro, mesmo o meu marido dirigindo com cautela, cada vez que passava em uma pista mais irregular, eu tinha dores atrozes! E para espirrar? E para dar risada? Não, ninguém me fizesse rir eu implorava, pois juro por Deus que, no pós-parto de cesariana, a mulher fica mais de um mês sentindo muita dor. Para quem não sabe, o corte é bem profundo, pois se atravessam várias camadas de pele e músculo, até chegar ao útero.

Eu demorei um pouco a entender por que tive de passar por uma cesariana. A despeito do sofrimento fetal que o Luca estava sendo submetido ‒ o sinal mais evidente era a presença de mecônio na bolsa ‒, parece-me que algo em meu organismo não funcionou bem. Minha natureza também não ajudou: caso contrário, teria tido os outros sintomas clássicos que antecipam um parto normal: contrações, dilatação.

Ao ganhar meu segundo filho, estava certa de que seria mais um parto cesariana. Nessa época, eu já morava em Varginha (sul de Minas). Como não tinha passado pela experiência de um parto normal, não sabia quando seria a hora de ir à maternidade, de avisar a médica. Comecei a sentir contrações às 9 horas da noite, mas não dei muita importância. Quando a coisa começou a ficar feia, iniciava-se a madrugada. Com cólicas, passei a ir a toda hora no banheiro para esvaziar o intestino. Mas eu fiquei preocupada em perturbar a médica àquela hora. Imagine só: só eu mesma para ter um pensamento desses: não querer atrapalhar o sono da minha obstetra (risos). Assim, fui deixando o tempo passar, a madrugada avançar, até que não me aguentei mais de dor e liguei para a médica. Dizem que o chamado “patamar de dor” é um mecanismo variável de pessoa para pessoa. No meu caso, ele é alto. Se eu finalmente decidi ligar para a médica, era porque definitivamente estava quase ultrapassando o limite da dor.

Tanto é que, quando me deitei para fazer exame de toque e verificar em que estágio eu estava do parto, praticamente não me aguentava me deitar ‒ a pior posição que tem para a mulher, quando está nos momentos culminantes de ganhar o bebê.

‒ Vai ser cesariana? ‒ perguntei, mais como uma forma de entabular uma conversa, do que propriamente fora uma pergunta.

‒ Não… Vai ser parto normal e vai ser… JÁ!! Você está com 10 centímetros de dilatação.

Se eu estava com tudo isso de dilatação significava que, se eu bobeasse, poderia ter dado à luz a caminho do hospital. E a verdade é que, por questão de minutos, quase que o anestesista não chegava a tempo. A sorte é que Varginha, ainda mais naquela época, há 13 anos, era uma cidade pacata, sem trânsito. Bem… Considerando o horário, também não enfrentaria trânsito de qualquer maneira: Jean nasceu exatamente às 5:00 h da manhã.

A vantagem do parto normal eu descobriria logo: recebi alta naquele mesmo dia. No dia seguinte, eu estava em pé e até em condições de cozinhar e varrer a casa (e de fato, eu fiz isso). Nunca senti tanta autonomia em relação ao meu corpo, assim que nasceu o meu filho do meio. E o melhor de tudo é que a minha barriga voltaria ao normal bem mais rápido, ao contrário do inchaço com que permaneci por várias semanas, após dar à luz ao meu primeiro filho. Apesar das horas de sofrimento que me autoinfligi (por inexperiência), valeu a pena a experiência do parto normal.

No meu terceiro parto foi mais tranquilo ainda. Eu morava em Ribeirão Preto nessa época. Alguns dias antes eu perdi o tampão mucoso (constatei isso ao olhar o vaso sanitário).Quando senti as primeiras contrações, mais experiente, não me demorei para me dirigir à maternidade.  Sofri todas as dores de parto, contrações, etc., mas foi igualmente recompensador estar com meu corpo inteiro, logo após o parto. Ainda bem, né? Com mais dois filhos pequenos para tomar conta, nada melhor do que estar pronta pra ser novamente “pau pra toda obra”!

Concluindo: de minhas experiências de gravidezes, posso dizer que cada uma foi totalmente diferente da outra: diferentes profissionais envolvidos, diferentes maternidades (a maternidade em Varginha era pública, um Hospital Regional,  praticamente o oposto da Maternidade Santa Joana, que é referência em termos de maternidade em São Paulo; a camisola que ganhei tinha até furos… Hehehe…), diferentes sintomas. Nenhuma foi melhor ou superior a outra, mas confesso que a última experiência (principalmente por ter sido parto normal) foi beeem mais tranquila. Nem teria como ser diferente, não?

sobre ondas de pensamentos…

Tem dias que tudo me parece estranho…

Não sei se são hormônios, se a sensação de estar em “outro” mundo é pertinente à gravidez e suas nuances psicológicas ou se sou eu mesma, que sou assim, esse ser estranho e não muito bem familiarizado com as pessoas. Entendam, não é que não goste das pessoas, aliás, de fato, tenho um certo fascínio em descobrir as várias facetas de cada um. Mas quando esta ou aquela se aproxima de mais, ou muito rápido ou fora da minha zona de segurança, a dificuldade em lidar com o problema é enorme. Me sinto na obrigação de tentar reverter a situação, de me “relacionar”, de me conectar, sei lá. E quando forço, e as situações incomodas continuam, é meio obvio que a situação piora.  Exemplificando, eu não me forço a gostar das pessoas, mas me parece que isso ofende. Sim, porque, em situação muito recente, me dei conta que não gostava de determinada pessoa que convive me meu circulo de amizades. E não tenho nada a discutir com essa pessoa, seria como chegar em alguém e falar assim, bem, infantil: olha, não gosto de você e não quero ser sua amiga. Ou seja, totalmente dispensável de discussões. Mas a pessoa força a barra, como se fossemos amigos de longa intimidade. Ai me afasto. E ao me afastar, exatamente para não haver um confronto desnecessário, o tal circulo de amigos/conhecidos muda e me percebo tendo que:

-a) aguentar a pessoa e virar zen budista

-b)me afastar desse circulo de amigos/conhecidos bora tocar a vida.

Mas e aí. Me encontro várias vezes em minha intimidade me questionando se é assim a melhor maneira de me relacionar. O fato é que mudei muito e hoje em dia até me permito entrar em contato com sentimentos e situações mais fortes, boas ou ruins (fato que, digamos, na minha adolescência não acontecia, eu era um ovinho fechado).
Viver e nos relacionar é tão difícil, né?

O lado bom disso tudo é que sim, os reais amigos que tenho os são de verdade. Me sinto bem, a vontade e acolhida.

Não sei se a gravidez me deixou mais sensível e recolhida, mas sim, mesmo sendo a segunda, me faz pensar muito além das coisas de grávida.  E outro fato: me sinto na obrigação e na mega vontade de voltar à meditar.

Ensaio Pré-casamento Ingrid e Fabiane

“Não confundas o amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer. (…) Eu sei assim reconhecer aquele que ama verdadeiramente: é que ele não pode ser prejudicado. O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca.”
(Antoine de Saint-Exupéry, in ‘Cidadela’)

Tive o prazer de fotografar o ensaio deste casal, que apesar de todos os empecilhos provam que o que realmente importa é o amor.
Pela liberdade do amor, pois ele sim é importante.
Fotografia e edição:  Nathalie Gingold

Maquiagem: Reider Pereira

Local: Cachoeira do Mirtão
Making of: (é só clicar na foto)

Ensaio completo: (é só clicar na foto)

Primeira Expo Musas de Si= Sucesso!

Porque foi tudo lindo. Perfeito em cada imperfeição. Sincero em cada olhar. Emocionante em cada voz. Forte em cada gesto. E transcendeu em cada cor.
A primeira exposição do meu projeto Musas de Si foi mais que um sucesso, foi algo quase místico, que pulou o momento e se antecedeu à nova era.

Agradecerei infinitamente à todos que me apoiam e que me amam.
Vocês são SIM, MUSAS (e , pq não, MUSOS (?) )E me inspiram à fazer o melhor.

Só faltou agradecer à Camila Fernandes e à musa Fernanda Tavares!

Em breve fotos !

 

Ao invés de censura, amor por favor!

‎17 DE MAIO, DIA INTERNACIONAL DE LUTA E COMBATE A HOMOFOBIA.

Casamento Fabiane e Ingrid. – S.J. Rio Preto, SP – Abril-2012
Foto por Nathalie Gingold.

Musas de Si

1º Expo na Kenty, Rio Preto: 15 de junho!! Em S.J. Rio Preto, SP
https://www.facebook.com/events/400569503308360/?ref=notif&notif_t=plan_user_joined

Venha conhecer o projeto:
www.wix.com/gingold/musas

Musas 

e dê um curtir na fan page:
https://www.facebook.com/pages/Musas-de-Si/393703130670430

Preview Casamento Ingrid e Fabiane

Aqui uma prévia do casamento da Fabiane com a Ingrid, foi tão mágico e lindo…estou aqui me coçando para postar mais 😉
Foi em Abril, em S.J. Rio Preto, SP.

Aguardem…

Musas de Si

Clique e leia mais

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Making of Ensaio Janis

E para quem ficou curioso e gostou do ensaio em homenagem à Janis Joplin com a querida Raphaela França, aqui vão as fotos do making of, com um pouco do local, produção e cenas engraçadas 😉

Fotos e tratamento: Nathalie Gingold

Produção: Raphaella França e Jaqueline Rosa

Make e cabelo: Reider Pereira

Assistência geral: Fernando Macaco

É só clicar na foto para ver a galeria!
Clica!

Ensaio Janis Rapha Joplin

Este ensaio foi feito com alegria e liberdade.

Uma homenagem à querida e talentosa Janis Joplin. A Raphaela serviu de modelo pois transpira uma aura como a da cantora, embora seja atriz, é também fã do trabalho e da imagem desta que sempre estará marcada em nosso imaginário.
Incluí trechos de algumas músicas nas fotos.

Fotos e tratamento: Nathalie Gingold

Produção: Raphaella França e Jaqueline Rosa

Make e cabelo: Reider Pereira

Assistência geral: Fernando Macaco 

Aproveitem! Cry Baby 😉 Clique na foto e veja todas as fotos

Clique na foto para ver galeria

http://grooveshark.com/songWidget.swf

Me and Bobby Mcgee

Preview – Ensaio pré-casamento

Aqui, só uma foto para vocês terem o gostinho do ensaio das lindíssimas Ingrid e Fabiane, que se casam em Abril deste ano.

Escolhemo a natureza para ser testemunha deste belo casal.
Em breve, mais fotos.

Grandes abraços!

Libido #02

Sexta-feira é um ótimo dia para lançar a Libido #02…

Esta segunda edição da revista Libido vem repleta de carinhosos beijos e demorados abraços.

Fotografei a Rapha, o Mauro e o Murilo, em estado de puro amor e sensualidade.

Seus lindos!

Cliquem na foto e boa sexta!

Para quem ficou curioso em ver a primeira edição, clica aqui:  https://agrandegaia.wordpress.com/2011/11/28/libido-01/

Grandes abraços!!!

Preview Libido #02

Vem aí…

 

Ensaio Mauro, Rapha e Murilo

Aguardem…

Casamento Carol e Wellington

 

“O milagre do amor é que ele nos é dado para que possamos dividi-lo com os outros.”

 

Tive o prazer de fotografar o belíssimo e requintado casamento da Carol com o Wellington.

Ela se preparou no Laimer Hair Studio http://www.laimer.com.br/ . A cerimônia religiosa e a festa foram no O.B.B. ( Organização Bernadete Buffet ) – www.obbbuffet.com.br 

 

Clique na imagem para ver galeria completa

 

Grandes abraços!

 

 

Casamento Jaqueline e Rafhael-Decoração

Neste post, as fotos da decoração do casamento da Jaqueline e do Rafhael.

A festa foi celebrada no Felix Petrolli buffet -( 17 3227.5499 / 17 3012.4358)

Clique na imagem para ver a galeria completa

Uma decoração lindíssima, com rosas, velas e muito romantismo! Parabéns aos noivos!

Preview Ensaio Jhenifer Grávida

Em Breve….

Grandes Abraços!

LIBERDADE

“Com uma amiga chegamos a tal ponto de simplicidade ou liberdadeque às vezes eu telefono e ela responde: não estou com vontade de falar. Então digo até logo e vou fazer outra coisa.”

Clarice Lispector

2009 040

Dani Águas-Gravidez

Depois de vários dias adiando, tanto por conta dos horários do Marcelo( o marido), quanto por conta de São Pedro(o da chuva), finalmente conseguimos fazer o ensaio no domingo. Dificuldade que, aliás, já havia ocorrido no primeiro ensaio que fizemos juntas: Ensaio Daniela Águas To começando a achar que não é mera coincidência. Seu sobrenome explica tudo!

A Dani está na última semana de gravidez, e quem vem por aí é a Luísa! Seu irmão mais velho, o Gabriel (de 9 anos) também participou do ensaio, e está super feliz em saber que vai ter uma irmãzinha pra cuidar. Segundo ele, foi exatamente por ele ter pedido que ela veio. 😉 O Marcelo tem um ar todo sereno, de marido cuidadoso e sério, mas não escondeu a felicidade em falar da pequena que está pra nascer.

Fizemos o ensaio na Represa Municipal de Rio Preto, num belo domingo à tarde. Enquanto as pessoas faziam seus “copper” , nós passeávamos. Foi um ensaio tranquilo, regado a risadas, carinho e ansiedade (pela vinda da pequena).

A Daniela é uma daquelas grávidas serenas e alegres, quase saltitante, daquelas que se você não avisa, sai por aí brincando como se não estivesse grávida. Ela, é professora e também faz belas bonecas de pano, (imaginem quantas a pequena Luísa já não tem 😉 )confiram o blog onde ela expõe suas lindas bonecas: Dani Casa de Bonecas

Daniela, Marcelo, Gabriel (e porque não) Luísa, foi um prazer poder compartilhar destes últimos momentos da grávidez. O parto está marcado para a próxima sexta, dia 02 de Outubro, que ele seja tranquilo, cheio de amor e felicidade.

Muita paz e amor à essa familia linda.

Fotografia e edição: Nathalie Gingold

Assistente: Fernando Macaco

Co-assistente: Sophia 😉

A seguir, a galeria de fotos, é só clicar na foto:

Dani Gravida 169

Grandes abraços!!!

Para você

Que a luz de Iemanjá te banhe e te ilumine o caminho.

Aqui, uma pequena música para acalentar aqueles que procuram acalento.

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

Libertar

“Liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela.”
(George Bernard Shaw)

 

Sempre ouço muitas pessoas falando que queriam suas vidas diferentes, que estão presas à alguém que não amam, presas à um trabalho tedioso, presas à familias pouco amorosas, etc. Todas presas, seguindo o caminho que acham o melhor, por todos os motivos que você imaginar. Se enrroscam de tal maneira à tais coisas, que acham (e muitas vezes, têm certeza) que nunca mais irão se soltar.

Quando eu lhes pergunto: mas, se não está bom, porque você não muda? Essas mesmas pessoas já vem preparadas com um arsenal de argumentos incorrompíveis. E nisso, continuam a sofrer, ficam doentes, stressadas, mal-humoradas, amargas com si mesmas e com o mundo. Esse é o melhor caminho, segundo elas, o mais correto. Mas na verdade, sinto que é medo.

Sim, medo de mudar, de encarar suas escolhas e de aceitar seu próprio coração. Pois quando ocorre uma mudança, ocorre um processo parecido com o que a Fênix passa, ela tem que morrer para então, renascer das cinzas. Tem que morrer. E temos medo disso.

Mas não só disso, se formos mais a fundo, percebemos que o medo vai além.

Quando pensamos em morte, e nos sentimos receosos, talvez não seja pelo fato em si, mas pelo o que acontece depois.

O que acontece depois? Essa é a grande pergunta.

A liberdade.

Quando morremos, nos libertamos. Mas como? No caso das mudanças, (e falo de mudanças na nossa vida) o acontece é que nor tornamos responsáveis por nós mesmos. Nos libertamos de outros pensamentos e argumentos, e nos armamos só com os nossos. Tomamos consciência de nós mesmos. Do nosso corpo, da nossa mente, do nosso espírito.

Quando damos este passo, de assumirmos quem somos e o que queremos para a nossa vida, aceitamos a responsabilidade de tal. Deixamos que atribuir a culpa ou o sucesso ao outro.

Temos medos de renascer e virar fênix, pois sendo tal, não poderemos mais fingir ou mentir para nós mesmos, não apresentaremos mais argumentos furados para nossos anseios, não poderemos mais “ser” outra pessoa, não conseguiremos mais usar máscara perante o espelho. Só poderemos ser nós mesmos. A responsabilidade por tudo será inteiramente nossa. Isso é o que nos assusta. O peso da responsabilidade. Mas não funciona assim.

Quando você conseguir dar este passo, verá que a responsabilidade nos dá um lugar no mundo, nos mostra o quanto somos importante para o outro, o quanto somos importantes neste mundo, o quanto somos importantes para nós mesmos e o quanto podemos voar, com nossas asas de fênix.

Somos seres divinos, seres de luz, somos uma grande familia, e cada um tem seu lugar à grande mesa.

Agora, não mais Fênix de fogo, dei meu passo…Sou agora, Fênix Dourada.

Dê seu passo, estarei aqui, nas alturas, te esperando.

Namastê!

Abaixo, fotos da Santa Estrela, Igreja do Santo Daime em Urupês. É só clicar para ver a galeria.

daime-04-04-2009-020

 

Edith

Sim, estou falando da Piaf mesmo, La môme.
Meu pai sempre me falou dela com uma paixão incrível, já me contou a história da vida dela algumas vezes e sempre cantarola alguma música dela na gaita. Ele adora esta cantora, sempre diz que adoraria tê-la conhecido, que ela era a melhor, a mais forte e corajosa mulher que ele já viu. Nascida nas ruas de Paris, criada num bordel, com voz marcante e personalidade igual, essa pequena (grande) cantora é da época dele, e eu não conheço ninguém que se interesse pela cultura francesa, que não ame ela, de paixão.
Não é a toa que quando eu dava aulas de francês, ela sempre batia o cartão em todas as turmas. Decorei algumas letras (sem falar nas traduções) por causa dos meus alunos. Sem falar no orgulho de mostrar um pouco desta mulher que nos representa tão bem.
Gosto dessa fúria misturada com paixão que ela teve. Tudo era intenso. Corajoso e parisiense. Não a Paris de hoje, que se mostra muitas vezes arrogante, uma Paris antiga, malandra, quente e desbocada. Que me inspira a ser o mais louco que há em mim.

Ontem tive a oportunidade de assistir o filme da biografia dela, aquele que saiu a pouco tempo nas locadoras, com a incrível Marion Cotillard, “Piaf: um hino ao amor”. Se você não conheçe essa incrível mulher, este filme é uma puta oportunidade. Não tenho muitas palavras para descrever a interpretação da protagonista, que chegou ao extremo da semelhança com a Edith, não só falando de maquilagem, mas na paixão e na loucura que deve ser interpretar uma mulher como ela. O filme é lindo, emocionante e mostra de uma forma não linear a vida dela. Assista. S´il vous plaît. Aqui vai o site oficial do filme: http://www.edithpiaf.com.br/

Gosto da maioria das músicas dela, mas vou deixar uma clipe aqui (original) de uma que me emociona. Ela também já foi cantanda pela Cássia Eller (uma mulher que eu também admirava muito) e só quem tem cicatrizes na pele e na alma, entende a dor e o prazer de ouví-la.
“Non, je ne regrette rien” (não, eu não me arrependo de nada):

Aqui vai a tradução da música para o português:

Não! Nada de nada…
Não! Eu não lamento nada…
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal – isso tudo me é igual!

Não, nada de nada…
Não! Eu não lamento nada…
Está pago, varrido, esquecido
Não me importa o passado! (2)

Com minhas lembranças
Acendi o fogo (3)
Minhas mágoas, meus prazeres
Não preciso mais deles!

Varridos os amores
E todos os seus “tremolos” (4)
Varridos para sempre
Recomeço do zero.

Não! Nada de nada…
Não! Não lamento nada…!
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal, isso tudo me é bem igual!

Não! Nada de nada…
Não! Não lamento nada…
Pois, minha vida, pois, minhas alegrias
Hoje, começam com você!

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Ela é realmente um hino ao amor. (muitas palmas)