Sobre o desmame

Quando eu comecei a amamentar meu segundo filho, tudo foi muito lindo e tranquilo, pegou certinho, mamava bem , eu produzia leite para caramba e tudo seguiu. Era livre demanda, sem mamadeiras e chupetas, só colo, muito sling e poucas horas de sono seguidas.
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E depois de um ano e meio neste ritmo (depois dos 5 – 6 meses, ele começou a comer também, mas não entendo que a amamentação seja somente por necessidade de nutrição alimentar) me dei conta que não sabia como parar, como voltar a trabalhar, qual seria o momento ideal (sendo que eu podia escolher, pois meu trabalho me permite) e como fazer isso acontecer com respeito a mim e ao meu filho.
Adianto que não encontrei muitos textos sobre os assuntos, na maioria era sempre com um jeito mágico, que parecia muito lindo na teoria, mas na prática não rolava. E eu estava na idéia de sentir o momento, de sentir a necessidade de meu filho…de aprender do meu jeito mesmo, ou melhor, do nosso jeito.

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Bom, aos poucos percebi que ja estava no processo de desmame sem perceber.

Ele rolou de maneira bem gradual, tenho um companheiro e ajuda mto.
Comecei com pequenos intervalos, onde meu filho ficava com o pai enquanto eu ia trabalhar e tals (isso por volta de um ano de idade), e então os intervalos foram aumentando.
Depois aumentei os intervalos e comecei a deixar ele dormir sem mim as vezes (qdo eu nao estava em casa), ele e meu marido descobriram um jeito deles de ficarem bem, de dormir e tudo mais. Eles tinham o próprio jeitinho de ficar juntos, de dormir, de comer….Isso tudo sem mamadeiras ou chupetas.

Por volta de um ano e meio ele começou a dormir por mais tempo a noite, as vezes soltava naturalmente o peito pra dormir. E aos poucos eu também comecei a regular e negar as mamadas diurnas (pois eu ficava fora, e assim que chegava ele já queria o peito), e então eu negava e tentava distrair com outras coisas, conversava e tals, e aí, por volta dos dois anos as mamadas eram somente para dormir (seja a tarde, seja a noite) e incrivelmente ele começou a dormir por mais tempo, e somente as vezes acordava de madrugava (e mamava pra voltar a dormir).
Comecei a não dar o peito quando ele pedia, mas sim quando eu achava importante.
E me toquei que eu, muitas vezes, socava o peito quando não sabia o que fazer…não buscava alternativas (e nem achava que tinha) e pronto. Me dei conta que não pensava mais sobre o assunto, só dava o peito para ele ficar de boas e eu conseguir fazer minhas coisas (tipo, escrever no pc com o filho grudado era algo bem comum). E resolvi mudar isso. E rolou lindamente. Ficamos assim por uns meses, por volta dos dois anos.

E há pouco menos de dois meses comecei a negar o peito para dormir. E aí comecei a me virar com alternativas…. era colinho, musiquinha, carinho. E a cada dois dias rolava uma mamada, mas era no meu tempo, tipo, mamava um pouco (também para aliviar o peito, que ainda estava produzindo leite) e ia dormir.

Ele teve momentos de choro (meu também), mas senti que era o momento, conversei muito com meu marido, com amigas..e tava decidido. E quando consegui aconteceu algo incrivel e inesperado….ele começou a demonstrar carinho como nunca!
Sabem, ele agora vem pro meu colo e me abraça, me beija…. para dormir ele ouve as canções, escuta historinhas, ganha e pede muito carinho…e tudo isso era feito pelo peito. Só pelo peito. Tipo um ser mesmo. Ele só vinha pro meu colo porque queria mamar e ja grudava no peito. Eu tentava dar carinho para dormir, e ele ja queria a teta. Eu tentava dar ou pedir qualquer carinho, beijinho e abraços, mas era sempre a teta.

E olha, esse carinho é uma delicia ❤ Me senti muito feliz e confiante, tanto nele e sua maturidade, quanto em mim e nas decisões relativas ao desmame que tomei.

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(ah, e preciso comentar que tb rolou o desfralde, quase que junto ao desmame)

Sinto que precisamos falar muito sobre isso, discutir, entender, desabafar, pois acabamos por achar que devemos dar e receber todo o carinho entre mães e filhos através do peito. Só do peito. Pois é bacana a tal da livre demanda, e sim, é gostoso ficar grudadinha “sendo necessária”. E sim, é um ótimo e importante ponto de envolvimento emocional, mas não devemos esquecer que ele não é o único. Assim como nós, mães. Somos um ponto importante para o desenvolvimento emocional, mas não somos o único.

Permitir que outras pessoas cuidem de nossos filhos, permitir outras maneiras de carinho, permitir que nós mesmas possamos ter outros meios de prazer e cuidar, é permitir um passo, é permitir que o amor se espalhe e (ao contrario do achamos e do que dizem) ele se torne mais forte. E é também permitir a tão buscada liberdade, seja para nós, seja para eles .

Liberdade requer muita coragem para assumir nossos passos e assumir que muitas vezes nós é que estamos apegadas.

E quando comentei que chorei, foi por isso…pelo meu apego, em saber que agora ele ja está virando um meninão, que não precisa “só” de mim, das minhas tetas e atenção, que sou , de certa forma, dispensável, que ele já pode “viver” de boas com o auxilio de outras pessoas. É lindo e dificil. Como tudo, né. Pois sei bem o quanto ele ainda precisa de mim, mas a forma está mudando.

É lindo eu poder ir trabalhar, mas é dificil ficar longe da cria.
É lindo ver ele independente, mas é difícil assumir isso para mim, como mãe.
É lindo entender que ser mãe é também aprender sobre liberdade, pois sempre me ensinaram que ser mãe era aprender e se submeter a sofrimento e dependência, que isso é que era amor. Amor de mãe. Mas o que sinto é que amar de verdade é confiar, aceitar e seguir, com muito respeito a nós e aqueles que cuidamos.

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É lindo e dificil. Mas é vida, né. Tudo nasce, morre, nasce….

A chegada de Benjamin

Relato de nascimento de Benjamin, gentilmente cedido ao blog pela Aline Cavasana:

“Benjamin veio por acaso, não planejamos sua vinda, mas foi o que Deus poderia ter feito de mais maravilhoso nas nossas vidas.
Num dos primeiros encontros com meu marido Anderson, ele me perguntou: “Qual o seu sonho?” E eu respondi: “Meu sonho é ser Mãe, e ter a minha família”. Pensei até que ele se assustaria por estarmos no começo, mas para minha surpresa ele não se assustou, ele me disse que o sonho dele também era ser pai e ter a família dele.
Na noite de 25 para 26 de abril tivemos nossa primeira relação com coito e eu senti já naquele momento mágico, a maternidade em mim.
Cheguei a perguntar se ele queria que eu tomasse a tal pílula do dia seguinte, e ele disse que não, que essas coisas quando são pra acontecer, que simplesmente acontecem e que se fizesse a vontade de Deus. Dois dias depois contei para uma amiga (a Su) que eu tinha certeza que já me sentia mãe desde aquela noite.
Aguardei 20 dias para fazer o exame de sangue para a confirmação. E em 15 de Maio tive a comprovação de que estava grávida pelo exame.
Chorei e sentia medo, pois eu achava que ele se assustaria de inicio com a notícia, e quando contei que estava grávida, seus olhos simplesmente brilharam e me iluminaram. Ele disse que esse foi o melhor presente que eu poderia dar pra ele. E que ele tinha pedido um sinal pra Deus, pra saber se estávamos no caminho certo e se eu realmente era a pessoa certa, e que essa notícia foi a comprovação de tudo que havia pedido a Deus.

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Alguns dias depois ele me levou para conhecer uma Doula Dani, que me acompanharia no parto e semanalmente depois dos três meses.
Até então, eu mal sabia o que era uma Doula e tinha a crença que teria que fazer uma cesárea de qualquer maneira, por conta de um acidente de moto em 13/08/2010.
Sair viva desse acidente foi praticamente um milagre. Tive fraturas nas costelas com perfuração do pulmão e fraturas nos ossos da bacia do lado direito, o ísquio, ilíaco e púbis, e o acetábulo foi destruído e teve que ser reconstruído com uma placa, sete parafusos e um araminho amarrando os parafusos do meio. Minha cirurgia foi um sucesso e minha recuperação foi muito mais rápida do que os médicos imaginavam.
Logo depois da cirurgia todos os ortopedistas e especialistas me disseram que eu jamais poderia ter um parto normal. Eles também me disseram que eu não conseguiria cruzar uma perna sobre a outra (como se fosse amarrar um tênis). E que eu teria muitas limitações. Limitações eu tenho sim, mas não na proporção de que foi me dito. E nem dá pra notar. Amarrar meus sapatos e cruzar a perna eu consigo sim! o/. Então porque não conseguiria um parto normal?!
Então, quando estava no meu sexto mês “descobri” que poderia sim ter um parto normal pelo Beabá Bebê (curso ministrado pela Unimed na cidade).
Com a ajuda de minha Doula Dani fui me aprofundando no assunto de parir e o primeiro passo foi trocar o medico GO, o que pra mim não foi tão fácil assim, pois meu primeiro Ginecologista (GO) era o Dr Ralph, eu nasci com ele, e sempre disse que quando eu engravidasse seria com ele que eu teria meu filho. Eu até o chamava de “tio Ralph”, porque ele cuidou de mim desde muito pequena (necessitei ser paciente muito cedo e por um motivo mais que especial pra ele. Sofri um abuso sexual com 5 aninhos, e desde então criei um vínculo afetivo com ele por cuidar com carinho de mim).
Ele é um ótimo profissional e eu amo ele de paixão, mas não tinha jeito, pois ele é cesarista e quando disse pra ele que eu queria ter parto normal, ele veio com o “SE”, “se estiver tudo bem a gente faz”, “você tem que saber que terá que ser atendida pelo plantonista se continuar com essa decisão Aline”. Então resolvi mudar mesmo de Médico.
No início gostei muito do meu segundo médico, também é um ótimo profissional. Mas depois de uma forte gripe, mandei mensagens por mais de um dia para ele, e não tive um retorno. Tive que ir para emergência do hospital que havia escolhido para o parto, onde também não tive atendimento do plantonista, fiquei duas horas e meia aguardando algum plantonista, e não apareceu ninguém.
Necessitei ir para a emergência de outro hospital, onde fui muito bem atendida, mas o detalhe é que esse outro hospital é totalmente cesarista, e em hipótese alguma eu queria parir lá.
Depois desses acontecimentos com médico e hospital fiquei muito insegura que até parecia uma paranóia, eu me senti muito desprotegida e desamparada.
Perdi a confiança no hospital, no médico e fiquei perdida com meus pensamentos e inseguranças.
Então comecei a mexer na internet, fuçava em tudo quanto é canto e achei uma comunidade: GAIA Rio Preto. Fiz algumas perguntas inbox para essa comunidade que carinhosamente foram respondidas pela Nath Gingold e que me indicou também o grupo fechado Gaia, onde solicitei participar e fui calorosamente recebida.
Por intermédio da Nath, conheci a minha parteira Lucélia, que inclusive já tinha ouvido falar dela pela minha Doula Dani, e por intermédio da Lucélia troquei pela terceira vez de GO (o Dr Paulo, e me apaixonei pelo ser iluminado que está por trás desse novo médico).
A segurança voltava a reinar no meu coração, mas ainda sim continuei com birra de hospital (eu não queria ir pra hospital de jeito nenhum) e após assistir o filme Renascimento do Parto fiquei encantada em querer parir em casa. Perguntei para o Médico se estava tudo bem, e se podíamos ter um parto domiciliar. Ele disse que sim então decidimos que meu parto seria domiciliar.
Após dar a noticia a nossa Doula Dani, nos disse que não acompanhava partos domiciliares então a Nath passou a ser nossa Doula oficial.
Esse parto passou a ser o parto dos meus sonhos… E eu também fui passando essa expectativa para meu esposo que também estava sonhando com esse momento que deveria ser natural, e no tempo do Benjamin.
Meus pais e irmãos também me apoiaram e me deram força. Ao contrário da maioria das mulheres que tomam essa decisão, eu não tive problemas em convencer minha família que queria parir em casa. Era tudo perfeito.
Minhas contrações vinham, contrações iam, e nada de Benjamin chegar. Essas contrações eram sem muita dor. E eu achava que não teria dor (Ooô inocência!)
E passaram 40 semanas, 41 semanas e a ansiedade só aumentava. A Lucélia e a Nath passavam em casa muitas vezes para me avaliar e me acalmar também.
Até aí eu já tinha parido muitas coisas… Mas finalmente na madrugada de sábado para domingo dia 25 de janeiro as contrações com dores começaram… Desde então já não dormia mais. Entrei em baixo do chuveiro bem quente pra ver se a dor melhorava, e até ajudava, mas só amenizava a dor enquanto eu estava embaixo do chuveiro, depois a dor voltava.
Entre as contrações até namorei pra ver se ajudava adiantar o processo do trabalho de parto. E ajudou, pois eu perdi o tal do tampão. Mas não foi o suficiente, pois enquanto eu levantava da cama as contrações diminuíam o ritmo.
Pela manhã do Domingo a Lucélia e a Nath foram pra casa, fizeram massagem, ensinaram minha amiga Su a fazer as massagens na hora da dor e foram embora, pois as contrações não estavam no ritmo certo ainda mesmo sendo muito doloridas. E quando eu começava a me acostumar com a dor, a intensidade da dor aumentava. Meus pais e meu irmão João vieram almoçar em casa, e após o almoço minha amiga Su foi deitar comigo no quarto pra eu tentar dormir ou descansar. Ela me ajudou muito com massagens durante as dores, mas já era impossível descansar por um período mais longo.
A minha amiga Su dormiu em casa e me ajudou também na segunda feira dia 26 de janeiro, me massageando durante as dores. As contrações ritmavam, mas saiam do ritmo. E eram sempre uma mais forte que a outra.
Anoiteceu. A Lucélia e a Nath foram pra casa, fizeram um chá pra ajudar no trabalho de parto, massagem nos meus pés pra eu relaxar um pouco. A energia acabou por algumas horas ficamos à luz de velas durante a noite. Ficamos no sofá a madrugada toda, descansando entre uma contração e outra.

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A Su dormiu em casa novamente, mas precisou ir embora pela manhã para trabalhar. Já era 27 de janeiro e pela manhã a Nath tirou cartas de tarô pra mim e me disse que esse parto seria um parto de muita discrição, e um parto muito difícil.
Logo a intensidade das dores aumentou, e sempre aumentavam… Lembro-me que, chorei em algum momento, eu estava agachada e a Nath me abraçou. Em seguida, minha mãe chegou, ainda era cedo, e eu a abracei e chorei igual a uma criança. Foi muito bom vê-la naquele momento que estava sendo muito difícil pra mim.
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Resolvi então consagrar uma dose de Ayawasca, e pedir pra Deus iluminar esse parto. Além de também diminuir um pouco a dor, dizem que o amargo dela ajudaria no processo do trabalho de parto. Um pouco depois, me deitei com o Anderson e relaxei um pouco. Logo a dor intensa voltou.
Não me lembro muito a ordem das coisas, mas eu tinha vontade de ficar pra sempre no banheiro, a privada era muito confortável, mas doía do mesmo jeito (risos).
A dor intensificou ainda mais, nesse momento eu já achava que estava sem forças.
Decidi consagrar mais uma dose de Ayahuaska. Eu, o Anderson e a Lucélia rezamos e ficamos na sala de meditação por um tempo. As contrações vinham e eu vocalizava a sílaba mística OM em vez de gritar com a dor. Sentimos uma energia muito forte naquele momento, e logo em seguida eu vomitei. Lembro-me que me senti muito fraca e fui para o quarto e a Lucélia foi ouvir os batimentos do bebê. Ela ouviu e ligou para o Dr Paulo ouvir também e os dois chegaram à conclusão de que os batimentos estavam muito fracos. Então ela disse que iríamos para o hospital.
No carro, pelo caminho, os batimentos do bebê, já voltaram ao normal. Acredito que Deus só nos mandou um sinal para que fossemos para o hospital, pois seria necessário.
Lembro que o Anderson estava desesperado e correndo muito com o carro, e eu pedia pra ele ir com calma que estava tudo bem.
Chegando ao hospital fizemos um cardiotoco. Aquela posição para fazer o exame era horrível e doía mais se ficasse deitada, mas eu tinha que fazer.
Naquele momento, vendo aquele hospital e aquela situação eu já achava que eu não iria conseguir. Eu cheguei a dizer pra alguém “Eu sei o que as cartas disseram mostrando que este parto seria difícil. É que eu não vou conseguir, vai ser cesárea. Eu já sei”.
E as dores vinham e eu pedia anestesia pelo amor de Deus. Então fui pra sala de anestesia, mas o abençoado do anestesista não me deixava descer logo que aplicava, eu tinha que ficar lá deitada enquanto a melhor hora da anestesia fazia efeito. Eu conseguia descansar um pouco esses vinte minutos que ficava lá.
Descemos para o quarto, e daí em diante eu não lembro mais a ordem dos acontecimentos. Lembro-me que fiquei muito no chuveiro, e que ficava na posição de quatro na cama, e no sofá que tinha lá.
Umas 19 horas eu pedi outra anestesia pra tentar descansar um pouco, lembro do horário, pois era troca de turno do anestesista e meu médico me levou fugida para o quarto assim que ele foi embora (risos).
Não queria que meus pais entrassem e me vissem gritando naquele estado. Tadinhos eles ficaram do lado de fora na sala de espera do hospital por muitas horas, pois achávamos que seria mais rápido. Mas não foi.
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Teve um momento em que acredito que tenha sido um dos momentos mais emocionantes desse parto. Onde o Anderson tocava e cantava varias músicas e mantras para mim, então eu resolvi cantar também.
Na verdade eu queria rezar e orar enquanto cantava aquela música. Comecei a cantar a musica “sonda-me usa-me” da Aline Barros, onde naquele momento eu pedia a Deus para usar o meu corpo, o meu templo para aquele parto. Em meio às contrações a letra me faltava e eu só gemia, enquanto isso minha amiga continuava a cantar, depois eu voltava a cantar quando a dor era menos intensa.
Lembro-me que em um desses momentos, não sei se antes ou depois, meu médico estava sentado no chão orando e me dando um passe. Eu achei isso lindo e também me deu forças pra continuar.
A Lucélia fez um toque e aí sem querer a bolsa estourou, a água da bolsa já estava escura, um marrom esverdeado. Isso me preocupou naquele momento, pois sabia que aquilo era mecônio.
Logo pedi outra anestesia, fora as vezes que pedia a cesárea (hehehe), e lembro que o anestesista que estava no novo plantão (muito mais gentil que o anestesista anterior) desceu para aplicar, mas vazou um pouco na hora da aplicação e foi menos da metade do líquido da seringa.
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Eu dizia que queria que isso acabasse logo, e o Doutor me perguntou (mais de uma vez) se eu tinha certeza que queria adiantar o processo. E eu disse que sim. Então ele fez “O Toque” e dilatou meu colo.
Sangrou muito, doeu muito, eu estava de quatro na cama e ficava brava com meu esposo, pois não queria que ele visse as minhas “partes” naquela posição, como se ele já não tivesse visto ou não fosse ver (risos).
Então veio a boa notícia, dez de dilatação. E eu pensava que beleza vai nascer, fazia força, muita força. Eu urrava, já não gemia mais.
Fui pro chuveiro, pra piscina, pro chuveiro de novo, Anderson se enfiou em baixo do chuveiro comigo enquanto a Lucélia rezava também.
Voltei pra cama, fiquei de quatro (essa era a posição mais confortável pra mim com as dores já insuportáveis) e fiz mais força. Eles diziam que dava até pra sentir com o toque a bossa do bebê (parte mole da cabecinha dele).
De repente tudo piorou! E eu senti naquele momento a pior dor de todas.
E não era uma contração e nem o bebê saindo, era uma câimbra. Parecia uma distensão muscular na região da virilha.
Essa dor era igual ou maior a dor que eu senti no dia em que quebrei a minha bacia no acidente que sofri. E eu a sentia mais forte durante a contração, ou quando eu tentava fazer força e empurrar.
Então, a partir desse momento, eu não consegui mais fazer força para fora e nem empurrar. Era impossível relaxar para o bebê descer. Eu trancava o períneo involuntariamente e fazia força inversa, para dentro por causa da cãimbra.
Isso aconteceu provavelmente porque fiquei muito tempo sem dormir durante esses dias todos, o corpo ficou cansado demais, a musculatura da região da virilha direita fadigou. Essa é exatamente a região onde eu fiz a cirurgia pelo acidente que disse anteriormente.
Comecei a gritar, e me desesperei. Eu ficava brava com todo mundo. Eu dizia que eles não estavam entendendo o que eu tava falando, que era minha perna, meus pinos que doíam e que eu não ia conseguir mais. Que eu precisava de anestesia.
Subi novamente pra sala de parto, e pedia uma Pele Dural pelo amor de Deus e pedia pra usarem o fórceps que eu não estava aguentando mais.
Eles e as enfermeiras tentaram me acalmar como se elas estivessem sentindo o que eu sentia, como se não fosse para tanto o meu desespero.
E eu ficava irritada, pois ninguém estava sentindo o que eu estava sentindo, a dor de parir juntamente com a dor de uma região acidentada gravemente.
E também ficava triste, como se as enfermeiras me olhassem e me julgassem pensando: “Tá vendo menina, quem mandou querer essa frescura de parto humanizado”.
Logo o médico plantonista chegou. Ele foi muito gentil todo o tempo. Pedia licença para tudo que ia fazer em mim. Ele fez um toque e disse que eu ainda tinha colo. O Meu médico e a minha parteira não acreditando que eu ainda estava com colo, me tocaram novamente, e confirmaram. Já estava em dez a dilatação e faltava só um pouco desse colo posterior dilatar para passar o fórceps, mas desse jeito eles não poderiam usá-lo. A Lu me disse que este colo parecia um papelzinho na cabeça do bebê. E se o puxassem com o fórceps, me machucariam.
Então, eu muito triste, pedi a cesárea!
Meu esposo tentou me convencer a não fazer a cesárea, porque ele não estava na sala hora que disseram que eu ainda tinha colo. E o médico e a Lucélia me diziam que faltava pouco. Mas eu já sabia, desde as cartas de tarô que não seria no jeito que eu queria. Então eu olhei no fundo dos olhos do médico, apertei a mão dele e disse: “Doutor, eu tenho força, e eu poderia conseguir, mas a minha perna não deixa!”
Então fomos para cesárea.
Foi muito difícil dar anestesia em mim, foram três picadas, pois eu tinha contrações e cãibras e meu corpo não parava pra acertar o lugar, e me disseram no outro dia, que a anestesista estava com começo de dengue, coitada.
O médico GO plantonista, super gentil, colocou uma música no celular dele pra eu relaxar mais durante a cirurgia.
Depois que essa bendita anestesia pegou e tudo adormeceu, aquela dor de dias e aquela cãibra passando, foi um alívio.
Ao mesmo tempo, uma tristeza gigantesca entrou em mim. Meu esposo me filmava com o celular e dizia que me amava e eu só sentia tristeza. Não conseguia nem chorar, era uma sensação de impotência, de nadar, nadar e nadar, e morrer na praia.
Em vez de estar emocionada com o nascimento do meu filho que eu tanto sonhei, eu sentia um vazio, sentia um nada ou então me sentia triste.
E ao mesmo tempo eu me culpava por estar me sentindo assim, então me sentia ainda pior por estar me sentindo triste.
Benjamin nasceu à meia noite e cinqüenta minutos do dia 28 de janeiro e veio pros meus braços após cortarem seu cordão umbilical. E eu só sabia lhe pedir perdão em pensamento. Não chorei. Não estava feliz. Mas eu deveria estar, e me culpava por isso.
Ele foi tão carinhoso, não queria soltar sua mãozinha do meu rosto. Quando tentavam afastá-lo de mim ele chorava, e quando voltavam a mãozinha para o meu rosto ele se acalmava.

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Hoje vejo as coisas de maneira diferente do que via naquele momento.
Foi um parto lindo, e eu ainda me culpo um pouco por não ter aproveitado mais aqueles momentos. Culpo-me por estar triste num momento lindo que eu deveria estar feliz. Mas era o meu estado, e eu tinha que passar por aquilo.
Fiquei sabendo depois que o Dr Paulo “raptou” o Benjamin do berçário por alguns minutos e o levou para meus pais, irmão, Su e Nath conhecer. Achei lindo isso.
11179815_818527021575238_45350142_oApós a cirurgia fui para a sala de recuperação. Não consegui dormir a madrugada inteira, sentia frio. E queria ver meu filho. Demorei mais de seis horas para começar a mexer uma das pernas e as enfermeiras não queria me levar para o quarto.
Eu chorava muito. Àquelas horas na sala de recuperação foi um martírio. Não podia fazer nada, não via meu filho, não via meu esposo e os pensamentos eram muitos. A tristeza era muita.
Pela manhã meu esposo me deu um tchauzinho da porta, e eu chorava, eu implorava para elas me levarem para o quarto. Mas elas diziam que eu tinha que mexer as duas pernas para me levar. Ai eu puxava a perna com as mãos e fui exercitando.
Mesmo assim não conseguia mexer totalmente. Então uma enfermeira resolveu me levar antes que trocasse o turno. Na verdade já se passavam das sete da manhã e ela já estava atrasada, acho mesmo que ela sentiu compaixão e resolveu me levar para o quarto.
Não me lembro muito bem a ordem dos acontecimentos no quarto também, mas lembro que foi super difícil passar da maca para a cama.
Não lembro quando o Benjamin chegou, ou se ele já estava lá quando cheguei.
Sei que o começo sempre é difícil pra mamar, mas até que ele pegou bem de início. Durante a madrugada que foi mais difícil a pega das mamadas.
Meu filho era lindo e eu me sentia bem fisicamente. Tava tomando remédio pra dores constantemente e depois que consegui sentar a primeira vez conseguia fazer varias coisas.
Mas aí tive mais uma coisa chata, chamada cefaléia. Eita dor de cabeça do cão viu!!!
Só ficava deitada e fiquei um dia a mais no hospital pra tentar melhorar. Mas ela persistiu por uma semana, inclusive na volta pra casa vomitei no carro, tamanha era a dor.
Meu puerpério foi difícil também por causa dessa cefaléia. E como só ficava deitada, não curtia o meu filho, pois raramente levantava da cama. Fazia tudo deitada. Amamentava, almoçava, jantava.
Minha sogra e minha mãe cuidavam das coisas de casa e ajudavam meu esposo com o bebe. A presença da minha sogra foi muito importante no meu puerpério, pois toda vez que eu chorava ela vinha com palavras amorosas como uma mãe mesmo.
Eu acho que precisei de um mês mais ou menos pra não ficar triste quando dizia às pessoas que não consegui um parto normal.
Mas na verdade hoje eu posso dizer que tive dois partos, um parto normal e uma cesárea. Até meu médico me disse isso em consulta depois do parto. Eu só não o senti passar pelo períneo/vagina. Do resto eu senti tudo.
E que o bebê já tinha engolido um pouco de mecônio, isso quer dizer que ele já tinha feito cocô dentro da bolsa. Um pouco é até normal, mas quando o tiraram da barriga ele fez muito cocô. Portanto eu tomei a decisão certa, pois eu iria precisar de umas duas horas se não tivesse tido as cãibras para conseguir expulsá-lo. E se fossemos esperar essas duas, ele engoliria mais cocô e entraria em sofrimento, correríamos mais riscos e iríamos para uma cesárea de emergência. Cortariam-me de qualquer jeito e provavelmente o bebê precisasse de alguns procedimentos de urgência e não poderia vir para mim como veio.
Hoje, relembrando e vendo as fotos e os vídeos, tenho certeza que era pra ser assim.
Posso até dizer que tive uma cesárea humanizada, pois os médicos foram ótimos e muito gentis, respeitaram minha decisão mesmo vendo que eu decidi no desespero. E até música colocaram durante a cirurgia como disse anteriormente.
Era um sonho de ter um parto normal na piscina ou banheira e ainda ser em casa. E passei esse sonho para meu esposo Anderson e também para minha família. Eu fiquei muito frustrada por bastante tempo.
E vejo que somos só seres humanos imperfeitos e não temos o controle das coisas, só Deus o tem.
Toda mulher foi feita pra parir, tem um corpo para isso, mas existem exceções, e a cesárea está aí pra isso.
Eu precisava parir isso. Esse ego meu. De querer do meu jeito. De querer que fosse lindo, só pra dizer: “olha gente, eu consegui”
Meu orgulho eu pari!”

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Vídeo do parto:

Relato de parto Poliana e Gael

Relato de parto domiciliar Poliana e Gael, realizada em São José do Rio Preto, com parteiras Lucélia Caires e Amélie Lecorné e doula Nathalie Gingold:

“Demorei um pouco para conseguir organizar as ideias e relatar sobre o dia 14 de outubro de 2014. Hoje, três meses depois, consigo raciocinar e escrever melhor sobre o nosso dia, meu e do Gael.
A decisão de viver um parto domiciliar se deu no último trimestre da gestação. Mesmo com a sugestão de uma querida amiga (Camila Marcelino) no início da gravidez, ainda tinha dúvidas. Dúvidas que foram sanadas com o tempo, com pesquisas, com conversas com profissionais, com mulheres mães, com senhoras que tiveram seus filhos em casa e com as mães do grupo Gaia.
Ao ver vídeos e depoimentos de nascimentos de bebês no hospital (natural ou cesária) e em domicílio, percebi que a melhor forma de receber meu filho neste mundo, seria em casa, no nosso canto, sem pressa. Compreendi que mãe e filho, ao nascerem, só querem se abraçar, se acalmar e iniciar essa nova vida, juntos.
Dizem na medicina, que o primeiro minuto de vida é o minuto de ouro, e é mesmo! Nascer não é fácil! O bebê que até então estava fisicamente ligado à mãe, agora é livre, seguirá sozinho por seu próprio corpo. É um choque! Recebê-lo da forma mais carinhosa possível, amparando-o nesse momento tão sensível, para mim, era o melhor a fazer.
Ter tido uma gestação tranquila (considerada de baixo risco) e apoio do meu marido, também foram fundamentais para a minha decisão; para o meu empoderamento, se posso assim dizer. Não me senti poderosa, nem nenhum adjetivo que me vangloriasse. Senti apenas, que estava decidindo ouvir o meu corpo, meu bebê, meu instinto. E assim foi feito.
Encontrar profissionais que acompanhassem meu parto foi difícil. Conheci a Lucélia primeiro. Enfermeira obstetra, baiana porreta e querida amiga, terá para sempre um papel super especial na minha vida. A Amelie foi outro presente de Deus. Enfermeira obstetra, francesa meio brasileira, foi o check mate para que o parto domiciliar se tornasse realidade. Com a equipe profissional formada, segui para o próximo passo.
Combinei que o nascimento do Gael seria no meu pequeno apartamento. O trabalho de parto e a concepção em si, aconteceriam ali. Tentava imaginar como seria o grande dia. Imaginei ter amigas e parentes comigo, fotógrafos e doula, e por fim, achei que iria me incomodar com a presença de muitas pessoas ao meu redor e resolvi resumir a equipe nas enfermeiras, no meu marido e em mim. Acreditei que por estar muito exposta, num momento muito íntimo, não me sentiria a vontade. Grande engano! Primeiro porque não me incomodei um segundo se quer com a observação de ninguém. Sinceramente, esse tipo de preocupação não pertence a uma mulher que está tendo um filho. Comprei um top para não deixar meus seios à mostra, e só me lembrei dele muito tempo depois. Ri da minha ingenuidade. Segundo, porque de última hora tive uma doula, a Nath, que já conhecia e veio por chamado da Lucélia com minha autorização, e foi fundamental. Ainda bem que ela estava ali.
As contrações começaram por volta das oito horas da manhã. Tinha dormido super bem, levantei, fui ao banheiro como de costume e vi algo gelatinoso que deveria ser o tampão. Falei com meu bebê… chegou o nosso dia…dia tão esperado….vou te ver! Voltei para cama e esperei ter outra contração para chamar o Gui. Tive. Ele correu pegar o celular pra usar o aplicativo de contagem de contrações que há tempos tinha instalado. Estavam de cinco em cinco minutos.
No dia anterior tinha nascido a Laura, acompanhada pela mesma equipe que a minha e o parto tinha sido longo, foram 43 horas e acabou as três da matina. A Amelie, que é de fora, me ligou perguntando se eu sentia que meu parto seria logo, pois assim ficaria em Rio Preto por mais dias. Eu estava completando 40 semanas, mas estava tão bem, que disse que não. Achava que o Gael nasceria mais pra frente, com 41 semanas talvez. Ela foi embora e o Gael resolveu nascer. rsrs
Após verificarmos a frequência das contrações, resolvi avisar a Lu. Como ela tinha ido dormir tarde, escrevi pelo whatsapp: Lu, as contrações começaram…. descanse e quando acordar me ligue. Ilusão minha, ela já estava trabalhando. Me ligou para sentir como eu estava (eu estava ótima) e disse que provavelmente eu estava com uns 2 dedos de dilatação, que assim que acabasse a reunião na qual estava passaria na casa dela, pegaria todos os equipamentos e viria. Combinado.
Ao desligar o telefone mergulhei no meu trabalho de parto. As contrações que até então eram fraquinhas foram se intensificando rapidamente, uma a uma. Deitada na minha cama, me concentrei na minha dor. Estava muito segura, tranquila. Entrei na força daquele momento. Não vi nada e não vi o tempo passar. Só ouvia repetidas vezes a música Madre tierra Madre vida, como um mantra…. e cantava, sozinha no quarto

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O Gui estava tentando organizar a casa como tínhamos pensado. Colocar música, preparar câmera e abrir espaço para a piscininha, mas hoje lembro que ele estava como uma barata tonta, meio perdido sem saber o que fazer primeiro…. levava o dobro do tempo em cada coisa. rs
Resolvi tomar um banho. Sentia uma dor no quadril, muito forte. Como as contrações eram intensas, tentei ficar ajoelhada….não deu. Voltei pra cama. Lembro-me de ter ido ao banheiro fazer numero 2. E foi como uma dor de barriga. Fiquei aliviada, porque não queria fazer cocô durante o parto, já que era uma possibilidade.
Tudo isso durou quatro horas, e para mim parece que tudo aconteceu em no máximo uma. Quando a Lucélia chegou já era meio dia e eu nem tinha percebido o tempo passar, estava em outra dimensão. Ela chegou e foi como um estalo. Acordei! E aí disse a ela….ou eu sou muito mole, ou o Gael já vai nascer…rs. As contrações ficaram ainda mais fortes, e nesse momento, com 4 horas de trabalho de parto, já estava nua, despida de qualquer vergonha, selvagem com a minha dor.
A Lu fez então o exame de toque e verificou 7 centímetros! Ligou para a Amelie no mesmo momento e recomendou que ela viesse logo, pois meu parto estava evoluindo muito rápido e talvez não desse tempo dela chegar. Com esta possibilidade a Lucélia perguntou se poderia chamar a Nath para ajudá-la. Claro que poderia! Pareceu que ela chegou em dez minutos, mas depois disse que chegou em casa por volta das 13:30. Após a chegada da Lu, comecei a me movimentar, até então só tinha levantado da cama para tomar banho. Não era fácil andar. Andava com ajuda. Me sentia aérea a tudo o que acontecia. Comecei a obedecer ao que diziam. Me pendurei na barra da porta. Os três me ajudaram. Isso foi muito bom, e aliviou um pouco a dor no quadril. De lá fui para o sofá, acho. E logo comecei a sentir vontade de fazer força. Como dizem, parece mesmo uma vontade de fazer cocô, mas diferente..rs A Lu percebendo, disse que era hora de ir para a piscina. Na piscina parece que o tempo parou. Já estava na fase do expulsivo, mas essas duas horas finais pareceram muito mais longas.
Não senti qualquer medo ou insegurança em nenhum momento. Acho que isso é empoderamento né? Mas não foi consciente, foi natural. Não pensei em ir para o hospital, porque sentia que estava tudo indo bem….e a cada segundo, estava mais próximo de então ver o meu bebê!
Nesse momento, dentro da piscina, consegui ouvir que tinha música no ambiente, uma seleção de músicas celtas que gostava. Vi as pessoas, o Gui, a Nath, a Lu! Até consegui me preocupar entre uma contração e outra que já devia ser tarde e ninguém tinha almoçado. Eu comia algumas coisas que me davam, lembro-me de chocolate…. e tinha tomado café da manhã também….mas não sentia fome….estava na FORÇA!
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E então, o Gael foi querendo sair, podia sentir a cabecinha dele, mas ainda estava na bolsa, meio gelatinosa. Me levantei e então a bolsa estourou, acho que eu estava abraçada ao Gui. Saiu um jato de água, como uma bexiga com água que estoura ao cair no chão…. e então pude sentir seu cabelinho….muito cabeludo! Eram os minutos finais do parto. Era tanta força que eu fazia, que as vezes saía um pouquinho de cocô….as meninas me socorriam….por isso que digo que trabalho de doula exige uma doação gigante! Rs… não senti vergonha…não tinha cabeça pra isso…só repetia baixinho para dentro de mim…..vem filho! Vem filho! E ele vinha….
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Gemi e gritei com uma voz que vinha da alma! Não imaginava que gritaria… mas me dava força. E assim, as 15:56, o Gael veio ao mundo! A Lucélia o recebeu gentilmente, pois eu não teria conseguido segurá-lo ao nascer….e então me entregou meu bebezinho lindo, calminho, meu pequeno samurai. Não acreditava que a gente tinha conseguido! Repeti isso umas vinte vezes ao ver o Gael…rs Eu, que nunca tinha sofrido dor na vida… consegui lidar bem com o parto…as contrações não me abalaram….e agora estava ali, com o serzinho que mais esperava encontrar em toda minha vida! Sempre quis ser mãe….amo ser uma! Para mim, esta experiência foi um presente divino! Uma honra!

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Infelizmente o parto não acaba aqui rsrs….achava que a dor tinha ido embora com a chegada do Gael…ilusão. Fomos para uma cama preparada para mim na sala de casa. O Gael me olhava com olhos vidrados….me apaixonei! A Nath colocou ele para mamar no meu seio. O Gui cortou o cordão após parar de pulsar. E a Lu finalizava os procedimentos do parto. Não tive laceração do períneo, o que foi um alívio para mim, mas conforme a Lu, tive um pouco de hemorragia, acabei sangrando mais que o usual para um parto normal. Ela conteve o sangramento com massagens na minha barriga para contrair o útero e com as mamadas do Gael. Parou rápido, ainda bem. E a placenta saiu íntegra logo em seguida. Lembro-me de ficar mentalizando…. contraia útero, contraia….deve ter ajudado.
A amamentação foi necessária naquele momento, mas sinceramente, se eu pudesse adiar, adiaria. Doeu muito. Sempre tive muita sensibilidade nos seios…. e aquelas pegadas do Gael eram uma tortura. Sei que é triste escrever isso, mas a amamentação para mim, desde a primeira pegada até mais ou menos um mês de puerpério foi difícil… exigiu muito de mim….mas valeu a pena! Hoje, segue uma beleza!
Voltando ao parto… a Amelie chegou logo após o nascimento do Gael. Foi o máximo que conseguiu fazer, já que mora há quatro horas daqui. Foi muito bom vê-la. Ela e a Lu conversaram sobre a necessidade de se dar uns pontinhos ou não na pele lacerada…. e decidiram por fazer. A Amélie ajudou nesse momento, e ao todo foram quatro pontinhos (filhos da mãe)… dois na parte superior e dois na parte inferior da vagina. Doeu, mesmo com anestesia local.
Tudo finalizado divinamente… estava tranquila, feliz com o Gui e o Gael ali comigo. E as meninas me autorizaram tomar um banho. Queria muito, mas ao levantar senti fraqueza. Fui devagarzinho ao banheiro, mas ao entrar no box, só consegui dizer…acho que vou desmaiar…rs acordei segundos depois com as três me segurando, abanando….não tinha percebido o desmaio….voltei a mim conversando normal, como se nada tivesse acontecido. Tomei o banho e fui me deitar com a minha cria.
Nisso eu já tinha avisado minha mãe que caiu no choro em mistura de alívio e felicidade. Só repetia graças a Deus, graças a Deus!…e eu digo…Graças a Deus por fazer a natureza da mulher e do nascimento tão perfeitamente, e por colocar no meu caminho pessoas tão sensíveis e especiais.
E assim, ao final de oito horas de trabalho de parto, celebramos a chegada do Gael brindando com um pedacinho de placenta cada um! A priori pareceu uma ideia difícil de conceber, mas com um toque de shoiu, até que não ficou nada mal.. kkkk
Gratidão aos meus pais e irmãs que souberam aceitar minha decisão, ao Gui que me respeitou e me deu força sendo um verdadeiro parceiro de vida, às meninas Lu, Nath e Amelie pelo profissionalismo e carinho imenso comigo, ao grupo Gaia por me permitir conhecer pessoas que me fortaleceram, à Talita, Isa, Nayara e Mariana, que foram doulas também por estarem sempre tão dispostas a me ajudar! Gratidão à vida por este presente!”

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O amor e suas delicadezas

“Sou mãe sozinha de um bebê de quase 6 meses. Percebi minha necessidade em enquadrar o comportamento dele em alguma das fases típicas do seu desenvolvimento. Não que elas não existam. Acredito sim que existem períodos críticos em que nossos bebês precisam de mais atenção. Mas fui, mais uma vez, no fundo do meu lodo, da minha lama, pra descobrir por que a carência dele me incomodava tanto.

Cresci no meio de exemplos de mulheres que não eram amadas. E que não se deixavam amar. Não podia. Mulher tem que ser forte, até mesmo as crianças, viu Heloisa? Não deve chorar com medo de pesadelo e nem pelo machucado que sangra pele a fora. Aí virei mãe. Tentei reproduzir o padrão já estabelecido e tão arraigado da super mãe que não reclama, que dá conta de tudo (mesmo não dando), que não chora (mesmo chorando no banho, pra confundir lágrima com água, sabe?), que ama a cria 24h por dia, 365 dias no ano, que se doa incansavelmente. Convenhamos: isso existe? Até eu não gosto de mim mesma em determinados momentos da vida! Senti-me culpada por querer estar só, por ter que amamenta-lo, enquanto a minha vontade era sair correndo.

Revoltei-me por ser mulher e ter que me ajustar nesse padrão de que mãe doa amor ao filho e esqueci-me de ver que ele também me ama.

Aquarela de Irene Olid Gonzalez

Me ama quando estende seus bracinhos pedindo colo, me ama quando faz bico pedindo colo, me ama quando vira os olhinhos como quem diz: “esse leite é gostoso demais, mãe!”, me ama quando acorda escancarando um sorriso que ilumina mais que o Sol. Ele me alimenta do mais puro amor. Ele me dá colo. Enxuga minhas lágrimas quando me vê chorando. Eu me abri pro amor.

Deixei pra trás a carga carregada pelas minhas ancestrais. Ficou lá no passado.
Eu também mereço ser amada. E você também.”


Texto pela querida Isa Rebello

Para mamãe recém-nascidas

Alguns links bacanas para quem acabou de ter um bebezinho (por Adele Doula )

– A Fusão Emocional | por Laura Gutman:http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/03/26/a-fusao-emocional-por-laura-gutman/

– A Amamentação:http://adeledoula.blogspot.com.br/2012/06/amamentacao.html

– Vídeo: a pega: http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/01/08/video-latching-on-tips-for-breastfeeding/

– Amamentação em Livre Demanda: o que é realmente?http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2012/12/06/amamentacao-em-livre-demanda-o-que-e-realmente/

Foto por Sarah Photography http://capturedbysarah.com/
Foto por Sarah Photography
http://capturedbysarah.com/

 

– Tem mesmo pouco leite? Baixo peso? NAN é a solução?http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/08/29/tem-mesmo-pouco-leite-baixo-peso-nan-e-a-solucao/

– Lugar de recém-nascido é no peito!http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/06/14/lugar-de-recem-nascido-e-no-peito/

– Evolução, extero-gestação e como sobreviver aos 3 primeiros meses do bebê: http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/04/25/evolucao-exterogestacao-e-como-sobreviver-aos-primeiros-tres-meses/

– Teoria da extero-gestação para bebês novinhos:http://www.facebook.com/notes/solu%C3%A7%C3%B5es-para-noites-sem-choro/teoria-da-extero-gesta%C3%A7%C3%A3o-para-beb%C3%AAs-novinhos/224031814287902

– Teoria da extero-gestação, angústia da separação e criação com apego:http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2012/12/20/teoria-da-extero-gestacao-angustia-da-separacao-e-criacao-com-apego/

– Porque o bebê chora quando a mãe sai do quarto? | por Carlos Gonzalez:http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/03/03/por-que-o-bebe-chora-quando-a-mae-sai-do-quarto-por-carlos-gonzalez/

– Fases de crescimento e desenvolvimento que modificam o sono do bebê e da criança: http://guiadobebe.uol.com.br/fases-de-crescimento-e-desenvolvimento-que-modificam-o-sono-do-bebe-e-da-crianca/

– 8 fatos sobre o sono dos bebês que todo pai e toda mãe deveriam saber:http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/08/27/8-fatos-sobre-o-sono-dos-bebes-que-todo-pai-e-toda-mae-deveriam-saber/

– O efeito vulcânico – por que o sono inadequado durante o dia, falta de sonecas ou sonecas curtas resulta em extrema irritação e luta contra o sono?: http://guiadobebe.uol.com.br/o-efeito-vulcanico-por-que-sono-inadequado-durante-o-dia-falta-de-sonecas-ou-sonecas-curtas-resulta-em-extrema-irritacao-e-luta-contra-o-sono/

– Chupeta: o que toda mãe (e pai) deveria saber:http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/09/chupeta-o-que-toda-mae-e-pai-deveria.html

– Higiene com (ou sem) fraldas – Elimination-Communication:http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/09/03/higiene-sem-ou-com-fraldas-elimination-communication/

*Se tiver outro texto legal para recomendar, por favor, coloque-o nos comentários!

10 motivos para amamentar

“Desde 1991, a Organização Mundial de Saúde, em associação com a UNICEF, tem vindo a empreender um esforço mundial no sentido de proteger, promover e apoiar o aleitamento materno.

As recomendações da Organização Mundial de Saúde relativas à amamentação são as seguintes:

  • As crianças devem fazer aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses de idade[1]. Ou seja, até essa idade, o bebé deve tomar apenas leite materno e não deve dar–se nenhum outro alimento complementar ou bebida.

  • A partir dos 6 meses de idade todas as crianças devem receber alimentos complementares (sopas, papas, etc.) e manter o aleitamento materno.

  • As crianças devem continuar a ser amamentadas, pelo menos, até completarem os 2 anos de idade.”

Por Bibliografia da Doula

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