Ensaio Larissa à espera de Vicente

Oração Lakota
“Wakan Tanka, Grande Mistério,
ensine-me a confiar
em meu coração,
em minha mente,
em minha intuição,
em minha sabedoria interna,
nos sentidos de meu corpo,
nas bênçãos do meu espírito.
Ensine-me a confiar nestas coisas,
para que possa entrar em meu Espaço Sagrado
e amar além do meu medo,
e assim Caminhar com Beleza
com a passagem de cada Sol glorioso.”

De acordo com o Povo Nativo, o Espaço Sagrado é o espaço entre a exalação e a inspiração.
Caminhar em com Beleza é ter o Céu (espiritualidade) e a Terra (físico) em Harmonia.

Nos ensaios fotográficos busco não só fotografar as pessoas, mas sim, ter um momento de quietude, de conexão com a natureza, consigo mesmo, com os ciclos internos. Pois acredito que a beleza está nesta conexão, nesta harmonia.

Busco muito mais que fazer um ensaio fotográfico, busco abrir um portal de beleza para cada uma das pessoas que estão participando, para que elas se reconheçam como parte de toda a beleza que existe no universo, e que esta beleza toda está primeiro dentro de nós.

Dedico este ensaio e a oração a Larissa, Renan e Vicente, que formam esta família linda e cheia de luz. Que vocês se reconheçam na beleza que exalam.

Equipe técnica:
Nathalie Gingold, fotografia e edição
Fernando Macaco, assistente de fotografia
Tamires Martins, making of e assistência

Equipe

Local: Duplo Céu, SP (Cachoeira do Talhadão)

Espero que gostem do resultado:

Making Of:

Cura

” Cada mulher que cura a si mesma contribui para curar a todas as mulheres que a precederam e a todas aquelas que virão depois dela”.

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“Eu chamo a força, eu chamo a força
eu chamo a força
força das pedras para me firmar
Eu chamo a terra, eu chamo a terra
eu chamo a terra
eu chamo a terra para me enraizar

****

Eu chamo o vento, eu chamo o vento
eu chamo o vento
eu chamo o vento vem me elevar
Eu chamo o fogo, eu chamo o fogo
eu chamo o fogo
eu chamo o fogo para me purificar

****

Eu chamo a Lua, chamo o Sol
chamo as Estrelas
Chamo o Universo para me iluminar
Eu chamo a água, chamo a chuva
e chamo o rio
Eu chamo todos para me lavar

****

Eu chamo o raio, o relâmpago e o trovão
Eu chamo todo o Poder da Criação
Eu chamo o mar, chamo o céu e o infinito
Eu chamo todos para nos libertar

****

Eu chamo Cristo, eu chamo Budha
Eu chamo Krishna
Eu chamo a força de todos Orixás
Eu chamo todos com suas forças Divinas
Eu quero ver o Universo iluminar

****

Eu agradeço pela vida e a coragem
Ao Universo pela oportunidade
E a minha vida eu dedico com amor
Ao sonho vivo da nossa humanidade

****

Sou mensageiro, sou cometa, eu sou indígena
Eu sou filho da nação do Arco Íris
Com meus irmãos eu vou ser mais um guerreiro
Na nobre causa do Inka Redentor

****

Eu sou guerreiro, eu sou guerreiro e vou lutando
A minha espada é a palavra do amor
O meu escudo é a bondade no meu peito
E o meu elmo são os dons do meu Senhor

****

Eu agradeço a nossa Mãe e ao nosso Pai
E aos meus irmãos por todos me ajudar
A minha glória para todos eu entrego
Porque nós Todos Somos Um nesta união

****

Ñdarei a sã
ñdarei a sã
ñdarei a sã

****

Desde o principio Todos Nós Somos Irmãos!

****

Orei ouá
Orei ouá
Orei ouá

****

Viva o Poder de todo o Universo!”

Autor: Lucy Sem Fronteiras – Artigo original do Blog Amor e Paz Sem Fronteiras: http://www.amorepazsemfronteiras.com/2010/10/guerreiros-da-paz-hino-xama-pela-paz.html#ixzz3h6Dgf5hU

Águia

“Águia…

Voe alto,

e toque o Grande Espírito

Partilhe comigo sua energia,

Toque-me, honre-me

para que eu possa

conhecer-te também”.
(Jamie Sams/ David Carson)

Por conta da sua capacidade de estar nas alturas, a águia é um animal que possui uma ligação com o Divino. Consegue transitar entre os mundos material e espiritual, levando as preces dos homens para o Grande Espírito e trazendo Suas bênçãos ao mundo terreno. É também um animal solar.

Vamos neste momento nos conectar à grande energia, que permeia nossos sonhos, pensamentos, crenças e permitir que a nossa visão se abra para além deste mundo aparente.
O mundo físico é uma centelha do Grande Mundo Total, onde podemos ver a conecção entre todas as energias, onde entendemos o movimento das ondas conectadas aos astros.

Vamos ver além para conseguirmos ter uma visão diferenciada das situações problemáticas, uma vez que enxergarmos tudo do alto.

Simboliza também a renovação, pois em determinada fase de sua vida, a águia passa por um difícil, doloroso e longo processo de deixar renascer seu bico e suas garras, para que possa continuar a viver. Por isso, a águia é considerada guerreira e representa a coragem.
Ela nos mostra que para irmos além, para podermos mergulhar no abismo sem medo, temos que nos desprender de antigas defesas, mecanismos de força e transmutar a segurança.

Suas penas costumam ser utilizadas pelos xamãs em trabalhos de cura.

A partir das lições da águia, podemos aprender a ter mais fé em nós mesmos, nos permitindo ter coragem encarar e renovar , nossas forças, as nossas fraquezas. Ela também pode nos ensinar a ter a fé no Divino, através de nossas orações que podem por ela serem levadas ao mundo espiritual.

Este texto foi escrito inspirado pelo livro Cartas Xamânicas, dos autores Jamie Sams e David Carson. Caso queira compartilhar, não se esqueça de citar a autoria!

 

Sobre o desmame

Quando eu comecei a amamentar meu segundo filho, tudo foi muito lindo e tranquilo, pegou certinho, mamava bem , eu produzia leite para caramba e tudo seguiu. Era livre demanda, sem mamadeiras e chupetas, só colo, muito sling e poucas horas de sono seguidas.
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E depois de um ano e meio neste ritmo (depois dos 5 – 6 meses, ele começou a comer também, mas não entendo que a amamentação seja somente por necessidade de nutrição alimentar) me dei conta que não sabia como parar, como voltar a trabalhar, qual seria o momento ideal (sendo que eu podia escolher, pois meu trabalho me permite) e como fazer isso acontecer com respeito a mim e ao meu filho.
Adianto que não encontrei muitos textos sobre os assuntos, na maioria era sempre com um jeito mágico, que parecia muito lindo na teoria, mas na prática não rolava. E eu estava na idéia de sentir o momento, de sentir a necessidade de meu filho…de aprender do meu jeito mesmo, ou melhor, do nosso jeito.

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Bom, aos poucos percebi que ja estava no processo de desmame sem perceber.

Ele rolou de maneira bem gradual, tenho um companheiro e ajuda mto.
Comecei com pequenos intervalos, onde meu filho ficava com o pai enquanto eu ia trabalhar e tals (isso por volta de um ano de idade), e então os intervalos foram aumentando.
Depois aumentei os intervalos e comecei a deixar ele dormir sem mim as vezes (qdo eu nao estava em casa), ele e meu marido descobriram um jeito deles de ficarem bem, de dormir e tudo mais. Eles tinham o próprio jeitinho de ficar juntos, de dormir, de comer….Isso tudo sem mamadeiras ou chupetas.

Por volta de um ano e meio ele começou a dormir por mais tempo a noite, as vezes soltava naturalmente o peito pra dormir. E aos poucos eu também comecei a regular e negar as mamadas diurnas (pois eu ficava fora, e assim que chegava ele já queria o peito), e então eu negava e tentava distrair com outras coisas, conversava e tals, e aí, por volta dos dois anos as mamadas eram somente para dormir (seja a tarde, seja a noite) e incrivelmente ele começou a dormir por mais tempo, e somente as vezes acordava de madrugava (e mamava pra voltar a dormir).
Comecei a não dar o peito quando ele pedia, mas sim quando eu achava importante.
E me toquei que eu, muitas vezes, socava o peito quando não sabia o que fazer…não buscava alternativas (e nem achava que tinha) e pronto. Me dei conta que não pensava mais sobre o assunto, só dava o peito para ele ficar de boas e eu conseguir fazer minhas coisas (tipo, escrever no pc com o filho grudado era algo bem comum). E resolvi mudar isso. E rolou lindamente. Ficamos assim por uns meses, por volta dos dois anos.

E há pouco menos de dois meses comecei a negar o peito para dormir. E aí comecei a me virar com alternativas…. era colinho, musiquinha, carinho. E a cada dois dias rolava uma mamada, mas era no meu tempo, tipo, mamava um pouco (também para aliviar o peito, que ainda estava produzindo leite) e ia dormir.

Ele teve momentos de choro (meu também), mas senti que era o momento, conversei muito com meu marido, com amigas..e tava decidido. E quando consegui aconteceu algo incrivel e inesperado….ele começou a demonstrar carinho como nunca!
Sabem, ele agora vem pro meu colo e me abraça, me beija…. para dormir ele ouve as canções, escuta historinhas, ganha e pede muito carinho…e tudo isso era feito pelo peito. Só pelo peito. Tipo um ser mesmo. Ele só vinha pro meu colo porque queria mamar e ja grudava no peito. Eu tentava dar carinho para dormir, e ele ja queria a teta. Eu tentava dar ou pedir qualquer carinho, beijinho e abraços, mas era sempre a teta.

E olha, esse carinho é uma delicia ❤ Me senti muito feliz e confiante, tanto nele e sua maturidade, quanto em mim e nas decisões relativas ao desmame que tomei.

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(ah, e preciso comentar que tb rolou o desfralde, quase que junto ao desmame)

Sinto que precisamos falar muito sobre isso, discutir, entender, desabafar, pois acabamos por achar que devemos dar e receber todo o carinho entre mães e filhos através do peito. Só do peito. Pois é bacana a tal da livre demanda, e sim, é gostoso ficar grudadinha “sendo necessária”. E sim, é um ótimo e importante ponto de envolvimento emocional, mas não devemos esquecer que ele não é o único. Assim como nós, mães. Somos um ponto importante para o desenvolvimento emocional, mas não somos o único.

Permitir que outras pessoas cuidem de nossos filhos, permitir outras maneiras de carinho, permitir que nós mesmas possamos ter outros meios de prazer e cuidar, é permitir um passo, é permitir que o amor se espalhe e (ao contrario do achamos e do que dizem) ele se torne mais forte. E é também permitir a tão buscada liberdade, seja para nós, seja para eles .

Liberdade requer muita coragem para assumir nossos passos e assumir que muitas vezes nós é que estamos apegadas.

E quando comentei que chorei, foi por isso…pelo meu apego, em saber que agora ele ja está virando um meninão, que não precisa “só” de mim, das minhas tetas e atenção, que sou , de certa forma, dispensável, que ele já pode “viver” de boas com o auxilio de outras pessoas. É lindo e dificil. Como tudo, né. Pois sei bem o quanto ele ainda precisa de mim, mas a forma está mudando.

É lindo eu poder ir trabalhar, mas é dificil ficar longe da cria.
É lindo ver ele independente, mas é difícil assumir isso para mim, como mãe.
É lindo entender que ser mãe é também aprender sobre liberdade, pois sempre me ensinaram que ser mãe era aprender e se submeter a sofrimento e dependência, que isso é que era amor. Amor de mãe. Mas o que sinto é que amar de verdade é confiar, aceitar e seguir, com muito respeito a nós e aqueles que cuidamos.

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É lindo e dificil. Mas é vida, né. Tudo nasce, morre, nasce….

A Lua Vermelha

Na Antigüidade, o ciclo menstrual da mulher seguia as fases lunares com tanta precisão que a gestação era contada por luas. Com o passar dos tempos, a mulher foi se distanciando dessa sintonia e perdendo, assim, o contato com seu próprio ritmo e seu corpo, fato que teve como conseqüência vários desequilíbrios hormonais, emocionais e psíquicos. Para restabelecer essa sincronicidade natural, tão necessária e salutar, a mulher deve se reconectar à Lua, observando a relação entre as fases lunares e seu ciclo menstrual. Compreendendo o ciclo da Lua e a relação com seu ritmo biológico, a mulher contemporânea poderá cooperar com seu corpo, fluindo com os ciclos naturais, curando seus desequilíbrios e fortalecendo sua psique.
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Para compreender melhor a energia de seu ciclo menstrual, cada mulher deve criar um Diário da Lua Vermelha, anotando no calendário o início de sua menstruação, a fase da lua, suas mudanças de humor, disposição, nível energético, comportamento social e sexual, preferências, sonhos e outras observações que queira.

Para tirar conclusões sobre o padrão de sua Lua Vermelha, faça essas anotações durante pelo menos três meses, preferencialmente por seis. Após esse tempo, compare as anotações mensais e resuma-as, criando, assim, um guia pessoal de seu ciclo menstrual baseado no padrão lunar. Observe a repetição de emoções, sintonias, percepções e sonhos, fato que vai lhe permitir estar mais consciente de suas reações, podendo evitar, prever ou controlar situações desagradáveis ou desgastantes.

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(Réplicas de um útero normal e um útero menstruando)

Do ponto de vista mágico, há dois tipos de ciclos menstruais determinados em função da fase lunar em que ocorre a menstruação. Quando a ovulação coincide com a lua cheia e a menstruação com a Lua Negra (acontece nos três dias que antecedem a lua nova, entendido como o quinto dia da lua minguante), a mulher pertence ao Ciclo da Lua Branca. Como o auge da fertilidade ocorre durante a lua cheia, esse tipo de mulher tem melhores condições energéticas para expressar suas energias criativas e nutridoras por meio da procriação.

Quando a ovulação coincide com a lua negra e a menstruação com a lua cheia, a mulher pertence ao Ciclo da Lua Vermelha. Como o auge da fertilidade ocorre durante a fase escura da lua, há um desvio das energias criativas, que são direcionadas ao desenvolvimento interior, em vez do mundo material. Diferente do tipo Lua Branca, que é considerada a boa mãe, a mulher do Ciclo Lua Vermelha é bruxa, maga ou feiticeira, que sabe usar sua energia sexual para fins mágicos e não somente procriativos.
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Ambos os ciclos são expressões da energia feminina, nenhum deles sendo melhor ou mais correto que o outro. Ao longo de sua vida, a mulher vai oscilar entre os ciclos Branco e Vermelho, em função de seus objetivos, de suas emoções e ambições ou das circunstâncias ambientais e existenciais.

Além de registrar seus ritmos no Diário da Lua Vermelha, a mulher moderna pode reaprender a vivenciar a sacralidade de seu ciclo menstrual. Para isso, é necessário criar e defender um espaço e um tempo dedicado a si mesma. Sem poder seguir o exemplo das suas ancestrais, que se refugiavam nas Tendas Lunares para um tempo de contemplação e oração, a mulher moderna deve respeitar sua vulnerabilidade e sensibilidade aumentadas durante sua lua. Ela pode diminuir seu ritmo, evitando sobrecargas ao se afastar de pessoas e ambientes carregados, não se expondo ou se desgastando emocionalmente, e procurando encontrar meios naturais para diminuir o desconforto, o cansaço, a tensão ou a agitação.

Com determinação e boa vontade, mesmo no corre-corre cotidiano dos afazeres e obrigações, é possível encontrar seu tempo e espaço sagrados para cuidar de sua mente, de seu corpo e de seu espírito. Meditações, banhos de luz lunar, água lunarizada, contato com seu ventre, sintonia com a deusa regente de sua lua natal ou com as deusas lunares, viagens xamânicas com batidas de tambor, visualizações dos animais de poder, uso de florais ou elixires de gemas contribuem para o restabelecimento do padrão lunar rompido e perdido ao longo dos milênios de supremacia masculina e racional.

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O mundo atual – em que a maior parte das mulheres trabalha – ainda tem uma orientação masculina. Para se afastar dessa influência, a mulher moderna deve perscrutar seu interior e encontrar sua verdadeira natureza, refletindo-a em sua interação com o mundo externo.

A história da Primeira Mulher (contada por Miranda Gray)

Na nossa menstruação mora um segredo – o poder criativo de gerar nossos sonhos. Mas só poderemos acessar essa habilidade maravilhosa se descansarmos e sonharmos durante o sangramento lunar. Este mês, prometa a si mesma que vai descansar, para sonhar acordada o seu futuro e honrar essa habilidade criativa maravilhosa do seu interior.

“A Anciã Invernal estava sentada numa grande pedra fumando seu cachimbo.

‘O que a senhora está fazendo?’, perguntou a Primeira Mulher, curiosa, porque a Anciã Invernal não havia se movido da pedra durante toda a manhã.

‘Estou criando’, disse a Anciã Invernal.

‘Oh’, disse a Primeira Mulher, olhando ao redor cheia de expectativa. ‘O que está criando?’

‘Fumaça’, disse a Anciã Invernal, olhando a fumaça que lentamente emergia do cachimbo.

‘Ok então’, disse a Primeira Mulher, hesitante, e começou a afastar-se.

Quando a Primeira Mulher já tinha ido embora, Anciã Invernal disse baixinho: ‘Na fumaça, vejo e crio o futuro’.

Mais tarde, a Primeira Mulher compartilhou esse encontro estranho com a Mãe Lua.

‘Na escuridão do seu Sangramento Lunar’, explicou a Mãe Lua, ‘você tem o poder de criar seus sonhos como a Anciã Invernal’.

Mãe Lua toca o coração da Primeira Mulher.

‘Imagine seus sonhos aqui’, ela disse, ‘abra seu coração e a vibração fluirá através dos fios que mantêm o Universo unido para criar seus sonhos e o seu futuro. Por isso o momento do seu Sangramento Lunar é tão importante. É quando a Anciã Invernal caminha contigo e te leva para a caverna para descansar e sonhar.’

Mãe Lua tocou o ventre da Primeira Mulher.

‘Aqui’, ela disse, ‘você flui com a energia criativa. Você traz suas ideias da escuridão para a luz e, como uma mãe, você as nutre enquanto vão crescendo. Antes de retornar à escuridão para descansar, você as lança ao mundo e assim poderá sonhar de novo.’

A Primeira Mulher sentou o resto da noite com as suas mãos no baixo ventre, olhando a fumaça que emergia da lareira, imaginando o futuro e tecendo seus sonhos.”

Quando respeitamos nossos ciclos com suas energias sexuais e criativas, descobrimos os presentes maravilhosos que eles nos oferecem.

Amor e abraços.

O amor e suas delicadezas

“Sou mãe sozinha de um bebê de quase 6 meses. Percebi minha necessidade em enquadrar o comportamento dele em alguma das fases típicas do seu desenvolvimento. Não que elas não existam. Acredito sim que existem períodos críticos em que nossos bebês precisam de mais atenção. Mas fui, mais uma vez, no fundo do meu lodo, da minha lama, pra descobrir por que a carência dele me incomodava tanto.

Cresci no meio de exemplos de mulheres que não eram amadas. E que não se deixavam amar. Não podia. Mulher tem que ser forte, até mesmo as crianças, viu Heloisa? Não deve chorar com medo de pesadelo e nem pelo machucado que sangra pele a fora. Aí virei mãe. Tentei reproduzir o padrão já estabelecido e tão arraigado da super mãe que não reclama, que dá conta de tudo (mesmo não dando), que não chora (mesmo chorando no banho, pra confundir lágrima com água, sabe?), que ama a cria 24h por dia, 365 dias no ano, que se doa incansavelmente. Convenhamos: isso existe? Até eu não gosto de mim mesma em determinados momentos da vida! Senti-me culpada por querer estar só, por ter que amamenta-lo, enquanto a minha vontade era sair correndo.

Revoltei-me por ser mulher e ter que me ajustar nesse padrão de que mãe doa amor ao filho e esqueci-me de ver que ele também me ama.

Aquarela de Irene Olid Gonzalez

Me ama quando estende seus bracinhos pedindo colo, me ama quando faz bico pedindo colo, me ama quando vira os olhinhos como quem diz: “esse leite é gostoso demais, mãe!”, me ama quando acorda escancarando um sorriso que ilumina mais que o Sol. Ele me alimenta do mais puro amor. Ele me dá colo. Enxuga minhas lágrimas quando me vê chorando. Eu me abri pro amor.

Deixei pra trás a carga carregada pelas minhas ancestrais. Ficou lá no passado.
Eu também mereço ser amada. E você também.”


Texto pela querida Isa Rebello

Sobre nossa menstruação

Mais amor ao nosso corpo, aos nossos ciclos, à nossa sacralidade ❤

6 fatos incríveis que você não sabia sobre sua própria menstruação:
1) o sangue purifica: o ciclo menstrual renova os tecidos uterinos, eliminando energias que não nos servem mais. o útero se contorce, expulsando mágoas, tristezas e impurezas. é uma oportunidade para que todo o nosso corpo e alma também se regenerem, avaliando nossas próprias necessidades e o que devemos deixar ir com o sangue sagrado.

no nível físico, a menstruação age como uma proteção ao aparelho reprodutor feminino, deixando-o mais forte devido aos estrogênios naturais e demais hormônios.

2) é uma grande lição sobre a morte: a menstruação, ou seja, o despedir-se da semente não germinada, é uma pequena morte. a energia é, realmente, de perda – por isso muitas de nós ficamos mais frágeis e sensibilizadas durante o período. no entanto, é um ritual bonito, que deve ser encarado com leveza. ao menstruarmos, compreendemos profundamente os ciclos de vida e morte, sendo mesmo responsáveis por esse ciclo – como as deusas que somos.

3) é poderosa: quando menstruadas, ficamos mais intuitivas, sensitivas e conectadas às deusas. era através deste “estado alterado” de consciência que, na antiguidade, xamãs, bruxas, sacerdotisas e curandeiras recebiam suas respostas de luz, pois a conexão com o divino fica extremamente fortalecida.

4) é altamente nutritivo: plantinhas ficam felizes quando regadas com o sangue menstrual, pois é fertilizante. o ideal é que se use um copinho menstrual e, diariamente, despeje o sangue nele contido em um jarro. depois é só completar com água e alimentar suas plantinhas. explico: o sangue menstrual contém três nutrientes importantes para as plantas – fósforo, potássio e nitrogênio. essa tríade é essencial para que os vegetais cresçam fortes e sobrevivam às intempéries. o nitrogênio auxilia no crescimento das plantas, deixando-as verdinhas e bem vivas.

5) a abertura e desejo sexual aumentam: quando menstruadas, muitas mulheres atingem o ápice do seu tesão. o que é incrível, pois durante esse período estamos muito mais perceptivas, conectadas ao nosso instinto selvagem e extremamente receptivas.. a experiência de partilhar esse momento, de uma energia TÃO intensa, com outra pessoa é única e maravilhosa. recomendo!

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6) nosso ciclo se conecta com os ciclos lunares: como somos cíclicas, nada mais natural que sejamos conectadas com a energia mais cíclica e feminina da terra: a lunar.

os dois ciclos lunares/femininos são:

ciclo da lua branca: mulheres que ovulam durante a lua cheia e menstruam na lua negra. criatividade direcionada ao mundo exterior.

ciclo da lua vermelha: mulheres que ovulam durante a lua negra e menstruam na lua cheia. criatividade voltada ao mundo interior.

O primeiro mês

Hoje eu vou tentar descrever um pouco sobre o primeiro mês de nascimento do meu segundo filho, o Aldebaran. Este post era para ter sido publicado lá em julho de 2013, mas, depois de ler o texto, você vai entender porque ele só foi terminado e publicado hoje.
Ele nasceu de parto domiciliar, no dia 14 de Maio/2013, se quiser, leia o relato aqui:

Achei interessante escrever sobre este primeiro mês pois, assim como várias outras coisas que envolvem o universo da maternagem, a maioria das mulheres não fala sobre isso, a sociedade finge que entende, e quem ta passando pelo momento se sente a mais desprezível e incompreendida criatura. Saiba que, você, que está nos primeiros meses de nascimento de seu bebê, não está sozinha. Somos uma legião de solitárias surtadas.

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Só para esclarecer, nesta gravidez e parto, eu estive muito mais ativa, empoderada (com o poder) de meu corpo e aberta ao aprofundamento de sentimentos, o que, eu imagino, tenha permitido que eu entrasse em contato com esse “outro” lado da maternagem. E ter tido um parto normal, onde a recuperação é a jato, fez com que eu me sentisse mais deslocada ainda. Vou explicar melhor.

Quando um bebê nasce, mesmo que seja o segundo, o primeiro, o décimo, nasce também uma nova mãe. O processo é longo e se repete a cada gravidez, você engravida e vai descendo pro fundo do oceano de emoções e mistérios. Quando você chega ao ponto máximo de profundidade, onde tudo está obscuro, tudo é lento, simbólico e denso ele nasce. E conforme os meses vão passando, você vai subindo de volta à superfície. Mas veja bem, você foi bem fundo, pra voltar é um longo e escuro caminho, não ache que vai ser fácil ou rápido. Talvez se falássemos sobre isso, se fôssemos preparadas e respeitadas neste momento, talvez ( eu disse talvez) o momento fosse mais tranquilo. Mas não é. Aquela ansiedade pro nascimento do bebê envolvia muito mais do que o simples “quero muito ver a carinha dele”, envolvia uma vontade de ter seu corpo de volta, de ter suas atividades recuperadas, de ter uma rotina “normal”, de poder andar um dia todo e não se sentir como se tivesse feito uma maratona de São Silvestre, de poder se sentir atraente e gostosa novamente, enfim, sabemos, mesmo que no fundo, que a gravidez, por mais linda e mágica que seja, cansa. Até a mais saudável das grávidas. E não tem nada de errado nisso.

Bom, aí o bebê nasce, e você sente aquele alívio, a rotina muda mas… a gravidez meio que continua (para o nosso desespero), pois embora o cordão umbilical físico tenha sido cortado, o emocional e simbólico está a todo o vapor. Isso sem falar na loucura hormonal.  Ainda mais se você, assim como eu, não mora com familiares (aqui em casa sou eu, meu marido e minha filha), está amamentando em livre demanda, faz cama compartilhada, é “adepta” da criação com apego, tem gato, cachorro, trabalha em casa e por conta, etc.

Você se adequa ao ritmo do pequeno, tenta entender seu choro, tenta acalmá-lo, tenta comer, tenta se acalmar, tenta tomar banho, tenta, tenta, tenta… e parece que tá tudo errado. Isso sem falar no básico, que é dormir conforme o sono do bebê , ou seja, picadinho. Tem noites que ele dorme 3h, outras 4h, outras nada. E sempre comentam: ah, aproveita quando ele estiver dormindo durante o dia e dorme também. Mas gente, eu já não estou aproveitando nada, e ainda vou dormir quando ele dorme, durante o dia? Eu quero conversar, ver um filme, comer, tomar banho…tem tanta coisa.

Mas o sono bate, e muitas vezes eu vou MESMO dormir com ele em horários nada convencionais. E ai você percebe que não tem mais momentos de “não-mãe”. Aí você pensa que é assim mesmo, uai, você vai SIM ser mãe pro resto da vida, mas nestes primeiros meses, é diferente. E essa é outra coisa que nunca nos disseram: – Você também está engatinhando. Aprendendo a lidar com essa nova vida, a sua e a dele. E sabe como tudo isso vai se resolver? Com o nosso amigo, o Tempo .
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O tempo nos ensina a entender os choros, a saber quando devemos ouvir nossa intuição, quando devemos calar pensamentos, quando simplesmente aceitamos que não somos donas da verdade e que sim, as vezes erramos, as vezes acertamos, mas sempre abertas a aprender.

E temos também um outro aliado nesse momento, aquele tímido na nossa sociedade: O Colo. E não digo qualquer colo não, estou falando daquele colo que não julga, que ouve, que acolhe, que aquece e enche nosso olhar de esperança. Esse colo eu aprendi dando. Aprendi o quanto dá-lo, sem dó nem piedade, salva dias, olhares e famílias. Aprendi até a recebê-lo. Pois parece muito fácil “receber colo”, mas lhe digo, não fomos ensinados a isso, e acredito que seja muito, mas muito difícil mesmo nos abrirmos a tal ponto de receber um colo. Mais do que ofertar. E ter aprendido a receber um chamego em forma de palavras foi o que salvou minha maternidade, e salva até hoje.

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Me re-unir a outras mães, que assim como eu, recebem e dão colo, conversam por horas a fio sobre um assunto sem fim, ficam escrevendo palavras carinhosas pelo teclado ridiculo de um smartphone, deixam o tempo livre de mãe para ir na tua casa levar um bolo,  que te dizem:
-me telefona, por favor
e você responde:
-mas eu vou ficar só chorando ao telefone

e ela responde um belo:
-tudo bem, liga mesmo assim.

Também aprendi a criar com o tempo que tenho. Sim, criar, seja cuidar de uma hortinha no quintal, seja fazer bolo, ou bichinhos de feltro para dar para alguém. Me ocupar com atividades criativas e que eu posso, efetivamente, fazer, me trouxe muita satisfação e tranquilizou minha gana por “precisar fazer algo”. A arte me chamou de volta, e quando tenho um tempinho, faço algo. Mas nada com controle de tempo, qualidade ou quantidade. Tudo livre e solto. Faço na hora que rola e pronto.

E sabem do que mais, não nos preparamos como deveria para estes momentos. Somos jogadas num abismo emocional, e muitas vezes sozinhas, mas ninguém nos ensinou na escola a sermos mães, a lidarmos com esse escuro, a ativarmos nossas intuições e lidar com o selvagem, pois é ele quem se apresenta. Me vejo leoa amamentando um leãozinho, mas meio perdida, do tipo “uau, sou um ser selvagem? O que faz essa garra aqui? Nossa, é afiadinha!”. Raramente nos guiam naturalmente por esses caminhos, aí o que acontece? Nos perdemos, claro. Mas até isso, faz parte. Garanto que com minha filha já não será assim. Saí do torpor do senso comum e resolvi enfrentar a tempestade sem guarda-chuva, e surpresa, é uma delicia, mas assusta no começo.

É assim que caminhamos neste momento de nossas vidas. E cá entre nós, estou amando.
(na foto, eu e meus filhos num dia qualquer que conseguimos sair e ir à cachoeira)

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Corpo

“Escuta, o seu corpo não é um templo. Templos podem ser destruídos e profanados. O seu corpo é uma floresta – densas copas de árvores de bordo e flores silvestres de perfume doce brotando na relva. Você vai voltar a crescer, de novo e de novo, não importa o quanto você seja devastada.”corpo

Sobre meu corpo de mãe

Estes dias fui convidada pela querida Ilze Ferreira (fotógrafa) para participar do seu projeto fotográfico “Mulheres Maternas do Interior”, onde através de ensaios de nu ela traz à tona um discussão muito válida: -como é nossa relação com nosso corpo pós gravidez?
Eu adorei posar para ela e estou aguardando ansiosa pelos outros ensaios e exposições, torcendo aqui para que seja um sucesso, pois acredito que temos que romper estereótipos, preconceitos e medos. Que sejamos felizes e lindas, mães, magras, gordas ou filhas.
Aqui algumas fotos (onde poso com meus 2 filhos), e meu relato:

“Como mulheres, somos ensinadas a sermos minúsculas. A ter corpos pequenos, a nunca sermos imponentes. O ideal de nosso gênero é [sermos] magras e infantis, sem pelos e delicadas. Somos definidas por nossos corpos; definidas pelo controle que temos sobre eles. Somos ensinadas a sermos obcecadas com nossas fisicalidades e repulsivas por nossos desejos e inteligências. Somos ensinadas a andarmos com medo nas ruas tarde da noite. Seguramos nossas chaves entre nossos dedos perfeitamente cuidados, andando graciosamente como um bebê antílope numa horda de leões. [Somos ensinadas] que nossa virgindade define nosso caráter. Que sou uma vadia frígida se não trepar com ele, e uma puta suja se o fizer.”
— Michelle K., “The Truth About Growing Up A Woman” (tradução livre)

Nathalie Gingold: – Esta citação vem de encontro com o que sinto hoje em dia em relação ao meu corpo. Sinto ele cada vez mais livre de qualquer padrão, de qualquer marca ou insinuação.
Sempre me disseram “como” o corpo de uma mãe devia ser, como devia se parecer, como era o certo, como era o errado; Até a maneira de se vestir de uma mãe me ensinaram. E ai eu fui lá e tive meus filhos, meus dois filhos, frutos de paixão, frutos de mudanças e em cada um, uma barreira rompida. Minha primeira filha, a Sophia, foi retirada de mim através de uma cirurgia abdominal, sem necessidade (diga-se de passagem), mas que, na época eu acreditava ser o melhor. A dor foi muito além dos músculos que me foram cortados, fui cortada da possibilidade de parir minha cria, de dar a luz, pois, apesar de parecer radical, cesárea pra mim não é parto, é cirurgia. E, se ainda fosse necessária a dor ficaria restrita à cicatriz. Mas não foi. E eu me reergui, cheguei ao fundo da dor que sentia e comecei a subir, e cada vez mais, aprender sobre meu corpo, sobre o parto, sobre essa forma cheia de curvas, pelos, gordura, ossos, hormônios e calor. Meu segundo filho seria parido por mim, acolhido com amor na hora do nascimento, e a determinação de aprender sobre esse ritual tão secreto chamado parto me fez ter meu pequeno em casa. E foi mágico. Na verdade, creio que superei não só a dor da cirurgia, superei a mim mesma, superei as expectativas de uma sociedade inteira que sempre me disse: – você não aguenta, você é fraca, você é feia, você é estranha, você não entende nada do teu corpo, você tem medo, você não tem o corpo perfeito, você precisa ser igual. Superei esses conceitos e fui atrás de aprender a olhar para mim mesma, com olhos sinceros e amorosos. Com carinho acolhi não só a meus filhos, acolhi a mim mesma; me abracei, me acariciei, me deixei livre.
Hoje, sou o que sou. Ora corpo, ora alma. Sempre em frente. Muito orgulhosa de ser quem sou, de ter o corpo que tenho, de ter filhos, de ter prazer, de ser eu, assim, sem mais.
Venho para desconstruir a ideia de que “temos” que ser alguma maneira que não a nossa.

Obrigada Ilze, pela oportunidade de participar desta transformação, é de mulheres como você que o mundo precisa. Mulheres que seguem, que mesmo com dor, mesmo calejadas, se erguem e dão a mão àquelas que estão ao lado.
Irmãzinha Ilze, gratidão querida..

“O remédio está em obter cuidados de mãe para nossa própria mãe interna. Isso se obtém com mulheres reais no mundo objetivo que sejam mais velhas, mais sábias e que, de preferência, tenham sido temperadas como o aço. Elas se tornaram calejadas por terem passado por tudo o que passaram. Independente do custo, mesmo agora, seus olhos vêem, seus ouvidos ouvem, suas línguas falam, e elas são gentis.
(…) Nossos relacionamentos com las todas madres, as muitas mães, serão com maior probabilidade relacionamentos permanentes, pois nunca passamos da idade de necessitar de orientação e conselho, e isso também não deveria ocorrer, a partir do ponto de vista da profunda vida criativa das mulheres.
Os relacionamentos entre mulheres, sejam elas da mesma família de sangue ou almas gêmeas, seja o relacionamento entre analista e analisando, entre mestre e aprendiz, ou entre espíritos afins, são todos relacionamentos de afinidade da maior importância.”

Clarissa Pinkola Estes (do livro “mulheres que correm com os lobos”)

 

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Nosso corpo e meus devaneios

Se tem um tema que tem batido muito esses últimos meses é sobre o nosso corpo. Mais exatamente a quem de fato ele pertence.
Digo isso pois o tema tem se estendido desde uma conversa sobre gravidez ativa, pêlos, marcas de cesárea, slushaming, beleza, um documentário sobre a felicidade (“Eu maior”), a violência obstétrica, o nu até a volta do meu projeto “Musas de Si” (que para quem não conhece, fala sobre a ideia de ter como padrão de beleza nós mesmas, para sermos nossas próprias musas inspiradoras. Aqui um link falando mais: https://agrandegaia.wordpress.com/2011/05/25/musas-de-si/ ).

A quem, afinal, pertence o nosso corpo? Martela, martela e martela minha cabeça. Naquela sensação que diz : – Vai logo, faz alguma coisa!
Martela pela dor que vejo transpirando das pessoas. Martela a distorção de valores por coisas simples. Martela por ver mulheres se suicidando por ter mostrado sua sexualidade. Martela a beleza escondida por dietas, roupas e ilusões. Martela a sensação de paralisia, impotencia e silêncio por uma cesárea forçada. Martela a hiper sexualização das crianças. Martela o fato de eu ser um ser desperto, de entender que se sinto e posso fazer algo para ajudar e mudar essa realidade, pois então eu devo fazer. Não por mim. Não por um ideal. Mas por fazer parte. Por empatia em seu mais puro sentido. Eu também sou você que sofre.Image

Algo está sendo gerado aqui, e o nosso corpo será ouvido.

Para mamãe recém-nascidas

Alguns links bacanas para quem acabou de ter um bebezinho (por Adele Doula )

– A Fusão Emocional | por Laura Gutman:http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/03/26/a-fusao-emocional-por-laura-gutman/

– A Amamentação:http://adeledoula.blogspot.com.br/2012/06/amamentacao.html

– Vídeo: a pega: http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/01/08/video-latching-on-tips-for-breastfeeding/

– Amamentação em Livre Demanda: o que é realmente?http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2012/12/06/amamentacao-em-livre-demanda-o-que-e-realmente/

Foto por Sarah Photography http://capturedbysarah.com/
Foto por Sarah Photography
http://capturedbysarah.com/

 

– Tem mesmo pouco leite? Baixo peso? NAN é a solução?http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/08/29/tem-mesmo-pouco-leite-baixo-peso-nan-e-a-solucao/

– Lugar de recém-nascido é no peito!http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/06/14/lugar-de-recem-nascido-e-no-peito/

– Evolução, extero-gestação e como sobreviver aos 3 primeiros meses do bebê: http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/04/25/evolucao-exterogestacao-e-como-sobreviver-aos-primeiros-tres-meses/

– Teoria da extero-gestação para bebês novinhos:http://www.facebook.com/notes/solu%C3%A7%C3%B5es-para-noites-sem-choro/teoria-da-extero-gesta%C3%A7%C3%A3o-para-beb%C3%AAs-novinhos/224031814287902

– Teoria da extero-gestação, angústia da separação e criação com apego:http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2012/12/20/teoria-da-extero-gestacao-angustia-da-separacao-e-criacao-com-apego/

– Porque o bebê chora quando a mãe sai do quarto? | por Carlos Gonzalez:http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/03/03/por-que-o-bebe-chora-quando-a-mae-sai-do-quarto-por-carlos-gonzalez/

– Fases de crescimento e desenvolvimento que modificam o sono do bebê e da criança: http://guiadobebe.uol.com.br/fases-de-crescimento-e-desenvolvimento-que-modificam-o-sono-do-bebe-e-da-crianca/

– 8 fatos sobre o sono dos bebês que todo pai e toda mãe deveriam saber:http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/08/27/8-fatos-sobre-o-sono-dos-bebes-que-todo-pai-e-toda-mae-deveriam-saber/

– O efeito vulcânico – por que o sono inadequado durante o dia, falta de sonecas ou sonecas curtas resulta em extrema irritação e luta contra o sono?: http://guiadobebe.uol.com.br/o-efeito-vulcanico-por-que-sono-inadequado-durante-o-dia-falta-de-sonecas-ou-sonecas-curtas-resulta-em-extrema-irritacao-e-luta-contra-o-sono/

– Chupeta: o que toda mãe (e pai) deveria saber:http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/09/chupeta-o-que-toda-mae-e-pai-deveria.html

– Higiene com (ou sem) fraldas – Elimination-Communication:http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/09/03/higiene-sem-ou-com-fraldas-elimination-communication/

*Se tiver outro texto legal para recomendar, por favor, coloque-o nos comentários!

Musas is back

O projeto “Musas de Si” foi idealizado por mim, Nathalie Gingold, no ano de 2010 e inicialmente fiz 20 ensaios, três exposições e ganhei um prêmio municipal de incentivo à cultura (Nelson Seixas – S.J. RIo Preto,SP). Queria fazer um livro, e andar por ai com a expo, mas, após vários meses e mudanças na vida, me dei conta que este projeto é “eterno” e resolvi retomá-lo, discuti-lo, literalmente colocar a boca no trombone.

É isso. Fiz um Tumblr que vem para trazer os ensaios à tona, à todas e todos que queiram ler e participar, e também a quem quiser incentivar o projeto, divulgando-o e abrindo espaços para a exposição do mesmo em várias localidades.
Aqui meu e-mail para contato: nathgingold@gmail.com
Aqui no blog eu ja tinha falado no musas, aqui.

Abraços de musa!
(na foto a musa Beatriz)

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Devaneios de um momento em que não estou pensando em nada além de mim mesma

Mas que título comprido, você lê e pensa. Sim, o título é comprido mas não sei o quanto o texto o será. Pois eu não tenho mais controle do meu tempo “sem pensar em nada” e ao mesmo tempo, só tenho feito uma coisa : -cuidado do meu filho, o Deba, de 4 meses.

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É meu segundo filho e por conta das lendas acerca da maternidade a gente acha que vai ser mais fácil que o primeiro e tals. Não que seja mais difícil, mas sinto que as dificuldades só mudaram de nome. Mas a palavra que busco é outra. Não é “difícil” mas talvez, complicada.

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Na verdade, posso estar sendo injusta, a maternagem é, por si só, um mergulho no obscuro mundo da solitude meditativa, onde o objetivo principal é cuidar da cria e aprender sobre a linguagem misteriosa dos bebês. Da pra fazer diferente, claro, hoje em dia sempre dá, é só se isolar desses primeiros meses. Eu podia ter dado a mamadeira de plástico cheia de leite sintético (ou de vaca, coitada) , colocado ele pra dormir sozinho no berço e chorar por horas a fio, contratar uma babá ou pedir pra alguma tia ou minha mãe cuidar, ou qualquer outra alternativa “normal” nos dias de hoje. Mas não quis e nem tenho pretensões de querer.


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Quis ser bicho. Ter meu filho em casa, urrando pra lua e sentindo todas as entranhas do meu corpo tremerem. E fui atrás para aprender a urrar, a parir, a gritar pelos meus direitos. Eu quis deixar a cria grudada a meu corpo, se preciso 24h, mamando como um lobinho, se misturando ao meu cheiro, se afeiçoando as minhas feições e aprendendo a urrar comigo. Eu quis lidar com a natureza de frente (detalhe grandão que me ocorreu ao escrever tudo isso,  tudo que escrevo é pessoal e não deve ser levado a outros âmbitos malucos, ou seja quem realmente PRECISA (ou precisou ) de leite artificial, de um parto hospitalar, de alguém para cuidar do filho e tudo mais, por favor, não é uma critica a você).

Eu quis lidar com essa natureza toda e esqueci que a mais dificil de lidar é a minha. Sim. A minha natureza. A minha loba interior, a minha lua, a “eu” selvagem. Ela não se adapta a esse ritmo de vida em que vivemos. Ela quer sua caverna, suas plantas, suas conexoes espirituais, suas irmãs para compartilhar a maternagem. A loba chora pois se sente só. Mas ao mesmo tempo, precisa ficar isolada, os lugares não são propícios a sua cria e nem a suas novas rotinas.  Se sente longe da sabedoria ancestral de suas irmãs, se sente perdida em lidar com sua própria sombra, e ao mesmo tempo, se sente toda completa o ver suas crias dormindo. Satisfeita e sem rumo, venho aqui e escrevo palavras internas. Palavras que queria ter trazido a tona bem antes. Palavras que sempre me aliviaram. Voltem.10978519_10152782321098167_8156254244884814481_n

 

Mamífera

Somos “civilizados” de mais para lidar com bbs recém-nascidos. Estes serem tão próximos do instinto e tão incompreendidos por rotinas e racionalidades.
Queria ser mais selvagem neste momento. Mais bicho. Mamífera que sou, só entendo de coisas de gente grande ou civilizada.
Mães de recém-nascidos são, literalmente, jogadas aos leões, sejam eles suas próprias sombras, sejam eles aqueles que se agarram a seus peitos.
E a beleza está bem ai.
Estou estirada a as sombras, buscando me entender, me acostumar…
Estas palavras não buscam a compreensão, mas sim, o acalento daquelas que se sentem como eu.

O rugido do parto ainda é ouvido. 

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Meu parto

Este relato é dividido e 4 partes:

1) pré-gravidez

2) a gravidez

3) o parto

4) o pós-parto

Minha historia começa ha seis anos atrás, quando eu engravidei da Sophia. Eu sempre quis ter um parto normal, pois sei como é uma cirurgia e a cesárea está entre uma das mais invasivas que existem. Não é bonito, é uma cirurgia, e a meu ver, sempre era usada em emergências e quando era opção da parturiente. Busquei um G.O. que fizesse parto normal e acreditei. Acreditei que todos os procedimentos e instruções eram para que tudo desse certo, que me levasse ao meu parto. Mas não tinha ideia do quão enganada eu estava. Por ter essa confiança nele, sequer procurei outras pessoas, afinal, ele era “O” medico todo fofo, atencioso… eu nem desconfiava que existisse um movimento pela humanização do parto, que existia a tal “violência obstétrica”, ou mesmo que ele pudesse, de fato, estar mentindo pra mim em algum momento. Gente, para e pensa: ele mentir seria algo antiético, certo? Enfim. Leiam o relato aqui (detalhe que na época em que a escrevi eu estava no começo do despertar, nem desconfiava que minha cesárea tivesse sido desnecessária).

2) a gravidez

Depois de um tempo, eu e meu marido cogitamos a ideia de ter outro filho, a Sophia já estava com 5 anos e estávamos numa fase muito tranquila e de segurança. Aos poucos fui conversando com a Adèle Valarini, que eu sempre via postando material relacionado ao parto e afins. Nós estudamos juntas quando pequenas mas não éramos amigas, só colegas, o facebook com suas ligações malucas nos reaproximou e foi lindo =).581892_10151661254275941_162335685_n

Voltando, eu fui metralhando ela de perguntas, abri a portinha do universo do parto humanizado, do parto domiciliar (que até então eu tinha aquela ideia manjada que, pra ter em casa, precisava ser milionária, ter ambulância na porta e equipe com GO, neonatologista, enfermeiras e tals), e vi meu primeiro parto :

 que marcou muito. Me fez chorar, me fez pensar. E ainda ouvi dela: Nath, você pode ter o parto dos teus sonhos. Me imaginei em casa, com a amoreira do meu jardim ao fundo, pessoas amadas ao meu redor e aquele momento de, literalmente, DAR A LUZ.

Em dois meses eu engravidei e comecei a buscar as opções da cidade, entrei em grupos do face relacionados ao assunto, vi  muitos vídeos de parto e li muito sobre cada duvida que surgia. Fui desmistificando tudo que pudesse ter relação com o parto. E olha, descobri um universo. Desde coisas maravilhosas como entender o nosso corpo e como ele age de forma perfeita, até ouvir relatos pavorosos de violência obstétrica, de mentiras deslavadas para levar a mulher (mesmo aquela que quer o parto normal) para a cesárea. Fui para Brasília conhecer os grupos de parto humanizado, a Adèle, e tudo mais relacionado, me lembro da emoção de conhecer a Sylvana Karla e ela me contar que teve os dois filhos em casa! Na minha cabeça era algo como “puxa, “elas” ( elas= mulheres que pariram em casa) existem mesmo” (uma experiência quase mística, como se eu pudesse, de alguma maneira conhecer uma deusa, sabe?). E também tomei conhecimento que a cidade onde moro (S.J. Rio Preto,SP) é uma das que tem o maior índice de cesáreas…do Brasil. Tem até professor de faculdade dizendo que a cesárea é melhor em todos os aspectos pra o nascimento (melhor pra quem, eu pergunto).deb5a491baff1661e0d3b9c55dbc9032

Enfim, ir para o hospital não se tornou uma opção, era praticamente certeza que, chegando lá, me encaminhariam para a césa. Ou eu teria que chegar com o neném saindo. Sem falar que, com muita, mas muita sorte eu encontraria uma equipe humanizada num plantão e mesmo assim as probabilidades de eu passar por várias  intervenções (mesmo num parto normal) era praticamente de 100%. Sem falar que, não sei você, mas eu tenho pavor de hospital, pra mim é um local de doenças, pessoas estranhas (e muitas vezes arredias), agulhas, álcool, frio,  macas duras…ainda mais no SUS. Não iria pro hospital sem necessidade, só isso.

Voltando, minha gravidez foi fisiológica e biologicamente  perfeita, não tive nenhum problema, nem sustos, nada. E mesmo assim, toda vez que eu comentava com a GO do postinho algo sobre parto normal ela falava da cesária anterior, ou que era muito cedo pra pensar nisso, ou que eu devia parar de ter esperanças em relação a isso e pensar em coisas mais “importantes”, pediu o último ultrassom dizendo: -ah, você quer parto normal? Vamos pedir o ultrassom só pra ver se ta tudo certinho pra isso, de repente né? (e, de fato, estava…nenhuma lenda urbana foi detectada, como circular de cordão ou bebê sentado ou placenta “velha” (eu poderia fazer uma lista engraçadíssima pra vocês de desculpas para césa vistas num ultrassom ou sem nada, alias, vejam por si mesmos: http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/indicacoes-reais-e-ficticias-de.html)

O mais incrível é que essa GO, mesmo que eu quisesse, não teria nada a ver com o parto, ela só faz o pré-natal, e eu me pergunto: -pra quê fazer esse terrorismo se ela sequer vai estar ou ganhar nada com o parto? Eu vejo esse discurso (e vários outros) relacionados a um terrorismo da ideia do parto normal sendo feito não só pelos profissionais “interessados” na cesárea, mas também pela mídia, por grandes meios de comunicação, por pessoas que reproduzem a fala do “sistema” e nunca se questionaram acerca dos fatos na história…enfim, tem muita lenda nessa área, muitos segredos que só ajudam aqueles que não vão passar por um parto. Porque, depois que você passa, você entende do que estou falando. Entender que tive que passar por uma cirurgia tão grande, com proporções psicológicas, de maneira desnecessária, sem respeito algum pelas minhas escolhas e vontades, pelas minhas peculiaridades culturais e pessoais, dói. E muito. 

Fui atrás de parteira, GO ou Enf., Obstetra que pudesse acompanhar meu parto, mesmo que fosse para vir de outra cidade. E tava bem complicado, as semanas iam passando, o parto se tornando próximo e nada… Quando encontrava alguém essa pessoa não poderia vir, ou teria parto na mesma época, ou só se eu fosse pra tal cidade…e eu querendo ter meu parto aqui, na minha casa mesmo. Me senti mal, pensei em alternativas malucas como ir pro hospital com o bebê saindo, ou ter em casa só com meu marido, mas não queria de maneira alguma colocar a minha ou a saúde do bebê em risco. Não desisti e continuei procurando. Não adianta também você chamar alguém só por essa pessoa “poder” fazer o teu parto, você tem que se sentir segura, amparada e ter certeza que o profissional é qualificado para um parto.
A ideia de um parto assistido é exatamente o que a palavra diz, você e seu filho serem assistidos em tudo durante o parto. E, para quem tem dúvidas, ele é qualificado tanto para pequenas emergências quanto para saber que aquela situação pede uma transferência para um hospital. E esse tempo é o mesmo utilizado para uma emergência hospitalar. Selecionei dois ótimos artigos para quem sabe pouco sobre o tal parto domiciliar:
Alguns mitos sobre o parto domiciliar

Um novo olhar sobre o nascimento: o parto domiciliar

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Heis que, la pela 35 semana, eu consegui uma indicação pela doula Helena Junqueira (de Ribeirão Preto, SP) de uma enf. obst. de São Paulo-capital  que costumava viajar para fazer partos. A Luciana Lourenço.
Ao falar com ela tive uma baita surpresa pois ela estaria em Rio Preto em 3 dias por conta de uma consulta de outra grávida que, (pasmem!) também teria um parto domiciliar em São José do Rio Preto. Eu cheguei a dar gritinhos histéricos de felicidades e achei que ela estava brincando comigo. E não estava.
Implorei por uma consulta no mesmo dia e deu tudo certo. Ela veio, conversamos, nos entendemos e deixamos tudo claro:  -valores, vontades, como faríamos no dia… enfim. Quando eu chegasse perto das 40 semanas, nós nos comunicaríamos todo dia para saber de sinais do parto e, assim que ela achasse necessário, viria pra cá de carro. E assim, os últimos dias foram seguindo, com aquele inchaço básico de fim de gravidez, com faltas de ar pelo bebê já estar enorme, com noites mal dormidas… 472749_4523084329870_388246708_o 891911_4420084314934_348480846_o
E eu tentando não ficar ansiosa, via vídeos de partos lindos, pensava na minha cesárea, na ansiedade do parto da Sophia… e sentia ainda fresquinha a dor da cesárea. E sabia, que essa cicatriz só pararia de doer na próxima etapa: o parto.

3)o parto

A ideia inicial era a de que, se eu tivesse algum sinal (na verdade, eu tava quase contando sobre tudo) eu falaria com a Luciana (por tel, face, mensagem) e ela viria pra cá assim que achasse necessário. Também estava contando com a Lucélia Caires , amiga de longa data, também enfermeira obstetra, que, na duvida, viria me ver para que não acontecesse nenhum imprevisto ou que, pelo menos, diminuísse minha ansiedade. Mas, não aconteceu nada conforme o esperado, foi melhor. A Luciana veio pra Rio Preto antes por conta da outra grávida (a Vanessa), que estava com a bolsa rota e aproveitou para me examinar na quinta, depois voltou pra casa da Vanessa. E o pequeno Enzo nasceu! Depois do parto da Vanessa, que foi lindo (leia o relato aqui), ela voltou a minha casa e percebeu que meu colo do útero já estava diferente, mais fino, dilatado, e eu ainda sem dores. Ela ficou na duvida…pensou em ir pra SP no domingo de manhã, mas depois de me examinar novamente, achou mais prudente ficar. Afinal, ela já havia perdido o aniversario do marido (que foi no sábado dia 11) e, pelo jeito, perderia o dia das mães também.

Ficou. Eu em nítidos pródromos quase indo pro TP ativo mesmo, mas sem dores, sem muitos desconfortos. Ela até me fez um chá, que ajuda a entrar em TP. A Lucélia também veio me ver e aos poucos eu fui achando que, puxa…acho que ta começando.1-IMG_9715

Na segunda feira, por conta de um exame de toque (pois era só assim que elas podiam saber como estava o meu TP (Trabalho de Parto), por eu não sentir dores, elas me relataram que a bolsa de liquido amniótico estava muito rente a cabeça do bebê, (e esta bem encaixadinha e baixa) e que, isso poderia ser um sinal de mecônio. Daria pra ver o liquido através de um exame, mas, por conta da bolsa tão grudadinha a cabeça dele, tava impossível ver qualquer coisa. Resolvemos esperar. No fim do dia, por receio de mecônio (e se fosse, eu seria transferida pro hospital para não haver risco de aspiração de mecônio), elas resolveram verificar novamente, e nada havia mudado. Tentamos desencaixar um pouco o bebê para tentar ver o liquido, mas nada. E, em conjunto, la pelas 2h-3h da madrugada de segunda pra terça, achamos mais seguro estourar a bolsa para verificar o liquido ao invés de ficar com receio do mecônio. Foi o primeiro momento durante o parto que eu tive que enfrentar meus mais terríveis pensamentos, que tive que me manter firme que aquilo era o melhor e mais seguro para mim e pro bebê, e que, se fosse necessário, iria pro hospital. Me mantive firme e forte, segura da minha equipe e da minha escolha. E elas fizeram o procedimento. Resultado? Liquido limpinho, perfeito, clarinho. Ou seja, nada de mecônio! Ah, e o melhor estava por vir, em uma ou duas horas, meu TP ativo começou! Eu comecei a sentir as tais contrações doloridas e pulamos todas de felicidade quando começou! Sim! Parece loucura, mas eu estava muito feliz com minhas dores. Era como se, durante esse tempo todo eu estivesse na fila para “aquela” montanha russa incrível, e agora, com as contrações e dores, eu tivesse acabado de embarcar no carrinho. Estava eufórica. Alias, todas nós estávamos.

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Tenho que relatar também que, meu colo estava posterior (e se manteve assim por um longo tempo) o que fazia com que o exame de toque fosse bem incomodo e também, com que o TP demorasse. Essa foi a parte dolorida e chata do parto, pronto, falei.

Voltando. Nessa primeira parte, eu sentia as dores e estava bem consciente, me lembrava da famosa respiração “cheira flor, assopra vela”, de vocalizar quando necessário (vocalizar aqui é emitir um som quase que gutural, mais grave, abrindo bem a boca, a faringe. Ajuda a relaxar e a dilatar o colo do útero, pois são sistemas que se conectam. Não confundir com gritos histéricos de dor), de tomar água, de comer…enfim. Em casa, o telefone foi desligado, o meu marido ainda foi fazer uma filmagem (acho que ele estava tão ansioso que conseguiu um pretexto para sair um pouco e voltar mais calmo), a minha filha em casa, duas amigas e duas enf. obstetras. Fomos visitados por um beija-flor, por velas de mel, por orações, por carinhos. Os cachorros nunca ficaram tão quietos e o dia se arrastou da maneira mais surreal do mundo.

Eu me sentia num belo ritual pagão, onde a natureza era parte, onde os elementos se interligavam, onde os espíritos de luz caminhavam entre nós. E eu, com as dores ficando mais intensas, entrava cada vez mais na grande caverna da deusa Gaia, a grande mãe. Me lembro de seguir os meus instintos e de ouvir os conselhos da Luciana e da Lucélia, mas tudo foi ficando muito inconsciente, eu entrava e saia de um transe muito forte a cada contração. Não me lembro de que roupa eu usei (se é que usei), não me lembro da sequência lógica do dia, só me lembro de fazer exercícios com um pano amarrado a amoreira, o que me fazia sentir muito bem e feliz, me lembro de fazer exercícios com a bola de pilates no banho, na sala, no quintal, me lembro de vocalizar e sentir meu corpo vibrar com isso, não me lembro em que momento parei de comer (pois parecia muito impossível comer algo), e o dia foi seguindo…1-IMG_9859

Lá pelas 16h eu estava com 7 cm de dilatação e o colo do útero ainda posterior. E tive meu segundo momento tenso, onde, mais uma vez tive que “me” enfrentar. Por conta do colo posterior, o TP estava lento, e por conta da bolsa rota esse TP não poderia passar das 17h, sendo então necessária a administração de antibióticos para evitar possíveis infecções, e isso só pode ser feito onde? Num hospital. E eu, só de ouvir a palavra “Hospital” gelava. Tentaríamos “acertar” o colo, para que ele ficasse mediano e, provavelmente, o TP seguisse feliz e com um tempo bom. Seria um procedimento dolorido, mas depois de tudo que fiz e passei, olhei para elas e disse: – Vamos, façam, confio em vocês e em meu corpo. (ou algo assim). Fizeram. E, em uma hora eu já estava com dilatação total e meu colo permaneceu mediano. Eu estava muito feliz, mas ao mesmo tempo num transe tão louco que me lembro de sentir a felicidade lá no fundo, porque por fora eu estava muito concentrada nas últimas contrações. Sentia um calor incrível, não conseguia comer nadica de nada, e adormecia entre uma contração e outra. Sério. E então, veio a última parte: a piscina.1-IMG_9908

A água estava morna, eu nua, todos ao redor, inclusive minha filha Sophia (que tem 5 anos), que ficou ao meu lado o tempo todo, jogando água em minhas costas.

Do lado de fora eu pude ver pela janela (e depois, pelo que me contaram) a amoreira, uma bela nuvem de chuva e sol. Um cheiro de mel (por conta das velas), um silêncio e meus urros. Sim, durante estas últimas contrações minhas vocalizações se tornaram urros, que me davam força, me aliviavam. Sentia minha alma instintiva gritar a mesma voz. A Leoa tomou meu ser e a cada gota de chuva que caia no quintal mais eu entrava nos meus instintos, mais eu sentia cada célula feral tomar conta de mim, mais eu sentia a exuberante luz preenchendo minha vagina e meu ser racional e medroso morrendo. Tive lapsos de consciência, mas as contrações me puxavam de volta. E eu tinha que segurar nas mãos de alguém. Nem lembro quais mãos eu peguei, mas tinha que segurar em alguém.  De repente, senti uma mãozinha bater na minha coxa e dei meu último urro. Depois de 30 minutos de expulsivo na piscina, as 17h38 do dia 14 de Maio de 2013, nosso iluminado Aldebaran nasceu com 3kg560 e 50cm. Todos choraram. Olhei para ele e ouvi alguém falando : -Vai, pega ele. E eu peguei. E tive o momento. Segurei ele junto a mim, lhe dei as boas vindas e senti o universo abençoando aquele momento. Um momento de luz e renascimento. Onde todos choravam felizes. Onde minha cicatriz se curara. Onde as palavras não tinham vez. Só os olhares.

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4) Pós parto.

Após alguns minutos, o cordão parou de pulsar e meu marido o cortou. O Aldebaran foi examinado pela Luciana enquanto eu saia as pressas da piscina pois minha placenta queria “vir ao mundo”. A Luciana aqueceu o Aldebaran e depois colocou ele em meu colo para mamar. Enquanto isso, foi me examinar, ver se a placenta estava integra, se eu precisaria de alguns pontos, enfim. Perdi bastante sangue, mas tudo estava bem e normal, este, aliás, foi o único momento em que minha filha ficou assustada, pois ela tem pavor de sangue. Foram dados 2 pontinhos na mucosa (só por precaução, pois não tive lacerações musculares nem nada), pois o Aldebaran nasceu com a mãozinha no rosto.

Estávamos todos em êxtase. Eu voltei a ouvir minha voz, pois, durante o TP eu percebi que não ouvia a minha voz, não via as coisas da mesma maneira, e de repente voltei “ao mundo”. Estava radiante. Todos estávamos.

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Eu achava que, depois de 14h de TP estaria sem forças, cansada, abatida…mas aconteceu exatamente o contrário. Ninguém negava o cansaço físico, mas este era superado pelo êxtase praticamente espiritual. A todo o momento eu me perguntava: – puxa, isso realmente está acontecendo? Será que não estou sonhando? Não conseguia acreditar. Senti que, se eu fui capaz de enfrentar tudo que enfrentei, desde a jornada antes do parto, até o parto em si, seria capaz de enfrentar qualquer coisa. Senti que tudo vem de encontro com o que pedimos e fazemos, e sim, nada é impossível. Uma ultra superação pessoal, física, espiritual. Algo que desejei muito, tanto pelas minhas razões pessoais, quanto por todas as outras mulheres que, assim como eu, passaram por cesáreas desnecessárias ou qualquer violência obstétrica, para mostrar que sim, podemos mudar essa realidade, que podemos confiar em nossos corpos, que somos forte e sagradas, que temos o DIREITO de parir e de sentir toda essa luz. Que podemos mais. Sempre.

Busquem a verdade. Lutem pelos seus diretos. Vivam seus sonhos. Vamos mudar juntas o nascimento de um novo mundo.

Agradeço do fundo do meu coração e da minha alma a todos e todas que me ajudaram, que oraram, que torceram por este parto. Em especial ao meu marido, minha filha e filho, a Luciana, a Lucélia, a Larissa, a Mariana e a Adèle.

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Relato por Adele Valarini (doula) http://adeledoula.blogspot.com.br/2013/06/relato-da-gravidez-e-parto-de-nathalie.html

Vamos mudar o mundo?

“Se esperamos criar um mundo não-violento, onde o respeito e a bondade substituam o medo e o ódio, devemos começar com a forma como tratamos uns aos outros no início da vida, quando os nossos mais profundos padrões são definidos. A partir dessas raízes crescem medo e alienação ou amor e confiança.” Suzzane Arms

Nascimentos

Preview….Libido #04

Heis que no penúltimo dia do ano de 2012, resolvemos retomar a Libido.
Aqui o preview do ensaio pro mês de Janeiro/2013.

Libido #04

Modelo Daniela Sousa
Make Reider Pereira
Produção Milton F. Verderi
Assistente de fotografia Fernando Makaco
Locação Galo De Briga Filmes
Fotografia e edição Nathalie Gingold
E aqui, os links para as Libidos anteriores, para vocês, queridos leitores se deliciarem…

Libido #01

Libido #02

Libido #03

Olhos azuis, a dor do preconceito

A professora e socióloga Jane Elliott ganhou um Emmy pelo documentário de 1968 “The Eye of the Storm”, em que aplicou um exercício de discriminação em uma sala de aula da terceira série, baseada na cor dos olhos das crianças.

olhos azuis preconceito negroHoje aposentada, aplica workshops sobre racismo para adultos. “Olhos Azuis” é a documentação de um desses workshops em que o exercício de discriminação pela cor dos olhos também foi aplicado.

O objetivo do exercício é colocar pessoas de olhos azuis na pele de uma pessoa negra por um dia.

Para isso, ela rotula essas pessoas, baseando-se apenas na cor dos olhos, com todos rótulos negativos usados contra mulheres, pessoas negras, homossexuais, pessoas com deficiências físicas e todas outras que sejam diferentes fisicamente.

Numa palestra com um auditório lotado, ela pergunta: “Se algum branco gostaria de receber o mesmo tratamento dado aos cidadãos negros em nossa sociedade, levante-se. (…) Ninguém se levantou. Isso deixa claro que vocês sabem o que está acontecendo. Vocês não querem isso para vocês. Quero saber por que, então, aceitam isso e permitem que aconteça com os outros.”

Assista abaixo o documentário completo dividido em nove partes:
PARTE 01
PARTE 02
PARTE 03
PARTE 04
PARTE 05
PARTE 06
PARTE 07
PARTE 08
PARTE 09

Slut Club

Clique e veja mais!

Fizemos um ensaio inspirado no filme “Fight Clube (clube da luta)”, só que só com mulheres.  Sim, mesmas regras.

Fotografia e edição: Nathalie Gingold
Produção e locação: Julia Caputi e Adriano Amendola
Modelos:  Julia Caputi, Natália Campanholo, Hellen Rosa, Carla Mariel, Marina Cananda, Raphaela França, Melinda Visalli, Arlete, Carla, Aline e Zeza.
Make up e efeitos especiais: Reider Pereira
Local: Espaço Contracultural Baratazul (Mirassol-SP)
E agradecimento pelo apoio para:  Fatima Salomeh, Jorge Etecheber, Galo de Briga, Unilago,  Espaço Contracultural Baratazul e todos os envolvidos que nos ajudaram de alguma forma.

As vezes me pergunto se o fizemos simplesmente para fazer um contra-ponto ao masculino (do filme) ou à liberdade de também poder fazer isso, mesmo sendo mulher. Será que dá no mesmo?

“Escutem aqui, vermes. Vocês não são especiais. Vocês não são um belo ou único floco de neve. Vocês são feitos da mesma matéria orgânica em decomposição como tudo no mundo.” (Clube da luta)

Não é incentivar algo violento, mas sim, se expressar de maneira livre e lúdica nossos instintos e impulsos primitivos, supondo que existam tais.
O nome é uma homenagem à “Slut Walk” (em português Marcha das Vadias) manifestação que ocorre em diversos países e que começou ano passado:

“A Marcha das Vadias ou Marcha das Vagabundas (em inglês: slutwalk) iniciou-se em 3 de abril de 2011 em Toronto no Canadá e desde então tornou-se um movimento internacional realizado por diversas pessoas em todo o mundo. A Marcha das Vadias protesta contra a crença de que as mulheres que são vítimas de estupro pediram isso devido as suas vestimentas. As mulheres durante a marcha usam roupas provocantes: como blusinhas transparentes, lingerie, saias, salto altoou apenas o sutiã.”

Resumindo: é para questionar mesmo, subverter, colocar à prova, quem disse que o papel das mulheres é o da Donzela indefesa? Incapaz de se defender, de sentir raiva, de bater em alguém. Somos donas e protagonistas da nossa própria história.

Estereótipos? Tô Fora! E bora brigar! Hoje colocarei alguns cartazes e fotos 😉 Em breve, tem mais!

Ah sim! Simultaneamente ao ensaio, foi filmado um curta-metragem por Fernando Macaco…aguardem!!!!
Cliquem na imagem para verem o ensaio completo!

Clique para ver todas as fotos
Clique para ver todas as fotos

Musas de Si

1º Expo na Kenty, Rio Preto: 15 de junho!! Em S.J. Rio Preto, SP
https://www.facebook.com/events/400569503308360/?ref=notif&notif_t=plan_user_joined

Venha conhecer o projeto:
www.wix.com/gingold/musas

Musas 

e dê um curtir na fan page:
https://www.facebook.com/pages/Musas-de-Si/393703130670430

Preview Frida….

Em breve….ensaio em homenagem à Frida Kahlo…

Musas de Si – Atualizado

 “essa imagem de si de que o outro reveste você e que a veste e que, quando desta é desinvestida, a deixa? O que ser embaixo dela? (…) sua nudez ficou por cima a lhe dar seu brilho?” (LACAN, 2003, p.201).

CORPO IMAGEM LACAN

Hoje irei falar sobre um projeto: Musas de Si.

Tudo começou meio que sem querer, com o ensaio da  Jhenifer quando estava grávida. Ela me pediu: quero um nu. E o seu resultado foi inesperado e interessante, após o ensaio, ela olhou para as fotos e não gostou de quase nenhuma. Não que meu trabalho tenha que ser bom sempre, mas eu não via o que ela estava vendo. Eu não encontrava as imperfeições e críticas naquele ensaio, ele estava inexoravelmente belo e forte. Ela sequer quis pegar as fotos naquele dia. Eu fiquei pensando a respeito e deixei as coisas como estavam, escolhi as fotos que mais gostei, editei e aguardei. Isto foi em maio de 2010.

Um pouco antes disso tudo, eu havia me deparado com alguns textos sobre o corpo e a imagem de Lacan e percebido o quanto a imagem está ligada à nossa identidade e às movimentações psíquicas, colocando em xeque a nossa percepção daquilo que é realidade. Nem quando nos olhamos no espelho enxergamos o que é real. Tanto pelo próprio objeto, que nos mostra invertido, quanto pelo nosso olhar, impregnado de significados e significantes. “O real não é a realidade” (Santaela). É aquilo que o Simbólico não consegue simbolizar e que sobra como resto do Imaginário.

Em torno de dois meses depois ela veio buscar as fotos e desta vez, olhou para as fotos e se emocionou. “Estão maravilhosas” ela me disse.

Todo este processo me encantou e percebi ali uma possibilidade quase terapêutica de trabalho com a auto-imagem da retratada.  Me deparei também com todo um campo de estudo tanto na área mais técnica da fotografia (estudo de luz sobre o corpo nu), quanto no questionamento  simbólico/social acerca da beleza.
No caso específico do ensaio da Jhenifer o que interferiu foi o fato de que ela estava passando por momentos delicados em sua gravidez, que refletiu em sua identidade corporal.

Achei a idéia de fazer ensaios de nus femininos, buscando esta reflexão, tão incrível que comecei a estruturar meu projeto.

O que quero com esses ensaios é dar voz ao corpo, é deixá-lo gritar sem mordaças sociais. Quero deixá-los livres para falar, tanto com quem está de fora, quanto com a própria pessoa retratada. Comecei a falar com algumas amigas e colegas sobre a ideia e as candidatas foram aparecendo aos poucos, meio tímidas no início, mas cheias de vontade de trazer algo à tona. Decidi que queria fazer um livro, compartilhar este projeto com outras pessoas, com quem não estava envolvido e com quem só estava curioso.

Isto tudo começou em Setembro de 2010, de lá pra cá, fiz 20 ensaios, com a mais variada gama de personalidades e belezas. Com mulheres de São Paulo e São José do Rio Preto, SP. Com escritoras, secretárias, estudantes, mães, agentes de viagens, jornalistas, advogadas, dançarinas, ilustradoras, atrizes, pesquisadoras, sendo o único critério de seleção o fato de ser mulher e de querer entrar em profunda reflexão de seu próprio corpo e beleza.

Com este primeiro post, inicio uma série falando deste projeto, de seu andamento e de suas peculiaridades. Não postarei fotos dos ensaios que mostrem o corpo das modelos, mas sim, algumas de perfil.

Farei exposições antes do lançamento do livro, que serão devidamente divulgadas.

Algumas das modelos, já escreveram sobre os próprios ensaios, confiram:

Mila Fernandes

Nathy Silva

Paty Soares

Roberta Nunes

Fernanda Tavares

Estar do outro lado dos ensaios foi igualmente mágico e eu me senti entre deusas. Entre Musas gregas .
Deusas dos olhares. Deusas das curvas. Deusas das sombras e das luzes. Deusas registradas pelas lentes de uma mortal, pasma de tanta beleza, de tanta vida e de tanta coragem.Mulheres lindas e normais, sem as imposições sociais do que é ou não belo.

Cada uma com um ensaio completamente distinto, sendo o nu o único ponto em comum.

Musas de Si pois inspiram, através da própria beleza, a transformação da realidade, da arte, do mundo, do outro, de si mesmas.

Márcia Oliveira, SP.

“Não é sair bonita na foto que faz uma mulher se sentir bem. É sentir-se bem que faz uma mulher sair bonita na foto. ” ( Mila Fernandes )

Que sejamos a beleza que queremos no mundo.

Até o próximo post!!!

Violência não é brincadeira de criança.

Hoje é um belo de um domingo, estamos todos em casa, fazendo coisas aleatórias, filmes, desenhos, brincadeiras, pipoca…enfim. Tenho uma filha de 3 anos e meio e se tem um assunto que me apavora é a pedofilia e a violência contra crianças. Claro.

Quem não se assusta com isso? Sabemos bem… Quem ainda incentiva, publica, cala, agride, age como se tais coisas fossem naturais.

A violência por exemplo. Por ser mãe, sempre encontro alguém (também mãe ou aspirante à) para conversar sobre a educação dos nossos filhos. E se tem algo que bato o pé com firmeza é em relação à violência, a famosa palmada, surra, ou mesmo, como já ouvi por aí a “educação infantil”.  Sinceramente eu sou a minoria ainda. Pelo menos com as pessoas que conheço. A maioria ainda acredita, sim, que bater é o mesmo que educar.

Não é só porque fiz psicologia que sou contra as palmadas mas sim porque acredito que a violência não ensina nada, só ensina mais violência e pior, ensina que não existem argumentos contra a força. Como eu costumo falar, em tom de brincadeira, eu não bato nem nos meus animais de estimação!

Aí sempre vem alguém com aquele argumento que apanhou quando era pequeno e que isso foi muito bom, ou mesmo que existem situações onde não tem outro jeito. Ou pior, que a palmada difere da surra. Ou aqueles que falam da palmada moral. Me dá um tempo né gente. Bater é bater. Obviamente que espancar uma criança é muito mais grave que uma palmada na bunda, mas é violência do mesmo jeito, não resolve e ensina, através do exemplo, que bater ou agir com violência resolve quando o diálogo falha.

Como mãe, percebo que não é fácil educar uma criança, ensinar regras, limites e tudo mais. É um trabalho árduo e diário. Como TUDO na vida. Tem filhos? Assuma a responsabilidade e não desconte suas angústias e problemas nas costas dele. Se não dá conta, converse, peça ajuda, vá à terapia.

Blog falando mais sobre o assunto> http://diganaoaerotizacaoinfantil.wordpress.com/2010/08/03/disque-denuncia-recebe-73-queixas-de-violencia/

Ah sim…e a violência pode ser de várias formas. Violência psicológica, moral, sexual….

E a pedofilia? É um enorme tabu ainda. E, 80% (em média) dos casos de abusos são feitos por pais (e mães viu), tios/tias e padrastos. Ou seja, pessoas da família, que normalmente moram na mesma casa que a criança, convivem com ela, leva ela à festinhas e encontra brechas. Ou seja, dificilmente o abuso é cometido por alguém de fora do circulo familiar. E pensando nisso temos que concluir que tem algo MUITO errado acontecendo.

Em meu círculo de amizades tenho várias pessoas que já sofreram abusos sexuais na infância, meninos e meninas, que, em nenhum dos casos foi ouvido pelos próprios pais. Juro, nenhum deles. Na verdade, em alguns casos a culpa pelo “suposto” ocorrido era da própria criança. Ou seja, além de não acreditarem nos próprios filhos, a criança ainda era culpada em “inventar” histórias, e se acreditassem, era igualmente culpada por não ter dito nada antes.

Peraí né, acontece dentro de casa e quando a criança consegue falar com alguém de (suposta) confiança ela ainda é culpada?

É muito triste que na mídia esse tipo de situação ou mesmo dados não sejam mostrados. Somente os tais pedófilos da internet são mostrados. Pior ainda é saber, que hoje em dia, os processos desse cunho são muito difíceis e sem um apoio significativo.

Claro que não queremos que isso aconteça em nossa casa, mas acontece e aí? A maioria das crianças não vai falar abertamente sobre o(s) abuso(s), seja por vergonha e culpa, seja por ameaças de quem abusa. E não se engane, pode ser homem e/ou mulher. A melhor maneira de prevenir algo com seus próprios filhos é a conversa, a aproximação e a confiança neles.

Se você tem uma relação sincera com seus filhos, ele se sentirá confiável  para falar de algo errado que está acontecendo, nem que seja mínimo.  Além das mudanças de comportamento. Na dúvida, vá à um especialista, fale com professores e psicólogos. Não se dê ao luxo de ficar na dúvida. Você é adulto, seja como pai/mãe ou mesmo parente, e deve ter maturidade para enfrentar tais coisas, agora a criança não sabe, MESMO, como lidar com isso.

Existem algumas  instituições que têm por objetivo proteger a criança e o adolescente contra a violência sexual

>CERCA (Centro de Referência da Criança e do Adolescente) o site deles é www.cerca.org.br.

Eles tem uma campanha bem interessante>

http://diganaoaerotizacaoinfantil.wordpress.com

Se quiser ler mais, veja este artigo: Feridas que não cicatrizam:A neurobiologia do abuso infantil, por Martin H. Teicher

E temos o disque “100” para denúncias.

Faça a sua parte também, discuta, converse, debata o assunto pois o conhecimento é muito valioso. Espero que nunca passemos por situações tão delicadas, mas que se acontecer, que sejamos fortes o suficiente para enfrentar com sinceridade, justiça e verdade.

Eu escrevi um pouco sobre o que penso sobre o assunto, sem intenções de ofender ninguém, mas sim de compartilhar conhecimento.

Grandes abraços.

Para Jhenifer,

Dionisíaco

Vem, deus da embriaguez,

me acende, me põe tonta,

me encanta e canta

versos em meu ouvido.

Sussura desejos, segredos,

me toma em teu corpo,

entranha nas minhas veias,

me liberta das âncoras

e do espanto, que eu danço

no altar de teu templo

ao sabor do vinho,

da vertigem e dos ventos.

(Denizis Trindade)

Pois você é Di-Vina, no mais forte e belo feminino!

Mil beijos!

Para Ingrid Zanata,

Não gosto de quem tem sempre certeza,
De quem não suspende a respiração por um amor
De quem encerra todas as frases com ponto final
De quem não exclama, diz que não ama
De todos aqueles que nunca passaram mal.

Não gosto dos que nunca sentiram a chuva em seus rostos
Não gosto de de quem nunca morreu de rir
nem chorou a noite inteira por alguém

Não gosto dos que não gostam de cachorros
Dos que não têm música preferida,
filme preferido,
Dos que sempre tanto faz
Dos que nunca querem mais.

(Fernanda Michele Maciel Sarate)

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Mil beijos mulher!

Moi

Prazer, esta sou eu

Completa, em detalhes e cores.

Tenho esse olhar, não se assuste

Adoro essas roupas e o conforto de ser eu mesma, com todo orgulho e prazer

Me sinto a vontade quando trabalho assim, câmera solta, olhar profundo e arte no cenário.

Filha de Gaia, sensitiva como a lua e feliz como a chuva.

Mulher, mãe, amiga e sacerdotiza.

 

Nathalie Gingold

Prazer, você que sempre lê o que escrevo, decifra minhas fotos e raramente deixa comentário, prazer, Nathalie Gingold

Ensaio Loiane, parte 2

A segunda parte do ensaio da Loiane foi finalizado em P/B, destacando seus belos olhos e o contornos de seus corpo.
Acho o P/B uma linda opção, ele dá um ar mais duro e ao mesmo tempo mais sensual, deixa tudo em destaque, tudo em contraste e com um ar dramático. Qualquer imagem fica “pintada”, como num quadro, quando é em preto e branco… Ainda mais quando a modelo é tão bela.

Iluminação, produção e fotografia: Nathalie Gingold
Maquiagem e modelo: Loiane

Aproveitem!

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Ensaio Loiane parte 1

Começo a acreditar que nós, mulheres, somos múltiplas. Claro, todos somos, mas as mulheres mudam como a lua, de uma semana para a outra, de uma segundo pra outro. E isso nos torna duas, três, e há quem diga que eu mesma tenho 16 personalidades.
E isso nos torna tão fortes, tão belas….

Surgiu naturalmente essa idéia de duas partes de um mesmo ensaio, parecia-me que essa necessidade de mostrar “olha, não sou só assim, veja meu outro lado” gritou em meus ouvidos, e eu respondi, captei e aqui está.

Loiane, uma mulher com ares bem tranquilos, com uma serenidade no falar e uma ânsia de viver nos olhos. Representando uma das várias belezas escondidas no interior de São Paulo.

Estas primeiras fotos foram feitas na “Mata dos Macacos”, que fica em Rio Preto, e que é habitada por vários macaquinhos. Normalmente os visitantes levam frutas e os macacos vem até os ombros das pessoas para comer.
E eu amo macacos, além de ser casada com um (para quem não sabe).
A mata é bem fechada e a luz passa por entre folhas, o que deixa tudo mais misterioso e belo.

De José Bonifácio para o Mundo: Loiane!

Edição e fotografia: Nathalie Gingold
Iluminação: Deus e Macaco
Maquiagem e roupas: Loiane

Aproveitem!!!

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Esperem, que a segunda parte vem aí…

Preview!

Ah…o interior de São Paulo é sempre lembrado pelo sotaque, pelas fazendas, pela falta de lugares para se ouvir rock…mas todos se esquecem de mencionar suas belezas naturais, sua riqueza, a calma e claro, as pessoas… Agora, se for uma mulher então, é maldade pensar no sotaque.
O interior de SP é muito mais rico do que se imagina na capital (posso dizer isso), e muito mais interessante.

Só o gostinho do próximo ensaio: Loiane!

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Abraços!

Ensaio Luciana parte 2

Rá! E como prometido, aqui vai o segundo ensaio da Luciana, se você nem sabe do que eu estou falando, e nem imagina como foi a primeira parte, dê uma olhadinha aqui. 

E agora sim…a parte negra e noturna desta bela curitibana…Que ainda acha, que não tem nada de bruxinha…Ok!

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Ensaio Luciana, parte 1

Este ensaio foi feito em duas partes, porque ela é assim mesmo, dupla.
Sim, estou falando da Luciana, moça dos olhos verde, amiga que mora em Curitiba, que me recebeu de braços abertos naquela cidade linda. Ela que me indicou à exposição na UFPR, e ela que me acompanhou todos os dias em que estive por la.

Ela também se dedica à arte de fotografar e de cuidar da alma das pessoas (faz psicologia e fotografa como eu ).

Os dois ensaios foram feitos no mesmo dia, mas em “estados” de espíritos bem diferentes.

Um deles, o primeiro, foi no jardim da AMORC de Curitiba, que é todo em estilo egipcio.
Lindo lugar mesmo.

Lá ela se mostrou toda delicadeza, toda moça, toda rosa.
Me fez lembrar da Rosa do livro do Pequeno Príncipe, dêem uma olhada no ensaio e me digam, é ou não é ela?

 

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A parte dois, vocês terão que esperar mais um ou dois dias, ela vem com a noite.

Ensaio Bruna

A Bruna é atriz e já trabalhou em alguns comerciais e curtas aqui da região. É um doce de mulher e não se engane, tem uma personalidade muito forte.

Chegou de mansinho falando do ensaio, e me mostrou este clipe:

; como inspiração. Reparem na semelhança das duas…

A delicadeza dela em contraste com a dureza do lugar. E assim, fomos montando as coisas, um laço de cetim aqui, uma cadeira sem forro ali…Um belo e desconcertante contraste, de cores, de texturas e de personalidade.

Produção e fotografia: Nathalie Gingold
Maquiagem: Patricia
Roupas e acessórios: Bruna

Confiram:

 

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Ensaio Tessie Preto e Branco

Este ensaio teve como referência os anos 40/50, com pérolas, rendas e um ar de mistério… E todo feito em preto e branco.

 

Um presente um pouco atrasado do aniversário da Modelo, a minha irmã Tessie, que comemorou mais uma primavera no último dia 21. Parabéns!!!!! Vocês não acham?

 

[Produção: Tessie Marcondes
Maquiagem e Produção: Fátima Salomeh
Iluminação e Fotografia: Nathalie Gingold]

Aproveitem!!!!!!!!!!

 

 

Preview!

Em breve, ares antigos chegam como pérolas à este blog….

Em seu segundo ensaio, Tessie!

 

Ensaio Ingrid Zanata

Conheçi a Ingrid sem conhecer, no Fórum Social Mundial de 2003. Explico, eu morava em SP, o Fórum foi em Janeiro e eu fui para Porto Alegre com o grupo do PT,  que saiu da capital em dois ônibus.

Alguns meses depois, me mudei para São José do Rio Preto e começei a fazer cursinho.
Um dia, por conta da bolsa do Fórum que eu usava, uma menina veio falar comigo, me perguntando se eu tinha ido ao fórum mesmo. Confirmando tudo, descobrimos que estávamos no mesmo grupo, mas eu estava em um dos ônibus e ela no outro. Era a Ingrid. Inacreditável,né?

Viramos melhores amigas deste dia em diante.

Já choramos juntas por ex-namorados que nem vemos mais, já bebemos para descontrair, já fomos revoltadas com a vida.

Ela foi fazer faculdade de história em outra cidade e perdemos um pouco a convivencia, mas agora que ela está no último ano, ela vem mais para cá e eu espero que ela venha morar aqui de novo.

Tem uma emoção que às vezes até assusta, vive na intensidade de seus sentimentos e não se engane pela doçura da sua voz, ela é pura loucura. E eu adoro.

Ela sente a vida.

Com lágrimas e gritos de felicidade.

Com dramas e alívios.
Ela é pura extremidade.

O ensaio seria inicialmente sobre a Lua, que ela ama de paixão, mas aos poucos, descobrimos que sua natureza nos levava à outros lugares. Ela trouxe “sem querer” um vestido vermelho, juntamos alguns tecidos de “xita” que eu tenho e as lampadas com rosas (usadas na minha exposição).

O ambiente se tornou vermelho, com rosas e transparência. A sensualidade veio à tona e seus olhos eram pura mulher.

Aproveitem!

[Maquiagem e produção: Fátima Salomeh
Produção e iluminação: Fernando Macaco
Fotografia e edição: Nathalie Gingold]


 

Preview!!!

Um leve cheiro de rosas irá permear este blog no fim de semana…

Minha personificação de Maria Madalena: Ingrid.

Aguardem…

 

Ensaio Flávia

Ufa! Finalmente os ventos trouxeram ela para vocês…acredito que foi a frente fria que desceu do Atlântico.

Conheço ela há pouco tempo, mas temos muitos assuntos em comum, conversamos na mesma lingua, buscamos a mesma liberdade e vemos tudo por um ângulo diferente.

De um carisma fora do comum e um ar de ” te conheço há muito tempo”, marcamos o ensaio. Inicialmente seria com o tema rock, mas depois de muito conversar, ela decidiu mudar os ares, fomos para o reggae e chegamos no rasta.

Ela separou tudo que havia relação com isso e fomos para a casa do namorado dela, o Hunfrey. Lá é bem arborizado, e um pé de limão cravo foi o primeiro cenário. Depois fomos para algumas árvores centenárias e no final da noite, viemos pra minha casa, para fazermos algo um pouco mais tranquilo, longe de olhares curiosos, como todo namorado tem.

O ensaio fluiu como uma brisa matinal…

Produção: Fátima Salomeh e Fernando Macaco
Maquiagem: Fátima Salomeh
Iluminação: Fernando Macaco
Fotografia: Nathalie Gingold

Heis aqui o texto que ela escreveu para descrever a sensação e logo em seguida, algumas fotos do ensaio, aproveitem!!!!

 

Quem você vai ser? Essa foi a primeira coisa que Nathalie me perguntou quando tudo estava pronto para me fotografar. Respondi prontamente que seria o Bob Marley.  Um dia antes procurei em minha casa, tudo que pudesse usar como referência ao reggae, tema do ensaio. Fiz algumas bijouterias com as cores do reggae, separei meus vestidos, enfim, estava muito ansiosa.

Nunca fui o elemento principal de um ensaio fotográfico, sempre achei que não tinha perfil adequado para ser fotografada, não tenho estereótipo de modelo, não me porto como uma e não sou alta, talvez por isso estivesse ali. Aceitei o convite, pois tenho uma necessidade muito grande de me olhar e me gostar. E foi exatamente isso que senti. Percebi que 5, 6 ou 10 quilos a menos não me fariam gostar mais de mim, já estava me amando.

A atenção da Nathalie, a produção do Macaco, a maquiagem da Fátima e os dreads que ela fez nos meus cabelos despertaram em mim grande emoção. Estava me sentindo uma verdadeira rastafari.

O primeiro cenário era a natureza, um pé de limão-cravo, que mais parecia o elemento principal do ensaio e eu uma mera coadjuvante. Nenhum problema pra mim, já que fazíamos parte de um todo naquele momento. Mas faltava uma coisa. Uma coisa que fazia com que o verde ficasse mais verde, o amarelo mais amarelo e o vermelho mais vermelho. E então mudamos de cenário. Um cenário construído pelas mãos da Nathalie e do Macaco. Com as luzes e a brisa que davam algo especial na beleza que eu achava que não tinha. E ai as cores ficaram mais vivas. Tão vivas que meus olhos mal podiam enxergar. E o astral mudou. As coisas ganharam movimento e meu corpo como num ritual sagrado do rastafarismo se entregou, e tudo que mandava meu coração, em um ato de obediência meu corpo cumpria.     

Pude perceber que menti para Nathalie quando falei que queria ser Marley. Menti, pois todo o tempo queria ser eu mesma. E fui.

 

Yaga Yaga (obrigado)

Flávia Carvalho.

 

 

 

Preview!

Aí vai um gostinho do reggae e do rasta, para aqueles que sentem a brisa chegar… Flávia. Chegando pelos ventos neste blog, aguardem.

 

Balzaquianas

Lançei a idéia e em minutos ela foi aceita, em menos de um dia o blog foi criado, e já parecia antigo. Eu e a Gauche criamos uma parceria em forma de blog, juntamos os olhos de uma com a poeisa da outra, o resultado vocês conferem aqui: Balzaquianas por natureza .

Aqui vai um trecho do primeiro post( escrito pela Gauche):

“Fotografia, música, poema, literatura e muita, mas muita poesia. Impressões e expressões das mais variadas. Tudo que maldosamente bem cutuca nossas entranhas, ao ponto de gritar. Seja pelo berro do silêncio; pela profundeza do vazio; pela clareza da escuridão; pela presença da ausência; pela ausente presença; pela grosseira beleza da palavra; pelo palpável indizível. E por todos os demais paradoxos que compõem o mundo tão complexo que forçosamente abraça a mulher.”

Ensaio Daniela Águas.

Este ensaio demorou para ser colocado aqui por “n” motivos, tanto a falta de tempo por eu estar tomando conta de duas menininhas de menos de dois anos sozinha, quanto por eu estar oficialmente trabalhando. Sexta e sábado a noite eu não estava na balada, estava tirando fotos e mais fotos.
O rio está indo para o mar! O curso já foi traçado!

Falando em águas, este é o sobrenome da Daniela, sim aquela que eu prometi o ensaio. Hoje ele foi finalizado e publicado.

Continuando o meu projeto do “feminino”, este ensaio foi planejado para ter relação com a água, mas como a natureza é imprevisível, em uma semana totalmente ensolarada, bem no domingo, dia do ensaio, o tempo fechou e esfriou e em cima da hora, variamos o tema. Ele agora seria um outro estado da água, seria o gelo.

A Daniela achou o máximo. Usaríamos também a aurora boreal.

Conforme o ensaio foi prosseguindo a modelo encarnou uma diva do gelo e usou suas mãos e seus olhos para demonstrar todo o seu poder para a minha lente. Foi incrível.

 

Maquiagem: Fátima Salomeh
Produção e iluminção: Fernando Macaco
Foto: Nathalie Gingold

Enjoy!

(PS- coloquei em forma de galeria para que carregue mais rápido e eu possa colocar mais fotos)

Preview!

Só para sentir o gostinho das águas que virão banhar este blog no fim de semana…Daniela.

Ensaio Tessie

Este ensaio foi feito todo em familia, a modelo é minha irmã, a Tessie. Não foi um ensaio marcado, fizemos na hora que dava, meio que no susto. Mas aí fomos criando e usando a imaginação. Deu no que deu.
Produção e iluminação Fernando Macaco, maquiagem e produção Fátima Salomeh, modelo Tessie Marcondes, as fotos foram feitas no meu quintal.

Eu e ela somos completamente diferentes, ela é para fora e eu para dentro, ela gosta de um tipo de música e eu de outro, seu rosto e tipo físico também são completamente diferentes do meu. Acho que além do fato de sermos irmãs, somos unidas pelo humor. Eu sempre fui meio palhaça e ela sempre ria. Ria tanto que até passava mal…
Ela tem uma determinação fora do comum, consegue seguir o trabalho até o fim das suas energias, sem ligar para pequenos detalhes que possam atrapalhar seus planos, ela consegue a qualquer preço.
Durante o ensaio, encarnou a japonesa, com gestos e olhares típicos. Ficou lindo.

Confiram!

 

Ensaio Isabela

Este ensaio foi feito sem muita preparação, marcado de um dia pra outro. 
Aconteceu assim, a Isabela, ou melhor a Belinha, trabalha como atriz e sempre é escalada para papéis “infantis”, por ter esse jeitinho mais criança. Embora goste, ela queria ampliar sua gama de possibilidades e tentar papéis mais adultos, mostrar uma outra imagem. Ela comentou isso com a minha mãe e o ensaio foi marcado. Vamos mostrar a Isabela.

Este ensaio faz parte do meu projeto, O Feminino, que visa mostrar as várias faces da mulher, através da relação com a natureza e com ícones femininos.

O ensaio foi feito no quintal da minha casa, maquiagem por Fátima Salomeh e produção e iluminação por Fernando Macaco.

Aproveitem!

Bianca

No último domingo, a minha amiga Bianca veio em casa para um ensaio. Desta vez, havíamos a idéia de fazer algo com plantas e velas, num ambiente meio mágico e místico. Eu e meu marido (Fernando Macaco) ambientalizamos a sala com plantas e desenhos (de giz) na parede. A Fátima Salomeh ficou responsável pela maquiagem e cumpriu sua função com perfeição. As roupas são da próprio modelo.

O ensaio faz parte do meu projeto “O feminino”, e eu normalmente pergunto para a modelo qual a idéia (ou fantasia) que ela tem para as fotos. Normalmente aquilo que ela gosta ou imagina combina com seu biotipo e sempre dá certo, fica lindo. Acho que a ligação é mais forte e o resultado é a beleza.

A Bianca aceitou o meu convite um pouco receosa, disse que nunca havia pousado para alguém e que não se achava fotogênica. Confiram as fotos e concordem comigo, ela é linda.

E é meio bruxinha.

E esse é um assunto em comum entre nós duas, falamos da natureza, da lua, dos ciclos da terra, de cartas de tarot, de intuições e do que é ser mulher.

Ela tem um jeito de menininha sapeca, mas é estudante do 5º ano de medicina e quando te olha nos olhos, você até sente um arrepio, como se ela te entendesse mais do que você imagina. Ela se acha meio maluquinha, mas é por ser muito expontânea e desencanada de padrões, não aquele humor sem razão.

Alguém que sempre está ao lado, mesmo sem tempo.

Que ensinou a Sophia a lamber seu prato (agora ela quer lamber todos).

E que é uma amigona, mesmo sem saber.

Lindona, seu ensaio ficou incrível…

 

Baby come back!

Primeiramente eu sumi, sim, sumi, mas não foi de propósito. Depois daquela pane no sistema do speedy eu ainda tive o modem quebrado, e até um novo chegar eu fiquei desconectada. Eu até poderia ter ido a uma lan house, mas além de dinheiro, anda faltando tempo. 

Mas aqui estou eu, voltando e pedindo mil desculpas a todos aqueles que vieram aqui durante esse tempo e não encontraram nem um bilhetinho. E olha que eu adoro um bilhetinho.

Vamos lá!

Minha mãe recebeu um e-mail com a seguinte história, que é linda, me fez refletir bastante e eu nem sei se é verdade. E nem importa. Só gostaria de saber a autoria, que no e-mail não estava especificado.

“Essa história que eu  vou contar agora aconteceu com uma mulher inteligente
que estava fazendo uma  palestra, diz ela:

Mês passado, participei de um evento sobre o Dia da Mulher.
Era um bate-papo com uma  platéia composta de umas 250 mulheres de todas as
raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui
questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.

Foi um momento inesquecível…
A platéia  inteira fez um ‘oooohh’ de descrédito.

Aí fiquei pensando: “pô, estou neste  auditório há quase uma hora exibindo
minha inteligência, e a única coisa que  provocou uma reação calorosa da
mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho”?
Onde é que nós estamos?’

Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado
‘juventude eterna’. Estão  todos em busca da reversão do tempo.
Acho ótimo, porque decrepitude  também não é meu sonho de consumo, mas
cirurgias estéticas não dão conta  desse assuntos sozinhas.

Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas
mesmo em idade avançada.
A fonte da juventude  chama-se mudança.
De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes
da hora.
A única maneira de ser idoso sem envelhecer é  não se opor a novos
comportamentos, é ter disposição para guinadas.
Eu  pretendo morrer jovem aos 120 anos.

Mudança, o que vem a ser tal  coisa?

Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou  a vida
toda para um bem menorzinho.
Teve que vender e doar mais da metade  dos móveis e tranqueiras, que havia
guardado e, mesmo tendo feito isso com  certa dor, ao conquistar uma vida
mais compacta e simplificada,  rejuvenesceu.

Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou
passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu.

Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não
tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol.
Rejuvenesceu.

Toda mudança cobra um alto preço  emocional. Antes de se tomar uma decisão
difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são
inúmeros, a vida se desestabiliza.
Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada
na face.

Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal
juventude eterna. Um olhar opaco pode ser  puxado e repuxado por um
cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que  continuara opaco porque não
existe plástica que resgate seu brilho.
Quem dá  brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.

Olhe-se no  espelho… Como está o seu olhar? “

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Lindo texto, descreveu muito bem o que para mim é velhice. Já tive muitas colegas que eram velhas aos 19 anos, cheias de rotina e lodo entre os dedos.

A vida é movimento, é mudança, é uma sucessão de ciclos, que mesmo sendo eternos, variam sempre entre si.
Todos os anos, durante o inverno, as folhas das árvores da minha calçada caem. Secas e em grandes quantidade.
Mas elas nunca são iguais. Elas nunca caem no mesmo lugar e muito menos do mesmo jeito. Elas se deixam levar pelo vento. Não é incrível a sabedoria que existe em algo tão simples?

Eu tenho orgulho de ter aprendido a fazer o mesmo, vou com o vento.
E de ter meus olhos bem vivos e brilhantes, eu diria mesmo, de ressaca. 😉

Pin-up!

Hoje mostrarei um ensaio fotográfico, realizado semana passada, aqui em casa, com o tema: Pin-up!

A modelo é a Letícia, que por uma incrível coincidência é também minha amigona.

O ensaio durou uma tarde, era a primeira vez que ela posava para mim, mas passado os primeiros minutos, tudo se tornou tranqüilo, divertido e bonito, como todo ensaio deve ser.
A caracterização foi por conta da próprio modelo, que finge ser uma pessoa normal, mas naquele dia, mostrou a sua verdadeira face, a de pin-up.

Sim, minha amiga é uma verdadeira pin-up.

Fazer o quê, né? Algumas pessoas têm amigas góticas, outras crentes e algumas até histéricas, a minha é uma pin-up.
E é perfeita. Não só como pin-up.

Se eu fosse escrever sobre ela agora, o post tomaria outros rumos, prefiro reservar o assunto e escrever com mais calma, ela merece bem mais do que uma simples nota.

Aproveitei o ensaio para deixar fluir, mexer nas cores e mostrar novos ângulos.

Aproveitem!

É só clicar na foto, que vai para a galeria completa de fotos.

pin-up-027-copia

Vai Jhenifer, ser Gauche na vida

Como sempre foi, a vida é cheia de surpresas.

Heis que conheço uma mulher através deste blog, conversamos e dividimos vários assuntos, descubro que ela mora na cidade ao lado da minha e num show do Teatro Mágico a conheço pessoalmente. Mas sequer conversamos. Umas semanas depois, ela aceita, sem cerimônia nenhuma, posar para um ensaio fotográfico.
É a Jhenifer, a Gauche , minha querida confusão e fusão poética em forma de mulher.

Aliás, ainda não tenho o projeto organizado e escrito, mas quero fotos com o tema “Feminino”.

O universo da mulher me fascina e é um dos focos dos meus trabalho.
A sensibilidade, a multiplicidade e a força da mulher me faz pensar na terra. Na terra que, através da água e de sua composição, faz brotar seres vivos e nos ensina o verbo “esperar”.

As fotos foram feitas no último domingo, em São José do Rio Preto, nos arredores da chácara da minha mãe, a Fátima Salomeh.
Além da simpatia da modelo e da sua facilidade em posar, fomos para uma roça de cana-de-açúcar que havia sido queimada há pouco tempo, com uma árvore linda ao fundo. Ah sim, no pôr-do-sol. Perfeito, né?

Enjoy it!

PS- Detalhe importantíssimo! A maquiagem foi feita por Fátima Salomeh e a produção e iluminação por Fernando Macaco!

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Clique na foto para entrar na galeria completa!

Beijos!!