Águia

“Águia…

Voe alto,

e toque o Grande Espírito

Partilhe comigo sua energia,

Toque-me, honre-me

para que eu possa

conhecer-te também”.
(Jamie Sams/ David Carson)

Por conta da sua capacidade de estar nas alturas, a águia é um animal que possui uma ligação com o Divino. Consegue transitar entre os mundos material e espiritual, levando as preces dos homens para o Grande Espírito e trazendo Suas bênçãos ao mundo terreno. É também um animal solar.

Vamos neste momento nos conectar à grande energia, que permeia nossos sonhos, pensamentos, crenças e permitir que a nossa visão se abra para além deste mundo aparente.
O mundo físico é uma centelha do Grande Mundo Total, onde podemos ver a conecção entre todas as energias, onde entendemos o movimento das ondas conectadas aos astros.

Vamos ver além para conseguirmos ter uma visão diferenciada das situações problemáticas, uma vez que enxergarmos tudo do alto.

Simboliza também a renovação, pois em determinada fase de sua vida, a águia passa por um difícil, doloroso e longo processo de deixar renascer seu bico e suas garras, para que possa continuar a viver. Por isso, a águia é considerada guerreira e representa a coragem.
Ela nos mostra que para irmos além, para podermos mergulhar no abismo sem medo, temos que nos desprender de antigas defesas, mecanismos de força e transmutar a segurança.

Suas penas costumam ser utilizadas pelos xamãs em trabalhos de cura.

A partir das lições da águia, podemos aprender a ter mais fé em nós mesmos, nos permitindo ter coragem encarar e renovar , nossas forças, as nossas fraquezas. Ela também pode nos ensinar a ter a fé no Divino, através de nossas orações que podem por ela serem levadas ao mundo espiritual.

Este texto foi escrito inspirado pelo livro Cartas Xamânicas, dos autores Jamie Sams e David Carson. Caso queira compartilhar, não se esqueça de citar a autoria!

 

Sobre a dor de parir

Se tem uma pergunta que escuto muito é :
– Mas parir, dói?

Minhas respostas variam muito em palavras, mas sempre enfatizo: -Sim, dói, embora a dor seja relativa.
Pois nascer dói, e vamos ser sinceras, dói de qualquer jeito, se for normal ou se for através de uma cesárea. Dói pois temos que quebrar a casca e brotar. Se a planta não quebra a casquinha, ela nunca vira uma árvore.

A dor da cesárea pode ser sentida por conta de ser uma cirurgia de grande porte, muito invasiva, onde, vamos la:
“Após a anestesia é feita uma incisão. A incisão é horizontal e atinge três planos: a pele, a tela subcutânea, que é a camada de gordura e a fáscia do músculo reto abdominal, que é uma membrana que reveste o músculo. Em seguida, o cirurgia altera a posição de incisão e faz um corte e divulsiona (afasta), os músculos reto abdominal, em sua porção central, local conhecido como linha alba, que é uma fusão de tendões, pouco irrigado, que não sangra, porem que apresenta cicatrização demorada. Vencendo este plano, o cirurgia corta também o peritônio, que reveste os órgão abdominais e visualiza o útero, que é aberto e o bebê, bem como a placenta são removidos.”
O pós operatório é todo sentido, pois a tal “cesárea que não dói” é por você estar cheio de anestesia, mas a anestesia passa. E remédios comuns para a dor são fraquinhos comparados a dor do corte. Até tossir dói.

A dor do parto normal é por conta das contrações, da movimentação pelvica para a descida do bebê e depois da abertura para passagem dele pelo canal vaginal. E depois que nasce, pluft, acabou! Mesmo com lacerações, as dores são bem suaves e melhoram numa média de uma semana.

Mas vamos lá, disso, a maioria já sabe. certo?

O que ninguém fala é que o que dói mesmo é o desrespeito pela mulher em trabalho de parto. é dessa dor que muitas mulheres na média de 40 – 60 (nossas mães) falam.
É a indiferença no olhar. É a frieza do centro obstétrico, que se caracteriza não só pelo ar condicionado, mas principalmente pela maneira como tratam esta mulher. Não estendem a mão sequer para ela poder ir para a maca, imaginem para acolher. Forçam a mulher a ficar numa posição desconfortável por horas a fio, e se ela reclamar, vem uma ameaça logo em seguida. E ameaças não faltam. Ameaças disfarçadas de procedimentos necessários e de sabedoria. Ameaças disfarçadas de profissionalismo:
“Olha, você não está fazendo a força certa, vai querer ficar nessa posição até que horas? Você só vai sair daí quando este bebê nascer, então é melhor começar a colaborar”

“Já não pedi para você segurar no lugar certo? É ali, naquele ganchinho de metal. Você realmente não quer ajudar, ninguém aqui vai parir por você, viu, você está sozinha nessa”

“Vai ficar gritando? Vai sair com a garganta toda doida e não vai conseguir fazer esse bebê nascer”

“Ta tremendo porque?”

“Com esse show todo que você ta dando, agora vai me pedir uma cesárea? Não acredito que você fez tudo isso por nada. Tem até doula e vai pedir uma cesárea. Olha, é pacabá. Bom, é isso que você quer (parturiente chorando e implorando por uma cesárea, com bebê quase coroando)? Então vamos lá, real indicação de cesárea, a paciente pediu.”

Isso é dor. Isso é sofrimento. E isso se chama violência obstétrica. E isso aconteceu em Rio Preto, em São Paulo, em Salvador, em Belém, não importa a cidade, acontece todos os dias, a cada 4 partos um vem recheado dessa mistura. E deve ter acontecido hoje, ontem e vai acontecer amanhã.


Ninguém merece passar por isso. Ninguém. Nem estes mesmos profissionais insensíveis que falaram e fizeram tudo isso.
Que um parto dói, disso ninguém duvida, mas quando é um parto com respeito, com amor e acolhimento, a dor ganha um novo significado, ela faz parte de um processo necessário e consciente dessa mulher.
Quando a mulher passa por isso que descrevi acima a dor também ganha um novo patamar, onde a mulher sente como se tivesse sido abusada, com todos olhando, e por várias pessoas. Onde seu corpo é falho. Onde sua voz é abafada e inútil. Onde qualquer esforço é inútil.

A dor de parir vira trauma.

Aqui um documentário que, apesar do áudio, é maravilhoso:

Não me cansarei de lutar, como mulher, como doula, como mãe.
Não me cansarei de repetir: “busquem uma equipe humanizada”, não fiquem a mercê, não contem com a sorte, não percam seus partos!
Pois seus corpos são saudáveis e gostamos de parir.

Aqui um projeto lindíssimo sobre o assunto:

“Uma em cada quatro mulheres brasileiras que deram a luz em hospitais públicos ou privados relatam algum tipo de agressão durante o parto”. É o que aponta a pesquisa Mulheres Brasileiras nos Espaços Público e Privado, feita pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o SESC, em 2011.

1:4 é um projeto fotográfico que busca materializar as marcas invisíveis deixadas por esse tipo de violência e traz à luz uma reflexão sobre a condição do nascimento no Brasil e as intervenções desnecessárias que ocorrem no momento do parto.

No momento, a produção de fotos para o Projeto está pausada.

Para ver outras imagens produzidas, visite a página do Projeto 1:4 no Facebook, que atualmente é o principal canal de comunicação utilizado pelo Projeto :www.facebook.com/projeto1em4. ”

Mamãe Oxum

As mulheres que desejarem ter filhos dirigem-se a Oxum, pois ela controla a fecundidade, graças aos laços mantidos com Ìyámi-Ajé (“Minha Mãe Feiticeira)”. Sobre este assunto uma lenda conta que:
“Quando todos os orixás chegaram a terra, organizaram reuniões onde as mulheres não eram admitidas. Oxum ficou aborrecida por ser posta de lado e não poder participar de todas as deliberações. Para se vingar, tornou as mulheres estéreis e impediu que as atividades desenvolvidas pelos deuses chegassem a resultados favoráveis. Desesperados, os orixás dirigiram-se a Olodumaré e explicaram-lhe que as coisas iam mal sobre a terra, apesar das decisões que tomavam nas assembléias. Olodumaré perguntou se Oxum participava das reuniões e os orixás responderam que não. Olodumaré explicou-lhe então que, sem a presença de Oxum e de seu poder sobre a fecundidade, nenhum de seus empreendimentos poderia dar certo. De volta a terra, os orixás convidaram Oxum para participar de seus trabalhos, o que acabou por aceitar depois de muito lhe rogarem. Em seguida, as mulheres tornaram-se fecundas e todos os projetos obtiveram felizes resultados”.

Diz uma lenda que Oxum passeava na floresta brincando os animais, que são seus amigos, desfilando seu ar coquete e sensual. Foi assim que Ogum – homem rude, bruto e violento – a avistou. Diante da beleza e graça de Oxum, Ogum sentiu que se apaixonava por Oxum e correu para ela. Declarando seu desejando e implorando seu amor. Mas ela só tinha olhos para Xangô, por quem estava enamorada. Assustada com a atitude de Ogum começou a correr pela mata, fugindo de seu pretendente que a seguia de perto. Desesperada se atirou nas água de um rio, cuja corrente a arrastou rapidamente para bem longe de Ogum, mas ameaçava afoga-la.

Levada pela correnteza, chegou até a desembocadura, onde encontrou Iemanjá. Compadecida, a senhora mãe das águas a protegeu e presenteou Oxum com aquele rio para ela pudesse viver. Ainda lhe presenteou com corais, jóias e cauris. Assim, Oxum encantou o seu amado Xangô com a sua riqueza e beleza e passou a viver no rio, que hoje leva o seu nome, tornando-se amiga inseparável de Iemanjá.

Fonte: http://www.oxum.com.br/site/

Medusa

“Alguns creem que a decapitação de Medusa simboliza o domínio da sociedade patriarcal. Medusa, termo que significava “sabedoria feminina soberana” foi silenciada e seus poderes caíram sob o controle e as ordens dos homens… A grega Medusa é uma importação da Líbia, onde era venerada pelas amazonas, junto às Deusas das Serpentes. Originalmente simbolizava a sabedoria das mulheres, os mistérios do feminino e os ciclos da natureza e mais tarde esses valores foram deturpados e Medusa passou a ser conhecida como “monstro maligno”.