Cura

” Cada mulher que cura a si mesma contribui para curar a todas as mulheres que a precederam e a todas aquelas que virão depois dela”.

1959359_633167843398500_1176930883_n

“Eu chamo a força, eu chamo a força
eu chamo a força
força das pedras para me firmar
Eu chamo a terra, eu chamo a terra
eu chamo a terra
eu chamo a terra para me enraizar

****

Eu chamo o vento, eu chamo o vento
eu chamo o vento
eu chamo o vento vem me elevar
Eu chamo o fogo, eu chamo o fogo
eu chamo o fogo
eu chamo o fogo para me purificar

****

Eu chamo a Lua, chamo o Sol
chamo as Estrelas
Chamo o Universo para me iluminar
Eu chamo a água, chamo a chuva
e chamo o rio
Eu chamo todos para me lavar

****

Eu chamo o raio, o relâmpago e o trovão
Eu chamo todo o Poder da Criação
Eu chamo o mar, chamo o céu e o infinito
Eu chamo todos para nos libertar

****

Eu chamo Cristo, eu chamo Budha
Eu chamo Krishna
Eu chamo a força de todos Orixás
Eu chamo todos com suas forças Divinas
Eu quero ver o Universo iluminar

****

Eu agradeço pela vida e a coragem
Ao Universo pela oportunidade
E a minha vida eu dedico com amor
Ao sonho vivo da nossa humanidade

****

Sou mensageiro, sou cometa, eu sou indígena
Eu sou filho da nação do Arco Íris
Com meus irmãos eu vou ser mais um guerreiro
Na nobre causa do Inka Redentor

****

Eu sou guerreiro, eu sou guerreiro e vou lutando
A minha espada é a palavra do amor
O meu escudo é a bondade no meu peito
E o meu elmo são os dons do meu Senhor

****

Eu agradeço a nossa Mãe e ao nosso Pai
E aos meus irmãos por todos me ajudar
A minha glória para todos eu entrego
Porque nós Todos Somos Um nesta união

****

Ñdarei a sã
ñdarei a sã
ñdarei a sã

****

Desde o principio Todos Nós Somos Irmãos!

****

Orei ouá
Orei ouá
Orei ouá

****

Viva o Poder de todo o Universo!”

Autor: Lucy Sem Fronteiras – Artigo original do Blog Amor e Paz Sem Fronteiras: http://www.amorepazsemfronteiras.com/2010/10/guerreiros-da-paz-hino-xama-pela-paz.html#ixzz3h6Dgf5hU

Águia

“Águia…

Voe alto,

e toque o Grande Espírito

Partilhe comigo sua energia,

Toque-me, honre-me

para que eu possa

conhecer-te também”.
(Jamie Sams/ David Carson)

Por conta da sua capacidade de estar nas alturas, a águia é um animal que possui uma ligação com o Divino. Consegue transitar entre os mundos material e espiritual, levando as preces dos homens para o Grande Espírito e trazendo Suas bênçãos ao mundo terreno. É também um animal solar.

Vamos neste momento nos conectar à grande energia, que permeia nossos sonhos, pensamentos, crenças e permitir que a nossa visão se abra para além deste mundo aparente.
O mundo físico é uma centelha do Grande Mundo Total, onde podemos ver a conecção entre todas as energias, onde entendemos o movimento das ondas conectadas aos astros.

Vamos ver além para conseguirmos ter uma visão diferenciada das situações problemáticas, uma vez que enxergarmos tudo do alto.

Simboliza também a renovação, pois em determinada fase de sua vida, a águia passa por um difícil, doloroso e longo processo de deixar renascer seu bico e suas garras, para que possa continuar a viver. Por isso, a águia é considerada guerreira e representa a coragem.
Ela nos mostra que para irmos além, para podermos mergulhar no abismo sem medo, temos que nos desprender de antigas defesas, mecanismos de força e transmutar a segurança.

Suas penas costumam ser utilizadas pelos xamãs em trabalhos de cura.

A partir das lições da águia, podemos aprender a ter mais fé em nós mesmos, nos permitindo ter coragem encarar e renovar , nossas forças, as nossas fraquezas. Ela também pode nos ensinar a ter a fé no Divino, através de nossas orações que podem por ela serem levadas ao mundo espiritual.

Este texto foi escrito inspirado pelo livro Cartas Xamânicas, dos autores Jamie Sams e David Carson. Caso queira compartilhar, não se esqueça de citar a autoria!

 

A Lua Vermelha

Na Antigüidade, o ciclo menstrual da mulher seguia as fases lunares com tanta precisão que a gestação era contada por luas. Com o passar dos tempos, a mulher foi se distanciando dessa sintonia e perdendo, assim, o contato com seu próprio ritmo e seu corpo, fato que teve como conseqüência vários desequilíbrios hormonais, emocionais e psíquicos. Para restabelecer essa sincronicidade natural, tão necessária e salutar, a mulher deve se reconectar à Lua, observando a relação entre as fases lunares e seu ciclo menstrual. Compreendendo o ciclo da Lua e a relação com seu ritmo biológico, a mulher contemporânea poderá cooperar com seu corpo, fluindo com os ciclos naturais, curando seus desequilíbrios e fortalecendo sua psique.
413983_299940103408712_2052457686_o

Para compreender melhor a energia de seu ciclo menstrual, cada mulher deve criar um Diário da Lua Vermelha, anotando no calendário o início de sua menstruação, a fase da lua, suas mudanças de humor, disposição, nível energético, comportamento social e sexual, preferências, sonhos e outras observações que queira.

Para tirar conclusões sobre o padrão de sua Lua Vermelha, faça essas anotações durante pelo menos três meses, preferencialmente por seis. Após esse tempo, compare as anotações mensais e resuma-as, criando, assim, um guia pessoal de seu ciclo menstrual baseado no padrão lunar. Observe a repetição de emoções, sintonias, percepções e sonhos, fato que vai lhe permitir estar mais consciente de suas reações, podendo evitar, prever ou controlar situações desagradáveis ou desgastantes.

tumblr_mznotelrV91tqulmao1_500
(Réplicas de um útero normal e um útero menstruando)

Do ponto de vista mágico, há dois tipos de ciclos menstruais determinados em função da fase lunar em que ocorre a menstruação. Quando a ovulação coincide com a lua cheia e a menstruação com a Lua Negra (acontece nos três dias que antecedem a lua nova, entendido como o quinto dia da lua minguante), a mulher pertence ao Ciclo da Lua Branca. Como o auge da fertilidade ocorre durante a lua cheia, esse tipo de mulher tem melhores condições energéticas para expressar suas energias criativas e nutridoras por meio da procriação.

Quando a ovulação coincide com a lua negra e a menstruação com a lua cheia, a mulher pertence ao Ciclo da Lua Vermelha. Como o auge da fertilidade ocorre durante a fase escura da lua, há um desvio das energias criativas, que são direcionadas ao desenvolvimento interior, em vez do mundo material. Diferente do tipo Lua Branca, que é considerada a boa mãe, a mulher do Ciclo Lua Vermelha é bruxa, maga ou feiticeira, que sabe usar sua energia sexual para fins mágicos e não somente procriativos.
fases

Ambos os ciclos são expressões da energia feminina, nenhum deles sendo melhor ou mais correto que o outro. Ao longo de sua vida, a mulher vai oscilar entre os ciclos Branco e Vermelho, em função de seus objetivos, de suas emoções e ambições ou das circunstâncias ambientais e existenciais.

Além de registrar seus ritmos no Diário da Lua Vermelha, a mulher moderna pode reaprender a vivenciar a sacralidade de seu ciclo menstrual. Para isso, é necessário criar e defender um espaço e um tempo dedicado a si mesma. Sem poder seguir o exemplo das suas ancestrais, que se refugiavam nas Tendas Lunares para um tempo de contemplação e oração, a mulher moderna deve respeitar sua vulnerabilidade e sensibilidade aumentadas durante sua lua. Ela pode diminuir seu ritmo, evitando sobrecargas ao se afastar de pessoas e ambientes carregados, não se expondo ou se desgastando emocionalmente, e procurando encontrar meios naturais para diminuir o desconforto, o cansaço, a tensão ou a agitação.

Com determinação e boa vontade, mesmo no corre-corre cotidiano dos afazeres e obrigações, é possível encontrar seu tempo e espaço sagrados para cuidar de sua mente, de seu corpo e de seu espírito. Meditações, banhos de luz lunar, água lunarizada, contato com seu ventre, sintonia com a deusa regente de sua lua natal ou com as deusas lunares, viagens xamânicas com batidas de tambor, visualizações dos animais de poder, uso de florais ou elixires de gemas contribuem para o restabelecimento do padrão lunar rompido e perdido ao longo dos milênios de supremacia masculina e racional.

tumblr_nf72knpcdN1s0ik9yo1_500

O mundo atual – em que a maior parte das mulheres trabalha – ainda tem uma orientação masculina. Para se afastar dessa influência, a mulher moderna deve perscrutar seu interior e encontrar sua verdadeira natureza, refletindo-a em sua interação com o mundo externo.

A história da Primeira Mulher (contada por Miranda Gray)

Na nossa menstruação mora um segredo – o poder criativo de gerar nossos sonhos. Mas só poderemos acessar essa habilidade maravilhosa se descansarmos e sonharmos durante o sangramento lunar. Este mês, prometa a si mesma que vai descansar, para sonhar acordada o seu futuro e honrar essa habilidade criativa maravilhosa do seu interior.

“A Anciã Invernal estava sentada numa grande pedra fumando seu cachimbo.

‘O que a senhora está fazendo?’, perguntou a Primeira Mulher, curiosa, porque a Anciã Invernal não havia se movido da pedra durante toda a manhã.

‘Estou criando’, disse a Anciã Invernal.

‘Oh’, disse a Primeira Mulher, olhando ao redor cheia de expectativa. ‘O que está criando?’

‘Fumaça’, disse a Anciã Invernal, olhando a fumaça que lentamente emergia do cachimbo.

‘Ok então’, disse a Primeira Mulher, hesitante, e começou a afastar-se.

Quando a Primeira Mulher já tinha ido embora, Anciã Invernal disse baixinho: ‘Na fumaça, vejo e crio o futuro’.

Mais tarde, a Primeira Mulher compartilhou esse encontro estranho com a Mãe Lua.

‘Na escuridão do seu Sangramento Lunar’, explicou a Mãe Lua, ‘você tem o poder de criar seus sonhos como a Anciã Invernal’.

Mãe Lua toca o coração da Primeira Mulher.

‘Imagine seus sonhos aqui’, ela disse, ‘abra seu coração e a vibração fluirá através dos fios que mantêm o Universo unido para criar seus sonhos e o seu futuro. Por isso o momento do seu Sangramento Lunar é tão importante. É quando a Anciã Invernal caminha contigo e te leva para a caverna para descansar e sonhar.’

Mãe Lua tocou o ventre da Primeira Mulher.

‘Aqui’, ela disse, ‘você flui com a energia criativa. Você traz suas ideias da escuridão para a luz e, como uma mãe, você as nutre enquanto vão crescendo. Antes de retornar à escuridão para descansar, você as lança ao mundo e assim poderá sonhar de novo.’

A Primeira Mulher sentou o resto da noite com as suas mãos no baixo ventre, olhando a fumaça que emergia da lareira, imaginando o futuro e tecendo seus sonhos.”

Quando respeitamos nossos ciclos com suas energias sexuais e criativas, descobrimos os presentes maravilhosos que eles nos oferecem.

Amor e abraços.

Relato de Parto Domiciliar, Luana e Arthur

“Acho que me sinto finalmente pronta para Parir o meu relato de Parto.

Desde que o Artur nasceu que venho tentando organizar tudo o que passei em palavras.
O trabalho todo foi tão intenso, tão mágico que me restaram alguns flashes e poucas palavras.
E hoje me veio uma vontade tão louca de parir de novo, de sentir o pulsar do meu útero, saudade das contrações… que decidi tentar relatar um pouco do que vivi, até para as vezes conseguir entender melhor pelo o que passei.

Começo pela minha gestação.

Caos é a palavra perfeita para descrevê-la.Eu estava morando em uma Ocupação em Rio Preto e prestes a me mudar para Floripa com o meu parceiro e amigos.Comecei a me sentir enjoada, achei que era por causa da comida, até tava tomando remédios para o estômago, mas, quando deu 3 semanas de atraso no meu ciclo, não teve jeito.. resolvemos fazer um teste de farmácia. Deu positivo.. por via das dúvidas resolvi fazer outro, só para ter certeza mesmo. Positivo.

Lembro que a Nath Gingold postava com frequência sobre partos humanizados e sempre que sobrava um tempo, eu lia.

Quando caiu a ficha, eu e meu parceiro, Marco, fomos atrás de um GO. Nós, na nossa SANTA INOCÊNCIA, já chegamos falando sobre Parto Humanizado.
Nessa primeira consulta eu e meu bebê já fomos chamados de retardados por só querer saber sobre Parto Normal. Na segunda que foi com uma médica ela receitou um remédio, que gestante não pode tomar. Até que encontramos o Dr. Guaraci, que fez todo o meu pré natal e nunca me julgou por querer Parto Normal, pelo contrário, me incentivava. Minha família teve e tem problemas em aceitar minha gravidez até hoje e em toda a gestação teve muita opinião e medo alheio. Teve crise no meu relacionamento com o Marco, teve muita mudança de casa, muito choro, muita briga, muita confusão, muita não aceitação da gestação.

Até que com 6 meses eu senti o primeiro chute. E ai, eu me apaixonei.

Demorei 6 meses pra olhar para minha barriga e imaginar um bebê dentro dela. Demorei 6 meses pra dar o amor que meu bebê pedia e merecia.
E o amor que eu falo não é ficar alisando a barriga o dia todo, ou tirar mil fotos.. é a conexão incrível que existe entre uma mãe e o bebê.

10527893_10202695194842837_360964445247632765_n

Sobre o Parto Domiciliar, minha família acha que eu sou louca até hoje, que eu arrisquei demais e que foi tudo na cagada.
A família do Marco, sempre apoiou as minhas escolhas, todas elas.. Porque hora eu optava por hospitalar hora por domiciliar..

O último encontro Gaia que eu fui, eu trouxe até mim de novo toda a minha confiança em ter sim um Parto Domiciliar. Foi um encontro em que a Lucelia Caires tava lá para falar sobre partos.
Já tinha ouvido falar e muuuuito sobre a Lucélia.. só que nunca fui atrás de conhecer ela de fato.
Ai, a Lu que veio falar comigo, queria saber quais eram os meus planos para o parto. E naquela altura, a ideia era, avançar em casa e depois ir para o Austa ter Parto Normal com o Dr. Guaraci.
A Lu me chamou pra ir na casa dela para conversarmos.. e conversa vai e conversa vem.. e decidimos ter em casa.
Mas logo depois mudei de opinião. Ai ficou de avançarmos com a Lu e depois ir para o Austa com o Dr. Guaraci.

Na sexta feira, dia 12 de setembro, eu e o Marco fizemos nosso chá de bençãos no centro aonde vamos, recebemos as bençãos dos caboclos no dia e quando chegamos em casa, fizemos aqui as nossas bençãos com nossas pedras de cura e energizadores.

No dia 13 de setembro, sábado, tivemos uma feirinha de vendas com a Criata no Vasco, e já lá eu estava com dores nas pernas e na lombar, só que achava que era o sapato que estava pesado, me apertando..
Chegamos em casa as 23h e eu tive umas contrações, só que achei que fosse contrações ‘educativas’.
As 3h da madruga do sábado para o domingo eu acordei já com bastante dor, acordei o Marco e começamos a conometrar as contrações.. Estavam de 6 em 6 minutos.
As 5h da madrugada, o meu tampão começou a sair.
Esperamos dar umas 8h da manhã para ligar pro Dr.Guaraci, porque era domingo, e enfim, era cedo…
o Dr. Guaraci disse que tudo tava normal e que era pra gente manter ele informado.
Informamos a Lucélia do que estava acontecendo, ela disse que viria logo menos para nossa casa e enquanto isso o Marco ligou para o Dr. Guaraci para dar novas notícias e o Dr. disse que havia saído de Rio Preto, que
era pra gente ir pra emergência do Austa e pegar um plantonista e Boa Sorte.
O QUÊ? COMO ASSIM? CÊ TA LOUCO?
Ficou por isso…

A Lucélia chegou umas 11h, ouvimos o coração do bebê, avisamos do que tinha acontecido com o Dr.Guaraci e ela falou que voltaria já com os equipamentos para um parto domiciliar.
Dormi. Acordei com a Lu em casa com tudo!!! Era umas 15h mais ou menos.
E dalhe massagem!1466271_10203114135756098_729769734549524977_n

10521441_10203114158596669_1341037666407151359_o

Uma das minhas lembranças mais fortes é a de estar no meio de uma contração e me encontrar no meio do mar cheio de ondas, e eu parada no meio dele e Iemanjá na minha frente com os braços abertos, e nessa mesma hora a Lucélia começou a cantarolar a música de Iemanjá.
Me arrepio toda só de lembrar!

Comi algumas frutas, açaí e chocolate e tomei muita Água com Mel.
Vomitei tudo. Três vezes.

O Marco Criata esteve comigo o tempo todo!!! Me apoiando e me deixando segura!!!
Achamos que quando eu estivesse parindo ele iria ficar maluco, só que foi bem ao contrário. Deixamos todo o nosso ego de lado e nos unimos para a chegado no nosso amor maior.
Ele cuidou de tudo, se dividiu em 1000, não me deixou preocupada com nada!! Desde dos detalhes de última hora até ligações de minuto em minuto da minha mãe.
Me massageou, me beijou, falava sempre palavras doces me incentivando. Sempre que dava um desânimo, lá vinha ele me contar do Artur e de como eu tava me saindo bem!
Companheiro divo!

10679557_10203114156916627_7582783857422451829_o

A minha amiga, Talita Miranda, chegou acho que era umas 19h, toda Índia e sorridente! Olhar para ela me passava uma sensação tão aconchegante!
Fez dela a minha doula, tirou de mim o peso que eu tava carregando de eu ser minha própria doula.

1403070_10203114156356613_5144463322164740002_o

Lembro de muitos sorrisos, pra onde eu olhava tinha um sorriso e mãos me massageando sempre.
Lembro de me sentir super segura com os toques que a Lucélia fazia. Era um alívio muito grande saber quantos centímetros eu tava.

E acho que umas meia noite, meia noite e meia a Amélie Lecorné chegou pra completar o time.

10661949_10203114158756673_6715511399524271737_o
Amélie estava em Rio Preto para conhecer a Lucélia e a Poliana Risso. Veio para cá e voltou para sua cidade, e chegando lá, a Lucélia ligou para ela e perguntou se ela poderia voltar pra ajudar no meu parto e ela voltou!!!
Só que quando ela chegou, eu já tava mais pra lá do que pra cá e lembro de pouquíssimas coisas.

Lembro das dores estarem um pouco mais fortes e os intervalos entre elas menores.

Montaram a piscina.
Ranquei toda a roupa sem delongas e entrei na piscina e nossa!!!
Que sensação divina!

10688113_10203114157676646_5494579005243880729_o 10683529_10203114157196634_1984751943441540231_o 10623500_10203114156756623_6814572816114647339_o

O Marco ficou na piscina comigo, fazendo massagem.
Entre uma contração e outra, eu e toda a equipe dormíamos, todos exaustos.
Lembro de sentir os pezinhos do Artur empurrando minhas costelas e sentir a cabecinha dele lá embaixo.
Quanto estava amanhecendo, eu me senti super mal por não ter nascido ainda, fiquei triste em ver que tinha passado tanto tempo e nem a bolsa tinha rompido ainda.
Uma sensação realmente desanimadora!!!

Logo em seguida a bolsa rompeu!!

Pedi pra tomar um banho, a água morna tava me cozinhando, o vapor me irritava…
Nas escadinhas pra ir para o banheiro, senti o Artur descendo, essa dor foi foda, ardeu tudo…
Tomei banho, achando que ele ir nascer ali mesmo. Voltei pra piscina com essa dor..
Ai foi que foi..

10382598_10203114156876626_1512935598969457425_o
Era 6:24h da manhã de uma segunda feira, o Sol estava subindo e o Artur descendo finalmente para os nossos braços!!!
Nasceu todo enrolado no cordão umbilical!
10631095_10203114155436590_6824261293948218291_o

Essa sensação de ver o rosto dele pela primeira vez, de ter dado a luz… eu acho que nunca, na minha vida toda eu vou saber escrever com todos os detalhes.

1014753_10203114160676721_7490976469370359104_o 10714506_10203114157716647_5036096038378239171_o 10750457_10203114160276711_5001122946447115389_o
Acho que só quem tem filhos sabe o que é a emoção em ver o seu bebê pela primeira vez na vida.

Saímos da piscina, o Artur ficou comigo o tempo todo.
O Marco cortou o cordão umbilical!!!

E ai, eu tive que parir a placenta…
Foram mais 5h para parir essa placenta.. pra mim passou em segundos, pra equipe foi beeeeeem mais cansativo.
Placenta nasceu, eu comi 3 pedacinhos e cada um da equipe comeu 1 pedacinho também!

10338482_10203114160796724_439840040335178979_o

E foi tudo isso que aconteceu.
Artur nasceu em uma manhã linda de uma segunda feira com 3,420kg e com 53cm, em um Parto Ativo, Domiciliar, Humanizado e cheio de amor!
Tomou seu primeiro banho só na terça feira, mamou na sua primeira hora de vida fora do útero!
Tive uma laceração pequena, de um ponto interno e dois externos.
Ao todo foram 27h de trabalho de parto ativo!

10405488_10203114135676096_5965475020031787943_n 10513339_10203114135436090_555124585980244279_n

Só tenho gratidão por todos que me ajudaram nesse momento tão lindo em nossas vidas!
Gratidão a todas as massagens, a paciência eterna por esperarem o meu tempo e o tempo do Artur, a todo o apoio e acolhimento!
Gratidão ao Grupo Gaia por todo o suporte e informações tanto para mim como para muitas grávidas e tentantes!
Gratidão a todxs xs blogueirxs de plantão e a todos os relatos de parto.
Gratidão Lucélia, Marco, Talita e Amélie por fazerem disso tudo mais do que possível e lindo!!!

1069836_10202857317575804_8988144055675122981_n

E Gratidão ao meu pequeno e grande Artur por me escolher sua mãe!

10420407_10203062478104689_6051794481823040176_n

E a todxs… Parir é uma delícia! ”

Relato gentilmente cedido ao blog por Luana ❤ Gratidão querida, você e toda essa equipe, nos inspira!

Relato de parto: Naiara Escobar Chaves e João Iaco de Carvalho

” Bem pessoas que lêem esse relato, não sei dizer ao certo onde começa o meu parto, mas vou falar do que acredito ter sido o início de um novo ciclo na minha vida: minha mudança para a cidade de Lins. Saí de Rio Preto um pouco forçada para acompanhar meu esposo que foi transferido de cidade pela repartição que serve. Assim que me mudei, em uma das inúmeras idas e vindas da casa de minha mãe em Rio Preto, para minha casa em Lins, eu já pressentia que alguém chegaria nesse mundo…minha menstruação estava uns dias atrasada, e comprei o teste de farmácia mesmo assim, parei em um posto na rodovia (queria era emoção mesmo nesse momento), e fiz o teste, que deu positivo. Fiquei emocionada e corri pro carro contar para meu companheiro, que no momento não acreditou, achou q fosse uma piada minha, rs. Passada a emoção inicial, começamos a fazer planos acerca da gravidez, do enxoval, do nome e do sexo do bebê, pensamos até mesmo no momento em que essa criança se tornasse um adulto. Enfim, pensamos em tudo, menos no parto, rs. Tenho uma filha de oito anos do primeiro casamento e na gravidez dela também pensei em tudo, menos no parto; afinal eu tinha apenas 17 anos e naquela época nem imaginava o que era Violência Obstétrica. Nem acesso a internet eu tinha. Rhaira nasceu de uma cesária em 2006 porque estava pélvica, e eu nem fiz questão de saber dos pormaiores porque simplesmente não imaginava a importância deles.

Naiara, Rhaira e Jayme
Naiara, Rhaira e Jayme

Voltando a gestação do Iaco, nos meses seguintes aconteceria um fato que mudou o destino do meu parto certamente: o caso da Adelir, que é do conhecimento de todas que se interessam pelo universo do parto. Adelir foi vítima de uma violência sem tamanho, por parte do estado e de um sistema obstétrico decadente; como o caso teve grande repercussão, acabei chegando até ele por intermédio das redes sociais. Fiquei encantada e envolvida com as mulheres que defendiam a autonomia daquela parturiente, e conheci um grupo de mulheres que lutam e se informam para ter um parto digno, o Grupo Gaia de Maternidade Ativa, em Rio Preto. Comecei a trocar informações com as meninas, e logo já estava indo as reuniões do grupo. Quando me dei conta, eu já almoçava e jantava parto , lia os blogs da Adèle Doula, da Melania Amorim , do Dr Ric Jones , da Ana Cristina Duarte ….lia relatos e mais relatos de parto, dentre eles o que mais me emocionou foi um de uma daimista antiga que pariu com o Daime. Tomou Daime o trabalho de parto inteiro e viu tudo de mais lindo que há no universo…alí, eu soube que era isso que eu queria para mim e para o João Iaco…todo aquele universo encantador já fazia parte da minha alma de índia libertária…rsss. Porém eis que me deparo com o sistema, e parir no meu caso seria um desafio, uma epopeia, como tudo foi até hoje na minha vida. Eu, uma mulher obesa, sem o rim esquerdo, com uma cesárea anterior, que já ouvira a um ano atrás de sua GO que não engravidaria “gorda daquele jeito, e se engravidasse as chances de um novo aborto seriam imensas”, como poderia parir ??? Lógico que eu teria que mover mundos pra parir. E eu movi.

A gravidez transcorreu da melhor maneira possível, sem nenhuma intercorrência. Me diverti, passeei bastante, fiz os rituais da minha doutrina, que é o Santo Daime, namorei e curti o meu esposo. Mas eu sabia que aqui na cidade de atual residência eu não conseguiria parir. Uma cidade pequena, com apenas cinco GOs, sendo que o meu é justamente o diretor do hospital…ou seja, sem chance de um parto natural. Com o passar do tempo, eu me via na iminência de uma segunda cesária, caso não fizesse alguma coisa. Ou eu teria um parto domiciliar com uma equipe de Rio Preto, ou viajaria para alguma cidade que tivesse hospital que preconiza humanização. Foi então que eu conheci a minha anja e doula Marília, e foi amor a primeira vista,rs. Eu sabia que ela estaria no meu parto, senti isso na primeira vez que a gente conversou. Mas eu ainda estava em dúvida se paria em casa ou no hospital. Sou uma pessoa que não tem problemas em ficar no hospital, a vida me deixou assim, lógico que eu não gosto de ficar internada, mas se for necessário eu fico. Conversei com algumas parteiras, conversei com muitas mulheres, pesquisei hospitais, participei de cursos e reuniões, debati com o parceiro…fiz o que achei necessário pra tomar minha decisão com segurança. Acabei optando por parir no hospital para que minha família ficasse tranquila…

Na 35º  semana, fiz um lindo trabalho de cura do Santo Daime, e como já havia combinado com a Marília, levei ela e sua família comigo… foi muito bonito e ali a gente se conectou. Começou naquele dia meu trabalho de parto.

Desse dia em diante nos víamos com bastante frequência, eu ia sempre na casa dela. As semanas foram se passando, e uns dias antes de entrar em trabalho de parto, numa sexta feira fizemos um chá de bênçãos na casa dela, com boas conversas e ótimas vibrações. Era uma noite de Lua nova, e na próxima terça viraria para a crescente…eu já estava de 41 semanas e sabia que estava chegando o grande dia. No domingo nos vimos novamente, ganhei de presente da Pri óleo para o trabalho de parto.

Na madrugada da terça feira, exatamente as três horas da manhã, acordei com uma dor diferente na lombar. Senti que meu trabalho de parto começou naquele instante, pois era uma dor intensa e diferente. Acordei o meu esposo e avisei sobre a dor, pedindo-lhe que me servisse uma dose do Santo Daime; ele prontamente me atendeu e comungou uma dose também. Então comecei a sentir o início das cólicas de TP, que vinham como uma onda, exatamente da maneira que as meninas me contaram e eu li em tantos relatos. Deitei no sofá da casa da minha mãe, e nesse momento meu esposo se ajoelhou ao meu lado. A gente se conectou como nunca antes, mais intensamente do que no momento da concepção do João. A gente se olhou com tanto amor, um amor daqueles que são entre as almas. Três almas somente existiam ali, a minha, a dele, e a do João. Foi um dos momentos mais lindos e intensos da minha vida. Meu esposo me abraçou e a gente ouviu os hinos do Santo Daime, enquanto conversamos e o TP evoluía…as horas passaram, e eu senti que era o TP mesmo quando fui ao banheiro e vi a pequena quantidade de muco que saiu de dentro de mim…já eram cinco horas da manhã e liguei pra Marília…fui ao encontro dela na casa de seu companheiro Marcelo, que me receberam com tanta alegria …a essa altura as dores que vinham com as contrações já eram fortes, e o dia começava a amanhecer. Era um dia lindo e atípico, não sei se era pelo trabalho de parto, ou pelo Daime , ou tudo isso junto , mas certamente a magia estava no ar. Com intervalos regulares eu comungava o Santo Daime e a nossa família/equipe também. Marília fazia as vocalizações e vivia cada contração comigo …parecia que ela sentia as dores também. Jayme, meu esposo saiu com Marcelo para comprar os ingredientes de fazer o famoso chá da Naoli, que ajuda no trabalho de parto. Quando ele voltou trazia consigo a Priscila, irmã em alma da Marília , uma bela de uma mulher empoderada e que trabalha com terapias e produtos naturais. Já sentia necessidade de bailar e andar, o Tp evoluía lindamente quando tomamos o chá… o céu numa manhã das mais lindas, Jayme trouxe uma árvore para comemorar a nova vida que chegava . Marília me massageava a cada contração e as dores se intensificavam, quando comecei a fazer limpeza dos intestinos . Nos intervalos das contrações eu ,Marília e Priscila bailamos, conversamos , rimos…fiz exercício numa faixa improvisada com uma rede, e as meninas se revezavam para me massagear…até o Raulzinho, filho da Pri parece que entendia o momento.

10754534_1726684357557682_704687050_o 10754965_1726685794224205_546518552_n 10751955_1726686774224107_1828530952_n

Até que senti que as dores ficaram muito fortes, cogitamos parir ali mesmo, mas acabei indo pro hospital, que ficava a 84 km dali. Já era hora do almoço quando partimos. Jayme dirigiu rápido mas ao mesmo tempo tranquilo, e Marília foi me massageando na lombar o trajeto todo. A essa altura já tenho uma certa dificuldade para lembrar, pois já estava entrando na partolandia. Quando chegamos em Votuporanga, as dores já estavam quase insuportáveis, e Jayme fez minha admissão, enquanto eu e Marília aguardavamos. Chegou então a Fabiana, uma das doulas contratadas do hospital, e começou a ajudar na massagem. Fui examinada pela médica de plantão , e enquanto aguardava, já vocalizava em alto volume no corredor do hospital…lembro me de ver os médicos do hospital estranhando aquilo tudo, pois ainda não estavam acostumados com a humanização. Entrei na sala daquela médica e o que eu temia aconteceu, ela me pos deitada pra fazer o cardiotoco. Mesmo contrariada fiz o exame não sei pra que, porque não acusou nem contrações…mesmo assim estava com 4 dedos de dilatação, e ela me internou.

Primeira parte do desafio vencida, queria chegar lá em tp ativo.  Pois bem, eu já estava. Fui encaminha pro quarto de evolução de trabalho de parto. Era tão lindo, parecia quarto daquelas casas de parto inglesas. Já sentia muita dor e pedi pra ir pro chuveiro. A essa altura já sangrava bastante, e o tampão já havia se soltado. Quando entrei no chuveiro já urrava e gritava de dor. Eram aproximadamente 3 horas da tarde. Marília me recordava de fazer as vocalizações e continuava me massageando. Jayme atenciosamente me deu banho e me auxiliava a cada passo. Saí do chuveiro depois de uns 40 minutos, e fui pra cama.

10744502_1726686330890818_759198315_n

O médico plantonista veio e me fez um toque…seis centímetros…a dilatação evoluía…Então fui pra bola de pilates e fiz alguns exercícios, enquanto Marília e Fabiana alternvam as massagens. Quando o médico voltou eu já estava com oito cm de dilatação , e bem cansada pedi para deitar. Sangrava muito e doía muito também…ja estava completamente na partolândia quando o médico voltou e me fez o ultímo toque: dez cm de dilatação! Marília me abraçava e dizia que eu estava de parabéns !! Foi tão rápido ! Agora era o momento de mudar o foco e começar a fazer força. Não me serviriam mais as vocalizações, mas sim a respiração correta! Mas quem disse que eu entendia o que eles falavam ??? kkk Eu fazia só o que meu organismo permitia, enfim, eu gritava mesmo ! Aqueles gritos aliviavam a minha dor, que naquela altura já era insuportável. Marília dizia a todo instante o quanto eu era forte, e que eu conseguiria ! Fazia muuuita, mas muita força e o médico mandava fazer mais ! parecia que para ele não era o suficiente. Me pediram que fosse para a banqueta de parto , e naquele momento eu já havia me despido não só das minhas roupas, mas de todo ego e vaidade que o ser humano pode ter .

A dor transmuta, e naquelas proporções eu transcendia em dor. Pedia pelo amor de Deus pra voltar pra cama porque estava muito cansada, e na banqueta o tp estagnou…não me senti bem alí naquele momento…talvez tenha ido pra banqueta no momento errado . Quando voltei pra cama o clima já começou a ficar tenso , pois se aproximava as seis da tarde e o médico que estava me atendendo estava prestes a encerrar seu plantão … não sabíamos como poderia terminar meu parto sem aquele médico…ele também queria me ver parir ! Tanto que esperou isso acontecer. Ele percebendo que meu expulsivo talvez demorasse mais do que o esperado , além de descolar as membranas, me levou rapidamente para o centro cirúrgico …até agora ainda não sei porque, talvez pra resolver de vez aquele impasse…fomos correndo pro centro cirúrgico , e eu já não via mais nada…apenas fazia força…e mais força. Chegando no centro, deitada mesmo ouvia o médico dizendo faz força, e eu tentava fazer.  Jayme apoiava minha cabeça para me ajudar. Alí eu já queria analgesia, mas Marilia falava: Vai Nai, você consegue, está perto !!! Ouvia eles tão de longe, parecia que estavam em outra dimensão …ou talvez eu estava …e força ,muita força…ja não suportava mais, a dor era lancinante…foi quando senti queimar e eles diziam que tinha saído a cabeça,eu não conseguia tocar,não alcançava….mais uma força e senti como se tivesse morrido..um torpor e uma tontura, saí do meu corpo por um instante …quando voltei estava aquele lindo bebe no meu peito! Marília chorou , pois lavava sua alma de doula também ! Era enorme ! Muito grande e eu sabia que pesava mais de 4 kg pelo tamanho ! Todo cabeludo e perfeito, conheci meu segundo amor naquele momento ! e como era lindo , tão lindo e perfeito que eu não acreditava ! Jayme cortou o cordão do nosso bebe com muita emoção! Levaram para os primeiros procedimentos , ali mesmo, do meu lado , enquanto eu paria a placenta, que o médico segurou , e terminou de fazer os procedimentos. Deu alguns pontos, acredito que uns oito ao todo, e nos liberou pro quarto .Aguardamos um pouco sem a equipe até que pudéssemos sair dali. Estava com meu João em cima do peito e seu cheirinho de vernix era o melhor do mundo ! João nasceu aos 1º de outubro de 2014, as 18:40 hs , com 4kg e 200 gr e 52 cm , na Santa Casa de Votuporanga, de um parto natural hospitalar sem intervenções . Não tomou banho nas primeiras horas de vida, e mamou em mim na primeira hora de sua recente existência terrena !

10805265_1726686737557444_189672366_n
Só tenho gratidão no um coração por ter conseguido passar pela experiência com certeza mais transcendental de toda a minha vida! Só tenho gratidão por todos que participaram dessa passagem da minha vida, ao meu Mestre Império Juramidam, Padrinho Sebastião e todos os seres da Corte Celestial, ao meu esposo e companheiro Jayme , por todos os momentos, a minha doula Marília, que com certeza foi fundamental pra que eu tivesse o meu Parto Natural ,por todas as massagens e toda a força que me fez cavar dentro de mim, as meninas do Gaia, Talita e Nath , por todos os conselhos e informações, a todas as gestantes que conheci nesse lindo caminho da humanização, a todas as ativistas e blogueiras pelas informações e empoderamento; enfim, a todos que participaram dessa pequena epopeia que foi o meu parto !!!Não foi o parto perfeito , nem o parto que sonhei, mas esse foi o MEU parto ! Foi o meu melhor !

10402770_1726754837550634_7971273730973778590_n 10389468_1726087657617352_7241297481325377698_n

Gente, vale a pena cada lágrima e cada kilometro ! Mulheres, vale a pena parir !!! ”

Relato gentilmente cedido por Naiara Escobar, gratidão querida ❤

Relato de Parto Domiciliar Isa e Gael

“EI, VC, JÁ LEU UM RELATO DE PARTO?
Dia 18 de julho de 2014. Eu sabia que aconteceria nesta data, na virada da lua minguante. Todo dia de manhã olhava a folhinha do calendário e contava quantos dias ainda faltava pra encontrar o Gael. A espera pelo nascimento mais parecia a ansiedade que eu sentia quando estava interessada em um cara: “Será que é hoje que vai acontece algo? Será que vai me ligar?”
Pois bem. Na noite anterior, três bruxinhas (Nath, Talita e Sophie) fizemos meu chá de bênçãos. Uma noite nem quente e nem fria, com fogueira, elementais, incensos, urucum e orixás. De fundo, uma música que me dizia: “Siente que el momiento llegas.” Eu sentia. Fui pra casa me sentindo plena e com algumas dores. Eu já estava nos pródomos fazia uns dias, então nem dei muita bola. Deitei com eles, Gael e a dor.
Sete horas da manhã do dia 18 de julho. Era pra ser mais um xixi matinal mas aquele veio acompanhado do meu tampão mucoso. Deu-me um aperto no coração! Olhei pra barriga e disse: “Chegou a hora, Gael. Vamos nos despedir da barriga, pois logo você estará aqui fora comigo.” E assim foi. As dores da noite passada haviam progredido. Comecei a contar o intervalo entre as “cólicas”. 3 em 3 minutos. Entrei em contato com a parteira-amiga Lucélia, que logo apareceu em casa. Engraçado que por mais que eu tivesse certeza de que aquilo era o início do meu trabalho de parto, algo não me deixava acreditar que, de fato, era. Poderia muito bem serem só os pródromos. Acho que foi por isso que eu não quis acreditar 100%.
A Lu achou melhor ir pra casa, pegar o restante do aparato e voltar aqui pra casa. Enquanto isso fiquei sozinha com a dor, me conectando com meu corpo e sentindo todo aquele movimento uterino. Sabe-se lá como consegui fazer um bolo, pra deixar pro pessoal comer durante o TP (o famoso bolo sabor contrações…rs). Enquanto isso, avisei as amigas-doulas Nath e Talita, e o amigo Samuel, quem faria a filmagem do parto.
As dores. Ahh, as dores!!! Se não fossem as paredes de casa pra me apoiarem. Comecei a ver qual a real das vocalizaçãoes. Todo mundo dizia que ajudava, que era importante. Tentei e achei estranho, bobo. Mal eu sabia que horas mais tarde eu estaria uivando no apartamento.
Lu voltou e logo chegou a outra parteira. Talita apareceu aqui com uma caixa de comidas. Minha cabeça não conseguia assimilar o que estava acontecendo. E no meio de um pensamento e outro, mais dores. Resolvi ir pro banho, pelando! A água quente mais parecia um afago de mãe, de tão confortante. Lu me vestiu: “Você precisa ficar bem quentinha, Isa. Parto é fogo, é calor.”
A piscina começou a ser cheia. Eis aí meu primeiro drama: o barulho, a movimentação que foi encher a piscina. Sempre me considerei uma pessoa tolerante mas naquele momento, eu queria apertar o MUDO do apartamento. Eu gemia de dor. Não queria barulho nenhum. Queria atenção silenciosa. Só isso.
Mesmo sem conseguir racionalizar a situação, minha intuição me dizia: “Você precisa se alimentar, comer bem.” Era sinal de que meu corpo precisava de energia para as horas que viriam pela frente. Comi legumes cozidos. Parava de mastigar a cada 3 minutos por conta das dores. Como me incomodavam! O lado bom das dores eram as massagens que eu recebia a todo momento.
Houve uma hora em que as contrações deram uma espaçada. Resolvi deitar um pouco e descansar. Doce ilusão! Ficar deitada durante as contrações mais parecia tortura chinesa (rs)!
Por volta das 15h a Nath chegou. Não lembro se nesse momento o Samuel já estava aqui mas acho que não. E assim seguiram as próximas horas: dores, massagens, uma conversa aqui, outra ali. Por falar em conversa paralela, isso também me incomodou. Eu havia escrito no meu Plano de Parto que queria silêncio, sem celular e tal. Não foi o que aconteceu.
Por volta das 17h eu senti que o parto iria engrenar. Na penumbra da sala e com minha playlist de Daime e Ayahuasca, minha preta velha chegou, na sua força e energia, de emocionar os mais sensitivos e sensíveis seres que ali estavam. Pra mim, foi o divisor de águas. A partir dali, tudo começaria. Eu já predizia que o Gael nasceria durante a noite e assim começamos a caminhada.
Eu leoa, loba, comecei a sair da toca. Uivos, gemidos de dor. A cada contração que passava eu dizia: “Menos uma.” Lembro-me de ter pedido silêncio. Vinha da cozinha um barulho insuportável. Neste momento de total conexão com meu corpo, eu não queria nada além de ouvir o som e ficar quietinha. Mas tantas vezes vieram falar comigo durante as contrações. Poxa, como aquilo incomodava! Meu corpo se esquivava das vozes.
Resolvi tentar a piscina. A noite tava fria, a água, morna. Minha vontade era de ficar em frente ao aquecedor e não sair mais dali. A sensação de estar na água dava outro sentido às contrações, que ficaram um pouco mais suportáveis. A cada dor, eu abraçava a Nath, a Lu. Era como se eu dissesse: “Não me deixe aqui sozinha, por favor.” Eu tinha a necessidade de saber se o TP estava evoluindo. Perguntava, constantemente, quantos centímetros já havia dilatado. Não lembro mais a evolução da dilatação ao longo do tempo, o que sei é que a linha púrpura me salvou de alguns toques (não todos, infelizmente).
Lembro que a equipe me pedia, de tempos em tempos, pra mudar de posição, pra ir pro chuveiro, pra bola, pra banqueta. Mas ali, no cantinho da piscina, eu estava num trabalho árduo. Só eu sei quanta energia eu coloquei ali. Resolvi tantas coisas com o Gael, com meus mentores espirituais. A tarefa era perdoar. Meu filho estava vindo pra me ensinar o perdão e, enquanto eu não me perdoasse e não pedisse perdão à ele, ele não nasceria. Eu tinha consciência disso. Por isso, pouco me importava se a bolsa estava íntegra, se eu estava de cócoras na piscina, quicando na bola ou de pé fazendo a dança pro bebê encaixar. Era isso o que eu queria, que fosse naturalmente um processo não só de nascimento do Gael , mas também da minha morte. Sentir-me morrendo foi uma experiência única. Em muitos momentos era como se eu estivesse sumindo. E acho que muitas vezes eu sumi da sala e de mim mesma. Mas tiveram momentos também em que eu senti prazer naquela dor. Lembro-me de ter dado umas risadas durante as contrações.
Da piscina eu fui pro chuveiro, dancei com a Nath, fui pra cama, voltei pra piscina e depois pra banqueta e depois pra bola. Ahh! Não gosto de lembrar dessa movimentação toda. Fizeram uma manobra de chacoalhar a minha barriga, pra ver se o Gael descia. E, poxa, que coisa mais incômoda!
Daí veio a questão: romper ou não a bolsa (sim, ela ainda estava íntegra). Tudo o que eu não queria era ouvir essas opções (ponto colocado no Plano de Parto). Se fosse pra nascer empelicado, lindo! Eu não estava com pressa, apesar de reclamar tanto da dor. Eu não queria alternativas. Queria apenas que acolhessem a minha dor, que me exaltassem, que dissessem: “Isa, estamos com você e você vai conseguir.” Mas o que eu ouvia: “Se estourarmos a bolsa, o Gael desce e nasce mais rápido.” Esquivei-me dessas palavras até onde consegui mas a exaustão física me fez ceder. “Então, rompam a bolsa.” Foram duas tentativas… frustradas. Não conseguiam rompê-la. A cada tentativa era mais dor e incômodo que eu sentia e saber que ela não havia sido rompida me deixava furiosa e impaciente. Pedi que não tentassem mais.
E eu fiquei ali, na piscina, por mais um tempo. Ganhei açaí na boca, né Talita? Lembro de observar em volta da piscina e ver os olhares mais lindos vindo em minha direção. No intervalo de uma contração a pessoa que menos entendia de trabalho de parto (Samuel) pegou minha mão e fez um carinho. Que coisa linda! Era de gestos simples como este que eu precisava. Nada além.
Quantas vezes pedi ao meu corpo um pouco de descanso. E ele atendia. Dava-me uns 6 minutos de trégua, momento em que eu até cochilava. Mas depois vinham duas contrações na sequência e eu uivava. Lindo foi, em determinados momento, ouvir um coro das minhas vocalizações. Talita e Nath me acompanhavam. Era tão gostoso parir com elas!
E mais uma vez a questão da bolsa veio à tona. Ela foi rompida e eu senti uma pressão no ventre. Sentia o Gael vindo. Neste momento acho que eu já estava no expulsivo. Dizem que fiquei neste período durante 2h. Ele já havia passado do osso da pelve e estacionou por ali. Levaram-me pro chuveiro e depois pra cama. Encanei que era o cocô que estava impedindo do Gael nascer. Recebi muita massagem; consegui fazer um pouquinho de cocô e voltei pra piscina. Era chegada a hora.
Fiquei de joelhos, apoiada no colo da Lu. Incrível como nesta hora o corpo sabe o que fazer. Coloquei em prática a respiração que aprendi durante a gravidez. Eu fazia força na hora certa: durante as contrações. Até o tom da minha vocalização estava diferente. Ele estava vindo. Eu colocava a mão na vagina e sentia os cabelinhos dele, dançando na água. A cada contração eu sentia a cabeça do Gael empurrando a parede do meu canal. Que coisa mais linda! A cabeça vinha e voltava, massageando meu períneo. A força vinha de dentro. Nós dois ali, trabalhando um pelo outro, numa simbiose de amor. Estávamos os dois em estado de meditação, totalmente presentes naquele momento, vivendo para o mesmo propósito: nascer com Amor.
E num uivo eis que saiu a cabeça do caboclo. E logo, o seu corpo todo. Posso viver mil anos que vou sempre lembrar aquela sensação. Peguei minha cria nos braços. É claro que era você, só podia ser você, Gael, com essa carinha, esse bico, essa perfeição! O corpo coberto por vérnix grudou no meu e chorou, me dando as boas vindas. Nosso choro podia ser traduzido por palavras de gratidão. Graças à ele, eu vivi as melhores horas da minha vida.

Parto Isa e Gael
Eu poderia parar o relato aqui mas há a outra parte, importante ser dita também. Tiraram-nos da piscina e fomos pra cama. Que frio eu senti! Meu corpo todo tremia. A exaustão das 17h de trabalho de parto havia culminado naquele momento. Eu mal conseguia falar. E vinha mais contrações, agora pra expulsar a placenta. Mexiam no cordão e aquilo doía demais. Precisei pedir pra parar de mexer umas 3x.
E quanto à laceração? De início não souberam avaliar se a laceração havia atingido a uretra. O Gael nasceu com a mão na cabeça e com distócia de ombro, o que causou a laceração. Esse impasse, de não saber o que havia acontecido comigo “lá embaixo”, foi me apavorando e eu não conseguia nem curtir o momento. Eu imaginava que, após o nascimento, eu teria um tempo gostoso pra ficar admirando o Gael. Mas não foi tranquilo assim. E entre esse “lacerou o que”, eu pedia pra me levarem pro hospital. Eu ligava pro meu GO (Paulo Fasanelli) e nada! Não me atendia. Quanta aflição! Ir pro hospital com o Gael? Sem o Gael?
Achei melhor ir sozinha. Tive medo de internarem meu bebê e fazerem todos os protocolos médicos que eu tanto tinha lutado pra evitar. Que dor no coração deixá-lo aqui. Ele ficou com a Nath e a Talita. Uma coisa que eu não pensei na hora e que agora vejo que não foi legal foi o fato de não ter ficado uma enfermeira aqui, caso acontecesse algo com o Gael. Na hora a única coisa que eu pensava é que eu não estaria do lado dele, pra sentir meu cheiro, pra procurar o peito e mamar. Isso doeu em mim.
O percurso de casa até o hospital durou uma eternidade! Tenho a impressão de ter ficado fora de casa umas 5h mas na verdade foram 2h. Primeiramente, fui atendida pelo plantonista. Se há pessoas desumanizadas, tenho certeza que ele é uma delas. Mas por sorte conseguiram contatar o meu GO, que fez a sutura com todo cuidado do mundo. Foram 6 pontos, localizados dentro da vagina, no períneo e na região anal.
Voltei pra casa e peguei meu pacotinho de gente. Todo embrulhadinho e aquecido no amor (e na teta da Talita) das minhas queridas! Tomei banho e depois comi um pouco. Eu estava exausta! A equipe ficou aqui para organizar a casa, esvaziar a piscina…
E o que eu tanto havia esperado estava ali no meu colo, gemendo e respirando. O grande encontro aconteceu, do qual não voltarei a ser a mesma.
Eu agradeço, do fundo do coração, por cada detalhe que aconteceu, principalmente os que não gostei. Foram eles que fizeram deste parto um momento mágico, não só pra mim mas acredito que pra todos que estavam presentes (e conectados). Acredito que até as energias que quiseram atrapalhar, no fundo, só ajudaram. Agradeço por cada abraço, cada olhar de ternura. As massagens, o respeito, o colo que vocês nos deram. Hoje fica o sentimento de gratidão. Frustração? Não tem nem como sentir isso. Eu pari, do jeito que eu e ele escolhemos.”

Aqui o video 

, feito pela Cinemacaco

Relato escrito por Isa que gentilmente cedeu o conteúdo para o Blog.
Gratidão irmã, sempre juntas ❤

Nosso corpo e meus devaneios

Se tem um tema que tem batido muito esses últimos meses é sobre o nosso corpo. Mais exatamente a quem de fato ele pertence.
Digo isso pois o tema tem se estendido desde uma conversa sobre gravidez ativa, pêlos, marcas de cesárea, slushaming, beleza, um documentário sobre a felicidade (“Eu maior”), a violência obstétrica, o nu até a volta do meu projeto “Musas de Si” (que para quem não conhece, fala sobre a ideia de ter como padrão de beleza nós mesmas, para sermos nossas próprias musas inspiradoras. Aqui um link falando mais: https://agrandegaia.wordpress.com/2011/05/25/musas-de-si/ ).

A quem, afinal, pertence o nosso corpo? Martela, martela e martela minha cabeça. Naquela sensação que diz : – Vai logo, faz alguma coisa!
Martela pela dor que vejo transpirando das pessoas. Martela a distorção de valores por coisas simples. Martela por ver mulheres se suicidando por ter mostrado sua sexualidade. Martela a beleza escondida por dietas, roupas e ilusões. Martela a sensação de paralisia, impotencia e silêncio por uma cesárea forçada. Martela a hiper sexualização das crianças. Martela o fato de eu ser um ser desperto, de entender que se sinto e posso fazer algo para ajudar e mudar essa realidade, pois então eu devo fazer. Não por mim. Não por um ideal. Mas por fazer parte. Por empatia em seu mais puro sentido. Eu também sou você que sofre.Image

Algo está sendo gerado aqui, e o nosso corpo será ouvido.

na contramão

Contranarciso

em mim

eu vejo o outro

e outro

e outro

enfim dezenas

trens passando

vagões cheios de gente

centenas

o outro

que há em mim

é você

você

e você

assim como

eu estou em você

eu estou nele

em nós

e só quando

estamos em nós

estamos em paz

mesmo que estejamos a sós”

Paulo Leminsky
Imagem

Obrigada irmã de alma, Lucy in the sky, doida de pedra, menina linda que veio roubar a loucura e a beleza do mundo. ❤

Devaneios de um momento em que não estou pensando em nada além de mim mesma

Mas que título comprido, você lê e pensa. Sim, o título é comprido mas não sei o quanto o texto o será. Pois eu não tenho mais controle do meu tempo “sem pensar em nada” e ao mesmo tempo, só tenho feito uma coisa : -cuidado do meu filho, o Deba, de 4 meses.

Imagem
É meu segundo filho e por conta das lendas acerca da maternidade a gente acha que vai ser mais fácil que o primeiro e tals. Não que seja mais difícil, mas sinto que as dificuldades só mudaram de nome. Mas a palavra que busco é outra. Não é “difícil” mas talvez, complicada.

fdcdc-003

Na verdade, posso estar sendo injusta, a maternagem é, por si só, um mergulho no obscuro mundo da solitude meditativa, onde o objetivo principal é cuidar da cria e aprender sobre a linguagem misteriosa dos bebês. Da pra fazer diferente, claro, hoje em dia sempre dá, é só se isolar desses primeiros meses. Eu podia ter dado a mamadeira de plástico cheia de leite sintético (ou de vaca, coitada) , colocado ele pra dormir sozinho no berço e chorar por horas a fio, contratar uma babá ou pedir pra alguma tia ou minha mãe cuidar, ou qualquer outra alternativa “normal” nos dias de hoje. Mas não quis e nem tenho pretensões de querer.


10985240_10152782319418167_3255784825537703231_n
Quis ser bicho. Ter meu filho em casa, urrando pra lua e sentindo todas as entranhas do meu corpo tremerem. E fui atrás para aprender a urrar, a parir, a gritar pelos meus direitos. Eu quis deixar a cria grudada a meu corpo, se preciso 24h, mamando como um lobinho, se misturando ao meu cheiro, se afeiçoando as minhas feições e aprendendo a urrar comigo. Eu quis lidar com a natureza de frente (detalhe grandão que me ocorreu ao escrever tudo isso,  tudo que escrevo é pessoal e não deve ser levado a outros âmbitos malucos, ou seja quem realmente PRECISA (ou precisou ) de leite artificial, de um parto hospitalar, de alguém para cuidar do filho e tudo mais, por favor, não é uma critica a você).

Eu quis lidar com essa natureza toda e esqueci que a mais dificil de lidar é a minha. Sim. A minha natureza. A minha loba interior, a minha lua, a “eu” selvagem. Ela não se adapta a esse ritmo de vida em que vivemos. Ela quer sua caverna, suas plantas, suas conexoes espirituais, suas irmãs para compartilhar a maternagem. A loba chora pois se sente só. Mas ao mesmo tempo, precisa ficar isolada, os lugares não são propícios a sua cria e nem a suas novas rotinas.  Se sente longe da sabedoria ancestral de suas irmãs, se sente perdida em lidar com sua própria sombra, e ao mesmo tempo, se sente toda completa o ver suas crias dormindo. Satisfeita e sem rumo, venho aqui e escrevo palavras internas. Palavras que queria ter trazido a tona bem antes. Palavras que sempre me aliviaram. Voltem.10978519_10152782321098167_8156254244884814481_n

 

Mamífera

Somos “civilizados” de mais para lidar com bbs recém-nascidos. Estes serem tão próximos do instinto e tão incompreendidos por rotinas e racionalidades.
Queria ser mais selvagem neste momento. Mais bicho. Mamífera que sou, só entendo de coisas de gente grande ou civilizada.
Mães de recém-nascidos são, literalmente, jogadas aos leões, sejam eles suas próprias sombras, sejam eles aqueles que se agarram a seus peitos.
E a beleza está bem ai.
Estou estirada a as sombras, buscando me entender, me acostumar…
Estas palavras não buscam a compreensão, mas sim, o acalento daquelas que se sentem como eu.

O rugido do parto ainda é ouvido. 

Imagem

Libido #04

Este mês a Libido Mag volta à ativa….trazemos um ensaio diferente, inspirado na grande Diva Marilyn Monroe, mas não no seu lado claro e brilhante, mas em seu lado poetiza e solitário.
O ensaio tentou trazer à tona a diva em tons de mortal. Misturamos a beleza da modelo e poemas da própria Marilyn.

Venha…delicie-se e conheça esta diva como mulher, como real, como você…

Clique na imagem
Clique na imagem

http://issuu.com/nathgingold/docs/libido04

Fotografia e edição Nathalie Gingold
Modelo Daniela Sousa
Make Reider Pereira
Produção Milton F. Verderi
Assistente de fotografia Fernando Makaco
Locação Galo De Briga Filmes

E aqui, os links para as Libidos anteriores, para vocês, queridos leitores se deliciarem…

Libido #01

Libido #02

Libido #03

Vamos mudar o mundo?

“Se esperamos criar um mundo não-violento, onde o respeito e a bondade substituam o medo e o ódio, devemos começar com a forma como tratamos uns aos outros no início da vida, quando os nossos mais profundos padrões são definidos. A partir dessas raízes crescem medo e alienação ou amor e confiança.” Suzzane Arms

Nascimentos

Inspiração: Eleanor Luzes

Eleanor Luzes é psiquiatra, psicanalista junguiana e autora da tese de doutorado:

Marcha pela humanização do parto

Começa a Marcha pela Humanização do Parto em todo Brasil!

Hoje mulheres de 32 cidades estão unidas para chamar a atenção da sociedade sobre a importância da humanização da assistência obstética no Brasil e por acreditarem que seus direitos sexuais e reprodutivos devem ser respeitados.

VIVA A MATERNIDADE ATIVA!

A ideia da manifestação surgiu após a publicação de duas resoluções do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) que proibiam que gestantes contassem com a assistência de acompanhantes profissionais (obstetrizes, doulas e parteiras) em hospitais e maternidades, e ameaçavam de punição médicos-obstetras que acompanhassem partos domiciliares ou dessem retaguarda a parturientes com necessidade de remoção de parto em casa para o hospital.

O parto é da mulher e não do médico!

A Marcha pela humanização do Parto acontece esse domingo em 32 cidades do País.


“QUEM DISSE QUE NÃO GRITEI PRA FAZER?”

Em Belém (PA), mulheres reuniram-se na Praça João Batista Campos para protestar contra a lei que criminaliza médicos que dão assistência à partos em casa.

Veja as fotos: http://bit.ly/NicDxS
Apoie a causa: http://bit.ly/MXyW0T


Em Belo Horizonte várias mulheres reuniram-se na Praça da Liberdade para reinvindicar pela causa.

Veja as fotos: http://bit.ly/OJlXMp
Apoie a causa: http://bit.ly/MXyW0T

‎”O PARTO É MEU”

Porto Alegre também realizou o Ato Pela Humanização do Parto hoje.

Confira as fotos: http://bit.ly/NVsreZ
Apoie a causa: http://bit.ly/MXyW0T

Quero minha doula comigo

Em São Paulo, a concentração da Marcha pela Humanização do Parto foi na Praça Mário Covas com a caminhada percorrendo a Avenida Paulista.