Minha historia com Adam

Relato gentilmente cedido ao blog por Glaucia Pinna

“Resolvi postar o meu relato, não somente do parto, mas da minha breve história com o Adam❤
Texto um pouco grande, me desculpem, mas não dava pra resumir uma história que já é breve. Gratidão!
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“Entre namoro e casamento eu já estava com meu marido há 7 anos, decidimos então nos tornar pais, achando que era fácil assim, no próximo período fértil eu engravido. RÁ! A vida tem seu próprio tempo, você não escolhe nada… E foi assim, um mês, dois meses, três meses… Um ano… Resolvi ir atrás, não era possível demorar tanto… Fiz um endovaginal e pimba, como disse a médica “minha filha, você não ia engravidar nunca, seus ovários estão puro cisto”. Bom, o que eu tenho que fazer? Tratamento! E lá fui eu, tomei Diane 35 3 meses seguidos e metformina, pois nos exames hormonais eles estavam todos loucos. Ok! Passaram os 3 meses e lá fomos nós tentar novamente, um mês e nada, dois meses e nada… Estressei e disse que ia desistir daquilo, chega, cansei, ia gastar todo meu dinheiro, viajar e pronto!
Desisti de engravidar e minha menstruação não vinha… Sentia cólicas, dores muito fortes, seios inchados e todo mundo dizia: Você está grávida… e eu: ah, ta! De tanto falarem na minha cabeça comprei um teste de farmácia e fiz no banheiro do meu trabalho, sem nenhuma fé do positivo, mas deu… meu positivo veio. No outro dia fiz o de sangue e POSITIVO! Meu Deus que alegria… Não entendia muito bem aquela explosão de sentimentos dentro de mim e na hora já sabia que era um menino que crescia dentro de mim…
Comecei imediatamente o pré natal, como trabalho em posto de saúde eu tinha GO alí todo santo dia e minha gestação foi correndo super bem, sou hipertensa e fui encaminhada ao ambulatório de alto risco do HB, mas com medicamentos a pressão estava controlada, mudei a alimentação, não ganhei peso, enfim, tudo ótimo!!!
Já estava de 22 semanas e ainda não tínhamos conseguido ver o sexo no ultrasson, mas coração de mãe não se engana, escolhemos o nome dele naquela semana, Adam, “homem da terra”, já sentia meu pequeno guerreiro mexer, não só na barriga, mexeu em nossas vidas, tudo mudou… Quanto amor, o mundo tinha mudado de cor.
Tinha consulta no alto risco, cheguei toda feliz achando que ia ser mil maravilhas… Esperei mais de 4 horas sentada em um banco de concreto, fui atendida e a médica só anotou meus exames no computador, ouviu o coração do bebê e pronto, me mandou embora. Fui de ônibus trabalhar e como tinha ficado o período da manhã fora, trabalhei até as 19hr.
Comecei sentir o bebê mexer muito embaixo, comentei com meu marido, até aí tudo normal. No trabalho sentia ele mexer na vagina, uma coisa muito estranha, comentava com as meninas e ninguém sentia isso… começou sair uma meleca que parecia clara de ovo, achei que não fosse nada grave, tinha acabado de sair da consulta e a médica disse que tava tudo bem e tem mulheres que tem corrimento, secreção e tal.. Em casa nesse dia o bebe mexeu DEMAIS eu nem conseguia levantar do sofá, doía as costas… No outro dia a meleca persistiu, no final da tarde já na hora de ir embora essa meleca saiu mais espessa parecia gelatina incolor e junto saiu sangue, aí preocupei e a minha chefa me levou na emergência do hospital da criança.
Fiquei aguardando chamar e novamente demorou, cerca de 2 horas… Quando entrei na sala, muitas perguntas e o tal exame do “toque”. A moça saiu da sala e chamou outra, também fez o toque, chamaram outra e também fez… Já achei estranho… saíram todas da sala e voltaram com a chefe… Ela fez o toque e falou: Glaucia, pode sentar. O que você tem é GRAVÍSSIMO, você perdeu o tampão e está com 100% de dilatação, vamos te internar pra você “PERDER O BEBÊ”, sim, ela usou exatamente essas palavras. Nisso parece que o chão se abriu aos meus pés, fiquei por uns 5 segundos sem reação, olhei pro meu marido e disse: Nós não vamos “perder” nosso bebê. Na hora já me encaminharam para a enfermaria, pois não havia quarto disponível. Fiquei deitadinha lá, imóvel, tentando entender como de um dia para o outro eu PERDERIA meu filho, chorei… O choro da alma, do maior desespero que já tive na vida… Meu marido perdido, desorientado, mas eu sabia da minha força, se fosse possível ficaria ali por 60 dias imóvel, só não sabia se a bolsa agüentaria.

Foram passando os dias, os médicos não acreditavam que eu agüentaria, todos os dias perguntavam: está com dor? Perdendo líquido, sangue? E sempre a resposta era não, ta tudo ótimo. Foram 9 dias deitada na cama, comia deitada, me trocava deitada, TUDO deitada. Até que cedinho comecei sentir dores no pé da barriga, chamei a enfermeira, me deram buscopam e não cortou… A dor foi aumentando, aumentando… Buscopam não fazia nem cócegas… A noite eu estava com muita dor… Me colocaram no Bricanyl para ver se segurava, consegui dormir por algumas horas, amanheceu o dia e dor, dor, dor, mesmo com o Bricanyl, buscopam, nada passava, achei que estava com alguma infecção, era muita dor, acho que nesse momento fui parar na tal “partolandia” que as meninas dizem, estavam ali somente eu, minha barriga, meu bebê e a dor, parecia que o tempo passava em outro ritmo, o som estava em outro tom… Fui ao banheiro e escorreu água nas minhas coxas, gritei, a bolsaaaaaaaaa!!!!! Me levaram pro ultrasson e a frase do médico cortou meu coração. Não tem mais nada de líquido aqui. MEU DEUS!!!! Vai nascer. O desespero tomou conta de mim e agora a preocupação era outra, salvar meu filho. Pedi para que me levassem a sala de parto e uma das residentes disse: Vamos aguardar aqui no quarto mesmo… Eu falei: E SE NASCER???? Ela: A gente chama alguém… OOOOOIIIIIIII?????? COMO ASSIM MINHA FILHA???????
A dor foi ficando insuportável e eu sentia que ele ia nascer, dei um grito e só assim decidiram me levar para a sala de parto, foi tudo tão corrido que desci de cadeira de rodas, me retorcia de dor, eu estava segurando pro bebê não sair. Chegando na sala não deu tempo nem de me arrumarem direito, falei pro médico: Posso fazer força? PODE! Então eu fiz, mas não sabia como fazer e ele disse: faz força compriiiiiiiida. E eu fiz, e denovo: força comprida!!!! Quando fiz pela terceira vez meu bebê nasceu, nisso a enfermeira saiu correndo com ele embrulhado, tão pequeno… Nasceu com 620 gr com parada cardíaca e respiratória, reanimaram e ele VIVEU!
O restante do parto como tirar a placenta, fazer aquela limpeza que eles fazem eu nem liguei, só queria meu filho vivo. Esperei cerca de 2 horas e fui para o quarto, tomei banho sozinha e logo desci na UTI NEO para ver meu pequeno. MEU DEUS que coisa mais linda do mundo, pelo peso achava que não estaria todo formadinho, mas estava, era um bebe miniatura, lindo, perfeito, esperto. Foi o maior amor que eu poderia sentir na minha vida, não poderia nunca imaginar o tamanho desse sentimento. Falava com ele e os batimentos aumentavam, esticava as pernas e balançava as mãozinhas. Sabia de toda a sua fragilidade, mas estava confiante. Dizia “agüenta aí meu príncipe, você é o guerreiro da mamãe.”
No outro dia fomos conversar com a pediatra, ela disse que ele estava com pneumonia, era prematuro extremo e isso é comum, já estava sendo tratado com antibióticos e respondendo bem. Nesse dia tirei leite e passaram na boquinha dele, ele lambia os lábios, colocava a lingüinha pra fora, adorou meu leitinho, aquela boquinha era a coisa mais linda desse mundo. No outro dia no novo boletim médico disse que ele estava muito bem, que era um bebê muito forte, sadio, tinha aceitado bem o leite, estava tomando 1ml de 3 em 3 horas na sonda. Meu Deus, 1 ml, vocês imaginam o tamanho do estomago do meu bebê, muito petitico.
Fomo embora para casa confiantes naquele dia, afinal a pediatra disse que ele está respondendo bem ao tratamento, tomando meu leite, o que mais eu poderia querer meu Deus… Antes de dormir chorei, chorei muito, não acreditava que havia uma esperança, meu bebê estava vivo, eu era mãe!!!! O amor maior do mundo, um amor que dói.
Mas na madrugada do terceiro dia o telefone tocou, chamando os pais do Adam ao hospital. Na hora me tremia toda, já fui chorando, segurando ao máximo e tentando me enganar que teria acontecido algum problema mas que ele estaria vivo. Chegando lá quando abri a porta da UTI neo, a luz da incubadora desligada, 3 segundos de inércia, não!!!! Não pode ser, então caí… Desabei… Parece que o mundo para e abre um abismo aos seus pés… Meu bebê se foi, ele se foi!!!
Nisso a pediatra veio me confortar e me explicar como foi. A infecção do pulmão foi para o sangue e o coraçãozinho dele não agüentou, foi diminuindo os batimentos até parar.
Quanta dor… Nunca imaginei perder um filho, mas só pensava na dor dele, quantas picadas, quantos procedimentos, cateter, tubo… Tadinho, nenhuma mãe quer isso para seu filho. Peguei-o no colo, ainda quentinho, e pude sentir sua pele, disse o quanto o amava, o quanto ele era importante nas nossas vidas, pedi perdão pelo tamanho de seu sofrimento, nenhuma mãe quer ver seu filho sentir dor, ali ninei ele por cerca de 30 minutos… tive que correr atras de coisas burocráticas, velório, enterro.
Os dias passaram, a dor não diminui, a saudade só aumenta, mas o que me conforta é saber que hoje ele não sente mais dor, eu estou sofrendo muito, mas ele não.
Foram os três dias mais lindos da minha vida, ver seu rostinho, suas mãozinhas, os pezinhos mais lindos desse mundo. O Adam se foi, mas nasceu em mim uma mãe, guerreira, mais amável, mais persistente, mais forte, mais determinada… Só tenho a agradecer tudo que aprendi, uma lição de vida no modo Hard. Tanto sobre dor, quanto sobre amor.
Descobri também 2 palavras: incomensurável, que é o que eu sinto por ele e resiliência que é como vai ser de agora para a frente.
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Com tudo isso descobri o que tenho IIC: Incompetência Istmo Cervical, uma “deficiência” nas fibras elásticas do útero, conforme o bebê ganha peso, o colo do útero não suporta e abre, sem dor alguma ou sinais de dilatação, causando assim o parto prematuro extremo como foi o meu com 25 semanas.””

Relato gentilmente cedido ao blog por Glaucia Pinna

Um pensamento sobre “Minha historia com Adam

  1. A sua história e igual a minha só que os médicos não deixarão o bb nascer vivo disseram para mim que ele só poderia sobrevive dentro da minha barriga estava com 21 semanas isso tem 13 dias a dor e muito grande…

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