Relato de parto: Nascimento do Bento

Relato de parto por Alice, nascimento de Bento no dia 10/12/14 às 00:55 min na Santa Casa de Rio Preto, com Dr. Guaraci e doula Talita Miranda.

“Meu desejo nunca foi de ter um parto natural, imaginava um parto normal com analgesia, mas, se não desse certo, faria uma cesárea numa boa…esse era meu pensamento, até…..eu engravidar!
Comecei meio de bobeira a procurar grupos nas redes sociais de gestantes, mães e etc… Dentre os grupos que comecei a participar, achei o Gaia ( que foi decisivo na minha decisão tempos depois), fui participando do grupo passivamente, absorvendo as informações que eram postadas, vendo a troca de experiências das outras gestantes e mães…aquilo foi me inquietando e o desejo de um parto natural foi crescendo a medida que eu ia me instruindo, pois toda mãe quer o melhor pro seu bebê e depois de tanto ler, ver relatos de parto, assistir muitos vídeos de partos naturais…decidi e me convenci que o melhor era um parto normal ( ainda com analgesia).
Decisão tomada, veio a segunda batalha, convencer meu marido que este tipo de parto era o melhor, tanto para mim, quanto para o nosso filho…o Lucas ( esposo), não por mal, mas por um instinto de cuidar, de me poupar, não queria que eu passasse por “esta dor”, segundo ele desnecessária já que hoje em dia é só marcar o dia e fazer uma cesárea que “é muito mais segura” ( aos olhos dele). Fui insistente e por vezes chata, fazendo todo aquele discurso sobre os benefícios do parto normal x cesárea ( não só pra ele, mas para todos que me perguntavam sobre qual parto iria fazer e que depois da resposta soltavam aqueles comentários desencorajadores), pois bem… Fiz uma lavagem cerebral no meu marido ( rs) praticamente ” obrigava” ele a assistir os vídeos de partos naturais, lia reportagens sobre os benefícios do parto normal, etc…ele ainda era receoso quanto ao assunto, até que perto do fim da gravidez eu tive uma conversa com ele e disse que estava decidida que eu ia fazer o parto na água e que eu só precisava que ele me apoiasse, independente do que acontecesse, eu precisava dele, mais do que nunca, pra me dar forças, porque se ele não o fizesse, acho que eu não conseguiria….nesse momento ele decidiu ir até o fim comigo e me apoiou incondicionalmente.
Terceira e não menos importante, foi difícil achar o médico que iria realizar meu desejo…iniciei meu pré Natal com um tal dr.( cesarista) que logo no início quando disse que queria parto normal, já falou que a data prevista ( inicialmente meu bebe era para 24/12, pelas contas médicas) do meu parto não era muito boa para parto normal…sem falar que além disso ele me cobraria 5.000, pela disponibilidade…eu realmente estava disposta a pagar, mas aí…durante o pré Natal o tal Dr. ( que de fofo, não tem nada) foi se mostrando extremamente grosso e intransigente…eu discuti com ele por causa de um ultra-som e nunca mais voltei na clinica… Tive que procurar um novo médico…minha mãe falou do Dr. Guaraci ( que havia sido o obstetra dela no meu nascimento e no do meu irmão), resolvi arriscar…
Já na primeira consulta falei sobre minha escolha de parto e ele foi bastante receptivo e tranquilo quanto a minha decisão, sem falar na calma dele…tudo que eu falava pra ele estava tudo certo…concordou com tudo! Estava decidido…seria ele! Confesso que tinha um preconceito em relação à Santa Casa ( por ser um hospital antigo, sei lá…), mas conversando com meu GO, lendo sobre a tentativa de um projeto para humanização do parto, resolvi dar um voto de confiança e fazer meu tão desejado parto na água lá ( e com certeza não me arrependo, fui bem atendida em todos os sentidos). A escolha da doula foi um processo também, aliás fui decidir isso bem no final da gestação, tanto que encontrei a Talita 2 vezes só antes do dia do meu parto, meu marido achava desnecessário, pois já íamos gastar com o médico e tal, eu fiquei em cima do muro um tempo, mas ter filho no fim do ano é bom, porque pelo menos tem o 13 salário…pensei… Gasto com tanta coisa supérflua, não vou economizar justamente com o nascimento do meu filho ( que é a parte mais importante da minha vida), decisão tomada…eu iria pagar! Fizemos uma reunião bastante esclarecedora em todos os sentidos, ela me acompanhou numa consulta para conhecer meu GO ( tínhamos um encontro no dia 10/12, para pintar minha barriga, mas não deu tempo!!!rs).
Bom…dia 09/12 voltei ao trabalho depois de 10 dias de atestado médico, pois estava bastante cansada e com algumas dores na barriga ( que não eram contrações, era só estresse mesmo), fui trabalhar normalmente, sem nenhuma dor,estava ótima! Cheguei em casa, almocei e deitei para descansar um pouco, meu marido ( que estava de férias) resolveu sair para comprar os presentes para o final de ano, me chamou para ir junto, mas preferi ficar em casa dormindo, as 16:30 mais ou menos, me virei na cama e senti um líquido descer, corri para o banheiro e quando vi…minha bolsa havia rompido ( ahhh que momento esperado!!!) fiquei feliz e iniciei minhas ligações…primeiro pro marido ( que levou o maior susto e só conseguiu responder: já estou indo e desligou na minha cara), segundo pra minha mãe ( que estava no trabalho e com certeza ficou mais ansiosa que eu), terceiro para minha doula ( que me tranqüilizou) e depois pro meu GO ( que pediu pra eu ir ao consultório para me avaliar). Chegando à clinica estava com o colo alto ainda e só um pouco apagado, como minhas contrações estavam de 5 em 5 min, resolvi voltar pra casa e só ir pro hospital quando elas estivessem de 3 em 3 min e ritmadas. Saí de lá fui ao supermercado comprar algumas comidinhas leves, caso o trabalho de parto fosse madrugada a dentro…cheguei em casa umas 18:30, mais ou menos 19:00 chegaram meus pais e minha doula, as contrações estavam ritmadas e em pouco tempo ficaram de 3 em 3 min…resolvemos ir pro hospital…chegando lá queriam me colocar sentada numa cadeira de rodas ( que eu não quis, naquele momento se me colocassem sentada ou parada iria enlouquecer) queria me movimentar, andar, rebolar ( td isso aliviava a dor quando ela vinha), chegando ao quarto ( 21:30) as dores estavam intensas, vomitei, fui pro chuveiro, recebi massagem ( e enquanto isso, meu marido e a Talita enchiam a piscina ( no quarto).

Meu GO chegou as 22:00 e fez o primeiro exame de toque, estava com 3 cm apenas e muitaaa dor…pedia analgesia, anestesia…mas como estava com poucos cm ainda a solução dada pelo meu médico foi a aplicação de um analgésico intra-muscular ( que durante as contrações não adiantava muito, mas no intervalo delas me deixava extremamente relaxada, 2 horas e um cardiotoco dep524178_926480317362522_4833640762212223121_nois ele voltou a me examinar e para surpresa de todos já estava com 7 cm ( minha evolução foi rápida- graças a Deus!), me convenceram a entrar na água, pois nesse momento eu já estava na partolandia ( tão famosa)… Parecia que eu estava em outro mundo, ouvia as pessoas falando, mas parece que não entendia nada…estava dentro de mim… Quando entrei na água, relaxei, mas logo em seguida senti como se fossem espasmos, meu corpo pedindo pra fazer força…e aí eu descobri a gente não racionaliza a posição de parir…é algo instintivo…

A posição escolhida é a que seu corpo sente mais confortável e a minha foi de 4 apoios… Não sei quanto tempo se passou no expulsivo ( segundo meu marido foram 50 min), senti o tal círculo de fogo ( que dói e queima bastante), mas logo em seguida, quando sai a cabeça a dor alivia…neste momento o médico me ajudou ( na próxima contração ) a tirar o bebe, que veio para o meu 10421171_926480350695852_468013717956877269_ncolo, praticamente dormindo…com aquele cheirinho doce, que só quem pariu sabe como é…tão pequeno, tão esperado ( é muita emoção ).Nesse momento tudo passa, a dor, o cansaço…estava ligada no 220…era muita adrenalina… Perineo integro, placenta retirada…tomei um banho e fui para o berçário acompanhar a pesagem do meu filhinho…estava tudo bem…respeitaram minha decisão de não pingar o nitrato de prata nos olhos dele e a vitamina k foi feita via oral… Tudo como eu tinha planejado! Foi perfeito! Mais do que eu imaginava e planejei.
Descobri em mim uma força que eu não sabia que tinha, no momento em que o Bento nasceu, nasceu também uma mãe e uma nova mulher empoderada!”

Relato gentilmente cedido ao blog pela Alice Gonçalves, obrigada!!!

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