Minhas três gravidezes por Kyanja Lee -2VbaC

Minhas três gravidezes

Nunca me sonhei grávida, quando mais nova. Mas eis que o tempo passa, e as circunstâncias ajudam, e um belo dia você se vê casada e fazendo planos para… ser mãe!

Fui mãe tardia: com 35 anos tive meu primeiro filho. Mas não fiquei com neura nenhuma durante a gravidez. Não pensei em gerar filho com defeito genético; nem antecipei as dores do parto. Ia todo mês fazer o pré-natal com o meu médico (nessa época eu morava em Sampa e trabalhava na Vila Buarque, perto do Mackenzie. Dali até o consultório do médico, na Higienópolis, era um pulo.)

Nem passava pela minha cabeça fazer cesariana e tampouco me senti coagida pelo médico para tal. Eis que, numa bela madrugada, senti a bolsa romper. Estava deitada na cama e senti aquele líquido vazando. Corri para a maternidade, o Santa Joana, no Paraíso, enquanto meu marido ligava para o meu obstetra.

Chegando ao hospital, fizeram o exame de toque e me disseram:

“Vamos ter de fazer cesariana. O nenê engoliu mecônio.”

Eu tinha expectativa de ter filho de parto normal? Tinha. Estava preparada para fazer cesariana? Não. Mas confesso que não fiquei assim tão frustrada. Acho que vivia uma fase tão conturbada, no dia a dia, que não estava focada apenas na gravidez. Contra  a minha vontade, eu tinha entrado em licença-maternidade na empresa em que trabalhava, umas duas ou três semanas antes do bebê nascer. Isso sim, me frustrou bastante: afinal, queria ficar mais tempo fora da empresa no período que já estivesse com meu filho no colo! Mas o médico achou por bem que eu saísse antes; não estava gostando do meu inchaço: nariz de bolinha, olhos entumecidos, mãos e pés de pão…

Na sala de parto, fui sedada e, consciente, acompanhei todos os movimentos do médico e de sua equipe. Mas não senti absolutamente nada! Foi estranho: tirando o fato da bolsa ter estourado, não tive contração e muito menos dilatação. Quando percebi, o Luca nascia, chorava, e era aconchegado ao meu peito. Chorei de emoção e, a despeito dos momentos prévios que podem dar a impressão de que não ocorreria a ligação entre mãe e bebê, eu amei instantaneamente meu filho! Mas ele nasceu bem dentro do prognósticos médicos: com diferença de 3 a 4 dias, quando muito.

Se eu não senti nada nesse momento, detestei os momentos posteriores ao parto. Que dor para subir e descer da cama de hospital, devido ao corte na barriga! Que tortura ao ir embora de carro: com Luca no meu colo, no banco traseiro, mesmo o meu marido dirigindo com cautela, cada vez que passava em uma pista mais irregular, eu tinha dores atrozes! E para espirrar? E para dar risada? Não, ninguém me fizesse rir eu implorava, pois juro por Deus que, no pós-parto de cesariana, a mulher fica mais de um mês sentindo muita dor. Para quem não sabe, o corte é bem profundo, pois se atravessam várias camadas de pele e músculo, até chegar ao útero.

Eu demorei um pouco a entender por que tive de passar por uma cesariana. A despeito do sofrimento fetal que o Luca estava sendo submetido ‒ o sinal mais evidente era a presença de mecônio na bolsa ‒, parece-me que algo em meu organismo não funcionou bem. Minha natureza também não ajudou: caso contrário, teria tido os outros sintomas clássicos que antecipam um parto normal: contrações, dilatação.

Ao ganhar meu segundo filho, estava certa de que seria mais um parto cesariana. Nessa época, eu já morava em Varginha (sul de Minas). Como não tinha passado pela experiência de um parto normal, não sabia quando seria a hora de ir à maternidade, de avisar a médica. Comecei a sentir contrações às 9 horas da noite, mas não dei muita importância. Quando a coisa começou a ficar feia, iniciava-se a madrugada. Com cólicas, passei a ir a toda hora no banheiro para esvaziar o intestino. Mas eu fiquei preocupada em perturbar a médica àquela hora. Imagine só: só eu mesma para ter um pensamento desses: não querer atrapalhar o sono da minha obstetra (risos). Assim, fui deixando o tempo passar, a madrugada avançar, até que não me aguentei mais de dor e liguei para a médica. Dizem que o chamado “patamar de dor” é um mecanismo variável de pessoa para pessoa. No meu caso, ele é alto. Se eu finalmente decidi ligar para a médica, era porque definitivamente estava quase ultrapassando o limite da dor.

Tanto é que, quando me deitei para fazer exame de toque e verificar em que estágio eu estava do parto, praticamente não me aguentava me deitar ‒ a pior posição que tem para a mulher, quando está nos momentos culminantes de ganhar o bebê.

‒ Vai ser cesariana? ‒ perguntei, mais como uma forma de entabular uma conversa, do que propriamente fora uma pergunta.

‒ Não… Vai ser parto normal e vai ser… JÁ!! Você está com 10 centímetros de dilatação.

Se eu estava com tudo isso de dilatação significava que, se eu bobeasse, poderia ter dado à luz a caminho do hospital. E a verdade é que, por questão de minutos, quase que o anestesista não chegava a tempo. A sorte é que Varginha, ainda mais naquela época, há 13 anos, era uma cidade pacata, sem trânsito. Bem… Considerando o horário, também não enfrentaria trânsito de qualquer maneira: Jean nasceu exatamente às 5:00 h da manhã.

A vantagem do parto normal eu descobriria logo: recebi alta naquele mesmo dia. No dia seguinte, eu estava em pé e até em condições de cozinhar e varrer a casa (e de fato, eu fiz isso). Nunca senti tanta autonomia em relação ao meu corpo, assim que nasceu o meu filho do meio. E o melhor de tudo é que a minha barriga voltaria ao normal bem mais rápido, ao contrário do inchaço com que permaneci por várias semanas, após dar à luz ao meu primeiro filho. Apesar das horas de sofrimento que me autoinfligi (por inexperiência), valeu a pena a experiência do parto normal.

No meu terceiro parto foi mais tranquilo ainda. Eu morava em Ribeirão Preto nessa época. Alguns dias antes eu perdi o tampão mucoso (constatei isso ao olhar o vaso sanitário).Quando senti as primeiras contrações, mais experiente, não me demorei para me dirigir à maternidade.  Sofri todas as dores de parto, contrações, etc., mas foi igualmente recompensador estar com meu corpo inteiro, logo após o parto. Ainda bem, né? Com mais dois filhos pequenos para tomar conta, nada melhor do que estar pronta pra ser novamente “pau pra toda obra”!

Concluindo: de minhas experiências de gravidezes, posso dizer que cada uma foi totalmente diferente da outra: diferentes profissionais envolvidos, diferentes maternidades (a maternidade em Varginha era pública, um Hospital Regional,  praticamente o oposto da Maternidade Santa Joana, que é referência em termos de maternidade em São Paulo; a camisola que ganhei tinha até furos… Hehehe…), diferentes sintomas. Nenhuma foi melhor ou superior a outra, mas confesso que a última experiência (principalmente por ter sido parto normal) foi beeem mais tranquila. Nem teria como ser diferente, não?

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