Violência não é brincadeira de criança.

Hoje é um belo de um domingo, estamos todos em casa, fazendo coisas aleatórias, filmes, desenhos, brincadeiras, pipoca…enfim. Tenho uma filha de 3 anos e meio e se tem um assunto que me apavora é a pedofilia e a violência contra crianças. Claro.

Quem não se assusta com isso? Sabemos bem… Quem ainda incentiva, publica, cala, agride, age como se tais coisas fossem naturais.

A violência por exemplo. Por ser mãe, sempre encontro alguém (também mãe ou aspirante à) para conversar sobre a educação dos nossos filhos. E se tem algo que bato o pé com firmeza é em relação à violência, a famosa palmada, surra, ou mesmo, como já ouvi por aí a “educação infantil”.  Sinceramente eu sou a minoria ainda. Pelo menos com as pessoas que conheço. A maioria ainda acredita, sim, que bater é o mesmo que educar.

Não é só porque fiz psicologia que sou contra as palmadas mas sim porque acredito que a violência não ensina nada, só ensina mais violência e pior, ensina que não existem argumentos contra a força. Como eu costumo falar, em tom de brincadeira, eu não bato nem nos meus animais de estimação!

Aí sempre vem alguém com aquele argumento que apanhou quando era pequeno e que isso foi muito bom, ou mesmo que existem situações onde não tem outro jeito. Ou pior, que a palmada difere da surra. Ou aqueles que falam da palmada moral. Me dá um tempo né gente. Bater é bater. Obviamente que espancar uma criança é muito mais grave que uma palmada na bunda, mas é violência do mesmo jeito, não resolve e ensina, através do exemplo, que bater ou agir com violência resolve quando o diálogo falha.

Como mãe, percebo que não é fácil educar uma criança, ensinar regras, limites e tudo mais. É um trabalho árduo e diário. Como TUDO na vida. Tem filhos? Assuma a responsabilidade e não desconte suas angústias e problemas nas costas dele. Se não dá conta, converse, peça ajuda, vá à terapia.

Blog falando mais sobre o assunto> http://diganaoaerotizacaoinfantil.wordpress.com/2010/08/03/disque-denuncia-recebe-73-queixas-de-violencia/

Ah sim…e a violência pode ser de várias formas. Violência psicológica, moral, sexual….

E a pedofilia? É um enorme tabu ainda. E, 80% (em média) dos casos de abusos são feitos por pais (e mães viu), tios/tias e padrastos. Ou seja, pessoas da família, que normalmente moram na mesma casa que a criança, convivem com ela, leva ela à festinhas e encontra brechas. Ou seja, dificilmente o abuso é cometido por alguém de fora do circulo familiar. E pensando nisso temos que concluir que tem algo MUITO errado acontecendo.

Em meu círculo de amizades tenho várias pessoas que já sofreram abusos sexuais na infância, meninos e meninas, que, em nenhum dos casos foi ouvido pelos próprios pais. Juro, nenhum deles. Na verdade, em alguns casos a culpa pelo “suposto” ocorrido era da própria criança. Ou seja, além de não acreditarem nos próprios filhos, a criança ainda era culpada em “inventar” histórias, e se acreditassem, era igualmente culpada por não ter dito nada antes.

Peraí né, acontece dentro de casa e quando a criança consegue falar com alguém de (suposta) confiança ela ainda é culpada?

É muito triste que na mídia esse tipo de situação ou mesmo dados não sejam mostrados. Somente os tais pedófilos da internet são mostrados. Pior ainda é saber, que hoje em dia, os processos desse cunho são muito difíceis e sem um apoio significativo.

Claro que não queremos que isso aconteça em nossa casa, mas acontece e aí? A maioria das crianças não vai falar abertamente sobre o(s) abuso(s), seja por vergonha e culpa, seja por ameaças de quem abusa. E não se engane, pode ser homem e/ou mulher. A melhor maneira de prevenir algo com seus próprios filhos é a conversa, a aproximação e a confiança neles.

Se você tem uma relação sincera com seus filhos, ele se sentirá confiável  para falar de algo errado que está acontecendo, nem que seja mínimo.  Além das mudanças de comportamento. Na dúvida, vá à um especialista, fale com professores e psicólogos. Não se dê ao luxo de ficar na dúvida. Você é adulto, seja como pai/mãe ou mesmo parente, e deve ter maturidade para enfrentar tais coisas, agora a criança não sabe, MESMO, como lidar com isso.

Existem algumas  instituições que têm por objetivo proteger a criança e o adolescente contra a violência sexual

>CERCA (Centro de Referência da Criança e do Adolescente) o site deles é www.cerca.org.br.

Eles tem uma campanha bem interessante>

http://diganaoaerotizacaoinfantil.wordpress.com

Se quiser ler mais, veja este artigo: Feridas que não cicatrizam:A neurobiologia do abuso infantil, por Martin H. Teicher

E temos o disque “100” para denúncias.

Faça a sua parte também, discuta, converse, debata o assunto pois o conhecimento é muito valioso. Espero que nunca passemos por situações tão delicadas, mas que se acontecer, que sejamos fortes o suficiente para enfrentar com sinceridade, justiça e verdade.

Eu escrevi um pouco sobre o que penso sobre o assunto, sem intenções de ofender ninguém, mas sim de compartilhar conhecimento.

Grandes abraços.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s