Reflexões e vassouras.

Hoje pensei sobre o porquê daquelas “limpezas gerais” na casa. Aquelas que limpamos tudo, com baldes de água, com esponjas e disposição. “Aquela” limpeza.

Algumas mulheres, ou pessoas que moram sozinhas, o fazem por mera rotina ou por ter algum motivo, como amigos em casa ou uma festa em familia. Há também aqueles que nem precisam pensar nisso, deixam suas empregadas pensarem.

Mas não é meu caso.

No meu caso, eu o faço por dois motivos bem distintos:
1) quando estou de muito bom humor, com passarinhos cantando em minha cabeça, perfumes passando pelo ar e aquela vontade de deixar tudo a minha volta igual ao que sinto dentro de mim. Limpo feliz, cantando e quando tudo acaba me sinto completa, tranquila.

2)quando estou muito angustiada, com núvens negras em meus pensamentos, desconforto em meu corpo e olho ao redor e vejo tudo sujo. Me dá vontade de limpar, limpar com força, com vontade. E enquanto limpo, imersa em meus pensamentos, a sujeira que escoa pelo ralo, leva junto a loucura que me consome. Fico horas em meditação limpando a casa. E quando acabo, me sinto mais tranquila, limpa e aliviada. A casa, estando limpa e cheirosa, permite que meu interior, como numa osmose, se iguale. E melhoro.

Algo deve haver de simbólico na limpeza da casa, se não não teria pensado tantas coisas, mas não sei deifinir exatamente o quê.

Às vezes, vejo mães de amigas minhas, que sempre mantêem suas casa impecáveis, e isso me passa uma certa angústia. Não pela limpeza, mas pela obsessão.

Aos poucos entendo, porque já passei por isso, que quando a loucura externa é insuportável, que penetra em nossas mentes, tentamos, incessantemente limpar esse mesmo ambiente, o externo. Limpamos e limpamos, esfregamos, arrancamos tudo que é sujo, sem saber, que é lá dentro, na nossa mente que habita a sujeira.
A pedrinha que incomoda, não se encontra na sujeira da sala, e sim nos labirintos da mente.
Mas, algumas mulheres, tanto pela sociedade, quanto pela própria personalidade, não entende isso. E continua areando a panela, na esperança que seus pesadelos sumam.

Outras, tentam e tentam limpar, mas a sujeira continua ali. Se perguntam como a vizinha pode ter a casa tão organizada e polida. Mas outra vez, há uma discordia no ar. Sua relação com o exterior é tão confusa, que ela cre que sua bagunça pode ser resolvida só pela limpeza da casa, e quando não consegue nem isso, entra em colapso.

É o mesmo caso, mas neste segundo exemplo a luta não é com algo externo que gera instabilidade interna, e sim, algo interno, que gera instabilidade por todos os lados.

Mas nem tudo é neurose, quando tentamos limpar a casa para organizar a cabeça, e depois, refletimos sobre isso, aconteçe uma mudança.
O problema é o incessante balançar de vassouras, sem reflexão alguma, sempre empurrando as sujeiras de nossa mente para debaixo do tapete e vendo, uma montanha de instabilidade se formar na nossa frente, sem sequer entendermos que fomos nós que a criamos.

Só requer um pouco de coragem para dar o primeiro passo e arrancarmos a poeira que permeia nossos pensamentos, e deixá-lo limpos, claros e cheirosos.

Transformando tudo e todos, de uma maneira que você nem imagina. E te garanto que dura mais tempo que a limpeza da casa, se é que vocês me entendem 😉

 

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