Dons

Sou assinante da revista Vida Simples , e estava lendo esta matéria agora a pouco e preciso compartilhar isso com vocês.
Sugiro que leiam a revista toda, que está maravilhosa, só pra variar um pouco.
Mas esta coluna do educador e escritor Eugenio Mussak, que se chama “pensando bem”, tem uns detalhes interessantes, tanto pessoais, quanto por ter uma citação de um historia real e muito linda.
Historia essa que ilustra a explicação dele a uma pergunta, feita por uma leitora, que fala sobre o complexo de inferioridade.

Bom, vou compartilhar com vocês, por Eugenio Mussak:

“Realmente, ninguém consideraria Paul um garoto atraente. Era gordo, desajeitado, com dentes tortos e um permanente semblante de quem não tem a menor idéia do que está fazendo neste mundo. Por tudo isso e por sua condição social, o jovem Paul não tinha motivos para achar que um dia seria um sucesso na vida. Filho de um motorista e de uma caixa de supermercado na cidade provinciana de Bristol, na Inglaterra, dedicou-se a trabalhos comuns, como estoquista e vendedor de celulares.

Na escola, a crueldade dos adolescentes com os colegas menos abençoados pela natureza jogou a última pá de cal em cima da autoestima do garoto. Foi na solidão de sua inferioridade que Paul encontrou uma companhia: o canto. Ele cantava desde pequeno, geralmente quando estava só, e era esse seu momento preferido. E era apenas isto que ele achava que seria por toda sua vida: um cantor de chuveiro. Por sorte, o destino tem lá seus caprichos, e às vezes gosta de dar um empurrãozinho em quem está com medo de saltar alguns obstáculos da vida. Em 2000, Paul ganhou um pequeno prêmio em um concurso de perguntas e respostas, juntou a esse dinheiro algumas economias e cometeu uma ousadia inesperada: cruzou o canal da Mancha em direção à Itália, com a intenção de assistir a uma apresentação de Pavarotti e estudar a língua de seu ídolo. Foi então que começou a pensar que poderia sonhar em ser um cantor de ópera. Mas como? Como enfrentar as dificuldades de uma carreira tão difícil e, muito pior, como vencer seu próprio sentimento de rejeição?

Como desgraça pouca é bobagem, logo depois Paul entrou em um período de problemas de saúde. Teve apendicite supurada, recebeu o diagnóstico de um tumor na glândula supra-renal felizmente resolvidos com cirurgias e ainda sofreu um acidente de moto que quebrou sua clavícula. Mas, passado esse período negro, Paul, já com 37 anos, juntou forças insuspeitas, parou por um instante de olhar no espelho da inferioridade e cometeu mais uma ousadia. Inscreveu-se no concurso Britains Got Talents, uma espécie de Ídolos da TV inglesa. Foi nesse dia que o destino lhe sorriu.

Como todos os concursos de calouros, esse também é cruel. A maioria dos candidatos diverte o público, não por seu potencial artístico, mas pelo papel ridículo que estão dispostos a fazer em nome de um sonho que dificilmente será realizado. Os jurados sabem disso, e cumprem bem sua missão de parecerem seres superiores dispostos a dar uma chance aos mortais comuns. Quando, vestindo um terno de 35 libras, Paul foi anunciado aos jurados Simon Cowell, Amanda Holden e Piers Morgan como um cantor de ópera, estes ensaiaram até um ar de descrença e enfado diante daquele desajeitado pretendente a divo.

O que eles não podiam imaginar era que estavam diante de um virtuose. Só se deram conta depois que ele abriu a boca e começou a cantar, controlando seu pavor. O que se seguiu não pode ser explicado por palavras. Vale a pena assistir à apresentação de Paul Potts, um homem que se considerava inferior porque não se encaixava nos padrões (veja o vídeo em www.youtube.com , procure por Paul Pott singing opera). No mínimo, é emocionante.”

 

Me emocionei ao ler a matéria e piorou quando vi o vídeo.

Tenho uma natureza que me empurra a acreditar nas pessoas, no potencial, na beleza e na vida, de cada um, de cada olhar.

 E, mesmo que longe, sinto uma felicidade imensa quando pessoas gritam seus dons por cima de toda descrença que o mundo teima em não ter em cada um de nós.

Grandes abraços.

Leiam aqui a matéria completa

 

PS- (retirado da matéria também) Por Eugenio Mussak:

“Paul Potts fez isso. Colocou em xeque a opinião dos outros, inclusive da mídia, que insiste em relacionar sucesso artístico a beleza física. Já gravou CDs, apresentou-se para a rainha da Inglaterra e tem agenda cheia no cenário internacional do bel canto. Sim, o valor do belo é real, mas ele também é relativo. O belo só continua belo quando acompanhado do bom e do verdadeiro, diria Platão.

Aliás, Paul consagrou-se naquele programa de calouros cantando a ária Nessun dorma, de Giacomo Puccini, que começa dizendo: Que ninguém durma/ nem você, princesa/ olhe as estrelas e trema de amor e de esperança. E termina ordenando: Parta, ó noite/ esvaneçam, estrelas/ ao amanhecer eu vencerei/ Vencerei!”

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7 pensamentos sobre “Dons

  1. Oi, nat. tb assino a revista e amo! nao li o q vc colocou pq ainda nao li na revista, mas vou ler já já. Só passei aqui pra dizer q tb acredito cada vez mais nas pessoas e nos dons!
    bj
    Acho q somos provas disso!

  2. Com certeza Dani!
    Temos que ir sempre na direção de nossas paixões, que nos dão forças para superar qualquer coisa, e ir além daquilo que prevêem para nós.
    Somos provas disso.
    E é muito bom ver que outras pessoas seguem esse caminho também.
    Grandes Abraços!

  3. Nath, eu ja tinha visto esse video ha mto tempo e achei lindo demais. E um exemplo de que temos que nos lembrar de que nossa imagem de mundo esta muito distorcida. O que é bonito, ninguém sabe mais. Photoshop come solto em fotos e as pessoas acham que existem outras pessoas perfeitas. Ninguém mais para para ver além daquilo que os olhos sao capazes. Desaprendemos a ver com o coraçao!
    Quero muito ver um filme, baseado no livro de Saramago Um Ensaio sobre a cegueira (que ficou em inlgês Blindness, procure o trailer). Como seria bom se por algum tempo o mundo todo ficasse cego! Passariamos e ver muito, mas muito mais longe do que jamais pensariamos ver.
    Obrigada por postar essa matéria e o video!
    E o que tudo isso me faz pensar é que devemos fazer o que sentimos que devemos fazer. Quantas pessoas deixan de subir num palco como aquele e se expor apenas por medo? Medo de quê? A vida passa tao rapido que so vale a pena tentar ser feliz. Tento seguir por esse caminho agora, ainda sem saber o que é e por onde e para aonde me leva. Deve ser a cegueira que eu escolhi!
    Se cuida, neguinha! E muitos beijos para essa familia maravilhosa agraciada com a sua presença!
    Grosses bises! Je t’adoooooooreeeeee.

  4. De nada!
    Entao, eu estou lendo o livro, é muito, muito, muito loko…mas nem imagino como acaba…E sim, infelizmente, esquecemos como ver com o coração, e nos acostumamos a atropelar o tempo para termos prazer.

    Sabe linda, estou aprendendo muitas coisas, e fico ansiosa só de imaginar o que ainda vou aprender.
    E estou entendendo cada vez mais que o real é o q se sente. Não o que se fala, o que se pensa ou mesmo o que fazemos, embora devessem ter ligação com o que sentimos.
    Quanto mais aproximamos essas coisas daquilo q sentimos, mais nossa vida se torna plena, bonita e cheia de sentido.

    Muitos e muitos beijos! Quero te dar um puta abraço!
    Je t´adore aussi!

  5. Nath, estou emocionada e fiquei muito arrepiada!!! Eu só vi o vídeo e li a matéria hj, quer dizer… depois da nossa conversinha pelo msn. E só quero dizer que, de fato, temos uma “estranha” e “divina” rede decomunicação! Rsrsrs Emociante!!! Os fatos estão aí para não nos deixarem mentir!

    bjs

  6. eu li tb esta matéria, muito boa! e vi o vídeo algumas dezenas de vezes! eu gosto desta revista, não assino mas às vezes compro, nem sempre é tão boa, às vezes tem umas matérias meio vazias… Ultimamente eu tô curtindo uma revistinha de drograria que vai na mesma linha da Vida Simples, mas que por incrível que pareça tô achando melhor, vou lendo e chorando com ela no metrô rsrs Custa 2,50 e o que é arrecadado é doado para uma instituição que cuida de crianças com câncer. Me manda seu endereço que eu te mando uma pelo correio. Ah, hj lembrei de você ouvindo Mata Virgem do Raul, não sei porquê me fez lembrar você 🙂

  7. É Claudinha, essa história é linda mesmo, também fiquei arrepiada quando li, e quando vi o filminho então…vixe!

    Sabe, a nossa “rede de comunicação” vai além de muitas coisas, ultrapassa distâncias, crenças e até situações. Só o medo atrapalha a frequência 😉

    Mulher, que tenhamos mais e mais conversas como aquela. Eu, amei!

    Muitos beijos!

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