Sede

” Sede assim – qualquer coisa
serena, isenta, fiel.

Flor que se cumpre,
sem pergunta.

Onda que se esforça,
por exercício desinteressado.

Lua que envolve igualmente
os noivos abraçados
e os soldados já frios.

Também como este ar da noite:
sussurante de silêncios,
cheio de nascimentos e pétalas.

Igual à pedra detida,
sustentando seu dmorado destino.
E à nuvem, leve e bela,
vivendo de nunca chegar a ser.

À cigarra, queimando-se em música,
ao camleo que mastiga sua longa solidão.

ao pássaro que procura o fim do mundo,
ao boi que vai com inocência para a morte.

Sede assim qualquer coisa
serena, isenta, fiel.

Não como o resto dos homens.

Cecília Meireles”

—————————————————-
Já disse que adoro a Cecília… este poema sempre me acompanhou, ele me inspira a solidão.

Sempre lutei contra e a favor dela, mas nunca consegui fugir. Ela [a solidão] me acompanha nos momentos mais profundos e nos mais simples, e a Cecília sempre em entendeu. Ela também era solitária.
Isso não tem relação alguma com ser sozinho. A solidão é aquele momento onde a única e melhor companhia é você mesmo.

Entardecer em Rio Preto

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6 pensamentos sobre “Sede

  1. pronto!!!! já é profissional essa menina!!!!
    tá linda essa foto!!!
    beijinhos tati.

  2. A cada dia penso que estamos ficando cada vez mais solitários.

    Eu também amo Cecília Meireles. Inclusive meu ultimo post foi um poema dela.

    Gostei muito do seu blog, apesar de pouco tempo para explorá-lo melhor. Voltarei com certeza!

    Abraço,

  3. Essa e a grande diferença entre ser sozinho e querer, precisar estar sozinho. A segunda opção, como já disse, é uma necessidade humana. Já percebi que as pessoas que não se dão conta dessa necessidade, ficam numa especie de estagnação interior; não evoluem a mente, a alma, o espírito. Acredito que seja nesse momento que, como costumo dizer, vamos de encontro coo o nosso ser. Refletimos e damos impulso para o autoconhecimento e vazão para um melhor relacionamento da gente com a gente mesmo.

    Achei interessante você ter dito que a Cecília te entende. É realmente essa a impressão que tenho em relação ao meu escritor e poeta predileto – que são vários. Parece que tais palavras foram escritas exatamente pra mim; e como isso conforta, acalma, dá uma sensação inexplicável, diria.

    Belas palavras, Nath!

    E em breve, quando eu conseguir expressar, como merece, a experiência de ontem, escreverei la no Delírio.

    Um beijão!

  4. Tati, muito obrigada pelos elogios!! Agora só falta eu começar a receber pelas fotos :D! Bjao!!

  5. Stéfani, sim, acredito que hoje somos cada vez mais solitários, mas eu acredito que não seja esse tipo de solitude que a Cecília falou, não é para nos afastarmos da convivencia com o “outro” e sim, aproximar-mos com a nossa propria existencia, num movimento interior de auto-conhecimento.

    Vou conhecer o seu blog tb! E mto obrigada pelos elogios, sinta-se em casa!

    Bjao!

  6. Jhenifer, Ah sim, a solidão nos proporciona uma clareza de visão em relação a nós mesmos que podemos passar pelos espelhos que nos refletem (afinal, só nos vemos por espelhos) e olhamos diretamente para nós, de uma forma verdadeira. E acredito que seja exatamente por isso que muitos não gostam de ficar “sozinhos”, pois não têm coragem de enfrentar seus próprios demônios.

    Ah sim, depois escreverei sobre o fim de semana, escolherei uma foto (se vc deixar, claro) e colocarei aqui tb.

    Bjo!!!

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