Passados

” És precária e veloz, felicidade.
Custas a vir, e, quando vens não te demoras.
Foste tu que ensinaste aos homens que havua tempo,
E, para te medir, se inventaram as horas.
Felicidade, és coisa estranha e dolorosa.
Fizeste para sempre a vida ficar triste:
porque um dia se vê que as horas todas passam
E um tempo, despovoado e profundo, persiste.
Cecília Meirelles”

——————————
Tenho uma pequena caixa, com várias cartas guardadas. Cartas da França, da Bahia, de São Paulo, cartão postal do Rio, de Natal e de novo, da França. Tem bilhetinho e até coisas que eu nunca mandei pra ninguém.
Este poema, foi uma amiga minha quem me deu, a Marcinha, lá de SP, no dia 21/06/02. Ela dizia que eu era parecida com a poeta. Que charme.

 

 

Sabem, tenho uma relação muito interessante com meu passado, gosto de voltar, sentir e depois vir para o futuro novamente. Tenho livros e agendas que tem ainda o perfume do tempo em que esteve, e isso me fascina.
Tenho duas pastas, que estão lotadas de poemas antigos, a maioria meu.

Aqui vai um para terminar o post:

“Quem é você que me olha?
Através da tela e nos meus sonhos?
Que vira o olhar,
que chora,
que força.
Quem?

Te reconheço numa fotografia
e você tenta me dizer algo.
Te reconheço mulher,
mas você me diz criança.
Te vejo bela,
mas com olhos profundos.

Será dor?
amor?
rancor?
ou cor?

Não quero depender do espelho
pra te ver.
Não quero procurar nas cartas
o que fazer.

Quero ser.

Nathalie Gingold -04/08/04”

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6 pensamentos sobre “Passados

  1. Nossa, Nathalie.

    Talvez este post seja o que mais me fez sentir você e, conseqüentemente, me sentir. Uma nostalgia gostosa – que me lembrou a minha caixinha – paira no ar; uma quantidade considerável de interrogação que desvela como estamos em constante busca. Busca de respostas, de caminhos, de algo que nos faça sentir viver. Ou de algo que, na verdade, nem sabemos o que é de fato – ou fingimos não saber, para uma possível melhor aceitação do que possa vir a [não]ser? Enfim…

    Mas antes de qualquer coisa, uma busca incessante do nosso verdadeiro “eu”; buscamos nos entender, nos conhecer, nos aceitar como somos [isso nem todos buscam; alguns preferam se moldar ao que já está preestabelecido ao invés de re-estabelecer]… e como isso é difícil! Acredito que pelo constante processo em que vivemos. É um girar, um girar, um girar infindável. Afinal, somos mutáveis [felizmente!].

    Me perdoe a viagem, mas foi isso que esse post remeteu a mim.

    Apesar dos quatro anos corridos, você consegue identificar, por essas linhas, o quê em você continua, e o quê em você mudou? Pergunto isso porque esse “quero ser” isolado aqui embaixo me diz muito.

    Um beijão e boa noite!

  2. Demorei para me lembrar que tinha que responder…mas vim responder.
    Sim, eu estava procurando algo, e encontrei.
    Estava me procurando, procurando o que de real existia em mim, o que era loucura de outras pessoas, o que era loucura minha, o que não era nada e o que era meu e eu nem sabia.
    Sempre tive esse anseio pelo profundo, mas quando se trata de nós mesmos a coisa fica complicada. E eu estava numa fase de “me encontrar”.

    Eu sempre estou em transformação, mas minha essencia é sempre a mesma.

    Bjus

  3. E como complica!

    Eu gostaria de dizer com a precisão de suas palavras que “encontrei ou me encontrei”. Sempre que penso ter me encontrado, óh eu novamente perdida. Gostei desse negócio das loucuras dos outros… às vezes nos deixamos levar por impressões, vezes maldosas, dos outros, sem mesmo perceber. Isso aconteceu muito comigo; hoje já tenho um pouco mais de malícia pra discernir isso. Mas ainda me falta muita… sou tão desencana que chego a pensar que os outros são assim também [e então me ferro]. Mas estou aprendendo.

    Bom, gostei de saber um poquinho sobre o seu ser-estar.

    Beijos!

  4. Muito obrigada pelo seu comentário! Aquele poema, quem escreveu foi uma colega de blog, Maria Azenha, e lhe convido a entrar em seu blog… é excelente para quem aprecia poesia.

    Também gostei muito do seu blog, bem diversificado!!

    Um abraço, Flávia Silva.

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