Edith

Sim, estou falando da Piaf mesmo, La môme.
Meu pai sempre me falou dela com uma paixão incrível, já me contou a história da vida dela algumas vezes e sempre cantarola alguma música dela na gaita. Ele adora esta cantora, sempre diz que adoraria tê-la conhecido, que ela era a melhor, a mais forte e corajosa mulher que ele já viu. Nascida nas ruas de Paris, criada num bordel, com voz marcante e personalidade igual, essa pequena (grande) cantora é da época dele, e eu não conheço ninguém que se interesse pela cultura francesa, que não ame ela, de paixão.
Não é a toa que quando eu dava aulas de francês, ela sempre batia o cartão em todas as turmas. Decorei algumas letras (sem falar nas traduções) por causa dos meus alunos. Sem falar no orgulho de mostrar um pouco desta mulher que nos representa tão bem.
Gosto dessa fúria misturada com paixão que ela teve. Tudo era intenso. Corajoso e parisiense. Não a Paris de hoje, que se mostra muitas vezes arrogante, uma Paris antiga, malandra, quente e desbocada. Que me inspira a ser o mais louco que há em mim.

Ontem tive a oportunidade de assistir o filme da biografia dela, aquele que saiu a pouco tempo nas locadoras, com a incrível Marion Cotillard, “Piaf: um hino ao amor”. Se você não conheçe essa incrível mulher, este filme é uma puta oportunidade. Não tenho muitas palavras para descrever a interpretação da protagonista, que chegou ao extremo da semelhança com a Edith, não só falando de maquilagem, mas na paixão e na loucura que deve ser interpretar uma mulher como ela. O filme é lindo, emocionante e mostra de uma forma não linear a vida dela. Assista. S´il vous plaît. Aqui vai o site oficial do filme: http://www.edithpiaf.com.br/

Gosto da maioria das músicas dela, mas vou deixar uma clipe aqui (original) de uma que me emociona. Ela também já foi cantanda pela Cássia Eller (uma mulher que eu também admirava muito) e só quem tem cicatrizes na pele e na alma, entende a dor e o prazer de ouví-la.
“Non, je ne regrette rien” (não, eu não me arrependo de nada):

Aqui vai a tradução da música para o português:

Não! Nada de nada…
Não! Eu não lamento nada…
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal – isso tudo me é igual!

Não, nada de nada…
Não! Eu não lamento nada…
Está pago, varrido, esquecido
Não me importa o passado! (2)

Com minhas lembranças
Acendi o fogo (3)
Minhas mágoas, meus prazeres
Não preciso mais deles!

Varridos os amores
E todos os seus “tremolos” (4)
Varridos para sempre
Recomeço do zero.

Não! Nada de nada…
Não! Não lamento nada…!
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal, isso tudo me é bem igual!

Não! Nada de nada…
Não! Não lamento nada…
Pois, minha vida, pois, minhas alegrias
Hoje, começam com você!

———————————————————-

Ela é realmente um hino ao amor. (muitas palmas)

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10 pensamentos sobre “Edith

  1. menina!!!! como assim você leu os meu pensamentos??? eu amo essa música, (e várias outras da edidth piaf mas não sei os nomes, não sei nada de francês), também amo a interpretação da cássia eller, como muitas outras que ela cantava!!!! também tava louca pra ver esse filme, mas tinha mesmo esquecido… vou pegar… vi o trailler do filme e fiquei muito interessada pela história dessa mulher forte e de uma voz….. inconfundível!!!!
    amei como você escreveu!!!
    beijos e até breve!!!
    ah!!! amei a tradução!!!
    tati.

  2. Não pude evitar os arrepios ao ler a sua descrição do que a Piaf causa em você. Confesso que estou extremamente surpresa com a sua abordagem. Eu sei, não a conheço, mas é que é tão difícil encontrar pessoas que se interessam pelo que há de mais belo e mais vivo e mais intenso na música. Principalmente a francesa. Piaf, a meu ver, é a perfeição; experimentou os altos e baixos da vida intensamente e sangrou para o mundo o seu amor e a sua dor. O filme despertou em mim multi-sensações e sabores singulares; daqueles que amarram a boca e nos deixam um eterno amargo. Mas esse amargo é bom.

    Assim como você disse, nos resta aplaudi-la.

  3. Essa música também é minha preferidas. Digo isso não por ser, talvez, a mais conhecida, mas por ser a que, a meu ver, melhor representa o que Piaf sentia na alma. Assisti o filme em dezembro e meu, foi… é indizível. Diria que algo sublime; costumo dizer que Piaf foi a perfeita desarmonia em que vive os homens verdadeiramente grandes.

    Abraços a todos!

  4. Puxa Gouche, eu é que fiquei arrepiada em conhecer mais uma da minha espécie, também não te conheço, mas reconheço quando uma mulher tem uma ligação quase que viceral com suas raízes de loba, que sente as loucuras e delícias da vida e se sente orgulhosa disso. sabe, aquela que grita de felicidade, fica em silêncio de dor e cresce, como uma planta, sempre em direção à luz.
    Estou dando uma bisbilhotada no seu blog também, e já o coloquei na minha lista de leituras diárias.

    Por curiosidade, qual o seu nome?

    Beijos

  5. Não sei se posso afirmar que sinto, como gostaria, todas as loucuras e delícias que a minha pequena existência tem me oferecido, mas afirmo que essa é a minha constante tentativa. Sou fascinada por tudo concebido como estranho, diferente; enfim, o desconhecido me atrai.

    Confesso que ainda não li todo o seu blog. Trabalho, telefone, patrão chamando… já viu, né? Mas o pouco que li agradou-me demasiadamente. Escreves muito bem e tens facilidade para transmitir o seu raciocínio. Luta esta que não consigo vencer: transmitir, de fato, o que penso.

    Jhenifer, prazer!

  6. olha eu nem assisti o filme, mas a Edith Piaf vai ficar pra sempre na minha memória, porque o primeiro livro em francês que eu li, foi uma biografia da Piaf. Ela era realmente muito doida, mas também muito trágica mas levava tudo numa boa, não tava nem aí . Ia fundo e voltava pra respirar. Muitas vidas em uma só…..

  7. Nath, estava aqui relendo os seus antigos posts. Os que serviram como ponte para o início dessa amizade pura e verdadeira que surgiu entre nós. E quando reli este, os arrepios que eu disse ali em cima, são, praticamente, os mesmos – talvez até mais intensos. Eu adoro esse post, a Piaf e você.

    Daí lendo tudo isso que, de certa forma, está empoeirado, jogado no fundo do baú, percebi como esquecemos das coisas fácil, fácil. O blog é uma prova viva disso. Não fosse ele, pode ser que nem lembrados seriam. E eu queria, de alguma forma, celebrar o nosso passado, em especial este, para todos daqui.

    Bisous.

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