Post de mãe, parte 2

Que ter um filho e criá-lo não é fácil, todo mundo sabe. As vezes as pessoas não sabem direito o que acontece, até o teste dar positivo. Passada a loucura da gravidez, chegamos nas partes críticas e no sem fim de coisas que é ter um filho. O fato q é que é muito bom, completamente gratificante ter um filho, tenho a Sophia e gostaria de ter outros.
Mas vim falar de educar. E educar exige igualdade e respeito.
E quem disse estou falando da escola? Muitos pais acabam jogando a responsabilidade pra ela, mas não é bem assim, falo de educar em casa.

Vou ilustrar de um modo bem simples, a Sophia, desde que nasceu, dormia comigo no colchão de casal que a gente colocou no quarto dela. Havíamos comprado um berço, mas como ela me exigia bastante energia, eu chegava no final do dia (que não nescessariamente era à noite) completamente cansada, e fazê-la dormir era muito trabalhoso, ela sempre demorou bastante para dormir e tinha o sono bem leve. Sem falar que as mamadas eram de duas em duas horas. Resolvi fazer do meu jeito e seguir a intuição.

Conforme os meses foram passando, a Sophia começou a ganhar “independência” e eu também, foi algo bem natural e gostoso, porque dormir com ela era uma delícia, mas já estava começando a cansar. Precisava de um colo um pouco mais másculo, se é que você me entendem. De dormir agarrada ela começou a dormir no próprio colchão, estratégicamente colocado ao lado do nosso. E depois começamos a colocá-la no berço. No começo ela não gostou muito da idéia, mas como faziamos ela dormir primeiro, para só depois colocá-la no berço, ela aceitou numa boa. Mas a minha (e a do meu marido)coluna começou a reclamar, ela demorava demais para dormir.

Então, há três semanas atrás (ela está com 8 meses), resolvi ensiná-la a dormir sozinha no berço, percebi que já estava na hora. Nesta idade, os bebês já começaram a entender os mecanismos de “manipulação” dos pais, e quando contrariados utilizam todas as ferramentas para conseguir o que querem. O incrível é que eles sempre sabem fazer isso muito bem. Eles vão tentando de tudo, até o momento em que um funciona, e aí já viu, todo o nosso orgulho de ser um adulto inteligente vai por água a baixo, somos manipulados por um bebê.

No primeiro dia em que coloquei a Sophia para dormir sozinha, ela gritou no berço por uma hora e meia, e olha que eu ía dar carinho a cada 5 minutos. Mas não pegava ela no colo.
Tudo estava perfeito, até eu ficava com sono naquele ambiente, música calminha, cortina azul, luzinha bem fraca, barriga cheia, banho tomado e ventilador ligado. Mas ela gritou, chacoalhou o berço, chorou, bateu a cabeça no berço (de leve), jogou todos os brinquedos pra fora e chamou mamã por uma hora e meia.
Foi a primeira vez que ela sentiu o que era frustração.

Eu também estava aprendendo, não é nada fácil segurar a vontade de pegá-la no colo e dar beijinho. Mas tinha que fazer, tinha que, pela primeira vez, dar limites.
Algumas pessoas podem até achar que minha atitude foi exagerada, mas eu acredito ser mais exagerado ver uma adolescente matar os pais porque eles não deixavam ela namorar um rapaz. Essa menina não sabia lidar com frustrações, e “não” era uma palavra desconhecida dos seus pais. E tudo começa quando bebê, se você não consegue ensinar sua filha de 8 meses, o que dirá de uma de 15?
Hoje em dia existe uma supervalorização da infância, e ao contrário do que muitos pensam, ela, como qualquer exagero, não é nem um pouco boa. Criamos crianças dentro de uma redoma, onde não existe dor, frustração, sujeira e todas essas coisas que fazem parte da vida e que não são, necessariamente, ruins. Qualquer pessoa sensata sabe que é através dessas coisas que aprendemos a viver, a melhorar e a crescer. E porque privar as crianças disso?
Não vou colocá-la em situações de sofrimento, ou mesmo deixar de protegê-la, mas existem momentos em que você ensina através dessas dificuldades que sempre vão aparecer na vida dela. E eu prefiro que ela aprenda agora, em casa e comigo, que na vida existem coisas boas e ruins. Assim, bem simples.

Hoje em dia, ela ainda dá um pouco de trabalho para dormir, mas já gosta bastante de ficar “no cafofo” do berço dela. E eu estou orgulhosa, dela e de mim.
Eu ía não contar, mas também me frustei ao saber que não conseguia ser uma super mulher e resolver tudo assim, facilmente e sozinha.

Aprendi com ela também.

2 pensamentos sobre “Post de mãe, parte 2

  1. como assim você não é uma súper mulher???? conseguiu colocar a sofia no berço e tudo!? eu acho que você está certíssima em fazer isto, e não tem nada de exegerado!!!! e também acho que não tem nada de mais em sentir vontade de ceder enquanto se corrige ou educa uma criança!!!! convivo com muitas crianças pois são 6 sobrinhos… como você já sabe não tenho filhos, mas vejo cada coisa!!!! crianças que fazem o que querem, até dar tapinhas na cara das visitas, e os pais acharem lindo!!!! educar é uma arte…. e acho que os pais tem uma sensibilidade além do normal, pois lidar com esses seresinhos fofos, e ao mesmo tempo (como você mesma disse) que também sabem como manipular é uma arte!!!! e também é muito fácil julgar né, principalmente para quem nunca teve essa experiência!!!!
    beeeijosss…
    tati.

  2. Com certeza Tati…mas não é só uma arte, é um trabalho intensivo de manutenção. Não adianta fazer uma vez bem feito…é preciso repetir, repetir…até o dia em que é substituido por algo mais complicado ou diferente.
    Ser mãe não é só engravidar e fazer a criança crescer…é fazer, todos os dias, um treinamento samurai de paciência, respeito e amor.
    E eu, que sempre quis ter um “mestre” samurai, que nem o pai Mei, acabei descobrindo que aquele treinamento é só para quem não tem filhos…

    Beijao!!

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