Acreditar

Passado o surto, a carência e a solidão, me encontro mais uma vez  numa encruzilhada, e olha que eu não faço macumba. Estou nela porque tenho que escolher um caminho. Mais um, dentre tantos que a gente sempre tem que escolher durante a vida, e sempre achando que aquele é o último. E nunca é. A escolha agora é difícil e óbvia ao mesmo tempo, tenho que escolher ser eu mesma e isso implica num confrontar…comigo mesma. 

Depois da Sophia minha vida mudou muito, não só pelo fato de eu ter me tornado mãe (o que já é um fato bem grande e concreto, devido a suas inúmeras exigências), mas também porque mudei todo um conjunto de pensamentos, crenças e hábitos que antes, faziam lá o seu sentido. E esse “lá” se refere à minha adolescência, infância e eteceteras. Falo depois da Sophia, mas no fundo sabemos que eu só precisava de uma “desculpa ” mesmo.
Essas mudanças, impulsionadas pela vida, pelo Macaco (meu marido) pela Sophia e pela minha mãe, me fizeram rever o que eu sou, quem realmente é a Nathalie e o que eu estou fazendo aqui. O que realmente importa e o que é completamente desnecessário.
Aprendi a ter paciência, porque, o que antes eu achava ser paciência era simplesmente concentração (como, por exemplo, realizar um trabalho manual delicado que durava horas).
Aprendi a dormir mais e melhor, porque eu sempre tive uma pulga atrás da minha orelha me dizendo que eu tinha que acordar cedo, fazer o que tinha que ser feito (e da melhor maneira possivel) e só então descansar. Mas sentia isso sem uma razão. Sabe aquela sensação de “nossa, como você é vagabunda”, só porque quis ficar de bobeira durante uma tarde? De vez em quando eu ainda sinto essa pulga, mas ela está ficando fraquinha. Não quer dizer que tenho que deixar de fazer as coisas, ou de acordar cedo, mas tenho que fazer isso quando tem que ser feito. Discernir o momento.
Aprendi a diminuir o meu medo. Em relação a tudo, seja o de passar vergonha ou rir de mim mesma na frente de todo mundo, seja o de ser grossa. Acho que mais o medo das pessoas mesmo. Pensar menos naquilo que “podem” estar pensando. Freud explica essas minhocas na minha cabeça, porque esse medo do julgamento das pessoas nunca fez muito sentido para mim, mas mesmo assim estava presente.

Agora, a minha encruzilhada, me coloca no lugar de aprender a me valorizar, elogiar o que eu tenho de bom e mostrar isso ao mundo. Sempre fiz várias coisas, mas sempre foram para mim e para as pessoas próximas, nunca permiti que essa minha energia criadora fluísse pelo mundo. Como diria a minha mãe, eu sempre fiz coisas maravilhosamente criativas e sempre as guardei numa caixinha. Ao invés de deixar a energia seguir seu rumo pelo mundo, eu a guardava. Talvez fosse uma forma de tentar me alimentar dessa energia que sempre foi escassa para mim, só nunca percebi que ao mandá-la para o mundo, ela voltaria com força maior.

Este blog é uma realização para mim, mesmo sabendo que posso investir muito mais nele, fico feliz em estar mandando esta minha energia que se condensa em forma de letras e de distribuí-la a vocês. Vocês, que também fazem parte da minha realização, porque eu sei, que quando alguém começa a perder o medo de ser ela mesma, impulsiona outros a fazê-lo.

Sempre acredite em você. Eu também acredito.

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3 pensamentos sobre “Acreditar

  1. libera tuuudddooooo!!!!! aprendi a cagar e andar para o que pensam de mim!!!! mas um relacionamento com um homem muuuiito mais velho do que eu(meu marido a 6 anos) fez com que essas coisas aflorassem em mim também!!! o julgamento das pessoas e a cobrança que eu fazia a mim mesma!!!! estava ficando louquinha! tive até t.o.c. mas já melhorei por conta própria!!! até procurei ajuda médica mas o trabalho me ajudou a sair dessa ilesa! hoje procuro não me cobrar mais… procure fazer isso também!!! não se cobre tanto! você não precisa ser tão perfeita, faz até mal, ainda mais você que tem uma criança para criar, ela também vai se sentir na obrigação de ser perfeita… imagina a loucura? ficar de bobeira por umas horinhas não faz mal á ninguém, muito pelo contrário, recarrega as baterias!!!! continue mandando energias através do blog!!!! seus assuntos são muito bons de debater!!!!!
    beijos na família!!!!
    tati.

  2. não lembro deste post.
    acho que perdi, li só hoje.
    gostei, sabia?
    adoro seu blog, sabia?
    me identifico muuuuito nele…….

  3. Sica….não comento muito, mas também adoro o que vc escreve.
    Como eu disse outro dia…tenho momentos “mexicanos”, de querer beijar, elogiar e gritar meu amor a todo mundo…..e momentos que eu olho, dou aquele sorrisinho discreto e fico pensando no que a pessoa me fez pensar e acabo não falando. Mas gosto, do mesmo jeito.
    Beijão!!!!!!!!!!! E obrigada.

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