Ensaio Larissa à espera de Vicente

Oração Lakota
“Wakan Tanka, Grande Mistério,
ensine-me a confiar
em meu coração,
em minha mente,
em minha intuição,
em minha sabedoria interna,
nos sentidos de meu corpo,
nas bênçãos do meu espírito.
Ensine-me a confiar nestas coisas,
para que possa entrar em meu Espaço Sagrado
e amar além do meu medo,
e assim Caminhar com Beleza
com a passagem de cada Sol glorioso.”

De acordo com o Povo Nativo, o Espaço Sagrado é o espaço entre a exalação e a inspiração.
Caminhar em com Beleza é ter o Céu (espiritualidade) e a Terra (físico) em Harmonia.

Nos ensaios fotográficos busco não só fotografar as pessoas, mas sim, ter um momento de quietude, de conexão com a natureza, consigo mesmo, com os ciclos internos. Pois acredito que a beleza está nesta conexão, nesta harmonia.

Busco muito mais que fazer um ensaio fotográfico, busco abrir um portal de beleza para cada uma das pessoas que estão participando, para que elas se reconheçam como parte de toda a beleza que existe no universo, e que esta beleza toda está primeiro dentro de nós.

Dedico este ensaio e a oração a Larissa, Renan e Vicente, que formam esta família linda e cheia de luz. Que vocês se reconheçam na beleza que exalam.

Equipe técnica:
Nathalie Gingold, fotografia e edição
Fernando Macaco, assistente de fotografia
Tamires Martins, making of e assistência

Equipe

Local: Duplo Céu, SP (Cachoeira do Talhadão)

Espero que gostem do resultado:

Making Of:

O mapa astral inicial

Estou numa nova fase de minha vida, onde aceito os dons que tenho e os coloco a serviço da transformação do mundo.
Já são antigos meus estudos em astrologia, mas agora, venho oferecer interpretação do mapa astral, onde faço a leitura dos planetas e signos astrológicos.
Quem tiver interesse neste serviço, é só entrar em contato pelo email: nathgingold@gmail.com , serei muito grata em atendê-los.

Aqui, um pouco das funções dos planetas nos signos Astrológicos

Os signos representam as energias básicas da Astrologia. São os arquétipos (ou símbolos) primordiais, dos quais surge todo o conhecimento astrológico.

Planetas pessoais nos signos
Sol Sol Como a pessoa é (o ser), como experimenta a vida e expressa a sua identidade
Lua Lua Forma como a pessoa reage com base na sua predisposição do subconsciente, como se nutre emocionalmente e usa a sua sensibilidade
Mercúrio Mercúrio Modo como a pessoa se expressa e como comunica, como aprende e usa suas habilidades mentais
Vénus Vénus Como expressa o seu afeto, como se sente apreciado e se dá aos outros, como se valoriza e usa seus recursos
Marte Marte Como a pessoa afirma e expressa os seus desejos, como usa a sua capacidade de iniciativa, se é independente e como expressa a sua individualidade
Planetas Sociais nos signos
Júpiter Júpiter Como a pessoa procura o seu crescimento pessoal, direção de vida, experimentar a confiança na vida, como expressa a sua verdade interna
Saturno Saturno Forma como a pessoa procura estabelecer e preservar o EU através da responsabilização e do seu próprio esforço, a sua estruturação e se sabe colocar limites ao que a si é externo, como e onde expressa os seus medos
Planetas transpessoais nos signos
Úrano Úrano Estes 3 planetas representam profundas fontes de mudança e são considerados como planetas com energia profundas transformadoras. A posição destes planetas nos signos indicam atitudes de gerações, no entanto no mapa astrológico Natal individual, os signos onde se situam representam menor importância do que o posicionamento dos planetas nas casas e os seus aspectos
Neptuno Neptuno
Plutão Plutão

Interpretação do Mapa Astral, Pontos chave

Interpretação do Mapa Astral, Pontos chaveÀ medida que se aprofunda o estudo de interpretação astrológica, torna-se mais simples descobrir um método de leitura que seja mais fiel e intuitivo e que nos ajude a ter uma consciência mais clara sobre este labirinto, que é a interpretação do Mapa Astral.

Pontos chave na interpretação do Mapa Astral

É necessário ter em conta que, esta é uma visão de interpretação do mapa astral muito básica e dirige-se a pessoas que se querem iniciar na arte de interpretação astrológica. Com o tempo, conhecimento, experiência e sabedoria,  estes aspectos nos servem simplesmente como ponto de partida para uma visão mais abrangente, intuitiva e fiel à essência do próprio horóscopo individual.

Planetas

Os planetas em astrologia, representam no horóscopo  princípios básicos de experiência ou energias e vida. Os planetas aparecem em cada mapa astral individual, no entanto, manifestam-se de diferentes modos e com potencias e potenciados de formas diversas.

Signos do Zodíaco na interpretação do mapa astral

Os signos representam estilos ou modos de expressão  Os signos, na interpretação do mapa astral, são as lentes através das quais as energias planetárias se filtram e brilham, adquirindo sombras e intensidades variáveis  Apesar de todos os mapas apresentarem todos os signos, no entanto tem diferentes graus de importância dependendo do todo representado pelo horóscopo individual.

Casas Astrológicas

As casas Astrológicas representam, na interpretação do mapa astral, campos de actividade  ou áreas de experiência que serão destacadas consoante a afluência energética da presença e planetas ou outras influencias significativas que evidenciam determinadas áreas de vida. As casas abrangem tudo o que se relaciona com a vida, no entanto cada casa adquire diferentes níveis de importância e destaque, dependendo da configuração gráfica do horóscopo individual.

Aspectos Astrológicos

De acordo com cada representação gráfica do horóscopo individual, surgem ligações angulares entre os astros e outros elementos tidos como importantes na interpreta ao do mapa astral, que representam as forcas que se unem entre os planetas. Os aspectos criam uma estrutura dinâmica no mapa astral que revelam forcas e padrões  conscientes ou inconscientes que se revelam nas mais diversas áreas de vida e situações.

Assim, conclui-se que, de uma forma de interpretação do mapa astral individual mais superficial, cada unidade de leitura e a representação de uma energia planetária que se manifesta através de um signo em particular enfocando os assuntos da casa na qual esta colocada e unindo-se ao resto do mapa pela posição.

Cura

” Cada mulher que cura a si mesma contribui para curar a todas as mulheres que a precederam e a todas aquelas que virão depois dela”.

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“Eu chamo a força, eu chamo a força
eu chamo a força
força das pedras para me firmar
Eu chamo a terra, eu chamo a terra
eu chamo a terra
eu chamo a terra para me enraizar

****

Eu chamo o vento, eu chamo o vento
eu chamo o vento
eu chamo o vento vem me elevar
Eu chamo o fogo, eu chamo o fogo
eu chamo o fogo
eu chamo o fogo para me purificar

****

Eu chamo a Lua, chamo o Sol
chamo as Estrelas
Chamo o Universo para me iluminar
Eu chamo a água, chamo a chuva
e chamo o rio
Eu chamo todos para me lavar

****

Eu chamo o raio, o relâmpago e o trovão
Eu chamo todo o Poder da Criação
Eu chamo o mar, chamo o céu e o infinito
Eu chamo todos para nos libertar

****

Eu chamo Cristo, eu chamo Budha
Eu chamo Krishna
Eu chamo a força de todos Orixás
Eu chamo todos com suas forças Divinas
Eu quero ver o Universo iluminar

****

Eu agradeço pela vida e a coragem
Ao Universo pela oportunidade
E a minha vida eu dedico com amor
Ao sonho vivo da nossa humanidade

****

Sou mensageiro, sou cometa, eu sou indígena
Eu sou filho da nação do Arco Íris
Com meus irmãos eu vou ser mais um guerreiro
Na nobre causa do Inka Redentor

****

Eu sou guerreiro, eu sou guerreiro e vou lutando
A minha espada é a palavra do amor
O meu escudo é a bondade no meu peito
E o meu elmo são os dons do meu Senhor

****

Eu agradeço a nossa Mãe e ao nosso Pai
E aos meus irmãos por todos me ajudar
A minha glória para todos eu entrego
Porque nós Todos Somos Um nesta união

****

Ñdarei a sã
ñdarei a sã
ñdarei a sã

****

Desde o principio Todos Nós Somos Irmãos!

****

Orei ouá
Orei ouá
Orei ouá

****

Viva o Poder de todo o Universo!”

Autor: Lucy Sem Fronteiras – Artigo original do Blog Amor e Paz Sem Fronteiras: http://www.amorepazsemfronteiras.com/2010/10/guerreiros-da-paz-hino-xama-pela-paz.html#ixzz3h6Dgf5hU

Águia

“Águia…

Voe alto,

e toque o Grande Espírito

Partilhe comigo sua energia,

Toque-me, honre-me

para que eu possa

conhecer-te também”.
(Jamie Sams/ David Carson)

Por conta da sua capacidade de estar nas alturas, a águia é um animal que possui uma ligação com o Divino. Consegue transitar entre os mundos material e espiritual, levando as preces dos homens para o Grande Espírito e trazendo Suas bênçãos ao mundo terreno. É também um animal solar.

Vamos neste momento nos conectar à grande energia, que permeia nossos sonhos, pensamentos, crenças e permitir que a nossa visão se abra para além deste mundo aparente.
O mundo físico é uma centelha do Grande Mundo Total, onde podemos ver a conecção entre todas as energias, onde entendemos o movimento das ondas conectadas aos astros.

Vamos ver além para conseguirmos ter uma visão diferenciada das situações problemáticas, uma vez que enxergarmos tudo do alto.

Simboliza também a renovação, pois em determinada fase de sua vida, a águia passa por um difícil, doloroso e longo processo de deixar renascer seu bico e suas garras, para que possa continuar a viver. Por isso, a águia é considerada guerreira e representa a coragem.
Ela nos mostra que para irmos além, para podermos mergulhar no abismo sem medo, temos que nos desprender de antigas defesas, mecanismos de força e transmutar a segurança.

Suas penas costumam ser utilizadas pelos xamãs em trabalhos de cura.

A partir das lições da águia, podemos aprender a ter mais fé em nós mesmos, nos permitindo ter coragem encarar e renovar , nossas forças, as nossas fraquezas. Ela também pode nos ensinar a ter a fé no Divino, através de nossas orações que podem por ela serem levadas ao mundo espiritual.

Este texto foi escrito inspirado pelo livro Cartas Xamânicas, dos autores Jamie Sams e David Carson. Caso queira compartilhar, não se esqueça de citar a autoria!

 

Sobre o desmame

Quando eu comecei a amamentar meu segundo filho, tudo foi muito lindo e tranquilo, pegou certinho, mamava bem , eu produzia leite para caramba e tudo seguiu. Era livre demanda, sem mamadeiras e chupetas, só colo, muito sling e poucas horas de sono seguidas.
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E depois de um ano e meio neste ritmo (depois dos 5 – 6 meses, ele começou a comer também, mas não entendo que a amamentação seja somente por necessidade de nutrição alimentar) me dei conta que não sabia como parar, como voltar a trabalhar, qual seria o momento ideal (sendo que eu podia escolher, pois meu trabalho me permite) e como fazer isso acontecer com respeito a mim e ao meu filho.
Adianto que não encontrei muitos textos sobre os assuntos, na maioria era sempre com um jeito mágico, que parecia muito lindo na teoria, mas na prática não rolava. E eu estava na idéia de sentir o momento, de sentir a necessidade de meu filho…de aprender do meu jeito mesmo, ou melhor, do nosso jeito.

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Bom, aos poucos percebi que ja estava no processo de desmame sem perceber.

Ele rolou de maneira bem gradual, tenho um companheiro e ajuda mto.
Comecei com pequenos intervalos, onde meu filho ficava com o pai enquanto eu ia trabalhar e tals (isso por volta de um ano de idade), e então os intervalos foram aumentando.
Depois aumentei os intervalos e comecei a deixar ele dormir sem mim as vezes (qdo eu nao estava em casa), ele e meu marido descobriram um jeito deles de ficarem bem, de dormir e tudo mais. Eles tinham o próprio jeitinho de ficar juntos, de dormir, de comer….Isso tudo sem mamadeiras ou chupetas.

Por volta de um ano e meio ele começou a dormir por mais tempo a noite, as vezes soltava naturalmente o peito pra dormir. E aos poucos eu também comecei a regular e negar as mamadas diurnas (pois eu ficava fora, e assim que chegava ele já queria o peito), e então eu negava e tentava distrair com outras coisas, conversava e tals, e aí, por volta dos dois anos as mamadas eram somente para dormir (seja a tarde, seja a noite) e incrivelmente ele começou a dormir por mais tempo, e somente as vezes acordava de madrugava (e mamava pra voltar a dormir).
Comecei a não dar o peito quando ele pedia, mas sim quando eu achava importante.
E me toquei que eu, muitas vezes, socava o peito quando não sabia o que fazer…não buscava alternativas (e nem achava que tinha) e pronto. Me dei conta que não pensava mais sobre o assunto, só dava o peito para ele ficar de boas e eu conseguir fazer minhas coisas (tipo, escrever no pc com o filho grudado era algo bem comum). E resolvi mudar isso. E rolou lindamente. Ficamos assim por uns meses, por volta dos dois anos.

E há pouco menos de dois meses comecei a negar o peito para dormir. E aí comecei a me virar com alternativas…. era colinho, musiquinha, carinho. E a cada dois dias rolava uma mamada, mas era no meu tempo, tipo, mamava um pouco (também para aliviar o peito, que ainda estava produzindo leite) e ia dormir.

Ele teve momentos de choro (meu também), mas senti que era o momento, conversei muito com meu marido, com amigas..e tava decidido. E quando consegui aconteceu algo incrivel e inesperado….ele começou a demonstrar carinho como nunca!
Sabem, ele agora vem pro meu colo e me abraça, me beija…. para dormir ele ouve as canções, escuta historinhas, ganha e pede muito carinho…e tudo isso era feito pelo peito. Só pelo peito. Tipo um ser mesmo. Ele só vinha pro meu colo porque queria mamar e ja grudava no peito. Eu tentava dar carinho para dormir, e ele ja queria a teta. Eu tentava dar ou pedir qualquer carinho, beijinho e abraços, mas era sempre a teta.

E olha, esse carinho é uma delicia ❤ Me senti muito feliz e confiante, tanto nele e sua maturidade, quanto em mim e nas decisões relativas ao desmame que tomei.

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(ah, e preciso comentar que tb rolou o desfralde, quase que junto ao desmame)

Sinto que precisamos falar muito sobre isso, discutir, entender, desabafar, pois acabamos por achar que devemos dar e receber todo o carinho entre mães e filhos através do peito. Só do peito. Pois é bacana a tal da livre demanda, e sim, é gostoso ficar grudadinha “sendo necessária”. E sim, é um ótimo e importante ponto de envolvimento emocional, mas não devemos esquecer que ele não é o único. Assim como nós, mães. Somos um ponto importante para o desenvolvimento emocional, mas não somos o único.

Permitir que outras pessoas cuidem de nossos filhos, permitir outras maneiras de carinho, permitir que nós mesmas possamos ter outros meios de prazer e cuidar, é permitir um passo, é permitir que o amor se espalhe e (ao contrario do achamos e do que dizem) ele se torne mais forte. E é também permitir a tão buscada liberdade, seja para nós, seja para eles .

Liberdade requer muita coragem para assumir nossos passos e assumir que muitas vezes nós é que estamos apegadas.

E quando comentei que chorei, foi por isso…pelo meu apego, em saber que agora ele ja está virando um meninão, que não precisa “só” de mim, das minhas tetas e atenção, que sou , de certa forma, dispensável, que ele já pode “viver” de boas com o auxilio de outras pessoas. É lindo e dificil. Como tudo, né. Pois sei bem o quanto ele ainda precisa de mim, mas a forma está mudando.

É lindo eu poder ir trabalhar, mas é dificil ficar longe da cria.
É lindo ver ele independente, mas é difícil assumir isso para mim, como mãe.
É lindo entender que ser mãe é também aprender sobre liberdade, pois sempre me ensinaram que ser mãe era aprender e se submeter a sofrimento e dependência, que isso é que era amor. Amor de mãe. Mas o que sinto é que amar de verdade é confiar, aceitar e seguir, com muito respeito a nós e aqueles que cuidamos.

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É lindo e dificil. Mas é vida, né. Tudo nasce, morre, nasce….

A Lua Vermelha

Na Antigüidade, o ciclo menstrual da mulher seguia as fases lunares com tanta precisão que a gestação era contada por luas. Com o passar dos tempos, a mulher foi se distanciando dessa sintonia e perdendo, assim, o contato com seu próprio ritmo e seu corpo, fato que teve como conseqüência vários desequilíbrios hormonais, emocionais e psíquicos. Para restabelecer essa sincronicidade natural, tão necessária e salutar, a mulher deve se reconectar à Lua, observando a relação entre as fases lunares e seu ciclo menstrual. Compreendendo o ciclo da Lua e a relação com seu ritmo biológico, a mulher contemporânea poderá cooperar com seu corpo, fluindo com os ciclos naturais, curando seus desequilíbrios e fortalecendo sua psique.
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Para compreender melhor a energia de seu ciclo menstrual, cada mulher deve criar um Diário da Lua Vermelha, anotando no calendário o início de sua menstruação, a fase da lua, suas mudanças de humor, disposição, nível energético, comportamento social e sexual, preferências, sonhos e outras observações que queira.

Para tirar conclusões sobre o padrão de sua Lua Vermelha, faça essas anotações durante pelo menos três meses, preferencialmente por seis. Após esse tempo, compare as anotações mensais e resuma-as, criando, assim, um guia pessoal de seu ciclo menstrual baseado no padrão lunar. Observe a repetição de emoções, sintonias, percepções e sonhos, fato que vai lhe permitir estar mais consciente de suas reações, podendo evitar, prever ou controlar situações desagradáveis ou desgastantes.

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(Réplicas de um útero normal e um útero menstruando)

Do ponto de vista mágico, há dois tipos de ciclos menstruais determinados em função da fase lunar em que ocorre a menstruação. Quando a ovulação coincide com a lua cheia e a menstruação com a Lua Negra (acontece nos três dias que antecedem a lua nova, entendido como o quinto dia da lua minguante), a mulher pertence ao Ciclo da Lua Branca. Como o auge da fertilidade ocorre durante a lua cheia, esse tipo de mulher tem melhores condições energéticas para expressar suas energias criativas e nutridoras por meio da procriação.

Quando a ovulação coincide com a lua negra e a menstruação com a lua cheia, a mulher pertence ao Ciclo da Lua Vermelha. Como o auge da fertilidade ocorre durante a fase escura da lua, há um desvio das energias criativas, que são direcionadas ao desenvolvimento interior, em vez do mundo material. Diferente do tipo Lua Branca, que é considerada a boa mãe, a mulher do Ciclo Lua Vermelha é bruxa, maga ou feiticeira, que sabe usar sua energia sexual para fins mágicos e não somente procriativos.
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Ambos os ciclos são expressões da energia feminina, nenhum deles sendo melhor ou mais correto que o outro. Ao longo de sua vida, a mulher vai oscilar entre os ciclos Branco e Vermelho, em função de seus objetivos, de suas emoções e ambições ou das circunstâncias ambientais e existenciais.

Além de registrar seus ritmos no Diário da Lua Vermelha, a mulher moderna pode reaprender a vivenciar a sacralidade de seu ciclo menstrual. Para isso, é necessário criar e defender um espaço e um tempo dedicado a si mesma. Sem poder seguir o exemplo das suas ancestrais, que se refugiavam nas Tendas Lunares para um tempo de contemplação e oração, a mulher moderna deve respeitar sua vulnerabilidade e sensibilidade aumentadas durante sua lua. Ela pode diminuir seu ritmo, evitando sobrecargas ao se afastar de pessoas e ambientes carregados, não se expondo ou se desgastando emocionalmente, e procurando encontrar meios naturais para diminuir o desconforto, o cansaço, a tensão ou a agitação.

Com determinação e boa vontade, mesmo no corre-corre cotidiano dos afazeres e obrigações, é possível encontrar seu tempo e espaço sagrados para cuidar de sua mente, de seu corpo e de seu espírito. Meditações, banhos de luz lunar, água lunarizada, contato com seu ventre, sintonia com a deusa regente de sua lua natal ou com as deusas lunares, viagens xamânicas com batidas de tambor, visualizações dos animais de poder, uso de florais ou elixires de gemas contribuem para o restabelecimento do padrão lunar rompido e perdido ao longo dos milênios de supremacia masculina e racional.

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O mundo atual – em que a maior parte das mulheres trabalha – ainda tem uma orientação masculina. Para se afastar dessa influência, a mulher moderna deve perscrutar seu interior e encontrar sua verdadeira natureza, refletindo-a em sua interação com o mundo externo.

A história da Primeira Mulher (contada por Miranda Gray)

Na nossa menstruação mora um segredo – o poder criativo de gerar nossos sonhos. Mas só poderemos acessar essa habilidade maravilhosa se descansarmos e sonharmos durante o sangramento lunar. Este mês, prometa a si mesma que vai descansar, para sonhar acordada o seu futuro e honrar essa habilidade criativa maravilhosa do seu interior.

“A Anciã Invernal estava sentada numa grande pedra fumando seu cachimbo.

‘O que a senhora está fazendo?’, perguntou a Primeira Mulher, curiosa, porque a Anciã Invernal não havia se movido da pedra durante toda a manhã.

‘Estou criando’, disse a Anciã Invernal.

‘Oh’, disse a Primeira Mulher, olhando ao redor cheia de expectativa. ‘O que está criando?’

‘Fumaça’, disse a Anciã Invernal, olhando a fumaça que lentamente emergia do cachimbo.

‘Ok então’, disse a Primeira Mulher, hesitante, e começou a afastar-se.

Quando a Primeira Mulher já tinha ido embora, Anciã Invernal disse baixinho: ‘Na fumaça, vejo e crio o futuro’.

Mais tarde, a Primeira Mulher compartilhou esse encontro estranho com a Mãe Lua.

‘Na escuridão do seu Sangramento Lunar’, explicou a Mãe Lua, ‘você tem o poder de criar seus sonhos como a Anciã Invernal’.

Mãe Lua toca o coração da Primeira Mulher.

‘Imagine seus sonhos aqui’, ela disse, ‘abra seu coração e a vibração fluirá através dos fios que mantêm o Universo unido para criar seus sonhos e o seu futuro. Por isso o momento do seu Sangramento Lunar é tão importante. É quando a Anciã Invernal caminha contigo e te leva para a caverna para descansar e sonhar.’

Mãe Lua tocou o ventre da Primeira Mulher.

‘Aqui’, ela disse, ‘você flui com a energia criativa. Você traz suas ideias da escuridão para a luz e, como uma mãe, você as nutre enquanto vão crescendo. Antes de retornar à escuridão para descansar, você as lança ao mundo e assim poderá sonhar de novo.’

A Primeira Mulher sentou o resto da noite com as suas mãos no baixo ventre, olhando a fumaça que emergia da lareira, imaginando o futuro e tecendo seus sonhos.”

Quando respeitamos nossos ciclos com suas energias sexuais e criativas, descobrimos os presentes maravilhosos que eles nos oferecem.

Amor e abraços.

Sobre a dor de parir

Se tem uma pergunta que escuto muito é :
– Mas parir, dói?

Minhas respostas variam muito em palavras, mas sempre enfatizo: -Sim, dói, embora a dor seja relativa.
Pois nascer dói, e vamos ser sinceras, dói de qualquer jeito, se for normal ou se for através de uma cesárea. Dói pois temos que quebrar a casca e brotar. Se a planta não quebra a casquinha, ela nunca vira uma árvore.

A dor da cesárea pode ser sentida por conta de ser uma cirurgia de grande porte, muito invasiva, onde, vamos la:
“Após a anestesia é feita uma incisão. A incisão é horizontal e atinge três planos: a pele, a tela subcutânea, que é a camada de gordura e a fáscia do músculo reto abdominal, que é uma membrana que reveste o músculo. Em seguida, o cirurgia altera a posição de incisão e faz um corte e divulsiona (afasta), os músculos reto abdominal, em sua porção central, local conhecido como linha alba, que é uma fusão de tendões, pouco irrigado, que não sangra, porem que apresenta cicatrização demorada. Vencendo este plano, o cirurgia corta também o peritônio, que reveste os órgão abdominais e visualiza o útero, que é aberto e o bebê, bem como a placenta são removidos.”
O pós operatório é todo sentido, pois a tal “cesárea que não dói” é por você estar cheio de anestesia, mas a anestesia passa. E remédios comuns para a dor são fraquinhos comparados a dor do corte. Até tossir dói.

A dor do parto normal é por conta das contrações, da movimentação pelvica para a descida do bebê e depois da abertura para passagem dele pelo canal vaginal. E depois que nasce, pluft, acabou! Mesmo com lacerações, as dores são bem suaves e melhoram numa média de uma semana.

Mas vamos lá, disso, a maioria já sabe. certo?

O que ninguém fala é que o que dói mesmo é o desrespeito pela mulher em trabalho de parto. é dessa dor que muitas mulheres na média de 40 – 60 (nossas mães) falam.
É a indiferença no olhar. É a frieza do centro obstétrico, que se caracteriza não só pelo ar condicionado, mas principalmente pela maneira como tratam esta mulher. Não estendem a mão sequer para ela poder ir para a maca, imaginem para acolher. Forçam a mulher a ficar numa posição desconfortável por horas a fio, e se ela reclamar, vem uma ameaça logo em seguida. E ameaças não faltam. Ameaças disfarçadas de procedimentos necessários e de sabedoria. Ameaças disfarçadas de profissionalismo:
“Olha, você não está fazendo a força certa, vai querer ficar nessa posição até que horas? Você só vai sair daí quando este bebê nascer, então é melhor começar a colaborar”

“Já não pedi para você segurar no lugar certo? É ali, naquele ganchinho de metal. Você realmente não quer ajudar, ninguém aqui vai parir por você, viu, você está sozinha nessa”

“Vai ficar gritando? Vai sair com a garganta toda doida e não vai conseguir fazer esse bebê nascer”

“Ta tremendo porque?”

“Com esse show todo que você ta dando, agora vai me pedir uma cesárea? Não acredito que você fez tudo isso por nada. Tem até doula e vai pedir uma cesárea. Olha, é pacabá. Bom, é isso que você quer (parturiente chorando e implorando por uma cesárea, com bebê quase coroando)? Então vamos lá, real indicação de cesárea, a paciente pediu.”

Isso é dor. Isso é sofrimento. E isso se chama violência obstétrica. E isso aconteceu em Rio Preto, em São Paulo, em Salvador, em Belém, não importa a cidade, acontece todos os dias, a cada 4 partos um vem recheado dessa mistura. E deve ter acontecido hoje, ontem e vai acontecer amanhã.


Ninguém merece passar por isso. Ninguém. Nem estes mesmos profissionais insensíveis que falaram e fizeram tudo isso.
Que um parto dói, disso ninguém duvida, mas quando é um parto com respeito, com amor e acolhimento, a dor ganha um novo significado, ela faz parte de um processo necessário e consciente dessa mulher.
Quando a mulher passa por isso que descrevi acima a dor também ganha um novo patamar, onde a mulher sente como se tivesse sido abusada, com todos olhando, e por várias pessoas. Onde seu corpo é falho. Onde sua voz é abafada e inútil. Onde qualquer esforço é inútil.

A dor de parir vira trauma.

Aqui um documentário que, apesar do áudio, é maravilhoso:

Não me cansarei de lutar, como mulher, como doula, como mãe.
Não me cansarei de repetir: “busquem uma equipe humanizada”, não fiquem a mercê, não contem com a sorte, não percam seus partos!
Pois seus corpos são saudáveis e gostamos de parir.

Aqui um projeto lindíssimo sobre o assunto:

“Uma em cada quatro mulheres brasileiras que deram a luz em hospitais públicos ou privados relatam algum tipo de agressão durante o parto”. É o que aponta a pesquisa Mulheres Brasileiras nos Espaços Público e Privado, feita pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o SESC, em 2011.

1:4 é um projeto fotográfico que busca materializar as marcas invisíveis deixadas por esse tipo de violência e traz à luz uma reflexão sobre a condição do nascimento no Brasil e as intervenções desnecessárias que ocorrem no momento do parto.

No momento, a produção de fotos para o Projeto está pausada.

Para ver outras imagens produzidas, visite a página do Projeto 1:4 no Facebook, que atualmente é o principal canal de comunicação utilizado pelo Projeto :www.facebook.com/projeto1em4. ”

A chegada de Benjamin

Relato de nascimento de Benjamin, gentilmente cedido ao blog pela Aline Cavasana:

“Benjamin veio por acaso, não planejamos sua vinda, mas foi o que Deus poderia ter feito de mais maravilhoso nas nossas vidas.
Num dos primeiros encontros com meu marido Anderson, ele me perguntou: “Qual o seu sonho?” E eu respondi: “Meu sonho é ser Mãe, e ter a minha família”. Pensei até que ele se assustaria por estarmos no começo, mas para minha surpresa ele não se assustou, ele me disse que o sonho dele também era ser pai e ter a família dele.
Na noite de 25 para 26 de abril tivemos nossa primeira relação com coito e eu senti já naquele momento mágico, a maternidade em mim.
Cheguei a perguntar se ele queria que eu tomasse a tal pílula do dia seguinte, e ele disse que não, que essas coisas quando são pra acontecer, que simplesmente acontecem e que se fizesse a vontade de Deus. Dois dias depois contei para uma amiga (a Su) que eu tinha certeza que já me sentia mãe desde aquela noite.
Aguardei 20 dias para fazer o exame de sangue para a confirmação. E em 15 de Maio tive a comprovação de que estava grávida pelo exame.
Chorei e sentia medo, pois eu achava que ele se assustaria de inicio com a notícia, e quando contei que estava grávida, seus olhos simplesmente brilharam e me iluminaram. Ele disse que esse foi o melhor presente que eu poderia dar pra ele. E que ele tinha pedido um sinal pra Deus, pra saber se estávamos no caminho certo e se eu realmente era a pessoa certa, e que essa notícia foi a comprovação de tudo que havia pedido a Deus.

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Alguns dias depois ele me levou para conhecer uma Doula Dani, que me acompanharia no parto e semanalmente depois dos três meses.
Até então, eu mal sabia o que era uma Doula e tinha a crença que teria que fazer uma cesárea de qualquer maneira, por conta de um acidente de moto em 13/08/2010.
Sair viva desse acidente foi praticamente um milagre. Tive fraturas nas costelas com perfuração do pulmão e fraturas nos ossos da bacia do lado direito, o ísquio, ilíaco e púbis, e o acetábulo foi destruído e teve que ser reconstruído com uma placa, sete parafusos e um araminho amarrando os parafusos do meio. Minha cirurgia foi um sucesso e minha recuperação foi muito mais rápida do que os médicos imaginavam.
Logo depois da cirurgia todos os ortopedistas e especialistas me disseram que eu jamais poderia ter um parto normal. Eles também me disseram que eu não conseguiria cruzar uma perna sobre a outra (como se fosse amarrar um tênis). E que eu teria muitas limitações. Limitações eu tenho sim, mas não na proporção de que foi me dito. E nem dá pra notar. Amarrar meus sapatos e cruzar a perna eu consigo sim! o/. Então porque não conseguiria um parto normal?!
Então, quando estava no meu sexto mês “descobri” que poderia sim ter um parto normal pelo Beabá Bebê (curso ministrado pela Unimed na cidade).
Com a ajuda de minha Doula Dani fui me aprofundando no assunto de parir e o primeiro passo foi trocar o medico GO, o que pra mim não foi tão fácil assim, pois meu primeiro Ginecologista (GO) era o Dr Ralph, eu nasci com ele, e sempre disse que quando eu engravidasse seria com ele que eu teria meu filho. Eu até o chamava de “tio Ralph”, porque ele cuidou de mim desde muito pequena (necessitei ser paciente muito cedo e por um motivo mais que especial pra ele. Sofri um abuso sexual com 5 aninhos, e desde então criei um vínculo afetivo com ele por cuidar com carinho de mim).
Ele é um ótimo profissional e eu amo ele de paixão, mas não tinha jeito, pois ele é cesarista e quando disse pra ele que eu queria ter parto normal, ele veio com o “SE”, “se estiver tudo bem a gente faz”, “você tem que saber que terá que ser atendida pelo plantonista se continuar com essa decisão Aline”. Então resolvi mudar mesmo de Médico.
No início gostei muito do meu segundo médico, também é um ótimo profissional. Mas depois de uma forte gripe, mandei mensagens por mais de um dia para ele, e não tive um retorno. Tive que ir para emergência do hospital que havia escolhido para o parto, onde também não tive atendimento do plantonista, fiquei duas horas e meia aguardando algum plantonista, e não apareceu ninguém.
Necessitei ir para a emergência de outro hospital, onde fui muito bem atendida, mas o detalhe é que esse outro hospital é totalmente cesarista, e em hipótese alguma eu queria parir lá.
Depois desses acontecimentos com médico e hospital fiquei muito insegura que até parecia uma paranóia, eu me senti muito desprotegida e desamparada.
Perdi a confiança no hospital, no médico e fiquei perdida com meus pensamentos e inseguranças.
Então comecei a mexer na internet, fuçava em tudo quanto é canto e achei uma comunidade: GAIA Rio Preto. Fiz algumas perguntas inbox para essa comunidade que carinhosamente foram respondidas pela Nath Gingold e que me indicou também o grupo fechado Gaia, onde solicitei participar e fui calorosamente recebida.
Por intermédio da Nath, conheci a minha parteira Lucélia, que inclusive já tinha ouvido falar dela pela minha Doula Dani, e por intermédio da Lucélia troquei pela terceira vez de GO (o Dr Paulo, e me apaixonei pelo ser iluminado que está por trás desse novo médico).
A segurança voltava a reinar no meu coração, mas ainda sim continuei com birra de hospital (eu não queria ir pra hospital de jeito nenhum) e após assistir o filme Renascimento do Parto fiquei encantada em querer parir em casa. Perguntei para o Médico se estava tudo bem, e se podíamos ter um parto domiciliar. Ele disse que sim então decidimos que meu parto seria domiciliar.
Após dar a noticia a nossa Doula Dani, nos disse que não acompanhava partos domiciliares então a Nath passou a ser nossa Doula oficial.
Esse parto passou a ser o parto dos meus sonhos… E eu também fui passando essa expectativa para meu esposo que também estava sonhando com esse momento que deveria ser natural, e no tempo do Benjamin.
Meus pais e irmãos também me apoiaram e me deram força. Ao contrário da maioria das mulheres que tomam essa decisão, eu não tive problemas em convencer minha família que queria parir em casa. Era tudo perfeito.
Minhas contrações vinham, contrações iam, e nada de Benjamin chegar. Essas contrações eram sem muita dor. E eu achava que não teria dor (Ooô inocência!)
E passaram 40 semanas, 41 semanas e a ansiedade só aumentava. A Lucélia e a Nath passavam em casa muitas vezes para me avaliar e me acalmar também.
Até aí eu já tinha parido muitas coisas… Mas finalmente na madrugada de sábado para domingo dia 25 de janeiro as contrações com dores começaram… Desde então já não dormia mais. Entrei em baixo do chuveiro bem quente pra ver se a dor melhorava, e até ajudava, mas só amenizava a dor enquanto eu estava embaixo do chuveiro, depois a dor voltava.
Entre as contrações até namorei pra ver se ajudava adiantar o processo do trabalho de parto. E ajudou, pois eu perdi o tal do tampão. Mas não foi o suficiente, pois enquanto eu levantava da cama as contrações diminuíam o ritmo.
Pela manhã do Domingo a Lucélia e a Nath foram pra casa, fizeram massagem, ensinaram minha amiga Su a fazer as massagens na hora da dor e foram embora, pois as contrações não estavam no ritmo certo ainda mesmo sendo muito doloridas. E quando eu começava a me acostumar com a dor, a intensidade da dor aumentava. Meus pais e meu irmão João vieram almoçar em casa, e após o almoço minha amiga Su foi deitar comigo no quarto pra eu tentar dormir ou descansar. Ela me ajudou muito com massagens durante as dores, mas já era impossível descansar por um período mais longo.
A minha amiga Su dormiu em casa e me ajudou também na segunda feira dia 26 de janeiro, me massageando durante as dores. As contrações ritmavam, mas saiam do ritmo. E eram sempre uma mais forte que a outra.
Anoiteceu. A Lucélia e a Nath foram pra casa, fizeram um chá pra ajudar no trabalho de parto, massagem nos meus pés pra eu relaxar um pouco. A energia acabou por algumas horas ficamos à luz de velas durante a noite. Ficamos no sofá a madrugada toda, descansando entre uma contração e outra.

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A Su dormiu em casa novamente, mas precisou ir embora pela manhã para trabalhar. Já era 27 de janeiro e pela manhã a Nath tirou cartas de tarô pra mim e me disse que esse parto seria um parto de muita discrição, e um parto muito difícil.
Logo a intensidade das dores aumentou, e sempre aumentavam… Lembro-me que, chorei em algum momento, eu estava agachada e a Nath me abraçou. Em seguida, minha mãe chegou, ainda era cedo, e eu a abracei e chorei igual a uma criança. Foi muito bom vê-la naquele momento que estava sendo muito difícil pra mim.
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Resolvi então consagrar uma dose de Ayawasca, e pedir pra Deus iluminar esse parto. Além de também diminuir um pouco a dor, dizem que o amargo dela ajudaria no processo do trabalho de parto. Um pouco depois, me deitei com o Anderson e relaxei um pouco. Logo a dor intensa voltou.
Não me lembro muito a ordem das coisas, mas eu tinha vontade de ficar pra sempre no banheiro, a privada era muito confortável, mas doía do mesmo jeito (risos).
A dor intensificou ainda mais, nesse momento eu já achava que estava sem forças.
Decidi consagrar mais uma dose de Ayahuaska. Eu, o Anderson e a Lucélia rezamos e ficamos na sala de meditação por um tempo. As contrações vinham e eu vocalizava a sílaba mística OM em vez de gritar com a dor. Sentimos uma energia muito forte naquele momento, e logo em seguida eu vomitei. Lembro-me que me senti muito fraca e fui para o quarto e a Lucélia foi ouvir os batimentos do bebê. Ela ouviu e ligou para o Dr Paulo ouvir também e os dois chegaram à conclusão de que os batimentos estavam muito fracos. Então ela disse que iríamos para o hospital.
No carro, pelo caminho, os batimentos do bebê, já voltaram ao normal. Acredito que Deus só nos mandou um sinal para que fossemos para o hospital, pois seria necessário.
Lembro que o Anderson estava desesperado e correndo muito com o carro, e eu pedia pra ele ir com calma que estava tudo bem.
Chegando ao hospital fizemos um cardiotoco. Aquela posição para fazer o exame era horrível e doía mais se ficasse deitada, mas eu tinha que fazer.
Naquele momento, vendo aquele hospital e aquela situação eu já achava que eu não iria conseguir. Eu cheguei a dizer pra alguém “Eu sei o que as cartas disseram mostrando que este parto seria difícil. É que eu não vou conseguir, vai ser cesárea. Eu já sei”.
E as dores vinham e eu pedia anestesia pelo amor de Deus. Então fui pra sala de anestesia, mas o abençoado do anestesista não me deixava descer logo que aplicava, eu tinha que ficar lá deitada enquanto a melhor hora da anestesia fazia efeito. Eu conseguia descansar um pouco esses vinte minutos que ficava lá.
Descemos para o quarto, e daí em diante eu não lembro mais a ordem dos acontecimentos. Lembro-me que fiquei muito no chuveiro, e que ficava na posição de quatro na cama, e no sofá que tinha lá.
Umas 19 horas eu pedi outra anestesia pra tentar descansar um pouco, lembro do horário, pois era troca de turno do anestesista e meu médico me levou fugida para o quarto assim que ele foi embora (risos).
Não queria que meus pais entrassem e me vissem gritando naquele estado. Tadinhos eles ficaram do lado de fora na sala de espera do hospital por muitas horas, pois achávamos que seria mais rápido. Mas não foi.
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Teve um momento em que acredito que tenha sido um dos momentos mais emocionantes desse parto. Onde o Anderson tocava e cantava varias músicas e mantras para mim, então eu resolvi cantar também.
Na verdade eu queria rezar e orar enquanto cantava aquela música. Comecei a cantar a musica “sonda-me usa-me” da Aline Barros, onde naquele momento eu pedia a Deus para usar o meu corpo, o meu templo para aquele parto. Em meio às contrações a letra me faltava e eu só gemia, enquanto isso minha amiga continuava a cantar, depois eu voltava a cantar quando a dor era menos intensa.
Lembro-me que em um desses momentos, não sei se antes ou depois, meu médico estava sentado no chão orando e me dando um passe. Eu achei isso lindo e também me deu forças pra continuar.
A Lucélia fez um toque e aí sem querer a bolsa estourou, a água da bolsa já estava escura, um marrom esverdeado. Isso me preocupou naquele momento, pois sabia que aquilo era mecônio.
Logo pedi outra anestesia, fora as vezes que pedia a cesárea (hehehe), e lembro que o anestesista que estava no novo plantão (muito mais gentil que o anestesista anterior) desceu para aplicar, mas vazou um pouco na hora da aplicação e foi menos da metade do líquido da seringa.
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Eu dizia que queria que isso acabasse logo, e o Doutor me perguntou (mais de uma vez) se eu tinha certeza que queria adiantar o processo. E eu disse que sim. Então ele fez “O Toque” e dilatou meu colo.
Sangrou muito, doeu muito, eu estava de quatro na cama e ficava brava com meu esposo, pois não queria que ele visse as minhas “partes” naquela posição, como se ele já não tivesse visto ou não fosse ver (risos).
Então veio a boa notícia, dez de dilatação. E eu pensava que beleza vai nascer, fazia força, muita força. Eu urrava, já não gemia mais.
Fui pro chuveiro, pra piscina, pro chuveiro de novo, Anderson se enfiou em baixo do chuveiro comigo enquanto a Lucélia rezava também.
Voltei pra cama, fiquei de quatro (essa era a posição mais confortável pra mim com as dores já insuportáveis) e fiz mais força. Eles diziam que dava até pra sentir com o toque a bossa do bebê (parte mole da cabecinha dele).
De repente tudo piorou! E eu senti naquele momento a pior dor de todas.
E não era uma contração e nem o bebê saindo, era uma câimbra. Parecia uma distensão muscular na região da virilha.
Essa dor era igual ou maior a dor que eu senti no dia em que quebrei a minha bacia no acidente que sofri. E eu a sentia mais forte durante a contração, ou quando eu tentava fazer força e empurrar.
Então, a partir desse momento, eu não consegui mais fazer força para fora e nem empurrar. Era impossível relaxar para o bebê descer. Eu trancava o períneo involuntariamente e fazia força inversa, para dentro por causa da cãimbra.
Isso aconteceu provavelmente porque fiquei muito tempo sem dormir durante esses dias todos, o corpo ficou cansado demais, a musculatura da região da virilha direita fadigou. Essa é exatamente a região onde eu fiz a cirurgia pelo acidente que disse anteriormente.
Comecei a gritar, e me desesperei. Eu ficava brava com todo mundo. Eu dizia que eles não estavam entendendo o que eu tava falando, que era minha perna, meus pinos que doíam e que eu não ia conseguir mais. Que eu precisava de anestesia.
Subi novamente pra sala de parto, e pedia uma Pele Dural pelo amor de Deus e pedia pra usarem o fórceps que eu não estava aguentando mais.
Eles e as enfermeiras tentaram me acalmar como se elas estivessem sentindo o que eu sentia, como se não fosse para tanto o meu desespero.
E eu ficava irritada, pois ninguém estava sentindo o que eu estava sentindo, a dor de parir juntamente com a dor de uma região acidentada gravemente.
E também ficava triste, como se as enfermeiras me olhassem e me julgassem pensando: “Tá vendo menina, quem mandou querer essa frescura de parto humanizado”.
Logo o médico plantonista chegou. Ele foi muito gentil todo o tempo. Pedia licença para tudo que ia fazer em mim. Ele fez um toque e disse que eu ainda tinha colo. O Meu médico e a minha parteira não acreditando que eu ainda estava com colo, me tocaram novamente, e confirmaram. Já estava em dez a dilatação e faltava só um pouco desse colo posterior dilatar para passar o fórceps, mas desse jeito eles não poderiam usá-lo. A Lu me disse que este colo parecia um papelzinho na cabeça do bebê. E se o puxassem com o fórceps, me machucariam.
Então, eu muito triste, pedi a cesárea!
Meu esposo tentou me convencer a não fazer a cesárea, porque ele não estava na sala hora que disseram que eu ainda tinha colo. E o médico e a Lucélia me diziam que faltava pouco. Mas eu já sabia, desde as cartas de tarô que não seria no jeito que eu queria. Então eu olhei no fundo dos olhos do médico, apertei a mão dele e disse: “Doutor, eu tenho força, e eu poderia conseguir, mas a minha perna não deixa!”
Então fomos para cesárea.
Foi muito difícil dar anestesia em mim, foram três picadas, pois eu tinha contrações e cãibras e meu corpo não parava pra acertar o lugar, e me disseram no outro dia, que a anestesista estava com começo de dengue, coitada.
O médico GO plantonista, super gentil, colocou uma música no celular dele pra eu relaxar mais durante a cirurgia.
Depois que essa bendita anestesia pegou e tudo adormeceu, aquela dor de dias e aquela cãibra passando, foi um alívio.
Ao mesmo tempo, uma tristeza gigantesca entrou em mim. Meu esposo me filmava com o celular e dizia que me amava e eu só sentia tristeza. Não conseguia nem chorar, era uma sensação de impotência, de nadar, nadar e nadar, e morrer na praia.
Em vez de estar emocionada com o nascimento do meu filho que eu tanto sonhei, eu sentia um vazio, sentia um nada ou então me sentia triste.
E ao mesmo tempo eu me culpava por estar me sentindo assim, então me sentia ainda pior por estar me sentindo triste.
Benjamin nasceu à meia noite e cinqüenta minutos do dia 28 de janeiro e veio pros meus braços após cortarem seu cordão umbilical. E eu só sabia lhe pedir perdão em pensamento. Não chorei. Não estava feliz. Mas eu deveria estar, e me culpava por isso.
Ele foi tão carinhoso, não queria soltar sua mãozinha do meu rosto. Quando tentavam afastá-lo de mim ele chorava, e quando voltavam a mãozinha para o meu rosto ele se acalmava.

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Hoje vejo as coisas de maneira diferente do que via naquele momento.
Foi um parto lindo, e eu ainda me culpo um pouco por não ter aproveitado mais aqueles momentos. Culpo-me por estar triste num momento lindo que eu deveria estar feliz. Mas era o meu estado, e eu tinha que passar por aquilo.
Fiquei sabendo depois que o Dr Paulo “raptou” o Benjamin do berçário por alguns minutos e o levou para meus pais, irmão, Su e Nath conhecer. Achei lindo isso.
11179815_818527021575238_45350142_oApós a cirurgia fui para a sala de recuperação. Não consegui dormir a madrugada inteira, sentia frio. E queria ver meu filho. Demorei mais de seis horas para começar a mexer uma das pernas e as enfermeiras não queria me levar para o quarto.
Eu chorava muito. Àquelas horas na sala de recuperação foi um martírio. Não podia fazer nada, não via meu filho, não via meu esposo e os pensamentos eram muitos. A tristeza era muita.
Pela manhã meu esposo me deu um tchauzinho da porta, e eu chorava, eu implorava para elas me levarem para o quarto. Mas elas diziam que eu tinha que mexer as duas pernas para me levar. Ai eu puxava a perna com as mãos e fui exercitando.
Mesmo assim não conseguia mexer totalmente. Então uma enfermeira resolveu me levar antes que trocasse o turno. Na verdade já se passavam das sete da manhã e ela já estava atrasada, acho mesmo que ela sentiu compaixão e resolveu me levar para o quarto.
Não me lembro muito bem a ordem dos acontecimentos no quarto também, mas lembro que foi super difícil passar da maca para a cama.
Não lembro quando o Benjamin chegou, ou se ele já estava lá quando cheguei.
Sei que o começo sempre é difícil pra mamar, mas até que ele pegou bem de início. Durante a madrugada que foi mais difícil a pega das mamadas.
Meu filho era lindo e eu me sentia bem fisicamente. Tava tomando remédio pra dores constantemente e depois que consegui sentar a primeira vez conseguia fazer varias coisas.
Mas aí tive mais uma coisa chata, chamada cefaléia. Eita dor de cabeça do cão viu!!!
Só ficava deitada e fiquei um dia a mais no hospital pra tentar melhorar. Mas ela persistiu por uma semana, inclusive na volta pra casa vomitei no carro, tamanha era a dor.
Meu puerpério foi difícil também por causa dessa cefaléia. E como só ficava deitada, não curtia o meu filho, pois raramente levantava da cama. Fazia tudo deitada. Amamentava, almoçava, jantava.
Minha sogra e minha mãe cuidavam das coisas de casa e ajudavam meu esposo com o bebe. A presença da minha sogra foi muito importante no meu puerpério, pois toda vez que eu chorava ela vinha com palavras amorosas como uma mãe mesmo.
Eu acho que precisei de um mês mais ou menos pra não ficar triste quando dizia às pessoas que não consegui um parto normal.
Mas na verdade hoje eu posso dizer que tive dois partos, um parto normal e uma cesárea. Até meu médico me disse isso em consulta depois do parto. Eu só não o senti passar pelo períneo/vagina. Do resto eu senti tudo.
E que o bebê já tinha engolido um pouco de mecônio, isso quer dizer que ele já tinha feito cocô dentro da bolsa. Um pouco é até normal, mas quando o tiraram da barriga ele fez muito cocô. Portanto eu tomei a decisão certa, pois eu iria precisar de umas duas horas se não tivesse tido as cãibras para conseguir expulsá-lo. E se fossemos esperar essas duas, ele engoliria mais cocô e entraria em sofrimento, correríamos mais riscos e iríamos para uma cesárea de emergência. Cortariam-me de qualquer jeito e provavelmente o bebê precisasse de alguns procedimentos de urgência e não poderia vir para mim como veio.
Hoje, relembrando e vendo as fotos e os vídeos, tenho certeza que era pra ser assim.
Posso até dizer que tive uma cesárea humanizada, pois os médicos foram ótimos e muito gentis, respeitaram minha decisão mesmo vendo que eu decidi no desespero. E até música colocaram durante a cirurgia como disse anteriormente.
Era um sonho de ter um parto normal na piscina ou banheira e ainda ser em casa. E passei esse sonho para meu esposo Anderson e também para minha família. Eu fiquei muito frustrada por bastante tempo.
E vejo que somos só seres humanos imperfeitos e não temos o controle das coisas, só Deus o tem.
Toda mulher foi feita pra parir, tem um corpo para isso, mas existem exceções, e a cesárea está aí pra isso.
Eu precisava parir isso. Esse ego meu. De querer do meu jeito. De querer que fosse lindo, só pra dizer: “olha gente, eu consegui”
Meu orgulho eu pari!”

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Vídeo do parto:

Nascimento de Laura

Precisei de 45 horas pra parir a Laura e 6 meses pra parir esse relato.

Não foi nem de perto o que eu planejei pro nascimento da minha filha mas foi exatamente o que eu precisava viver pra crescer espiritualmente.
Primeiro vou me apresentar pra vocês entenderem as mudanças que ocorreram.Tenho 29 anos de vida, e fui criada pro mundo, pra ser forte, não demonstrar sofrimento, medo ou fraqueza. Não fui criada com luxo, mas era (talvez ainda seja um pouco) nariz em pé, desde sempre disse que minha filha não receberia visitas de estranhos nos primeiros dias, não iria pro colo de qualquer um, e decorei a casa de cor de rosa pra chegada da fêmea que estava vindo. Planejei o penteado do parto (domiciliar) e estaria maquiada porque queria fotos lindas. Criei um parto plasticamente perfeito na minha cabeça.
Tenho total aversão a hospitais, morro de medo de cirurgias, então cesárea não seria uma opção. Estava com meu marido a 10 anos e desejamos a gravidez. Me vi gravida com apenas 4 semanas e escolhi no caderninho do convenio uma GO fofíssima pra me assistir e desde o início ela era super a favor do PN.
Quando eu entrei no 5º mês de gestação, veio finalmente o valor para o PN e os poréns, que eram muitos. Fiquei muito abalada e vi meu tão sonhado PN indo por água a baixo. Comecei a pesquisar por relatos até que encontrei o GAIA. Fui a um encontro com meu marido pra conseguir indicação de GOs e saí de lá acolhida e instruída sobre PD e criação com apego. Nesse encontro conheci a Talita, a Nath e a Naiara, que também estava gestando o João. Depois de muito pesquisar chegamos a Lucélia, já com quase 7 meses de gestação, mas nos me encheu de segurança e amadurecemos o PD. Depois de muita procura veio a Amélie com sua doçura e delicadeza. E com a possibilidade de ser doulada, escolhi a Nath, porque desde o primeiro encontro senti seu amor de mãe. Estava com a equipe completa, era só aguardar.
Mas vamos a quem sou eu.
thais e cleriston

No dia 11 de outubro, sábado, fui a um encontro do Gaia, e fiz a pintura de barriga mágica, feita pela Nath, pois segundo meu marido (adivinho rs), a Laura só chegaria depois da mandala.
mandala Thais
E foi assim que aconteceu, lá pelas 3h da manhã, com 39 semanas e 3 dias, comecei a sentir as contrações e avisei a Lucélia os intervalos e duração, estavam durando mais ou menos 50 segundos e vinham a cada 30 minutos (eu acho). A Lu estava de plantão, e resolveu vir pra casa porque tive diversos sonhos em que a Laura nascia no banheiro só eu e ela. A Lu chegou na manhã fez um toque, estava com apenas 1cm e fez um cardiotoco, não me lembro exatamente qual foi o problema mas não tinha oscilação dos batimentos durante as contrações. Fui pro banho e chorei demoradamente, conversei com a Laura contei pra ela que eu estava pronta se ela estivesse e pela primeira vez me permiti ter medo. Durante toda gestação quando cogitava PN me perguntavam se eu não tinha medo, por dentro minha vontade era dizer _tô morrendo de medo gente, medo da dor, medo dos pontos, medo de dar errado_ mostrar que eu era forte, a resposta padrão era _não, PN é melhor pro bebe_ e esse era o mantra. Naquele banho assumi meus medos e frustrações. Quando sai do banho a Lu tinha ligado pra Amélie que ela tinha tirado as cartas pro parto e uma das coisas ditas foi que antes eu deveria me livrar dos medos, e eu tinha acabado de fazer. Refizemos o cardiotoco e os batimentos regularizaram. Ufa! Comecei a me movimentar e perto da hora do almoço a Amélie chegou. A Nath chegou já estava escurecendo e as contrações continuavam com pouca alteração. recebi muito amor muita massagem, muito carinho, mas nada da Laura chegar.
thais e laura  Me desculpem, não sei se pelo cansaço, não me lembro da cronologia exata do que aconteceu, mas me lembro das massagens da Lucélia, da Amélie me fazendo acupuntura, da Nath acendendo incensos e dos escalda pés. Me lembro de me oferecerem comida a todo instante, mas eu só conseguia chupar picolé.
thais e laura
Lembro de tomar muito chá, Lembro de muito amor. Houve um momento em que o sono já estava apertando demais, eu literalmente cochilava dentro da piscina e junto com meu marido choramos, senti minhas forças indo embora, vi as meninas chorando conosco, foi um momento muito intenso. Fomos pro banho, eu e meu marido e choramos juntos, ele me disse que estaria comigo, que sentia muito orgulho da minha força que apoiaria qualquer decisão que eu tomasse, me senti bem melhor, e resolvi aguentar mais um pouco. Acho que os banhos de chuveiro nos davam novo animo. Mas o tempo foi passando.
thais e laura

Fizemos mais um toque, isso já na segunda feira, já passavam de 30h e eu ainda estava com 7cm. Senti que não iria aguentar e lá pelas 19h do dia 13 de outubro me rendi, queria anestesia pra conseguir descansar ao menos um pouco. A Lu ligou pro Paulo Fasanelli (que era meu plano B) mas ele estava em Catanduva de plantão, mesmo assim ele nos mandou ir pro hospital de lá.
Nesse momento eu estava com contrações muito fortes, de 3 minutos de duração e vinham a cada 30 segundos. Dentro do carro as contrações aumentaram e por medo de não conseguir chegar em Catanduva fomos para a Santa Casa. Até aqui meu trabalho de parto foi lindo, com muito respeito, e muito, muito amor.
Agora vem a parte do parto que eu gostaria de esquecer. Chegamos no Hospital, eu a Lucélia e meu marido. Fui atendida por uma plantonista, uma pessoas totalmente desumana e monstruosa. Ela nos falou pra fazer o parto particular porque pelo SUS o anestesista iria demorar demais, pois ele atendia “por ordem de chegada”.
Meu marido foi até a recepção, onde a Lucélia estava, pois não foi permitida a entrada dela na sala de parto, era ela ou meu marido. Não haviam quartos disponíveis para um parto particular, mas como a GO não tinha essa informação e acreditou que o parto seria particular ela já tinha conseguido o anestesista.
Tomei a anestesia e parei de sentir as dores e por alguns minutos fechei meus olhos e descansei. Meu marido voltou, me contou que não haviam quartos disponíveis, que seria tudo pelo SUS, que a Lucélia não poderia estar ali e que ele não poderia ficar no quarto comigo. Como já não havia o que fazer aceitamos.
Pouco tempo depois entra a GO, a aí começa o terror. Ela faz um toque, diz que estou com 10cm mas com um pouco de colo e que vai romper minha bolsa, eu questiono a necessidade do procedimento mas ela já estava com um espeto dentro de mim e estoura minha bolsa, logo depois ela faz um novo toque, afastando meu colo e sai um bocado de sangue, eu ainda atordoada com todo esse procedimento, ouço a enfermeira dizendo que os batimentos da bebe estão bem. Foi então que a GO me olha e diz ” olha, se daqui uma hora não nascer você vai pro centro cirúrgico.” Nesse turbilhão de sentimentos, no meu cansaço eu consegui raciocinar, e tomei a decisão de não bater de frente com o monstro do bisturi e tentei ser o mais politica possível. Disse que iriamos conseguir mas que não queria epísio ou Kristeller. Ela fez cara de poucos amigos e disse apenas que iria tentar. Estava com muito frio, pois o ar condicionado era bem na frente da mesa de parto e eu tremia muito. A cena era a seguinte eu tentando, a cada contração, expulsar meu bebe, com o máximo de força que me era possível, e toda a equipe encostada na parede a minha frente conversando sobre assuntos diversos, me senti humilhada, desassistida, mas empoderada, eu iria parir minha filha, nem que eu tivesse que sair correndo daquela sala.
Foi quando a monstra começou a dizer _se fizesse o Kristeller, já tinha nascido_.
Depois de ela dizer isso repetidamente, apesar de saber de todos os riscos, com medo de ela não nos dar mais tempo, aceitamos a “manobra”.
Meu marido então começou a filmar pois se algo saísse do controle teríamos documentado. A cada contração, era uma força horrorosa aplicada sobre minha barriga, e assim foram algumas vezes, até a Laura finalmente sair, com uma circular de cordão que tão logo estava desenrolado de seu pescoço, já foi cortado. Esfregaram muito a bebe, que não chorou e foi levada, meu marido foi logo atrás e ficamos eu, a GO e um vazio na sala de parto.
Não tive aquele choro tão esperado ao ver meu bebe, não olhei nos seus olhos e me vi, não tive aquela ligação tão desejada. Estava sozinha e vazia. Naquela sala fria, com aquela mulher totalmente alheia ao meu sentimento.
Meu marido retornou e logo me trouxeram a bebe. Não sei se pelo cansaço ou por toda essa frustração mas não me liguei a ela, não senti nada. Hoje avalio isso, mas no momento não consegui sentir nem essa tristeza que hoje sinto ao lembrar disso.
Ela foi levada e o parto acabou, assim, sem amor, sem respeito, sem sentimento.
Eu tive apenas 4 pontos de lacerações leves causadas pela bebe, rapidamente ela deu os pontos, e me lembro de enquanto ela estava saindo, sem olhar pra minha cara, dizer a ela, “obrigada doutora”. Ela apenas deu um sorriso amarelo e saiu. E eu fui pro quarto do SUS.
Aí começa a ultima parte das provações, a parte que me colocou em cheque. Laura estava no berçario. Eu estava num quarto com mais 3 mães e seus respectivos bebes, num calor desumano, e nesse lugar haviam janelas voltadas para um corredor, completamente sem ventilação. Me levantei da cama e fui pro vidro do berçário esperar meu bebê. Vi ela ser esfregada sob uma torneira e gritar a plenos pulmões, senti uma tristeza tão profunda, uma impotência, mas estava firme, pois ela iria precisar de mim. Já passavam mais de 48 horas sem dormir quando Laura foi pro meu peito, e mamou, se deliciou e dormiu no meu colo. Ficamos nós duas aninhadas, naquela sauna, finalmente eu pude ser a mãe dela, pude finalmente me conectar com minha cria. Estava finalmente feliz. Na noite seguinte Laura chorou até as 3 horas da madrugada, eu andava com ela pelos corredores, com ela aos prantos, cantando pra ela, e passava por enfermeiras que não tiveram compaixão por nós. Apenas as 3 horas da madrugada que uma delas resolveu pegar minha filha e fazer algumas massagens, a coitadinha soltou uma massinha de mecônio e muitos puns. Após isso ela dormiu. Ela chorava desde as 10 horas da noite e não havia uma pessoa pra nos acolher. Graças a Deus no dia seguinte fomos liberados e pudemos vir pra casa começar o puerpério.
Pra resumir o que aprendi com esse parto nada perfeito, foi que tudo aconteceu como deveria acontecer. Não tive um parto de revista, no final parecia eu um bicho, exausta; não fiquei confortável numa cama deliciosa, com meu ar condicionado, na minha casa super preparada, estava num alojamento quente e feio; estava cercada de estranhos que eu tanto queria longe da minha cria, fui ajudada por esses estranhos pois eu tinha que ir ao banheiro ou buscar água e eles olhavam minha filha por mim. Mas nada disso foi importante e no final só conseguia pensar na minha cria, no meu bebe indefeso que precisava tanto de mim.

No final eu estava feliz. Feliz porque fui forte e apesar de nada acontecer como planejei, eu conquistei meu PN, eu lutei e pari uma criança linda e saudável, eu tive leite e amamentei assim que ela veio pro meu seio, e tive calma pra acalentar seus primeiros sofrimentos nesse mundo estranho. Cansada mas feliz.
Sempre me perguntam se eu faria novamente, e eu sempre respondo, faria mil vezes, porque eu pari além de uma criança, uma mulher que hoje tem força pra nutrir e cuidar da cria, sem frescuras, sem futilidades e com muito amor!
Obrigada à Lucelia Caires que me acompanhou no meu puerpério, Amélie Lecorné que me deu tanto amor e a Nath Gingold que até hoje me aconselha, como uma mãezona. Obrigada a vocês mulheres que nos dão tanta força. Gratidão!

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Minha historia com Adam

Relato gentilmente cedido ao blog por Glaucia Pinna

“Resolvi postar o meu relato, não somente do parto, mas da minha breve história com o Adam❤
Texto um pouco grande, me desculpem, mas não dava pra resumir uma história que já é breve. Gratidão!
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“Entre namoro e casamento eu já estava com meu marido há 7 anos, decidimos então nos tornar pais, achando que era fácil assim, no próximo período fértil eu engravido. RÁ! A vida tem seu próprio tempo, você não escolhe nada… E foi assim, um mês, dois meses, três meses… Um ano… Resolvi ir atrás, não era possível demorar tanto… Fiz um endovaginal e pimba, como disse a médica “minha filha, você não ia engravidar nunca, seus ovários estão puro cisto”. Bom, o que eu tenho que fazer? Tratamento! E lá fui eu, tomei Diane 35 3 meses seguidos e metformina, pois nos exames hormonais eles estavam todos loucos. Ok! Passaram os 3 meses e lá fomos nós tentar novamente, um mês e nada, dois meses e nada… Estressei e disse que ia desistir daquilo, chega, cansei, ia gastar todo meu dinheiro, viajar e pronto!
Desisti de engravidar e minha menstruação não vinha… Sentia cólicas, dores muito fortes, seios inchados e todo mundo dizia: Você está grávida… e eu: ah, ta! De tanto falarem na minha cabeça comprei um teste de farmácia e fiz no banheiro do meu trabalho, sem nenhuma fé do positivo, mas deu… meu positivo veio. No outro dia fiz o de sangue e POSITIVO! Meu Deus que alegria… Não entendia muito bem aquela explosão de sentimentos dentro de mim e na hora já sabia que era um menino que crescia dentro de mim…
Comecei imediatamente o pré natal, como trabalho em posto de saúde eu tinha GO alí todo santo dia e minha gestação foi correndo super bem, sou hipertensa e fui encaminhada ao ambulatório de alto risco do HB, mas com medicamentos a pressão estava controlada, mudei a alimentação, não ganhei peso, enfim, tudo ótimo!!!
Já estava de 22 semanas e ainda não tínhamos conseguido ver o sexo no ultrasson, mas coração de mãe não se engana, escolhemos o nome dele naquela semana, Adam, “homem da terra”, já sentia meu pequeno guerreiro mexer, não só na barriga, mexeu em nossas vidas, tudo mudou… Quanto amor, o mundo tinha mudado de cor.
Tinha consulta no alto risco, cheguei toda feliz achando que ia ser mil maravilhas… Esperei mais de 4 horas sentada em um banco de concreto, fui atendida e a médica só anotou meus exames no computador, ouviu o coração do bebê e pronto, me mandou embora. Fui de ônibus trabalhar e como tinha ficado o período da manhã fora, trabalhei até as 19hr.
Comecei sentir o bebê mexer muito embaixo, comentei com meu marido, até aí tudo normal. No trabalho sentia ele mexer na vagina, uma coisa muito estranha, comentava com as meninas e ninguém sentia isso… começou sair uma meleca que parecia clara de ovo, achei que não fosse nada grave, tinha acabado de sair da consulta e a médica disse que tava tudo bem e tem mulheres que tem corrimento, secreção e tal.. Em casa nesse dia o bebe mexeu DEMAIS eu nem conseguia levantar do sofá, doía as costas… No outro dia a meleca persistiu, no final da tarde já na hora de ir embora essa meleca saiu mais espessa parecia gelatina incolor e junto saiu sangue, aí preocupei e a minha chefa me levou na emergência do hospital da criança.
Fiquei aguardando chamar e novamente demorou, cerca de 2 horas… Quando entrei na sala, muitas perguntas e o tal exame do “toque”. A moça saiu da sala e chamou outra, também fez o toque, chamaram outra e também fez… Já achei estranho… saíram todas da sala e voltaram com a chefe… Ela fez o toque e falou: Glaucia, pode sentar. O que você tem é GRAVÍSSIMO, você perdeu o tampão e está com 100% de dilatação, vamos te internar pra você “PERDER O BEBÊ”, sim, ela usou exatamente essas palavras. Nisso parece que o chão se abriu aos meus pés, fiquei por uns 5 segundos sem reação, olhei pro meu marido e disse: Nós não vamos “perder” nosso bebê. Na hora já me encaminharam para a enfermaria, pois não havia quarto disponível. Fiquei deitadinha lá, imóvel, tentando entender como de um dia para o outro eu PERDERIA meu filho, chorei… O choro da alma, do maior desespero que já tive na vida… Meu marido perdido, desorientado, mas eu sabia da minha força, se fosse possível ficaria ali por 60 dias imóvel, só não sabia se a bolsa agüentaria.

Foram passando os dias, os médicos não acreditavam que eu agüentaria, todos os dias perguntavam: está com dor? Perdendo líquido, sangue? E sempre a resposta era não, ta tudo ótimo. Foram 9 dias deitada na cama, comia deitada, me trocava deitada, TUDO deitada. Até que cedinho comecei sentir dores no pé da barriga, chamei a enfermeira, me deram buscopam e não cortou… A dor foi aumentando, aumentando… Buscopam não fazia nem cócegas… A noite eu estava com muita dor… Me colocaram no Bricanyl para ver se segurava, consegui dormir por algumas horas, amanheceu o dia e dor, dor, dor, mesmo com o Bricanyl, buscopam, nada passava, achei que estava com alguma infecção, era muita dor, acho que nesse momento fui parar na tal “partolandia” que as meninas dizem, estavam ali somente eu, minha barriga, meu bebê e a dor, parecia que o tempo passava em outro ritmo, o som estava em outro tom… Fui ao banheiro e escorreu água nas minhas coxas, gritei, a bolsaaaaaaaaa!!!!! Me levaram pro ultrasson e a frase do médico cortou meu coração. Não tem mais nada de líquido aqui. MEU DEUS!!!! Vai nascer. O desespero tomou conta de mim e agora a preocupação era outra, salvar meu filho. Pedi para que me levassem a sala de parto e uma das residentes disse: Vamos aguardar aqui no quarto mesmo… Eu falei: E SE NASCER???? Ela: A gente chama alguém… OOOOOIIIIIIII?????? COMO ASSIM MINHA FILHA???????
A dor foi ficando insuportável e eu sentia que ele ia nascer, dei um grito e só assim decidiram me levar para a sala de parto, foi tudo tão corrido que desci de cadeira de rodas, me retorcia de dor, eu estava segurando pro bebê não sair. Chegando na sala não deu tempo nem de me arrumarem direito, falei pro médico: Posso fazer força? PODE! Então eu fiz, mas não sabia como fazer e ele disse: faz força compriiiiiiiida. E eu fiz, e denovo: força comprida!!!! Quando fiz pela terceira vez meu bebê nasceu, nisso a enfermeira saiu correndo com ele embrulhado, tão pequeno… Nasceu com 620 gr com parada cardíaca e respiratória, reanimaram e ele VIVEU!
O restante do parto como tirar a placenta, fazer aquela limpeza que eles fazem eu nem liguei, só queria meu filho vivo. Esperei cerca de 2 horas e fui para o quarto, tomei banho sozinha e logo desci na UTI NEO para ver meu pequeno. MEU DEUS que coisa mais linda do mundo, pelo peso achava que não estaria todo formadinho, mas estava, era um bebe miniatura, lindo, perfeito, esperto. Foi o maior amor que eu poderia sentir na minha vida, não poderia nunca imaginar o tamanho desse sentimento. Falava com ele e os batimentos aumentavam, esticava as pernas e balançava as mãozinhas. Sabia de toda a sua fragilidade, mas estava confiante. Dizia “agüenta aí meu príncipe, você é o guerreiro da mamãe.”
No outro dia fomos conversar com a pediatra, ela disse que ele estava com pneumonia, era prematuro extremo e isso é comum, já estava sendo tratado com antibióticos e respondendo bem. Nesse dia tirei leite e passaram na boquinha dele, ele lambia os lábios, colocava a lingüinha pra fora, adorou meu leitinho, aquela boquinha era a coisa mais linda desse mundo. No outro dia no novo boletim médico disse que ele estava muito bem, que era um bebê muito forte, sadio, tinha aceitado bem o leite, estava tomando 1ml de 3 em 3 horas na sonda. Meu Deus, 1 ml, vocês imaginam o tamanho do estomago do meu bebê, muito petitico.
Fomo embora para casa confiantes naquele dia, afinal a pediatra disse que ele está respondendo bem ao tratamento, tomando meu leite, o que mais eu poderia querer meu Deus… Antes de dormir chorei, chorei muito, não acreditava que havia uma esperança, meu bebê estava vivo, eu era mãe!!!! O amor maior do mundo, um amor que dói.
Mas na madrugada do terceiro dia o telefone tocou, chamando os pais do Adam ao hospital. Na hora me tremia toda, já fui chorando, segurando ao máximo e tentando me enganar que teria acontecido algum problema mas que ele estaria vivo. Chegando lá quando abri a porta da UTI neo, a luz da incubadora desligada, 3 segundos de inércia, não!!!! Não pode ser, então caí… Desabei… Parece que o mundo para e abre um abismo aos seus pés… Meu bebê se foi, ele se foi!!!
Nisso a pediatra veio me confortar e me explicar como foi. A infecção do pulmão foi para o sangue e o coraçãozinho dele não agüentou, foi diminuindo os batimentos até parar.
Quanta dor… Nunca imaginei perder um filho, mas só pensava na dor dele, quantas picadas, quantos procedimentos, cateter, tubo… Tadinho, nenhuma mãe quer isso para seu filho. Peguei-o no colo, ainda quentinho, e pude sentir sua pele, disse o quanto o amava, o quanto ele era importante nas nossas vidas, pedi perdão pelo tamanho de seu sofrimento, nenhuma mãe quer ver seu filho sentir dor, ali ninei ele por cerca de 30 minutos… tive que correr atras de coisas burocráticas, velório, enterro.
Os dias passaram, a dor não diminui, a saudade só aumenta, mas o que me conforta é saber que hoje ele não sente mais dor, eu estou sofrendo muito, mas ele não.
Foram os três dias mais lindos da minha vida, ver seu rostinho, suas mãozinhas, os pezinhos mais lindos desse mundo. O Adam se foi, mas nasceu em mim uma mãe, guerreira, mais amável, mais persistente, mais forte, mais determinada… Só tenho a agradecer tudo que aprendi, uma lição de vida no modo Hard. Tanto sobre dor, quanto sobre amor.
Descobri também 2 palavras: incomensurável, que é o que eu sinto por ele e resiliência que é como vai ser de agora para a frente.
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Com tudo isso descobri o que tenho IIC: Incompetência Istmo Cervical, uma “deficiência” nas fibras elásticas do útero, conforme o bebê ganha peso, o colo do útero não suporta e abre, sem dor alguma ou sinais de dilatação, causando assim o parto prematuro extremo como foi o meu com 25 semanas.””

Relato gentilmente cedido ao blog por Glaucia Pinna

Nascimento de Miguel

“Vou desabafar a minha experiência,pra ver se passa um pouco do medo e da dor!

No dia 29/01 fui fazer uma ultrassom, nesse dia eu acordei com um sentimento estranho, parece que eu sentia que algo estava errado! Fiz a ultra e eu estava quase sem líquido
, o médico ligou pra minha GO e ela me pediu pra ir no consultório, pra fazer uma cardiotocografia, estava tudo bem com o Miguel, mas tive que ir me internar pra aumentar o líquido, e no hospital passei por vários exames incluindo o de ácido úrico e proteinúria 24 horas, na sexta meu líquido tava subindo e no sábado eu ia poder ir pra casa, mas era umas 22:30 comecei a me sentir mal com uma falta de ar, dor de estômago, uma dor no peito e dor de cabeça, a enfermeira veio me ver e chamou a equipe da cardiologia pra fazer um eletrocardiograma por causa da dor no peito, eles viram a minha pressão também e avisaram que iam ligar pra minha GO, quando ela chegou me disse que eu ia subir pra UTI, pra passar a noite pra controlar a minha pressão!
Fiquei muito assustada e senti um medo enorme de algo acontecer com nós dois!

No sábado 31/01 voltei pro quarto e ai veio outro susto, meus exames deram alterados,meus rins estava parando e isso era sinal de eclâmpsia e eu tinha que tirar o Miguel pra que eu pudesse melhorar, fiz a cesárea apavorada, ele nasceu bem com 2.040 kg e 44 cm,não precisou de UTI neo natal, nem de oxigênio! Ele saiu e minha pressão baixou e meus batimentos cardíacos melhoram!

Eu tava até conformada na segunda-feira, mas ai internaram no leito ao lado do meu uma gestante em trabalho de parto, e aquilo me doeu muito porque eu vi nela o meu sonho sendo realizado! Mas mesmo doendo em mim eu fiquei feliz muito pelo o parto dela fosse lindo e o bebê viesse ao mundo de um lindo PN!

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Hoje estamos bem,ainda estou tomando remédio pra controlar a minha pressão, passando por vários exames, o Miguel esta lindo saudável, mama super bem no peito desde o primeiro dia! Mas a dor de saber que eu falhei com o meu sonho de ter um Parto Normal ainda é grande e que sei que se eu engravidar de novo posso ter eclâmpsia novamente e isso me da medo!”

Depoimento gentilmente cedido por Carol Caselli

Eu escuto teus sinais ! Relato de nascimento de Enzo

“Vou tentar parir o meu relato de parto.

Se eu fosse dar um título para ele, seria : Eu escuto teus sinais !

Vou tentar me expressar da melhor forma, afinal foram 287 dias gestando, estudando, lendo, me informando, conhecendo gente, me apaixonando por mulheres e lutando por um parto respeitoso.

Conheci médicos, parteiras, enfermeiras, gestantes… Participei de grupos presenciais e virtuais que visavam ajudar e conscientizar as mulheres sobre maternidade. Todos esses meios e pessoas ensinaram alguma lição, e juro aprendi com todas elas.

Esperei durante meses para ter o prazer de sentir na pele o dia mais importante da minha vida.

Cada espaço do meu corpo…
Cada lugar da minha mente…
Cada canto da minha casa…
Cada espaço do meu coração… Foi totalmente tomado e preparado para parir.

Conheci o Commadre, através da indicação da querida Aline Tidori , fui em reuniões e montei a minha equipe com profissionais que conheci lá… Não é exagero se eu disser que no commadre encontrei um colo coletivo ! E um emponderamento consciente e carinhoso.

Durante toda a gravidez, diferente de 95% das mães, tive um bebê sentado na minha barriga …Meu Enzo PELVICO !

No começo meu objetivo era um Parto Domiciliar, mas os planos mudaram quando descobrimos que teríamos que mudar de casa bem na época que o pequeno poderia nascer. E não da pra ter PD no meio de reforma e bagunça. Daí então deu início a minha corrida para achar um hospital com sala de parto e que aceitasse o meu convênio ! Achei o SEPACO, e pela insistência, fui a primeira gestante a conhecer a sala de parto… Bem próximo da minha dpp, a tal sala de “fechou”. Fui entrevistada pelo blog maternar e falei a respeito da minha frustração. Um tempo depois, eu que sou insistente demais, liguei e consegui um retorno do hospital… falando que a sala tinha “reaberto”. Estava tudo certo, ganharia o meu Enzo naquela sala e naquele hospital !

Fiz acupuntura, moxabustão, exercícios de Naoli, compressa do quente e frio, luz e música, longas conversas em baixo do chuveiro, sentada numa banqueta e pesando 81 kg… Pedindo para ele virar… Fazendo massagens na barriga… Mostrando para ele a direção… E quantas manhãs não fiz daimoku com o objetivo de que o melhor acontecesse para nós …

Marido engravidou junto comigo, mas não podia sentir e nem entender certos sentimentos que eu tinha. E eu sabia desde o primeiro dia, e das primeiras ultras, que meu pequeno seria pélvico, acreditem ou não… Eu tive sonhos, e sinais… E sabia que apesar das tentativas, nosso pélvico não queria -ou não podia- virar. A partir daí longas leituras de madrugada sobre os pélvicos, todos os vídeos de parto mais lindos -de pelvico- e até mesmo o aluguel de EPI-NO.

Tinha espaço?! Sim.
Tinha muito líquido ?! Sim.
Ele era um bebê macro?! Não!
Mas ele não virava… E eu precisava entender isso. Aceitei ! Ele PELVICO e NATURAL !

Minha gravidez foi embalada por uma música do Alceu Valença… O refrão dela diz: “Eu já escuto teus sinais”…
Prometi escutar os sinais e respeita-los, mesmo quando foge do esperado.

Chegaram às 38 semanas, uma insana semana, com mudança de casa e organização das coisas com um barrigão enorme e com aquele cansaço físico, mas com uma vontade de louca de organizar tudo para receber o meu pequeno ! Caixa atrás de caixa, sacos e sacos de mudança… Uma semana “punk”. Trabalhando e arrumando bagunças.

No trabalho comecei a sentir contrações fortes. Que me faziam parar o que estava fazendo. A Natalia, minha prima, ria e se desesperava, queria ligar pro Márcio e eu não deixei, liguei para obstetra e disse que as contrações estavam fortes mesmo, como a própria obstetra constatou após um gemido meu… Liguei pro Márcio, que foi me buscar, já chorando claro… Emocionado !

Eu não podia chorar. Fiquei tentando ser forte e pensando “ainda pode demorar muito”, fui pro chuveiro, tentei dormir… Mas as dores aumentavam, ficavam mais intensas e menos espaçadas. Liguei pra parteira, ela mandou a back up para me examinar. E até a querida back up, achou que era TP ! Estava lá, contrações de 5 em 5 minutos e 1 dedo de dilatação ! Eu tava com dor, mas estava feliz ! Queria que demorasse mais um pouco, mas estava pronta !

Foram 3 dias em prodromos, mas não entrei em trabalho de parto…

Eis que chego na 40 semana, e sempre acreditei que não passaria disso. A data se aproxima e eu não sinto medo, nem dúvida, só alegria. Mas aí vem um ultra e me diz que meu Enzo não está mais pélvico completo… E sim pelvico incompleto. Ao invés do bumbum se apresentar primeiro, o pezinho se apresenta primeiro. Mas tudo bem, dá tempo dele ficar numa posição mais favorável durante o trabalho de parto. Vamos esperar ! Pensei…

E dá-lhe acupuntura, sexo, comida picante, dança e caminhada para acelerar o TP.

*Pausa: Desde o começo, nós e a equipe, conversamos sobre os riscos de um PELVICO. E sobre limites e segurança. Nosso objetivo era não deixar que se tornasse uma emergência e um sofrimento desnecessário. O combinado era acompanharmos a evolução do TP

Chegando próximo das 41 semanas, precisei fazer cardiotoco de rotina… Todo mundo sabe que esses exames demoram para conseguir marcar, lá vai eu para o hospital … Pronto socorro é aquela precariedade de atendimento, seja ele público ou particular. Sempre vai ter o cesarista plantonista e as enfermeiras folgadas. Me questionaram do pq eu ainda estava grávida com 40 semanas (?), e me questionaram do porque “esperar” se o bebê estava pelvico. E daí foi… Bullying atrás de bullying. Cardiotoco perfeito.. Liberados após 4 HORAS de discussão e espera!

Outro dia, pressão familiar em níveis alarmantes. Gente chorando, brigando, discutindo… Pra que esperar se ele não está numa posição boa e se já “passou do tempo”?! Escutei isso tantas vezes, que enjoei de responder ! Eu queria esperar o tempo dele, e seguir os sinais dele. Era isso que havíamos combinado !

Mais uma consulta de rotina, e o medo de não entrar em TP ! E lá estava o mesmo dedinho de dilatação, mas com um porém… Dava pra sentir um pezinho do pequeno! Conversamos muito, não dava para induzir. E decidimos esperar mais um pouco…

Chego nas 41 semanas… Contrações sem ritmo, com intervalos longos, muito chuveiro, muita caminhada, muita conversa com ele, muito carinho na barriga… E muita dor ! Sentei e fiz Daimoku… Lembrei que respeitaria os sinais dele. E não foram poucos os sinais… Ele me dizia o tempo todo que não podia virar… E quando aceitei ele PELVICO e natural, ele me surpreendeu, colocando o seu pezinho na frente e chegando na 41 semanas, sem entrar em TP ! Como já havíamos combinado em muitas outras consultas, não deixaríamos que virasse uma urgência e nem um sofrimento. Além da posição não favorável, tive outros motivos pessoais e algumas peculiaridades que me levaram a conversar com a equipe e ser orientada.

Ir para o hospital e aceitar a cesárea, foi a decisão mais difícil da minha vida. Eu me olhava no espelho e chorava… Meu coração me dizia que era o melhor, mas, eu tinha medo. Medo do hospital, medo da cirurgia ! Chegando lá, eu não me contive. Me ver ali naquele espaço, era quase um retrocesso. Mas, eu mesma havia estabelecido limites de segurança… Que podem sem variáveis de acordo com cada pessoa, mas que era o limite para mim !

Eu esperei até onde eu achava que era seguro esperar, fiz de um tudo para ter um parto natural e humanizado. Mas a cesárea existe para me atender ! Afinal… Eu faço parte dos 5% de indicações…

Quando entrei no quarto onde eu ficaria, nem conseguia mais falar… Estava com tanto medo que eu só tremia. Enquanto o anestesista do hospital, lia o meu plano de parto (sim, aquele lá que vocês deram risada), se comprometendo em seguir com o planejado, vinha uma nova contração… E eu sabia que ele estava preparado para nascer.

*Pausa, nesse momento uma outra gestante que também aguardava anestesia me disse “nossa, porque ele explicou o princípio ativo para você ?! Para mim ele não disse nada. Então ali plantei a sementinha da informação compartilhada… Falei sobre o que era Plano de Parto e ela me disse “que legal, na minha próxima gravidez vou fazer um” ! *

Minha equipe chegou…
Eu ainda não conhecia o Jairo pessoalmente (neonatologista que eu escolhi), mas assim que ele chegou, foi tão acolhedor, deu a mão pra mim e disse “Oi Daiane, e esse neném ai?! Vamos fazer ele nascer natural ?! Hahaha.”

E foi o único momento em que eu consegui dar risada. Ele apertou minha mão e disse “Fica calma, você fez de tudo “.

E não soltou mais a minha mão. Sempre carinhoso e atencioso…

A obstetra chegou também, Camila… Minha querida, ganhei mais carinho e mais atenção. Me passou segurança ! Me disse “vai dar tudo certo”. Afinal, estávamos falando de uma cirurgia. Lógico que eu sentia medo ! Me fez tanto carinho… Sorriu pra mim ! E então me senti melhor…

*Nesse momento, eu olhei para as outras mulheres que aguardavam anestesia e senti uma certa culpa… Elas estavam no mesmo barco que eu ! Todas faríamos uma cirurgia, mas, não vi ninguém indo falar com elas, acalma-las… Os plantonistas só passavam para conferir quem era quem… Me cortou o coração… Um momento como esse, mesmo sendo altamente tecnologico, poderia ser mais humano se a equipe do hospital tivesse mais tato…*

O resto é história conhecida… Centro cirúrgico, um monte de aparelhos, aquele cenário hospitalar do qual eu tanto temia e temo. Eu tinha equipe, isso me facilitou um tanto… recebi carinho o tempo todo. Mas aquilo ali não era fácil… Toda cirurgia acaba sendo um tanto quanto violenta… Sentir algo cortando seu corpo, mesmo que não sinta dor, é estranho.

Os cortes terminaram, a Camila tirou meu Enzo de dentro e eu pensava “meu filho, me perdoa se eu tiver tomado a decisao errada”. De repente, ouço a equipe chamar o Márcio para ver, e o Jairo me preparar para pegar o meu pequeno. De repente, me vem meu filho… Cheio de vernix, sangue e líquido amniótico… A via de nascimento foi outra, mas pude ver meu filho, feito minha cria do jeito que eu sonhava. Ele com o cordão ainda conectado a mim. Veio pro meu colo, chorou, mas um choro mais calmo… O Jairo colocou ele no meu peito, mamou na primeira hora e só saiu do meu colo para ir pro colo do pai.

Notas de APGAR : 9 e 10.
Não teve colírio- nitrato de prata.
Não manobraram meu filho de maneira brusca.
Não cortaram o cordão antes de parar de pulsar.
Não deram banho no meu filho, apenas após 24 horas de vida e dentro do quarto, com auxílio do pai.
Não teve aspiração das vias nasais.
Não passou pelo berçário, ficou o tempo todo comigo e com o pai. Mesmo na recuperação anestésica, pude ficar com meu bebê !

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Isso não seria possível se não fosse a minha equipe, atendimento humanizado é isso. Possibilitar as mulheres que mesmo através da cesariana, tenham contato pele a pele e seus outros direitos respeitados !

Meu objetivo não é idealizar o parto cesáreo. De qualquer maneira, trata-se de uma cirurgia de médio porte. E cuidar de um RN, sendo primigesta, longe da família, sem saber amamentar direito… Estando recém operada não é fácil ! E nisso não tem equipe humanizada que consiga interferir… Os antibióticos e analgésicos baixam a pressão, usar o banheiro é difícil e se olhar no espelho após alguns dias é assustador. Dar risada, tossir, abaixar, deitar, sentar ou levantar é tarefa para mulher muito corajosa.

Muita gente acha que a cesariana não dói, mas dói sim. Passei por ela devido à necessidade, pois embora comum, ainda estamos falando de um procedimento cirúrgico. Bato nesta tecla, pois não deve ser banalizada do jeito que está !

Minha luta sempre foi para que a mulher tenha informação e para que o nascimento retome sua essência e seu protagonismo . Que a cada dia as mulheres sejam informadas e as cesarianas ocorram apenas quando bem indicadas.

Por mais equipes humanizadas em todos os campos.

Agradeço a equipe Commadre por me respeitar e me informar !

Agradeço as dicas, conselhos e consultas da querida Thais, que me acolhe e é de longe, uma mulher honesta, firme e apaixonante.

Agradeço as acupunturas e terapias de casal, da querida Ana. Nunca quis fazer acupuntura, depois que te conheci, da vontade de fazer toda semana. Um ser de luz, literalmente.

Agradeço a Camila por ser uma obstetra de verdade. Trabalhar com ética, amor e respeito. Respeitando os limites, e o protagonismo da mulher, informando e sendo tão doce e querida !

Agradeço ao Jairo, por respeitar meu filho e tratá-lo com carinho ! E por responder todas as nossas mensagens -quase diárias- de pais de primeira viagem. Acertei no pediatra !

Agradeço ao Commadre pelo excelente trabalho social. Que envolve amor, carinho e respeito. Se toda a mulher pudesse buscar um refúgio, sendo mãe ou não, aposto que o Commadre seria um bom espaço acolhedor !

Agradeço as minhas amigas, Tatiane,Simone e Natalia, por entrarem no mundo da gestação junto comigo. Mesmo sem ser mãe, mesmo sem muito interesse, mergulharam de cabeça e agora são expert no assunto ! Obrigada por me amarem e amarem meu filho ! Eu também amo vocês !

Obrigada a Lucia (mãe da Stéphanie e da Isa ), por me visitar todos os dias pela manhã (horário que ninguém vai) na maternidade, me ajudando e me oferecendo socorro, agora que estou em casa. Se não fosse ela, eu não teria amamentado direito na maternidade. Obrigada !

Obrigada a minha mãe, por ser minha força… Meu refúgio. Por chorar junto comigo. Por me ajudar a preparar minha casa para receber nosso Enzo, e por respeitar a minha vida e os meus espaços. Amo você ! Agora é avó … Espero que meu filho procure sua casa sempre, como eu procuro , para se reestruturar e equilibrar !

Obrigada a minha família toda, por serem tão amáveis e tão bons, em especial ao meus tios Guga e Flavia por também nos ajudar a deixar a casa pronta ! E emprestar o filho de vocês para me ajudar sempre que preciso, né Wallace?! Obrigada !

Obrigada a família do Márcio, meus cunhados que são super coruja com o pequeno, em especial a Juh e a Yuri (que me ajudam muito, e me presentearam com o melhor presente para uma puérpera: uma almofada de amamentação. Obrigada a minha sogra, que é super avó e está me ajudando e me deixando ser protagonista da vida do meu filho ! Gratidão ! Meu sogro, pelos banhos que tem dado no meu bebê, e todo o apoio !

Obrigada Patricia Gouveia Barreto, por espalhar a semente que chegou até a Aline, e depois até mim ! Graças a você, conheci o Commadre e montei a equipe ideal.

Obrigada Denise, por se voluntariar para ser minha doula. Gratidão pelas mensagens trocadas no whatsapp. Na próxima, já sei quem vai ser minha doula !

Obrigada ao Grupo Gaia, do qual a querida Talita, me apresentou e incluiu. O grupo mais acolhedor e informativo do facebook. Conselhos impagáveis os que eu adquiri no Gaia. Gratidão ! E obrigada a todos os grupos e páginas voltadas à informação verdadeira e de qualidade!

Obrigada a todos os amigos facebookianos, e da vida. Que embora não mencionados aqui, sabem que fazem parte a cada curtida, comentário, inbox ou visita ! Não da para mencionar um por um, mas agradeço a todos de maneira geral. Gratidão !

Agradeço a Mara, que me deu aula de yoga e me ensinou a me conectar em silêncio com meu pequeno e a relaxar. Obrigada querida !

Agradeço também a todos que foram nos visitar na maternidade, em especial uma visita que me emocionou muito da querida Ana e querido Daniel Que me acolheram no projeto guri e na orquestra ! Professor, homem, amigo e exemplo de cidadão ativo. Obrigada por me visitarem, não pude conter a emoção ao ver vocês entrarem naquele quarto. Não esperava receber ainda hoje, tanto carinho de pessoas tão importantes e maravilhosas. O Arthur tem pais maravilhosos e não tenho dúvidas que será um homem maravilhoso também ! Gratidão !

Obrigada a todas as amigas gestantes e mães que também foram importantes nessa jornada, as que aprenderam algo comigo e as que me ensinaram algo também. Que continuemos compartilhando conhecimento e informação… Força no puerpério e feliz lua de leite para vocês (Danielle, Nathalia, Katia,Bruna ,Mariina Miranda, Gabriela)

Agradeço a Nivea, pelas trocas. Trocamos conhecimentos e reflexões, isso é algo impagável ! Obrigada pelas mensagens compridas e por me relatar sua experiência, ela serviu muito para mim. A Sayuri é afortunada…

E por último… Obrigada meu amor, Marcio … Esse do qual o puerpério as vezes afasta, mas que me compreende de todas as maneiras. Obrigada por esse filho e por essa vida. Não imaginava que seríamos tão parceiros assim… Estou na sua vida para te ajudar e te amar, e você está na minha para me amar e me recuperar… Sempre ! O melhor integrante da minha equipe é você. Estamos frágeis ainda, nos abalando com os palpites que vem de fora, mas fico feliz por quando estarmos a sós, nos desintoxicarmos do exterior e nos conectarmos. Você é o homem do qual eu cito sempre que questionada sobre o que é construção, estamos nos construindo e aprendendo a caminhar. O interessante é você nunca soltar minha mão… Eu te amo, amo nosso filho, amo nossa casa, amo nosso amor !

A militância pelo atendimento humanizado e maternidade consciente, continuará ! Sem calar nenhuma mulher e sem desvalorizar sua vida: Antes eu julgava, hoje eu compreendo !

Agora minha jornada segue no puerpério, amamentação exclusiva e sob livre demanda, criação com apego e sem dependência, cama compartilhada e Alimentação BLW.

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No fim deste relato o que percebo é que a maior parte dos agradecimentos foram voltados para as mulheres. Este filho veio para me ensinar muitas coisas, entre elas, a preservar o sagrado feminino. Gratidão por tantas mulheres na minha vida …

É isso !
(PS: Demorei 9 dias para conseguir escrever, só pra vocês terem noção)”

Relato gentilmente cedido por Daiane Oliveira

Relato de parto de Madruxa Odara

Relato de parto de Madruxa Odara, realizado no HMIB de Brasíli, DF

“Meu filho nasceu com 42 semanas. Cheguei na casa de Parto com 7 cm de dilatação. Fiquei surpresa porque eu nem sabia que estava dilatada. Eu também não sabia que a Casa de Parto em São Sebastião não aceitava mulheres com mais de 41 semanas. Aí começou a complicar tudo… Fui para o hospital. Meu marido e eu lutamos para ter um parto normal. No HMIB tinha médico dizendo que era eles que decidiam… Lotado de cartazes no hospital que poderíamos comer, beber água e até escolher a posição do parto. Pura Mentira! No fim, o médico novato e as enfermeiras foram muito legais… Não deixei o médico fazer a episio e meu marido de olho, caso contrário eu sei que ele dava um soco no médico. Estava ciente de tudo… Mandei meu marido ficar de olho para só cortarem o cordão umbilical no momento certo.
Fiquei muito tempo com o meu filho nos braços e o pediatra lá com cara de pastel… Tomei aquela coisa do cão da ocitocina, o efeito foi de 30 minutos para entrar no expulsivo, mas na minha cabeça foi uns 15 minutos. Eu ficava no hospital rebolando. Comia escondido, bebia agua escondido.

Apesar de tudo, meu parto foi lindo. O médico disse que meu parto foi de cinema. Ele não deixou que a médica me cortasse. Ele esperou, mas mesmo assim eu fiz força e dilacerei um pouco, como medo deles não esperarem e me cortarem.. Meu parto foi uma luta, mas no fim deu tudo certo, o médico que apareceu foi o melhor possível para aquele momento. Meu marido viu elogiarem ele no corredor, dizendo: “Parabéns, parto humanizado”. Só que não foi um parto humanizado. Foi um parto sem episio! De qualquer forma, eu senti todos os benefícios do parto normal e da ocitocina…. O que eu senti quando pari? Não consigo definir…. Alegria demais!!!

Meu filho é Lindo! Ah, tava esquecendo de comentar, cheguei a 9 cm de dilatação sem sentir nada. Talvez eu não sentisse nada se não fosse a ocitocina. Como não posso ter tal certeza. Vou tirar essa dúvida no meu próximo parto.
Nasceu dia 29 de dezembro de 2013, às 14h45, Brasília. Sol em Capricórnio, Lua em escorpião, ascendente em Áries-Touro.”

Madruxa Odara

relato gentilmente cedido por Madruxa Odara

Parto domiciliar Bianca e Alice

Relato de parto domiciliar de Bianca Alves Marquetto, na cidade de Barretos, SP, Com Obstetriz Arielle Matos.

“Tenho 18 anos, mãe jovem de primeira viagem, taxada como louca por querer um parto normal. Desde que eu comecei a me afundar no mundo da humanização dos partos, comecei a entender mais dessa luta do “parir” em um pais onde os índices de cesáreas são gritantes, de cada 100 bebes que nascem, 84 são cesarianas. Poxa sera que alguém perguntou ao bebe se ele estava pronto para nascer? Decidi que não era isso que eu queria para mim e para minha filha, queria que fosse no momento dela, no tempo dela! Então comecei a me preparar para que isto fosse possível, eu devorava tudo que se relacionava a esse assunto, passava as tardes assistindo partos, me emocionando e mentalizando o meu, lia artigos, relatos, comecei a seguir paginas e paginas sobre o assunto, participar de inúmeros grupos no face e me relacionar cada vez mais de perto com este mundo,conversando com mulheres que entendiam da causa, e lutavam pelo mesmo fim. Aquela infinidade de imagens linda de mulheres empoderadas, divas enfrentando a dor, o choro, a lágrima, o suor, divando, fazendo possível o nascimento por meio natural de seus filhos. Nascer é divino! Mas parir, bom isso já é outro assunto!
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A verdade é que as mulheres perderam a fé nelas mesmas, elas não acreditam na força que tem, na garra e na capacidade que tem de parir, a verdade é uma só, a natureza sabe fazer seu trabalho, a gente só precisa se entregar a isso. Claro que não é nada fácil, e eu só fui entender isso quando foi na minha pele, cheguei a ficar ate confusa, tipo “ cade a calmaria que aquelas mulheres tinham naqueles vídeos?” Dói e dói demais. É preciso de muita conexão consigo mesma, e com seu bebe, a partolandia vem, e vem com vontade, ela não pede licença, quando se entra em trabalho de parto, quase sempre vai ser tarde para voltar atrás e nem compensa, quando já se venceu tudo que foi preciso para chegar ate ali, então vamos parir!
Durante minha gestação, troquei de GO com 33 para 34 semanas de gestação, simplesmente porque eu sabia que se continuasse por aquele caminho com certeza acabaria em uma sala de cirurgia fazendo uma cesárea, e não era mesmo isso que eu queria. E bom a melhor decisão que tomei foi essa, a minha nova medica era uma amor, uma japonesa calmaria em pessoa, toda vez era uma historia nova que rendia minhas consultas, ela vivia me contando relatos que ela acompanhou, era adepta de parto normal ainda e de domiciliar também, pode acreditar, ainda existe esses anjos!
Meu sonho era o parto domiciliar, com piscina inflável, doula, parteira, musica calma e muita fé! Todos surtaram, não entendiam essa possibilidade, tinha medo.Por um milagre divino eu já havia conseguido arrumar toda equipe para assistir meu parto, era só esperar. Porem foi preciso abrir mão, supostamente estava decidido que eu iria parir pelo SUS. Eu estava morrendo de medo, devido todas intervenções e violência obstétrica que já havia ouvido falar, ninguém entendia isso, só diziam que eu precisava ficar calma, no fim já nem sabia mais se todo o conteúdo que eu havia buscado estava sendo bom, porque eu estava com medo, com muito medo.

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Com 40 semanas e 7 dias o grande dia chegou, já não aguentava mais de tanta ansiedade, as 2:15 da madrugada do dia 1 de fevereiro meu tampão desceu, falei para meu namorado que não demoraria, provavelmente de domingo não ia passar. Ficamos acordado até as 4 horas pra assistir a luta do Anderson Silva, triste decisão, me arrependi muito por não ter ido descansar. A cinco da manhã as contrações começaram a vir de 30 em 30 min, como estava com muito sono, conseguia dormir entre uma contração e outra, as 7 horas da manhã se intensificou e começou a vir de 15 em 15, já não consegui dormir mais, levante e fui andar pela casa, quando eu vi que ia engrenar mesmo, comecei a arrumar as coisas, em meio ao choro arrumando o berço da minha princesa e colocando as ultimas coisas na mala. Fui para o chuveiro para ver se aliviava, as 8 hrs as contrações já estavam vindo de 5 em 5 minutos. Meu namorado começou a ficar receoso quando eu comecei a ajoelhar ao lado da cama a cada contração, quase chorando, queria que fôssemos ao hospital, eu não queria porque sabia que demoraria bastante tempo ainda, foi quando eu acabei vomitando devido a intensidade das contrações. Fiquei preocupada pois minha medica não havia me dito que isso podia acontecer, então eu aceitei ir para o hospital.
Um pouco antes eu havia mandado mensagem para minha parteira e também em um grupo de apoio a parto normal que eu faço parte, eu precisava de algum incentivo naquele momento, estava com medo de acabar fraquejando devido a dor. As meninas começaram a se mobilizar, me auxiliando e torcendo por mim, não consegui mais acompanhar o que acontecia, fomos para o hospital.
Chegando lá me colocaram em uma sala pré-parto sozinha, ninguém pode entrar comigo nem minha mãe, fui um terror, minha única distração era algumas pombinhas que eu conseguia ver pela janela, que mais tarde a enfermeira fechou, vez ou outra alguma enfermeira entrava mexia em papeis e saia, ninguém nem ao menos perguntava se estava tudo bem, minha vontade era sair correndo de la, e correr para o braço de alguém, e confesso que ate cheguei ir ate a porta varias vezes, mas sair de lá não resolveria em nada, isso só faria com que me maltratassem mais tarde. Aquilo parecia um filme de terror, tendo que lutar contra as dores, sozinha sem saber o que aconteceria mais tarde, queria desesperadamente meu chuveiro, aquela água quentinha, um abraço, e o auxilio de alguém.
Bom não sei ao certo quantas horas fiquei esperando ate que o medico chegasse, se eu já estivessem em fase ativa, bem provável que as enfermeiras que teria tido que fazer meu parto, já que o medico chegou apenas horas depois, duas ou três. As enfermeiras me mandaram vestir uma camisola e com a maior grosseria me mandaram deitar em uma maca de barriga pra cima que o medico faria o toque em mim, eu não conseguia ficar naquela posição porque doía demais, a enfermeira me segurou e mandou eu ficar com a perna dobrada e aberta. O medico fez o toque que doeu muito, muito mesmo, disse que minha dilatação estava só começando que eu podia voltar pra casa. Que alivio, aquela foi a melhor noticia que eu podia ter recebido.
Quando encontrei meu namorado novamente ele disse que a Arielle, minha parteira estava preocupada comigo, pediu pra que eu ligasse pra ela. Que alivio quando ouvi a voz dela, sério, eu só precisava de alguém que me apoiasse naquele momento, e ela havia me acompanhado, sabia das minha dificuldades. Acabou sendo decidido que ela viria ficar comigo, graças a Deus, não sei o que teria sido da gente sem ela ao nosso lado.
Era cerca de 11:30 ou 12:00 quando foi decidido que ela viria, ela deu uma hora e meia para estar na minha casa, pediu para que eu tentasse descansar. O que era meio impossível já que as contrações não davam mais trégua, uma atrás da outra, de 3 em 3 minutos, era como se mal acabasse uma, já vinha outra. Tentei seguir os conselhos da Arielle, deitei na minha cama, procurei relaxar e me entregar aquele momento, coloquei a playlist que havia preparado para rodar e liguei o climatizador bem na minha cara, parecia que era quase possível dormir, eu estava exausta, queria que aquilo acabasse ali, por momentos infindáveis pensei em desistir, cheguei a entrar no quarto da minha mãe chorando, dizendo que não aguentava mais, que queria ligar para minha medica, cheguei a pedir ate pela cesárea temida, e minha mãe “ você aguenta”.
A cada contração eu urrava, sério mesmo, gritava e gritava muito, pra valer, as vezes colocava o travesseiro na cara e minha vontade era atravessar ele. Eu esmurrava minha cama, minha vontade era de quebrar tudo. E eu agradeço muito por ter ficado sozinha naquele momento, talvez na companhia de alguém eu não teria conseguido me entregar daquela maneira, e as pessoas não entenderiam, talvez me amarrassem e me levasse para o hospital, minha mãe foi a única que acompanhou mesmo tudo de perto, e agradeço mais ainda pela força que ela teve, respeitando meu momento, vez ou outra ela entrava no meu quarto, meio perdida, perguntava se eu tava bem mesmo, se não queria ir para o hospital. Cara a única coisa que eu pensava era “Deus me livre daquele pesadelo, mil vezes sofrer sozinha aqui no aconchego da minha casa do que naquele lugar.” Teve uma hora que eu lembrei de uma gata que tive, quando ela ia parir, a pobrezinha ficava andando pela casa toda miando, um miado doido, eu mal podia imaginar o que ela estava passando, como no texto acima, é exatamente a mesma coisa, é simples a lógica, aceita que dói menos, somos mamíferos, somos animais, e ainda mais na hora de parir. E no final tudo que cruzar seu caminho naquele momento você vai se agarrar, me agarrei ate nas musicas, teve um momento quando consegui me concentrar em uma das musicas, porque no fim das contas se eu consegui ouvir uma ou duas foi muito, falava assim a letra: “Tem vez que as coisas pesam mais, do que a gente acha que pode aguentar, nessa hora fique firme pois tudo isso logo vai passar!” É isso eu precisava ser forte, eu precisava vencer a dor, eu precisava ir ate o final, então decidi ir para o banheiro novamente, até que a Arielle chegasse.
Bom foi ai que entrei mesmo na partolândia, perdi totalmente a noção de tempo, lembro que a Arielle chegou e foi como se eu tivesse visto um anjo na porta do meu banheiro, engraçado como eu nunca havia visto ela pessoalmente, mas era como se a conhecesse desde sempre, foi um conforto, um alivio, uma paz tão grande ter ela aqui, eu sabia que agora estava tudo bem, que com ela ali eu não desistiria, ela não deixaria eu desistir. Pedi pra ela fazer o toque em mim, eu precisava mais que tudo saber com quanto de dilatação eu estava. E pra sair daquele chuveiro, misericórdia, era um passo eu queria voltar, a dor era muito forte, eu mal conseguia andar, só queria ficar ali sentada, quieta, mas era preciso, precisava medir o batimento da Alice também, precisava saber se estava tudo bem, então foi, pouco a pouco, entre um intervalo e outro consegui chegar ao meu quarto. Foi quando a Arielle me deu a melhor noticia do mundo, eu já estava com 9 cm, na minha cabeça 4 cm era muito, quando ela falou 9 foi como se eu tivesse ouvido você ganhou na loteria, sério uma nova força me invadiu, ela disse que não dava uma hora e meia até que ela nascesse.
Voltamos para o chuveiro ai perdi a noção de vez de tempo, espaço e tudo o mais, a Arielle ali me confortando, de repente meu namorado chegou, e minha mãe andando pela casa, lembro de ver vez ou outra eles algum deles na porta, meu namorado tentou filmar e fotografar o que ele conseguiu, quando o mal estar não atrapalhava, eu entendo ate, quando assisti os vídeos, acho que teria ficado exatamente como ele, eu chorando e gritando, e ele sem poder fazer nada.
Minha bolsa rompeu, foi muito mágico, parecia uma bexiga caindo no chão, foi então que a Arielle me disse para eu avisa-la quando sentisse vontade de fazer coco. Não demorou muito, eu fiquei assustada, era como se eu estivesse com uma diarreia terrível. “Arielle to com vontade de fazer força” ela com toda calma do mundo “Então faz, faz o que o teu corpo pedir” foi quando minha mãe apareceu com meu vestido pedindo para irmos para santa casa, mas era impossível eu sair dali, eu mal consegui ir ate meu quarto, como conseguiria ir ate o carro e aguentar ate chegar ao hospital, eu só pensava no aconchego daquela água quentinha.
A Arielle estava comigo, me perguntou se eu queria ir, disse que não, ela tentou intervir por mim, e pediu pra que respeitassem minha vontade. Veio mais uma contração, mais vontade de fazer força, era muito loco, a vontade é incontrolável, totalmente involuntária, a Arielle me apoiando, disse que se minha vontade fosse ter ela ali, então ela estaria comigo, claro que todos ficaram aflitos, aquilo parecia loucura, não para mim e para a Arielle. Minha mãe ligou para ambulância e foi para o portão esperar, eu estava exausta queria deitar, sentar, sei la, estar confortável em algum lugar, a Arielle me disse então que em pé a gravidade ajudava, então borá la, vai ser em pé mesmo, lembro que minha sogra apareceu na porta quase chorando, e de repente um monte de gente entrou na minha casa, a ambulância chegou e nisto a cabeça já estava pontada, não havia mais como andar, se andasse todo o esforço seria em vão, o bebe voltaria para dentro, então foi ali mesmo, com uma perna dobrada apoiada sobre o banco, uma mão segurando no porta toalha e muita ocitocina.

Nasce as 14:50 minha princesa, a Arielle colocou ela nos meus braços e eu só conseguia chorar, estava meio sem forças nos braços, ela toda molinha cheia de sangue, escorregando, eu abracei ela e chorei, chorei e chorei, eu não acreditava no que havia acabado de acontecer, eu havia conseguido, a dor havia acabado, que gloria. A Arielle cortou o cordão e equipe levou a Alice para ser examinada na ambulância, minha casa esvaziou, foi todos atrás da neném e eu fiquei ali sozinha com a Arielle novamente, eu queria sei la, encher aquela anja de beijo, pedi um abraço, toda molhada e cheia de sangue e mesmo assim ela não me negou, a emoção não cabia em mim.
Sai andando pela casa com o cordão pendurado, a placenta começou a pesar dentro de mim, doía muito, me deitaram na maca e me levaram para a ambulância também, me neguei olhar para minha rua, com certeza deveria estar a rua toda assistindo. Na ambulância a enfermeira colocou a Alice encima de mim, meu Deus que emoção, ela bocejando, querendo dormir, acho que nem havia se dado conta que nasceu. Pedi para q a enfermeira tirasse minha placenta porque eu estava com muita dor, foi aquele alivio quando saiu, ai eu louca mesmo perguntei o que ela faria com a placenta, se jogaria fora, ai rindo alto lembrando tudo isso, eu naquele momento todo, em meio a todo aquele tumulto comecei a pedir uma folha porque queria fazer a impressão da placenta. A Alice foi no colo da enfermeira, eu ali vendo ela o tempo todo, chegamos ao hospital, levaram ela para tomar banho e eu fui tomar ponto. Eu pedindo a folha incessantemente, a enfermeira me arrumou e eu peguei aquele negocio cheio de sangue coloquei na folha e fiz meu namorado ficar andando c a folha ate secar, tadinho, as pessoas olhando para ele como se ele fosse estranho. Fiquei ali com a mão cheia de sangue, toda molhada, me deixaram tomar um banho antes de ir tomar ponto, que alivio, eu sentia um vazio grande por dentro, era como se meus órgãos todos houvessem decido, doía um pouco, dava falta de ar as vezes, e a enfermeira ficava me perguntando as coisas, eu mal conseguindo conversar. Quando o medico chegou, o mesmo que havia me examinado de manha, ele olhou para mim parecia bravo, com desde ele disse: “ É parabéns, você não precisa de medico!”, me examinou e disse que precisaria dar ponto , me levaram para sala de parto, e parecia que era pra me torturar, me deixaram ali um tempão com a perna aberta, ele andando pra la e pra cá, mexendo em papeis, eu perguntando se daria anestesia e ninguém me falava nada, e pra variar eu sozinha, querendo chorar. Doeu muito pra dar ponto, a anestesia foi um horror de doida, mas seria pior sem ela, com certeza, fiquei ali chorando as vezes murmurando pela dor, até que acabasse, não sabia nem que sentimento estava sentindo, se era de alivio por minha pequena não ter nascido ali, naquela sala, com aquele medico, se era de dor, ou por estar sozinha, mas no final é assim, a solidão é até produtiva.

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Bom tudo passou, eu consegui, venci o sistema, venci a dor, o medo, a solidão, e todo resto, minha princesa nasceu com 3.550kg e 50,5cm. Quando se passa por esta experiência não há como continuar sendo a mesma pessoa com a mesma cabeça, a dor faz a gente amadurecer anos em horas, e posso ate arriscar dizer que nos da uma injeção de força para tudo que vira, ser mãe não é fácil, gestar, parir e criar, nenhum destes processos é fácil, mas no final vale a pena, a cada sorriso, toque, sentir o cheiro, abraçar aquele serzinho, é como se não houvesse mais nada que importasse a não ser ver este pedacinho de gente bem. É isso nascer é divino, mas parir é mesmo animal! Em sua mais pura realidade, agora todos me perguntam se eu passaria por tudo isso novamente, bom daqui uns bons anos, posso dizer que sim, não consigo dizer que 100 vezes como algumas mulheres dizem, mas outra vez eu me arriscaria nessa incrível experiência, no final a partolandia é pura brisa, tanto hormônio correndo na veia, valeu a pena!

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Obrigada mais uma vez a Arielle e a talita e a cada uma de vocês do grupo Gaia, pelo apoio, pela torcida, informações, orações, energia positiva, vocês fizeram que meu sonho fosse possível, junta a vocês eu venci tudo isso!”

Relato gentilmente cedido por Bianca Alves Marquetto

Relato de parto Poliana e Gael

Relato de parto domiciliar Poliana e Gael, realizada em São José do Rio Preto, com parteiras Lucélia Caires e Amélie Lecorné e doula Nathalie Gingold:

“Demorei um pouco para conseguir organizar as ideias e relatar sobre o dia 14 de outubro de 2014. Hoje, três meses depois, consigo raciocinar e escrever melhor sobre o nosso dia, meu e do Gael.
A decisão de viver um parto domiciliar se deu no último trimestre da gestação. Mesmo com a sugestão de uma querida amiga (Camila Marcelino) no início da gravidez, ainda tinha dúvidas. Dúvidas que foram sanadas com o tempo, com pesquisas, com conversas com profissionais, com mulheres mães, com senhoras que tiveram seus filhos em casa e com as mães do grupo Gaia.
Ao ver vídeos e depoimentos de nascimentos de bebês no hospital (natural ou cesária) e em domicílio, percebi que a melhor forma de receber meu filho neste mundo, seria em casa, no nosso canto, sem pressa. Compreendi que mãe e filho, ao nascerem, só querem se abraçar, se acalmar e iniciar essa nova vida, juntos.
Dizem na medicina, que o primeiro minuto de vida é o minuto de ouro, e é mesmo! Nascer não é fácil! O bebê que até então estava fisicamente ligado à mãe, agora é livre, seguirá sozinho por seu próprio corpo. É um choque! Recebê-lo da forma mais carinhosa possível, amparando-o nesse momento tão sensível, para mim, era o melhor a fazer.
Ter tido uma gestação tranquila (considerada de baixo risco) e apoio do meu marido, também foram fundamentais para a minha decisão; para o meu empoderamento, se posso assim dizer. Não me senti poderosa, nem nenhum adjetivo que me vangloriasse. Senti apenas, que estava decidindo ouvir o meu corpo, meu bebê, meu instinto. E assim foi feito.
Encontrar profissionais que acompanhassem meu parto foi difícil. Conheci a Lucélia primeiro. Enfermeira obstetra, baiana porreta e querida amiga, terá para sempre um papel super especial na minha vida. A Amelie foi outro presente de Deus. Enfermeira obstetra, francesa meio brasileira, foi o check mate para que o parto domiciliar se tornasse realidade. Com a equipe profissional formada, segui para o próximo passo.
Combinei que o nascimento do Gael seria no meu pequeno apartamento. O trabalho de parto e a concepção em si, aconteceriam ali. Tentava imaginar como seria o grande dia. Imaginei ter amigas e parentes comigo, fotógrafos e doula, e por fim, achei que iria me incomodar com a presença de muitas pessoas ao meu redor e resolvi resumir a equipe nas enfermeiras, no meu marido e em mim. Acreditei que por estar muito exposta, num momento muito íntimo, não me sentiria a vontade. Grande engano! Primeiro porque não me incomodei um segundo se quer com a observação de ninguém. Sinceramente, esse tipo de preocupação não pertence a uma mulher que está tendo um filho. Comprei um top para não deixar meus seios à mostra, e só me lembrei dele muito tempo depois. Ri da minha ingenuidade. Segundo, porque de última hora tive uma doula, a Nath, que já conhecia e veio por chamado da Lucélia com minha autorização, e foi fundamental. Ainda bem que ela estava ali.
As contrações começaram por volta das oito horas da manhã. Tinha dormido super bem, levantei, fui ao banheiro como de costume e vi algo gelatinoso que deveria ser o tampão. Falei com meu bebê… chegou o nosso dia…dia tão esperado….vou te ver! Voltei para cama e esperei ter outra contração para chamar o Gui. Tive. Ele correu pegar o celular pra usar o aplicativo de contagem de contrações que há tempos tinha instalado. Estavam de cinco em cinco minutos.
No dia anterior tinha nascido a Laura, acompanhada pela mesma equipe que a minha e o parto tinha sido longo, foram 43 horas e acabou as três da matina. A Amelie, que é de fora, me ligou perguntando se eu sentia que meu parto seria logo, pois assim ficaria em Rio Preto por mais dias. Eu estava completando 40 semanas, mas estava tão bem, que disse que não. Achava que o Gael nasceria mais pra frente, com 41 semanas talvez. Ela foi embora e o Gael resolveu nascer. rsrs
Após verificarmos a frequência das contrações, resolvi avisar a Lu. Como ela tinha ido dormir tarde, escrevi pelo whatsapp: Lu, as contrações começaram…. descanse e quando acordar me ligue. Ilusão minha, ela já estava trabalhando. Me ligou para sentir como eu estava (eu estava ótima) e disse que provavelmente eu estava com uns 2 dedos de dilatação, que assim que acabasse a reunião na qual estava passaria na casa dela, pegaria todos os equipamentos e viria. Combinado.
Ao desligar o telefone mergulhei no meu trabalho de parto. As contrações que até então eram fraquinhas foram se intensificando rapidamente, uma a uma. Deitada na minha cama, me concentrei na minha dor. Estava muito segura, tranquila. Entrei na força daquele momento. Não vi nada e não vi o tempo passar. Só ouvia repetidas vezes a música Madre tierra Madre vida, como um mantra…. e cantava, sozinha no quarto

.

O Gui estava tentando organizar a casa como tínhamos pensado. Colocar música, preparar câmera e abrir espaço para a piscininha, mas hoje lembro que ele estava como uma barata tonta, meio perdido sem saber o que fazer primeiro…. levava o dobro do tempo em cada coisa. rs
Resolvi tomar um banho. Sentia uma dor no quadril, muito forte. Como as contrações eram intensas, tentei ficar ajoelhada….não deu. Voltei pra cama. Lembro-me de ter ido ao banheiro fazer numero 2. E foi como uma dor de barriga. Fiquei aliviada, porque não queria fazer cocô durante o parto, já que era uma possibilidade.
Tudo isso durou quatro horas, e para mim parece que tudo aconteceu em no máximo uma. Quando a Lucélia chegou já era meio dia e eu nem tinha percebido o tempo passar, estava em outra dimensão. Ela chegou e foi como um estalo. Acordei! E aí disse a ela….ou eu sou muito mole, ou o Gael já vai nascer…rs. As contrações ficaram ainda mais fortes, e nesse momento, com 4 horas de trabalho de parto, já estava nua, despida de qualquer vergonha, selvagem com a minha dor.
A Lu fez então o exame de toque e verificou 7 centímetros! Ligou para a Amelie no mesmo momento e recomendou que ela viesse logo, pois meu parto estava evoluindo muito rápido e talvez não desse tempo dela chegar. Com esta possibilidade a Lucélia perguntou se poderia chamar a Nath para ajudá-la. Claro que poderia! Pareceu que ela chegou em dez minutos, mas depois disse que chegou em casa por volta das 13:30. Após a chegada da Lu, comecei a me movimentar, até então só tinha levantado da cama para tomar banho. Não era fácil andar. Andava com ajuda. Me sentia aérea a tudo o que acontecia. Comecei a obedecer ao que diziam. Me pendurei na barra da porta. Os três me ajudaram. Isso foi muito bom, e aliviou um pouco a dor no quadril. De lá fui para o sofá, acho. E logo comecei a sentir vontade de fazer força. Como dizem, parece mesmo uma vontade de fazer cocô, mas diferente..rs A Lu percebendo, disse que era hora de ir para a piscina. Na piscina parece que o tempo parou. Já estava na fase do expulsivo, mas essas duas horas finais pareceram muito mais longas.
Não senti qualquer medo ou insegurança em nenhum momento. Acho que isso é empoderamento né? Mas não foi consciente, foi natural. Não pensei em ir para o hospital, porque sentia que estava tudo indo bem….e a cada segundo, estava mais próximo de então ver o meu bebê!
Nesse momento, dentro da piscina, consegui ouvir que tinha música no ambiente, uma seleção de músicas celtas que gostava. Vi as pessoas, o Gui, a Nath, a Lu! Até consegui me preocupar entre uma contração e outra que já devia ser tarde e ninguém tinha almoçado. Eu comia algumas coisas que me davam, lembro-me de chocolate…. e tinha tomado café da manhã também….mas não sentia fome….estava na FORÇA!
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E então, o Gael foi querendo sair, podia sentir a cabecinha dele, mas ainda estava na bolsa, meio gelatinosa. Me levantei e então a bolsa estourou, acho que eu estava abraçada ao Gui. Saiu um jato de água, como uma bexiga com água que estoura ao cair no chão…. e então pude sentir seu cabelinho….muito cabeludo! Eram os minutos finais do parto. Era tanta força que eu fazia, que as vezes saía um pouquinho de cocô….as meninas me socorriam….por isso que digo que trabalho de doula exige uma doação gigante! Rs… não senti vergonha…não tinha cabeça pra isso…só repetia baixinho para dentro de mim…..vem filho! Vem filho! E ele vinha….
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Gemi e gritei com uma voz que vinha da alma! Não imaginava que gritaria… mas me dava força. E assim, as 15:56, o Gael veio ao mundo! A Lucélia o recebeu gentilmente, pois eu não teria conseguido segurá-lo ao nascer….e então me entregou meu bebezinho lindo, calminho, meu pequeno samurai. Não acreditava que a gente tinha conseguido! Repeti isso umas vinte vezes ao ver o Gael…rs Eu, que nunca tinha sofrido dor na vida… consegui lidar bem com o parto…as contrações não me abalaram….e agora estava ali, com o serzinho que mais esperava encontrar em toda minha vida! Sempre quis ser mãe….amo ser uma! Para mim, esta experiência foi um presente divino! Uma honra!

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Infelizmente o parto não acaba aqui rsrs….achava que a dor tinha ido embora com a chegada do Gael…ilusão. Fomos para uma cama preparada para mim na sala de casa. O Gael me olhava com olhos vidrados….me apaixonei! A Nath colocou ele para mamar no meu seio. O Gui cortou o cordão após parar de pulsar. E a Lu finalizava os procedimentos do parto. Não tive laceração do períneo, o que foi um alívio para mim, mas conforme a Lu, tive um pouco de hemorragia, acabei sangrando mais que o usual para um parto normal. Ela conteve o sangramento com massagens na minha barriga para contrair o útero e com as mamadas do Gael. Parou rápido, ainda bem. E a placenta saiu íntegra logo em seguida. Lembro-me de ficar mentalizando…. contraia útero, contraia….deve ter ajudado.
A amamentação foi necessária naquele momento, mas sinceramente, se eu pudesse adiar, adiaria. Doeu muito. Sempre tive muita sensibilidade nos seios…. e aquelas pegadas do Gael eram uma tortura. Sei que é triste escrever isso, mas a amamentação para mim, desde a primeira pegada até mais ou menos um mês de puerpério foi difícil… exigiu muito de mim….mas valeu a pena! Hoje, segue uma beleza!
Voltando ao parto… a Amelie chegou logo após o nascimento do Gael. Foi o máximo que conseguiu fazer, já que mora há quatro horas daqui. Foi muito bom vê-la. Ela e a Lu conversaram sobre a necessidade de se dar uns pontinhos ou não na pele lacerada…. e decidiram por fazer. A Amélie ajudou nesse momento, e ao todo foram quatro pontinhos (filhos da mãe)… dois na parte superior e dois na parte inferior da vagina. Doeu, mesmo com anestesia local.
Tudo finalizado divinamente… estava tranquila, feliz com o Gui e o Gael ali comigo. E as meninas me autorizaram tomar um banho. Queria muito, mas ao levantar senti fraqueza. Fui devagarzinho ao banheiro, mas ao entrar no box, só consegui dizer…acho que vou desmaiar…rs acordei segundos depois com as três me segurando, abanando….não tinha percebido o desmaio….voltei a mim conversando normal, como se nada tivesse acontecido. Tomei o banho e fui me deitar com a minha cria.
Nisso eu já tinha avisado minha mãe que caiu no choro em mistura de alívio e felicidade. Só repetia graças a Deus, graças a Deus!…e eu digo…Graças a Deus por fazer a natureza da mulher e do nascimento tão perfeitamente, e por colocar no meu caminho pessoas tão sensíveis e especiais.
E assim, ao final de oito horas de trabalho de parto, celebramos a chegada do Gael brindando com um pedacinho de placenta cada um! A priori pareceu uma ideia difícil de conceber, mas com um toque de shoiu, até que não ficou nada mal.. kkkk
Gratidão aos meus pais e irmãs que souberam aceitar minha decisão, ao Gui que me respeitou e me deu força sendo um verdadeiro parceiro de vida, às meninas Lu, Nath e Amelie pelo profissionalismo e carinho imenso comigo, ao grupo Gaia por me permitir conhecer pessoas que me fortaleceram, à Talita, Isa, Nayara e Mariana, que foram doulas também por estarem sempre tão dispostas a me ajudar! Gratidão à vida por este presente!”

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O amor e suas delicadezas

“Sou mãe sozinha de um bebê de quase 6 meses. Percebi minha necessidade em enquadrar o comportamento dele em alguma das fases típicas do seu desenvolvimento. Não que elas não existam. Acredito sim que existem períodos críticos em que nossos bebês precisam de mais atenção. Mas fui, mais uma vez, no fundo do meu lodo, da minha lama, pra descobrir por que a carência dele me incomodava tanto.

Cresci no meio de exemplos de mulheres que não eram amadas. E que não se deixavam amar. Não podia. Mulher tem que ser forte, até mesmo as crianças, viu Heloisa? Não deve chorar com medo de pesadelo e nem pelo machucado que sangra pele a fora. Aí virei mãe. Tentei reproduzir o padrão já estabelecido e tão arraigado da super mãe que não reclama, que dá conta de tudo (mesmo não dando), que não chora (mesmo chorando no banho, pra confundir lágrima com água, sabe?), que ama a cria 24h por dia, 365 dias no ano, que se doa incansavelmente. Convenhamos: isso existe? Até eu não gosto de mim mesma em determinados momentos da vida! Senti-me culpada por querer estar só, por ter que amamenta-lo, enquanto a minha vontade era sair correndo.

Revoltei-me por ser mulher e ter que me ajustar nesse padrão de que mãe doa amor ao filho e esqueci-me de ver que ele também me ama.

Aquarela de Irene Olid Gonzalez

Me ama quando estende seus bracinhos pedindo colo, me ama quando faz bico pedindo colo, me ama quando vira os olhinhos como quem diz: “esse leite é gostoso demais, mãe!”, me ama quando acorda escancarando um sorriso que ilumina mais que o Sol. Ele me alimenta do mais puro amor. Ele me dá colo. Enxuga minhas lágrimas quando me vê chorando. Eu me abri pro amor.

Deixei pra trás a carga carregada pelas minhas ancestrais. Ficou lá no passado.
Eu também mereço ser amada. E você também.”


Texto pela querida Isa Rebello

Relato de parto: Nascimento do Bento

Relato de parto por Alice, nascimento de Bento no dia 10/12/14 às 00:55 min na Santa Casa de Rio Preto, com Dr. Guaraci e doula Talita Miranda.

“Meu desejo nunca foi de ter um parto natural, imaginava um parto normal com analgesia, mas, se não desse certo, faria uma cesárea numa boa…esse era meu pensamento, até…..eu engravidar!
Comecei meio de bobeira a procurar grupos nas redes sociais de gestantes, mães e etc… Dentre os grupos que comecei a participar, achei o Gaia ( que foi decisivo na minha decisão tempos depois), fui participando do grupo passivamente, absorvendo as informações que eram postadas, vendo a troca de experiências das outras gestantes e mães…aquilo foi me inquietando e o desejo de um parto natural foi crescendo a medida que eu ia me instruindo, pois toda mãe quer o melhor pro seu bebê e depois de tanto ler, ver relatos de parto, assistir muitos vídeos de partos naturais…decidi e me convenci que o melhor era um parto normal ( ainda com analgesia).
Decisão tomada, veio a segunda batalha, convencer meu marido que este tipo de parto era o melhor, tanto para mim, quanto para o nosso filho…o Lucas ( esposo), não por mal, mas por um instinto de cuidar, de me poupar, não queria que eu passasse por “esta dor”, segundo ele desnecessária já que hoje em dia é só marcar o dia e fazer uma cesárea que “é muito mais segura” ( aos olhos dele). Fui insistente e por vezes chata, fazendo todo aquele discurso sobre os benefícios do parto normal x cesárea ( não só pra ele, mas para todos que me perguntavam sobre qual parto iria fazer e que depois da resposta soltavam aqueles comentários desencorajadores), pois bem… Fiz uma lavagem cerebral no meu marido ( rs) praticamente ” obrigava” ele a assistir os vídeos de partos naturais, lia reportagens sobre os benefícios do parto normal, etc…ele ainda era receoso quanto ao assunto, até que perto do fim da gravidez eu tive uma conversa com ele e disse que estava decidida que eu ia fazer o parto na água e que eu só precisava que ele me apoiasse, independente do que acontecesse, eu precisava dele, mais do que nunca, pra me dar forças, porque se ele não o fizesse, acho que eu não conseguiria….nesse momento ele decidiu ir até o fim comigo e me apoiou incondicionalmente.
Terceira e não menos importante, foi difícil achar o médico que iria realizar meu desejo…iniciei meu pré Natal com um tal dr.( cesarista) que logo no início quando disse que queria parto normal, já falou que a data prevista ( inicialmente meu bebe era para 24/12, pelas contas médicas) do meu parto não era muito boa para parto normal…sem falar que além disso ele me cobraria 5.000, pela disponibilidade…eu realmente estava disposta a pagar, mas aí…durante o pré Natal o tal Dr. ( que de fofo, não tem nada) foi se mostrando extremamente grosso e intransigente…eu discuti com ele por causa de um ultra-som e nunca mais voltei na clinica… Tive que procurar um novo médico…minha mãe falou do Dr. Guaraci ( que havia sido o obstetra dela no meu nascimento e no do meu irmão), resolvi arriscar…
Já na primeira consulta falei sobre minha escolha de parto e ele foi bastante receptivo e tranquilo quanto a minha decisão, sem falar na calma dele…tudo que eu falava pra ele estava tudo certo…concordou com tudo! Estava decidido…seria ele! Confesso que tinha um preconceito em relação à Santa Casa ( por ser um hospital antigo, sei lá…), mas conversando com meu GO, lendo sobre a tentativa de um projeto para humanização do parto, resolvi dar um voto de confiança e fazer meu tão desejado parto na água lá ( e com certeza não me arrependo, fui bem atendida em todos os sentidos). A escolha da doula foi um processo também, aliás fui decidir isso bem no final da gestação, tanto que encontrei a Talita 2 vezes só antes do dia do meu parto, meu marido achava desnecessário, pois já íamos gastar com o médico e tal, eu fiquei em cima do muro um tempo, mas ter filho no fim do ano é bom, porque pelo menos tem o 13 salário…pensei… Gasto com tanta coisa supérflua, não vou economizar justamente com o nascimento do meu filho ( que é a parte mais importante da minha vida), decisão tomada…eu iria pagar! Fizemos uma reunião bastante esclarecedora em todos os sentidos, ela me acompanhou numa consulta para conhecer meu GO ( tínhamos um encontro no dia 10/12, para pintar minha barriga, mas não deu tempo!!!rs).
Bom…dia 09/12 voltei ao trabalho depois de 10 dias de atestado médico, pois estava bastante cansada e com algumas dores na barriga ( que não eram contrações, era só estresse mesmo), fui trabalhar normalmente, sem nenhuma dor,estava ótima! Cheguei em casa, almocei e deitei para descansar um pouco, meu marido ( que estava de férias) resolveu sair para comprar os presentes para o final de ano, me chamou para ir junto, mas preferi ficar em casa dormindo, as 16:30 mais ou menos, me virei na cama e senti um líquido descer, corri para o banheiro e quando vi…minha bolsa havia rompido ( ahhh que momento esperado!!!) fiquei feliz e iniciei minhas ligações…primeiro pro marido ( que levou o maior susto e só conseguiu responder: já estou indo e desligou na minha cara), segundo pra minha mãe ( que estava no trabalho e com certeza ficou mais ansiosa que eu), terceiro para minha doula ( que me tranqüilizou) e depois pro meu GO ( que pediu pra eu ir ao consultório para me avaliar). Chegando à clinica estava com o colo alto ainda e só um pouco apagado, como minhas contrações estavam de 5 em 5 min, resolvi voltar pra casa e só ir pro hospital quando elas estivessem de 3 em 3 min e ritmadas. Saí de lá fui ao supermercado comprar algumas comidinhas leves, caso o trabalho de parto fosse madrugada a dentro…cheguei em casa umas 18:30, mais ou menos 19:00 chegaram meus pais e minha doula, as contrações estavam ritmadas e em pouco tempo ficaram de 3 em 3 min…resolvemos ir pro hospital…chegando lá queriam me colocar sentada numa cadeira de rodas ( que eu não quis, naquele momento se me colocassem sentada ou parada iria enlouquecer) queria me movimentar, andar, rebolar ( td isso aliviava a dor quando ela vinha), chegando ao quarto ( 21:30) as dores estavam intensas, vomitei, fui pro chuveiro, recebi massagem ( e enquanto isso, meu marido e a Talita enchiam a piscina ( no quarto).

Meu GO chegou as 22:00 e fez o primeiro exame de toque, estava com 3 cm apenas e muitaaa dor…pedia analgesia, anestesia…mas como estava com poucos cm ainda a solução dada pelo meu médico foi a aplicação de um analgésico intra-muscular ( que durante as contrações não adiantava muito, mas no intervalo delas me deixava extremamente relaxada, 2 horas e um cardiotoco dep524178_926480317362522_4833640762212223121_nois ele voltou a me examinar e para surpresa de todos já estava com 7 cm ( minha evolução foi rápida- graças a Deus!), me convenceram a entrar na água, pois nesse momento eu já estava na partolandia ( tão famosa)… Parecia que eu estava em outro mundo, ouvia as pessoas falando, mas parece que não entendia nada…estava dentro de mim… Quando entrei na água, relaxei, mas logo em seguida senti como se fossem espasmos, meu corpo pedindo pra fazer força…e aí eu descobri a gente não racionaliza a posição de parir…é algo instintivo…

A posição escolhida é a que seu corpo sente mais confortável e a minha foi de 4 apoios… Não sei quanto tempo se passou no expulsivo ( segundo meu marido foram 50 min), senti o tal círculo de fogo ( que dói e queima bastante), mas logo em seguida, quando sai a cabeça a dor alivia…neste momento o médico me ajudou ( na próxima contração ) a tirar o bebe, que veio para o meu 10421171_926480350695852_468013717956877269_ncolo, praticamente dormindo…com aquele cheirinho doce, que só quem pariu sabe como é…tão pequeno, tão esperado ( é muita emoção ).Nesse momento tudo passa, a dor, o cansaço…estava ligada no 220…era muita adrenalina… Perineo integro, placenta retirada…tomei um banho e fui para o berçário acompanhar a pesagem do meu filhinho…estava tudo bem…respeitaram minha decisão de não pingar o nitrato de prata nos olhos dele e a vitamina k foi feita via oral… Tudo como eu tinha planejado! Foi perfeito! Mais do que eu imaginava e planejei.
Descobri em mim uma força que eu não sabia que tinha, no momento em que o Bento nasceu, nasceu também uma mãe e uma nova mulher empoderada!”

Relato gentilmente cedido ao blog pela Alice Gonçalves, obrigada!!!

Relato de parto natural – Débora e Maria Eduarda

“Foi na Sta. Casa de São José do Rio Preto, SP, com Dr. Marcos Lelis e doula Daniela Maria, pelo SUS e natural

“Parto normal, para mim, é cesárea!”

Era essa a frase que eu dizia sempre que me perguntavam se eu queria parto normal ou cesárea. E foi assim até completar 37 semanas de gestação, quando minha decisão de parto tomou um rumo jamais antes imaginado.
Como engravidei sem plano de saúde, meu parto seria todo pago, desde a internação no hospital até os profissionais envolvidos. Já estava tudo definido e isso não se discutiu em nenhum momento antes de chegar a 37ª semana. Mas sabe aquelas surpresinhas que a vida traz? Pois é, a minha chegou nesse momento.10805055_681446411971731_854533413_n
Do dia para a noite, decidi que não queria pagar nada pelo parto. Eu poderia ter a minha filha pelo SUS, tudo de graça. Era assim com tantas mulheres, porque não poderia ser assim comigo também? Eu só não teria um quarto só para mim, nem meu marido como acompanhante, nem uma mesinha para colocar minhas lembrancinhas fofas (que eu nem tinha feito ainda!)… Ah, e claro, não teria a minha tão esperada cesárea! Sim, porque no SUS a prioridade é o parto normal, e a cesárea só acontece em último caso (salvo algumas exceções, tipo médicos “bonzinhos” ou que não têm paciência para esperar um parto normal, por exemplo). Então eu não gastaria nem 1 real mas, em compensação, passaria por todas aquelas terríveis dores e longa espera de um parto normal… Me dava arrepios só de pensar.
Lembrei de tudo que já havia escutado sobre parto normal a minha vida toda: que doía demais, que demorava horas e horas, que a espera ia muito além das 39 ou 40 semanas, que a bexiga poderia sair do lugar e eu teria de fazer uma cirurgia, que teria incontinência urinária, que sentiria dores para ir ao banheiro durante 1 ano inteiro… Era tanta coisa que, se fosse escrever, daria um mini livro! Fora isso, tinha meu marido dizendo que era super arriscado, que se algo acontecesse comigo ou com nossa filha ele não se perdoaria nunca, que eu tinha de ter mais responsabilidade e juízo e não ficar querendo ter esse tipo de parto nessa altura do campeonato… Ou seja, apoio ZERO e medo SUPER!
Mas quando coloco algo na cabeça, eu vou até o fim e não sossego enquanto não fizer. E, como num passe de mágica – e depois de conhecer a maternidade, as salas de pré-parto e de parto, conversar com mulheres que já haviam parido e adoraram, e ter o apoio delas – comecei a desejar o parto normal tal qual eu desejava as guloseimas que me davam água na boca durante toda a gestação. Sim, eu comecei a querer MUITO um parto normal, e era isso que eu teria, no que dependesse de mim!
Falei com uma amiga querida, a Thais, também grávida e decidida a ter um parto normal desde o início da gestação. Ela me sugeriu contratar uma doula porque me ajudaria muito na hora do parto. A principio neguei e agradeci, pois assim como não quis gastar com o parto, também não queria ter de pagar uma pessoa para isso. Disse que teria meu parto com a cara e a coragem (sabia de nada, a inocente). Ainda bem que marido foi muito mais sensato que eu e aceitou a idéia da doula. E foi assim que a Daniela entrou nessa história.
Agora estava tudo certo: 37 semanas, decisão pelo parto normal, amiga grávida no mesmo barco e doula pra ajudar a fazer tudo acontecer. Sempre desejei a cesárea, não por gostar de cirurgia, mas sim por não gostar de sentir dor (oh, céus!), porém sempre estive informada sobre tudo o que acontece no mundo dos partos normais. Lia relatos, assistia programas na TV, sabia dos procedimentos que eram aplicados… Engraçado, né? Era pra ser mesmo, a vida já estava me preparando a todo o momento, e eu nunca desconfiei de nada. Prefiro dizer que foi Deus, mesmo. Ele já sabia de tudo, como sempre. Em 3 semanas li ainda mais, me aprofundei em cada assunto, tirei dúvidas, assisti filme, mais programas de TV… Era o significado da palavra “empoderamento” se aplicando na minha vida.
Terça-feira, 39 semanas e 6 dias. Nada de sinais de trabalho de parto. O medinho de a gestação chegar às 41 ou 42 semanas às vezes batia, mesmo eu sabendo que isso não era problema. Estava sendo monitorada pelo GO que faria meu parto (ele era plantonista no hospital, na realidade. Deus tinha de me abençoar para poder ser ele no dia que fosse ter a Maria Eduarda. E eu confiava que isso aconteceria.) e ele já havia dito que, se não tivesse sinal do início do TP até o próximo domingo, eu seria internada para a indução. Vale informar que fiz todo o pré-natal com um GO, e meu parto seria feito por outro.
Como até então a ordem era descansar, eu que ficava em casa praticamente o dia todo sentada ou deitada, estava sendo massacrada cada dia mais por dores chatas nos quadris. Na terça-feira mesmo decidi ajudar a Duda a vir pra esse mundo. Fui ao shopping com a cunhada e o sobrinho pequeno e andamos por cerca de 5 horas seguidas. Eu poderia andar mais 5 horas, pois estava super bem. As dores sumiam quando andava. Saímos do shopping e, por orientação da Dani, fiz exercícios na bola de pilates. Dia super intenso e finalmente fui pra casa.
Tomei banho e, já deitada, falando pelo celular com a Thais sobre parto (claro!), senti umas mexidas muito fortes na barriga. Parecia que ela estava mudando de posição lá dentro. Nem deu tempo de achar muito estranho, senti uma dor e, ao virar de lado, ploft… a bolsa rompeu! Chamei o marido para confirmar se era aquilo mesmo, mas não tinha dúvida, o liquido não parava mais de sair. Foram minutos um pouco conturbados e até engraçados, porque minha mala ainda nem estava ponta, e fiquei meio desorientada com aquele líquido vazando, que cheguei a pensar em não ir para o hospital porque não queria que eles estourassem minha bolsa – oi?! – rs. Decidi ir logo para o hospital porque não conseguiria mesmo pegar tudo o que faltava, minha cabeça estava a mil e eu estava super feliz. Avisei a Dani e fomos.
Cheguei no hospital por volta de 1hr da manhã, fui examinada pelo GO de plantão que me informou: 1 cm de dilatação. Fiquei um pouco triste porque achava que com o mega passeio pelo shopping mais os exercícios na bola, estaria logo com uns 5 cm. Mas tudo bem. Logo a Dani chegou e meu marido precisou ir embora. No SUS, na sala de pré-parto, só é permitida a presença de mulheres, então ele só poderia assistir ao parto em si, quando chegasse a hora.
Não demorou e a Dani chegou. Confesso que estava meio sem jeito, sem saber o que aconteceria. A conhecia há bem pouco tempo, a tinha visto apenas uma vez e estava tímida. Entrava no banheiro para me trocar, pra ela não me ver nua. Ela com toda naturalidade ajeitou tudo e começou: massagem nas costas, exercícios na bola, cheirinho de canela (aromaterapia), música… Estava gostando muito de tudo aquilo!
Logo começaram as contrações, bem fraquinhas, todas desritmadas ainda. Caminhamos bastante, conversamos, rimos. As contrações vinham e eu parava, encostava na parede mais próxima, fechava os olhos, fazia uma carinha de risada misturada com careta de dor, esperava passar e logo continuávamos a caminhar. Eu sempre perguntava para a Dani se aquilo ia piorar, pois estava achando até tranqüilo. As pessoas passavam por nós e perguntavam, algumas desesperadas: “Ela está passando mal?”. Eu só ouvia, nunca respondia. A Dani dizia com a maior tranqüilidade do universo: “Não, não… é só uma contração!”. Risos. Isso me tirava a dor na hora, dava muita risada.
No quarto de pré-parto havia chegado uma grávida, bastante nervosa, ansiosa, louca por soro, louca por exames de toque, doidinha por uma cesárea. A apelidamos de “minha ocitocina natural”, pois sempre que eu olhava pra ela, vinha uma contração. Era impressionante, estava caminhando sem contração alguma, já por algum tempo, até desanimada, mas quando cruzava com ela, vinha na hora! Segundo a Dani, isso me ajudou bastante a ter as contrações mais ritmadas. Assim fomos a madrugada toda, e por volta das 8hr da manhã (acredito eu, não me lembro muito bem os horários) o meu tão desejado médico plantonista chegou e tive meu segundo exame de toque. Nada fácil, por sinal.
Fiquei toda inocente na maca, esperando ansiosa para saber se já tinha evoluído alguma coisa na dilatação e super feliz por o médico ali. Mas, quando ele fez o exame, aí sim eu quase morri! Não sei nem dizer como foi, sei que foi tão “forte”, tão “profundo”, que gritei… Uma, duas, três vezes. Foi muita dor, demais, tão grande que achei que ia parir ali naquela hora. Cheguei a subir o corpo pela maca, mas ele não parava. Depois que terminou, fiquei ali deitada, imóvel, olhos fechados. Só pensava: “porque ele fez isso? Eu confiava tanto nele, nunca imaginei que fosse fazer uma coisa dessas…”. Chorei, mais por dentro do que por fora. Só consegui derramar uma lágrima, mas não deixei isso me atrapalhar. A Dani ficou do meu lado o tempo todo, segurava minha mão e me pedia para ficar calma. Eu sabia que se me entregasse a minha tristeza ali naquela hora, nunca mais iria parar de chorar, ia desistir de tudo e não teria condições nem de enfrentar uma cesárea.
Respirei, ouvi as orientações da Dani, fingi que nada daquilo havia acontecido, abri os olhos e levantei para continuarmos nossa caminhada pelo hospital. Não ia ser isso que estragaria tudo. Depois fiquei sabendo que ele fez aquilo para ajudar na dilatação. Eu ainda estava com 1 cm e depois do toque, cheguei a 2cm. Não deixou de ser uma violência, penso eu, mas se foi para ajudar, valeu. Se não fosse também, pra mim não tinha problema. Como eu disse nada, muito menos isso, me faria desistir de tudo o que eu queria. E eu sabia que aquele médico era o melhor que eu poderia ter, então isso não me abalou, não.
Nesse tempo, fiz alguns exames de cardiotocografia, para ver como estavam os batimentos dela – estavam ótimos, sempre. Às 9:15h o médico avisa que, dali há duas horas, aplicaria o soro com ocitocina, para adiantar, pois a dilatação estava lenta e o colo do útero já estava quase apagado. Eu logo levantei o dedo e disse que não aceitaria o soro, e a Dani em seguida disse também que não o colocariam em mim, que dava muito bem para continuar sem ele. Falamos isso e ele saiu da sala, meio que aceitando nossa imposição. Achei aquilo demais! Ah, ele já estava perdoado pelo exame de toque dolorido, rs.
Andamos mais pelo hospital todo, para fugir do médico e do soro. Passaram as 2 horas e ele nem atrás de nós foi mais. Ótimo!
Não me lembro a ordem dos acontecimentos, mas fui para o chuveiro, fiquei mais tempo na bola, almocei em cima dela, mais massagem, caminhada, e aí começaram as contrações mais fortes. Nunca me esquecia de perguntar para a Dani se iriam piorar. A resposta era sempre sim. Passei por mais um exame de toque e estava com 4 cm. Esse foi o ultimo. Foram 3 no total.
Me lembro de estar deitada na maca e ouvir a Dani pedir licença para ir buscar algo para ela comer (ela estava sem comer NADA desde a madrugada, quando pisou no hospital). Eu, claro, disse que ela deveria ir sim, e fiquei sozinha. Nessa hora me bateu um medinho, porque já havia outra gestante na maca ao lado, quaaaase parindo, e chorava muito. Quando me vi sozinha senti medo, e as contrações vinham cada vez mais forte, e eu sem a minha doula. Peguei logo o celular e quando estava para mandar a mensagem suplicando a volta dela, eis que a vejo entrando pela porta. Ela voltou muito rápido, para a minha alegria. Foi um alívio muito grande e, se não pedi, me lembro de ter ao menos pensado em nunca mais deixar a Dani sair de perto de mim.
As dores fortes eram chatas, não posso negar. Em todos os momentos, a Dani sempre pedia para eu me conectar com a dor. Pra esquecer tudo que estivesse ao meu redor e pensar só nela, e para que ela servia. Era pra trazer minha filha ao mundo, então era pra sentir prazer com aquilo tudo e pensar que era menos uma contração. Foi fácil? Não! Mas é totalmente possível! Quando comecei a pensar em ter um parto normal, me vinha a mente que eu não poderia morrer sem ter passado por esse parto, e tudo o que o acompanha. Quando você sabe o que quer e não aceita outra coisa além daquilo, você consegue. Eu queria passar por tudo aquilo, inclusive pelas dores, então a solução era me entregar mesmo.
Me lembro do médico voltando na sala para me oferecer analgesia. Dessa vez, perguntei o que a Dani achava. Nessa hora, como estava mais vulnerável por conta das contrações mais fortes, tudo que pudesse me tirar daquela situação seria bem vindo. Mas eu procurava lembrar porque estava ali, e como queria que tudo acontecesse. A Dani disse que eu estava indo muito bem e que não precisava de analgesia. Era tudo o que eu precisava ouvir. Segui em frente, firme e tentando ser forte. O médico saiu para fazer uma cesárea e pediu para que nós, eu e a outra gestante ao meu lado, não tivéssemos bebê antes do retorno dele. Nessa hora a Dani ainda brincou: “Esse parto quem vai fazer sou eu!”. Dani, cuidado com o que você fala!
Resolvemos então voltar para o chuveiro. E foi ali que tudo mudou. Nessa hora eu já alertava a Dani de que “iria morrer”, que não estava agüentando mais. Devo ter falado isso umas mil vezes. Pensava: “Porque me meti nisso? Porque fui inventar de ter esse parto?”. Lá dentro eu já não tinha mais vergonha de nada. Eu já estava dentro de mim, não conseguia ver mais nada ao meu redor, nem pensar em qualquer coisa que não as contrações. Elas vinham uma atrás da outra, quase não tinha mais tempo para descansar.
A pressão lá embaixo já tinha começado, era uma sensação muito diferente. Eu me lembrava dos relatos que havia lido, das mulheres dizendo que o corpo pedia para fazer isso e aquilo. Saber disso me ajudou muito a entender tudo o que estava acontecendo. Fiquei sentada na cadeira debaixo da água, encostei minha cabeça na parede e ali apaguei. Finalmente era a tal “partolândia” que eu tanto havia ouvido falar. E eu achava que isso era “viagem” das gestantes. Eu simplesmente adormeci, não sei por quanto tempo, mas eu “sumi” dali. Segundo a Dani, ficamos quase 1 hora no chuveiro. Lembro que acordei e pedi para sair dali. Achava que ia morrer (de novo), porque estava muito abafado e senti minha pressão baixar. Fiquei com dó da Dani todo o tempo, imaginava o calor que ela não estava passando ali dentro, mas não conseguia falar nada, e não queria que ela saísse dali. Ela me enxugou, me ajudou a vestir minha camisola hospitalar de luxo e saímos.
A pressão era bem forte, eu já sentia vontade de fazer força, mas achava que não conseguiria, por conta da dor. Não imaginava como eu conseguiria fazer força com aquela dor. Pedi o “remédio” pra Dani, mas implorei para ela não sair de perto de mim. Imagina como ela ficou confusa, coitada. Eu pedia o “remédio”, mas não queria de verdade. Pedia porque era minha fraqueza. Numa dessas a Dani disse que já tinha pedido, e o médico já estava chegando com ele. Chegava gente da China, mas não chegava meu médico!
Em uma contração, senti uma vontade de gritar, um grito bem lá do fundo da garganta, incontrolável, e agachei ao pé da cama. Quando levantei, saiu um jato de líquido de mim. Olhei pra Dani e a cara era de espanto. Ela abaixou e viu a cabeça da bebê já aparecendo. Ela me disse que pensou que iria nascer ali mesmo, e ficou preocupada em conseguir algum pano para pelo menos forrar o chão. Ela só me pedia para ir para a maca, mas estava difícil até para andar. Logo veio uma enfermeira e pediu para eu subir em outra maca, para irmos para a sala de parto. Eu disse que não tinha condição nenhuma de sair de onde eu estava, que ficaria ali, e a Dani completou: “Ela vai ter o bebê aqui!”. A enfermeira, fofa, só concordou e perguntou sobre a episiotomia, e logo a Dani também respondeu: “Não vai ter episio”. Que maravilha! Estávamos chegando ao fim de tudo e não tinha sofrido nenhuma intervenção ainda. Eu podia contar o exame de toque dolorido como uma intervenção, mas lembra que perdoei o médico? Perdão liberado, assunto encerrado.
Finalmente consegui deitar na maca, e vi a Dani vestindo uma luva. Imagina meu pensamento: minha doula vai realmente fazer meu parto! O encosto da maca estava bem levantado, então fiquei numa posição quase sentada. Naquela hora, até se estivesse plantando bananeira estaria bom pra mim. Brincadeiras a parte, eu não queria era estar deitada, e isso já não aconteceria.
Comecei então a fazer força, quando me pediam. Finalmente o médico chegou. Achava que depois de duas forcinhas, no máximo três, já teria um bebê no meu colo. Se eu tivesse colaborado, talvez fosse mesmo. Segundo a Dani, quando o médico chegou, eu resolvi ficar tímida e fechava a perna! Me lembro dele vindo na minha direção com o dedo levantado, e eu pedindo para que ele não fizesse mais nenhum exame de toque porque não queria sentir mais nada entrando ali. A Dani riu e disse que não dava pra fazer mais nada, porque a cabeça dela já estava apontando! Me pediu para colocar a mão e sentir, mas eu não queria. Não queria que ninguém tocasse ali, nem eu, porque sentia ardendo já. Mas ele colocou a mão, não teve jeito. A Dani me avisou e disse que ele faria isso para tentar preservar meu períneo ao máximo das lacerações. Nem questionei, claro. Eu continuava fazendo força. Sem analgesia nem nada.
Finalmente saiu a cabeça. E o alívio é realmente imediato. Acaba o ardor, acaba a dor. É uma sensação única e muito gostosa. A mina preocupação agora era fazer sair o corpo. Fiz um pouco mais de força, senti o corpo dela deslizando e finalmente a Maria Eduarda havia nascido. As 13h15, 49cm e pesando 3.120kg.
Um corpinho muito gostoso, muito quentinho, foi muito emocionante. Logo me entregaram minha filha, ligada ainda a mim pelo cordão umbilical, que só foi cortado após parar de pulsar. Fiquei ali com ela e pude oferecer meu peito como tanto sonhei e que não seria permitido caso eu tivesse uma cesárea (meu outro GO já havia negado isso a mim, com a desculpa de que isso poderia causar uma infecção nela). Depois do corte do cordão, a levaram para aquecê-la. Logo me trouxeram aquele pacotinho de novo. Era muito mais do que eu imaginava, juro.
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Cinco minutos depois do nascimento dela, nasceu também a placenta. Achei que teria nojo ao vê-la, mas tive foi um carinho e respeito por ela. Pisei sem querer em cima dela e quase pedi desculpas. Me chamem de louca, mas foi isso mesmo que pensei. Era o alimento da minha filha, era algo especial para nós. E eu renasci.
Agradeci. A Deus. A Dani. E ao Doutor, que me disse que não havia feito nada, que eu tinha feito tudo sozinha. Só o que ele fez foi amparar a cabecinha dela, para não ficar caída na maca. Ah, que alegria! Nem eu acreditava em tudo aquilo que estava acontecendo.
Finalmente saí daquela sala e fui para a sala de parto, para fazer os pontos. Foram necessários, mas foram poucos, segundo o médico. Foi mais chato do que todas as dores, mas passou e eu estava nova em folha. Dizem que depois da cesárea as mulheres ficam meio dopadas. Já eu estava ligada no 220 v! Era muita adrenalina, muita emoção para uma pessoa só. Não conseguia nem sentir o cansaço, se é que ele existia.
E esse foi o meu tão sonhado e super cheio de surpresas, parto normal, natural. Com exatamente 40 semanas. Se eu faria de novo? Mil vezes, se fosse possível. Não vejo a hora de poder viver uma nova experiência, fazer o que não fiz nesse, viver mais, me conectar ainda mais, aproveitar muito mais. Ainda quando ando pelos corredores do hospital, me lembro de tudo e tenho vontade de chorar. De dor, de saudade, de amor.
Gratidão sempre eterna a Deus por me mostrar que eu sei e posso parir. A Dani, por ter sido essencial para que tudo acontecesse, e por ter sido tão carinhosa e amorosa. Ao meu médico e as enfermeiras fofas, que respeitam a mulher e o parto normal, mesmo sendo SUS. E ao marido lindo, que mesmo não gostando da idéia, aceitou e ficou feliz com tudo. Se ele assistiu o parto? Não! Não deu tempo… Mas o próximo ele não perde, podem ter certeza!”

Relato gentilmente cedido por Débora Loureiro para o blog❤ Gratidão querida!

Relato de Gestação e Nascimento: O Parto de Anis

“O começo da história

Vou começar do princípio. No princípio era o ventre. Então vou contar sobre minha gestação e depois sobre o parto, porque acredito que o parto é parte ou fim de uma história que se inicia na concepção, ganha forma na gestação e se conclui no nascimento.Desde o começo da gravidez eu já  sabia que esperava uma menina, assim como da outra vez também  já sabia que era um menino. A gravidez, quando aceita e vivida com amor, aguça a sensibilidade espontânea. É como se um saber natural das coisas e dos sentimentos se instalasse em você. Mas não é do saber da razão que estou falando, é um saber dos sentidos, é uma sintonia com a existência viva, um estado permanente de conexão e interação com a natureza.

Um estado sublime que anda de mãos dadas com o divino. Um estado de clareza, de iluminação.
Por isso grávidas são tidas como iluminadas….um brilho brota do olhar, acho que ainda mais de dentro, brota do âmago, brota da alma.

Foi assim que me senti durante toda a gestação da Anis. Fiquei mais calma e radiante, mais sensível, mais em contato com o meu corpo e com o que realmente importa. Aprendi a amar mais.
Diminui o ritmo na intenção de desfrutar mais do aqui e agora. Estabeleci como meta viver mais pausadamente, porém com intensidade, estando realmente e inteiramente presente na vida, nos acontecimentos, experimentando de maneira tranquila e sem pressa cada fase na evolução da gestação.

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Isso  significa que  me mantive ativa com minhas obrigações oficiais. Significa que fiquei com a intenção de viver com mais sabedoria, aproveitando e respeitando  o tempo das coisas.

E assim fiz, e assim foi.
E pra sinalizar minha não pacatez na vida, ou para demonstrar que as atividades cotidianas não param, mas podem ser vivenciadas devagar e com respiração completa…….. mudei de trabalho, mudei de cidade, mudei de casa, mudei o assunto e o tema da minha dissertação de mestrado. Me instalei na minha nova e velha cidade, em uma casa cheia de história e estória, com a  sensação de contentamento e reconexão com minhas raízes.

Trabalhei até o 7˚ mês de gestação, escrevi minha nova dissertação em tempo recorde e dentro do tempo, finalizei meu mestrado e Pari….. na tradição das ancestrais parteiras, com rezas, cantigas e rituais, simbolizando e reverenciando cada etapa…. da maneira que desejei, da maneira que faz sentido pra mim. Em casa, onde me sinto livre e segura, no meu canto, no meu templo, onde cultivo minhas plantas, onde monto meu altar, onde coleciono minhas artes, meus livros, onde me retiro pra meditar, onde estudo, onde faço tudo e onde me permito fazer nada. 

Pari de forma plena, ativa, entregue, natural, com apoio, com amor, com respeito, respirando, contente e feliz! Experimentei dores profundas, tão profundas quanto de onde brota a iluminação. Parir, pra mim, foi experimentar meu corpo no auge, no ápice, no alto do cume de um lugar silencioso e concentrado.  Um lugar transgeracional, sagrado e milenar. E é de lá desse lugar que não tem palavra que falo agora.

O dia do parto

Bom, o dia do parto torna-se de repente dia do parto. Eu não fazia idéia  que seria naquele dia o dia do parto, e fui processando todos os sinais aos poucos…..

“Coincidentemente” e afortunadamente, eu tive retorno com meu médico querido no dia que se tornou ” o dia do parto”. Tudo começou de manhã, me recordando de alguns sonhos e notando uma certa diferença no meu corpo. Um tampão mucoso nunca dantes visto estava se apresentando delicadamente a mim, tão delicadamente  que demorei para captar seus sinais evidentes. Fui para o médico querido  logo depois do almoço, fizemos ultra-som e ele me disse que Anis estava se encaixando, por isso a presença do tampão.

Ok, voltei para minha casa, que também afortunadamente fica a apenas dois quarteirões do médico querido. Cheguei em casa e fui contar pro meu amado que Anis estava se encaixando, quando de repente aguas profundas que movem moinhos caíram no chão, não tão delicadamente.

Eu, já inteiramente absorvida pela intenção do seguir devagar a vida, mandei calma e tranquilamente mensagens para as parteiras, comunicando o fenômeno ocorrido.
Elas me disseram: – Ok flor, estamos indo praí ( uma das parteiras estava a 3 horas de distância de minha cidade).
E eu falei:  – Caaaalmaaa, vamos esperar mais um pouco!!!! ( percebam que nesse momento a pacatez realmente invadiu meu ser), pode ser que não seja nada!!!
E elas disseram : Flor, estamos indo mesmo assim…. É claro que elas já sabiam de tudo….eu é que estava lentificada deveras.

Continuei fazendo minhas coisas, e fui aos poucos realmente percebendo que eu estava em trabalho de parto. As águas que movem moinhos não paravam de sair, as contrações começaram a ficar muito perceptíveis, aumentando gradualmente. Esse início ainda é beeem suave, continuei fazendo minhas atividades caseiras, lavei roupa, recolhi roupa do varal, estendi roupa no varal, chupei fruta, bebi água, muita água, e novamente afortunadamente, para minha surpresa, levei uma picada de abelha no  dedo, rsrs .  (pode parecer estranha essa parte mas logo fará sentido).

Como não sou alérgica, não me desesperei (olha que novidade!), e aguardei calmamente a chegada das parteiras. Até pensei junto de meu filho:  – Olha, como sou sortuda, acabei de receber uma dose de anestésico e antibiótico natural ( nessas horas é sempre bom manter o otimismo)!

A chegada das parteiras

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Conversando sobre a picada de abelha, a parteira da tradição me disse que a abelha é símbolo do trabalho em conjunto, de coletividade, da organização…… ou seja, a abelha abriu os trabalhos. _ Que maravilha, eu amo esses sinais da vida, eles me mostram quando estou no caminho certo!!! E fico achando que o desafio ou o aprendizado da vida é “ler os sinais”…..~*~….. Eu amo ler os sinais!!!

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…. Ainda compreendendo todos os sinais, me recordando dos meus sonhos simbólicos da noite anterior e recebendo massagem da doula e das parteiras. Eu ainda não sabia de nada, inocente!!!
E me mantinha, com calor, com muito calor, sorrindo, afinal………..UUUUauuuuuu, eu vou Parirrrrr!!!!!Isso é Seeeensacionalllllll!!!!!!!Iuhuuuuuuuu!!!!

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Em êxtase porque vou parir!!!!!!

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Masss, como em toda evolução de um trabalho, é necessário uma certa  introspecção, é necessário a concentração, o centramento. É necessário calar-se para se ouvir, é necessário se voltar pra dentro, estar dentro e fundo…é de lá que vem!

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Desse lugar silencioso e dolorido de onde estou, e de onde me reconheço agora, apenas o que quero é massagem, massagem, massagem….. profunda, profunda, mais profunda. A lua cheia estava no céu,  a Luna na janela, quieta observadora de toda magia que estava acontecendo. Theo já estava dormindo, A casa era absoluto silêncio, apenas o som do meu respirar.

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Quero todos ao redor de mim, quero todas as mãos, toda vibração, todos os alívios, não quero nenhuma palavra. Quero gestos sem palavras, quero contato. Tudo deve ser muito profundo, silencioso e profundo.DSC04935

Quero a companhia amorosa do meu amor, sem palavras ele sabe do que eu preciso. Preciso do seu toque, preciso que caminhe comigo, que continue a caminhar comigo, que me dê apoio e que não saia do meu lado…..Durante a gestação eu lia sobre parto ativo, eu sabia que o meu seria ativo, eu me mantive ativa e disposta durante todo o ciclo da gravidez.  A atividade dissipa a dor, percebia que quando eu caminhava, eu buscava, eu cavava dentro de mim o espaço pro nascimento, eu reunia a força ancestral necessária pro nascer, pra trazer vida. E me silenciava cada vez mais, e mais….DSC04928

Eu só quero e apenas  preciso que caminhe comigo, preciso de apoio e sustentação, o resto pode deixar que meu corpo sabe o que fazer. Ele não tem dúvidas, ele tem uma sabedoria inata tecida com vigorosidade.

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Uma natural vontade de estar dentro da água se manifesta. A água conforta tanto,  a água conduz tão bem, dita o ritmo, nutre a pele, silencia ainda mais, traz mais pra dentro e relaxa.

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Mas eu precisava cavar, cavar mais e buscar, precisava andar pra encontrar e suportar  esse lugar que é tão dolorido, tão impetuoso, ousado e divino. Caminhar é preciso…. Me perco das horas,  me desconecto do mundo do tempo, só existe meu corpo, minha dor, regendo com maestria instintiva toda sinfonia que precede o nascimento.

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Nesse momento de tamanha profundeza, preciso da força das mulheres que estão comigo
Preciso da sua força anciã.
Dos seus saberes sem palavras.DSC04923

O tempo caminha sem tempo, e eu já posso sentir sua chegada, eu já sei que você está ali, pronta pra nascer, pronta e com força pro mundo. Agora só preciso ajudar, preciso de todas as forças que foram reunidas até agora.
Agora é trazer ao mundo.
A mente está no lugar certo, no lugar de abertura, de conexão e expansão.
De cócoras, inclinada pra trás.
Depois de muito cavar, foi assim que me achei.
DSC04952Siente, el momento llega, lo divino estas contigo.
Siente, tus huesos son fuertes, madre de todos nosotros
Siente, estas em buenas manos, tienes lo que necesita
Siente, estamos ayudando
Y eres parte de la tierra

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A hora que se segue ao nascimento, é  a hora sagrada, é a hora de cura, lugar de conserto, lugar de presença. Somos só nós, em comum unidade. Somos só emoção em gesto

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A primeira vez que olho nos seus olhos.
A hora de ouro!
The sacred hour!!!
Eu te reconheço, você me reconhece. Eu te abençoo, você me abençoa.
E juntas entoamos preces de gratidão. Eu te dou a vida, você me dá vida.
E pulsamos juntas.

Extraio tanta alegria só de observar.
Já dançamos horas suficientes pra nos conhecermos.

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Em completo estado de transe,  pico de ocitocina, experimento a melhor sensação do mundo!
Sensação de completude, de gratidão, de mais força, de vitória.
Me sinto a rainha do universo!

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O corpo se lembra de tudo. O corpo irá se lembrar de tudo pra sempre
O corpo se lembra antes de ter palavras
O registro está na pele
Olfato e contato
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Aconchego do pai, o pai que também virou mãe.DSC05014

Toda a equipe reunida, celebrando o nascimento, celebrando a vida.
O nascimento foi feito pra funcionar, sem segredo e com mistério.
Com luz, com sacralidade e com puro amor.
Sou gratidão eterna a esse jardim.
Ohm!!!

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Há que se afinar o corpo até o último sempre. Exercer-se como instrumento capaz de receber a poesia do mundo. Poesia suspensa em rotação e translação. Movimentos moderados, alinhavando em dias e luares, estações e colheitas, minutos e milênios, provisoriamente.” Bartolomeu Campos de Queirós ”

Relato gentilmente cedido por Cinthya Garcia e familia, e com postagem original aqui: Consultório de Afrodite

Relato de Parto Domiciliar, Luana e Arthur

“Acho que me sinto finalmente pronta para Parir o meu relato de Parto.

Desde que o Artur nasceu que venho tentando organizar tudo o que passei em palavras.
O trabalho todo foi tão intenso, tão mágico que me restaram alguns flashes e poucas palavras.
E hoje me veio uma vontade tão louca de parir de novo, de sentir o pulsar do meu útero, saudade das contrações… que decidi tentar relatar um pouco do que vivi, até para as vezes conseguir entender melhor pelo o que passei.

Começo pela minha gestação.

Caos é a palavra perfeita para descrevê-la.Eu estava morando em uma Ocupação em Rio Preto e prestes a me mudar para Floripa com o meu parceiro e amigos.Comecei a me sentir enjoada, achei que era por causa da comida, até tava tomando remédios para o estômago, mas, quando deu 3 semanas de atraso no meu ciclo, não teve jeito.. resolvemos fazer um teste de farmácia. Deu positivo.. por via das dúvidas resolvi fazer outro, só para ter certeza mesmo. Positivo.

Lembro que a Nath Gingold postava com frequência sobre partos humanizados e sempre que sobrava um tempo, eu lia.

Quando caiu a ficha, eu e meu parceiro, Marco, fomos atrás de um GO. Nós, na nossa SANTA INOCÊNCIA, já chegamos falando sobre Parto Humanizado.
Nessa primeira consulta eu e meu bebê já fomos chamados de retardados por só querer saber sobre Parto Normal. Na segunda que foi com uma médica ela receitou um remédio, que gestante não pode tomar. Até que encontramos o Dr. Guaraci, que fez todo o meu pré natal e nunca me julgou por querer Parto Normal, pelo contrário, me incentivava. Minha família teve e tem problemas em aceitar minha gravidez até hoje e em toda a gestação teve muita opinião e medo alheio. Teve crise no meu relacionamento com o Marco, teve muita mudança de casa, muito choro, muita briga, muita confusão, muita não aceitação da gestação.

Até que com 6 meses eu senti o primeiro chute. E ai, eu me apaixonei.

Demorei 6 meses pra olhar para minha barriga e imaginar um bebê dentro dela. Demorei 6 meses pra dar o amor que meu bebê pedia e merecia.
E o amor que eu falo não é ficar alisando a barriga o dia todo, ou tirar mil fotos.. é a conexão incrível que existe entre uma mãe e o bebê.

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Sobre o Parto Domiciliar, minha família acha que eu sou louca até hoje, que eu arrisquei demais e que foi tudo na cagada.
A família do Marco, sempre apoiou as minhas escolhas, todas elas.. Porque hora eu optava por hospitalar hora por domiciliar..

O último encontro Gaia que eu fui, eu trouxe até mim de novo toda a minha confiança em ter sim um Parto Domiciliar. Foi um encontro em que a Lucelia Caires tava lá para falar sobre partos.
Já tinha ouvido falar e muuuuito sobre a Lucélia.. só que nunca fui atrás de conhecer ela de fato.
Ai, a Lu que veio falar comigo, queria saber quais eram os meus planos para o parto. E naquela altura, a ideia era, avançar em casa e depois ir para o Austa ter Parto Normal com o Dr. Guaraci.
A Lu me chamou pra ir na casa dela para conversarmos.. e conversa vai e conversa vem.. e decidimos ter em casa.
Mas logo depois mudei de opinião. Ai ficou de avançarmos com a Lu e depois ir para o Austa com o Dr. Guaraci.

Na sexta feira, dia 12 de setembro, eu e o Marco fizemos nosso chá de bençãos no centro aonde vamos, recebemos as bençãos dos caboclos no dia e quando chegamos em casa, fizemos aqui as nossas bençãos com nossas pedras de cura e energizadores.

No dia 13 de setembro, sábado, tivemos uma feirinha de vendas com a Criata no Vasco, e já lá eu estava com dores nas pernas e na lombar, só que achava que era o sapato que estava pesado, me apertando..
Chegamos em casa as 23h e eu tive umas contrações, só que achei que fosse contrações ‘educativas’.
As 3h da madruga do sábado para o domingo eu acordei já com bastante dor, acordei o Marco e começamos a conometrar as contrações.. Estavam de 6 em 6 minutos.
As 5h da madrugada, o meu tampão começou a sair.
Esperamos dar umas 8h da manhã para ligar pro Dr.Guaraci, porque era domingo, e enfim, era cedo…
o Dr. Guaraci disse que tudo tava normal e que era pra gente manter ele informado.
Informamos a Lucélia do que estava acontecendo, ela disse que viria logo menos para nossa casa e enquanto isso o Marco ligou para o Dr. Guaraci para dar novas notícias e o Dr. disse que havia saído de Rio Preto, que
era pra gente ir pra emergência do Austa e pegar um plantonista e Boa Sorte.
O QUÊ? COMO ASSIM? CÊ TA LOUCO?
Ficou por isso…

A Lucélia chegou umas 11h, ouvimos o coração do bebê, avisamos do que tinha acontecido com o Dr.Guaraci e ela falou que voltaria já com os equipamentos para um parto domiciliar.
Dormi. Acordei com a Lu em casa com tudo!!! Era umas 15h mais ou menos.
E dalhe massagem!1466271_10203114135756098_729769734549524977_n

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Uma das minhas lembranças mais fortes é a de estar no meio de uma contração e me encontrar no meio do mar cheio de ondas, e eu parada no meio dele e Iemanjá na minha frente com os braços abertos, e nessa mesma hora a Lucélia começou a cantarolar a música de Iemanjá.
Me arrepio toda só de lembrar!

Comi algumas frutas, açaí e chocolate e tomei muita Água com Mel.
Vomitei tudo. Três vezes.

O Marco Criata esteve comigo o tempo todo!!! Me apoiando e me deixando segura!!!
Achamos que quando eu estivesse parindo ele iria ficar maluco, só que foi bem ao contrário. Deixamos todo o nosso ego de lado e nos unimos para a chegado no nosso amor maior.
Ele cuidou de tudo, se dividiu em 1000, não me deixou preocupada com nada!! Desde dos detalhes de última hora até ligações de minuto em minuto da minha mãe.
Me massageou, me beijou, falava sempre palavras doces me incentivando. Sempre que dava um desânimo, lá vinha ele me contar do Artur e de como eu tava me saindo bem!
Companheiro divo!

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A minha amiga, Talita Miranda, chegou acho que era umas 19h, toda Índia e sorridente! Olhar para ela me passava uma sensação tão aconchegante!
Fez dela a minha doula, tirou de mim o peso que eu tava carregando de eu ser minha própria doula.

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Lembro de muitos sorrisos, pra onde eu olhava tinha um sorriso e mãos me massageando sempre.
Lembro de me sentir super segura com os toques que a Lucélia fazia. Era um alívio muito grande saber quantos centímetros eu tava.

E acho que umas meia noite, meia noite e meia a Amélie Lecorné chegou pra completar o time.

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Amélie estava em Rio Preto para conhecer a Lucélia e a Poliana Risso. Veio para cá e voltou para sua cidade, e chegando lá, a Lucélia ligou para ela e perguntou se ela poderia voltar pra ajudar no meu parto e ela voltou!!!
Só que quando ela chegou, eu já tava mais pra lá do que pra cá e lembro de pouquíssimas coisas.

Lembro das dores estarem um pouco mais fortes e os intervalos entre elas menores.

Montaram a piscina.
Ranquei toda a roupa sem delongas e entrei na piscina e nossa!!!
Que sensação divina!

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O Marco ficou na piscina comigo, fazendo massagem.
Entre uma contração e outra, eu e toda a equipe dormíamos, todos exaustos.
Lembro de sentir os pezinhos do Artur empurrando minhas costelas e sentir a cabecinha dele lá embaixo.
Quanto estava amanhecendo, eu me senti super mal por não ter nascido ainda, fiquei triste em ver que tinha passado tanto tempo e nem a bolsa tinha rompido ainda.
Uma sensação realmente desanimadora!!!

Logo em seguida a bolsa rompeu!!

Pedi pra tomar um banho, a água morna tava me cozinhando, o vapor me irritava…
Nas escadinhas pra ir para o banheiro, senti o Artur descendo, essa dor foi foda, ardeu tudo…
Tomei banho, achando que ele ir nascer ali mesmo. Voltei pra piscina com essa dor..
Ai foi que foi..

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Era 6:24h da manhã de uma segunda feira, o Sol estava subindo e o Artur descendo finalmente para os nossos braços!!!
Nasceu todo enrolado no cordão umbilical!
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Essa sensação de ver o rosto dele pela primeira vez, de ter dado a luz… eu acho que nunca, na minha vida toda eu vou saber escrever com todos os detalhes.

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Acho que só quem tem filhos sabe o que é a emoção em ver o seu bebê pela primeira vez na vida.

Saímos da piscina, o Artur ficou comigo o tempo todo.
O Marco cortou o cordão umbilical!!!

E ai, eu tive que parir a placenta…
Foram mais 5h para parir essa placenta.. pra mim passou em segundos, pra equipe foi beeeeeem mais cansativo.
Placenta nasceu, eu comi 3 pedacinhos e cada um da equipe comeu 1 pedacinho também!

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E foi tudo isso que aconteceu.
Artur nasceu em uma manhã linda de uma segunda feira com 3,420kg e com 53cm, em um Parto Ativo, Domiciliar, Humanizado e cheio de amor!
Tomou seu primeiro banho só na terça feira, mamou na sua primeira hora de vida fora do útero!
Tive uma laceração pequena, de um ponto interno e dois externos.
Ao todo foram 27h de trabalho de parto ativo!

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Só tenho gratidão por todos que me ajudaram nesse momento tão lindo em nossas vidas!
Gratidão a todas as massagens, a paciência eterna por esperarem o meu tempo e o tempo do Artur, a todo o apoio e acolhimento!
Gratidão ao Grupo Gaia por todo o suporte e informações tanto para mim como para muitas grávidas e tentantes!
Gratidão a todxs xs blogueirxs de plantão e a todos os relatos de parto.
Gratidão Lucélia, Marco, Talita e Amélie por fazerem disso tudo mais do que possível e lindo!!!

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E Gratidão ao meu pequeno e grande Artur por me escolher sua mãe!

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E a todxs… Parir é uma delícia! ”

Relato gentilmente cedido ao blog por Luana❤ Gratidão querida, você e toda essa equipe, nos inspira!

Sobre nossa menstruação

Mais amor ao nosso corpo, aos nossos ciclos, à nossa sacralidade❤

6 fatos incríveis que você não sabia sobre sua própria menstruação:
1) o sangue purifica: o ciclo menstrual renova os tecidos uterinos, eliminando energias que não nos servem mais. o útero se contorce, expulsando mágoas, tristezas e impurezas. é uma oportunidade para que todo o nosso corpo e alma também se regenerem, avaliando nossas próprias necessidades e o que devemos deixar ir com o sangue sagrado.

no nível físico, a menstruação age como uma proteção ao aparelho reprodutor feminino, deixando-o mais forte devido aos estrogênios naturais e demais hormônios.

2) é uma grande lição sobre a morte: a menstruação, ou seja, o despedir-se da semente não germinada, é uma pequena morte. a energia é, realmente, de perda – por isso muitas de nós ficamos mais frágeis e sensibilizadas durante o período. no entanto, é um ritual bonito, que deve ser encarado com leveza. ao menstruarmos, compreendemos profundamente os ciclos de vida e morte, sendo mesmo responsáveis por esse ciclo – como as deusas que somos.

3) é poderosa: quando menstruadas, ficamos mais intuitivas, sensitivas e conectadas às deusas. era através deste “estado alterado” de consciência que, na antiguidade, xamãs, bruxas, sacerdotisas e curandeiras recebiam suas respostas de luz, pois a conexão com o divino fica extremamente fortalecida.

4) é altamente nutritivo: plantinhas ficam felizes quando regadas com o sangue menstrual, pois é fertilizante. o ideal é que se use um copinho menstrual e, diariamente, despeje o sangue nele contido em um jarro. depois é só completar com água e alimentar suas plantinhas. explico: o sangue menstrual contém três nutrientes importantes para as plantas – fósforo, potássio e nitrogênio. essa tríade é essencial para que os vegetais cresçam fortes e sobrevivam às intempéries. o nitrogênio auxilia no crescimento das plantas, deixando-as verdinhas e bem vivas.

5) a abertura e desejo sexual aumentam: quando menstruadas, muitas mulheres atingem o ápice do seu tesão. o que é incrível, pois durante esse período estamos muito mais perceptivas, conectadas ao nosso instinto selvagem e extremamente receptivas.. a experiência de partilhar esse momento, de uma energia TÃO intensa, com outra pessoa é única e maravilhosa. recomendo!

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6) nosso ciclo se conecta com os ciclos lunares: como somos cíclicas, nada mais natural que sejamos conectadas com a energia mais cíclica e feminina da terra: a lunar.

os dois ciclos lunares/femininos são:

ciclo da lua branca: mulheres que ovulam durante a lua cheia e menstruam na lua negra. criatividade direcionada ao mundo exterior.

ciclo da lua vermelha: mulheres que ovulam durante a lua negra e menstruam na lua cheia. criatividade voltada ao mundo interior.

Relato de parto: Naiara Escobar Chaves e João Iaco de Carvalho

” Bem pessoas que lêem esse relato, não sei dizer ao certo onde começa o meu parto, mas vou falar do que acredito ter sido o início de um novo ciclo na minha vida: minha mudança para a cidade de Lins. Saí de Rio Preto um pouco forçada para acompanhar meu esposo que foi transferido de cidade pela repartição que serve. Assim que me mudei, em uma das inúmeras idas e vindas da casa de minha mãe em Rio Preto, para minha casa em Lins, eu já pressentia que alguém chegaria nesse mundo…minha menstruação estava uns dias atrasada, e comprei o teste de farmácia mesmo assim, parei em um posto na rodovia (queria era emoção mesmo nesse momento), e fiz o teste, que deu positivo. Fiquei emocionada e corri pro carro contar para meu companheiro, que no momento não acreditou, achou q fosse uma piada minha, rs. Passada a emoção inicial, começamos a fazer planos acerca da gravidez, do enxoval, do nome e do sexo do bebê, pensamos até mesmo no momento em que essa criança se tornasse um adulto. Enfim, pensamos em tudo, menos no parto, rs. Tenho uma filha de oito anos do primeiro casamento e na gravidez dela também pensei em tudo, menos no parto; afinal eu tinha apenas 17 anos e naquela época nem imaginava o que era Violência Obstétrica. Nem acesso a internet eu tinha. Rhaira nasceu de uma cesária em 2006 porque estava pélvica, e eu nem fiz questão de saber dos pormaiores porque simplesmente não imaginava a importância deles.

Naiara, Rhaira e Jayme
Naiara, Rhaira e Jayme

Voltando a gestação do Iaco, nos meses seguintes aconteceria um fato que mudou o destino do meu parto certamente: o caso da Adelir, que é do conhecimento de todas que se interessam pelo universo do parto. Adelir foi vítima de uma violência sem tamanho, por parte do estado e de um sistema obstétrico decadente; como o caso teve grande repercussão, acabei chegando até ele por intermédio das redes sociais. Fiquei encantada e envolvida com as mulheres que defendiam a autonomia daquela parturiente, e conheci um grupo de mulheres que lutam e se informam para ter um parto digno, o Grupo Gaia de Maternidade Ativa, em Rio Preto. Comecei a trocar informações com as meninas, e logo já estava indo as reuniões do grupo. Quando me dei conta, eu já almoçava e jantava parto , lia os blogs da Adèle Doula, da Melania Amorim , do Dr Ric Jones , da Ana Cristina Duarte ….lia relatos e mais relatos de parto, dentre eles o que mais me emocionou foi um de uma daimista antiga que pariu com o Daime. Tomou Daime o trabalho de parto inteiro e viu tudo de mais lindo que há no universo…alí, eu soube que era isso que eu queria para mim e para o João Iaco…todo aquele universo encantador já fazia parte da minha alma de índia libertária…rsss. Porém eis que me deparo com o sistema, e parir no meu caso seria um desafio, uma epopeia, como tudo foi até hoje na minha vida. Eu, uma mulher obesa, sem o rim esquerdo, com uma cesárea anterior, que já ouvira a um ano atrás de sua GO que não engravidaria “gorda daquele jeito, e se engravidasse as chances de um novo aborto seriam imensas”, como poderia parir ??? Lógico que eu teria que mover mundos pra parir. E eu movi.

A gravidez transcorreu da melhor maneira possível, sem nenhuma intercorrência. Me diverti, passeei bastante, fiz os rituais da minha doutrina, que é o Santo Daime, namorei e curti o meu esposo. Mas eu sabia que aqui na cidade de atual residência eu não conseguiria parir. Uma cidade pequena, com apenas cinco GOs, sendo que o meu é justamente o diretor do hospital…ou seja, sem chance de um parto natural. Com o passar do tempo, eu me via na iminência de uma segunda cesária, caso não fizesse alguma coisa. Ou eu teria um parto domiciliar com uma equipe de Rio Preto, ou viajaria para alguma cidade que tivesse hospital que preconiza humanização. Foi então que eu conheci a minha anja e doula Marília, e foi amor a primeira vista,rs. Eu sabia que ela estaria no meu parto, senti isso na primeira vez que a gente conversou. Mas eu ainda estava em dúvida se paria em casa ou no hospital. Sou uma pessoa que não tem problemas em ficar no hospital, a vida me deixou assim, lógico que eu não gosto de ficar internada, mas se for necessário eu fico. Conversei com algumas parteiras, conversei com muitas mulheres, pesquisei hospitais, participei de cursos e reuniões, debati com o parceiro…fiz o que achei necessário pra tomar minha decisão com segurança. Acabei optando por parir no hospital para que minha família ficasse tranquila…

Na 35º  semana, fiz um lindo trabalho de cura do Santo Daime, e como já havia combinado com a Marília, levei ela e sua família comigo… foi muito bonito e ali a gente se conectou. Começou naquele dia meu trabalho de parto.

Desse dia em diante nos víamos com bastante frequência, eu ia sempre na casa dela. As semanas foram se passando, e uns dias antes de entrar em trabalho de parto, numa sexta feira fizemos um chá de bênçãos na casa dela, com boas conversas e ótimas vibrações. Era uma noite de Lua nova, e na próxima terça viraria para a crescente…eu já estava de 41 semanas e sabia que estava chegando o grande dia. No domingo nos vimos novamente, ganhei de presente da Pri óleo para o trabalho de parto.

Na madrugada da terça feira, exatamente as três horas da manhã, acordei com uma dor diferente na lombar. Senti que meu trabalho de parto começou naquele instante, pois era uma dor intensa e diferente. Acordei o meu esposo e avisei sobre a dor, pedindo-lhe que me servisse uma dose do Santo Daime; ele prontamente me atendeu e comungou uma dose também. Então comecei a sentir o início das cólicas de TP, que vinham como uma onda, exatamente da maneira que as meninas me contaram e eu li em tantos relatos. Deitei no sofá da casa da minha mãe, e nesse momento meu esposo se ajoelhou ao meu lado. A gente se conectou como nunca antes, mais intensamente do que no momento da concepção do João. A gente se olhou com tanto amor, um amor daqueles que são entre as almas. Três almas somente existiam ali, a minha, a dele, e a do João. Foi um dos momentos mais lindos e intensos da minha vida. Meu esposo me abraçou e a gente ouviu os hinos do Santo Daime, enquanto conversamos e o TP evoluía…as horas passaram, e eu senti que era o TP mesmo quando fui ao banheiro e vi a pequena quantidade de muco que saiu de dentro de mim…já eram cinco horas da manhã e liguei pra Marília…fui ao encontro dela na casa de seu companheiro Marcelo, que me receberam com tanta alegria …a essa altura as dores que vinham com as contrações já eram fortes, e o dia começava a amanhecer. Era um dia lindo e atípico, não sei se era pelo trabalho de parto, ou pelo Daime , ou tudo isso junto , mas certamente a magia estava no ar. Com intervalos regulares eu comungava o Santo Daime e a nossa família/equipe também. Marília fazia as vocalizações e vivia cada contração comigo …parecia que ela sentia as dores também. Jayme, meu esposo saiu com Marcelo para comprar os ingredientes de fazer o famoso chá da Naoli, que ajuda no trabalho de parto. Quando ele voltou trazia consigo a Priscila, irmã em alma da Marília , uma bela de uma mulher empoderada e que trabalha com terapias e produtos naturais. Já sentia necessidade de bailar e andar, o Tp evoluía lindamente quando tomamos o chá… o céu numa manhã das mais lindas, Jayme trouxe uma árvore para comemorar a nova vida que chegava . Marília me massageava a cada contração e as dores se intensificavam, quando comecei a fazer limpeza dos intestinos . Nos intervalos das contrações eu ,Marília e Priscila bailamos, conversamos , rimos…fiz exercício numa faixa improvisada com uma rede, e as meninas se revezavam para me massagear…até o Raulzinho, filho da Pri parece que entendia o momento.

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Até que senti que as dores ficaram muito fortes, cogitamos parir ali mesmo, mas acabei indo pro hospital, que ficava a 84 km dali. Já era hora do almoço quando partimos. Jayme dirigiu rápido mas ao mesmo tempo tranquilo, e Marília foi me massageando na lombar o trajeto todo. A essa altura já tenho uma certa dificuldade para lembrar, pois já estava entrando na partolandia. Quando chegamos em Votuporanga, as dores já estavam quase insuportáveis, e Jayme fez minha admissão, enquanto eu e Marília aguardavamos. Chegou então a Fabiana, uma das doulas contratadas do hospital, e começou a ajudar na massagem. Fui examinada pela médica de plantão , e enquanto aguardava, já vocalizava em alto volume no corredor do hospital…lembro me de ver os médicos do hospital estranhando aquilo tudo, pois ainda não estavam acostumados com a humanização. Entrei na sala daquela médica e o que eu temia aconteceu, ela me pos deitada pra fazer o cardiotoco. Mesmo contrariada fiz o exame não sei pra que, porque não acusou nem contrações…mesmo assim estava com 4 dedos de dilatação, e ela me internou.

Primeira parte do desafio vencida, queria chegar lá em tp ativo.  Pois bem, eu já estava. Fui encaminha pro quarto de evolução de trabalho de parto. Era tão lindo, parecia quarto daquelas casas de parto inglesas. Já sentia muita dor e pedi pra ir pro chuveiro. A essa altura já sangrava bastante, e o tampão já havia se soltado. Quando entrei no chuveiro já urrava e gritava de dor. Eram aproximadamente 3 horas da tarde. Marília me recordava de fazer as vocalizações e continuava me massageando. Jayme atenciosamente me deu banho e me auxiliava a cada passo. Saí do chuveiro depois de uns 40 minutos, e fui pra cama.

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O médico plantonista veio e me fez um toque…seis centímetros…a dilatação evoluía…Então fui pra bola de pilates e fiz alguns exercícios, enquanto Marília e Fabiana alternvam as massagens. Quando o médico voltou eu já estava com oito cm de dilatação , e bem cansada pedi para deitar. Sangrava muito e doía muito também…ja estava completamente na partolândia quando o médico voltou e me fez o ultímo toque: dez cm de dilatação! Marília me abraçava e dizia que eu estava de parabéns !! Foi tão rápido ! Agora era o momento de mudar o foco e começar a fazer força. Não me serviriam mais as vocalizações, mas sim a respiração correta! Mas quem disse que eu entendia o que eles falavam ??? kkk Eu fazia só o que meu organismo permitia, enfim, eu gritava mesmo ! Aqueles gritos aliviavam a minha dor, que naquela altura já era insuportável. Marília dizia a todo instante o quanto eu era forte, e que eu conseguiria ! Fazia muuuita, mas muita força e o médico mandava fazer mais ! parecia que para ele não era o suficiente. Me pediram que fosse para a banqueta de parto , e naquele momento eu já havia me despido não só das minhas roupas, mas de todo ego e vaidade que o ser humano pode ter .

A dor transmuta, e naquelas proporções eu transcendia em dor. Pedia pelo amor de Deus pra voltar pra cama porque estava muito cansada, e na banqueta o tp estagnou…não me senti bem alí naquele momento…talvez tenha ido pra banqueta no momento errado . Quando voltei pra cama o clima já começou a ficar tenso , pois se aproximava as seis da tarde e o médico que estava me atendendo estava prestes a encerrar seu plantão … não sabíamos como poderia terminar meu parto sem aquele médico…ele também queria me ver parir ! Tanto que esperou isso acontecer. Ele percebendo que meu expulsivo talvez demorasse mais do que o esperado , além de descolar as membranas, me levou rapidamente para o centro cirúrgico …até agora ainda não sei porque, talvez pra resolver de vez aquele impasse…fomos correndo pro centro cirúrgico , e eu já não via mais nada…apenas fazia força…e mais força. Chegando no centro, deitada mesmo ouvia o médico dizendo faz força, e eu tentava fazer.  Jayme apoiava minha cabeça para me ajudar. Alí eu já queria analgesia, mas Marilia falava: Vai Nai, você consegue, está perto !!! Ouvia eles tão de longe, parecia que estavam em outra dimensão …ou talvez eu estava …e força ,muita força…ja não suportava mais, a dor era lancinante…foi quando senti queimar e eles diziam que tinha saído a cabeça,eu não conseguia tocar,não alcançava….mais uma força e senti como se tivesse morrido..um torpor e uma tontura, saí do meu corpo por um instante …quando voltei estava aquele lindo bebe no meu peito! Marília chorou , pois lavava sua alma de doula também ! Era enorme ! Muito grande e eu sabia que pesava mais de 4 kg pelo tamanho ! Todo cabeludo e perfeito, conheci meu segundo amor naquele momento ! e como era lindo , tão lindo e perfeito que eu não acreditava ! Jayme cortou o cordão do nosso bebe com muita emoção! Levaram para os primeiros procedimentos , ali mesmo, do meu lado , enquanto eu paria a placenta, que o médico segurou , e terminou de fazer os procedimentos. Deu alguns pontos, acredito que uns oito ao todo, e nos liberou pro quarto .Aguardamos um pouco sem a equipe até que pudéssemos sair dali. Estava com meu João em cima do peito e seu cheirinho de vernix era o melhor do mundo ! João nasceu aos 1º de outubro de 2014, as 18:40 hs , com 4kg e 200 gr e 52 cm , na Santa Casa de Votuporanga, de um parto natural hospitalar sem intervenções . Não tomou banho nas primeiras horas de vida, e mamou em mim na primeira hora de sua recente existência terrena !

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Só tenho gratidão no um coração por ter conseguido passar pela experiência com certeza mais transcendental de toda a minha vida! Só tenho gratidão por todos que participaram dessa passagem da minha vida, ao meu Mestre Império Juramidam, Padrinho Sebastião e todos os seres da Corte Celestial, ao meu esposo e companheiro Jayme , por todos os momentos, a minha doula Marília, que com certeza foi fundamental pra que eu tivesse o meu Parto Natural ,por todas as massagens e toda a força que me fez cavar dentro de mim, as meninas do Gaia, Talita e Nath , por todos os conselhos e informações, a todas as gestantes que conheci nesse lindo caminho da humanização, a todas as ativistas e blogueiras pelas informações e empoderamento; enfim, a todos que participaram dessa pequena epopeia que foi o meu parto !!!Não foi o parto perfeito , nem o parto que sonhei, mas esse foi o MEU parto ! Foi o meu melhor !

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Gente, vale a pena cada lágrima e cada kilometro ! Mulheres, vale a pena parir !!! ”

Relato gentilmente cedido por Naiara Escobar, gratidão querida❤

O primeiro mês

Hoje eu vou tentar descrever um pouco sobre o primeiro mês de nascimento do meu segundo filho, o Aldebaran. Este post era para ter sido publicado lá em julho de 2013, mas, depois de ler o texto, você vai entender porque ele só foi terminado e publicado hoje.
Ele nasceu de parto domiciliar, no dia 14 de Maio/2013, se quiser, leia o relato aqui:

Achei interessante escrever sobre este primeiro mês pois, assim como várias outras coisas que envolvem o universo da maternagem, a maioria das mulheres não fala sobre isso, a sociedade finge que entende, e quem ta passando pelo momento se sente a mais desprezível e incompreendida criatura. Saiba que, você, que está nos primeiros meses de nascimento de seu bebê, não está sozinha. Somos uma legião de solitárias surtadas.

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Só para esclarecer, nesta gravidez e parto, eu estive muito mais ativa, empoderada (com o poder) de meu corpo e aberta ao aprofundamento de sentimentos, o que, eu imagino, tenha permitido que eu entrasse em contato com esse “outro” lado da maternagem. E ter tido um parto normal, onde a recuperação é a jato, fez com que eu me sentisse mais deslocada ainda. Vou explicar melhor.

Quando um bebê nasce, mesmo que seja o segundo, o primeiro, o décimo, nasce também uma nova mãe. O processo é longo e se repete a cada gravidez, você engravida e vai descendo pro fundo do oceano de emoções e mistérios. Quando você chega ao ponto máximo de profundidade, onde tudo está obscuro, tudo é lento, simbólico e denso ele nasce. E conforme os meses vão passando, você vai subindo de volta à superfície. Mas veja bem, você foi bem fundo, pra voltar é um longo e escuro caminho, não ache que vai ser fácil ou rápido. Talvez se falássemos sobre isso, se fôssemos preparadas e respeitadas neste momento, talvez ( eu disse talvez) o momento fosse mais tranquilo. Mas não é. Aquela ansiedade pro nascimento do bebê envolvia muito mais do que o simples “quero muito ver a carinha dele”, envolvia uma vontade de ter seu corpo de volta, de ter suas atividades recuperadas, de ter uma rotina “normal”, de poder andar um dia todo e não se sentir como se tivesse feito uma maratona de São Silvestre, de poder se sentir atraente e gostosa novamente, enfim, sabemos, mesmo que no fundo, que a gravidez, por mais linda e mágica que seja, cansa. Até a mais saudável das grávidas. E não tem nada de errado nisso.

Bom, aí o bebê nasce, e você sente aquele alívio, a rotina muda mas… a gravidez meio que continua (para o nosso desespero), pois embora o cordão umbilical físico tenha sido cortado, o emocional e simbólico está a todo o vapor. Isso sem falar na loucura hormonal.  Ainda mais se você, assim como eu, não mora com familiares (aqui em casa sou eu, meu marido e minha filha), está amamentando em livre demanda, faz cama compartilhada, é “adepta” da criação com apego, tem gato, cachorro, trabalha em casa e por conta, etc.

Você se adequa ao ritmo do pequeno, tenta entender seu choro, tenta acalmá-lo, tenta comer, tenta se acalmar, tenta tomar banho, tenta, tenta, tenta… e parece que tá tudo errado. Isso sem falar no básico, que é dormir conforme o sono do bebê , ou seja, picadinho. Tem noites que ele dorme 3h, outras 4h, outras nada. E sempre comentam: ah, aproveita quando ele estiver dormindo durante o dia e dorme também. Mas gente, eu já não estou aproveitando nada, e ainda vou dormir quando ele dorme, durante o dia? Eu quero conversar, ver um filme, comer, tomar banho…tem tanta coisa.

Mas o sono bate, e muitas vezes eu vou MESMO dormir com ele em horários nada convencionais. E ai você percebe que não tem mais momentos de “não-mãe”. Aí você pensa que é assim mesmo, uai, você vai SIM ser mãe pro resto da vida, mas nestes primeiros meses, é diferente. E essa é outra coisa que nunca nos disseram: – Você também está engatinhando. Aprendendo a lidar com essa nova vida, a sua e a dele. E sabe como tudo isso vai se resolver? Com o nosso amigo, o Tempo .
God-in-time
O tempo nos ensina a entender os choros, a saber quando devemos ouvir nossa intuição, quando devemos calar pensamentos, quando simplesmente aceitamos que não somos donas da verdade e que sim, as vezes erramos, as vezes acertamos, mas sempre abertas a aprender.

E temos também um outro aliado nesse momento, aquele tímido na nossa sociedade: O Colo. E não digo qualquer colo não, estou falando daquele colo que não julga, que ouve, que acolhe, que aquece e enche nosso olhar de esperança. Esse colo eu aprendi dando. Aprendi o quanto dá-lo, sem dó nem piedade, salva dias, olhares e famílias. Aprendi até a recebê-lo. Pois parece muito fácil “receber colo”, mas lhe digo, não fomos ensinados a isso, e acredito que seja muito, mas muito difícil mesmo nos abrirmos a tal ponto de receber um colo. Mais do que ofertar. E ter aprendido a receber um chamego em forma de palavras foi o que salvou minha maternidade, e salva até hoje.

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Me re-unir a outras mães, que assim como eu, recebem e dão colo, conversam por horas a fio sobre um assunto sem fim, ficam escrevendo palavras carinhosas pelo teclado ridiculo de um smartphone, deixam o tempo livre de mãe para ir na tua casa levar um bolo,  que te dizem:
-me telefona, por favor
e você responde:
-mas eu vou ficar só chorando ao telefone

e ela responde um belo:
-tudo bem, liga mesmo assim.

Também aprendi a criar com o tempo que tenho. Sim, criar, seja cuidar de uma hortinha no quintal, seja fazer bolo, ou bichinhos de feltro para dar para alguém. Me ocupar com atividades criativas e que eu posso, efetivamente, fazer, me trouxe muita satisfação e tranquilizou minha gana por “precisar fazer algo”. A arte me chamou de volta, e quando tenho um tempinho, faço algo. Mas nada com controle de tempo, qualidade ou quantidade. Tudo livre e solto. Faço na hora que rola e pronto.

E sabem do que mais, não nos preparamos como deveria para estes momentos. Somos jogadas num abismo emocional, e muitas vezes sozinhas, mas ninguém nos ensinou na escola a sermos mães, a lidarmos com esse escuro, a ativarmos nossas intuições e lidar com o selvagem, pois é ele quem se apresenta. Me vejo leoa amamentando um leãozinho, mas meio perdida, do tipo “uau, sou um ser selvagem? O que faz essa garra aqui? Nossa, é afiadinha!”. Raramente nos guiam naturalmente por esses caminhos, aí o que acontece? Nos perdemos, claro. Mas até isso, faz parte. Garanto que com minha filha já não será assim. Saí do torpor do senso comum e resolvi enfrentar a tempestade sem guarda-chuva, e surpresa, é uma delicia, mas assusta no começo.

É assim que caminhamos neste momento de nossas vidas. E cá entre nós, estou amando.
(na foto, eu e meus filhos num dia qualquer que conseguimos sair e ir à cachoeira)

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Corpo

“Escuta, o seu corpo não é um templo. Templos podem ser destruídos e profanados. O seu corpo é uma floresta – densas copas de árvores de bordo e flores silvestres de perfume doce brotando na relva. Você vai voltar a crescer, de novo e de novo, não importa o quanto você seja devastada.”corpo

Relato de Parto Domiciliar Isa e Gael

“EI, VC, JÁ LEU UM RELATO DE PARTO?
Dia 18 de julho de 2014. Eu sabia que aconteceria nesta data, na virada da lua minguante. Todo dia de manhã olhava a folhinha do calendário e contava quantos dias ainda faltava pra encontrar o Gael. A espera pelo nascimento mais parecia a ansiedade que eu sentia quando estava interessada em um cara: “Será que é hoje que vai acontece algo? Será que vai me ligar?”
Pois bem. Na noite anterior, três bruxinhas (Nath, Talita e Sophie) fizemos meu chá de bênçãos. Uma noite nem quente e nem fria, com fogueira, elementais, incensos, urucum e orixás. De fundo, uma música que me dizia: “Siente que el momiento llegas.” Eu sentia. Fui pra casa me sentindo plena e com algumas dores. Eu já estava nos pródomos fazia uns dias, então nem dei muita bola. Deitei com eles, Gael e a dor.
Sete horas da manhã do dia 18 de julho. Era pra ser mais um xixi matinal mas aquele veio acompanhado do meu tampão mucoso. Deu-me um aperto no coração! Olhei pra barriga e disse: “Chegou a hora, Gael. Vamos nos despedir da barriga, pois logo você estará aqui fora comigo.” E assim foi. As dores da noite passada haviam progredido. Comecei a contar o intervalo entre as “cólicas”. 3 em 3 minutos. Entrei em contato com a parteira-amiga Lucélia, que logo apareceu em casa. Engraçado que por mais que eu tivesse certeza de que aquilo era o início do meu trabalho de parto, algo não me deixava acreditar que, de fato, era. Poderia muito bem serem só os pródromos. Acho que foi por isso que eu não quis acreditar 100%.
A Lu achou melhor ir pra casa, pegar o restante do aparato e voltar aqui pra casa. Enquanto isso fiquei sozinha com a dor, me conectando com meu corpo e sentindo todo aquele movimento uterino. Sabe-se lá como consegui fazer um bolo, pra deixar pro pessoal comer durante o TP (o famoso bolo sabor contrações…rs). Enquanto isso, avisei as amigas-doulas Nath e Talita, e o amigo Samuel, quem faria a filmagem do parto.
As dores. Ahh, as dores!!! Se não fossem as paredes de casa pra me apoiarem. Comecei a ver qual a real das vocalizaçãoes. Todo mundo dizia que ajudava, que era importante. Tentei e achei estranho, bobo. Mal eu sabia que horas mais tarde eu estaria uivando no apartamento.
Lu voltou e logo chegou a outra parteira. Talita apareceu aqui com uma caixa de comidas. Minha cabeça não conseguia assimilar o que estava acontecendo. E no meio de um pensamento e outro, mais dores. Resolvi ir pro banho, pelando! A água quente mais parecia um afago de mãe, de tão confortante. Lu me vestiu: “Você precisa ficar bem quentinha, Isa. Parto é fogo, é calor.”
A piscina começou a ser cheia. Eis aí meu primeiro drama: o barulho, a movimentação que foi encher a piscina. Sempre me considerei uma pessoa tolerante mas naquele momento, eu queria apertar o MUDO do apartamento. Eu gemia de dor. Não queria barulho nenhum. Queria atenção silenciosa. Só isso.
Mesmo sem conseguir racionalizar a situação, minha intuição me dizia: “Você precisa se alimentar, comer bem.” Era sinal de que meu corpo precisava de energia para as horas que viriam pela frente. Comi legumes cozidos. Parava de mastigar a cada 3 minutos por conta das dores. Como me incomodavam! O lado bom das dores eram as massagens que eu recebia a todo momento.
Houve uma hora em que as contrações deram uma espaçada. Resolvi deitar um pouco e descansar. Doce ilusão! Ficar deitada durante as contrações mais parecia tortura chinesa (rs)!
Por volta das 15h a Nath chegou. Não lembro se nesse momento o Samuel já estava aqui mas acho que não. E assim seguiram as próximas horas: dores, massagens, uma conversa aqui, outra ali. Por falar em conversa paralela, isso também me incomodou. Eu havia escrito no meu Plano de Parto que queria silêncio, sem celular e tal. Não foi o que aconteceu.
Por volta das 17h eu senti que o parto iria engrenar. Na penumbra da sala e com minha playlist de Daime e Ayahuasca, minha preta velha chegou, na sua força e energia, de emocionar os mais sensitivos e sensíveis seres que ali estavam. Pra mim, foi o divisor de águas. A partir dali, tudo começaria. Eu já predizia que o Gael nasceria durante a noite e assim começamos a caminhada.
Eu leoa, loba, comecei a sair da toca. Uivos, gemidos de dor. A cada contração que passava eu dizia: “Menos uma.” Lembro-me de ter pedido silêncio. Vinha da cozinha um barulho insuportável. Neste momento de total conexão com meu corpo, eu não queria nada além de ouvir o som e ficar quietinha. Mas tantas vezes vieram falar comigo durante as contrações. Poxa, como aquilo incomodava! Meu corpo se esquivava das vozes.
Resolvi tentar a piscina. A noite tava fria, a água, morna. Minha vontade era de ficar em frente ao aquecedor e não sair mais dali. A sensação de estar na água dava outro sentido às contrações, que ficaram um pouco mais suportáveis. A cada dor, eu abraçava a Nath, a Lu. Era como se eu dissesse: “Não me deixe aqui sozinha, por favor.” Eu tinha a necessidade de saber se o TP estava evoluindo. Perguntava, constantemente, quantos centímetros já havia dilatado. Não lembro mais a evolução da dilatação ao longo do tempo, o que sei é que a linha púrpura me salvou de alguns toques (não todos, infelizmente).
Lembro que a equipe me pedia, de tempos em tempos, pra mudar de posição, pra ir pro chuveiro, pra bola, pra banqueta. Mas ali, no cantinho da piscina, eu estava num trabalho árduo. Só eu sei quanta energia eu coloquei ali. Resolvi tantas coisas com o Gael, com meus mentores espirituais. A tarefa era perdoar. Meu filho estava vindo pra me ensinar o perdão e, enquanto eu não me perdoasse e não pedisse perdão à ele, ele não nasceria. Eu tinha consciência disso. Por isso, pouco me importava se a bolsa estava íntegra, se eu estava de cócoras na piscina, quicando na bola ou de pé fazendo a dança pro bebê encaixar. Era isso o que eu queria, que fosse naturalmente um processo não só de nascimento do Gael , mas também da minha morte. Sentir-me morrendo foi uma experiência única. Em muitos momentos era como se eu estivesse sumindo. E acho que muitas vezes eu sumi da sala e de mim mesma. Mas tiveram momentos também em que eu senti prazer naquela dor. Lembro-me de ter dado umas risadas durante as contrações.
Da piscina eu fui pro chuveiro, dancei com a Nath, fui pra cama, voltei pra piscina e depois pra banqueta e depois pra bola. Ahh! Não gosto de lembrar dessa movimentação toda. Fizeram uma manobra de chacoalhar a minha barriga, pra ver se o Gael descia. E, poxa, que coisa mais incômoda!
Daí veio a questão: romper ou não a bolsa (sim, ela ainda estava íntegra). Tudo o que eu não queria era ouvir essas opções (ponto colocado no Plano de Parto). Se fosse pra nascer empelicado, lindo! Eu não estava com pressa, apesar de reclamar tanto da dor. Eu não queria alternativas. Queria apenas que acolhessem a minha dor, que me exaltassem, que dissessem: “Isa, estamos com você e você vai conseguir.” Mas o que eu ouvia: “Se estourarmos a bolsa, o Gael desce e nasce mais rápido.” Esquivei-me dessas palavras até onde consegui mas a exaustão física me fez ceder. “Então, rompam a bolsa.” Foram duas tentativas… frustradas. Não conseguiam rompê-la. A cada tentativa era mais dor e incômodo que eu sentia e saber que ela não havia sido rompida me deixava furiosa e impaciente. Pedi que não tentassem mais.
E eu fiquei ali, na piscina, por mais um tempo. Ganhei açaí na boca, né Talita? Lembro de observar em volta da piscina e ver os olhares mais lindos vindo em minha direção. No intervalo de uma contração a pessoa que menos entendia de trabalho de parto (Samuel) pegou minha mão e fez um carinho. Que coisa linda! Era de gestos simples como este que eu precisava. Nada além.
Quantas vezes pedi ao meu corpo um pouco de descanso. E ele atendia. Dava-me uns 6 minutos de trégua, momento em que eu até cochilava. Mas depois vinham duas contrações na sequência e eu uivava. Lindo foi, em determinados momento, ouvir um coro das minhas vocalizações. Talita e Nath me acompanhavam. Era tão gostoso parir com elas!
E mais uma vez a questão da bolsa veio à tona. Ela foi rompida e eu senti uma pressão no ventre. Sentia o Gael vindo. Neste momento acho que eu já estava no expulsivo. Dizem que fiquei neste período durante 2h. Ele já havia passado do osso da pelve e estacionou por ali. Levaram-me pro chuveiro e depois pra cama. Encanei que era o cocô que estava impedindo do Gael nascer. Recebi muita massagem; consegui fazer um pouquinho de cocô e voltei pra piscina. Era chegada a hora.
Fiquei de joelhos, apoiada no colo da Lu. Incrível como nesta hora o corpo sabe o que fazer. Coloquei em prática a respiração que aprendi durante a gravidez. Eu fazia força na hora certa: durante as contrações. Até o tom da minha vocalização estava diferente. Ele estava vindo. Eu colocava a mão na vagina e sentia os cabelinhos dele, dançando na água. A cada contração eu sentia a cabeça do Gael empurrando a parede do meu canal. Que coisa mais linda! A cabeça vinha e voltava, massageando meu períneo. A força vinha de dentro. Nós dois ali, trabalhando um pelo outro, numa simbiose de amor. Estávamos os dois em estado de meditação, totalmente presentes naquele momento, vivendo para o mesmo propósito: nascer com Amor.
E num uivo eis que saiu a cabeça do caboclo. E logo, o seu corpo todo. Posso viver mil anos que vou sempre lembrar aquela sensação. Peguei minha cria nos braços. É claro que era você, só podia ser você, Gael, com essa carinha, esse bico, essa perfeição! O corpo coberto por vérnix grudou no meu e chorou, me dando as boas vindas. Nosso choro podia ser traduzido por palavras de gratidão. Graças à ele, eu vivi as melhores horas da minha vida.

Parto Isa e Gael
Eu poderia parar o relato aqui mas há a outra parte, importante ser dita também. Tiraram-nos da piscina e fomos pra cama. Que frio eu senti! Meu corpo todo tremia. A exaustão das 17h de trabalho de parto havia culminado naquele momento. Eu mal conseguia falar. E vinha mais contrações, agora pra expulsar a placenta. Mexiam no cordão e aquilo doía demais. Precisei pedir pra parar de mexer umas 3x.
E quanto à laceração? De início não souberam avaliar se a laceração havia atingido a uretra. O Gael nasceu com a mão na cabeça e com distócia de ombro, o que causou a laceração. Esse impasse, de não saber o que havia acontecido comigo “lá embaixo”, foi me apavorando e eu não conseguia nem curtir o momento. Eu imaginava que, após o nascimento, eu teria um tempo gostoso pra ficar admirando o Gael. Mas não foi tranquilo assim. E entre esse “lacerou o que”, eu pedia pra me levarem pro hospital. Eu ligava pro meu GO (Paulo Fasanelli) e nada! Não me atendia. Quanta aflição! Ir pro hospital com o Gael? Sem o Gael?
Achei melhor ir sozinha. Tive medo de internarem meu bebê e fazerem todos os protocolos médicos que eu tanto tinha lutado pra evitar. Que dor no coração deixá-lo aqui. Ele ficou com a Nath e a Talita. Uma coisa que eu não pensei na hora e que agora vejo que não foi legal foi o fato de não ter ficado uma enfermeira aqui, caso acontecesse algo com o Gael. Na hora a única coisa que eu pensava é que eu não estaria do lado dele, pra sentir meu cheiro, pra procurar o peito e mamar. Isso doeu em mim.
O percurso de casa até o hospital durou uma eternidade! Tenho a impressão de ter ficado fora de casa umas 5h mas na verdade foram 2h. Primeiramente, fui atendida pelo plantonista. Se há pessoas desumanizadas, tenho certeza que ele é uma delas. Mas por sorte conseguiram contatar o meu GO, que fez a sutura com todo cuidado do mundo. Foram 6 pontos, localizados dentro da vagina, no períneo e na região anal.
Voltei pra casa e peguei meu pacotinho de gente. Todo embrulhadinho e aquecido no amor (e na teta da Talita) das minhas queridas! Tomei banho e depois comi um pouco. Eu estava exausta! A equipe ficou aqui para organizar a casa, esvaziar a piscina…
E o que eu tanto havia esperado estava ali no meu colo, gemendo e respirando. O grande encontro aconteceu, do qual não voltarei a ser a mesma.
Eu agradeço, do fundo do coração, por cada detalhe que aconteceu, principalmente os que não gostei. Foram eles que fizeram deste parto um momento mágico, não só pra mim mas acredito que pra todos que estavam presentes (e conectados). Acredito que até as energias que quiseram atrapalhar, no fundo, só ajudaram. Agradeço por cada abraço, cada olhar de ternura. As massagens, o respeito, o colo que vocês nos deram. Hoje fica o sentimento de gratidão. Frustração? Não tem nem como sentir isso. Eu pari, do jeito que eu e ele escolhemos.”

Aqui o video 

, feito pela Cinemacaco

Relato escrito por Isa que gentilmente cedeu o conteúdo para o Blog.
Gratidão irmã, sempre juntas❤

Sobre meu corpo de mãe

Estes dias fui convidada pela querida Ilze Ferreira (fotógrafa) para participar do seu projeto fotográfico “Mulheres Maternas do Interior”, onde através de ensaios de nu ela traz à tona um discussão muito válida: -como é nossa relação com nosso corpo pós gravidez?
Eu adorei posar para ela e estou aguardando ansiosa pelos outros ensaios e exposições, torcendo aqui para que seja um sucesso, pois acredito que temos que romper estereótipos, preconceitos e medos. Que sejamos felizes e lindas, mães, magras, gordas ou filhas.
Aqui algumas fotos (onde poso com meus 2 filhos), e meu relato:

“Como mulheres, somos ensinadas a sermos minúsculas. A ter corpos pequenos, a nunca sermos imponentes. O ideal de nosso gênero é [sermos] magras e infantis, sem pelos e delicadas. Somos definidas por nossos corpos; definidas pelo controle que temos sobre eles. Somos ensinadas a sermos obcecadas com nossas fisicalidades e repulsivas por nossos desejos e inteligências. Somos ensinadas a andarmos com medo nas ruas tarde da noite. Seguramos nossas chaves entre nossos dedos perfeitamente cuidados, andando graciosamente como um bebê antílope numa horda de leões. [Somos ensinadas] que nossa virgindade define nosso caráter. Que sou uma vadia frígida se não trepar com ele, e uma puta suja se o fizer.”
— Michelle K., “The Truth About Growing Up A Woman” (tradução livre)

Nathalie Gingold: – Esta citação vem de encontro com o que sinto hoje em dia em relação ao meu corpo. Sinto ele cada vez mais livre de qualquer padrão, de qualquer marca ou insinuação.
Sempre me disseram “como” o corpo de uma mãe devia ser, como devia se parecer, como era o certo, como era o errado; Até a maneira de se vestir de uma mãe me ensinaram. E ai eu fui lá e tive meus filhos, meus dois filhos, frutos de paixão, frutos de mudanças e em cada um, uma barreira rompida. Minha primeira filha, a Sophia, foi retirada de mim através de uma cirurgia abdominal, sem necessidade (diga-se de passagem), mas que, na época eu acreditava ser o melhor. A dor foi muito além dos músculos que me foram cortados, fui cortada da possibilidade de parir minha cria, de dar a luz, pois, apesar de parecer radical, cesárea pra mim não é parto, é cirurgia. E, se ainda fosse necessária a dor ficaria restrita à cicatriz. Mas não foi. E eu me reergui, cheguei ao fundo da dor que sentia e comecei a subir, e cada vez mais, aprender sobre meu corpo, sobre o parto, sobre essa forma cheia de curvas, pelos, gordura, ossos, hormônios e calor. Meu segundo filho seria parido por mim, acolhido com amor na hora do nascimento, e a determinação de aprender sobre esse ritual tão secreto chamado parto me fez ter meu pequeno em casa. E foi mágico. Na verdade, creio que superei não só a dor da cirurgia, superei a mim mesma, superei as expectativas de uma sociedade inteira que sempre me disse: – você não aguenta, você é fraca, você é feia, você é estranha, você não entende nada do teu corpo, você tem medo, você não tem o corpo perfeito, você precisa ser igual. Superei esses conceitos e fui atrás de aprender a olhar para mim mesma, com olhos sinceros e amorosos. Com carinho acolhi não só a meus filhos, acolhi a mim mesma; me abracei, me acariciei, me deixei livre.
Hoje, sou o que sou. Ora corpo, ora alma. Sempre em frente. Muito orgulhosa de ser quem sou, de ter o corpo que tenho, de ter filhos, de ter prazer, de ser eu, assim, sem mais.
Venho para desconstruir a ideia de que “temos” que ser alguma maneira que não a nossa.

Obrigada Ilze, pela oportunidade de participar desta transformação, é de mulheres como você que o mundo precisa. Mulheres que seguem, que mesmo com dor, mesmo calejadas, se erguem e dão a mão àquelas que estão ao lado.
Irmãzinha Ilze, gratidão querida..

“O remédio está em obter cuidados de mãe para nossa própria mãe interna. Isso se obtém com mulheres reais no mundo objetivo que sejam mais velhas, mais sábias e que, de preferência, tenham sido temperadas como o aço. Elas se tornaram calejadas por terem passado por tudo o que passaram. Independente do custo, mesmo agora, seus olhos vêem, seus ouvidos ouvem, suas línguas falam, e elas são gentis.
(…) Nossos relacionamentos com las todas madres, as muitas mães, serão com maior probabilidade relacionamentos permanentes, pois nunca passamos da idade de necessitar de orientação e conselho, e isso também não deveria ocorrer, a partir do ponto de vista da profunda vida criativa das mulheres.
Os relacionamentos entre mulheres, sejam elas da mesma família de sangue ou almas gêmeas, seja o relacionamento entre analista e analisando, entre mestre e aprendiz, ou entre espíritos afins, são todos relacionamentos de afinidade da maior importância.”

Clarissa Pinkola Estes (do livro “mulheres que correm com os lobos”)

 

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Nosso corpo e meus devaneios

Se tem um tema que tem batido muito esses últimos meses é sobre o nosso corpo. Mais exatamente a quem de fato ele pertence.
Digo isso pois o tema tem se estendido desde uma conversa sobre gravidez ativa, pêlos, marcas de cesárea, slushaming, beleza, um documentário sobre a felicidade (“Eu maior”), a violência obstétrica, o nu até a volta do meu projeto “Musas de Si” (que para quem não conhece, fala sobre a ideia de ter como padrão de beleza nós mesmas, para sermos nossas próprias musas inspiradoras. Aqui um link falando mais: https://agrandegaia.wordpress.com/2011/05/25/musas-de-si/ ).

A quem, afinal, pertence o nosso corpo? Martela, martela e martela minha cabeça. Naquela sensação que diz : – Vai logo, faz alguma coisa!
Martela pela dor que vejo transpirando das pessoas. Martela a distorção de valores por coisas simples. Martela por ver mulheres se suicidando por ter mostrado sua sexualidade. Martela a beleza escondida por dietas, roupas e ilusões. Martela a sensação de paralisia, impotencia e silêncio por uma cesárea forçada. Martela a hiper sexualização das crianças. Martela o fato de eu ser um ser desperto, de entender que se sinto e posso fazer algo para ajudar e mudar essa realidade, pois então eu devo fazer. Não por mim. Não por um ideal. Mas por fazer parte. Por empatia em seu mais puro sentido. Eu também sou você que sofre.Image

Algo está sendo gerado aqui, e o nosso corpo será ouvido.

na contramão

Contranarciso

em mim

eu vejo o outro

e outro

e outro

enfim dezenas

trens passando

vagões cheios de gente

centenas

o outro

que há em mim

é você

você

e você

assim como

eu estou em você

eu estou nele

em nós

e só quando

estamos em nós

estamos em paz

mesmo que estejamos a sós”

Paulo Leminsky
Imagem

Obrigada irmã de alma, Lucy in the sky, doida de pedra, menina linda que veio roubar a loucura e a beleza do mundo.❤

Para mamãe recém-nascidas

Alguns links bacanas para quem acabou de ter um bebezinho (por Adele Doula )

– A Fusão Emocional | por Laura Gutman:http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/03/26/a-fusao-emocional-por-laura-gutman/

– A Amamentação:http://adeledoula.blogspot.com.br/2012/06/amamentacao.html

– Vídeo: a pega: http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/01/08/video-latching-on-tips-for-breastfeeding/

– Amamentação em Livre Demanda: o que é realmente?http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2012/12/06/amamentacao-em-livre-demanda-o-que-e-realmente/

Foto por Sarah Photography http://capturedbysarah.com/
Foto por Sarah Photography
http://capturedbysarah.com/

 

– Tem mesmo pouco leite? Baixo peso? NAN é a solução?http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/08/29/tem-mesmo-pouco-leite-baixo-peso-nan-e-a-solucao/

– Lugar de recém-nascido é no peito!http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/06/14/lugar-de-recem-nascido-e-no-peito/

– Evolução, extero-gestação e como sobreviver aos 3 primeiros meses do bebê: http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/04/25/evolucao-exterogestacao-e-como-sobreviver-aos-primeiros-tres-meses/

– Teoria da extero-gestação para bebês novinhos:http://www.facebook.com/notes/solu%C3%A7%C3%B5es-para-noites-sem-choro/teoria-da-extero-gesta%C3%A7%C3%A3o-para-beb%C3%AAs-novinhos/224031814287902

– Teoria da extero-gestação, angústia da separação e criação com apego:http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2012/12/20/teoria-da-extero-gestacao-angustia-da-separacao-e-criacao-com-apego/

– Porque o bebê chora quando a mãe sai do quarto? | por Carlos Gonzalez:http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/03/03/por-que-o-bebe-chora-quando-a-mae-sai-do-quarto-por-carlos-gonzalez/

– Fases de crescimento e desenvolvimento que modificam o sono do bebê e da criança: http://guiadobebe.uol.com.br/fases-de-crescimento-e-desenvolvimento-que-modificam-o-sono-do-bebe-e-da-crianca/

– 8 fatos sobre o sono dos bebês que todo pai e toda mãe deveriam saber:http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/08/27/8-fatos-sobre-o-sono-dos-bebes-que-todo-pai-e-toda-mae-deveriam-saber/

– O efeito vulcânico – por que o sono inadequado durante o dia, falta de sonecas ou sonecas curtas resulta em extrema irritação e luta contra o sono?: http://guiadobebe.uol.com.br/o-efeito-vulcanico-por-que-sono-inadequado-durante-o-dia-falta-de-sonecas-ou-sonecas-curtas-resulta-em-extrema-irritacao-e-luta-contra-o-sono/

– Chupeta: o que toda mãe (e pai) deveria saber:http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/09/chupeta-o-que-toda-mae-e-pai-deveria.html

– Higiene com (ou sem) fraldas – Elimination-Communication:http://bibliografiadadoula.wordpress.com/2013/09/03/higiene-sem-ou-com-fraldas-elimination-communication/

*Se tiver outro texto legal para recomendar, por favor, coloque-o nos comentários!

Musas is back

O projeto “Musas de Si” foi idealizado por mim, Nathalie Gingold, no ano de 2010 e inicialmente fiz 20 ensaios, três exposições e ganhei um prêmio municipal de incentivo à cultura (Nelson Seixas – S.J. RIo Preto,SP). Queria fazer um livro, e andar por ai com a expo, mas, após vários meses e mudanças na vida, me dei conta que este projeto é “eterno” e resolvi retomá-lo, discuti-lo, literalmente colocar a boca no trombone.

É isso. Fiz um Tumblr que vem para trazer os ensaios à tona, à todas e todos que queiram ler e participar, e também a quem quiser incentivar o projeto, divulgando-o e abrindo espaços para a exposição do mesmo em várias localidades.
Aqui meu e-mail para contato: nathgingold@gmail.com
Aqui no blog eu ja tinha falado no musas, aqui.

Abraços de musa!
(na foto a musa Beatriz)

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Devaneios de um momento em que não estou pensando em nada além de mim mesma

Mas que título comprido, você lê e pensa. Sim, o título é comprido mas não sei o quanto o texto o será. Pois eu não tenho mais controle do meu tempo “sem pensar em nada” e ao mesmo tempo, só tenho feito uma coisa : -cuidado do meu filho, o Deba, de 4 meses.

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É meu segundo filho e por conta das lendas acerca da maternidade a gente acha que vai ser mais fácil que o primeiro e tals. Não que seja mais difícil, mas sinto que as dificuldades só mudaram de nome. Mas a palavra que busco é outra. Não é “difícil” mas talvez, complicada.

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Na verdade, posso estar sendo injusta, a maternagem é, por si só, um mergulho no obscuro mundo da solitude meditativa, onde o objetivo principal é cuidar da cria e aprender sobre a linguagem misteriosa dos bebês. Da pra fazer diferente, claro, hoje em dia sempre dá, é só se isolar desses primeiros meses. Eu podia ter dado a mamadeira de plástico cheia de leite sintético (ou de vaca, coitada) , colocado ele pra dormir sozinho no berço e chorar por horas a fio, contratar uma babá ou pedir pra alguma tia ou minha mãe cuidar, ou qualquer outra alternativa “normal” nos dias de hoje. Mas não quis e nem tenho pretensões de querer.


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Quis ser bicho. Ter meu filho em casa, urrando pra lua e sentindo todas as entranhas do meu corpo tremerem. E fui atrás para aprender a urrar, a parir, a gritar pelos meus direitos. Eu quis deixar a cria grudada a meu corpo, se preciso 24h, mamando como um lobinho, se misturando ao meu cheiro, se afeiçoando as minhas feições e aprendendo a urrar comigo. Eu quis lidar com a natureza de frente (detalhe grandão que me ocorreu ao escrever tudo isso,  tudo que escrevo é pessoal e não deve ser levado a outros âmbitos malucos, ou seja quem realmente PRECISA (ou precisou ) de leite artificial, de um parto hospitalar, de alguém para cuidar do filho e tudo mais, por favor, não é uma critica a você).

Eu quis lidar com essa natureza toda e esqueci que a mais dificil de lidar é a minha. Sim. A minha natureza. A minha loba interior, a minha lua, a “eu” selvagem. Ela não se adapta a esse ritmo de vida em que vivemos. Ela quer sua caverna, suas plantas, suas conexoes espirituais, suas irmãs para compartilhar a maternagem. A loba chora pois se sente só. Mas ao mesmo tempo, precisa ficar isolada, os lugares não são propícios a sua cria e nem a suas novas rotinas.  Se sente longe da sabedoria ancestral de suas irmãs, se sente perdida em lidar com sua própria sombra, e ao mesmo tempo, se sente toda completa o ver suas crias dormindo. Satisfeita e sem rumo, venho aqui e escrevo palavras internas. Palavras que queria ter trazido a tona bem antes. Palavras que sempre me aliviaram. Voltem.10978519_10152782321098167_8156254244884814481_n

 

Mamífera

Somos “civilizados” de mais para lidar com bbs recém-nascidos. Estes serem tão próximos do instinto e tão incompreendidos por rotinas e racionalidades.
Queria ser mais selvagem neste momento. Mais bicho. Mamífera que sou, só entendo de coisas de gente grande ou civilizada.
Mães de recém-nascidos são, literalmente, jogadas aos leões, sejam eles suas próprias sombras, sejam eles aqueles que se agarram a seus peitos.
E a beleza está bem ai.
Estou estirada a as sombras, buscando me entender, me acostumar…
Estas palavras não buscam a compreensão, mas sim, o acalento daquelas que se sentem como eu.

O rugido do parto ainda é ouvido. 

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Meu parto

Este relato é dividido e 4 partes:

1) pré-gravidez

2) a gravidez

3) o parto

4) o pós-parto

Minha historia começa ha seis anos atrás, quando eu engravidei da Sophia. Eu sempre quis ter um parto normal, pois sei como é uma cirurgia e a cesárea está entre uma das mais invasivas que existem. Não é bonito, é uma cirurgia, e a meu ver, sempre era usada em emergências e quando era opção da parturiente. Busquei um G.O. que fizesse parto normal e acreditei. Acreditei que todos os procedimentos e instruções eram para que tudo desse certo, que me levasse ao meu parto. Mas não tinha ideia do quão enganada eu estava. Por ter essa confiança nele, sequer procurei outras pessoas, afinal, ele era “O” medico todo fofo, atencioso… eu nem desconfiava que existisse um movimento pela humanização do parto, que existia a tal “violência obstétrica”, ou mesmo que ele pudesse, de fato, estar mentindo pra mim em algum momento. Gente, para e pensa: ele mentir seria algo antiético, certo? Enfim. Leiam o relato aqui (detalhe que na época em que a escrevi eu estava no começo do despertar, nem desconfiava que minha cesárea tivesse sido desnecessária).

2) a gravidez

Depois de um tempo, eu e meu marido cogitamos a ideia de ter outro filho, a Sophia já estava com 5 anos e estávamos numa fase muito tranquila e de segurança. Aos poucos fui conversando com a Adèle Valarini, que eu sempre via postando material relacionado ao parto e afins. Nós estudamos juntas quando pequenas mas não éramos amigas, só colegas, o facebook com suas ligações malucas nos reaproximou e foi lindo =).581892_10151661254275941_162335685_n

Voltando, eu fui metralhando ela de perguntas, abri a portinha do universo do parto humanizado, do parto domiciliar (que até então eu tinha aquela ideia manjada que, pra ter em casa, precisava ser milionária, ter ambulância na porta e equipe com GO, neonatologista, enfermeiras e tals), e vi meu primeiro parto :

 que marcou muito. Me fez chorar, me fez pensar. E ainda ouvi dela: Nath, você pode ter o parto dos teus sonhos. Me imaginei em casa, com a amoreira do meu jardim ao fundo, pessoas amadas ao meu redor e aquele momento de, literalmente, DAR A LUZ.

Em dois meses eu engravidei e comecei a buscar as opções da cidade, entrei em grupos do face relacionados ao assunto, vi  muitos vídeos de parto e li muito sobre cada duvida que surgia. Fui desmistificando tudo que pudesse ter relação com o parto. E olha, descobri um universo. Desde coisas maravilhosas como entender o nosso corpo e como ele age de forma perfeita, até ouvir relatos pavorosos de violência obstétrica, de mentiras deslavadas para levar a mulher (mesmo aquela que quer o parto normal) para a cesárea. Fui para Brasília conhecer os grupos de parto humanizado, a Adèle, e tudo mais relacionado, me lembro da emoção de conhecer a Sylvana Karla e ela me contar que teve os dois filhos em casa! Na minha cabeça era algo como “puxa, “elas” ( elas= mulheres que pariram em casa) existem mesmo” (uma experiência quase mística, como se eu pudesse, de alguma maneira conhecer uma deusa, sabe?). E também tomei conhecimento que a cidade onde moro (S.J. Rio Preto,SP) é uma das que tem o maior índice de cesáreas…do Brasil. Tem até professor de faculdade dizendo que a cesárea é melhor em todos os aspectos pra o nascimento (melhor pra quem, eu pergunto).deb5a491baff1661e0d3b9c55dbc9032

Enfim, ir para o hospital não se tornou uma opção, era praticamente certeza que, chegando lá, me encaminhariam para a césa. Ou eu teria que chegar com o neném saindo. Sem falar que, com muita, mas muita sorte eu encontraria uma equipe humanizada num plantão e mesmo assim as probabilidades de eu passar por várias  intervenções (mesmo num parto normal) era praticamente de 100%. Sem falar que, não sei você, mas eu tenho pavor de hospital, pra mim é um local de doenças, pessoas estranhas (e muitas vezes arredias), agulhas, álcool, frio,  macas duras…ainda mais no SUS. Não iria pro hospital sem necessidade, só isso.

Voltando, minha gravidez foi fisiológica e biologicamente  perfeita, não tive nenhum problema, nem sustos, nada. E mesmo assim, toda vez que eu comentava com a GO do postinho algo sobre parto normal ela falava da cesária anterior, ou que era muito cedo pra pensar nisso, ou que eu devia parar de ter esperanças em relação a isso e pensar em coisas mais “importantes”, pediu o último ultrassom dizendo: -ah, você quer parto normal? Vamos pedir o ultrassom só pra ver se ta tudo certinho pra isso, de repente né? (e, de fato, estava…nenhuma lenda urbana foi detectada, como circular de cordão ou bebê sentado ou placenta “velha” (eu poderia fazer uma lista engraçadíssima pra vocês de desculpas para césa vistas num ultrassom ou sem nada, alias, vejam por si mesmos: http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/indicacoes-reais-e-ficticias-de.html)

O mais incrível é que essa GO, mesmo que eu quisesse, não teria nada a ver com o parto, ela só faz o pré-natal, e eu me pergunto: -pra quê fazer esse terrorismo se ela sequer vai estar ou ganhar nada com o parto? Eu vejo esse discurso (e vários outros) relacionados a um terrorismo da ideia do parto normal sendo feito não só pelos profissionais “interessados” na cesárea, mas também pela mídia, por grandes meios de comunicação, por pessoas que reproduzem a fala do “sistema” e nunca se questionaram acerca dos fatos na história…enfim, tem muita lenda nessa área, muitos segredos que só ajudam aqueles que não vão passar por um parto. Porque, depois que você passa, você entende do que estou falando. Entender que tive que passar por uma cirurgia tão grande, com proporções psicológicas, de maneira desnecessária, sem respeito algum pelas minhas escolhas e vontades, pelas minhas peculiaridades culturais e pessoais, dói. E muito. 

Fui atrás de parteira, GO ou Enf., Obstetra que pudesse acompanhar meu parto, mesmo que fosse para vir de outra cidade. E tava bem complicado, as semanas iam passando, o parto se tornando próximo e nada… Quando encontrava alguém essa pessoa não poderia vir, ou teria parto na mesma época, ou só se eu fosse pra tal cidade…e eu querendo ter meu parto aqui, na minha casa mesmo. Me senti mal, pensei em alternativas malucas como ir pro hospital com o bebê saindo, ou ter em casa só com meu marido, mas não queria de maneira alguma colocar a minha ou a saúde do bebê em risco. Não desisti e continuei procurando. Não adianta também você chamar alguém só por essa pessoa “poder” fazer o teu parto, você tem que se sentir segura, amparada e ter certeza que o profissional é qualificado para um parto.
A ideia de um parto assistido é exatamente o que a palavra diz, você e seu filho serem assistidos em tudo durante o parto. E, para quem tem dúvidas, ele é qualificado tanto para pequenas emergências quanto para saber que aquela situação pede uma transferência para um hospital. E esse tempo é o mesmo utilizado para uma emergência hospitalar. Selecionei dois ótimos artigos para quem sabe pouco sobre o tal parto domiciliar:
Alguns mitos sobre o parto domiciliar

Um novo olhar sobre o nascimento: o parto domiciliar

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Heis que, la pela 35 semana, eu consegui uma indicação pela doula Helena Junqueira (de Ribeirão Preto, SP) de uma enf. obst. de São Paulo-capital  que costumava viajar para fazer partos. A Luciana Lourenço.
Ao falar com ela tive uma baita surpresa pois ela estaria em Rio Preto em 3 dias por conta de uma consulta de outra grávida que, (pasmem!) também teria um parto domiciliar em São José do Rio Preto. Eu cheguei a dar gritinhos histéricos de felicidades e achei que ela estava brincando comigo. E não estava.
Implorei por uma consulta no mesmo dia e deu tudo certo. Ela veio, conversamos, nos entendemos e deixamos tudo claro:  -valores, vontades, como faríamos no dia… enfim. Quando eu chegasse perto das 40 semanas, nós nos comunicaríamos todo dia para saber de sinais do parto e, assim que ela achasse necessário, viria pra cá de carro. E assim, os últimos dias foram seguindo, com aquele inchaço básico de fim de gravidez, com faltas de ar pelo bebê já estar enorme, com noites mal dormidas… 472749_4523084329870_388246708_o 891911_4420084314934_348480846_o
E eu tentando não ficar ansiosa, via vídeos de partos lindos, pensava na minha cesárea, na ansiedade do parto da Sophia… e sentia ainda fresquinha a dor da cesárea. E sabia, que essa cicatriz só pararia de doer na próxima etapa: o parto.

3)o parto

A ideia inicial era a de que, se eu tivesse algum sinal (na verdade, eu tava quase contando sobre tudo) eu falaria com a Luciana (por tel, face, mensagem) e ela viria pra cá assim que achasse necessário. Também estava contando com a Lucélia Caires , amiga de longa data, também enfermeira obstetra, que, na duvida, viria me ver para que não acontecesse nenhum imprevisto ou que, pelo menos, diminuísse minha ansiedade. Mas, não aconteceu nada conforme o esperado, foi melhor. A Luciana veio pra Rio Preto antes por conta da outra grávida (a Vanessa), que estava com a bolsa rota e aproveitou para me examinar na quinta, depois voltou pra casa da Vanessa. E o pequeno Enzo nasceu! Depois do parto da Vanessa, que foi lindo (leia o relato aqui), ela voltou a minha casa e percebeu que meu colo do útero já estava diferente, mais fino, dilatado, e eu ainda sem dores. Ela ficou na duvida…pensou em ir pra SP no domingo de manhã, mas depois de me examinar novamente, achou mais prudente ficar. Afinal, ela já havia perdido o aniversario do marido (que foi no sábado dia 11) e, pelo jeito, perderia o dia das mães também.

Ficou. Eu em nítidos pródromos quase indo pro TP ativo mesmo, mas sem dores, sem muitos desconfortos. Ela até me fez um chá, que ajuda a entrar em TP. A Lucélia também veio me ver e aos poucos eu fui achando que, puxa…acho que ta começando.1-IMG_9715

Na segunda feira, por conta de um exame de toque (pois era só assim que elas podiam saber como estava o meu TP (Trabalho de Parto), por eu não sentir dores, elas me relataram que a bolsa de liquido amniótico estava muito rente a cabeça do bebê, (e esta bem encaixadinha e baixa) e que, isso poderia ser um sinal de mecônio. Daria pra ver o liquido através de um exame, mas, por conta da bolsa tão grudadinha a cabeça dele, tava impossível ver qualquer coisa. Resolvemos esperar. No fim do dia, por receio de mecônio (e se fosse, eu seria transferida pro hospital para não haver risco de aspiração de mecônio), elas resolveram verificar novamente, e nada havia mudado. Tentamos desencaixar um pouco o bebê para tentar ver o liquido, mas nada. E, em conjunto, la pelas 2h-3h da madrugada de segunda pra terça, achamos mais seguro estourar a bolsa para verificar o liquido ao invés de ficar com receio do mecônio. Foi o primeiro momento durante o parto que eu tive que enfrentar meus mais terríveis pensamentos, que tive que me manter firme que aquilo era o melhor e mais seguro para mim e pro bebê, e que, se fosse necessário, iria pro hospital. Me mantive firme e forte, segura da minha equipe e da minha escolha. E elas fizeram o procedimento. Resultado? Liquido limpinho, perfeito, clarinho. Ou seja, nada de mecônio! Ah, e o melhor estava por vir, em uma ou duas horas, meu TP ativo começou! Eu comecei a sentir as tais contrações doloridas e pulamos todas de felicidade quando começou! Sim! Parece loucura, mas eu estava muito feliz com minhas dores. Era como se, durante esse tempo todo eu estivesse na fila para “aquela” montanha russa incrível, e agora, com as contrações e dores, eu tivesse acabado de embarcar no carrinho. Estava eufórica. Alias, todas nós estávamos.

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Tenho que relatar também que, meu colo estava posterior (e se manteve assim por um longo tempo) o que fazia com que o exame de toque fosse bem incomodo e também, com que o TP demorasse. Essa foi a parte dolorida e chata do parto, pronto, falei.

Voltando. Nessa primeira parte, eu sentia as dores e estava bem consciente, me lembrava da famosa respiração “cheira flor, assopra vela”, de vocalizar quando necessário (vocalizar aqui é emitir um som quase que gutural, mais grave, abrindo bem a boca, a faringe. Ajuda a relaxar e a dilatar o colo do útero, pois são sistemas que se conectam. Não confundir com gritos histéricos de dor), de tomar água, de comer…enfim. Em casa, o telefone foi desligado, o meu marido ainda foi fazer uma filmagem (acho que ele estava tão ansioso que conseguiu um pretexto para sair um pouco e voltar mais calmo), a minha filha em casa, duas amigas e duas enf. obstetras. Fomos visitados por um beija-flor, por velas de mel, por orações, por carinhos. Os cachorros nunca ficaram tão quietos e o dia se arrastou da maneira mais surreal do mundo.

Eu me sentia num belo ritual pagão, onde a natureza era parte, onde os elementos se interligavam, onde os espíritos de luz caminhavam entre nós. E eu, com as dores ficando mais intensas, entrava cada vez mais na grande caverna da deusa Gaia, a grande mãe. Me lembro de seguir os meus instintos e de ouvir os conselhos da Luciana e da Lucélia, mas tudo foi ficando muito inconsciente, eu entrava e saia de um transe muito forte a cada contração. Não me lembro de que roupa eu usei (se é que usei), não me lembro da sequência lógica do dia, só me lembro de fazer exercícios com um pano amarrado a amoreira, o que me fazia sentir muito bem e feliz, me lembro de fazer exercícios com a bola de pilates no banho, na sala, no quintal, me lembro de vocalizar e sentir meu corpo vibrar com isso, não me lembro em que momento parei de comer (pois parecia muito impossível comer algo), e o dia foi seguindo…1-IMG_9859

Lá pelas 16h eu estava com 7 cm de dilatação e o colo do útero ainda posterior. E tive meu segundo momento tenso, onde, mais uma vez tive que “me” enfrentar. Por conta do colo posterior, o TP estava lento, e por conta da bolsa rota esse TP não poderia passar das 17h, sendo então necessária a administração de antibióticos para evitar possíveis infecções, e isso só pode ser feito onde? Num hospital. E eu, só de ouvir a palavra “Hospital” gelava. Tentaríamos “acertar” o colo, para que ele ficasse mediano e, provavelmente, o TP seguisse feliz e com um tempo bom. Seria um procedimento dolorido, mas depois de tudo que fiz e passei, olhei para elas e disse: – Vamos, façam, confio em vocês e em meu corpo. (ou algo assim). Fizeram. E, em uma hora eu já estava com dilatação total e meu colo permaneceu mediano. Eu estava muito feliz, mas ao mesmo tempo num transe tão louco que me lembro de sentir a felicidade lá no fundo, porque por fora eu estava muito concentrada nas últimas contrações. Sentia um calor incrível, não conseguia comer nadica de nada, e adormecia entre uma contração e outra. Sério. E então, veio a última parte: a piscina.1-IMG_9908

A água estava morna, eu nua, todos ao redor, inclusive minha filha Sophia (que tem 5 anos), que ficou ao meu lado o tempo todo, jogando água em minhas costas.

Do lado de fora eu pude ver pela janela (e depois, pelo que me contaram) a amoreira, uma bela nuvem de chuva e sol. Um cheiro de mel (por conta das velas), um silêncio e meus urros. Sim, durante estas últimas contrações minhas vocalizações se tornaram urros, que me davam força, me aliviavam. Sentia minha alma instintiva gritar a mesma voz. A Leoa tomou meu ser e a cada gota de chuva que caia no quintal mais eu entrava nos meus instintos, mais eu sentia cada célula feral tomar conta de mim, mais eu sentia a exuberante luz preenchendo minha vagina e meu ser racional e medroso morrendo. Tive lapsos de consciência, mas as contrações me puxavam de volta. E eu tinha que segurar nas mãos de alguém. Nem lembro quais mãos eu peguei, mas tinha que segurar em alguém.  De repente, senti uma mãozinha bater na minha coxa e dei meu último urro. Depois de 30 minutos de expulsivo na piscina, as 17h38 do dia 14 de Maio de 2013, nosso iluminado Aldebaran nasceu com 3kg560 e 50cm. Todos choraram. Olhei para ele e ouvi alguém falando : -Vai, pega ele. E eu peguei. E tive o momento. Segurei ele junto a mim, lhe dei as boas vindas e senti o universo abençoando aquele momento. Um momento de luz e renascimento. Onde todos choravam felizes. Onde minha cicatriz se curara. Onde as palavras não tinham vez. Só os olhares.

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4) Pós parto.

Após alguns minutos, o cordão parou de pulsar e meu marido o cortou. O Aldebaran foi examinado pela Luciana enquanto eu saia as pressas da piscina pois minha placenta queria “vir ao mundo”. A Luciana aqueceu o Aldebaran e depois colocou ele em meu colo para mamar. Enquanto isso, foi me examinar, ver se a placenta estava integra, se eu precisaria de alguns pontos, enfim. Perdi bastante sangue, mas tudo estava bem e normal, este, aliás, foi o único momento em que minha filha ficou assustada, pois ela tem pavor de sangue. Foram dados 2 pontinhos na mucosa (só por precaução, pois não tive lacerações musculares nem nada), pois o Aldebaran nasceu com a mãozinha no rosto.

Estávamos todos em êxtase. Eu voltei a ouvir minha voz, pois, durante o TP eu percebi que não ouvia a minha voz, não via as coisas da mesma maneira, e de repente voltei “ao mundo”. Estava radiante. Todos estávamos.

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Eu achava que, depois de 14h de TP estaria sem forças, cansada, abatida…mas aconteceu exatamente o contrário. Ninguém negava o cansaço físico, mas este era superado pelo êxtase praticamente espiritual. A todo o momento eu me perguntava: – puxa, isso realmente está acontecendo? Será que não estou sonhando? Não conseguia acreditar. Senti que, se eu fui capaz de enfrentar tudo que enfrentei, desde a jornada antes do parto, até o parto em si, seria capaz de enfrentar qualquer coisa. Senti que tudo vem de encontro com o que pedimos e fazemos, e sim, nada é impossível. Uma ultra superação pessoal, física, espiritual. Algo que desejei muito, tanto pelas minhas razões pessoais, quanto por todas as outras mulheres que, assim como eu, passaram por cesáreas desnecessárias ou qualquer violência obstétrica, para mostrar que sim, podemos mudar essa realidade, que podemos confiar em nossos corpos, que somos forte e sagradas, que temos o DIREITO de parir e de sentir toda essa luz. Que podemos mais. Sempre.

Busquem a verdade. Lutem pelos seus diretos. Vivam seus sonhos. Vamos mudar juntas o nascimento de um novo mundo.

Agradeço do fundo do meu coração e da minha alma a todos e todas que me ajudaram, que oraram, que torceram por este parto. Em especial ao meu marido, minha filha e filho, a Luciana, a Lucélia, a Larissa, a Mariana e a Adèle.

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Relato por Adele Valarini (doula) http://adeledoula.blogspot.com.br/2013/06/relato-da-gravidez-e-parto-de-nathalie.html

Libido #04

Este mês a Libido Mag volta à ativa….trazemos um ensaio diferente, inspirado na grande Diva Marilyn Monroe, mas não no seu lado claro e brilhante, mas em seu lado poetiza e solitário.
O ensaio tentou trazer à tona a diva em tons de mortal. Misturamos a beleza da modelo e poemas da própria Marilyn.

Venha…delicie-se e conheça esta diva como mulher, como real, como você…

Clique na imagem
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http://issuu.com/nathgingold/docs/libido04

Fotografia e edição Nathalie Gingold
Modelo Daniela Sousa
Make Reider Pereira
Produção Milton F. Verderi
Assistente de fotografia Fernando Makaco
Locação Galo De Briga Filmes

E aqui, os links para as Libidos anteriores, para vocês, queridos leitores se deliciarem…

Libido #01

Libido #02

Libido #03

10 motivos para amamentar

“Desde 1991, a Organização Mundial de Saúde, em associação com a UNICEF, tem vindo a empreender um esforço mundial no sentido de proteger, promover e apoiar o aleitamento materno.

As recomendações da Organização Mundial de Saúde relativas à amamentação são as seguintes:

  • As crianças devem fazer aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses de idade[1]. Ou seja, até essa idade, o bebé deve tomar apenas leite materno e não deve dar–se nenhum outro alimento complementar ou bebida.

  • A partir dos 6 meses de idade todas as crianças devem receber alimentos complementares (sopas, papas, etc.) e manter o aleitamento materno.

  • As crianças devem continuar a ser amamentadas, pelo menos, até completarem os 2 anos de idade.”

Por Bibliografia da Doula

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Mas afinal, o que é dilatação total?

“Eu acho que quase todas, senão todas, as mulheres ao estarem grávidas ou em fase final de gestação se perguntam:

  • O que, afinal, dilata?
  • Quantos centímetros vou (ou tenho que) abrir?
  • 10 centímetros são 10 dedos? Tem que caber 10 dedos, do Doutor, dentro de minha vagina ou do colo do meu útero?

E as respostas, para estas e outras questões, você, mamãe, seja de primeira ou de última viagem, no período importante que vem agora que é o parto, vai aprender.”
Por Bibliografia da doula.
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Leia a matéria completa aqui.

Vamos mudar o mundo?

“Se esperamos criar um mundo não-violento, onde o respeito e a bondade substituam o medo e o ódio, devemos começar com a forma como tratamos uns aos outros no início da vida, quando os nossos mais profundos padrões são definidos. A partir dessas raízes crescem medo e alienação ou amor e confiança.” Suzzane Arms

Nascimentos

Os números de 2012

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um resumo:

19,000 people fit into the new Barclays Center to see Jay-Z perform. This blog was viewed about 110.000 times in 2012. If it were a concert at the Barclays Center, it would take about 6 sold-out performances for that many people to see it.

Clique aqui para ver o relatório completo

Preview….Libido #04

Heis que no penúltimo dia do ano de 2012, resolvemos retomar a Libido.
Aqui o preview do ensaio pro mês de Janeiro/2013.

Libido #04

Modelo Daniela Sousa
Make Reider Pereira
Produção Milton F. Verderi
Assistente de fotografia Fernando Makaco
Locação Galo De Briga Filmes
Fotografia e edição Nathalie Gingold
E aqui, os links para as Libidos anteriores, para vocês, queridos leitores se deliciarem…

Libido #01

Libido #02

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Relato de Tessie Marcondes – Vbac

Meu nome é Tessie Marcondes, tenho 24 anos, dois filhos, três gestações e algumas historias para contar…

Minha primeira gestação aconteceu de forma acidental aos meus 16 anos, demorei em aceitar a ideia, mas acabei curtindo e comecei a me preparar.

Por alguns dias notei que acordava molhada , como se tivesse feito xixi na cama , e falei com o ginecologista que estava me acompanhando, ele havia dito que era normal, aliás, para ele tudo era normal, mas me pediu uma ultrassonografia, entre os exames de rotina, resolvi faze-la no mesmo dia.

Fui acompanhada pela minha sogra e cunhada na época, vibrei ao ver que existiam bracinhos, perninhas tudo perfeito, de repente algo errado estava acontecendo , algo que o médico não me falou, disse pra eu me levantar e limpar o gel, entregou meus exames a minha sogra e fui encaminhada ao hospital, assim que cheguei o medico que me atendeu , virou da forma mais estupida do mundo e falou , vamos para a curetagem, eu não entendia o que ele falava ai eu perguntei meio perdida ”o que é isso” e ele me disse – deite na maca e tire a parte de baixo o feto morreu ha uma semana, vamos fazer a raspagem! Eu chorava, eu queria sair correndo e aquele monstro enfiava o bico de pato como se eu fosse um animal, não conseguia acreditar no que estava acontecendo e lembro-me de repetir para algumas enfermeiras ” mas o coração dele pode voltar a bater de novo e ele vai crescer ‘‘. Foram cinco dias introduzindo comprimidos abortivos para que eu expelisse o feto ou abrisse o colo do meu útero ,nada adiantou , fiquei cinco dias só ingerindo líquidos, sem poder comer nada sólido por que teria que ir para a sala de cirurgia, foi cinco dias em que as enfermeiras me olhavam feio talvez achando que eu tivesse provocado o aborto, forma cinco dias em que eu quis morrer por estar no mesmo quarto que mulheres que acabaram de ter seus filhos, com seus bebes nos braços, felizes e eu sabendo que meu bebe não iria chegar. E foi feita uma curetagem.

Na segunda gestação eu tinha 18 anos, e pelo fato da dor de ter perdido o primeiro bebe, ela foi muito comemorada por mim e muito desejada.

Comecei a ter sangramentos e fui para no hospital, era época de copa e todos no hospital estavam bem ocupados assistindo os jogos, fiz uma ultrassonografia e o que apareceu foi que eu tinha um feto de cinco semanas, mas um saco gestacional correspondente a nove semanas, mais uma vez com ausência de batimentos cardíacos, meu mundo caiu e os médicos e enfermeiros preocupados com o resultado do jogo. Um único medico veio me explicar fazendo uma analogia nada coerente, mas que na época me pareceu caridosa ” sabe as galinhas (cômico se não fosse trágico) às vezes elas botam ovos (jura?) elas cuidam com carinho dos ovos, mas às vezes ele goram Tessie o seu ovinho gorou de novo ‘‘.

Fiquei desolada, ele marcou a curetagem para segunda feira de manhã, minha mãe foi me visitar e não sei se por intuição, pediu para que fosse realizada uma nova ultrassonografia, e o hospital se negou a fazer se não fosse paga uma quantia X, por ser final de semana, ela fez um escândalo e fez uma alta pedida, fomos para a santa casa, chegando lá ouvi a mesma coisa, que ficaria em jejum, mas que fariam pela manhã uma nova ultrassonografia, mas que não haveria muito jeito pelo que aparecia no ultimo ultrassom.

Passei a noite em claro, e pela manhã fui fazer a ultrassom, a minha surpresa foi ,quando vi o coração da minha filha pulsando , ela estava viva! Se eu tivesse ficado no outro hospital provavelmente teriam feito um aborto. Quanto ao parto foi uma cesárea induzida pela medica, mas no caso eu estava deprimida e muito ansiosa e tomando antidepressivos. Psicologicamente reconheço que não aguentaria um parto normal nas condições em que eu estava, embora tenha tido reações, como vomito e dores fortes de cabeça durante o parto e ficado totalmente isolada e triste na sala de recuperação tentando mexer a perna a todo custo para ir logo amamentar minha filha, que na minha cabeça estava aos berros morrendo de fome.

Minha filha foi diagnosticada desde o começo da gestação com um feto P.I.G. (Pequeno para idade gestacional) e nasceu com 2,050 g. e 43 cm. Muito pequena, mas espertinha, quanto ao aleitamento, confesso que fui muito bem auxiliada pela equipe medica do da santa casa, me ensinaram a técnica corretamente e eu não tive problemas.

Voltamos pra casa e por mais que eu tivesse passado por uma cesárea, não senti as dores comuns. Na época morava em são José do Rio preto o mês era  janeiro, estava muito calor e minha pequena teve hipoglicemia , não acordava para mamar ,nem tinha força pra isso liguei para o pediatra do hospital e ele me respondeu da seguinte forma ”Dê leite NAN” , fiquei inconformada e liguei para uma prima que havia tido bebê há pouco tempo e tinha bastante informações , ela me disse para leva-la a Unimed ,que tinha um trabalho chamado BE-A-BÁ BEBÊ ,que era gratuito e que poderia encontrar o auxilio de doulas que me ajudariam com o aleitamento. Fomos eu, minha mãe e irmã (também gestante na época) e fomos muito bem recebidas, me ensinaram como tirar leite sem uso de bombinha, a desempedrar os seios e com a ajuda de uma sonda infantil e um copinho me ajudaram a fazer minha filha beber o leite usando a sonda de canudo, vibramos com aquilo, achamos o máximo e a pequena voltou ao normal amamentei até os sete meses, parei por opção da minha filha.

A terceira gestação foi muito ativa e com bem mais informação no que diz respeito a parto e primeiros cuidados básicos com o bebe, tudo correu bem, fiz o pré-natal com o mesmo medico que fazia minhas ultrassonografias, coloquei a ideia do parto normal e ele me deixou a vontade para prosseguir se eu achasse a melhor escolha e ficamos assim, sem data marcada para cesariana,

No dia 24 de março, as exatas 07h00min da manhã comecei a sentir contrações, contrações mesmo, e fui para o hospital, chegando lá não tinha condições de andar, sentia meu filho saindo e bastante dor que pra mi eram as dores do parto e não apenas dores de contração, fui examinada, na tentativa de fazer exame de toque viram que não seria necessário, existiam 10 dedos de dilatação, sem rompimento de bolsa, achei que deixariam evoluir e que a bolsa estouraria sozinha porem, alegaram que o tecido da minha bolsa era muito rígido e que o bebe não conseguira estourar como não sabia que existia a possibilidade do bebe nascer envolvido com a bolsa e deixei que estourassem ela e as dores aumentaram. Deitaram-me na maca com as pernas nos apoios, eu estava morrendo de dor e gritava, neste momento ouvi a pérola ” Na hora de fazer você não gritou né?!” e eu rapidamente respondi ”E QUEM TE FALOU QUE NÃO GRITEI” a enfermeira se irritou e falou que eu não tinha educação, a dor me fez ignora-la, a anestesista chegou e foi a única que me tratou de forma gentil e disse que aplicaria a anestesia só para que eu não sentisse a cabeça do bebe passar, mas que as dores das contrações não cessariam, até que enfim alguém me explicara algo! A medica entrou, olhou, sem a minha autorização e sem que eu tivesse visto realizou uma episiotomia, e disse a enfermeira   ” – vou deixar ela evoluindo ( me lembrei dos Pokémons ), vou tomar um café, qualquer coisa me chame’‘.

A dor era grande e eu sentia a cabeça do meu filho já saindo, a enfermeira já muito irritada com o meu choro me disse ” – se esta doendo faz força bem’‘, tirei as pernas dos apoios, me sentei segurei nos mesmos e fiz força ela me olhou, eu fiz de novo e ela começou a gritar chamando pela medica dizendo que o bebe estava nascendo, ela correu e o meu pequeno veio ao mundo, graças acho que só a mim, que fiz meu parto confiando em mim mesmo, sem contar com a ajuda de quem estava lá exatamente pra isso.

Me sentei pedi meu filho na mesma hora e após um minuto olhando pra ele entreguei ao pediatra, e entreguei a roupa, em 10 ou 15 minutos me entregaram ele ainda no corredor e fomos para o quarto, me senti tão poderosa naquele momento, me senti grande, senti que poderia fazer qualquer coisa no mundo e me acho sim muito corajosa de ter passado por tudo isso e ter superado tudo tão bem.

Meu Raphinha e eu

 

Minhas três gravidezes por Kyanja Lee -2VbaC

Minhas três gravidezes

Nunca me sonhei grávida, quando mais nova. Mas eis que o tempo passa, e as circunstâncias ajudam, e um belo dia você se vê casada e fazendo planos para… ser mãe!

Fui mãe tardia: com 35 anos tive meu primeiro filho. Mas não fiquei com neura nenhuma durante a gravidez. Não pensei em gerar filho com defeito genético; nem antecipei as dores do parto. Ia todo mês fazer o pré-natal com o meu médico (nessa época eu morava em Sampa e trabalhava na Vila Buarque, perto do Mackenzie. Dali até o consultório do médico, na Higienópolis, era um pulo.)

Nem passava pela minha cabeça fazer cesariana e tampouco me senti coagida pelo médico para tal. Eis que, numa bela madrugada, senti a bolsa romper. Estava deitada na cama e senti aquele líquido vazando. Corri para a maternidade, o Santa Joana, no Paraíso, enquanto meu marido ligava para o meu obstetra.

Chegando ao hospital, fizeram o exame de toque e me disseram:

“Vamos ter de fazer cesariana. O nenê engoliu mecônio.”

Eu tinha expectativa de ter filho de parto normal? Tinha. Estava preparada para fazer cesariana? Não. Mas confesso que não fiquei assim tão frustrada. Acho que vivia uma fase tão conturbada, no dia a dia, que não estava focada apenas na gravidez. Contra  a minha vontade, eu tinha entrado em licença-maternidade na empresa em que trabalhava, umas duas ou três semanas antes do bebê nascer. Isso sim, me frustrou bastante: afinal, queria ficar mais tempo fora da empresa no período que já estivesse com meu filho no colo! Mas o médico achou por bem que eu saísse antes; não estava gostando do meu inchaço: nariz de bolinha, olhos entumecidos, mãos e pés de pão…

Na sala de parto, fui sedada e, consciente, acompanhei todos os movimentos do médico e de sua equipe. Mas não senti absolutamente nada! Foi estranho: tirando o fato da bolsa ter estourado, não tive contração e muito menos dilatação. Quando percebi, o Luca nascia, chorava, e era aconchegado ao meu peito. Chorei de emoção e, a despeito dos momentos prévios que podem dar a impressão de que não ocorreria a ligação entre mãe e bebê, eu amei instantaneamente meu filho! Mas ele nasceu bem dentro do prognósticos médicos: com diferença de 3 a 4 dias, quando muito.

Se eu não senti nada nesse momento, detestei os momentos posteriores ao parto. Que dor para subir e descer da cama de hospital, devido ao corte na barriga! Que tortura ao ir embora de carro: com Luca no meu colo, no banco traseiro, mesmo o meu marido dirigindo com cautela, cada vez que passava em uma pista mais irregular, eu tinha dores atrozes! E para espirrar? E para dar risada? Não, ninguém me fizesse rir eu implorava, pois juro por Deus que, no pós-parto de cesariana, a mulher fica mais de um mês sentindo muita dor. Para quem não sabe, o corte é bem profundo, pois se atravessam várias camadas de pele e músculo, até chegar ao útero.

Eu demorei um pouco a entender por que tive de passar por uma cesariana. A despeito do sofrimento fetal que o Luca estava sendo submetido ‒ o sinal mais evidente era a presença de mecônio na bolsa ‒, parece-me que algo em meu organismo não funcionou bem. Minha natureza também não ajudou: caso contrário, teria tido os outros sintomas clássicos que antecipam um parto normal: contrações, dilatação.

Ao ganhar meu segundo filho, estava certa de que seria mais um parto cesariana. Nessa época, eu já morava em Varginha (sul de Minas). Como não tinha passado pela experiência de um parto normal, não sabia quando seria a hora de ir à maternidade, de avisar a médica. Comecei a sentir contrações às 9 horas da noite, mas não dei muita importância. Quando a coisa começou a ficar feia, iniciava-se a madrugada. Com cólicas, passei a ir a toda hora no banheiro para esvaziar o intestino. Mas eu fiquei preocupada em perturbar a médica àquela hora. Imagine só: só eu mesma para ter um pensamento desses: não querer atrapalhar o sono da minha obstetra (risos). Assim, fui deixando o tempo passar, a madrugada avançar, até que não me aguentei mais de dor e liguei para a médica. Dizem que o chamado “patamar de dor” é um mecanismo variável de pessoa para pessoa. No meu caso, ele é alto. Se eu finalmente decidi ligar para a médica, era porque definitivamente estava quase ultrapassando o limite da dor.

Tanto é que, quando me deitei para fazer exame de toque e verificar em que estágio eu estava do parto, praticamente não me aguentava me deitar ‒ a pior posição que tem para a mulher, quando está nos momentos culminantes de ganhar o bebê.

‒ Vai ser cesariana? ‒ perguntei, mais como uma forma de entabular uma conversa, do que propriamente fora uma pergunta.

‒ Não… Vai ser parto normal e vai ser… JÁ!! Você está com 10 centímetros de dilatação.

Se eu estava com tudo isso de dilatação significava que, se eu bobeasse, poderia ter dado à luz a caminho do hospital. E a verdade é que, por questão de minutos, quase que o anestesista não chegava a tempo. A sorte é que Varginha, ainda mais naquela época, há 13 anos, era uma cidade pacata, sem trânsito. Bem… Considerando o horário, também não enfrentaria trânsito de qualquer maneira: Jean nasceu exatamente às 5:00 h da manhã.

A vantagem do parto normal eu descobriria logo: recebi alta naquele mesmo dia. No dia seguinte, eu estava em pé e até em condições de cozinhar e varrer a casa (e de fato, eu fiz isso). Nunca senti tanta autonomia em relação ao meu corpo, assim que nasceu o meu filho do meio. E o melhor de tudo é que a minha barriga voltaria ao normal bem mais rápido, ao contrário do inchaço com que permaneci por várias semanas, após dar à luz ao meu primeiro filho. Apesar das horas de sofrimento que me autoinfligi (por inexperiência), valeu a pena a experiência do parto normal.

No meu terceiro parto foi mais tranquilo ainda. Eu morava em Ribeirão Preto nessa época. Alguns dias antes eu perdi o tampão mucoso (constatei isso ao olhar o vaso sanitário).Quando senti as primeiras contrações, mais experiente, não me demorei para me dirigir à maternidade.  Sofri todas as dores de parto, contrações, etc., mas foi igualmente recompensador estar com meu corpo inteiro, logo após o parto. Ainda bem, né? Com mais dois filhos pequenos para tomar conta, nada melhor do que estar pronta pra ser novamente “pau pra toda obra”!

Concluindo: de minhas experiências de gravidezes, posso dizer que cada uma foi totalmente diferente da outra: diferentes profissionais envolvidos, diferentes maternidades (a maternidade em Varginha era pública, um Hospital Regional,  praticamente o oposto da Maternidade Santa Joana, que é referência em termos de maternidade em São Paulo; a camisola que ganhei tinha até furos… Hehehe…), diferentes sintomas. Nenhuma foi melhor ou superior a outra, mas confesso que a última experiência (principalmente por ter sido parto normal) foi beeem mais tranquila. Nem teria como ser diferente, não?

A menstruação

“Em muitas tribos quando as mulheres menstruavam ao mesmo tempo, se retiravam a um recinto especial a passar sua menstruação, enquanto os homens e as anciãs faziam suas tarefas. Era considerado o tempo em que uma mulher se encontra no nivel mais alto de seu poder espiritual, pela qual a atividade mais apropriada era descansar e acumular sabedoria. Se criamos este espaço, pode ser um momento muito criativo, intuitivo e transformador, em que deixamos o ciclo passado, limpamos nosso útero e nos preparamos para outro. Para muitas mulheres a experiência da menstruação também têm mudado significamente desde que não utilizam mais os tampões e absorventes descartáveis Somente a ação de jogar-los no lixo reflete o profundo deprecio de nossa cultura com o sangue menstrual, que é vista como algo basicamente sujo e desagradável. Estes produtos contém dioxinas e materiais sintéticos que prejudicam nossa saúde e ao planeta, no seu lugar podermos reutilizar uma esponja marinha especial e um coletor menstrual de silicone para coletar nosso sangue.
Ter o contato direto com seu sangue ao lavar o coletor menstrual ou a esponja com água nos faz afrontar muitos prejulgamentos e pensamentos negativos. Mas com o simples ato de colocar este líquido vermelho na terra com plantas, entendemos que as células que morrem em nosso útero e são transportadas no sangue menstrual são um alimento para a terra, cheio de ferro e outros nutrientes. Os mesmos ciclos da natureza – as estações, a lua, o sol – estão refletidos dentro dos nossos corpos. O que morre dá a luz. Agora não é algo repugnante, mas símbolo de nossa fertilidade, de nossa essência feminina, e de nossa conexão com a terra.”

(Tomado do original “Primeira Menstruação” de Sophia Style. Disponível em:http://conectacontuciclomenstrual.wordpress.com/primera-menstruacion/)

visto aqui: https://www.facebook.com/sagradofeminino

Barriga plana ou barriga de mulher?

“Barriga plana ou barriga de mulher?

No mundo da moda e do espectáculo (os que definem as tendências e impõem modelos) a barriga feminina está desaparecida.Não existe. Não está. Poderia ser uma história, se não fosse assim, porque o que oculta a barriga saliente de uma mulher é um útero relaxado.

Para a medicina tradicional chinesa, o útero é o primeiro motor energético do corpo feminino. O útero bombea a energia vital sexual para o nosso corpo, dá força e energia para viver. No entanto, o tipo de educação, repressão sexual e submissão que experimentamos quando meninas, nos obriga a fazer um gesto inconsciente, fechar o fluxo de energia através de nossos corpos para adaptar o modelo de garota submissa, obediente, calada, assexuada, quieta, boa e complacente.

Não ter barriga é um sinal de que o útero está dentro apertado e tenso. Na verdade, um dos primeiros sinais de que estamos relaxando o útero é que sentimos que nossa barriga se transborda, se expande, em seguida, uma barriga parece harmoniosa e bonita que mostra o espaço do útero em nosso interior. Não é um ventre inchado,é a barriga pertencente a anatomia feminina, independentemente de si o resto do corpo é delgado ou não. Quando o útero está relaxado o músculo relaxa e ocupa um espaço considerável no corpo. Se está tenso o músculo do útero contrai-se e ocupa um menor espaço. A barriga é uma área cheia de sensibilidade que desperta desejo e produz prazer. Na verdade, dançarinas de dança do ventre geralmente têm barriga, uma barriga bonita e sensual que mobilizam para seu próprio prazer e pelo jeito, às vezes o outro.

Ter barriga e ser mulher caminham juntas. No útero está o poder, a energia que geramos ao viver, o prazer e a sensualidade. Não é surpreendente o útero estar envolvido no orgasmo feminino. Talvez não seja apenas uma questão de estética e têm que olhar mais além.

Diante disso, devemos perguntar por que queríamos renunciar a fonte de prazer que proporciona o útero relaxado e a barriga. É uma estratégia inconsciente ou não do patriarcado para castrarmos mais? Não será ao final um elemento mais de submissão? Infelizmente, a minha resposta é que os modelos de ser mulher em uma sociedade não nascem dela, têm uma funcionalidade e neste caso, parece muito óbvio: romper o prazer e sensualidade na mulher, de modo que não sinta muito prazer, que se submeta pela falta de vigor e vitalidade, que lute contra sua própria natureza para se sentir aceita pelos outros, é a demonstração dos traços do patriarcado em nosso corpo. Abra os olhos e estar conscientes destas formas de submissão é o primeiro passo para nos libertar dos grilhões que o patriarcado impôs sobre o nosso corpo.

Efeitos de um útero relaxado: Menstruação sem dor, parto sem dor e /ou poderoso, maior desejo e prazer sexual, maior criatividade, maior segurança pessoal.”

Retirado do audiovisual “Vientre de mujer” Monica Felipe-Larralde, disponível em seu blog: http://estudiosobreelutero.blogspot.com/2012/06/documental-vientre-de-mujer.html
V
isto originalmente aqui : https://www.facebook.com/sagradofeminino

Mães são mães. Atualizado

Tenho uma amiga, a Vanessa,  que é cadeirante, ela sofreu um acidente e teve algumas vértebras prensadas (me desculpem se falei besteira, mas não me lembro de cor quais foram e qual o nome correto). Mesmo assim, tem uma vida ativa, trabalha em empresa, trabalha como atriz, sai a noite, viaja, dirige, enfim. Cá pra nós, eu não vejo diferença entre qualquer outra pessoa, o fato é que algumas pessoas tem deficiência em entender as diferenças dos outros, dai a crença que eles (cadeirantes, cegos, etc) não tem uma vida normal. Até conversando com a Vanessa, ela me falou que não acha interessante o fato de haverem vagas de trabalho “especiais” para inclusão dela, pois ela não quer ser incluída na sociedade, ela ja faz parte da sociedade!

Bom, mas o fato é que vim falar de algo que ela me perguntou esses dias:
-Será que posso ter um filho de parto normal?
Eu fiquei sem saber a resposta, mas por conta do grupo “parto natural” do facebook onde uma a Lívia ta grávida e é cadeirante e ja recebeu um carimbo de cesárea na GO que foi….e a discussão começou.
Elas postaram essa dissertação de mestrado por LIVIA FAJIN DE MELLO DOS SANTOS, de 2011:

GESTAÇÃO SOBRE RODAS: assistência de saúde
à mulher cadeirante durante o pré-natal, parto e nascimento.

“São lindas, guerreiras, vitoriosas, determinadas… são mulheres, são esposas, são

mães! A cadeira de rodas é só um detalhe que lhes permite se locomoverem. Muitas vezes

as pessoas só olham para a cadeira e esquecem o principal, esquecem-se daquela mulher
que está controlando a cadeira. Pude perceber isso através de suas falas.”

Recomendo a leitura do capitulo I e V, no primeiro ela fala sobre o que envolve o imaginario acerca da cadeirante e no V transmite as falas das cadeirantes que participaram.

Temos também este vídeo:

“A mulher se torna mãe graças ao trabalho que cada uma realiza em sua mente,

trabalho que se converte em uma atitude maternal, uma experiência profunda e íntima. Esta
atitude maternal não nasce no momento em que a mulher ouve o choro do seu bebê pela
primeira vez, mas sim gradualmente, através do desejo de engravidar, e depois mais
concretamente quando engravida e durante os meses que precedem o nascimento de seu
filho (NARVÁEZ, 2009; WINNICOTT, 2006).”

Temos aqui também um texto lindo (alias, a foto da mãe cadeirante é daqui): http://cantinhodoscadeirantes.blogspot.com.br/2012/03/cadeirantes-podem-ser-pais.html

E bola pra frente que o futuro vem ai, quem quer ser mãe venha ! Todas podemos. Abaixo os mitos que nos rebaixam e que nos impedem de viver uma vida plena e feliz.

ATUALIZAÇÃO, de um GO do grupo Parto Natural:
” Essas mulheres podem e devem ter parto normal. As contrações uterinas independem do sistema nervoso central. Quando a mulher tem problemas de saúde, seja quais forem, quase sempre é preferível um parto normal. É justamente nessas situações que se deve evitar a cesariana pois uma complicação pode ser catastrófica para mulher. Na Europa abundam casos de mulheres que por vezes estão internadas em UTI, entubadas, e que tem o parto induzido. Infelizmente, por aqui, qualquer problema com a mulher é indicaçao de cesárea. Por isso, vão continuar morrendo mais mulheres aqui que nos países desenvolvidos até que esse conceito errôneo mude. Como a Maira falou, é preciso até ficar até atento ao trabalho de parto dessas mulheres com dano medular porque elas não têm percepção dolorosa. Isso tb acontece por exemplo com mulheres com esclerose múltipla avançada. Nenhuma indicação de cesárea para essas mulheres, pelo contrário, para elas a cesárea é mais “perigosa” que para mulheres saudáveis.”

Post especial para Vanessa Cornélio.

sobre ondas de pensamentos…

Tem dias que tudo me parece estranho…

Não sei se são hormônios, se a sensação de estar em “outro” mundo é pertinente à gravidez e suas nuances psicológicas ou se sou eu mesma, que sou assim, esse ser estranho e não muito bem familiarizado com as pessoas. Entendam, não é que não goste das pessoas, aliás, de fato, tenho um certo fascínio em descobrir as várias facetas de cada um. Mas quando esta ou aquela se aproxima de mais, ou muito rápido ou fora da minha zona de segurança, a dificuldade em lidar com o problema é enorme. Me sinto na obrigação de tentar reverter a situação, de me “relacionar”, de me conectar, sei lá. E quando forço, e as situações incomodas continuam, é meio obvio que a situação piora.  Exemplificando, eu não me forço a gostar das pessoas, mas me parece que isso ofende. Sim, porque, em situação muito recente, me dei conta que não gostava de determinada pessoa que convive me meu circulo de amizades. E não tenho nada a discutir com essa pessoa, seria como chegar em alguém e falar assim, bem, infantil: olha, não gosto de você e não quero ser sua amiga. Ou seja, totalmente dispensável de discussões. Mas a pessoa força a barra, como se fossemos amigos de longa intimidade. Ai me afasto. E ao me afastar, exatamente para não haver um confronto desnecessário, o tal circulo de amigos/conhecidos muda e me percebo tendo que:

-a) aguentar a pessoa e virar zen budista

-b)me afastar desse circulo de amigos/conhecidos bora tocar a vida.

Mas e aí. Me encontro várias vezes em minha intimidade me questionando se é assim a melhor maneira de me relacionar. O fato é que mudei muito e hoje em dia até me permito entrar em contato com sentimentos e situações mais fortes, boas ou ruins (fato que, digamos, na minha adolescência não acontecia, eu era um ovinho fechado).
Viver e nos relacionar é tão difícil, né?

O lado bom disso tudo é que sim, os reais amigos que tenho os são de verdade. Me sinto bem, a vontade e acolhida.

Não sei se a gravidez me deixou mais sensível e recolhida, mas sim, mesmo sendo a segunda, me faz pensar muito além das coisas de grávida.  E outro fato: me sinto na obrigação e na mega vontade de voltar à meditar.

Os primeiros meses…

Demorei bastante para escrever aqui de novo.
Acontece que são os primeiros meses da gravidez que me pegaram, de jeito alias.
Mesmo sem ter essa intenção, a gente acaba comparando com a primeira gravidez, e nela eu não tive enjoos, e nem muitas mudanças no começo da minha gravidez, só o corpo mesmo que mudou. Agora nesta segunda, veio um turbilhão de sensações diferentes, tive enjoos, vomitei (pouco), fiquei (e ainda estou) com muito sono e muito instavel emocionalmente. Sinto que tem a ver com fato de que nenhuma gravidez é igual e também porque estou me permitindo ter contato maior com meu corpo. Pelos videos, por ler sobre, olho para ele, converso com ele. Tento compreender a mágica da gravidez do ponto de vista do próprio ser em transformação, eu e o bebê.

E enfrentei alguns dilemas, como me sentir inútil por sequer conseguir limpar minha casa, minhas coisas… Eu consigo tirar um tempo para ler, conversar e fazer minhas coisas, mas tudo pela metade, quando percebo já estou bocejando ou morrendo de fome.
Outro foi conseguir me entender com meu marido, que sim, continua com sua vida normal, e eu aqui, doida só falando de partos e bebês. Conversamos muito, pedi apoio ele me pediu compreensão. E assim estamos caminhando, ele agora até começou a compartilhar posts sobre partos, fala comigo sobre o assunto, porque tava tudo meio empacado.

Fui na minha primeira consulta com a GO do postinho…e foi uma decepção. Me falou com todas as letras que com o meu “histórico” eu podia parar de pensar em parto normal, afinal, nossa, meu parto nao teve dilatação, dificilmente vou conseguir neste.:/ Nivel de frustração level mega-blaster. Sem falar que eu falei da minha doula e ela: Hein? O que é doula? Admito que sai da consult querendo chorar muito, e chorei. Mas depois de conversar com a Adele e com meu marido, me acalmei. Sem falar no grupo Parto Natural do face, que super me ajuda.

Bom, outra coisa foi que decidi que quero fazer um curso de doulas! Surgiu uma oportunidade de bolsa num curso e to tentando aqui.

Ah sim, outra coisa, também já me reuni com a cineasta Bia Lelles e o Cinemacaco para organizarmos o roteiro do documentário sobre o meu parto/parto natural em rio preto, e agora é gravar e gravar e gravar o meu diário.
Minha barriguinha está muito bem, crescendo feliz e contente. Já estamos na 10 semana.
Beijoes!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E aproveito para deixar um parto lindo! Um daqueles que sonho pra chamar de meu!

 

Indicações reais e fictícias da cesariana

Aqui queridos, tem uma vasta lista sobre as REAIS (e até as fictícias) indicações de uma cesárea.
Vale a pena ler bem e pesquisar.
Na lista de indicaçõe fictícias é incrível a criatividade dos G.Os…Tem uma, por exemplo que é: Bacia “muito estreita”  (essa eu já ouvi, sobre mim..sim!)

http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/indicacoes-reais-e-ficticias-de.html

Por Melania Amorim

Inspiração: Eleanor Luzes

Eleanor Luzes é psiquiatra, psicanalista junguiana e autora da tese de doutorado: